História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.

Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada.

Capítulo 3

Saga acordou no dia seguinte assustado ao ouvir um som terrível.

Ele ouvia música, toques e roncos muito altos e demorou um pouco para identificar de onde vinha o barulho, mas logo se lembrou de seus novos roomates noquarto ao lado. E era justamente de lá que vinha o infernal barulho. Ele se levantou para ver o que se passava e logo notou que nenhum dos dois havia acordado.

O quarto ainda estava escuro e, apesar dos vários despertadores tocando, não havia sinal de vida no quarto de Milo e Aioria.

- Impressionante! – resmungou – Como alguém consegue dormir com esse barulho infernal!

Saga sempre acordava de mau-humor. Na verdade, antes do banho da manhã, Saga não era ninguém. Assim, aquela barulheira não o deixou nada feliz...

Ele imediatamente abriu a janela, mas a medida de pouco adiantou. Nenhuma luz entrava pela janela, já que às 7:00hs da manhã o sol ainda não havia nascido. Na verdade, a sua medida não teve outro efeito além de esfriar o quarto e fazer com que Milo se encolhesse de frio na cama. Já Aioria, nem isso. Continuava a roncar.

Saga, então, foi obrigado a berrar com os dois, que, ainda assim, insistiam em continuar dormindo. Um pouco mais de gritos e xingamentos infrutíferos e Saga partiu mesmo para a ignorância. Jogou uma almofada em Aioria e chacoalhou Milo. E foi assim, atrasados, que os dois finalmente acordaram para o seu primeiro dia na nova faculdade.

Saga, acompanhado somente de seu mau humor matinal inabalável, voltou ao seu quarto para dormir. Mas quem dera! Com todo o barulho que os dois faziam procurando suas coisas, berrando um com o outro sobre o atraso e abrindo e fechando freneticamente os armários da cozinha à procura de comida, Saga acabou por desistir e foi se juntar aos dois.

É necessário lembrar que Saga era destas pessoas obsessivamente organizadas, tendente a ter insônia e que nunca, mas nunca mesmo, se atrasava. Perder coisas, então! Isso provavelmente nuca lhe acontecera.

Já Milo e Aioria pareciam desconhecer o conceito de silêncio ou de organização. Enquanto os olhava tomando uma xícara de café em um banco no canto da cozinha sem nada falar, Saga pensava se fizera bem em recebê-los em sua casa.

E os dois... – nem notaram o silencioso Saga no ápice do mau humor. Corriam desbaratinados pelo apartamento tentando se lembrar de tudo o que deviam levar para o primeiro dia da faculdade, brigando um com o outro – como sempre – sobre quem tinha guardado isso ou aquilo. E, obviamente, ninguém guardara ou trouxera metade das coisas estapafúrdias que os dois consideravam absolutamente necessárias.

- O livro! O livro da Comunidade, com a capa vermelha! – era Milo

- Sei lá, se eu soubesse de algo ia saber onde está um caderno vazio. – bom, nada de novo, Saga pensou. Livros e Aioria não pareciam compatíveis.

- Bom, de vazio, só a sua cabeça, certo?

- Vou te mostrar o que é vazio, cara.

- Você quer dizer, além de sua cabeça, certo? – para alguém que acabou de acordar, até que Milo ainda tinha respostas, o que era mais do que jamais se poderia dizer de Saga pela manhã.

E foi assim que os dois voaram para fora de casa. Não deu nem um minuto e Milo voltou. Olhou para Saga com aqueles olhos incrivelmente azuis e brilhantes e disse:

- Desculpa pela confusão, Saga. E obrigado por nos acordar. Acho que nenhum de nós dormiu bem à noite e a gente acabou perdendo a hora – pronto, lá estava Milo a ser encantador novamente. Nem sinal da balbúrdia, confusão e barulheira de apenas dois minutos atrás.

- Sem erro, Milo. Boa sorte na faculdade.

- VEM MILO! – berrou Aioria, provavelmente de dois andares abaixo. E foi o que bastou para Milo sair batendo a porta novamente.

- Bom – pensou Saga sorrindo – acho que vou acabar sendo expulso do prédio. Eles devem ter acordado todos os vizinhos do bloco...

E já que estava acordado, mesmo, Saga se arrumou e foi para o escritório. Necessário esclarecer que num humor muito melhor do que na maioria das segundas-feiras de sua regrada vida.

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Houghton Street - LSE

Duas conexões e várias estações de metrô depois (dessa vez eles desceram em Holborn), Milo e Aioria – um pouco atrasados e muito apreensivos -, iniciaram a sua procura pelo prédio no qual seria realizada a reunião departamental de boas vindas aos pós-graduandos em Direito Comparado da LSE.

Lá chegando, foram encaminhados ao Welcome Desk1onde receberam uma vasta lista de matérias, informações sobre moradiafacilidades, informações sobre a LSE, sobre computação e acesso à internet, horário de funcionamento da biblioteca, mapas de Londres e da própria LSE, enfim, tanta informação que eles não teriam condições de digerir em menos de 15 dias.

E foram, finalmente, encaminhados à sala na qual seria realizada a reunião, na qual já se encontravam uns 10 estudantes que deveriam ter chegado antes.

Milo e Aioria sentaram-se e Milo começou a olhar para os estudantes que lá se encontravam. Havia um rapaz moreno, enorme, tão agasalhado que seu tamanho chegava a dobrar. Tão logo ele sentiu o olhar de Milo sobre si, sorriu de uma forma tão simpática que fez com que Milo retribuísse imediatamente.

Dele, o olhar de Milo se dirigiu a um outro rapaz estranho, exótico mesmo. Ele era pequeno, ou assim parecia, tinha cabelos lilases e, no lugar das sobrancelhas, possuía dois pontos vermelhos. Milo o olhava curioso, quando o rapaz, do lado oposto da sala, levantou os olhos para Milo. Ele não chegou a sorrir, mas Milo imediatamente simpatizou com o rapaz.

Neste momento ingressaram na sala duas moças, as duas lindas, uma delas ruiva. Todos, sem exceção, pararam o que estavam fazendo para olhar as duas. Elas, cientes de todos os olhares, sorriram vagamente para todos e foram se sentar juntas, no fundo da sala. Aioria cutucou Milo, que se virou para ele, apenas para constatar que Aioria estava com aquele olhar fixo que Milo tão bem conhecia... E começou a se lembrar das últimas vezes em que Aioria se comportara daquele modo.

Atenas, 6 meses atrás – Milo e Aioria estavam num bar em Atenas quando entraram duas turistas, uma ruiva. As duas imediatamente os viram e foram se sentar com eles. Americanas. Aioria quase foi mandado embora do escritório, pois simplesmente abandonou o emprego por 1 semana, sem dar satisfação a ninguém. Não fosse Milo ter falado para o chefe de Aioria que este havia sido contaminado por salmonella ou algo parecido, e Aioria teria voltado para Corfu no primeiro barco. O nome dela? Milo duvidava que mesmo Aioria se lembrasse.

Faculdade de Atenas, 3 anos atrás – Milo e Aioria estavam na biblioteca estudando para sabe-se lá qual prova, quando uma estudante ruiva quase caiu sobre a estante tentando pegar um livro. Aioria levantou-se para ajudá-la e outro semestre foi perdido. Milo estudara pelos dois, ajudara Aioria nos trabalhos, nos exercícios em classe, nos trabalhos em grupo, enfim em tudo o que pudera para que o amigo não perdesse o semestre. O nome desta Milo se lembrava – Arachne2, já que ela enredou Aioria como uma aranha. Onde ela estava agora? Nem idéia.

Corfu, férias de 5 anos atrás – Milo e Aioria estavam no hotel da família de Aioria, quando um grande grupo de turistas... Nesse momento os pensamentos de Milo foram interrompidos pelo início da palestra. Aioria continuava olhando fixamente a estudante ruiva...

