O primeiro rojão lançado foi aos céus explodindo em uma bela chuva de cores. Depois desse vários foram soltos, os sons de explosões monopolizavam todos os sons, eles eram os réis da festa agora e todos o admiravam.
- "Heero... queria você aqui" – pensou, olhando para Trowa e Quatre – "e esses dois? Precisam de um empurrãozinho!" – sorriu – "...Literalmente".
O americano sorriu de canto e empurrou Trowa, fazendo-o cair em cima de Quatre. Ninguém por perto ouviu o grito dos dois, pois estavam entretidos demais com os fogos. Duo sorriu ao ver os dois caídos no chão e de como Trowa o abraçou para que não se machucasse.
- "Isso sempre funciona!" – sorriu, voltando a olhar os fogos.
Trowa estava olhando para Quatre. Os dois estavam bem próximos, seus rostos estavam colados, como seus corpos. Estavam envergonhados.
- Desculpe... – pediu Trowa.
- Tudo bem... Eu deveria ter tentado lhe segurar.
- Sou mais pesado...
Trowa moveu a cabeça para frente tomando coragem para beijá-lo, mas Quatre se assustou e arregalou os olhos, assustando Trowa que recuou.
- "Não é possível, esses dois são muito lentos! Acho que precisão de um empurrão mais forte!" – pensou Duo, andando até eles e pisando nas costas de Trowa, o esmagando mais ainda contra o loirinho.
- DUO! – Trowa gritou, irritado.
- O que foi? – perguntou inocentemente.
- Sai de cima de mim!
- Oh! Desculpe-me Trowa, eu não lhe vi! – disse cinicamente, saindo de cima dele, mas antes ele deu uma pisada de leve na cabeça de Trowa, fazendo os dois trocarem um beijo leve.
- "Acho que agora vai" – pensou, sorrindo consigo mesmo.
Quatre estava muito vermelho com que havia acontecido, ele tentou falar algo, mas Trowa o interrompeu tentando pedir desculpas, e no final ambos ficaram em silêncio. Trowa, entretanto, não se levantou e nem Quatre se moveu.
- Quatre... Eu...
- Você?
- Eu... Desculpe-me.
- Ah, tudo bem, foi o Duo que...
- Não, eu fui porque quis.
- Foi? – arregalou os olhos – por que?
- Eu... Queria.
- Queria?
Trowa fez um sim com a cabeça fechando os olhos. Quatre ficou sem reação, e acabou virando o rosto para o outro lado, sentindo-se envergonhado, e ainda por cima não se sentia confortável naquela posição.
Seus corações batiam tão rápidos, dava para cada um sentir isso já que estavam com os corpos tão juntos. Estavam amando aquela sensação, mesmo que não dissessem ou demonstrassem isso, e cansados de fingirem e mentirem ambos se beijaram.
Duo olhou para os dois e sorriu muito feliz. Ficou pensando por um tempo, até que abraçou seu próprio corpo sentindo-se sozinho. Ele olhou para os lados vendo um monte de gente ao seu redor, tanta gritaria e tanta cor. Mas tudo foi ficando preto e branco, e os sons morreram, e ele acabou se vendo sozinho.
- "Será que ele está pensando em mim?" – pensou.
"A
gente pode se sentir só, mesmo no meio de muita gente amiga, se
souber que não ocupa um lugar especial no coração de
alguém...".
(Anne Frank).
Num espaço escuro e solitário, estava Heero. Ele estava sentado na cadeira principal da nave espacial, na sua frente um grande painel de controle estava piscando. O japonês havia colocado no piloto automático e agora estava com os braços cruzados e olhos fechados.
Seu coração batia lentamente, estava muito calmo. E pela primeira vez estava sentindo-se tão em paz, tinha esperanças no seu peito. Estava até contente, pois no dia seguinte poderia ver o americano junto dele.
Abriu suas pálpebras revelando um par de olhos fascinantes. Heero olhou para o radar da nave, que na verdade era seu gundam. Ele viu que tinha alguns cargueiros de Móbiles Suit se aproximando. Talvez não teria uma viagem tranqüila.
Quando os cargueiros se aproximaram mais ainda, Heero apertou um botão fazendo seu gundam se abrir totalmente, revelando a morte para seus inimigos. Não demorou muito para Heero pegar seu canhão de raios e atirasse contra os cargueiros.
O silencioso espaço logo deu espaço para uma batalha que não demorou muito para ser terminada. Heero deixou os destroços flutuando e se apressou em chegar à colônia.
A noite passou-se dando lugar ao dia que nascia sem sol. As grandes nuvens cobriam os céu, iria chover novamente.
Duo levantou-se olhando para o relógio que já marcavam 11:00 horas. Ele sentou-se na cama procurando seu chinelo, quando o achou foi andando até o banheiro. Olhou-se no espelho e começou a pentear seus cabelos.
Depois de se arrumar saiu do quarto, vendo que Quatre e Trowa já estavam tomando café da manhã na cozinha.
- Bom dia! – sorriu.
- Bom dia – os dois o cumprimentaram em uníssono.
- Você vai partir hoje? – perguntou Quatre.
- Sim.
- Então não suma! – disse.
- Pode deixar, vocês não vão se livrar de mim tão fácil!
Duo sentou-se à mesa e tomou café junto com eles notando como seus amigos estavam tão próximos e felizes. Sentiu um pouco de inveja, mas nada destrutivo, pela primeira vez sentiu vontade de ter Heero próximo a ele.
A tarde chegou e Duo começou a arrumar suas coisas. Ele não via a hora de chegar perto de Heero, estar com ele, beijá-lo e dizer todas as coisas que estava sentindo no momento. Quando saiu de casa com as malas nas costas, um sorriso radiante desenhou-se em seu rosto. Quatre e Trowa despediram-se dele, e sem mais demora Duo partiu.
O americano andava na sua moto, indo até o aeroporto, que o levaria até um país vizinho, aonde tinha uma nave espacial lhe esperando para levá-lo ao espaço. Não era particular, era um aeroporto comum.
Quando chegou, deixou sua moto com uma mulher que trabalhava com um amigo seu na Terra. Chegou no horário, entrou na nave e sentou-se na janela. Não demorou para a nave partir, agora estava mais perto do seu querido soldado perfeito.
Heero estava no seu quarto de hotel, jogado numa cama de casal. O quarto estava uma verdadeira zona, pois desde que voltou não descansou. Ele já saiu para duas missões que foram terminadas.
Foram fáceis tinha que admitir. Não teve nenhum esforço, mas eram missões que tomavam muito do seu tempo. Mas agora poderia relaxar e esperar seu querido americano vir até ele.
A tarde ia caindo cada vez mais rápido, mas por estarem nas colônias o céu era sempre negro com estrelas. Era cansativo ter sempre a mesma visão, mas para quem morava e sempre morou nas colônias, isso não era nada tedioso.
O interfone tocou, Heero deu um pulo da cama indo atendê-lo, com um sorriso ele deu permissão para que Duo subisse. Rapidamente foi até a porta, esperando que ele batesse nela. Quando ouviu dois toques, abriu-a imediatamente dando de cara com Duo, que sorriu e disse:
- Cheguei!
Heero abriu mais a porta dando espaço para ele entrar, quando Duo entrou, jogou suas coisas no chão e virou-se para Heero, que havia fechado e trancado a porta. Os dois se aproximaram e se beijaram.
Duo sentiu seu coração se acalmar, agora estava com Heero e tudo estava bem. Mas aquela sensação de saber se gosta como amigo ou amante ainda estava no seu peito. Tinha saudades, mas era uma saudade do seu corpo? Era um amor carnal? Fraternal?
Os dois ficaram parados, sentindo o beijo. Quando se separaram, Heero pegou na sua mão e a beijou fechando os olhos e dizendo:
- Contei os segundos...
- "Um Heero romântico? Esse eu não conhecia!" – pensou – Eu também! – disse.
- Está cansado? Com fome?
Duo foi andando até a cama, que estava toda bagunçada, ele sentou-se e depois jogou seu tronco para trás deitando-se. Fechou os olhos e logo abriu ao sentir a cama balançar um pouco, ele abriu um dos olhos vendo que Heero havia sentado ao seu lado.
- Melhor você dormir.
- Sim! – disse, com uma voz sonolenta.
