Se eu me apaixonar
Romance – Yaoi
N/A: Mais um capítulo desse meu fufly, também não foi betado, então peço desculpa por qualquer erro que venha a ter.
Boa leitura
II Capítulo
Eu não vou me apaixonar
3º dia:
No templo da deusa:
— Atena, você julga mesmo essa atitude necessária? — perguntava Dohko.
— Por favor, Mestre, não me entenda mal. — disse a doce voz da moça — Eu não gosto de ver o sofrimento dos meus cavaleiros, porém, um grande perigo se aproxima. O senhor acha que eles conseguirão lutar se estiverem preocupados demais uns com os outros? Eu temo pela própria segurança deles.
— Sim, esse treinamento é importante, mas, deixe-me lhe contar uma história.
A deusa se sentou no trono prestando atenção ao ruivo que apesar da aparência jovem, deixava transparecer a sabedoria nos profundos olhos.
— Você já ouviu falar de Esparta, não é verdade?
— Claro que sim, Mestre.
— Pois bem, em Tebas, colônia militar de Esparta, havia o Pelotão Sagrado de Tebas. Era uma tropa da elite espartana, formada somente por casais. Eram extremamente ferozes e lutavam com muita bravura para que nada acontecesse a seus parceiros durante o combate. Em campo de batalha, eram praticamente imbatíveis.
— Mestre, me diga o que devo fazer... — suspirou a jovem deusa.
— Atena, eu não posso dizer o que tem que fazer, você é a deusa e eu sou somente um velho cavaleiro. Porém, eu posso falar ainda, desse amor entre cavaleiros que você considera uma ameaça.
— Não é isso, só não quero que eles se preocupem demais! — a deusa escondeu o rosto — Eu... eu vi muito sofrimento desde a última batalha, vi como muitos deles ficaram...
— E você acha que os separando, evitará esse sofrimento?
— Mas, eu preciso realmente que eles treinem os outros cavaleiros, precisamos de todos preparados para o que possa vim.
— Então, por que não trás todos para cá?
A moça ruborizou, mas olhou dentro dos olhos do libriano.
— Sei que deve sentir falta de Shion...
— Não sou contra suas atitudes por motivos egoístas... — respondeu o grande mestre.
— Perdoe-me, não foi isso que quis dizer. — pediu Saori, estava muito confusa e cansada — Mestre, preciso descansar.
— Certo, só mais uma coisa. No meu tempo, Atena, também existiu muitos amores, você deve saber. Muitos amores que morreram naquela guerra. Imagine se eles não houvessem vivido tudo que poderiam viver?
O mestre deixou o templo e uma confusa e indecisa deusa.
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Shaka estava pensativo, não entendia as atitudes daquele garoto, na verdade, não entendia as atitudes da Deusa também ou será que Fênix estava de caso com algum cavaleiro?
—"Virgem, você não tem que se preocupar com isso" – disse pra si – por que eu me preocupo tanto com você, garoto?
Sentia uma sensação estranha, uma sensação que há muito quis esquecer que existia, e que agora queria voltar. Recordava-se da adolescência, as paixões e namoros eram tão constantes e inconstantes, mas depois, se sagrara cavaleiro, aquela vida ficou para trás e com ela os últimos vestígios de sua humanidade.
Por que estava frustrado por aquele garoto ter ido embora? Talvez, estivesse solitário demais.
"Astro solitário" foi assim que Afrodite o chamou certa vez, mas tirando o deboche do cavaleiro de peixe, sabia que era verdade, ele nunca se permitiu a liberdade que os companheiros se permitiam. Era muito mais rígido com sua própria conduta, que com as alheias e tinha motivos, nenhum ali, era chamado de "sagrado" somente ele tinha aquele privilégio ou seria maldição? Tentou afastar esses questionamentos, Buda se envergonharia de um discípulo que pensasse tais coisas.
- "Talvez eu devesse ter um amante como meus companheiros..." — pensou e depois riu de si mesmo– "Ah, Shaka, quem vai querer se relacionar com o homem mais próximo de Deus?"
Nesse momento algo brilhou em seus pensamentos: Fênix havia se irritado por achar que ele estivesse brincando com ele, claro! O convite, as frases, tudo se fazia supor que ele o convidara para uma noite de amor e como foi tão estúpido para não perceber o duplo sentindo em tudo que dizia?
A constatação do fato coloriu imediatamente seu rosto e se sentiu um estúpido e ao mesmo tempo confuso. Aquilo era algo que não poderia acontecer, era impossível, ele não nasceu para romances, nasceu para ser sozinho, um astro sagrado, solitário e distante como tinha sido todos aqueles anos e como permaneceria para sempre.