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O professor se apresentou como Gregory Wiltman, professor responsável pelo contato e acolhimento de estudantes estrangeiros. O Prof. Wiltman tinha aquele jeito pomposo de falar de ingleses bem educados. No entanto, seu carisma era algo próximo a zero, motivo pelo qual Milo continuou divagando por toda a palestra que durou cerca de quarenta minutos.

Durante a palestra entraram na sala mais alguns estudantes. Um loiro aguado, afeminado, que parecia haver esperado pelo começo da palestra somente para entrar atrasado e atrair os olhares dos futuros colegas. Vã tentativa. Ele era um tipo vulgar que mais afastava do que atraía. Seu colega, truculento, de cabelos castanhos também não chamou especialmente a atenção de Milo. Mais alguns alunos entraram em silêncio, que também não chamaram especialmente a atenção.

Mas, então, entrou um outro rapaz loiro, muito alto e com uma cara tremendamente antipática, como se ele se considerasse melhor que todos ali. Ele olhou em volta e foi se sentar na fileira imediatamente atrás de Milo e Aioria, longe de todos os demais. Aparentemente aquele queria se isolar, pois que começou a falar baixinho para si mesmo em uma língua que Milo não reconheceu. Milo virou para trás e constatou que ele estava com os olhos fechados, enquanto pegava seu bloco de anotações e caneta.

A porta se abriu mais uma vez. Desta vez o Prof. Wiltman irritou-se pelas constantes interrupções e se virou para dar uma bronca no novo intruso. Talvez esse tenha sido o momento em que o professor chamou mais a atenção de uma classe em toda a sua vida. O intruso, - um jovem de cabelos azuis claros, olhos azuis claros, pintinha no rosto e vestido com um longo sobretudo azul-claro, luvas e cachecol verde-esmeralda - , simplesmente parou no meio da classe, olhou para o professor e falou:

- Professor, desculpa se interrompo, mas eu errei a estação, depois errei a saída da estação, errei o prédio, fui parar na palestra de economia, tive que sair no meio da palestra interrompendo o professor, corri para cá, parei no desk3, onde derrubei TODOS os papéis e flyers4, mas, finalmente: ESTOU AQUI! O senhor me desculpa? O senhor me dá licença?

O professor olhou embasbacado para o ser que falava com um sotaque dos países nórdicos. Tão lindo, com um rosto tão inocente, um sorriso tão franco e vestido de uma forma tão estapafúrdia, que o professor não soube o que dizer. Nunca vira ninguém assim.

- Professor? O senhor me deixa entrar e me desculpa a interrupção?

- ...

- Professor? O senhor quer que eu saia?

- Sim! Quer dizer, não. Quer dizer, pode entrar!

E o rapaz entrou sorrindo, não tão inocentemente, e se sentou exatamente ao lado de Milo e sussurrou baixinho: "Deu certo!".

- Deu certo o que? – perguntou Milo baixinho, simpatizando com o rapaz.

- O golpe, oras. Na verdade eu acordei atrasado! E fica quieto!

Milo riu sozinho pelos últimos três minutos de aula do Prof. Wiltman. Ele, que se achava um profissional na arte de manipular os outros, descobriu que ainda tinha muito o que aprender com o colorido rapaz ao seu lado.

Enquanto isso, Aioria continuava a olhar fixamente a ruiva no fundo da sala.

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Tão logo o professor Wiltman saiu, a funcionária do welcome desk entrou na sala e pediu que todos esperassem um pouco porque o professor responsável pelo programa de pós-graduação em Direito Comparado logo viria para dar a sua palestra.

Milo logo puxou papo com o ser colorido, que se apresentou como Afrodite. Mas foi logo falando que era para chamá-lo de "Ite".

- Sabe, como bronquite, labirintite, gastrite. Todas essas coisas com Ite que a gente parece nunca conseguir se livrar. Assim sou eu. Mais um Ite na vida das pessoas! – e sorriu largamente enquanto dava a explicação - E você, gatinho? De onde você é? – quis saber Afrodite.

- Eu sou o Milo. Sou de Corfu, na Grécia.

- Isso explica porque você se parece com um deus grego, então! - sim, era uma cantada bem barata, mas se dita por Afrodite, soava diferente, mais divertida.

- Sai fora, cara. Não jogo na sua, não.

- Pena! Mas que parece um deus parece, fazer o que? – Milo normalmente não se sentia a vontade com gays, mas Afrodite era diferente. Logo eles estavam falando sobre tudo (e todos!).

- E esse aí do seu lado? Parece que viu um punk pelado tocando guitarra no meio da sala! O que deu nele? – Afrodite apontava para Aioria.

- É o Aioria, meu amigo. A gente veio junto para Londres. Mas ele passou por um choque. Um choque ruivo, sabe? – e apontou para o fundo da sala - O Aioria nunca na vida conheceu uma ruiva pela qual não se apaixonasse... – sim, pensando bem, era verdade. O Aioria caíra por TODAS as ruivas que já conhecera.

- E você? Qual é o seu fraco?

- Eu? Acho que não tenho muito, não. Não me lembro de já ter me apaixonado. Também, tomando por comparação o Aioria, não dá para se apaixonar. – e já que falara nisso, Milo rapidamente se deu conta que era verdade. Não se lembrava de já ter se apaixonado na vida.

- Ah! Um conquistador sem coração! Fica longe de mim, então. – e enquanto falava isso, Afrodite chegava mais perto, brincando.

Neste momento entrou o Professor Desmond Milton, responsável pelo programa. Com ele entrava um jovem bem vestido, discreto, alto, magro e com longos cabelos esverdeados presos num rabo-de-cavalo longo. Os dois conversavam animadamente, no meio da sala, sem que o professor parecesse se preocupar com o atraso. Porém, depois de um tempo, o rapaz se virou e foi sentar no fundo da sala, perto do rapaz loiro antipático, que parecia conhecer. Passou por Mio, sem olhá-lo, deixando o cheiro agradável de um perfume conhecido. Perfume francês! Certeza que foi confirmada quando o ouviu falando com o loiro antipático.

- Bonjour, Shaka. Excusez-moi5

- Bonjour et bienvenu, Kamus6 – respondeu o loiro.

Bom, parece que finalmente achamos os antipáticos da turma, pensou Milo. E o professor começou a palestra.

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Bom, pessoal, espero que vocês tenham se divertido. Agora que quase todas as cartas estão na mesa, finalmente posso começar de fato a história. Tomara que vocês estejam gostando. Como é minha primeira fic, realmente fico perdida. Quem puder, por favor, mande review.

No próximo capítulo, todos os estudantes se apresentam e escolhem suas matérias. Os grupos de estudos e as duplas de trabalho devem ser formados. Os alunos resolvem sair para comemorar o início do curso. Milo convida Saga, Shura e MdM para acompanhá-los.

Virgo-chan

Março/06

História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.

Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada.

Capítulo 4

E assim teve início a apresentação do Professor Desmond Milton. Ele começou apresentando a escola, seguiu falando sobre o curso, as matérias, o que se esperava dos alunos, e acabou fazendo um pedido à classe:

- Agora, antes de prosseguirmos, gostaria de cada um de vocês se apresentasse, falando, inclusive, em que outros programas de pós-graduação foram aceitos– assim falando, ele olhou na lista e chamou em voz alta:

- AFRODITE VERSEEIN.

E o colorido ser se pôs a falar, fazendo com que a classe toda começasse a rir:

- Bom, em primeiro lugar, eu odeio meu nome. Muito comprido. Mas se pronuncia assim A-fro-di-te Ver – SHIII-em. Notem que em sueco o SEE se lê SHIIII. É tudo meio puxado para o X, mesmo. Enfim, vim parar aqui por que parece que ninguém me agüentava lá em casa...

