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Eu achei que a parte difícil tinha passado, e agora era só voltar para casa, mas quando eu vi aquele rapaz eu senti meu coração engasgar. Foi uma sensação boa e ao mesmo tempo terrível.

–Olhe melhor para onde vai, senhorita. –ele disse de modo muito rude, rouco e pronto para ir avante.

Eu assenti, envergonhada e sem ação e num minuto de atitude eu pedi:

–Por favor! Ajude–me… eu não sei bem onde estou. –eu pedi então, me odiei muito por fazer esse papel, mas era minha única ferramenta e, de qualquer forma, eu não sabia como voltar agora. Por três horas Noël me arrastou pela cidade, eu não tinha idéia de que caminho tomar. E ainda tinha os papparazzi

O rapaz me olhou de um jeito impaciente.

–Eu tenho o que fazer, moça! –e me repeliu de um modo rude. Eu senti a respiração parar um pouquinho, mas não dei muita importância.

–Está bem… –era minha hora de liberdade, então. Eu ia sair dessa sozinha. Agarrei na minha bolsa e olhei os lados, pronta para escolher que caminho tomar. Talvez houvesse um policial por ali que poderia me ajudar.

E quando estava para me por em movimento, o rapaz disse:

–Você está mesmo perdida, não é? –havia uma impaciência assustadora no jeito dele e eu simplesmente assenti.

–Eu saí com um amigo e nós nos separamos e agora eu não sei como voltar. –eu expliquei, lamentando. O rapaz com certeza não me entendeu, mas naquele momento eu não estava gostando muito de mim.

Ele estalou os lábios e suspirou fundo, como um cavalo, contrariado.

–Está bem, para onde você quer ir? –ele perguntou. –Eu te levo.

Sorri, agradecida, aliviada. Ele podia ter pouca vontade, mas mesmo assim, ele ia me ajudar. Então pensei: voltar para o palácio sem o Noël seria tanto problema para mim que eu não poderia voltar tão cedo… eu estava atolada num problema terrível e tudo culpa minha! Engoli uma lágrima e o rapaz parecia cada vez mais irritado com minha demora.

–Desculpe… eu… – o problema em si não era eu estar perdida em minha própria capital, mas era o que eu tinha feito ao ceder para Noël.

–Você está bem? –ele me perguntou. O interesse dele era tão ríspido, mas sincero, e eu fui tocada por aquela pergunta. No olhar dele eu vi algo tão fascinante que fiquei muda por um instante. –Moça! –ele me chamou e eu corei outra vez.

–Me perdoe, me perdoe, eu sou uma tola. –disse elegantemente, e ele colocou as mãos nos bolsos. –Fico abusando de sua boa vontade, sendo que você está ocupado. Não se preocupe mais comigo, eu vou procurar um policial, você pode prosseguir… Obrigada de qualquer modo. –então eu desisti de usar a ajuda dele. De algum modo, aquele rapaz estava me fazendo mal, e eu estava tão desesperada que só iria parecer louca para ele. –Antes, qual é o seu nome?

Ele olhou o lado e pareceu desagradado demais com a pergunta.

–Heero Yuy.

–Muito, prazer, Heero. Eu sou Relena Darlian, e lhe agradeço muito… –disse então, num tom de voz doce e baixo, esperando uma reação exaltada dele, que com certeza ia me identificar como a princesa. Até estremeci.

–Não. –ele falou então, resoluto. Assustei, e fiquei pensado o que ele iria fazer comigo agora. –É melhor eu te levar para casa.

Ele insistia. Que estranho. O que tinha acontecido? Eu continuava em maus lençóis. Olhei dentro do olho dele e estremeci, ele com certeza via o pânico que eu sentia.

–Você está muito tensa. Vamos para algum lugar para você sentar. –e ele simplesmente disse sem rodeios ou educação e eu o segui então, como se fosse uma criança. Eu, Relena Darlian, uma princesa Peacecraft, a mercê de um estranho! Era algo para se rir depois, mas no momento era uma situação terrível.

Ele me levou para um café, numa praça. Eu sentei junto a uma mesinha e suspirei, olhando baixo. Ele sentou na minha frente e apoiou o queixo com a mão, olhando o outro lado. Acho que quem nos visse de longe ia nos achar um casal estranho e frio, como se tivéssemos brigado.

–Para mim, você parece estar metida numa grande fria. –ele disse depois, certeiro. Eu sorri achando a situação engraçada.

–Pois é. Perdoe–me o palavreado, mas eu me dei muito mal desta vez.

–Por que você está pedindo perdão? –ele com certeza não entendia minha polidez. E eu me esquecia de que estava entre gente comum agora. –Ah, não precisa falar o que você fez não, só diz para onde você quer ir.

–O problema é que eu não posso voltar para casa agora… ou nunca… –eu murmurei, me lamentando tanto. Ele riu, debochando da minha cara.