Não era como os outros, paixões e relacionamentos não fariam parte de sua conduta como cavaleiro. Além da missão com a deusa, havia sua missão pessoal, não poderia dar margem para aquele tipo de pensamento.
Abandonou sua casa, descendo a escada em direção ao alojamento, teria que esclarecer aquele mal entendido, antes que as coisas ficassem piores. Não suportaria tornar-se "fofoca do santuário" por causa de bobagens ditas sem pensar.
Ikki estava sentado em frente ao alojamento quando vislumbrou na noite clara de lua cheia, aquela figura mística que caminhava a passos rápidos em sua direção.
— Shaka? – sua voz foi quase um grito — O que... o que você está fazendo aqui?
— Eu... eu vim... — o louro gaguejou e o moreno cruzou os braços esperando a resposta que não saiu.
Shaka não sabia como se desculpar pelos absurdos que disse, da mesma forma, repetir as palavras dita com inocência, agora sendo cônscio do que elas significavam, era por demais embaraçoso para a reencarnação de Buda.
— Já sei... — sorriu Ikki com sarcasmo — Você veio se divertir?
— Divertir-me? Eu não entendo, Fênix... — falou confuso.
— Está uma noite linda, podemos conversar, caminhar, olhar esse mar imenso que estar à nossa frente, você escolhe o que quer fazer.
O indiano olhou o belo rapaz, ele era muito sedutor, não podia negar, mas, não tinha que pensar em coisas daquele tipo, só em pensar nele, seu corpo tremia involuntariamente e ele não gostava daquela sensação.
— Não foi pra isso que vim, eu... na verdade... — começou, contudo, o mais jovem o interrompeu.
— Então, eu estou fazendo uma sugestão, vamos aproveitar a noite, certo?
Shaka estancou novamente desnorteado, pensando no duplo sentido daquelas palavras. Olhou para o belo rapaz que lhe lançava um sorriso malicioso e seu instinto o advertiu. Era como se algo brilhasse nele repetindo a palavra perigo.
— O que você quer dizer com isso, Fênix? Estamos no Santuário, aqui não é o lugar adequado para diversões.
— Então, vamos sair daqui.
— Sabe muito bem que eu não posso, não posso abandonar o santuário ao contrário de vocês, cavaleiros de bronze, preciso de permissão para fazer tal coisa.
— Então, o que veio fazer aqui?
— Na verdade, eu vim me desculpar, acho que as coisas que falei ontem à noite, deram margem para pensamentos errôneos ao meu respeito.
Ikki estreitou os olhos e mirou o indiano.
— Pensamentos errôneos? De que tipo? — ele não teve nenhuma piedade do rosto ruborizado a sua frente.
Shaka, por sua vez, se perguntava por que aquele rapaz era tão diferente dos demais, tão insolente e provocador, queria ao menos por um momento, provocar medo nele.
— Eu... falei coisas que... você poderia interpretar de forma errada.
— Ah, como o fato de você me convidar para tomar banho em seu templo? Oferecer-me uma calça de pijama e ainda me convidar para dormir, é disso que está falando?
— Possivelmente, — o louro disse e virou-se — desculpe por isso.
— Você não quer mesmo se divertir comigo? — provocou o leonino e o cavaleiro de ouro só fez balançar a cabeça negativamente.
— Eu sou um cavaleiro de ouro e não sou mais um adolescente como você. — Começou sua caminhada de volta as doze casas.
O cavaleiro de Fênix ficou observando-o enquanto ele se afastava. Suas atitudes, o deixava cada dia mais confuso.
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Mais um dia se passou e o clima de velório só aumentava no santuário. Shaka mal saía de casa, a não ser, para atender o chamado da deusa ou resolver alguma questão com algum dos cavaleiros de ouro. Tentava ao máximo manter-se longe de tudo que dissesse respeito aos cavaleiros de bronze. Sentia-se culpado, mesmo não sabendo do que se culpava tanto.
Não se encontrou com Ikki durante aquele dia, parecia que sua reclusão estava dando certo, embora sua mente não parasse de pensar na sugestão dele. Divertir-se era bom, a tanto ele não fazia aquilo, sempre preocupado, tenso, ao contrário dos amigos, não conseguia se desligar nem que fosse por minutos da função de cavaleiro.
Mais uma vez a noite chegou, dessa vez, escura e com trovões. Seu coração estava escuro e pesado como aquela noite, seus sentimentos confusos, o que queria afinal?
Começava a chover, depois de um dia de calor intenso. Ele deixou que seu cosmo angustiado emanasse sob a chuva...