- Por favor, peço aos alunos para se aterem aos dados relevantes para o conhecimento de seus antecedentes acadêmicos – mas ninguém deixou de notar que mesmo o professor tinha um sorriso divertido estampado no rosto. Afrodite deu um amplo sorriso para o professor, pediu desculpas e continuou.

- Bom, eu me formei pela Real Academia de Direito de Estocolmo, e trabalhei uns 7 anos por lá. Mas, de verdade, quem agüenta aquele frio? Resolvi vir para um lugar mais quente e aqui estou. Bom, verdade que só fui aceito aqui, mas também foi o único lugar para o qual apliquei. Eu queria muito vir para uma cidade grande e não agüentaria uma cidade cheia de gente metida como Paris – e discretamente olhou para trás de si, para os dois antipáticos que pareciam ter desembarcado diretamente de Paris, que trocaram indignados "parbleu7", alegremente ignorados por Afrodite que se sentou após, mais uma vez, se desculpar com o professor, que lhe sorriu em retorno. Ele tinha um jeito impressionante de conquistar as pessoas!

- AIORIA ADMETO.

- Eu sou Aioria Admeto, de Corfu, Grécia – ouviram-se alguns aplausos na sala e Milo pensou que mais alguém já ouvira falar de Corfu – sou advogado, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de Atenas há 5 anos. Apliquei para alguns programas, e fui aceito pelo da LSE e aqui estou – disse Aioria encerrando com um bonito sorriso, dirigido ao professor e, mais especificamente, ao fundo da sala.

Simples, direto, simpático. Assim era Aioria. Mas Milo teve que cutucar o leonino para ele se sentasse novamente, pois parecia que a ruiva do fundo da sala havia retribuído o seu sorriso e Aioria não se animava mais a sentar... Ele, olhando feio para Milo, se sentou a tempo de ouvir o professor chamar:

- ALBERT KAMUS – chamou o professor sendo que, imediatamente, um dos rapazes atrás de Milo e Aioria se levantou. Mas o professor perguntou: - Algum parentesco com o escritor?

- Oui, cést vrai8.- mas percebendo que falara em francês, ele imediatamente se corrigiu - Na verdade, sim. É um parente muito distante, mas o senhor notará que meu sobrenome é com K, ao passo que o dele é com C. De qualquer forma, por isso mesmo, todos me chamam de Kamus. Sou formado por Paris II, em Direito, há 5 anos. Apliquei para algumas faculdades, mas fui aceito somente por Cambridge, Oxford e a LSE. – "somente", pensou Milo - Optei pela LSE, pois minha família possui negócios em Londres e essa é uma chance de estudar enquanto me inteiro sobre os negócios. E, para aqueles que acham que Paris é uma cidade cheia de "metidos", como parece ser o caso do senhor aqui na minha frente, aviso que é considerada a cidade mais linda do mundo. E que não é errado ter apego ao que é belo.

Pronto, foi assim que todos tiveram a mesma impressão. Definitivamente, metido. Milo, que não conseguira olhar bem para o rapaz atrás de si, pensou que, afinal, ele era rico, metido e de uma família famosa. E, além de tudo o mais, francês e orgulhoso. Tantos defeitos numa pessoa só. Afrodite ria a seu lado, afinal sua provocação tivera resultado. E Aioria até deixou de olhar para a ruiva e se virou na cadeira para olhar diretamente para o francês, embasbacado. Ele simplesmente não acreditava que alguém pudesse tomar a palavra para defender um ponto de vista claramente antipático. Mas, enfim, eles ainda não sabiam, mas Kamus era aquariano. E aquarianos são assim. Sempre defendendo seus contraditórios pontos de vista, por mais estranhos, antipáticos ou minoritários que sejam.

O professor ignorou solenemente o início das vaias que se faziam ouvir e chamou: - ALDEBARAN DE CARVALHO – e o rapaz imenso, que tinha tirado pelo menos um dos casacos e um cachecol, mas continuava imenso, se levantou:

- Olá pessoal, eu sou o Aldebaran. E antes de começar a falar, quero dizer para o meu amigo aí do outro lado da sala que também acho Paris maravilhosa. – não deu para ver, mas aparentemente o francês sorrira ou concordara, pois Milo imediatamente sentiu os ânimos se acalmarem – Bom, sou brasileiro e estou estranhando demais esse frio de cá. Imagino como deve ser Estocolmo para Afrodite achar que aqui é mais quente! Eu estudei na Universidade de São Paulo. Trabalhei por 5 anos em um grande escritório do Rio de Janeiro e acabei sendo aceito pela LSE. Vim para cá e estou passando frio desde então. Mas é uma grande chance para mim vir para cá, conhecer vocês e poder estudar nesta escola. Obrigado!

Aldebaran foi aplaudido. Simpático, gentil e humilde. Talvez pelo fato de ser tão grande, mas parecia que ele imediatamente conquistara a classe toda com seu breve discurso. Inclusive o rapaz de cabelos lilases, que sorrira amplamente para ele. Mesmo os dois antipáticos atrás de Milo pareciam tê-lo aprovado.

E o professor continuou chamando os colegas de classe: Algol Scatt, Brenda Sils, Friederich Arnolt, Lara Thacker, Leonard Shlothausen, até que finalmente chamou o nome da ruiva do Aioria, pois que a mesma se levantou e começou a falar:

- Olá a todos! Eu sou Marin Takigawa. Sou japonesa de Okinawa, tenho 25 anos, estudei Direito na Universidade de Tokyo, trabalhei por 1 ano e ganhei uma bolsa de uma Fundação japonesa para estudar na LSE e aqui estou. Foi tudo um pouco repentino, mas espero conseguir me adaptar logo.

Aioria não tirava os olhos na garota. Chegava a ser constrangedor. Ela, claramente, ficou constrangida. Ficou claro que ela preferia estar usando uma máscara a ter que enfrentar diretamente os olhares do leonino. Mas, não se podia dizer que ela ficou de todo aborrecida com aquela admiração. Milo, que era bem mais atento que Aioria, no entanto, notou que não foi somente de seu amigo que ela chamou a atenção. Seu jeito tímido e gentil parecia ter atraído mais de um admirador. Essa vai ser difícil, pensou o escorpiniano, quando ouviu seu próprio nome ser chamado.

- MILO KERAMIDAS. – e Milo se levantou enquanto cutucava o amigo para que ele parasse de encarar Marin.

- Bom, eu sou o Milo, e sou grego. Eu sou formado há 5 anos, pela Faculdade de Direito da Universidade de Atenas. Também fui aceito em Cambridge. Optei por estudar em Londres porque aqui tem umas baladas famosas e porque aqui a comida é muito melhor que a do resto do mundo9. Eu pude vir estudar aqui porque ganhei uma bolsa de estudos do Ministério de Educação grego, que resolveu investir em mim, sabe-se lá por que. Eu espero poder me adaptar bem aqui e acompanhar bem o curso mas, se não conseguir, espero contar com a colaboração de todos. Gostaria de aproveitar a oportunidade para pedir à Marin que, por favor, dê uma chance ao meu amigo Aioria aqui ao lado, já que ele está visivelmente apaixonado. E ao Kamus aqui atrás, um aviso... Não conheço bem Paris, mas dificilmente será mais bonita do que qualquer cidade da Grécia! – risadas e aplausos gerais.