–Poucas meninas fogem de casa de taileur rosa e uma bolsinha de mão…

Ah! Que malvado! Eu o olhei indignada e ele me sorria maldoso.

–O que você está tentando fazer? –ele me perguntou em seguida, tirando um prazer maldoso da minha situação.

–Eu não sei! –eu disse, irritada com ele, comigo, com tudo! Bufei e me levantei da mesa e saí caminhando pela praça, brava e morrendo de vontade de chorar. Andei até o final e atravessei a rua, estava totalmente sozinha e perdida lá, piorando cada vez mais minha situação.

O que eu realmente precisava era achar Noël e voltar para casa, mas isso seria muito difícil, e enquanto eu divagava angustiada no que fazer, não via aonde ia, não me atentava em procurar alguém para me ajudar. Em outra praça, me sentei junto de uma fonte que imitava aquela que tínhamos na entrada do Palácio Peacemillion. E eu chorava, chorava olhando meu reflexo na água, sentindo tanta vergonha.

–Mas que coisa. Se queria chorar sem que eu visse não precisava vir tão longe, era só ir ao banheiro. –então eu ouvi e levei um susto, e enxugando os olhos com um lenço que eu tinha na bolsa me virei para trás, vi Heero outra vez.

–Heero! –eu me surpreendi. –Por que veio atrás de mim? Deixe–me em paz, eu me sinto terrível! –e disse, cheia de um misto de sentimentos que estava acabando comigo.

–Você é muito exagerada... você quer ou não quer resolver seu problema? –ele disse, rindo de mim, achando–me com certeza tola e infantil.

–Eu quero! Eu quero... mas não sei como. –eu disse de modo desesperançoso e sério, enxugando as lágrimas.

–Vamos, ficar aqui não vai adiantar em nada. Pare de choramingar. –então ele me provocou, me deu uma ordem dura, e era isso que ele entendia por consolo. Eu olhei para ele, para cima, ainda estava sentada na fonte e senti um desgosto: eu não queria obedecer–lho, eu não precisava disso.

–O que é que você vai fazer?

–Você quer ou não voltar?

–Não, eu não quero. –disse, determinada.

–Isso é covardia. –ele me acusou, firme, como se ele fosse o coronel e eu uma cadete. Desmanchei–me ali, diante dele, ele não me tinha respeito. Mas os olhos dele eram tão intensos e atraentes, me convidavam para chegar perto dele, eu quase não conseguia me segurar! E quando ele abaixava a cabeça, a franja de cabelos cor de chocolate caía nos olhos, lhe deixando tão charmoso...

–Então está bem. Eu vou voltar... –eu murmurei então, me levantando e arrumando a saia. –Afinal, não dá para fugir para sempre...

Ele ficou me olhando estático depois do que eu disse, como se o tivesse chocado. Minha frase deve ter causado alguma impressão nele, ele ficou calado de repente e me chamou só com um movimento de cabeça.

–Para onde? –perguntou-me.

–Para a Praça Real. –essa era praça que ficava em frente ao Peacemillion, ele não precisaria saber que eu queria ir para o palácio, pois pelo jeito ele não sabia que eu era a princesa.

Íamos caminhando então, ele ia um pouco à frente e eu o seguia, pensando no que ia acontecer quando chegasse em casa, e o que o rei da Holanda ia falar sobre mim e sobre meu pai depois desse episódio. Heero de vez em quando olhava para trás, para ver se eu ainda estava ali, mas eu fingia que não percebia. Uma esquina antes de chegar à praça, eu ergui a cabeça e vi uma porção de fotógrafos esperando a mim ou a Noël de volta. Eu agarrei o braço de Heero e murmurei:

–Temos de voltar. –fui tão enérgica, nem percebi minha própria determinação. Ele olhou para mim sobressaltado e eu continuei.

–Veja, reconheci aquela loja... venha comigo!! –e saía andando apressadamente, mas sem chamar atenção e atravessei a rua, chegando ao local onde tínhamos estacionado a limusine. –Sabe dirigir? –disse, um pouco apressada, ofegando. Ele notou meu pânico, claro, e me olhava achando–me exagerada outra vez.

–É claro. –e olhou a limusine com desconfiança. Eu arranquei a chave de dentro da bolsa e dei na mão dele.

–Vamos! –e dei a volta para entrar no banco do passageiro, na frente. Ele deu de ombros e abriu a porta, foi entrando sem hesitação e colocando as mãos no volante de couro branco.

–Que beleza... –ele murmurou impressionado e cheio de agrado por causa do carro e deu a partida, saindo com o carro tão suavemente que eu o julguei imediatamente o melhor motorista do mundo.

Coloquei o braço no apoio da porta e suspirei, exausta. Sentia–me protegida dentro da limusine. Pelo menos não ficava tão exposta enquanto lá dentro.