Heero se levantou e como uma mãe pegou Duo no colo e o endireitou na cama, retirando seus sapatos e o cobrindo. Duo ficou com o corpo mole, deixando Heero fazer tudo. Quando estava deitado e coberto, olhou para Heero e disse:
- Pegue o Hee-chan.
- Hee-chan? – indagou, estranhando muito aquele nome.
- Me faça um favor, me dê o hee-chan.
- Hee-chan?
- Sim, Heero. O Hee-chan, o coelhinho que você me deu!
Heero não conseguiu manter a compostura depois de ouvir aquilo, ele ficou com a face avermelhada e olhos arregalados. Então olhou para a mala do americano, vendo que ao lado tinha uma sacola com um par de orelhas azuis para fora, foi até ela e pegou o famoso "Hee-chan".
- Esse mesmo! – disse.
O coelhinho logo chegou aos braços do americano que o apertou com um sorriso muito satisfatório nos lábios.
- Obrigado!
O americano fechou os olhos e se ajeitou na cama, estava realmente cansado, não demorou nada para cair no sono. Enquanto Heero pegou uma cadeira qualquer e sentou-se nela para ficar a observar o americano dormir tranqüilamente.
Horas mais tarde Heero cansou-se de ficar sentado naquela cadeira de madeira, ele retirou seus sapatos e deitou-se ao lado de Duo, que felizmente estava com o rosto virado na sua direção. Então se aproximou pegando na sua mão.
As horas passaram rápido. Os dois dormiam profundamente, e um novo dia vinha vindo rapidamente.
O despertador tocou, avisando ser 8 horas. Heero abriu os olhos de repente, indo até o aparelho dando uma porrada para que ele parasse de apitar. Mas já era tarde, um par de olhos violetas se abriram para observá-lo, Duo havia acordado.
- Que horas são? – indagou, sentando-se na cama.
- Oito.
- Hum... – Duo bocejou – Bom... Dia!
- Durma mais um pouco.
- Não, estou com fome.
- Vamos comer fora então.
Duo sorriu com a atitude desesperada de Heero. Ele o mimava demais, adorava isso. Quem iria imaginar que Heero seria um namorado tão maravilhoso, mas... Eles não estavam namorando, ou estavam? Duo ficou parado, pensando em mais uma coisa. Eles estavam namorando?
- Duo...
- Hum?
- Você quer... Ficar comigo?
- Como assim? Eu já estou com você! – disse, sorridente.
- Não. Não está.
- Como não? Não estou aqui?
- Não, não assim... Quero lhe perguntar, se não quer... Namorar... Comigo! – disse com um pouco de dificuldade.
O americano travou. Logo de manhã tinha que pensar em tanta coisa ao mesmo tempo, sendo que ele nem mesmo sabia se gostava de Heero como ele gostava dele. Entretanto, Duo escolheu ir com ele para a colônia, talvez Heero tenha feito um pedido que carregava duas intenções. Se Duo aceitasse ir com ele, então ele estaria admitindo que gostava e que queria ficar com ele, sendo que Duo apensas aceitou ir com ele para não vê-lo triste, na verdade foi por impulso.
- Eu... Eu não sei!
- Não? – surpreendeu-se – pensei que tivesse decidido!
- Decidir o que?
- Duo... Bom... – Heero gaguejou, não sabia falar muito. Mas nessa relação até que ele mesmo estava se surpreendendo – você gosta de mim.
- Sim! – disse – bom, eu não sei.
- Hum... – respirou fundo, se segurando para não chacoalhá-lo – não brinque comigo!
- Heero! Eu não estou brincando com você, é sério! – disse, sentindo medo dos seus pensamentos totalmente equivocados.
- Então, por que veio sem saber?
- Heero... Eu vim, porque eu quero descobrir junto de você... O que eu quero!
- Mas já pensou que você está me iludindo como isso? E se no final você não querer nada? Você vai me deixar? Claro que vai! – disse, elevando o tom de voz.
- "Um Heero irritado" – pensou – "Infelizmente estou para conhecer um Heero irritado, Droga!".
- Você não sabe? Tem diferença entre beijar um amigo e um amante, você sente-se diferente. Até eu sei disso! Quando Relena me beijou eu não senti absolutamente nada, mas eu gosto dela de outra forma. Agora você... Você... Você... Como pode dizer que não sabe?
- Heero, calma! – disse.
- Não me peça para ter calma... Eu... – calou-se, ao ver o que estava fazendo. Estava se comportando de uma maneira estranha. Ele nunca se sentiu assim. No momento, queria pegar Duo e trancá-lo num lugar e viver com ele para sempre.
- "Nossa... ele lado dele também é muito interessante" – pensou um pouco assustado – "melhor não provocá-lo... tentar acalmar a fera... Calma Duo, você consegue!".
Duo respirou fundo e disse:
- Eu não sou como você! Heero você sabe o que quer, isso é ótimo, agora eu sou uma pessoa confusa. Não me pressione.
Heero franziu o cenho pensando no que ele disse e então voltou para sua face fria e calma de sempre. Era incrível como ele conseguia se enfurecer e se acalmar tão rápido, talvez ele tenha tido um treinamento do tipo, pois era algo admirável.
- Desculpe, se quiser eu vou embora.
- Não, fique – disse – eu vou comprar algo para comermos, não saia.
Heero se levantou indo até a cômoda, pegando sua jaqueta jeans, sua arma e sua carteira, saindo logo em seguida batendo a porta com força. Talvez a raiva ainda esteja lá.
Agora estou com aqui com você
Não quero sair dos seus braços
Descobri em você uma parte de mim
Quero ficar nos seus braços
Que os céus permitam que esse momento dure
Que os anjos ouçam minhas preces
Que as dores da inveja não caiam sobre mim
Que o desejo não me cegue
Duo ficou no quarto, esperando Heero como este mesmo dissera para esperar. Ele se arrumou, tomou um banho e trocou de roupa. Estava arrumando o quarto de hotel, que estava uma verdadeira bagunça e como não tinha nada para fazer.
Quando a porta se abriu, Duo foi até ela, vendo Heero entrar com alguns pacotes de comida. O cheiro invadiu o quarto, deixando Duo louco de vontade de comer. Ele correu até Heero perguntando o que ele havia comprado.
- Comida chinesa.
-
Hum! Adoro!
- Eu sei...
Duo ficou quieto por um tempo e depois sorriu amarelo dizendo:
- Vamos comer, então?
- Sim.
Eles arrumaram a mesa, serviram-se e começaram a almoçar. Duo não parava de falar, mas ele mesmo estava ficando sem mais assuntos, pois Heero nem sequer falava sim ou não, ele voltou a pronunciar aquele maldito "Hum", novamente.
Quando o almoço terminou, Heero jogou seu parto descartável no lixo junto com os talheres de plástico. Duo fez o mesmo, e tudo estava limpo no final.
Heero olhou para os lados vendo que tudo estava arrumando e depois disse:
- Não precisava limpar, aqui tem empregados.
- Eu sei, mas estava com tédio.
- Quer fazer algo?
- "Finalmente disse algo..." – pensou – Vamos dar uma volta?
- Eu tenho que fazer umas coisas. Não posso.
- "Maldição, Heero está ficando tão distante de mim, por que? Por que isso agora?" – pensou – Então vamos depois.
- Não, vou ficar a tardei inteira fazendo.
- À noite?
- Vou descansar para a missão de amanhã!
- Hum...
Duo ficou olhando para o japonês, teve uma vontade louca de ir até ele e beijá-lo, para que aquela carinha brava sumisse, e o fez. Deu alguns passos na sua direção e o agarrou lhe beijando, deixando Heero sem reação.
- O que foi?
O americano não entendeu a pergunta de Heero, ele ficou olhando-o e sentiu seu coração bater muito forte. Podia sentir a ereção de Heero, aquilo lhe deu medo, mas confiava nele e sabia que não faria nada que não quisesse.
Heero o abraçou, não conseguia mais disfarçar aquela indiferença. Suas mãos desceram por suas costas parando no quadril, o puxando para mais perto, fechando seus dedos grossos na sua carne, que estava coberta por uma fina camiseta vermelha.
Os lábios de Heero deslizaram pela linha do seu pescoço, deixando várias marcas de beijos ali. Duo fechou os olhos e tombou a cabeça para o lado contrário, facilitando o trabalho de Heero.
Heero o abraçou a fundou ainda mais seus lábios naquela pele tão cheirosa. Depois o levantou o levando até a cama. Os dois ficaram deitados na cama, Heero estava em cima de Duo, beijando seu pescoço. Ele subiu seus lábios pelo rosto de Duo indo até sua boca.