Fuzilado pelo professor e aplaudido pelos colegas, ele virou para trás, deu uma piscadela para Kamus e se sentou enquanto era chutado por Aioria, que estava mais vermelho que um pimentão. Afrodite, a seu lado, ria sem se conter. Milo ainda recebia na cabeça algumas bolas de papel que imediatamente eram beijadas e retornadas a esmo. Assim, ninguém prestara atenção à apresentação do tal Misty, o francês loiro aguado, e quase que todos perdiam a apresentação de Mu, quando o professor resolveu dar um basta, dando uma bronca em Milo, a quem chamou de irresponsável que não se comportava com o decoro que a situação pedia. O que só fez com que a simpatia da classe em prol de Milo crescesse. Mas, eventualmente, todos tentaram se concentrar na apresentação de Mu Bramanian.

- Sou tibetano, estudei Direito na Índia, em Nova Delhi, onde trabalhei como assistente do professor de Relações Internacionais. Vim para cá com uma bolsa da própria universidade e pretendo aproveitar meu tempo aqui para iniciar as pesquisas para a minha tese de doutorado. – Mu, apesar de falar baixo, possuía o dom de chamar a atenção. Todos, sem exceção, acompanhavam sua apresentação. Quando acabou, o próprio professor falou.

- Meu caro, o Tibete não é um país, de modo que você não pode ter essa nacionalidade. Por favor, apresente-se novamente – nisso, antes que Mu respondesse, o loiro atrás de Milo se levantou e tomou a palavra.

- Professor, com o devido respeito, acredito que para os tibetanos seja uma questão de honra não se auto-denominarem de chineses. É uma revolta pacífica, que deve ser compreendida e seguida - o loiro falara em inglês perfeito, muito embora seu sotaque fosse estranho. A maioria da classe ficou estarrecida. O rapaz não fora chamado, corrigira o professor e se sentara como se nada tivesse acontecido. Mu, que estava em pé, olhou agradecido para o loiro, emitindo vibrações de aprovação que passaram por Milo e Aioria até chegarem ao loiro antipático. Antipático mas corajoso, como parecia ser a opinião unânime.

- Na minha classe, ninguém fala sem minha autorização. Quem é você?

- Sou Shakayumi Nagasubra. Todos me chamam de Shaka.

- E seu conhecimento sobre o Tibete?

- Professor, este é um fato público e notório e tenho certeza que o senhor, como professor desta renomada faculdade, acompanha a situação mundial e respeita a posição do Dalai-Lama. – Shaka efetivamente tinha um jeito antipático, mas a segurança com que falava era admirável.

- O senhor vai conversar comigo após essa aula.

- Pois não – Shaka concordou como se ele estivesse concedendo uma parcela de seu tempo ao professor.

- Bom, nosso tempo está se encerrando, de modo que eu gostaria de parar as apresentações por um instante para lhes informar que, no próximo horário, serão sorteadas as matérias que cada um deverá cursar, dentro das diretivas informadas pelos senhores. Também serão sorteadas as duplas de trabalho, já que sempre que uma matéria for encerrada, uma dupla pré-selecionada deverá fazer uma exposição em sala. Também será selecionado um grupo de 4 pessoas que, ao final do semestre, deverá apresentar um trabalho escrito sobre um tema determinado. O não cumprimento de prazos ocasionará a invalidação do crédito cursado, gerando a necessidade de re-cursá-lo. Alguma pergunta? Sim, a moça de cabelos verdes, no fundo.

- O senhor não vai deixar eu me apresentar? – a moça em questão falava com um forte sotaque italiano, que junto com sua voz, tinha um efeito provocante.

O professor estava abismado com a classe. Um engraçadinho desrespeitoso, um idealista que tentava se passar por uma nacionalidade inexistente, um desafiador indiano (sim, o professor reconhecera o sotaque de Shaka) e uma linda e provocante italiana. Nunca, em tantos anos, tivera uma junção de fatores tão desagradáveis ao mesmo tempo. Essa turma seria um desastre!

- Sim, pode se apresentar ... – e foi assim que o professor Desmond Milton definitivamente perdeu o controle da classe.

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Na saída, já que Shaka ficara falando com o professor, Kamus não sabia com quem falar. Nunca fora muito bom em se relacionar com os outros. E ele acabara se atrapalhando com a apresentação e soara desnecessariamente antipático. Por sorte, o brasileiro e aquele grego engraçado tentaram desanuviar a situação, mas Kamus, naturalmente reservado, sentia-se perdido naquela multidão. Mas agora estava feito. O que fazer?

Afrodite sentira a indecisão do francês e resolvera ajudá-lo, já que fora ele quem, mais ou menos, o colocara em má situação.

- Bom, Kamus. Vem com a gente. Parece que o seu amigo vai ficar conversando um tempo. Também, o que deu nele? Puxar briga com o professor daquele modo, antes do início do curso – Afrodite falava sem parar. O bom de conversar com ele é que a outra parte não precisava dizer nada. E Afrodite foi puxando Kamus saída a fora, até uma roda de alunos composta, entre outros pelo tal Milo engraçadinho, Aioria, o apaixonado e um Mu que parecia desolado.

- Será que o professor vai suspendê-lo ou algo parecido? – Mu falava desconsolado.

- Que nada! O curso nem começou – era o brasileiro que entrava na roda.

- Não fica assim, Mú. Vai dar tudo certo – agora era Aioria. Ele parecia esquecido do próprio vexame, pronto para consolar o outro.

- É, Mu. Não vai acontecer nada. Acho que, no máximo, ele vai receber uma reprimenda. Nada sério. Aliás, ele tinha toda a razão. Você se declara o que quiser que ele não tem nada a ver com isso. E quem é que vai querer ser chinês se pode ser tibetano, certo? É muito mais legal, tipo Himalaia, abominável Homem das Neves ... - agora era o tal Milo engraçadinho. Mas ele tivera o dom de animar Mu um pouco. E Kamus se sentiu na obrigação de tentar algo também.

- Mu, s´il vous plai10t, non se preocupe com Shaka. Ele sempre foi assim. Quando tem razão, tem que ser do jeito dele. Nunca aconteceu nada de sério com ele. E, nesse caso, ele tinha razão. E como ele é um grande admirador do Dalai Lama, ele não iria mesmo deixar isso passar em branco – Kamus falou muito mais do que quisera, mas ele não podia deixar de admirar o amigo. Neste sentido os dois até se pareciam.

- Você o conhece faz tempo, Kamus? – Afrodite, o curioso, perguntava.

- Sim, Shaka estudou comigo na França. Ele se mudou para lá há muitos anos atrás.

- Ah, então como os nossos dois amigos gregos, aqui. Acho o máximo vir em par! – Afrodite, o indiscreto, pontificava.

- PAR não, cara! Amigos! Amigos! Pára de espalhar boatos – Milo ria enquanto Aioria bufava. – E Kamus, melhor você desmentir também, senão a flor aqui não vai deixar passar, não. – Kamus olhava para Milo sem entender. Não entendia como ele conseguia rir tão fácil. Não entendia como ele parecia fazer amizade tão fácil. E não entendia por que se importava com o fato de Milo não gostar de ser confundido com um gay. Aquilo, mais que tudo, o incomodou.

Por sorte, a saída de Shaka tornou desnecessária a sua resposta. E todos se juntaram para tentar ouvir o loiro. Mas antes de Shaka abrir a boca, Mu parou na sua frente para tentar se desculpar.

- Desculpe, Shaka. Eu nunca imaginei que iria colocá-lo nesta situação. Eu ia responder ao professor, mas você falou antes e eu não soube o que fazer. Me desculpe, por favor. Se houver alguma punição, deixe-me partilhá-la com você. – Mu falava baixo, mas novamente conseguiu chamar a atenção de todos. E sua voz transparecia toda a sua preocupação.

Shaka, é claro, ficou tocado pelo constrangimento de Mu. Nem ele entendia, mas desde que o vira, achou que deveria defendê-lo. Um ser delicado que merecia proteção, pensara Shaka, quando vira o professor atacá-lo. E Shaka o defendera. Agora vê-lo assim o deixava chateado. Não quisera causar preocupação ao exótico tibetano.