Solitário, um chamado a almas carentes como a sua, porque todos achavam que ele era auto-suficiente e isso lhe levava a ser eternamente só, e quando alguém se aproximava como fez aquele garoto, ele mesmo acabava o afugentando, porque não estava acostumado com tanta proximidade, com tanta intimidade e não queria se iludir, aquilo não era para ele.
A verdade era só uma: ele não nasceu para aquela vida e embora, às vezes, chegasse a sentir inveja dos companheiros, era natural que sempre se mantivesse distante de todos, se sentia deslocado, um alienígena no meio deles. Eles, sempre tão bem humorado, certo que nem todos, alguns eram bem sérios, como Camus e Saga, mas, mesmo eles tinham suas horas de relaxamento, ele não poderia tê-las.
Deixou sua casa e saiu andando pela chuva, a natureza, toda a fúria das águas batendo contra sua pele, ele queria, ele precisava daquele contato, pelo menos aquele.
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Ikki estava no alojamento quando sentiu aquele cosmo, algo tão triste e solitário, será que ele...? De qualquer forma, não conseguia dormir e aquela chuva fria poderia acalmar seus pensamentos tristes, não entendia por que sempre se sentia daquela forma quando cruzava com o cavaleiro de virgem, será que gostava dele? Será que o odiava? Não encontrava resposta; seus sentimentos estavam tão confusos que ele nem mesmo se reconhecia, sempre foi seguro, e nunca deu muita atenção aquele tipo de coisa, vez por outra, um sexo casual e mais nada, nunca sentimento, tudo sempre foi pele, necessidade, mas... Agora sentia algo tão forte que turvava seus instintos mais naturais, o desorientava e o fazia sentir raiva de si mesmo, tudo por causa daqueles olhos azuis.
Saiu andando pela chuva e quando deu por si, estava em frente à escadaria das doze casas.
— Que diabo vim fazer aqui?! — Indagou alto erguendo as mãos contra os trovões que explodiam no céu.
— Eu faço a mesma pergunta! — ouviu atrás de si e virou-se.
Shaka estava parado, completamente molhado, os pingos de chuva quase brilhando sobre a toga branca colada ao seu corpo, era uma visão sobrenatural e sensual ao mesmo tempo.
— O que você está fazendo aqui fora, monge? — Perguntou perturbado.
— Eu? — Shaka titubeou, estranhando a expressão usada por ele, monge? Desde quando...
— Tem outro monge aqui? — Continuou e eles ficaram se olhando em silêncio, os trovões explodindo no céu, a chuva que não cessava, na noite fria e hostil...
— Escuta aqui, garoto, isso não é da sua conta! — Devolveu o indiano, e começou a voltar para seu templo, estava com medo de ficar ali sozinho com aquele garoto molhado e incrivelmente sensual à sua frente. Sensações e pensamentos o perturbavam.
Começaria a voltar, porque o mais jovem o puxou pelo braço e ele quase caiu com o susto.
— Sabe qual é o seu problema, louro?
— Não, mas, deixe-me adivinhar, você fará questão de me dizer? — ironizou Virgem afastando a franja molhada da testa e tentando escapar da mão dele.
— Seu problema é que você é tão arrogante que não se dá o direito de ser um homem como outro qualquer, você não é nada, além de um homem, pra mim!
— E isso significa? — perguntou o louro friamente.
— Por que você está nessa chuva? — Ikki ignorou a pergunta, também se sentia desnorteado quando via o cavaleiro de virgem, foi assim desde o primeiro encontro.
— Não se responde uma pergunta com outra pergunta, Fênix! —irritou-se o indiano.
— É uma pergunta simples, você está preocupado com alguma coisa?
— Preocupado? — Shaka interrogou irritado — Eu não entendo você! O que você tem a ver com minhas preocupações seu insolente?!
— Naquela noite, no seu templo, você parecia querer mais de mim que simples companhia. Estou errado? — o moreno arriscou, já não tinha nada a perder.
Shaka sentiu o rosto esquentar, mas sua voz não se alterou.
— Eu não sei do que você está falando, você me interpretou mal, eu não tinha intenção...
— Você nunca tem intenção...?
— Fênix, você quer parar com...
— Quero só que você pare de resmungar! — Ikki falou e puxou o louro contra si o beijando ardentemente, a língua ousada invadindo os lábios pequenos e que ele desejava, era isso que sentia, desejo, nada mais — tentava se convencer, enquanto deslizava a língua dentro da boca do outro cavaleiro, procurando a dele, sugando com força, experimentando o gosto doce de menta que ele possuía.
O beijo só parou porque faltou oxigênio aos dois, o moreno ficou olhando para o louro que tentava recuperar o ar, respirando fortemente com a boca.
