EU FINJO, TU FINGES... QUEM FINGE?
Autoria: Kry21 (fanfiction(ponto)net/u/788892/Kry21)
Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich
Publicada originalmente em: www(ponto)fanfiction(ponto)net/s/4164348/1/
Eu finjo, tu finges... quem finge?
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- Você é minha amiga, me ajudou quando precisei e agora é minha vez de ajudá-la. Você precisa de um namorado. Então, querida, abra bem seus olhos, pois está vendo o seu.
Em que momento me perdi?
Disse que...
Wow...
A declaração de Harry foi tão... tão... tão estranha, direta e decidida que não pude fazer mais que explodir em risos... ou seja, ele, meu namorado?
Só de imaginar me dá vontade de rir. Coisa que, decerto, faço com mais vontade.
- Onde está a graça? – me perguntou. Fitei-o e as gargalhadas soaram mais fortes. É que ver um Harry com braços apoiados na cintura, a boca torcida, batendo no chão com o pé...
Ai! Nem sei porque não estou rolando no chão...
Tento respirar e me controlar, a barriga já dói por causa de tanto riso.
- Eu sin... sinto, mas – limpo uma lágrima – mas é que foi tão... Você, meu namorado? Está propondo fingir ser meu namorado?
- O que parece que eu fiz? – me disse.
E muito contra minha vontade volto a rir.
- Já chega, não?
- Perdão. Mas é que a sua idéia é tão louca que...
- Não vejo onde está o problema... – reclama, ainda batendo o pé no chão e cruzando os braços, provocando ainda mais meu riso.
Harry, Harry, Harry... Quando deixará de ser tão ingênuo?
Há ocasiões em que me pergunto como é que ele pode estar vivo se é tão cabeçudo... bom, a resposta é simples: eu o ajudei.
Creio que enviarei uma carta ao Ministério solicitando que nas seguintes publicações, onde se mencione algo sobre Harry Potter, em vez de colocarem "O-menino-que-sobreviveu" que ponham "O-menino-que-sobreviveu-graças-a-sua-amiga".
Que? Não sou narcisista, é verdade, e embora me doa dizê-lo, sem mim ele e Ron são nada.
Antes que perfurasse o chão da Sala Comunal, graças aos golpes de seu sapato, me dispus a explicar que cinco mais cinco são dez (utilizo essa soma, pois a de dois mais dois está muito batida e temos que ser originais), o porquê dele não poder ser meu namorado postiço.
- É o seguinte – lhe disse -, você não pode ser meu namorado porque, primeiro, você já tem uma. E se... – me apresso a continuar ao ver que ele abre a boca para reclamar – Já sei que ela não é sua dona e blá-blá-blá, mas você não vai me negar que ela é possessiva. Se não, diga-me por que não temos conversado como antes desde que voltou com ela? Harry, entenda que o que menos quero é ter ou causar problemas. Além disso, não creio que seja correto e vai ser difícil...
- Quão difícil pode ser, hã? Temos apenas que andar de mãos dadas, como tantas vezes o fizemos, ou nos abraçar como tantas vezes o fizemos...
- E nos beijar como nunca o fizemos. – termino eu.
- Nos beijar? – vejo a cara de espanto que ele põe.
Fica demonstrado meu ponto de vista sobre a ingenuidade dele? Embora, se pensarmos bem, acho mesmo que é estupidez.
- Francamente, Harry! O que acha que os namorados fazem? – ladeio minha cabeça e contraio o cenho. - Não me diga que você e Ginny apenas se dão as mãos e...?
- Não, claro que não. Mas...
- Harry, Melina não é estúpida. Preciso de um namorado que, sim, segure minha mão e me abrace, mas também que pense que sou a pessoa mais importante para ele; que cuide de mim e me proteja de tudo e de todos; me faça sentir que sou necessária, fundamental... que me faça sentir que sou bonita assim como eu sou; que me aceite com meus defeitos e virtudes, quer dizer, que não me critique por ler muito... Em poucas palavras, Harry, preciso de um namorado que me ame.
- Eu... – o silenciei pondo um dedo sobre seus lábios.
- Além disso, há meus pais. Pode ser que eles não o conheçam oficialmente, mas falei de você para eles e sabem que é meu amigo. E eles esperam conhecer o homem que ama sua filha única e não o amigo que a ajuda.
- Hermione...
- Obrigado pela ajuda. – disse-lhe enquanto recolho a Lista Telefônica e me encaminho para as escadas.
- Você não pode contratar alguém...
- Entenda que é mais fácil assim. Depois de tudo, é a isso que eles se dedicam, a beijar mulheres e a fingir que as amam. – sorrio triste e subo para meu quarto, mas antes de chegar lhe grito: - Obrigado, você é um bom amigo.
Sei que não era sua intenção, que o que ele unicamente pretendia era me ajudar mas, me fez sentir mal, isto é, a expressão que fez quando lhe disse que teríamos que nos beijar...
