II. O TORNEIO

Desde que Dumbledore anunciara que Hogwarts sediaria o Torneio Tribruxo, não se falava em outra coisa nos corredores, salas e dormitórios. Todos os alunos que se achavam bons o suficiente diziam que colocariam seus nomes no Cálice de Fogo e muitos já estavam inclusive contando com a vitória. Havia também o boato de que Cedric seria o campeão ideal para a escola e que certamente colocaria seu nome também. Cedric havia ganhado notoriedade entre as casas desde que venceu a Grifinória na última partida de Quadribol.

Eu andava em direção aos jardins, pois tinha um tempo livre antes da próxima aula, quando vi Cedric e alguns amigos rindo e dando piruetas com uma vassoura. Dirigi-me até eles. Era engraçado ver Cedric abrir um sorriso ao me ver enquanto os outros dois amigos torciam o nariz.

- Oi - eu disse, ao me aproximar.

- Oi Amy - ele respondeu, largando a vassoura e levou uma das mãos à minha nuca e beijou o topo de minha cabeça.

- Ei, cara - um dos amigos insuportáveis chamou - nós já vamos indo. Vamos guardar as vassouras antes da próxima aula.

Cedric acenou positivamente com a cabeça e os dois garotos viraram as costas e saíram em direção ao castelo.

- Vamos sentar em algum lugar? - ele perguntou-me.

- Claro.

Fomos até a beira de um pequeno lago e sentamos lado a lado na grama. Ainda era outono e haviam inúmeras folhas secas espalhadas pelo chão, deixando tudo alaranjado e mágico.

- Não precisa deixar a barba crescer pra tentar colocar o nome no Cálice, sabia? Você já tem idade suficiente - brinquei ao ver a barba rala que crescia em seu rosto, fazendo com que ele soltasse uma sonora gargalhada.

- Não gosta da minha barba? - ele perguntou, ficando sério. Foi a minha vez de rir.

- Gosto - respondi sorrindo - gosto muito. Mas então, você vai mesmo colocar o nome no Cálice?

- Vou, estou quase que absolutamente decidido a isso.

- Quase que absolutamente? - perguntei, rindo - o que faz dessa decisão um "quase"?

Ele passou a mão pelo cabelo, bagunçando os antes penteados fios acobreados.

- Ah, você sabe - ele começou - preciso do apoio de alguém.

- Do seu pai? - perguntei - Tenho certeza de que ele apoiaria, dizem que o ganhador do torneio adquire muita honra e blá blá blá.

- Não, não falo do meu pai - ele respondeu impaciente.

- Então de quem?

- Seu - ele simplesmente respondeu, olhando-me diretamente nos olhos e sorrindo.

- Meu? - perguntei nervosa, fora pega de surpresa dessa vez.

- Sim, seu. Você é minha melhor amiga e a pessoa que mais me importo dentro desta escola. Se você me pedir para não me inscrever, serei obrigado a deixar metade de Hogwarts decepcionada ao inscrever um papel em branco.

Fiquei alguns minutos tentando absorver aquilo tudo. Claro que eu sabia que era importante para ele, assim como tinha certeza da importância dele para mim, mas nunca me passou pela cabeça que eu tivesse tanto poder de persuasão em relação a ele. Aquilo me comoveu e me fez sentir uma vontade absurda de abraçá-lo, beijar suas bochechas, seus cabelos, olhos e tudo o que estivesse ao alcance de meus lábios. Mas obviamente não o fiz. Desde que crescemos um pouco, mantínhamos uma certa distância a fim de evitar qualquer comentário dos outros alunos ou de causar algum tipo de confusão em relação ao que tínhamos. Grande bobagem, eu já estava confusa sem nem ao menos cruzar os centímetros que ainda restavam entre nós. Desviei meu olhar o dele e encarei o lago.

- Você sabe que eu não faria isso - respondi, respirando pausadamente - não faria você decepcionar a escola, ou seu pai. Você tem o meu apoio.

Ele tinha meu apoio e permissão. Meu primeiro erro.