Emma está sentada perto das ruínas do Santuário.

- Emma?

- Oi Dohko.

- Tudo bem?

Ela abaixou a cabeça.

-Apenas saudades do Mu. Ele está fora há um ano já.

- É normal sentir saudades. Mas não pode se abater por isso.

- Eu sei..

Ele levanta e a pega pela mão.

- Vem comigo.

Eles seguem juntos até um templo abandonado com uma enorme piscina no meio.

- Lembra?

- É claro, meu treinamento foi aqui. Que saudades.

Os dois sentaram com os pés na água.

- Uma boa época.

- Sim..

Dohko olhou para a amiga.

- Voltamos para o passado, Dohko.

- Como assim?

- Agora fazemos tudo juntos novamente.

Ele ficou parado olhando para ela.

- Precisamos ir...

- Porque Dohko?

Ele se levantou e tentou sair, mas a amiga o segurou. Os dois perdem o equilíbrio e caem na água.

- Você está fazendo isso de novo!

Ela grita. Ele olha para ela. Emma segura o seu rosto com as mãos.

- As vezes você entra em pânico. Tem alguma coisa com a sua promessa? Que segredo tão ruim é esse que você não pode revelar?!

Dohko tenta sair, mas ela o segura.

- Me fala Dohko!

Dohko beija os cabelos da amiga.

- Assim como eu nunca contaria um segredo seu, eu nunca contaria um segredo dele Emma.

Emma taca água nele que sorri.

- Chega Emma.

Ela continua e ele a segura de forma suave mas firme. Seus rostos estão pertos e ela sente a respiração falhar.

Nesse momento os dois saem da água e deitam na grama. Emma vira e olha para o amigo, sei rosto cora levemente. Quando se toca disso a menina se desespera e levanta em um pulo.

- Eu tenho que ir Dohko.

- já? Como assim? Então vamos.

- Não Dohko você fica.

Vemos Emma lendo algo na sala do Grande Mestre. Dohko entra na sala.

- Emma, tudo pronto para nossa viagem?

- Sim, partimos amanhã cedo. Só tenho pena de deixar o Mu aqui sozinho.

-Ele não é mais criança. Vai se virar. Além disso, são apenas 3 semanas.

Ela concordou, um estranho silêncio surge entre eles. Dohko se aproxima, segurando a amiga pelos ombros.

-Emma, o que está acontecendo?

- Ahn?

- Não se faça de boba. Você tem me evitado. Achei que ia passar mas já faz 3 meses. Eu fiz alguma coisa?

-Não fez Dohko. Não é nada, sério.

DOHKO A segura pelo braço, encostando-a na parede.

-Nunca tivemos segredos..

- não é verdade. Você tem segredos, Dohko.

- De novo a minha promessa?

Emma se desvencilha do abraço.

- Sim, eu preciso te contar tudo e você não me conta nada.

- Você está desviando do assunto.

Ele vai atrás dela, gentilmente segura seus ombros e a vira. Eles se olham nos olhos.

- O que é tão horrível para te incomodar tanto?

Ela não responde, apenas abaixa a cabeça.

- As vezes eu passeio pelo santuário e vejo a luz do seu quarto acessa, as vezes vejo você andando de um lado para o outro. Existe algo tirando o seu sono.

Ele segura o rosto dela nas suas mãos.

- Confia em Mim Emma.

- Eu não quero te perder.

Ele sorri.

- E não vai.

Ela segura a mão do amigo e o olha no fundo dos olhos.

- Você estava lá no dia em que virei grande mestra. Estava lá no dia que descobri que estava grávida. Estava lá no final da guerra. Estava lá quando virei mãe. Você me ajudou a criar o Mu, Dohko.

Dohko prestava atenção na amiga.

- Você virou noites comigo, seja para papear ou para descobrir a chave de Zeus...

Ela parou, seu corpo tremia um pouco. Então respirou fundo. Dohko parecia confuso. Emma abraçou o amigo e colocou o rosto em seu pescoço.