- Mu, não fica assim. Não aconteceu nada. Na verdade, o professor mandou que eu fizesse um trabalho sobre a situação jurídica do Tibete e as implicações diplomáticas da resistência do Dalai Lama na Índia. Em verdade, eu tenho todo o material e até vou gostar de preparar o trabalho. Se você quiser, você pode me ajudar. Você deve saber muito mais deste assunto do que eu.

Mu concordou sem nada falar, mas seu alívio foi sentido por todos. E foi assim que Shaka, o antipático, conquistara o respeito de seus futuros colegas.

- Bom, pessoal, para comemorar o feliz desfecho do caso tibetano, creio que a gente devia marcar de sair no final da semana. O que vocês acham? Mesmo porque eu tenho que agradecer o Shaka, pois se ele não aparecesse, provavelmente eu seria o escolhido para fazer algum trabalho esquisito! – e foi assim que Milo, o baladeiro, conquistou a turma, exceção provável ao professor Desmond Milton.

E todos juntos se dirigiram ao Welcome Desk para receber o resultado dos sorteios de grupos e duplas de estudo.

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Pessoal, espero que vocês tenham gostado desse capítulo. Ele acabou ficando mais comprido do que eu esperava. Conforme eu já disse, é minha primeira fic e eu não sei mesmo se está agradando.

No próximo capítulo, os nossos amigos sairão para a balada.

Agradeço à Patin e à Gigi pelas reviews.

Virgo-chan

Abril/06

História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.

Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial

Capítulo 5

Após o sorteio dos grupos e duplas, a turma foi dispensada, para cuidar de suas pendências, fossem elas quais fossem. Milo e Aioria aproveitaram o tempo livre para abrir sua conta na internet, abrir a conta bancária, definir qual seria seu horário e pensar na melhor forma de dar início às aulas já no dia seguinte, tarefa das mais difíceis para os dois, já que eles nunca se entendiam.

Outros resolveram procurar moradia, como Shina e Marin, que resolveram morar juntas, uma vez que não conheciam mais ninguém. Assim, foram visitar algumas das opções de dormitórios indicadas pelo Welcome Desk. Alguns outros, que já tinham cuidado de tudo (entre esses, sem dúvida, Shaka), foram visitar a faculdade. Outros, que já haviam cuidado de quase tudo, como Kamus, foram dar andamento às providências menores, como tirar fotos e estudar o horário. Afrodite, Aldebaran e Mu foram almoçar ("porque ninguém é de ferro!", conforme disse Afrodite).

E, assim, todos se dispersaram para, mais ou menos, se reencontrarem em horários aleatórios pelas vizinhanças da universidade. Acompanharemos, na medida do possível, as providências e pensamentos de cada dos estudantes neste primeiro dia de sua nova fase.

- Milo, o que é Direito Comunitário?

- Aioria, é só para me irritar, certo? É o estudo das normas legais que regem a Comunidade Européia! – mas Aioria ria. Ele adorava irritar Milo.

- Tá, tá bom! Qual o seu grupo?

- Deixa eu ver que eu não gravei, ainda. Mu, Aldebaran e Shina. – Milo lia a informação do papel que retirara no Welcome Desk.

- Huumm... o tibetano, o brasileiro gente boa e a esquentada gostosona? Bom grupo!

- E o seu, Aioria?

- Eu estou com o tal do Algol, a Marin e o Kamus.

- A Marin, hein? - agora Milo entendia porque o Aioria saíra do sorteio tão feliz! – Me diga que você não está apaixonado!

- Claro que estou! Ela é a ruiva mais linda que eu já vi. E por falar nisso, sacanagem o que você me aprontou, hein? E na frente de todo mundo!

Bom, Milo pensara que se livraria desta, uma vez que Aioria havia esquecido do assunto por quase 30 minutos.

- Do que você está falando? – era opinião de Milo que às vezes a melhor defesa contra Aioria era se fazer de desentendido... Mas desta vez ele falhara miseravelmente. Aioria estava alucinado! E eles brigaram durante todo o tempo em que ficaram no banco.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Shaka saía da Biblioteca (muito boa, por sinal!), quando tropeçou em um francês aguado, na saída. Não se lembrava do nome dele, mas lembrava-se, claramente, que não gostara do rapaz, que foi logo falando:

- Cara, você é louco! Já arranja briga na premiére11 aula? – disse Misty.

Shaka não se dignou a responder. Simplesmente saiu da biblioteca ignorando-o, arte esta em que Shaka era mestre. Ele conseguia ignorar as pessoas por horas, até que resolvesse lhes conceder sua atenção.

Mas a verdade é que o que o rapaz dissera era verdade! Ele arranjara encrenca logo na primeira oportunidade. E aquilo o incomodava. Não era de seu feitio brigar ou desacatar quem quer que fosse. Mas o professor estava tão errado que ele não se conteve. Atacar aquele rapaz etéreo, exótico e tranqüilo, que parecia não fazer mal a uma mosca. Aquilo o irritara sobremaneira! Mas ele já estava arrependido. Ele deveria ter se controlado mais. Agora todos achariam que ele era um louco descompensado... Seu único consolo era a lembrança da forma agradecida como Mu olhara para ele.

Pensando assim, Shaka encontrou Kamus no corredor, olhando seriamente para algo que estava em suas mãos. Eles eram amigos há vários anos. Passaram por toda a faculdade juntos. Saíram juntos e estudaram juntos. Mas amigos? Será que Kamus entendia o que era ser amigo de alguém?

Claro que Shaka, instintivamente, sabia que podia confiar em Kamus. Ele não era do tipo que deixava alguém na mão. Mas ele era sempre tão distante e frio. Não que Shaka realmente fosse muito diferente. Ele também era distante, arrogante e frio. Mas mesmo ele sentia que faltava uma certa ... alegria em Kamus. Ele sempre era educado, sempre tratava as pessoas com gentileza. Mas algo em seus olhos passava a Shaka a impressão que ele absolutamente não se importava com ninguém.

- Kamus? Está tudo bem? – Kamus levantou os olhos do que quer que estivesse lendo e olhou para Shaka. Por um breve momento Shaka julgou ter visto um brilho de desespero nos olhos de Kamus, mas passou.

- Oui, Shaka! Je suis très bien!12 Estava lendo um e. mail que meu pai me mandou, só isso. Você pegou o resultado do seu grupo de Direito Comunitário e da sua dupla de Direitos Humanos?

- Peguei. Eu farei dupla com o Aioria e meu grupo é Afrodite, Lara e Misty. E você?

- Eu faço par com Milo e meu grupo será Algol, a Marin e o Aioria. Parece que fui rodeado de gregos. – não passou despercebido a Shaka que Kamus parecia totalmente desinteressado daquele assunto.

- Você vai almoçar, Kamus?

- Acho que sim. Não estou com fome, mas também não tenho nada para fazer agora. Vamos ao restaurante da faculdade, mesmo?

- OK – e os dois foram para lá.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Marin já quase se arrependia por ter concordado tão facilmente com a proposta de Shina para que elas fossem morar juntas. A italiana tinha o gênio do cão! Ela implicara com todos, absolutamente todos os apartamentos. E a última visita fora ainda pior. Colocando a mão na testa, Marin tentava parar de rir com a última da Shina. Ela tivera que se esconder no banheiro da faculdade para que a moça não a visse naquele estado...

- E aí, amice13! Dove14 é o banheiro? – o estudante encarregado pelo dormitório, um antipático rapaz de uns 19 anos, atendera as duas como se elas não tivessem como pagar por aquela espelunca.