— Você enlouqueceu, Fênix? — perguntou arfando, estava trêmulo e desnorteado — O que pensa que está fazendo?!
Ikki emudeceu com a raiva que sentia na voz dele, raiva e um pouco de desespero, por que ele se sentia daquela forma por causa de um beijo?
— Você sabe exatamente o que eu fiz, aliás, fizemos, não me faça perguntas óbvias, pensei que era o que você queria também...
— Pensou errado! — esbravejou o virginiano, possesso — Você se esqueceu de quem sou? Você se esquece disso?!
— Shaka, eu já disse e vou repetir, pra mim, você é um homem como outro qualquer! E se não percebeu, você me beijou também! — respondeu o leonino, e começou a se afastar em direção ao alojamento, se sentindo um imbecil por ter ido atrás daquele louro arrogante, e incapaz de emendar uma discussão com ele naquele momento, confuso como se sentia.
Shaka ficou um tempo parado na chuva, tentando entender seus sentimentos em relação aquele garoto. Como não achou resposta, preferiu voltar ao seu templo onde passou o resto da noite em meditação ou ao menos tentando. Tinha que admitir: Correspondeu ao beijo e queria muito mais que beijá-lo, seu corpo ainda queimava e seus lábios pediam mais, muito mais que aquela lasciva carícia.
Estava enlouquecendo, mas... Quem sabe? Seu autocontrole estava sendo testado. Deveria mesmo encarar aquilo como um teste, quem sabe assim, não seria mais fácil resistir.
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3º dia:
A chuva cessou pela manhã e logo cedo os cavaleiros estavam no refeitório, os cavaleiros de ouro poderiam tomar o desjejum em suas próprias casas, mas a maioria gostava de interagir com os outros, coisa que antes não podiam, as inúmeras batalhas impediam aquele tipo prosaico de atividade.
Mu e Aiolia perceberam quando Shaka entrou silencioso e como sempre, atraindo todos os olhares. Quando sua presença deixou de ser uma novidade e as conversas voltaram, os dois se aproximaram do amigo que comia sozinho numa mesa isolada do grupo.
— Bom dia, Shaka... — disse Mu se sentando ao lado do louro e Aiolia fez o mesmo.
— Bom dia, amigos. — respondeu o indiano calmamente — Que chuva aquela, hein?
— Você não dormiu à noite? — perguntou Aiolia olhando-o desconfiado.
— Por que pergunta isso, Aiolia?
— Você está com olheiras e eu nunca te vi com olheiras, Shaka, o que seria tão grave para tirar o sono do homem mais próximo de Deus?
Aiolia se calou porque Mu fez um gesto com a mão pedindo isso.
— Eu apenas estou preocupado com a batalha que teremos, só isso. — Tornou o louro calmamente.
— Aiolia, você poderia me deixar sozinho um minuto com o Shaka? — pediu o tibetano, sério.
— Por quê? O que vocês têm pra conversar que eu não possa ouvir? — indagou o ciumento leão.
— Aiolia, por favor! — insistiu o ariano e o leonino resolveu obedecer, contrafeito. O cavaleiro de cabelos lilás então se voltou para o amigo.
— Eu sei muito bem o que pode tirar o sono do homem mais próximo de Deus, é Ikki Amamiya. Pode me contar, Shaka, para mim, não precisa ter segredos.
— Não sei do que você está falando, Mu.
— Pode me falar a verdade, Shaka, eu senti o seu cosmo e o do Ikki ontem na entrada das doze casas, aliás, o santuário inteiro sentiu, o que está acontecendo?
— Não está acontecendo nada, Mu. — a voz do indiano continuava indiferente.
— Não? O que poderia perturbá-lo a ponte de não conseguir dormir, além dele?
Shaka baixou a cabeça.
— Shaka, já faz um bom tempo que todos tem notado que há uma... como posso dizer... atração entre você e o Fênix, agora, você poderia me dizer se é algo mais que isso?
O virginiano continuou sem nada dizer e Mu pasmou:
- Você gosta dele, está apaixonado, por isso, pediu minha ajuda para trazê-lo de volta daquela vez, por isso...?
— Mu, por favor... — pediu Shaka baixo — Não me fale essas coisas, você sabe que eu não posso...
— Por que, Shaka? Por que você não pode se dar o direito de ser feliz como todos os outros estão fazendo?
O indiano olhou ao redor, discretamente... Numa mesa, Milo estava quase no colo de Camus e embora o outro enfezasse a cara para os avanços do Escorpião, não se afastava. Logo à frente estava Shura e Afrodite, o capricorniano enrolando os fios azuis claros do amante nos dedos, além de Saga e Kanon que eram mais discretos, mesmo assim, o virginiano percebeu a mão do gêmeo mais novo na coxa do outro.