- exatamente Emma, eu sempre estive aqui. E é exatamente por isso que você pode me contar qualquer coisa. Eu estou aqui com você. Sempre.

A voz dela saiu abafada.

- Eu te amo, Dohko.

Ele sorriu.

- Eu também, Emma. Pode me contar.

Ela se afastou dele fazendo um barulho de frustação.

- O que foi, Em...

Ele parou de falar e seu corpo ficou paralisado enquanto ela se desvirava e o olhava nos olhos.

- Eu amo você, Dohko.

O cavaleiro olhava para ela totalmente sem reação. Ainda meio sem jeito, ela se aprpximou e segurou a mão dele.

- Talvez eu venha sentindo isso a algum tempo. Mas só aquele dia no templo abandonado que eu percebi.

Ela o abraçou. Dohko ficou com os olhos mareados enquanto sentia o cheiro dela. Ele deu um sorriso de pura alegria, mas que virou um choro silencioso de frustração. E então a afastou.

- Dohko? Por favor diga alguma coisa.

- Não, Emma. Você está enganada. Isso é carência, vai passar.

- Você me manda falar e quando eu falo você briga comigo? Não faz sentido. Dohko, eu não sou mais uma menina de 19 anos. Eu tenho um bom tempo de vida.

- Você não está pensando.

- Eu penso nisso o dia todo!

Ela estourou. Ele ficou a olhando.

- Eu passei o filme da nossa amizade muitas vezes dentro da minha cabeça. Eu tentei lutar contra! Acredite! Mas eu não consigo mais! Eu... ser sua melhor amiga não é mais o bastante.

Dohko enxugou uma lágrima que escorria no próprio rosto.

- Você é a pessoa mais nobre, meiga, amorosa, corajosa e especial que eu conheci em toda a minha vida. Você é único Dohko.

O libriano desmoronou, seus olhos refletiam uma dor absurda. Ela o abraçou.

- Por que você está chorando?

- Porque eu não posso corresponder o que você sente.

Ela o olhou chocada.

- Desculpe, eu só te amo como uma amiga querida e namorada do meu amigo.

- Eu não acredito em você. Ninguém chora por isso. Se você não correspondesse você ia apenas ficar com pena de mim.

Dohko explodiu.

- O que você esperava, Emma? Que você ia estalar os dedos e eu viria como um filhote abandonado implorando carinho? Claro que era isso que você esperava... não me confunda com o resto do Santuário que idolatra o chão que você pisa. Eu não vou ser um capricho seu igual aos outros.

Ela parou, e Dohko imediatamente se arrependeu. Principalmente quando uma lágrima escorreu no rosto perfeito.

- Outros? É isso que você pensa de mim?

Ele tentou se aproximar, mas ela o empurrou.

- Esse rosto é uma maldição Dohko. Por que esse rosto é uma máscara que os deuses me deram para conseguir o que eu quisesse, para que eu fosse protegida. E é só isso que eu virei para muitas pessoas, um rosto.

Ela limpou o rosto.

- O mundo todo pensa isso de mim, mas você sabia quem eu era de verdade. Eu fui idiota por acreditar que você podia gostar do que havia aqui dentro.

Ela apontava para o coração. Então, sem dizer mais nada, foi embora.

A cena muda e vemos a mestra saindo do santuário com uma mala nas costas. Mu está se despedindo da mãe.

- Por que o tio Dohko não vai mais?

- Ele precisava resolver umas coisas aqui, além disso eu posso me virar muito bem sozinha.

Ela começa a partir. A cena muda e a vemos em uma das várias casas que eram propriedade do Santuário. Ela estava parada em frente ao fogo da lareira, seu cabelo era curto e ela parecia cansada. Se preparava para dormir quando ouviu um som vindo da entrada e se preparou para o ataque.

Assim que avistou um vulto, aplicou um golpe certeiro derrubando o homem e o segurando pelo pescoço.

- Ai..

Dohko respondeu caído no chão. Emma se levantou no mesmo instante.

- Dohko! Você está bem?

- Você é melhor do que eu na briga.