- Bom, o banheiro fica no final do corredor. Só tem um por andar. Mas o aluguel é baixo. E, em duas, vocês vão conseguir pagar, sem dúvida – pronto, Marin sentiu que foi exatamente nesta frase que o antipático rapaz se perdeu...

- AAhhh! Mas essas paredes, não são um pouco finas? – e, enquanto falava, Shina se aproximou mais do rapaz enquanto acariciava a parede sensualmente. Ele não pode evitar de olhar para os peitos da italiana, que chegava mais perto, como se fosse uma cobra.

- Parla15, lesado!

- AAh, desculpe! Ninguém nunca reclamou das paredes finas! – o rapaz olhava fixamente para os peitos de Shina, como se nada mais interessasse.

- Mas, pensa bem. Io16 faço mooooltooo17 barulho na cama! – e Shina se aproximava mais. O rapaz, então, desviou o olhar para o rosto de Shina e não conseguia pensar em mais nada além de deus belos traços. Aquele sotaque parecia encantar a todos e Shina sabia como usá-lo.

- Como assim? – o rapaz engoliu em seco.

- Barulho, signore18. Enquanto estou na cama. Não sei como explicar melhor... - Shina estava claramente torturando o rapaz.

- Mas, o que a senhora quer que eu faça? – o rapaz, confuso, continuou olhando para os olhos verdes de Shina.

- Eu quero que você me diga se eu vou incomodar alguém!

- Não, imagine, a senhora incomodar alguém... – o rapaz estava perdido nos próprios pensamentos e não viu o que iria acontecer, o que Marin conseguira ver claramente.

- AAh, então eu posso convidar meus amigos para cá? – Shina tinha um encanto hipnótico, quando queria. Como uma cobra hipnotizando o sapo que seria seu jantar.

- Sim, claro!

- Ok. Mas você viria, se eu chamasse? A qualquer hora? Fazer tudo o que eu quisesse? – o rapaz não acreditava na sorte que dera.

- Sim, sim!

- Legal! Porque meus amigos não iriam gostar de usar o banheiro do final do corredor sujo. Por isso eu te chamaria para limpar, certo? – e Shina saiu arrastando uma incrédula Marin pelo braço. E o coitado do rapaz, possivelmente, não se recuperaria tão cedo.

Sim, Shina tinha um gênio do cão, mas, ao mesmo tempo, era uma companhia divertidíssima. Marin não se lembrava de já ter rido tanto em sua vida. Os comentários de Shina eram maldosos, irônicos e divertidos, tudo ao mesmo tempo. Ela não se parecia, absolutamente, com uma boa pessoa.

- Marin, é você? Você está bem? – e Marin notou a nota alarmada na voz de Shina que batia na porta do banheiro.

- Sim, estou Shina. Você quer entrar?

- Não, piccolina19. Queria saber se você está bem. Fiquei preocupada. Você não quer almoçar? Você está tão magra que deve estar precisando de comida!

Foi naquele momento que Marin entendeu um pouco a Shina. Ela era, sim, má. Era cínica e irônica. Gostava de se divertir às custas dos outros. Mas ela podia ser uma amiga preocupada, que zelava pelos interesses de quem realmente gostava.

- Vamos! Vamos almoçar, sim!

Sim, Marin iria morar com ela. Possivelmente a séria Marin poderia aprender com Shina a se divertir e a se comportar como quem sabe que é linda.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Com exceção de Milo e Aioria, que continuavam brigando na saída do banco, todos se dirigiam para o restaurante. Afrodite, Aldebaran e Mu, no entanto, já estavam de saída quando viram Shaka, Kamus, Marin e Shina chegando ao restaurante, às 3 horas da tarde. Resolveram, então, esperá-los para conversar um pouco mais.

Claro que o assunto Shaka-professor Milton foi novamente debatido. Todos consideravam o professor um presunçoso. Somente Mu não se manifestou. Ele sentia remorsos por ter causado problemas a Shaka. Mas a verdade é que ele gostaria muito de fazer aquele trabalho com Shaka. O assunto o interessava e, sim, Shaka também o interessava. Verdade que ele parecia arrogante, mas ele era, ao mesmo tempo, tão generoso...

Shina, então, assumiu a posição de centro das atenções - para imenso desprazer de Afrodite - e contou sobre os 3 apartamentos-dormitórios que ela e Marin haviam visitado. Foi o que bastou para que todos contassem sobre os seus arranjos sobre moradia.

- Eu vou morar sozinho! Vim para cá quase um mês antes do início do curso para achar o meu canto. Simplesmente não consigo pensar em dividir meu espaço com alguém. Eu crio flores, sabem? E ninguém parece entender que flores não gostam de muito movimento por perto delas. – Afrodite, como sempre, falava bem mais do que o necessário.

Mas, para a maior infelicidade de Afrodite, que finalmente conseguira a atenção da platéia, todos se viraram para a entrada do restaurante, para tentar localizar de onde vinha o estrondoso som de vozes numa língua mais do que desconhecida.

Quem ouviu grego, possivelmente, já se perguntou como é possível que os versos famosos da Ilíada e da Odisséia tenham sido escritos naquele idioma complicado e de som incomum... Afrodite estava injuriado! Mais uma vez roubavam a atenção que lhe era devida. Sim, verdade que Milo era lindo, simpático e tudo de bom, mas ele tinha uma idéia bastante errada sobre a hora de aparecer!

Já Marin, ao ver Aioria, ficou vermelha, o que, considerando-se seus cabelos vermelhos, não a favorecia, absolutamente. Shina ficou com pena em vê-la assim e resolveu ajudar:

- Dio mio20! Que balbúrdia é essa? Parem já com essa gritaria e venham para cá! Estamos resolvendo onde morar!

Milo e Aioria ficaram bastante sem-graça, já que não tinham a mínima idéia que alguém ainda estaria no refeitório já que era tão tarde! Mas foram se juntar ao grupo, ambos mudos. Afrodite tentava, em vão, recuperar a atenção de todos, mas Mu já conversava com Aldebaran sobre onde morar:

- E você, Aldebaran, onde vai morar?

- Bom, não sei ainda, Mu. O problema é que aqui é tudo tão claro para quem sempre guardou dinheiro em reais, que eu acho que não consigo pagar nada muito legal, não. E você?

- Acho que a mesma coisa. As minhas rúpias também não valem muito por aqui... – Mu falava com seu jeito calmo, sem se lamentar, absolutamente. Era só a constatação de um fato.

E, olhando para os dois, Afrodite viu sua chance de recuperar a atenção:

- Por que vocês dois não moram juntos, então? Assim os dois conseguem alugar um lugar melhor. Fica mais barato. – os dois olharam-se felizes e pareceram se entender sem nada falar. Aquele problema parecia resolvido. – E você, Kamus?

- Bien21 – maldita mania de sempre falar em francês, pensou Milo. – Eu vou morar num apartamento que minha família mantém aqui em Londres. – e maldito dinheiro! Devia ser tão bom ser rico, pensou Milo, ainda uma vez.

- E você, Shaka? – Afrodite definitivamente conquistara seu papel. O de inquisidor, que arrancava informações de todos.

- Eu vou morar com um tio meu. Ele mora aqui em Londres e concordou em me receber.

- E vocês dois, Milo e Aioria? – emburrado e a contra-gosto, Aioria respondeu. A briga com Milo e a presença de Marin haviam acabado com o seu desembaraço. Ele se sentia no colégio.

- Estamos-morando-com-um-amigo-de-meu-irmão-mais-velho.

- Como? – repetiram Afrodite, Marin e Aldebaran, todos ao mesmo tempo.

- Estamos morando com um amigo que mora aqui há alguns anos – respondeu Milo – ele faz jogos para computador e nos deixou morar com ele.

