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Harry já havia perdido o controle de si mesmo e já havia avançado para Draco, agarrando a gola de sua camisa preta e o empurrando até prensá-lo numa parede. Sentia cada gota de suor que escorria pela sua nuca até suas costas. Harry bufava de raiva por não conter seu desespero. Quando falou, tornou a gritar:
– Por que você não entende? Por que você não entende que já acabou?
Draco não respondeu. Harry puxou e tornou a empurrar o corpo dele de encontro a parede. A colisão fez um barulho seco. Os olhos de Draco lacrimejaram de dor.
– O nosso mundo está a salvo agora! – por trás da raiva na voz de Harry, havia ainda aquele desespero mal contido. – Você não precisa se esconder, Draco... por favor...
Dessa vez os olhos de Draco tornaram a lacrimejar. Mas não fora de dor. Pelo menos não dor física, mas dor interior, no coração, na alma. Ele segurou as mãos de Harry que ainda estavam em seu colarinho e o olhou.
– Não existe nosso mundo, Potter! – berrou ele. – Existe o seu mundo e – ele soltou as mãos de Harry e levantou a manga esquerda de seu paletó – o meu mundo!
As lágrimas já rolavam por seus olhos e ele não lutava mais para repeli-las. Era bom para ele chorar depois de tudo o que acontecera.
– E – continuou Draco –, o meu mundo, já não existe mais. Como eu.
Draco soltou a manga do paletó e deixou a Marca Negra ali, a mostra e seus braços penderam ao lado de seu corpo imóvel, a cabeça virada para o lado.
Foi quando Harry soltou a gola de sua camisa e suspirou, deixando os braços caírem até onde estavam os de Draco. Ele segurou suas mãos e as levantou, depois segurou só o braço esquerdo de Draco e o levou até os lábios onde estava a Marca Negra e a beijou, deslizando-os por todo o antebraço dele.
– Potter, o que...? – perguntou Draco, mas vieram mais lágrimas e ele não pôde terminar.
Por fim, Harry levantou o rosto e encarou Draco e se perguntou por que ele lhe parecia tão frágil e desde quando passara a vê-lo dessa maneira, com tanto cuidado. Passou a mão em seu rosto, limpando as lágrimas que conseguiu.
– Se o seu mundo não existe mais – começou a falar a voz já não era mais um berro e, sim, um sussurro. – eu quero que você faça parte do meu. Seja o meu.
Draco mordeu o lábio inferior, se martirizando por demonstrar fraqueza. Mas já não havia mais nada a perder e já estava por demais derrotado, seu coração doía e a mesma pessoa que ele tentara odiar todos esses anos fora a que primeiro lhe demonstrara amor.
Ele balançou a cabeça.
– E me deixa, por favor – pediu Harry, aproximando o rosto do de Draco –, te trazer de volta a existência, já que você se foi e deixou de existir. Eu vou cuidar de você.
A outra mão de Harry já estava na cintura de Draco, levemente posicionada.
– Eu prometo, Draco.
Outras lágrimas caíram pelos olhos de Draco, mas estas cessaram e terminaram seu caminho ao descer até os lábios de Draco, que estavam nos de Harry, desenhando beijos calorosos e reconfortantes.