- "Ai meus Deus! O que ele vai fazer? Por favor, céus... isso não pode acontecer" – pensou.
Heero retirou a camiseta de Duo rapidamente, quase a rasgando. Agora podia olhar aquele tórax e abdome perfeito que sempre imaginou que Duo teria. Depois de admirá-lo mergulhou seus lábios naquele caminho. Seus lábios morderam seus mamilos que ficaram durinhos pelo contato, seu corpo inteiro havia arrepiado.
Duo jogou a cabeça para trás com os olhos abertos, ele sentia a boca de Heero descendo cada vez mais até chegar no seu umbigo. O americano sorriu aliviado ao ver que Heero parou com aquilo, mas para sua surpresa, sua calça jeans foi arrancada num único puxão.
O corpo de Heero se arrepiou com aquela visão. Ele olhou para cima vendo que Duo estava com a cabeça jogada para trás. Ele estava atravessado na cama, com os pés encostados no chão. Heero tocou nas suas pernas, as apertando, sentindo como eram grossas e duras.
Sua língua deslizou por elas, sentindo o rosto salgado da sua pele, ficou assim, sentindo aquele cheiro tão característico, até que subiu sua boca até o pênis de Duo, que estava escondido na cueca. Heero passou a língua nele molhando o pano levemente, depois mordeu seu membro devagarzinho, fazendo a respiração de Duo acelerar.
As mãos de Duo fecharam-se no lençol, ele estava com medo, mas mesmo assim estava muito excitado e queria que Heero continuasse, queria aquele toque labial na pela novamente, mas não tinha coragem de pedir.
Como se pudesse ler os pensamentos do outro, Heero retirou a cueca de Duo, revelando aquele membro, que começava a despertar. O japonês jogou a cueca de Duo no não e logo em seguida ajoelhou-se no chão e puxou suas pernas mais para frente, fazendo fica com a metade do corpo para fora. Sua boca se abriu e foi colocando aquele membro vagarosamente. Quando o pôs por inteiro começou a sugá-lo, fazendo um vai-e-vem com a cabeça.
Duo fechou a boca com força, cerrando seus dentes. Sentia um prazer indescritível, não queria que Heero parasse. Queria que fosse mais rápido, mais forte. Começou a se mexer no mesmo ritmo de Heero, gemendo baixinho, adorando aquelas sensações. Até que levou sua mão até a cabeça do japonês o puxando, pedindo mais contato.
Os movimentos aumentaram então. Heero segurou suas pernas com mais força e acelerou os movimentos. Ele retirou o membro da sua boca, sentindo seus cabelos serem torcidos por Duo, que gemeu frustrado. No entanto, Heero não pretendia parar. Ele continuou a masturbá-lo com a sua mão, e depois colocou a glande na boca, a mordendo de leve para depois dar várias chupadas leves.
O corpo de Duo pegava fogo, ele sentia um frio percorrer sua barriga. Estava tremendo levemente. O prazer era tão forte, o orgasmo era uma sensação terrível, avassaladora, o mais puro dos imortais cairia aos pés desse prazer. Nem mesmo o Deus da Morte conseguia evitar que seus gemidos saíssem cada vez mais altos. Duo ergueu seu quadril, mas Heero o manteve preso, continuando as masturbá-lo, e não demorou muito para que Duo gozasse em sua boca. Heero sugou cada gota e depois subiu na cama ficando de quatro em cima dele.
Heero tomou seus lábios novamente dando-lhe outro beijo. Duo sentiu-se desconfortável com tudo aquilo. Queria sair correndo, ele podia sentir o membro duro de Heero e aquilo estava deixando-o desesperado.
- O que foi? – Heero perguntou.
- Nada... – disse meio gaguejante.
Heero respirou fundo e lhe deu um beijo na testa, para depois se levantar e ir até o banheiro, trancando-se ali.
- Heero? – Duo o chamou, sentando na cama.
O americano pegou sua cueca no chão e a vestiu, depois foi até a porta dando duas batidas de leve, mas não obteve resposta. Bateu mais duas vezes, e Heero abriu.
- O que aconteceu?
- Se você não queria, por que não me parou?
- Er... Eu ... – ficou sem reação.
- Não brinque comigo! Olhe meu estado! – disse, abriu os braços.
Duo não agüentou. Heero estava com um olhar tão magoado, seu corpo estava arrepiado, seu membro ereto, ele estava um pouco vermelho. Queria dar prazer a ele, mas não estava com vontade. Sentia-se a pior pessoa desse mundo.
Heero ia fechar a porta, mas Duo a segurou e a empurrou para trás, ficou surpreso por ter tanta força, talvez Heero estivesse fraco por causa das sensações que corriam por seu corpo. O americano entrou e foi empurrando Heero até a parede.
- Não foge de mim!
- Não estou.
- Está sim! – disse.
- O que quer que eu faça? Te agarre? Te violente?
Duo tirou suas mãos de cima dele, pensando nas perguntas. Ao pensar melhor viu que não estava ajudando em nada. Estava pedindo para Heero forçá-lo a fazer? Então se fizesse e arrependesse poderia dizer que foi forçado e colocaria toda culpa no japonês.
- Não, não quero.
- Então?
- Deixe-me aliviá-lo então...
- Não! – disse abruptamente.
O americano fechou os olhos e saiu do banheiro com a cabeça baixa, ele fechou a porta e foi andando até o quarto. Logo pôde ouvir o som do chuveiro, Heero já estava se aliviando sozinho.
Duo se jogou na cama, e acabou fechando os olhos e dormindo. Estava cansado, e agora estava no mais profundo sono, sonhando coisa coisas absurdas, apenas sonhava com Heero. Ele havia invadido sua mente desde que o beijou pela primeira vez.
Heero saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura revelando seu corpo musculoso. Mas nada anormal, seus músculos eram bem trabalhados e proporcionais ao seu corpo. Ele foi até sua mala, pegando uma calça jeans preta e uma blusa de manga comprida da mesma cor, depois se sentou à mesa pegando seu laptop. No entanto, não estava conseguindo trabalhar vendo aquela bela criatura dormindo na cama.
"Quem
tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas
olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. Você
nunca será minha e por isso terei você para sempre".
(Paulo
Coelho).
A noite caiu. Heero havia saído na sua missão, deixando um bilhete para o americano.
Duo acordou finalmente, ele se levantou e andou pelo quarto procurando o japonês, depois de muito andar e chamar viu o bilhete em cima da mesa. Pegou-o na mão e leu:
"Fui para uma missão, volto amanhã de manhã".
A mensagem era fria, podia sentir uma tristeza vindo dela, mas o que poderia fazer? Estava triste por ontem à noite, entretanto, não poderia se entregar a uma pessoa sem saber se realmente gostava dela.
Duo amassou o bilhete e jogou na cesta de lixo, depois olhou ao seu redor se encontrando sozinho. Então seria assim? Sempre sozinho? Ficou se perguntando se realmente deveria ter vindo.
- "Eu... ah... eu não agüento mais ficar aqui! Quando estava longe de você sentia uma saudade tão sufocante, e agora... agora que lhe vi, não quero mais ficar próximo a você. Que sentimento é esse? Eu sinto... raiva, raiva de você. No entanto, queria você agora" – pensava.
Na manhã do dia seguinte. Heero entra no quarto encontrando tudo escuro, ele joga sua mala no chão e ascende a luz, encontrando Duo acordado, sentado no chão num canto do quarto. Heero se assustou no começo, mas logo voltou a sua pose fria.
- Finalmente chegou...
- Hum...
- Por que não me acordou?
- Não queria lhe incomodar.
- Como quer ter algo comigo se você não ajuda! – indagou, elevando seu tom de voz.
- Por que sinto que só eu estou tentando nessa relação! – disse, irritando-se.
- Não! Você não ajuda, eu tento conversar com você e o que você faz? Hein? Você fica falando esses malditos "huns", isso me irrita sabia?
- Hum!
- Ta vendo? Fez de novo! – disse, se levantando – Eu não sou de ferro Heero, ou você me respeita ou eu vou embora.
Heero ficou caldo um tempo pensando naquela ameaça. Seu coração deu uma batida muito forte e depois pareceu parar, estava com medo que aquilo acontecesse.
- Eu não te respeito? – indagou.