Corou e desviou a atenção de volta ao seu prato.
— Eu... eu não posso fazer essas coisas, Mu, você sabe que comigo é diferente.
— Por quê?
— Eu sou discípulo de Buda, só isso é o suficiente para que eu não traga em mim, nenhum dos desejos carnais que...
— Bobagens! — Mu interrompeu o amigo — Se fosse assim, você não deveria nem senti-los e eu sei que sente por mais que negue.
O ariano se levantou.
— Só tenho uma coisa para lhe dizer, Shaka, os leoninos são determinados, você mesmo sabe o quanto o Aiolia me infernizou até eu aceitar ficar com ele, o Ikki não será diferente, se ele realmente gostar de você, ao final, conseguirá o que quer.
Deixou o amigo sozinho e o louro nesse momento viu Shun saindo do refeitório, com uma bandeja nas mãos, se levantou e caminhou até ele.
— Shun?
O adolescente virou-se e sorriu:
— Oi, Shaka, tudo bem?
— Tudo, você não vai tomar café conosco, algum problema?
— Não comigo, mas o Ikki está com febre, parece que tomou toda a chuva durante a noite, meu irmão tem dessas coisas...
— Tem? — perguntou atônito.
— É, o Ikki é assim, teimoso e intempestivo, quando cisma com alguma coisa, é fogo! Agora mesmo cismou que não quer comer.
— Shun, eu posso levar o café do Ikki? — pediu o louro ruborizando e o mais jovem olhou para ele intrigado, mas concordou.
— Tudo bem, aproveitarei para ver onde anda o Hyoga, você sabe, faltam agora só quatro dias para que ele vá embora.
O louro sorriu e desceu as escadas em direção ao alojamento, decidiu não pensar muito, estava agindo por impulso pela primeira vez na vida e estava apavorado.
Bateu na porta e ouviu-o dizer:
— Entra logo, Shun, só você mesmo pra ficar me enchendo o saco!
— Não é o Shun. — disse e o rapaz que estava deitado, sentou-se na cama surpreendido.
Shaka engoliu em seco, ele vestia um minúsculo short preto que mal escondia o corpo malhado. Ruborizou, pensando que de garoto, aquele garoto não tinha mais nada.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou com aspereza.
— Acho que trazendo seu café da manhã. — Tornou o indiano.
— Você quer me convencer que foi pra isso que veio? — reclamou Ikki, irritado.
— Vim porque o Shun me disse que estava com febre e que ficou assim por ter passado a noite na chuva e me senti responsável.
— Responsável? — Ikki riu, irritado — Você não acha que eu saí na chuva por sua causa, não é?
— Eu não acho nada, Fênix, só queria me certificar de que estava bem.
— Shaka, vai embora, você não tem nada o que fazer aqui, eu não estou doente, só não queria ir para o refeitório hoje e inventei isso para o Shun me deixar em paz, então pode sair com esse seu discurso de santo!
— Você é um garoto muito insolente! — reclamou Shaka, colérico — Você não percebe o tamanho do privilégio que está tendo...
— Você é um arrogante! Eu achava que os iluminados eram humildes, mas depois de conhecê-lo tive a certeza que é tudo pose, você é uma completa mentira!
— Mentira? É o que você acha, Fênix? Você... Porcaria! Por que eu ainda perdi meu tempo vindo aqui?! — esbravejou o louro jogando a bandeja no chão e caminhando para a porta, mas seu ombro foi seguro e ele acabou se desequilibrando e caindo nos braços de Ikki.
— Você não vai embora. Eu não vou limpar essa bagunça que você fez! — regougou o mais jovem, apontando para a comida espalhada pelo chão.
Shaka sorriu com o tamanho da ousadia dele, por acaso Ikki achava que ele limparia o chão do seu alojamento? Sua vontade era transformá-lo em pó de estrelas naquele momento.
— Você quer dizer que eu vou limpar, é isso? — perguntou com escárnio.
— Talvez assim, você me provasse que realmente é a reencarnação de Buda, um poço de virtudes e humildade... — Ikki disse devagar, fazendo questão de sibilar toda a ironia da voz.
Sabia que provocava em excesso o indiano, mas aquilo lhe dava um grande prazer, ver aquele rostinho de anjo ruborizar até se tornar vermelho como de um demônio, inflamava seus instintos mais sádicos.
Ele se desvencilhou de seus braços, mas ao contrário de tudo que Fênix poderia esperar, Shaka se aproximou da bandeja, agachou-se e começou a recolher a comida espalhada no chão.
— Para com isso, louro, eu estava brincando... — Tornou o mais jovem, incomodado — Tem vários servos que podem fazer isso...