–Certo, para onde vamos agora?

–Para onde você quiser, mas para longe daqui... –suspirei, cheia de pesar. Minha vida virara um caos... ele riu do meu jeito e apenas olhei–o de canto, exausta emocionalmente.

–Você não parecia ser tão desesperada nas fotos... Você é igualzinha a qualquer garota, mesmo... –ele murmurou de repente, e me senti tão boba.

–Você sabe, não é? Desde o começo você sabia... que coisa! Deve estar pensando que sou uma boba e ainda por cima uma inconseqüente, meti você num problema que nem é seu...

–Inconseqüente sou eu, menina. Você está morrendo de arrependimento aí, e ainda se acha inconseqüente? Pelo amor de Deus! Do que você tem medo? –ele foi me disciplinando, mas de algum modo eu senti que ele se compadecia de mim, me tinha carinho. Eu sorri sem jeito para ele, e ele ficava tão mudo quando eu sorria para ele, como se ele não gostasse do que via... Virei–me para a janela.

–Sei lá... até esqueci... Estou me sentindo idiota. E a situação, no fim, me parece muito engraçada... Só queria saber onde está o Noël... É por causa dele que eu estou aqui. –e eu dizia olhando pela janela, e por fim o olhei, me sentia tão serena de repente e sorri de novo. –Você me acalma... Obrigada por estar comigo. Não saberia o que fazer sem você.

Outra vez achei que ele não gostou do que viu e ouviu e fiquei chateada. Tinha medo de desagradá–lo, mas queria me expressar.

–Tudo é como uma aventura... eu nunca saio sozinha e assim não sei andar na cidade... Mas com um motorista experiente é mais fácil. –eu fui dizendo, e acho que já era meio óbvio que eu estava encantada por ele. Eu fiquei tão grata com a atitude dele... Por mais que ele não gostasse, ele não me deixava sozinha. Acho que isso é uma qualidade boa num namorado...

Agora Noël... aquele vândalo! Eu não vou casar com ele nem que seja o último nobre nessa terra! Ele é má–companhia isso sim! Veja só que me fez passar! De repente eu estava na minha limusine com um rapaz que acabara de conhecer, tentando me livrar dos papparazzi. Heero podia se aproveitar da minha situação, me raptar, me fazer mal, e de algum modo misterioso eu não tinha medo de nada isso. O jeito dele me deixava segura, eu estaria protegida enquanto com ele. Só não sei se minha presença lhe fazia bem.

–O que você ia fazer quando nos encontramos? –perguntei, curiosa, tentando achar assunto.

–Eu estava indo para casa. Estive fora no fim de semana. –ele respondeu secamente e eu só assenti, indicando que entendi. Porém, fiquei curiosa sobre o que ele fazia, sobre como ele vivia, e nem estranhei essa minha atitude... Aquele dia estava sendo tão estranho mesmo.

–Foi passear? –então perguntei, a minha gentileza de princesa me fazia muito respeitosa, mas com ele, isso não deu muito certo. Ele me olhou feio, pensei ter feito a pergunta errada.

–Desculpe. –sussurrei depois, mas acho que saiu tão baixinho que ele nem escutou.

–Pare com isso. –ele comandou imediatamente depois. Enfim, ele ouviu.

Ele dirigia, parecia que não tinha idéia do destino, mas de repente ele parou a limusine num espaço entre dois prédios, nos subúrbios. Olhei a volta, saí do carro e ele me devolveu a chave.

–Para onde vamos?

–Para minha casa. –ele respondeu e foi à frente e eu fiquei sem saber o que fazer.


Olá a todos! Bem-vindos ao segundo capítulo de Modern/Strange Fairytlae!

É necessário citar que nada relacionado com Gundam Wing me pertence. Fazer o que, né?

É um grande prazer estar trazendo esta fic para vocês! Espero vê-los continuarem a comentar e corrigir-me! Suas opiniões são extremamente queridas por mim:D !

O personagem Noël é de minha autoria. Por favor, não o usem sem permissão.
E por favor, não usem a fic sem permissão também.

Muito obrigada pelos reviews, winryyy, Rayara-chan e Layla! Ficou muito feliz com a participação de vocês! O capítulo é dedicado para vocês!

Desculpem-me pela péssima formatação do texto anterior! Eu ainda não sei mexer direito nas ferramentas do site e vou me preocupar melhor com o layout de meus capítulos, ok?

Enfim um novo capítulo! Espero que tenham gostado! Nosso casal querido se encontrou! Relena já caidinha pelo Heero, dramática que só, confusa, e Heero nem aí para ela, sempre na dele, frio e ríspido e um pouco pilhérico... casal estranho! XD

O que será que vai acontecer depois, na casa dele?

Bem, muitas aventuras esperam-nos ao longo da história, espero vê-los acompanhando-a comigo, ok?

XOXO

11/03/2007