- Não! Você me deixa largado... Como é que vai ser quando oficializarmos isso?
- Oficializarmos? Você aceita namo...
- Não! Eu não disse isso... – disse nervoso – eu quero saber, como podemos dar certo se somos tão diferentes?
- Er... – Heero gaguejou. Não tinha o que falar.
- Não vai dizer nada? Hein?
- Não está feliz aqui?
- Nossa, que bom que você percebeu!
-
Duo... Não queria lhe tirar do seu mundo para entrar no meu! Bom, eu
queria... Mas não queria que viesse até meu mundo!
- Mas agora é
tarde, você me arrastou!
- Eu? Você veio porque quis!
Duo fechou os olhos e respirou fundo. Tinha que admitir que viera porque quis, mas é que Heero havia feito uma cara de velório naquela hora, que não resistiu e por impulso disse que iria. Mas agora nunca desejou viver tão longe dele. Não que o odiasse, mas estava com raiva, era um sentimento estranho, gostava, mas não gostava dele.
- Heero, eu já sei.
- Decidiu? – indagou, com olhos baixos e entristecidos.
- Sim... Eu percebi que não gosto de lhe beijar, mas sim de lhe abraçar. Gosto de você, conversar com você. Mas isso não é amor, nunca foi um amor carnal.
Heero não agüentou mais e caiu de joelhos no chão. Ele olhou para o americano, que se aproximou dele, sentiu a sua mão quente tocar em seu rosto.
- Eu sinto muito se lhe magoei... Mas eu não sabia o que eu queria também! – revelou, com lágrimas nos olhos.
Heero ficou em silêncio. Dos seus belos azuis cobalto saiam lágrimas frias e tristes, que escorriam por sua face, todas as lágrimas se encontravam no seu queixo e logo em seguida iam ao chão.
O coração do americano acelerou, ele estava vendo Heero chorando. Ele se ajoelhou no chão e levantou seu rosto limpando suas lágrimas com os dedos. Depois deu um beijo em sua testa dizendo:
- Eu te adoro, só isso. Agora eu preciso ir, me esqueça Heero, mas não me esqueça, entende?
Duo se levantou, pegou sua mala e abriu a porta dando uma última olhada para o quarto. Sentiu vontade de abraçar o japonês, mas não conseguiu, sabia que não teria forças para ir embora depois. Então fechou a porta saindo rapidamente dali. O seu coração estava aflito, queria estar com Heero agora, mas quando estava com ele não queria mais. Agora sentia que o amava, mas quando via não sentia nada. Eram sentimentos tão complexos, que talvez fosse melhor ficar sozinho por um tempo para analisá-los com calma, e quem sabe um dia achasse uma resposta. No entanto, não iria fazer Heero sofrer, ele não merecia.
Quando ouviu a porta do quarto batendo, Heero caiu no chão com tudo, fazendo uma mancha de sangue o cobrir todo. Ele estava ferido, havia levado um tiro, mas ao invés de ir se tratar achou melhor ir para casa, pois assim teria o americano por perto caso algo acontecesse. No entanto, nunca se viu tão sozinho em sua vida.
Os olhos de Heero foram sumindo, ficando cada vez mais claros. Seu corpo ficou frio, e um arrepio correu por toda sua espinha, estava ficando cada vez mais fraco. Não agüentou e acabou perdendo a consciência, mas antes pediu em pensamento:
- "Que dor... Por favor, céus... faça-me esquecê-lo".
Duo corria pelas ruas das colônias, queria fugir o quanto antes dali, pegaria o primeiro vôo para qualquer lugar que fosse. Apenas queria fugir, pois sabia que se olhasse para trás voltaria. Então correu até o aeroporto mais perto que tinha.
Quando chegou no aeroporto viu um monte de pessoas cheias de malas, pessoas cheias de amigos e familiares por perto, e pessoas sozinhas como ele. Ele olhou para os horários dos vôos e comprou uma passagem para a colônia L2, queria voltar para sua casa, se é que tinha uma.
Comprou a passagem apresentando os documentos necessários, e logo foi para a fila onde. Ele olhou para a saída do aeroporto, ainda tinha tempo de voltar e falar para Heero que ele estava muito confuso. Mas não, isso iria causar muitos transtornos.
A fila começou a andar e as suas pernas moveram-se junto, ele foi andando até que entregou o passaporte para o rapaz. Pronto, ele finalmente havia entrado, agora era só fugir.
- "Ah, Heero, queria que você nunca dissesse que gostava de mim... por favor, céus faça isso parar de acontecer, queria esquecer tudo isso, eu quero esquecer!" – pediu em pensamento.
De repente o mundo parou, tudo ficou lento. As cores das coisas sumiram, tudo ficou lento, o som parou. Ninguém percebeu essa mudança, pois todos foram paralisados também. Uma áurea mágica cobriu tudo, e de repente, surpreendentemente o céu ficou tão claro que cegaria qualquer um que tentasse olhá-lo.
Uma criatura toda iluminada apareceu, então ela olhou para a Terra, as colônias e todos os habitantes do universo. Aquele era um anjo. Um anjo cheio de brilho, que logo pareceu um mortal qualquer, ele olhou para um certo casal que estava começando a encher o saco dele com suas preces. Talvez fosse um anjo da guarda.
- Vocês mortais, frutos divinos de Deus desejam tanto esquecer o amor? Criaturas tolas que rejeitam o amor, eu lhes castigarei e atenderei tal pedido, pois meus ouvidos não agüentam mais suas lamúrias... Então que um esqueça o outro, que vocês apaguem todas as lembranças que têm do outro. Vocês nunca vão se reconhecer, até que um amor sincero invada seus corpos e que vocês aprendam a essência do amor, ou vocês iram lembrar um do outro, quando um de vocês falecer! Essa são as duas condições, aqui deixo meu veredicto! Amém!"".
E o anjo sumiu, fazendo tudo voltar ao normal. As pessoas começaram a andar novamente, a cor voltou e o som também, tudo estava normal. Então o céu voltou a ficar escuro e a vida continuou.
Duo sentou-se na poltrona sentindo um vazio imenso no seu peito, ele olhou para os lados não entendo porque estava ali. Ele pensou um pouco e se lembrou que tinha uma missão na Terra semana que vem, talvez estivesse indo para L2, ver Hilde ou coisa do tipo, mas realmente não tinha muita certeza do que estava fazendo.
No quarto de hotel, Heero gemeu algo, estava com o corpo todo dolorido. Ele se levantou e foi andando até sua mala, ele pegou um espelho e uma pinça, então sem demorar começou a retirar a bala que o perfurou, e se não tivesse feito isso logo, com certeza teria morrido. Depois de retirar a bala, ignorando sua dor, ele fez um curativo e deitou-se na cama.
Heero também sentia como se algo tivesse sido arrancado do seu peito, mas como estava cansado demais com a missão acabou dormindo, sem pensar em mais nada, não tendo nenhum sonho, nenhum desejo, um vazio cobria seus pensamentos.
Dois meses passaram-se num piscar de olhos. A vida dos pilotos gundans não havia mudado em nada, o feitiço daquele anjo ainda existia. Ele não só havia mexido na mente de Duo e Heero, mas sim de todas as pessoas que os conheciam, pois ficaria um caos se seus amigos de repente descobrissem que suas memórias foram apagadas.
Heero estava terminando seu banho, ele fechou a torneira do chuveiro e saiu do Box com a toalha enrolada na sua cintura. Ele foi até o espelho penteando seus cabelos, depois foi andando até seu quarto, pegando sua bermuda e sua regata em cima da cama.
Ele estava arrumando alguma coisa, quando seu laptop começou a apitar, ele havia recebi um e-mail. O japonês corre até o aparelho abrindo sua tampa, logo uma mensagem veio, era uma missão do Doutor J.
Logo apareceu o Doutor J na tela do monitor, ele começou a falar com Heero.
- Tenho uma missão para você!
- Diga.
- A OZ está transportando Móbile Dolls Mixer, para uma base secreta na Rússia. Mas eles estão tentando disfarçar passando primeiro pelo Egito, onde pretendem deixar um carregamento em uma base ao sul.
- Dolls Mixer?
- Sim, é um novo Móbile Suit, como capacidade de destruir uma colônia inteira com um único tiro, é um novo projeto da OZ. Temos que destruí-los, antes que eles ativem esses Móbiles Suits. Aqui está a planta deles.