— Isso não me humilha se é o que pensa. — disse o indiano com frieza — Você tem razão, estava me comportando como um arrogante, se isso fizer você mudar essa imagem que tem de mim...
Ele terminou de pegar os alimentos e os colocou de volta na bandeja, colocando a mesma sobre uma cômoda e fez uma reverência ao rapaz.
— Pedirei para uma serva, enxugar o chão. — falou por fim, tentando passar por Ikki que continuava parado próximo a porta, entretanto, o Amamiya mais velho segurou-lhe o braço fortemente, impedindo-o de prosseguir.
— Por que, veio aqui? — interrogou. Era sempre assim, uma simples atitude e Shaka conseguia desarmá-lo totalmente.
—Solte-me! Não lhe devo satisfações... — murmurou o virginiano, baixando a cabeça, envergonhado.
— Claro que deve, você veio ao meu quarto, então deve querer alguma coisa...
O indiano corou ainda mais se possível.
— Eu não sei o que você quer dizer com isso! Seu irmão disse que estava doente, me preocupo com todos os cavaleiros e por isso vim, mas vejo que você está muito bem, então...
— Eu quero você, Shaka... — ele sussurrou, próximo a orelha do louro, puxando-o mais pra si, e o indiano ficou atônito, não conseguindo se mover.
— Isso, não é possível, Fênix... — murmurou engolindo em seco.
— Por quê?
— Lembre-se quem eu sou... — ele fechou os olhos fortemente para fugir daquela tentação que roçava os lábios na sua orelha.
— Pra mim você não passa de um homem, quantas vezes, terei que repetir isso até que entenda?
O virginiano usou de todo o seu alto controle, lembrou-se das Quatro Nobres Verdades, para não ceder e conseguir repelir aquele delicioso monumento bronzeado de perto de si.
— Eu entendo muito bem o que sou, Ikki de Fênix, e não preciso de um pirralho me dando lição de moral! — falou se afastando rapidamente dele.
Ikki riu enquanto o louro se afastava
— Eu sei por que veio, louro! — gritou e o mais velho parou se voltando.
— Sabe? E por que seria? — ironizou.
— Você está louco para me beijar novamente.
O indiano o olhou de cima a baixo com desprezo, sentimento que estava longe de sentir. Ikki sentiu o sangue ferver com aquele olhar desdenhoso e teve vontade de começar uma luta naquele momento com o guardião da sexta casa, mas o pior ainda viria:
— Claro, Fênix, assim como fico louco para beijar os ratos que visitam meu templo... — desdenhou com um sorriso sarcástico.
Ikki ferveu mais ainda, mas não se daria por vencido.
— Sério? Se você tremer tanto com os ratinhos quanto treme em meus braços, eles ficarão loucos...
— Idiota! — cuspiu Shaka, voltando a andar, sem ter mais argumentos para discutir com aquele moleque e tentando controlar a vontade de matá-lo com suas próprias mãos.
Seguiu apressado o caminho de volta as doze casas. Sua mente em combustão, precisava falar, desabafar com alguém ou então explodiria o santuário inteiro! Entrou correndo na casa de Áries a procura de Mu, mas o que viu, deixou-o boquiaberto e ruborizado, não deveria ter entrado sem bater; encontrou os amigos na cama, numa sôfrega relação sexual.
Depois de sair do entorpecimento que a cena lhe causou; virou-se e correu de volta a sala, mas acabou tropeçando em algo e atraindo a atenção dos amantes.
Mu se envolveu num lençol e correu para a sala.
— Shaka! Você... viu... — o ariano estava extremamente embaraçado o que aumentava e muito o constrangimento do amigo.
— D...desculpe, Mu, não foi intencional, eu... deveria ter... — não conseguia articular as palavras, a perturbação mental causada pela discussão foi agravada pela cena quente que viu entre os lençóis do ariano.
O leão chegou à sala, vestido num short somente e rindo da cara ruborizada dos dois. Abraçou Mu pela cintura e lhe beijou a bochecha.
— Ah, vocês dois, parem com isso, não foi nada de mais e, amor, vai vestir uma roupa, se o Shaka veio correndo aqui, deve ter alguma coisa importante pra dizer, não é, louro?
— N-não... Eu não quero atrapalhar, já estou indo! — ele disse e sem esperar resposta saiu quase correndo da casa de Áries, tão rápido que acabou se batendo com Milo que descia as escadas.
— Shaka, o que aconteceu? Você está pálido, se bem que você é sempre pálido, mas está pior! — fez graça o Escorpião.