- Outro grego? – Afrodite estava gostando muito daquele monte de gregos que de repente invadiram a Inglaterra.

- Sim, outro grego! Os gregos são bacanas, sabe? Sempre animados, sempre comemorando algo. E, é claro, bonitos, certo, flor? Afrodite é muito comprido e já que eu ouvi que você cria flores, resolvi te chamar de flor! – Afrodite bateu palmas. Adorara o apelido. E adorava aquele grego. O outro era meio emburrado, mas Milo estava sempre sorrindo e brincando.

- OK. Flor it is22

- Legal! Definido isso, quero saber o grupo e as duplas de vocês!

E todos começaram a falar meio que ao mesmo tempo, daquele modo que caracteriza as reuniões de estudantes ao redor do mundo. Shina e Marin trocavam informações sobre a procura de apartamentos com Mu e Aldebaran e pareciam ter combinado de procurar juntos, doravante. Shaka e Milo discutiam, de brincadeira, sobre qual língua seria a mais antiga... o grego ou o sânscrito (e quem queria saber?). Aioria, Afrodite-Flor e Kamus conversavam sobre o que esperar do curso. Kamus havia traçado meticulosamente suas pretensões e esperanças. Afrodite dizia como esperava usar a formação diferenciada para se destacar em seu país, uma vez que a sociedade era tão equânime que se sobressair na Suécia era quase impossível. Aioria parecia que não esperava nada, uma vez que não chegara a pensar sobre o assunto.

Kamus ficou surpreso com a facilidade com que falava com todos. Parecia ter a ver com o jeito de Milo de sempre colocar as pessoas à vontade. Parece que ele sentia o ambiente e sempre falava a coisa certa! Sempre que alguma nuvem aparecia, ele parava sua conversa com Shaka e dava palpite nas conversas dos demais grupos. Uma sensibilidade para lá de impressionante! Tão ao contrário dele, Kamus... Ele até se esquecera do e. mail de seu pai, que tanto o aborrecera, e o deixara cair aberto no chão, bem diante dos olhos de Shaka e Milo.

Kamus:

Você não deve se esquecer que está aí para trabalhar. Você sabe de todos os impedimentos que foram colocados pela CE para a venda de vinhos franceses. Eu sei que agora você está com essa idéia de ser advogado, mas os negócios da família sempre devem prevalecer.

Então, aproveita o tempo aí, se inteire de nossos negócios e, se você, quiser, se divirta com esse tal LL.M que você cismou em fazer. Lembre-se que foi para trabalhar que eu te deixei ir e usar nosso apartamento em Londres!

Me escreva tão logo souber de algo.

Père

- É - pensou Milo - talvez ser rico não seja sempre divertido - e, virando-se para o outro lado, fingiu que não vira o e. mail aberto no chão. Mas pela primeira vez realmente sentiu pena do francês. Talvez ele não fosse, assim, tão antipático, afinal.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Eles foram expulsos do restaurante às 4:30 da tarde. O dia já estava escurecendo, e o frio já se fazia sentir, mas todos estavam agradavelmente felizes. Parece que a turma se daria muito bem e aquilo era muito bem-vindo por todos eles, que, de um jeito ou de outro, largaram família, emprego, relacionamentos e vieram para um país diferente, tentar uma nova experiência.

Aioria parecia esquecido da discussão que tivera com Milo. E isso parecia se dever ao fato de que na saída, Aioria e Marin haviam ficado um pouco afastados de todos enquanto falavam baixinho.

Normalmente, Milo perguntaria ao amigo sobre o que falaram, mas a briga com Aioria fora tão mais séria do que normalmente que Milo resolvera deixar Aioria em paz. Só por um dia, mas em paz!

Milo, por seu lado, gostara de todos. Claro que ele não se expôs realmente. Ele usara a máscara de cara legal e descompromissado que agradava a todos. Mas a verdade é que Milo era extremamente desconfiado. Ele demorava muito para confiar nas pessoas e só o fazia quando sentia que não haveria possibilidade de se magoar. Claro que com Aioria era diferente. Eles sempre se conheceram. Na verdade, brincavam juntos desde os 4 anos. E Aioria nunca o magoara. Ele era cabeçudo, esquecido, desleixado, mas sabia valorizar uma amizade.

Enquanto isso ele pensava sobre seus futuros colegas. Flor era uma simpatia. Colorido, alegre, gay! Normalmente Milo não se aproximaria, mas ele não resistira ao jeito simpático do pisciano. Shaka era arrogante, sim, mas além de parecer ser extremamente esforçado, demonstrou que era muito generoso. Mu, quieto e simples do jeito que era, parecia possuir uma força interior sem precedentes. Marin, parecia uma graça, perfeita para Aioria. Shina, geniosa como ela só, demonstrara claramente que estava a fim de Milo. Aldebaran parecia ser gente-fina e Kamus parecia ter dificuldades de se expôr. Milo o entendia mais do que ele mesmo devia supor. Somente o seu jeito de não se expôr é que era diferente. Kamus quase não falava com os outros e Milo, falava pelos cotovelos, mas somente sobre assuntos que não demonstrassem quem ele realmente era. E Milo não pode se esquecer do tal e. mail do pai de Kamus. Enfim, uma boa turma. Tinha certeza que se divertiria muito.

Quando chegaram em casa notaram que esqueceram de pedir a Saga uma cópia da chave. E ficaram sentados do lado de fora esperando Saga chegar. Aioria, então, começou a falar sobre Marin, como ela era linda, gentil, tímida. Ele tinha medo que a tal da Shina fosse má companhia para ela...

- Aioria, tá falando como se ela fosse uma boneca.

- Mas ela é, Milo. Uma boneca linda. A minha boneca!

- Calma, calma aí. Tenho certeza que ela é muito legal e tal, mas você nunca foi de julgar bem as pessoas. E tenho a impressão que você está tremendamente enganado quanto à Shina.

- AAhh! Notou que ela estava te dando mole, hein? Ela é um arraso! Como é que você sempre dá essa sorte? – Aioria invejava o talento de Milo com as mulheres. Milo nunca se esforçava e elas sempre caiam na dele.

- É, ela é um arraso, mas acho que apesar de ser espalhafatosa, ela é boa pessoa...Acho que a Marin pode aprender muito com ela.

- Deus me livre. A Marin aprender algo com aquela cobra!

Foi nesse momento que Saga apareceu na frente dos dois. Ele ouvira Milo elogiando a tal garota e não gostara nada daquilo. Então, estava bastante sério, de terno, gravata, sobretudo e luvas enquanto abria a porta e dizia para os dois entrarem.

Aioia foi direto para o banheiro e Milo foi tentar arrumar o jantar para os três. Tentar, sim, pois que Milo era uma negação na cozinha. Mas ele se sentia em débito com Saga e sentia que ele estava irritado. Eles já o tinham acordado cedo. Ele precisava fazer alguma coisa.

Saga, depois de se trocar, foi para a cozinha e viu um confuso Milo lavando o alface da salada. Lavando com detergente, diga-se de passagem! Então, a bem de seu jantar, Saga resolveu assumir o papel de chef e, conversando e rindo com Milo, acabou de preparar o jantar. Quando Aioria finalmente apareceu, depois de um longo e demorado banho em que parecia ter lavado o cabelo fio a fio, os três se sentaram para comer na cozinha. Foi quando Aioria – finalmente – parecera perceber um fato.

- Milo, hoje você falou que tinha sido aceito em Cambridge? Por que então você veio para a LSE? Cambridge é consideravelmente mais famosa. Por que você não me falou? – Somente Aioria não notou o desconforto de Milo. Saga, então, resolveu ajudar o escorpiniano.