Heero analisou-o com atenção e logo em seguida disse:
- Missão aceita.
Doutor J sumiu e Heero ficou olhando para seu laptop, observando os gráficos, vendo a arma de destruição na sua frente. Ao seu ver, poderia afirmar que aqueles Móbiles Suits tinham uma força equivalente à de um gundam. No entanto, o que era um bom Móbile Suit nas mãos de um mau piloto?
Heero começou a se arrumar, teria que ir até a Terra o quanto antes. Ele saiu rapidamente da casa onde estava, indo até o quintal dos fundos, onde seu gundam estava escondido. Ele não se importou em fazer barulho quando saiu.
Já estava no espaço sideral, não demoraria muito para chegar na Terra, pois seu gundam tinha uma velocidade incrível e sem contar que agora ele havia sido reformado, então suas habilidades havia aumentando em 100.
Heero entrou na esfera terrestre rapidamente, demorou apenas 3 horas para isso, realmente, seu gundam estava admirável. Quando passou pela atmosfera, logo pode admirar a Terra de perto, já podia ver aquele céu claro sorrir para ele.
Como esperado já tinha alguns inimigos a sua espera, As Forças Aliadas da Terra esperavam o gundam. Claro que a OZ não era idiota para deixar o carregamento de cargueiro sem defesa, eles sabiam que os gundans apareceriam.
Muitos AMS estavam a sua espera. Os Áries pegaram seus rifles mirando no gundam, que ainda não havia se transformado. Eles começaram a atirar, lançando uma chuva de balas na direção de Heero, que conseguiu desviar da maioria, mas não pode evitar ser atingido. No entanto, aquelas balas nem arranhavam seu gundam.
O gundam Wing Zero deu as caras, ele logo pegou seu canhão de raios e mirou na direção dos Áries, todos que estavam na sua linha de fogo foram destruídos imediatamente. O radar do seu gundam avisou que alguns mísseis estavam vindo debaixo, do mar. Eram os Peixes e os Cânceres que estavam lhe atacando.
Heero subiu um pouco mais e pegou seu canhão de raios apontando para baixo, ele colocou na força máxima e atirou, fazendo o mar se dividir no meio. Todos os Móbiles Suits que estavam lá em baixo foram aniquilados.
Depois de retalhar os submarinos, Heero avançou nos Áries destruindo-os rapidamente, tinha que chegar logo aos cargueiros, não podia mais perder tempos com eles. O Wing Zero se afastou deixando um rastro de destruição para trás.
Ele começou a se aproximar dos cargueiros. Quando viu os aviões, um sorriso se desenhou em seu rosto, ele daria um fim aquilo. No entanto, alguns Móbiles Dolls Mixer, começaram a ser lançado. Apenas cinco deles, mas Heero não conhecia nada, teria que tomar mais cuidado.
O Móbile Doll Mixer não era pilotado por um humano, era uma máquina que cada vez mais que lutasse iria pegando dados de batalha e passando para seus semelhantes. Era uma criança que aprendia tudo com muita facilidade e logo em seguida usava seu aprendizado nas batalhas.
O Wing Zero soltou tiros dos seus canhões que ficavam nos ombros, mas o Móbile Doll Mixer desviaram-se rapidamente, indo atacar Heero com seus sabres de luz. Heero pegou seus dois canhões de raio os dividindo ao meio, então ele abriu os braços tento um canhão em cada mão e depois começou a girar destruindo apenas um Móbile Doll Mixer.
- Apenas um? – Heero ficou surpreso.
Os Móbiles Suits vieram na direção de Heero. Ele jogou seu canhão no ar e pegou seu sabre de luz. Agora seria uma luta por habilidades, e Heero confiava cegamente na sua. Ele era sangue frio, como as máquinas que estavam vindo na sua direção. Estava de igual para igual.
Lançou-se uma batalha então, mas Heero estava com dificuldades. Aqueles Móbiles Suits aprendiam cada vez mais e seus movimentos ficavam cada vez mais rápidos e fortes. Ele estava levando a pior agora, talvez se saísse melhor se estivesse lutando contra um apenas.
Heero foi arremessado para baixo, seu gundam afundou na água, ele foi caindo até que chegou no chão, batendo com força. Ele olhou para os lados, vendo que seu canhão de raios estava ali, então ele os pegou e os juntou atirando para cima, fazendo o mar se dividir ao meio novamente.
O radar de Heero avisou que outro Móbile Suit estava se aproximando, ele olhou com atenção e viu que não era nenhum Áries e nenhum Móbile Doll Mixer, então aos poucos a imagem de um gundam apareceu. Era o gundam 04, era seu companheiro Quatre.
- Heero! Está tudo bem? – indagou, aparecendo no vídeo.
- Sim. Esses novos modelos são muito poderosos – disse friamente, saindo debaixo d'água.
Quando chegou na superfície viu que mais um havia sido destruído, agora tinha três para que ele aniquilasse, mas agora tinha ajuda.
Com Sandrock lhe ajudando, Heero conseguiu acabar com aqueles Móbiles Suits, e agora os dois voavam em direção aos cargueiros, não dando tempo para que soltassem mais nenhum Móbile Doll Mixer novamente. Heero pega seu canhão, os unindo e lançando um único tiro nos aviões, os destruindo completamente.
- Missão cumprida! – disse.
- Sim. Ah, Heero...
- O que foi?
- Poderia me acompanhar, eu sei que terá a mesma missão que eu, então o que acha de ficarmos juntos desde já?
- Hum...
- Vamos?
- Ok!
- Então vamos! – disse sorridente.
Quatre foi à frente com seu Sandrock, estava levando Heero até sua base que ficava no deserto. Não era muito perto, mas também não era tão longe para que o combustível faltasse.
Quando chegaram nas areias finas do deserto, Sandrock desceu e ficou no chão, o Wing Zero fez o mesmo. Eles caminhavam pela areia agora. A visão daquele lugar era apenas areia amarelada, chegava até cansar os olhos. No entanto, essa poluição visual sumiu, quando do chão abriu um grande buraco, aquela era a passagem secreta para sua base subterrânea.
Os gundans entraram e a passagem logo se fechou, fazendo o deserto continuar como estava. Afinal era apenas areia e se tirasse algum grão do lugar, obviamente ninguém iria notar.
Heero e Quatre deixaram seus gundans, os dois pilotos caminhavam para fora dos corredores, indo em direção a pequena casa que existia ali. Quando chegaram na entrada principal, os empregados do loirinho logo vieram atendê-los.
- Obrigado! Foi tudo bem! – disse Quatre.
Heero foi andando até a uma cadeira, sentando-se nela. Depois olhou para Quatre, que pegou seu celular ligando para alguém.
- Está com fome? – Quatre indaga.
- Sim – disse.
- Ok, eu também estou! Vamos? – disse sorridente.
O loirinho foi andando para outro cômodo, sendo seguido por Heero. Quando chegaram na cozinha foram bem servidos pela a famosa comida Árabe. Depois de um almoço sem nenhum conversa ou sorrisos, os dois foram para seus quartos. Claro que Quatre tentou puxar alguma conversa com Heero, mas ele não demonstrava interesse.
Heero ficou trancado em seu quarto, deitado numa grande cama de casal. Estava descansando seu corpo e pensando nos novos Móbiles Suits da OZ. No entanto, tinha algo que lhe incomodava, fazia um tempo que sentia como se algo não estivesse certo, mas não sabia o que era.
Quando deu 18:00 horas, Heero saiu do quarto ao ouvir uma voz alta invadir a casa. Ele foi se aproximando da sala, onde viu Quatre conversando com um garoto.
- Ah, Heero! – Quatre sorriu – Esse é...
- Duo Maxwell! – diz Heero. Ele já havia pesquisado a ficha do piloto 02. No entanto, nunca havia tido a oportunidade de falar com ele.
- Ah! Oi, e aí cara? – Duo o cumprimentou, acenando para ele.
- Hum!
Duo fez uma careta para Heero, não entendendo o seu mau humor, depois olhou para Quatre que sorriu e disse algo como: "ele é assim mesmo".
O americano sentou-se no sofá soltando um longo suspiro, estava muito cansado. Havia destruído uma das bases que ficava ao sul. Ele olhou para Heero de canto, vendo que ele parecia uma estátua, nem sequer se movia.
- Duo, onde estava?
- Colônia L5! – disse.