Ele respondeu tentando recuperar o ar. Ela se afastou, visivelmente incomodada com a presença do amigo.

- O que você está fazendo aqui?

Ele foi até lareira e sentou.

- Eu juro que tentei ficar lá. Mas depois de alguns dias tive que vir atrás de você. Não consigo parar de pensar em todas as besteiras que eu te falei naquela noite.

Emma sentou ao lado dele.

- A minha reação foi péssima, eu fiquei desconcertado quando você disse que me amava. Eu nunca pensei que um dia você fosse... passar por isso.

Ela começa a rir.

- Sério Dohko, você veio até aqui só para me dizer isso? Por favor, vá embora. Não precisava se dar ao trabalho.

Ele tentou se aproximar, mas ela se levantou.

- Você foi um babaca! Não tem sentido você ter me agredido daquela forma! Você que queria saber o que se passava! Agora você acha que vir aqui faz tudo ficar bem? Não vai.

Ela começou a chorar.

- Você não precisa me amar de volta. Mas você tem o dever de me respeitar.

Emma ia subir para o seu quarto, mas parou na porta.

- Sabe o que eu não consigo entender? Sabe o que eu fiquei pensando nessa semana longe? Porque meus sentimentos ofenderam tanto você. Porque você quis me machucar de forma tão gratuita.

Dohko ficou parado, sem reação.

- Eu achei que conhecia você melhor do que a mim mesma. Acho que me enganei.

Subiu as escadas de forma firme, entrando no quarto. Tirou os sapatos, soltou os cabelos e sentou na cama, se cobrindo com a manta grossa. Olhou um pouco pela janela e começou a chorar. Um choro sem som, mas repleto de dor.

A porta se abriu com cuidado e Dohko entrou. Trocaram um olhar e ele sofreu ao ver as lágrimas da amiga. Sem pedir licença ele sentou na ponta da cama.

- Você está certa. Foi gratuito. A verdade é que eu pensei tanto no meu sentimento e na minha promessa que eu esqueci de pensar em como você estava.

Ela não respondeu, apenas o olhou.

- Eu tinha prometido ao Shion no leito de morte que eu nunca falaria a você meus verdadeiros sentimentos.

Emma abriu a boca para falar, mas nenhum som saiu dela.

- Eu amei você a minha vida toda, Emma. E o Shion descobriu. Por isso, antes de morrer, ele me pediu para nunca revelar isso. Que assim, ele continuaria vivo em seu coração.

Ele se arrumou na cama.

- Eu prometi. E eu achei que seria fácil, que as coisas apenas continuariam do mesmo jeito de sempre. Nunca passou pela minha cabeça que seus sentimentos por mim poderiam mudar. E o quanto seria difícil lutar contra o meu próprio coração.

Dohko estava visivelmente nervoso com tudo aquilo, mas continuava falando de forma calma. Olhando diretamente nos olhos azuis de Emma.

- Amar você foi tão fácil. Eu amei você a minha vida toda, Emma. Eu jurava que um dia isso ia passar, que eu ia gostar de outra pessoa, mas não. Eu não consigo olhar para outra pessoa porque meus olhos só querem ver você.

Ele respirou fundo, parecia exausto. Não apenas da viagem, e sim de abrir seu coração depois de tantos anos sofrendo em silêncio.

- Eu não quero quebrar minha promessa... Mas eu não aguento mais lutar contra isso.

Ele se levantou e começou a andar pelo quarto. Ele estava despido de qualquer segredo, ela sabia tudo agora. Não haviam mais mistérios.

- Tanta coisa faz sentido agora.

Ela respondeu. Ele ficou em silêncio de costas, com a respiração pesada. Parecia completamente imerso em seus pensamentos. Emma levantou da cama e caminhou até ele, o abraçando pelas costas.

- Dohko, eu te amo.

O cavaleiro girou dentro do abraço dela, ficando frente a frente para tomar os lábios dela com os seus. Entre beijos cada vez mais fortes, ela pode ouvir em um sussurro.

- Eu amo você, Emma.