- Eu acho que Londres tem muito mais a ver com vocês dois. Vocês já foram a Cambridge? Tirando os jardins e os próprios prédios, o lugar é morto! Nada para fazer!

- É, tem razão Saga! – eu bem que procurei informações – Aioria aceitou aquilo tudo tranquilamente e começou a falar da ... Marin.

Saga se divertia com o encanto do rapaz. Parecia um adolescente apaixonado! Há quanto tempo se sentira assim...

- E o Milo conquistou a gostosona da turma! Deu um mole louco para ele! Italiana quente! – mais uma vez Aioria não notou o desconforto de Milo. Milo odiava discutir sua vida com os outros.

- Verdade, Milo? – Saga olhou Milo bem nos olhos azuis.

- Nada! Besteira do Aioria aqui. - Milo respondeu mais do que depressa.

- BESTEIRA O QUE? E quando ela te contou o que fez com o rapaz lá do dormitório? Ficava se esfregando em você!

- Mala! Era só para ilustrar o que ela fez com o tal do rapaz! Nada a ver comigo!

- Então, tá. Vai nessa! – e Aioria voltou a falar da Marin. Agora como não queria que ela fosse morar com a tal italiana gostosa.

Aioria falou, falou, sem notar que não obtinha resposta e resolveu ir ver televisão. Quando achou um jogo de futebol, travou. Aioria tinha um fraco por esportes. Talvez ele assistisse até a uma transmissão de cricket! Ou de jogo de petecas!

Milo, então, tirou a mesa, colocou tudo na lava-louça e foi para o pátio. Saga assistiu ao futebol por 15 minutos, notou que Aioria não iria se mexer dali tão cedo e foi atrás de Milo.

Encontrou-o fumando, escondido, atrás de uma pilastra. Visivelmente morrendo de frio. Saga sorriu e foi até ele.

- Não sabia que você fumava! – a voz profunda de Saga assustou Milo, que deu um pulo – Desculpa, não quis te assustar.

- Nada! Desencana. Eu é que estava distraído... Tem problema fumar aqui?

- Não. Eu sempre fumo por aqui e ninguém nunca reclamou!

- Ufa! É cada vez mais difícil ser fumante.

- Posso te perguntar por que o segredo de Cambridge? – e Saga pegou o maço de cigarros e o isqueiro das mãos de Milo e acendeu um cigarro. Há muito tempo ele notara que quando dois fumantes se encontravam, a troca de informações fluía melhor com o cigarro nas mãos.

- Não é bem segredo, mas eu não queria que o Aioria notasse que eu vim para cá porque eu não tinha dinheiro para ir para Cambridge. Ademais, eu e o Aioria somos amigos há tanto tempo que eu prefiro ficar com ele, se eu tiver opção.

- Dinheiro? Mas se eu me lembro bem, a família do Aioros era muito bem de vida. Acho que eles tinham uns hotéis nas ilhas ou algo assim.

- É, eles são bem de vida, sim. Mas este já não é o meu caso. Meu pai é taxista do ponto de um dos hotéis do Sr. Admeto, o pai do Aioria. E eu só consegui bolsa integral para a LSE. Cambridge é muito mais cara e não ia dar para vir.

- Você ganhou bolsa de estudos, então?

- Foi. Quando o Aioria inventou essa história de vir estudar na Inglaterra, eu tentei conseguir bolsas de estudos em todos os órgãos. E eu consegui uma do Ministério da Educação. – Milo estava surpreso consigo mesmo. Ele nunca falava de si e estava falando com Saga, quase um desconhecido sobre sua vida. Devia ser o frio e o cigarro. Olhar aquela fumaça subindo tinha o poder de quebrar barreiras. Devia ser também o tom de voz de Saga.

- E por que você quis vir, então, Milo?

- Sei lá. Parecia legal. O Aioria estava tão entusiasmado que eu me entusiasmei também. Ele é assim, super animado, nunca pensando no lado prático das coisas. E somos amigos há mais de 20 anos. Enfim, não sei bem. Mas obrigado por ter me ajudado lá na cozinha. Tenho certeza que o Aioria já esqueceu do assunto. Seria péssimo ele saber que eu iria sentir falta dele – e Milo piscou para Saga, que sorriu de volta.

- É, seria. Ele iria ficar ainda mais convencido!

- Você também notou, não é Saga? Aioria tem uma auto-confiança fora do normal! – Milo novamente voltara a brincar, fazendo com que Saga estranhasse a súbita mudança.

- É. Mas você também não fica nada atrás, certo Milo?

- Eu faço o que posso!

- E pelo jeito faz muito bem! – Saga ainda não esquecera os comentários sobre a italiana gostosona. Aquilo o irritara bastante. Nem ele sábio o porquê. Ele olhou para Milo e notou que ele voltara a tremer de frio. – Vamos entrar, Milo?

- Não, ainda não. Deixa eu fumar um último cigarro – e, olhando para a cidade, Milo perguntou – E você? Gosta daqui, Saga?

Muitas coisas passaram pela cabeça de Saga enquanto ele olhava a fumaça subir... Seu irmão. Seu emprego. Sair da Grécia. Deixar seus pais. A briga horrível que tivera com o irmão. Deixar a Grécia para vir a Londres pedir desculpas a Kanon. As pazes. O novo abandono. Os amigos que fizera em Londres. As várias noites que passaram bebendo naquele mesmo pátio. Ele também se lembrou da solidão, das saudades. Dos amigos que deixara. Das desilusões que tivera. De quando chorara sem ter ninguém para escutar. De um par de impressionantes olhos azuis.

Milo não interrompeu a corrente de pensamentos de Saga. Ele sentia uma vaga tristeza em Saga. Algo difícil de identificar. Algo diferente. Sem dúvida ele havia se dado bem naquela cidade. O que seria isso? Solidão? E Milo tremeu novamente.

- Acho que gosto, sim. Nem tudo foi fácil. Mas acho que, no final, até que me dei bem – e Saga olhou novamente para os olhos de Milo. Ele tinha a irritante sensação que Milo captara um pouco dos seus pensamentos. Que Milo podia ler em seus olhos a solidão que sentia.

- Saga, nós marcamos de sair com o pessoal da faculdade na sexta-feira. Eles parecem bem legais. Você não quer vir conosco? De repente você poderia levar o Shura e o MdM.

Sim, pensou Saga. Era definitivo! Milo sabia que Saga se sentia só.

Ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Pessoal, espero que vocês gostem desse capítulo. Eu simplesmente adoro o Saga! Além de ser lindo, ele é tão dúbio e intenso. Mas eu o acho triste. Bem triste. Acho, também, que consegui evoluir um pouco na forma como vejo cada um dos personagens. Será que vocês concordaram com a minha visão?

Gostaria de agradecer imensamente às reviews da Gigi, Gemini Kaoru, Luka e Musha. Elas me deixaram muito feliz! Como eu não canso de dizer, sou uma fic writer estreante e não sei bem se estou acertando. As reviews me ajudam a ter um idéia sobre se a fic está legal. Assim, obrigada de coração às minhas revisoras!

Juro que no próximo capítulo vem a balada!

Beijos a todas,

Virgo-chan

Abr/06

1 Guichê de recepção

2 Ariadne foi uma jovem que, ao competir com Atena em tecelagem e ganhar, foi pela deusa transformada em aranha.

3 Balcão

4 panfletos

5 Bom dia, Shaka. Com licença.

6 Bom dia e bem vindo, Kamus.

7 Expressão idiomática que demonstra indignação

8 Sim, é verdade.

9 A comida inglesa é reconhecidamente ruim.

10 Por favor

11 primeira

12 Sim, Shaka. Estou muito bem.

13 amigo

14 onde

15 fala

16 eu

17 Molto muito

18 senhor

19 pequenina

20 Deus meu!

21 Bem.

22 É Flor!