- Por isso não te achei, me diga uma coisa, você viu o Trowa?
Duo abriu um lindo sorriso para o loirinho que ficou vermelho, e então disse:
- Não! Mas vi a Catherine! Ela disse que ele está na terra...
- Aqui? – sorriu.
- Sim! Ele deve estar por aqui, pois todos nós estamos atacando essa área. Parece que a OZ não está pensando muito e...
- Ou esteja realmente nos enganando – diz Heero, interrompendo o falatório do americano.
- É também pode ser isso – disse meio contrariado.
Quatre ficou olhando para aqueles dois, vendo que já começaram mal. Duo era tagarela e brincalhão, enquanto Heero era quieto, reservado e impaciente. Teria que tomar cuidado para que eles não brigassem, pois queria a todo custo unir os cinco pilotos.
- Er... Duo você está com fome?
- Tem chocolate?
- Chocolate? – indagou.
- Sim!
- Er... Eu acho que sim! – disse – eu vou ver na cozinha e...
- Deixa que eu veja! – disse, pulando do sofá e correndo para o outro cômodo.
Heero ficou um tempo quieto e depois olhou para Quatre.
- "Que... idiota! Então esse é o piloto que se auto denomina de "Deus da Morte", que blasfêmia" – pensou, se levantando e voltando para seu quarto.
Duo e ficou comendo todo o estoque de chocolate que tinha naquela cozinha. Quatre foi até lá, depois que Heero deixou a sala, quando entrou, sentou-se ao lado de Duo e ficou-o olhando comer.
- Aquele é o tal de Heero Yuy, o grande soldado perfeito?
- Sim – disse.
- Ele é meio quieto.
- Pior que o Trowa e o Wufei juntos.
- Nossa... Existe alguém assim? – riu – que horror.
- Cuidado para não irritá-lo, apesar de que...
- De que?
- Acho que Heero nem se importa com os outros, parece que ele não vive nesse mundo! Então nada que você fale ou faça irá atingi-lo, só se você entrar na sua frente, só isso... Pois nem a Senhorita Relena que vive atrás dele conseguiu fazer alguma emoção brotar em seu rosto.
- Nossa! Senhor Robô!
- Talvez, mas é uma boa pessoa!
- Quatre... Para você, todo mundo é bom – sorriu.
Os dois continuaram a conversar até que Duo começou a bocejar a cada segundo, então resolveram ir dormir. Amanhã seria um dia difícil, e pelo que parece a OZ não estava muito comportada.
Todos estavam descansando, até que acabaram dormindo. A noite foi rapidamente trocada pelo dia.
No esconderijo, as coisas não pareciam estar tão calmas como o céu azul lá fora. Os pilotos acordaram abruptamente, seus laptops, celulares e bips os acordaram, era uma mensagem dos seus superiores.
Os três saíram do quarto correndo até seu gundam, ao que parece teriam a mesma missão. Teriam a grande oportunidade de aniquilar um grande líder da Aliança da Esfera Terrestre Unida, que tinha envolvimento com a OZ.
- Vamos lá, cambada! – diz Duo, subindo no seu gundam.
Heero e Quatre subiram nos seus gundans rapidamente e o teto rapidamente foi se abrindo, fazendo a luz do sol invadir aquele buraco. Rapidamente três estrelas saíram dali atingindo o céu.
- Está a 2 horas daqui! – informa Quatre – vamos correr!
Eles foram até o local indicado em silêncio, no meio das nuvens para que não fossem vistos. Quando podiam avistar o local, onde a reunião ocorria, eles transformaram seus gundans e começaram a atacar.
Para suas surpresas os Móbiles Dolls Mixer foram lançados. Heero não entendeu como aquela quantidade de Móbile Suits poderia estar ali, já que não havia recebi nenhuma informação de cargueiros transportando esse tipo de Móbile Suits. De uma coisa estava certo, havia sido enganado.
Os três gundans começaram a atacar a base, descobrindo que quanto mais atacavam, mais Móbiles Suits saiam, e todos muito variados. Tinha muitos Leões e Áries, sorte que não tinha mar por perto ou teriam problemas com os Cânceres e Peixes.
- Acho que caímos numa armadilha pessoal! – diz Duo – aqueles doutores são tudo um bando de burros!
- Calma Duo, preste atenção na batalha – diz Quatre – vamos fazer assim, Heero você pega os da direita, Duo da esquerda e eu do meio.
- Eu os cubro! – diz Trowa, chegando no campo de batalha.
- Trowa! – Quatre sorriu.
- Vocês são ótimos para caírem em armadilhas! – diz Wufei, aparecendo ao lado do Heavyarms.
- Olha só, a galera toda reunida. Isso me faz ficar emocionado! – diz o americano.
Todos ignoraram o que ele disse como sempre e começaram a atacar a base. Se fossem apenas os Leões e os Áries, tudo teria acabado em segundos, mas aqueles novos modelos eram extremamente fortes.
A batalha foi demorada, mas foi vencida. Só restavam alguns Móbiles Dolls Mixer para serem aniquilados. Duo estava retalhando-os com muita facilidade, os Móbiles Suits nem tinham tempo de pegar informações de batalha do americano, e nem do Shenlong, pois eram ataques muito rápidos e certeiros.
Quando terminaram, eles se juntaram fazendo um círculo. Todos estavam cansados, isso era evidente.
- Ah! Que canseira! – disse Duo – Mas eles não conseguiram o que queria! – riu.
- A OZ está ficando cada vez mais perigosa... Finalmente estão pensando – diz Wufei – isso é bom, não gosto de lutar contra fracos!
- E agora? – Quatre indaga.
- Eu vou me mandar! Fui! – diz Wufei, decolando.
- Wufei, fique com a gente... – pede Quatre.
No entanto, Shenlong se afasta não dando tempo para Quatre sequer convencê-lo a ficar. O loirinho olhou para os outros gundans, tinha que convencer eles que seria melhor trabalharem juntos.
- O que acha de unirmos forças?
- Não! – diz Heero e Trowa.
- Ah! Seria muito melhor, assim não teríamos tanta dificuldade! – diz Duo – pensem um pouco.
- Se não tem capacidade para vencer uma batalha sozinho, então nem entre nas batalhas! – diz Heero friamente.
- Ô soldadinho perfeito, ninguém pediu sua opinião não! – disse irritado.
Heero apenas ignorou. Trowa ficou um tempo pensativo, ele olhou para o gundam do loirinho imaginando seu rosto aflito, tentando convencê-lo a ficar, e acabou não resistindo por várias razões. Mas o que comandava o piloto do Heavyarms no momento eram seus sentimentos para com Quatre, que ele não deixaria que morresse.
- Tudo bem, Quatre! – diz Trowa.
- Que bom Trowa, somos três agora! E você Heero?
Heero ficou um tempo em silêncio, até que moveu seu gundam partindo para decolar. Ele nem deu tempo para Quatre argumentar, ele partiu sem pensar em mais nada. Heero não gostava de trabalhar com um grupo, ele nunca teve companheiros, então para quê ter agora?
O Wing Zero sumiu dos seus radares. Trowa não fez a mínima questão, para ele ficar sozinho com Quatre era a melhor coisa que poderia acontecer, mas também não se importava se Duo estava junto ou não.
As memórias de todos haviam sido modificadas, sendo assim, Duo nunca poderia ter ido ao festival com os dois. Portanto, ele não estaria ali para juntar aquele casal tão complicado. Ao invés de só suas vidas serem modificadas isso não aconteceu. Agora seus amigos pagavam o preço por seus sentimentos confusos.
- Então vamos para onde? – indaga Duo.
- Colônia L3 X18999! – disse Quatre – tenho um bom lugar para ficarmos, e creio que tudo que a Terra tinha que dar já deu.
- Sim! Agora a OZ está mirando o espaço sideral.
- O espaço sideral não precisa da OZ e nem dos Gundans, Duo. Mas enquanto o espaço sideral precisar ser protegido eu estarei lá – diz Quatre.
- Ok! Então vamos! – diz Trowa.
- Vamos!
Eles partem em direção das estrelas. O loirinho já havia comunicado que estava indo para a colônia L3 X18999, por isso mesmo não precisava mais ficar enrolando na Terra. Os três gundans passam pela atmosfera terrestre sem nenhum problema, e também desejavam não encontrar nenhum obstáculo no caminho. Mas também, se encontrassem eles seriam aniquilados. Infeliz daquele que numa patrulha de rotina encontrasse três gundans.