Seria possível que Melina tivesse razão? Que eu precisaria reencarnar novamente para ser bonita? Que ninguém nunca se fixaria em mim?
Suspiro.
Hoje fora um dia muito difícil, desses em que é melhor não ter levantado.
Aproximo-me de meu baú e começo a procurar meu celular.
O que?
Sou inteligente, mas não imbecil. Não iria dizer não a meus pais quando me presentearam com meu celular, meu laptop e meu iPod.
E, por eu ser, segundo dizem, a pessoa mais inteligente que já esteve no colégio desde sabe-se quando, e, considerando que li quase todos os livros da biblioteca, pude encontrar um feitiço que me permite fazer uso dessas coisas trouxas. Não custa dizer que o diretor botou empecilhos quando se deu conta, mas as influências e os privilégios de ser a favorita da vice-diretora fizeram com que Dumbledore abrisse uma exceção. (N.A: E aqui é onde os leitores perguntam "O que a autora fuma?")
Peguei meu laptop e me dispus a passar a noite em vigília, procurando o gigolô mais barato, melhor e que fosse perfeito para mim.
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Bufei pela centésima vez durante a viagem, e não era para menos.
Faltavam uns quarenta e cinco minutos para chegar a Londres, para que as férias tivessem início e para que Hermione contratasse o seu gigolô.
Ontem a noite, aquela que eu acreditava ser a melhor pessoa e de coração puro converteu-se em assassina.
Sim, uma assassina, a mais maligna, perversa, perigosa, perniciosa e cruel assassina... Hermione Granger.
Quem ela matou?
Ora, meu ego!
Meu ego!
Como? Quando riu de mim. De mim, o Grande Harry Potter, o duas vezes campeão do Sorriso mais Sexy, segundo a revista Coração de Bruxa, o Capitão do melhor time de Quiddich, "O Menino que Sobreviveu".
"Salvador do Mundo Mágico" pelo qual praticamente morrem todas as garotas da escola. Digam-me se meu ego não vai se ressentir quando, depois de ter dito que seria o seu Namorado Postiço, ela teve um ataque de riso. Dezenas queriam estar no lugar dela!
Foi tamanha sua gozação que, lhes juro por Merlin, não sei por que ela não saiu correndo para o banheiro.
Bom, devo admitir que me impactou saber que teria que beijá-la, esclarecendo que nada tem a ver com repulsa, ou por considerá-la feia ou algo parecido. É só que nunca pensei que algo assim pudesse acontecer entre nós. Sempre a vi como minha melhor amiga, como alguém especial... alguém de suma importância... algo assim como... como o ar que respiro, algo indispensável e tão necessário para viver. E, bem, ninguém pensa de cara em beijar o ar que respira, ou sim?
De todas as formas, tenho que admitir que ela me levou a refletir sobre todas as qualidades que pensa ou acredita que vai encontrar em seu gigolô e, não é que eu procure uma cura para o meu ego mas, analisando todas as coisas que ela me relacionou à noite, cumpro com noventa por cento do requerido.
Por exemplo: ela quer que o seu Namorado Postiço a proteja de tudo e de todos. O que se supõe que eu fiz cada vez que corremos perigo? Coçar a barriga?
Ela quer, também, que o aludido a trate como se fosse a pessoa mais importante e necessária. Não acabo de dizer que ela é o ar que eu respiro?
E quanto aos beijos... Acaso não acabo de explicar?
Embora, de todas as formas, meu ego continue mal.
E depois do seu insultante comportamento para com meu ego, claro, agora tenho que suportar ela e Luna sentadas na minha frente, discutindo qual sujeito é melhor.
Eu sabia que minha amiga era cabeça-dura, mas não até esse ponto.
Realmente aquela situação era estúpida.
- Eu digo que o 23 está bom. – dizia Luna. – Ele disse que tem os olhos cinzas e é... loiro. – Luna fez uma careta. – Esqueça, se parece com o Malfoy.
- Mas sabe tocar guitarra. – respondeu a assassina de egos.
E melhor para as duas que o descartassem! Ela me rechaçou por problemas relacionados a beijos e ia escolher o clone do Malfoy!
Bufei de novo.
- O 65 não estão tão mal.- disse Hermione. – Cabelo preto, olhos azuis, 20 anos...
- Mas com um QI similar ao dos Burukundis.
Buru... o que?
- Hmmm, o que acha do 94?
Quantos ela havia pesquisado?
- Não está tão mau, se não fosse pelo fato de ter o cabelo igual a uma Nixes...
Mas, bem... ia escolher uma pessoa ou um produto? Eu estava começando a ficar cansado de ouvir que se o 23 era bom por cantar, o 12 era melhor porque era mais alto que ela, ou que o 78 tinha mais pontos porque lia três livros por mês.
- Eu digo que é o 56. Tem boa estatura, cara, compleição...
Mas o importante não era que a tratasse como rainha?