— Não enche Milo! — rosnou e o Escorpião estranhou. O paciente monge budista daquele jeito? Milo que não é nenhum bobo, não se deteve em seguir o louro e tentar arrancar dele o motivo de sua irritação. Se bem que há tempos já sabia a única coisa que tirava o homem mais próximo de Deus do sério. O cavaleiro de Fênix.
— Fala, Shaka, talvez eu possa ajudá-lo!
— A meditação me ajuda! — disse Virgem de mau humor.
— Estou vendo! — ironizou e completou com malícia — Posso lhe dizer com certeza que sei o que está acontecendo!
O louro levantou o rosto pra ele, apesar de manter os olhos fechados.
— E o que seria?
— Ontem à noite eu percebi dois cosmos muito alterados na entrada das doze casas, é o Fênix, não é? Você está caidinho por ele?
Shaka ruborizou violentamente, será que aquilo estava escrito em sua testa?
— N...n...não sei do que...
— Ah, Shaka, corta essa! Você sabe sim, você gosta dele, ele gosta de você, qual o problema?
— Milo, você lembra que eu... que não sou como vocês!
— Por quê? Nasceu castrado? — ironizou o Escorpião.
— Não, só não nasci pra essas coisas, só isso, eu... eu... —Shaka hesitou, não queria admitir, mas estava com medo, medo daquele novo sentimento, medo de sua vida mudar, ficar fora de controle caso se entregasse a eles e medo de ter esperanças, de pensar em coisas que já estavam determinadas a não acontecer.
Definitivamente nunca poderia se envolver com alguém, além de tudo, aquele garoto arrogante pisoteava todo o seu bom senso e tinha ganas de matá-lo.
Naquele momento só pensava em beber seu sangue até a última gota e jogar seu corpo inerte aos cães.
Tais pensamentos não eram de um iluminado, e era Ikki que fazia com que tivesse aquele tipo de atitude explosiva e imprevisível.
— Você tem que ser feliz, Shaka, a pergunta é uma, você gosta dele? – continuou o escorpiano.
— Minha vontade nesse momento, é arrancar o coração daquele garoto insolente com um único golpe! — vociferou, irritado.
Milo riu:
— Isso me parece uma ardente paixão, que vocês disfarçam com ódio.
— Dê o nome que quiser, eu... realmente não tenho paciência para esse tipo de coisa.
— Louro, é só você dizer um sim e eu arrasto aquele frango flambado para seus braços. — provocou o protetor da oitava casa, mesmo porque já estava cansado daquele esconde-esconde dos dois, aliás, todo o santuário estava.
— E por que você faria isso? Eu não estou entendendo, Escorpião... — Estranhou o indiano.
— Você pode ser arrogante demais para perceber, mas todos aqui são seus amigos e querem vê-lo feliz. — falou Milo, seriamente, e Shaka baixou os olhos, ruborizando, na verdade, nunca deu muita atenção a sua relação com os companheiros.
— Obrigado, Milo... — pediu envergonhado — Mas, não precisa se preocupar...
— Sei que não preciso, mas quero. Agora me diz o que sente por aquela ave metida?!
— Se eu soubesse... — sua voz foi quase um lamento.
— Eu acho que na verdade, você não quer saber.
— Possa ser que sim, estou cansado dele, estou cansado dessa capacidade que ele tem de tirar minha paz...
— Isso se chama paixão...
— Paixão? Nós acabamos de brigar, Milo, se isso é paixão, eu a quero longe de mim; só fazemos brigar desde que nos conhecemos e mesmo quando não estamos brigando, não nos entendemos!
— Você acha que eu me entendo com o Camus? — indagou o grego com um meio sorriso — Se quer saber, o único lugar que nos entendemos como ninguém é na cama e nem por isso nos amamos menos.
— Vocês se amam, mas quanto a mim, não vou me render a essas tentações, então, deixe aquele moleque longe de mim, eu não quero nenhuma espécie de relação com ele, admiro-os por conseguir sentir essas coisas, mas eu não, eu não quero!
— Você é uma reencarnação muito teimosa de Buda! — reclamou o Escorpião — Você que sabe, vou procurar o Camus já que sairei em missão no final da semana, mas lembre-se que o Ikki também vai e, talvez, você perca a chance de dizer a verdade...
— E que verdade seria essa?
— Você o ama.
Shaka soltou um praguejo baixo.
— Você não deve ter ouvido o que falei ou então é louco, escorpião!
— Pelo contrário, ouvi tudinho, por isso repito, você o ama.
— Você está louco! — Shaka se deixou cair no sofá, já que a discussão acabou dentro de sua casa. Apoiou a mão na testa com expressão preocupada — Preciso ficar sozinho, Milo.
— Tudo bem, você que sabe. — Milo balançou a cabeça sendo vencido pelos argumentos do louro.