Chegando na colônia sem serem vistos. Esta foi uma missão difícil, mas Quatre tinha tudo planejado. No meio do caminho o grupo dos Maganacs, onde lhes deram uma grande espaçonave, onde colocaram seus gundans. Portanto, passaram desapercebidos.
Já na casa do loirinho, que era muito discreta, pois era um apartamento no centro da cidade. Quem iria imaginar que ali teria três rebeldes?
- Belo lugar – diz Duo, olhando a movimentada rua da janela.
- Eu gosto daqui – disse.
Trowa estava sentado no sofá da sala, com os braços cruzados, olhando para baixo. Ele não sabia o que fazer, como agir ou o que falar. Queria ir até Quatre e abraçá-lo, impedi-lo que fosse lutar, mas não poderia. Será que tinha o direito de pedir uma coisa dessas para ele? Tinha o direito de pedir seu amor?
Duo olhou para o lado vendo que Quatre nem estava presente ao seu lado, ele não olhava para baixo como ele estava fazendo, mas sim usava o vidro para ficar observando Trowa, que estava sentado distraidamente no sofá. O americano respirou fundo e finalmente se tocou vendo que ele era uma big vela.
- "Droga, esses dois não têm jeito! Vou ter que fazer algo! E rápido" – pensou – Hum, então como não temos missões por enquanto é melhor relaxar.
Relaxar? Essa era uma palavra pouco ouvida e pouco usada por eles. Será mesmo que poderiam simplesmente relaxar? Relaxar enquanto a OZ, e outras organizações tentam invadir o espaço? Na verdade nem era a OZ o grande problema, mas sim a Romefeller. A OZ perto da Romefeller não era nada.
- Hum, por enquanto é bom descansarmos – diz Quatre.
- Sim! – sorriu o americano.
Duo foi andando pelo apartamento com sua pequena mala nas mãos, ele entrou no primeiro quarto que viu e fechou a porta, queria ficar longe daqueles dois o máximo de tempo possível.
Quatre sentou-se no sofá da sala soldando um longo suspiro, ele abriu os olhos e viu que Trowa o encarava, mas quando o encarou o moreno desviou o olhar, fazendo Quatre desviar também e assim os dois ficaram constrangidos e em silêncio. Era uma cena muito infantil, mas eles eram muito sensíveis.
A sala que estavam não era muito grande, tinha dois sofás de três assentos cada um. Num canto tinha uma cômoda de metal com alguns livros e objetos dentro, no outro canto tinha a janela e alguns tapetes jogados no chão. E para completar uma grande cortina azul marinho, caso precisassem se ocultar.
O cheiro que percorria a sala era um pouco doce, era o perfume do loirinho. Quatre nem sentia seu próprio cheiro, mas para Trowa aquilo era muito forte. Na verdade adorava aquele aroma e sempre procurava senti-lo quando estava próximo a ele.
- Er... Onde estava Trowa? – indagou, tentando puxar algum assunto.
- Hum, eu estava na Terra – disse.
- Hum! – Quatre sorriu.
- "Idiota, por que não disse outra coisa? Eu sempre faço o assunto morrer, isso virou costume e agora não consigo perdê-lo" – pensou o moreno.
O loirinho ficou sem graça com a resposta fria dele, mas não desistiria tão fácil. Ele respirou fundo e disse:
- Eu também estava...
- É eu sei...
- Sabia? Por que não... – calou-se, seria muita pretensão sua perguntar o por quê dele não ter vindo visitá-lo?
- Porque estava muito ocupado! – disse, pensando logo em seguida – "Burro, agora Quatre não se sentirá importante".
- "Eu sonho demais, como posso pensar que ele pensa em mim?" – pensou desanimado.
- "O seu olhar ficou triste de repente! Não!" – pensou irritado consigo mesmo.
Quatre se levantou e Trowa fez o mesmo. Os dois ficaram se olhando. O loirinho não entendeu o porquê dele ter levantando tão rápido e ao mesmo tempo.
- Está com fome Quatre? – indagou.
- Er... Um pouco, por quê?
- Eu irei comprar alguma coisa, quer?
- Quero! – sorriu.
- "Ah! O que eu não faço por esse sorriso" – pensou – O que gostaria de comer?
- CHOCOLATE!
Um grito veio do quarto. Trowa e Quatre olharam para o corredor.
- Intrometido! – diz Quatre bem alto, mas logo em seguida riu.
- Hum... – Trowa não disse nada como de costume, e também não gostou muito da interrupção, pois queria convidar o loirinho para ir com ele.
- Eu... Posso ir com você? – indagou.
- Claro!
- Então vamos! Vou pegar minha carteira! – disse, indo até sua mala.
Trowa ficou observando-o discretamente, até que Quatre virou-se para ele com seu sorriso encantador dizendo que já poderiam ir. Quando saíram, trancaram a porta e Quatre disse um "tchau" para Duo, que não respondeu. Talvez não tivesse ouvido.
No quarto, o americano estava mexendo no seu celular. O seu aparelho poderia parecer normal, mas na verdade era tão potente quanto um mega computador, e agora ele estava analisando a construção dos Móbiles Dolls Mixer.
- Nossa, a Romefeller está pegando pesado mesmo, está armando a OZ até os dentes – disse baixinho – Hum, mas... Acho melhor dar uma saidinha!
O americano levantou-se da cama. Ele foi até sua mala trocar de roupa. Colocou uma calça jeans preta, uma blusa de manga comprida vermelha e seu crucifixo por cima. Colocou um sobretudo preto de couro, onde carregava sua arma, explosivos do tamanho de um grampo e seu celular.
Quando saiu do quarto, deixou um bilhete em cima da mesinha da sala e saiu logo em seguida.
O apartamento ficou vazio durante uma hora, mas ele logo voltou a ficar cheio com a chegada de Quatre e Trowa. A porta se abriu dando visão ao local, os dois conversavam distraidamente. Quando entraram, o bilhete deixando pelo americano logo foi avistando pelo loirinho.
- Duo saiu... – disse.
- Hum! – olhou-o de lado colocando as coisas em cima da mesa.
- E olha que trouxemos seu chocolate! – disse – mas acho que ele tinha algo importante para fazer.
- Pode ser – disse o moreno – "Sozinho com Quatre, e agora?" – pensou em seguida.
A cozinha ficava praticamente na sala, a única coisa que a dividia era um pequeno murinho colorido. O apartamento era pequeno e sem luxos.
- Pronto – disse Trowa, ao terminar de arrumar a mesa, o que não era uma grande tarefa.
O loirinho apareceu na cozinha com seu sorriso característico nos lábios, ele se sentou em uma cadeira qualquer e olhou para Trowa, que ainda estava de pé. Quando o moreno viu que estava sendo observado, sentou-se e começou a se servir também.
- Hei, você acha que o Heero vai se juntar a nós?
- Hum... Eu acho que sim, pois ele com certeza deve estar nessa colônia também.
- Mesmo? Como sabe?
- Ele me disse um tempo atrás. Ele deve estar por aqui.
- E por que não fica com a gente.
- Pelo visto ele não gosta de trabalhar em conjunto.
- Que pena, mas quem sabe ele mude de idéia.
Os dois ficaram conversando sobre a guerra, Móbile Suits, gundans, Wufei e Heero, OZ e Romefeller, mas não tocaram em assuntos pessoais. Eles enrolavam e enrolavam para que nenhum deles tenha que falar algo de si próprio, e finalmente terminaram seu almoço, que já poderia ser considerado um jantar pelo horário.
- Nossa, eu estava com fome – comentou Quatre.
- Eu também – disse.
O loirinho se levantou começando a limpar toda a bagunça. Trowa pensou em ajudá-lo, mas quando viu, tudo já estava arrumado e limpo, pois usaram copos, pratos e colheres descartáveis.
- Trowa...
- Hum?
- Sabe jogar Xadrez?
- Sei.
- Quer jogar comigo?
- Vamos.
Quatre sorriu e foi andando até a sala, retirando o tabuleiro quadriculado da cômoda de metal. Ele colocou em cima da mesinha de centro e sentou-se no chão, Trowa fez o mesmo. Quando abriu o tabuleiro, cada um pegou uma cor e começaram a colocarem as peças no lugar.
