Àquela noite, Ian não foi para o seu quarto. Não podia deixar Amy sozinha ainda mais naquele estado.
Ainda tinha esculpido na mente o modo como ela havia lhe olhado, o modo como ela havia pedido para ele não ir, o medo nos seus olhos quando ela lhe olhou. Não, não era apenas medo, era algo muito mais forte que pavor. Algo que beirava a loucura, o descontrole, o irracional. O que de repente havia acontecido com ela? Por que ela havia reagido daquela forma?
Começava a ficar preocupado. E se fosse algo realmente sério? E se Amy estivesse ficando louca? Aquele pensamento lhe perturbou. "Não há pior doença que a da mente" pensou. Afastou a possibilidade rapidamente.
Se bem que era tanta coisa para ela... E se fosse mesmo? Não importava. Ele ficaria sempre do seu lado.
Sempre.
Percebeu o quanto significava aquela palavra. E se ele se arrependesse? Olhou para ela. Algo lhe dizia que ele nunca se arrependeria. A garota dormia agora ao seu lado, com a cabeça descansada em seu peito. Afastou seu cabelo castanho sedoso. Abaixo de seus olhos permanecia avermelhado.
Pobre Amy...
Se ao menos houvesse algo que ele pudesse fazer para melhorar seu estado...
-xXx-
– Bom dia! É hora de acordar!
Amy sentiu a voz entrar devagar pelo seu ouvido. Virou-se ainda meio dormindo, procurando de onde haviam vindo aquelas palavras. Sua boca estava seca e a língua, grudada no céu da boca. Se sentia estranha... As lembranças do dia anterior permaneciam gravadas na memória. Abriu os olhos lentamente. Tudo parecia lhe ocorrer em câmera lenta, tudo parecia borrado, como se tudo que chegasse até ela, passasse através de um filtro primeiro. Viu Ian sentado na sua cama, viu uma bandeja com comida, viu um ramalhete de flores. Viu muitas coisas, não entendeu a maioria.
– Não foi tudo um sonho? – ela murmurou, sonolenta.
Ian riu. Abriu um sorriso plácido.
– Felizmente, tudo aconteceu.
Ele olhou para os atordoados olhos verdes da amada. Tudo aquilo, tudo de bom e tudo de ruim, havia acontecido. Naquele instante, sentiu um sentimento esquisito, nada parecido com o que ele já havia sentido antes. Talvez fosse compaixão, talvez fosse algo mais profundo, mas, de todo modo, era algo forte, algo que doía quando ele a via daquele jeito, perturbada. Um sentimento piedoso de simpatia para com a sua tragédia, algo que suscitava nele um impulso altruísta de ternura. Algo forte e doloroso e que o fazia sentir-se tão fraco e incapaz quanto ela. Porque, no fundo, ele sabia que, por mais que ele fizesse e tentasse, nada adiantaria. Só lhe restava olhar para seus olhos e lhe dar um sorriso cálido, só o que lhe restava era amá-la. E foi isso que ele fez.
– Bom dia, querida.
Antes de perceber, Ian já havia se debruçado sobre ela e lhe dado um beijo da bochecha. "Pelo menos foi na bochecha", ela pensou. Seu bafo devia estar horrível. Podia ser romântica, mas era realista e sabia que só em cinema mesmo que os casais apaixonados acordavam já se beijando, porque na vida real, aquilo acabaria com qualquer namoro.
– Você vai para algum lugar? – ela perguntou, reparando em suas roupas.
– Nós vamos passear. Mas isso só depois de você tomar o café.
– Ah! – Amy sorriu. – E nós vamos aonde, se é que eu possa saber?
Ian deu um sorriso misterioso.
– Nada muito especial. Por aqui mesmo. Acho que você não foi apresentada a casa muito bem.
– Hummm... certo.
Ela olhou a bandeja. Torradas com manteiga, queijo, bolinhos, biscoitos com geleia, suco, chocolate quente... Tinha comida suficiente para alimentar um exército. Não devia se acostumar aquilo, afinal quando voltasse a sua vida normal não lhe serviriam café na cama. Estranho pensar em sua vida como normal novamente. De um jeito esquisito ela já havia se acostumado àquela correria, à angústia, ao medo, pareciam já fazer parte dela. Mas será que um dia tudo aquilo acabaria? Olhou para Ian, para a comida, para o quarto, para a janela e para o clima lá fora. Estava nublado, nenhuma novidade. Mas era, para ela, de um jeito inexplicável, um nublado quase bonito. Suspirou.