Deixou a sexta casa em direção ao templo de aquário, mas não se daria por vencido, cedo ou tarde convenceria o virginiano de que a paixão era um bálsamo e não uma maldição.
Entrou sorrindo no templo com pensamentos maliciosos. Camus que conhecia muito bem quando o escorpiano estava tramando algo, largou o livro e o olhou.
— Algum problema, Milo?
— Hum? Problema? Nenhum... — respondeu despreocupadamente.
— E esse sorriso, significa?
— Até meu sorriso o incomoda, por Zeus! — debochou o moreno.
— Não me incomoda, me intriga, exatamente porque, pelo que eu o conheço, era pra você está soltando farpas por ter que voltar a ilha de Milos para treinar pirralhos, como você mesmo chama os aprendizes.
— Estou começando a me acostumar com os desmandos da Chatena. — sorriu o escorpião — Mas, e você? Ficará o dia inteiro de cara nesses livros?
— Sim, tenho muita coisa para estudar. — respondeu Camus com indiferença.
— Ok, mesmo porque, achei algo bem interessante pra passar meu tempo... — provocou o namorado, mas Camus nem se quer lhe deu atenção tão concentrado que estava no que lia.
— Tchau picolé! — reclamou, saindo do templo, pensando no que faria para unir aqueles dois. Nisso somente uma pessoa poderia ajudá-lo: Afrodite.
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Ikki apertou o punho tão fortemente que suas unhas machucaram a carne. Estava com raiva, mas ao mesmo tempo não conseguia tirar o louro de sua cabeça. O sol já começava a se por e ele se sentiu imensamente cansado. Sentou-se e ficou observando o irmão treinar com Milo. Shun estava se tornando um cavaleiro cada vez mais forte, mas percebia também o quanto estava triste. Era muito sensível e, ao contrário dos cavaleiros de ouro que já estavam acostumados e sempre esperavam uma nova luta, ele realmente achara que aquele tipo de vida havia acabado, a decepção e a dor de se afastar do namorado brilhavam em seus olhos.
Suspirou, pelo menos, ele teve momentos com quem amava e quanto a si? Sentia-se um idiota por gostar daquele arrogante.
— Treinando sozinho? — a voz suave chegou aos seus ouvidos, junto com o perfume de jasmim. Ergueu a cabeça para ver quem se aproximava.
Ele vestia uma calça branca e uma camisa rosa de tecido leve e sorria docilmente. Sentou-se ao lado de Fênix, olhando para os cavaleiros que treinavam.
— Olá, Misty. — Ikki falou com indiferença.
— Olá, Ikki, você também foi escolhido para sair do santuário? — perguntou o louro, despreocupadamente.
— Sim.
— Não quer se divertir um pouco antes de sair em missão? Eu e alguns amigos sairemos essa noite, seria um prazer ter sua companhia.
Ele virou-se para olhar o outro rapaz. Seus olhos passearam pelos lábios rosados que sorriam com uma mistura de vergonha e malícia.
— E por que você gostaria de minha companhia? — perguntou direto — Companhia não é problema pra você que eu sei.
— Estou enfadado com a rotina. — confessou e seus olhos azuis passearam pelo corpo moreno — Gostaria de conhecer lugares novos, talvez, você possa me mostrar...
Ikki como todo leonino tinha um ego do tamanho de um bonde, e sabia que Misty era um homem muito cobiçado. Tê-lo ali, o convidando para sair era no mínimo uma proposta irresistível. Além disso, estava magoado e seria bom ter um pouco de atenção depois de tudo.
— Eu posso mostrar tudo que você quiser... — sorriu com malícia e o louro baixou a cabeça, meio ruborizado. Na verdade, apesar da fama de namorador, Misty era um rapaz seletivo e de bons sentimentos, não convidaria o leonino apenas por estar enfadado, mas nunca confessaria, também era orgulhoso e extremamente vaidoso.
— Estarei esperando na entrada do alojamento as sete, tudo bem?
— Estarei pronto... — sorriu o cavaleiro de bronze, observando o belo louro se afastar. Suspirou aborrecido: "Por que ele tinha que ser louro também?"
Continua...
Notas finais: Ué, o que o Misty veio fazer na história hein? E o Milo e o Frô o que estarão aprontando? E a Chatena? Será que ela muda de idéia? (Adoro o Dohko!).
Essa história tá com carinha de adolescente, não é? Puxa, o que deu na Sion? Cadê a angst? Hehehehe, coisinha leeeve de vez em quando é bom, né gente?
Beijos e obrigada de antemão a todos que tiveram a gentileza de deixar um review.
Sion Neblina