Eles começaram a jogar em silêncio. Trowa só atacava e Quatre só defendia, entretanto, isso não queria dizer nada, ainda mais em um jogo tão complexo como o xadrez que não importava os métodos que você utilizava, mas sim o que você tinha em mente. No final poderia ter apenas duas peças no jogo, mas se soubesse o que fazer com duas peças e como utilizá-las devidamente, isso significava vitória, isso é, se o seu adversário também não tiver estratégias de batalhas.
Demoraram uma hora naquele jogo, foi rápido. Quatre havia vencido, ficou atacando e atacando até que achou uma abertura e derrubou o Rei.
- Boa jogada! – disse o moreno – eu perdi.
- Você jogou bem – disse.
Os dois ficaram se olhando depois que o jogo acabou, seus corações começaram a bater cada vez mais forte. Trowa abriu a boca para falar alguma coisa e Quatre se calou esperando que ele lhe dissesse o que tanto queria ouvir, mas algo os interrompeu.
- Boa noite pessoal, voltei à farra! – disse o americano, abrindo a porta.
- Duo? – Quatre se assustou.
- Oi! – ele sorriu e acenou para eles – ah, estavam jogando, que legal! – disse, se aproximando deles.
- Sim! – diz Quatre.
- "Hum... acho que cheguei numa hora má, muito má! O que eu faço? Ah... vou empurrar esses dois!" – pensou.
Duo puxou Quatre pela mão, fazendo o loirinho se erguer. Trowa ficou olhando para eles em silêncio. O americano começou a rodar Quatre, que não entendeu o que ele queria.
- Eu vou girar, girar, girar, girar... – começou a cantar sem parar.
- Duo pára! – Quatre pediu.
E Duo acelerou, continuando a girar, girar e girar, até que ele soltou o loirinho de repente na direção de Trowa e da mesa também. Se Quatre caísse iria bater a cabeça na mesa e com certeza iria se machucar bastante. No entanto, Trowa não iria permitir isso, e segurou o loirinho, antes que sequer chegasse perto da mesa.
- "Atencioso como sempre Trowa!" – pensou – E eu vou girar, girar... E girar! – Duo continuou cantarolando, indo para seu quarto, girando e girando ao som da música que ele cantava, e que ele mesmo havia inventado.
Trowa olhou para trás irritando-se com a atitude de Duo, mas não disse nada e Duo logo sumiu do seu alcance entrando em seu quarto. Depois olhou para o loirinho que estava meio tonto no seu colo, ele o ergueu e o sentou no sofá.
- Tudo bem?
- Hum... Estou um pouco enjoado! – disse – eu vou vomitar...
Quatre levantou-se e entrou correndo no banheiro, Trowa foi atrás dele parando na porta, esperando que ele saísse. Quatre realmente havia vomitado tudo aquilo que comeu, depois de se lavar e escovar os dentes, ele saiu do banheiro.
- Está melhor?
- Sim! – disse desanimado.
- O que ele tem na cabeça? – indagou, alterando pela primeira vez seu tom de voz.
- Ele não fez por maldade... – disse, notando aquele tom diferente de voz.
- Poderia ter se machucado!
- Mas não me machuquei. Ah! Obrigado – disse.
Quatre deu um passo à frente colocando a mão na testa, sentindo um pouco de tontura. Trowa se aproximou tocando em seu braço, o segurando, não deixaria que ele caísse novamente.
- "Que aperto forte no meu braço, acho que vou desmaiar" – pensou.
- Quer ir pro quarto?
- Sim – disse.
Os dois foram andando até um quarto qualquer, quando entraram Trowa deixou Quatre sentado na cama. O loirinho jogou seu tronco para trás soltando um logo suspiro, ainda estava enjoado. Estava assim por vários motivos: havia saído correndo de casa, após uma noite mal dormida, depois havia lutado, depois viajou até a colônia, depois de muito tempo comeu algo e agora havia sido girado pelo americano. Tudo isso desencadeou em um mal estar.
- Quer algum remédio? Eu vou comprar!
- Não, obrigado. Apenas fique aqui! – disse baixinho – "Ahhh eu não acredito que disse isso" – pensou constrangido.
- "Eu não acredito que ele me pediu isso, que bom" – pensou animado.
Trowa sentou-se na beirada da cama e ficou olhando para o loirinho, sem saber o que dizer. Aliás, a quem eles estavam enganando? Por que não falavam o que queriam? Por que esse medo?
Um silêncio ensurdecedor invadiu o local, agora só o som das suas respirações poderiam ser ouvidas. Eles se olhavam, em silêncio.
Quatre foi fechando os olhos, pensando por um momento em só fechá-lo, para logo depois abri-los, mas estava na verdade morrendo de sono e logo dormiu. Trowa se levantou e foi até ele, e com uma mão trêmula tocou em sua testa retirando alguns fios loiros, ele ficou observando-o até que se virou de costas para ir embora. No entanto, uma mão fechou-se na mão de Trowa, este olhou para trás assustado, vendo que Quatre abriu seus olhos e disse:
- Eu pedi para que apenas fique comigo.
Trowa arregalou os olhos, e nesses grandes olhos cor de esmeralda um monte de emoções finalmente se mostraram, eles brilharam e depois seu olhar ficou cheio de ternura. Ele voltou e sentou-se na beirada da cama, mas desta vez ao lado do loirinho, que voltou a fechar seus olhos. Talvez ele ainda estivesse dormindo, talvez seu subconsciente havia mandado ele fazer aquilo ou talvez ele realmente estivesse acordado.
- "Por favor, céus... que eu possa ficar assim com você, para sempre" – pediu Trowa em pensamento.
Trowa fechou os olhos e deitou seu tronco em cima de Quatre, dormindo abraçado a ele.
"Quando
se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, porque tudo
passa a acontecer dentro de nós".
(Paulo Coelho).
Na manhã do dia seguinte. Duo foi o primeiro a acordar, ele saiu do seu quarto, mostrando que nem havia trocado de roupa, ele foi andando até sala, onde soltou um grito, que acordou o casal, que dormia profundamente.
Trowa e Quatre correram até a sala, nem se tocando que eles haviam adormecido juntos, quando chegaram na sala se assustaram um pouco, mas não como Duo.
- Heero e Wufei? – Quatre indaga.
- Missão 002! Os pilotos devem ficar unidos, para completarem as missões. Vocês já devem ter recebido isso! – disse Heero.
- Como nos acharam tão rápido? – indaga Quatre.
- Quando você chegou aqui, com certeza comunicou um dos engenheiros! – disse Wufei.
- Tem razão! – diz o loirinho – Bom, mas agora nós vamos poder unir nossas forças! – animou-se, mas ninguém o acompanhou.
- E por que não batem na porta? – indagou o americano, que ainda estava sentado no chão com os olhos arregalados.
Heero e Wufei o olharam de canto e logo o ignoraram. O chinês se levantou com sua mala e foi andando para um quarto, Heero ficou sentando no mesmo lugar.
- Ah! Gente mal humorada! – diz Duo, se levantando e indo até seu quarto.
Todos ficaram observando o americano até que este some dentro do seu quarto. Quatre deu um sorriso amarelo e diz:
- Heero, não temos mais um quarto, mas o quarto do Duo tem duas camas, você se importa?
Trowa ergueu uma sobrancelha, até ele sabia que aquilo não iria dar muito certo, mas só Heero que poderia decidir. O japonês ficou um tempo em silêncio até que se levantou e pegou sua mala.
- Não me importo! – disse, passando reto por eles.
O japonês foi andando até entrar no quarto. Entrando nele viu que não tinha ninguém por perto, ele fechou a porta e se dirigiu para uma cama de solteiro que havia do lado de uma outra toda bagunçada. Ele pegou a cama e a puxou para o outro lado do quarto, fazendo um barulho alto e agudo.
- O que... – Duo sai do banheiro, vendo o japonês colocando a cama num canto.
- Ficarei nesse quarto.
- Não! – disse, sem acreditar.
OOO
Continua...
O que estão achando? Eu espero que estejam gostando. Esse conto é antigo e foi publicado em 2005, mas eu quero saber a opinião de vocês, pois eu preciso de incentivo num fandom que há muito eu adorava escrever, mas que agora está sumido.
Eu estou republicando em capítulos, pois eu era muito louca e postei mais de 150 páginas de uma vez. Espero que esteja melhor ler. E eu sei que quebrei muitas cenas do nada, mas foi o jeito.
Obrigada ao apoio de todos.
Por Leona-EBM