– Que foi? – Ian lhe perguntou.
– Nada. Só estava... pensando.
– Em quê?
– Em nada e em tudo ao mesmo tempo. Pensando na comida, pensando que o dia hoje está quase bonito, pensando na minha vida, pensando quando isso vai acabar, pensando como isso vai acabar... – deu outro suspiro e um sorriso suave. – Nada muito construtivo.
– Então coma e vamos passear por aí para você conhecer melhor a casa.
Ela sorriu. Era uma ideia melhor do que ficar enfurnada no quarto durante o dia inteiro pensando na sua vida.
– Vamos – falou animada.
-xXx-
A casa era linda, disso ninguém podia reclamar. O jardim então, uma beleza! Estavam indo para ele, descendo pela sala de visitas, por onde fornecia outra entrada para o jardim, quando Amy percebeu, a luz do dia, que havia um caminho que permitia chegar mais rápido até o mar. Infelizmente ele estava coberto de arbustos floridos. Uma pena.
– Ah... – murmurou.
– O que foi? – Ian virou-se para ela, interessado em saber o porquê daquele murmurio desconsolado.
– Não é nada. Só estava, aqui, pensando em algo.
– Acho que você anda pensando demais nas coisas. Infelizmente, Amy, não leio mentes e estou curioso. No que você estava pensando que lhe deixou tão frustrada?
Ela riu.
– É uma besteira, não vá rir. – Ele concordou com a cabeça, com um sorriso divertido no rosto. – Sei que não sou paisagista, nem arquiteta ou nada dessas coisas, e que vocês com certeza contrataram alguém famosíssimo para fazer isso, mas estava aqui pensando que seria realmente bem melhor um caminho que pegasse por ali, atravessasse o jardim de pedras e chegasse ao mar. Seria um caminho bem mais curto e cômodo do que ter de pegar aquela trilha mal cuidada, além de proporcionar uma bela vista na sala de visitas.
Ian olhou para ela. Amy continuou, fugindo de seus olhos:
– Você prometeu não rir. Eu sei, é uma besteira, mas é que eu acho que tendo uma casa praticamente à beira mar e não poder ver nem usufruir da bela paisagem, é uma completa falta de respeito com o mar e com a paisagem, já que é quase impossível de se ver ele daqui. – ela olhou novamente para ele, envergonhada. – Eu disse que não era nada...
– Não – Ian a interrompeu. – É uma ótima ideia.
– É?
– Claro! Realmente não sei como nunca ninguém pensou nisso. Vai ficar muito melhor. – ele olhou para ela. – Você poderia ser uma ótima paisagista, sim.
Amy corou.
– Desculpe, fica parecendo que sou uma intrometida.
– Não se preocupe, foi mesmo uma ótima ideia. Vou hoje mesmo falar como sr. Foster, nosso jardineiro. Mas falo isso com ele depois, antes quero lhe mostrar outra coisa. Venha.
Ian pegou sua mão e a levou de volta para dento da casa.
– E agora, para onde você está me levando? – ela perguntou.
– Agora é uma surpresa.
Amy sorriu discretamente ao pensar numa surpresa.
Gente!
Como vocês estão? d^_^b
*eu escutando Adele, minha diva
Como vocês viram, a história continuou do mesmo jeitinho do último capítulo da fanfic anterior. Nada de muito diferente. - Lauren, se acalme e tenha paciência que você entenderá aquela parte do prólogo daqui a pouco. Confie em mim, ok? ;D
Só uma coisinha, vocês vão ter que esperar um pouquinho para as coisas realmente sinistras começarem a acontecer... talvez uns cinco capítulos... não sei, ainda não escrevi! :P
Sobre esse capítulo: será que a Amy está mesmo ficando louca? Qual será a próxima surpresa do Ian? Prometo que vai ser algo bem fofo!
Gostaram? Não gostaram? Só não se esqueçam das minhas amadas reviews!
Beijinhos! (Thata, você é a culpada por me deixar com vontade de comer brigadeiro :9)
*indo para a cozinha ver se tem leite condensado
