Catherine chegou ao laboratório no horário de sempre. No entanto, não se sentia bem ali, ao menos, não mais. Perceber nos olhares dos outros a piedade que nutriam por ela, desde o ocorrido há um ano. Deixava-lhe ainda muito mal. Alem de seus próprios traumas.

Interrompe sua reflexão ao ver Grissom.

– Olá, Grissom!

– Oi Catherine, tudo bem?

Desde que lhe aconteceu. Catherine se fechou, preferiu não comentar com ninguém e, tudo o que passou isso incluía o Grissom também. Ela sabia que ele se preocupava, mas ela não se sentia bem para falar, sabia que já havia passado um ano, mas.

Cada dia, cada noite. Revivia o que sofreu e isso era o que mais lhe atormentava.

– Tudo nos conformes. O que temos para hoje? –

– O de sempre. Já irei fazer as divisões dos casos.

– Ok! Então, vou pegar um café antes.

– Catherine...

– Sim... – já sentia o que estava por vir. Desde que fora seqüestrada, ela não tivera nenhuma conversa com Grissom. Ela sentia-se mais segura assim. Manter as conversas no âmbito profissional era mais seguro.

– Sei que estas bem, mas se precisar conversar, sabe que pode contar comigo.

– Eu sei Grissom, mas estou bem. Obrigada! – rapidamente segue em busca de seu café, pois sabia que se se continua ali. Todo o seu autocontrole, cairia por água abaixo.

Após as divisões dos casos Catherine pegou o caso do Winchester com o Warrick enquanto os outros ficaram em outro caso. O que sabiam do caso. Era que uma jovem de 22 anos havia sido assassinada. E nem mais um detalhe.

Catherine seguiu o percurso todo calada. Warrick já havia se acostumado com isso, mas hoje em especial ele queria conversar, era tão triste não perceber na Catherine a mulher que a tanto ele admirou e por que dedicava um grande sentimento.

– Então... Como esta a Lindsey?

Mas ela não o estava escutando, ele percebeu que ela demonstrava esta perdida em seus devaneios, e isso lhe causou uma aflição.

– Catherine, esta tudo bem com você?

– Oh... Estou sim. Desculpe não ter respondido não tinha escutado você falar. O que você perguntou?

– Perguntei se a Lindsey esta bem? Faz tempo que não a vejo.

– Ela esta muito bem sim, mas esta com a minha mãe. Como a Lindsey vai entrar de férias, elas pretendem viajar.

– E você? Também vai!

– Não! Não a condições para eu embarcar em uma viaje nesse momento.

– Catherine, desculpe-me pela indiscrição. Mas venho percebendo o seu retraimento no laboratório. Sei que você passou por uma experiência traumática, mas você mudou tanto. Nem nos reconhece mais como seus amigos.

Ela pensa bastante antes de falar. – Não é isso, o problema que me frustra mais ainda, ver nos olhos de cada um, a piedade que cada um sente por mim. Eu nunca fui frágil, mas parece que depois do que aconteceu eu virei uma boneca de porcelana.

– Não é isso, apenas nos preocupamos com você. É tão difícil para você falar com a gente. E então como saberemos que você esta bem? Isso também nos frustra Catherine.

– Eu sei, mas ainda não me sinto preparada para comentar...

– Mas Catherine, já estamos há um ano esperando que você relaxe, se abra para gente.

– Esta bem, chega desse papo. Como vai seu casamento? – não queria ser pressionada e muito menos agora.

Warrick sabia que ela estava fugindo, mas no momento ele não iria forçar.

– Eu não estou mais casado Catherine.

– Me desculpe, eu não sabia – fala um pouco constrangida.

– eu sei disso, e muitas outras coisas você continua a ignorar.

– por que você esta falando isso? – pergunta intrigada.

– Nada, depois continuamos essa conversa, pois chegamos.

Catherine não ficou convencida, mas também essa não era a hora para conversas, ela tinha que se concentrar em seu trabalho, ao menos isso.