- Sim, Hermione, mas tem 26 anos... Olha, veja o 48 – Luna começou a mexer a cabeça e o papel ao mesmo tempo -, tem um bom frontal...
- Óbvio. – corroborou minha amiga. – Pés grandes, nariz... tudo encaixa.
QUE?!
- E, olha! – exclamou Luna – Tem olhos verdes, cabelo preto e é capitão de time de...
- Basta!- gritei, isso já era o cúmulo. Eu não posso ser o seu Namorado Postiço, mas esse imbecil, sim. – Creio, Hermione, que você já foi muito longe com essa besteira.
- Isto não é uma besteira. – me respondeu, fulminando-me com o olhar. Ha, como se depois de tantos anos continuasse a surtir efeito!
- Como você chama, então, o fato de querer comprar um namorado? Isso é para mulheres desesperadas.
- E o que você acha que eu sou? Óbvio que estou desesperada! Preciso escolher um namorado em trinta minutos.
- Ei! Se não quer ficar aqui... por que não segue o exemplo de Ronnie e vai embora? – interveio Luna.
- É que você tem que demorar tanto para escolher? É uma pessoa! Por Deus! Não é um boneco que vão comprar.
- Bem... – interveio Hermione – Tecnicamente, Harry, vamos comprá-lo. Vou pagar por seus serviços.
- Veja. – disse Luna – O mais conveniente é o 48. Comprova a tese do nariz grande. – Luna praticamente me ignorou e prosseguiu com o de antes.
- Oh, não! Você não vai escolher, muito menos pagar a ninguém com o nariz grande! – ameacei Hermione com meu dedo acusador.
- Bom, nesse caso... Hermione, o que lhe parece o 37? Não tem o nariz grande, mas é grosso e...
- Eu disse que não contrate ninguém, tenha ou não nariz!
- Francamente, Harry!
- Francamente, Hermione!- disse. – Desde ontem à noite lhe falei que EU seria o seu Namorado Postiço, mas você me mandou às favas...
- Porque chegamos à conclusão de que teríamos que nos beijar e deduzimos que seria difícil para você.
- Deduzimos...! – fiz um esforço para não gritar. E de soslaio pude ver como Luna gravava as páginas dos candidatos, cruzava os braços, se recostava no assento e se dispunha a contemplar a briga. - Deduzimos? Isso me lembra grupo, quando, melhor dizendo, você deduziu.
- Mas você concordou.
- Você sequer me deixou opinar. Soltou seu discursinho e foi embora...
- Ainda que eu tivesse deixado você falar – me disse, dando um passo até mim – a conclusão seria a mesma...
- Ah, sim? – dei um passo também, não iria me deixar intimidar. Se o fizesse... Pobre de meu ego! – Que conclusão?
- Que não pode me beijar, porque sou sua ami...
E, eu sinto muito, mas não pude me conter. Se o problema de aceitar ser minha Namorada Postiça eram os beijos, eu demonstraria que não era assim.
Tomei-a pelo pescoço, aproximei-a um pouco mais de mim e a beijei e... Pelas barbas de Merlin e seu bigode também! Nada nem ninguém havia me preparado para o que explodiu em mim quando senti seus lábios nos meus.
Foi como se uma corrente que nascia no lugar onde nossos lábios se encontravam percorresse todo meu corpo. Além do que, seus lábios eram tão suaves, cálidos e com um sabor que eu não podia definir...
E, como estava em minha natureza averiguar todos e cada um dos mistérios que cruzavam meu caminho, decidi, em uma fração de segundo, constatar o sabor da, até agora, minha melhor amiga. Então, por instinto, passei a ponta da minha língua nos seus lábios, senti que ela se estremecia, suspirava, pousava seus braços no meu pescoço e se rendia a mim, abrindo sua boca...
E. Oh. Meu. Deus.
OH. MEU. DEUUS!
Hermione tinha gosto de torta de abóbora!
A melhor expressão para descrever o que fiz após descobrir o seu sabor seria que me joguei sobre ela. Dediquei-me a explorar sua boca, a me encher do delicioso sabor que tinha, convidando sua língua a brincar com a minha. E, por Deus, ambos estávamos desfrutando. Como eu sei?
Porque Hermione suspirava duas vezes a cada três segundos e se colava cada vez mais a mim. E não é que me incomodasse, todo o contrário, fazia tempo que minhas mãos estavam em sua cintura e as dela brincando com meu cabelo, o que, por certo, era maravilhoso.
Talvez eu não tenha um histórico muito grande em matéria de beijos, mas posso lhes assegurar que em minha vida nunca havia sentido algo assim. Nem sequer quando beijei Ginny na Sala Comunal, depois da partida de Quiddich... Isto era dez, não... mil vezes melhor.
Se não fosse pelo pigarreio e o "Ehem, ehem" de Luna, posso jurar que comeria Hermione ali mesmo. Meus lábios e todos os meus sentidos ansiavam para averiguar se toda ela tinha o mesmo sabor. Controlei, com uma força de vontade que não sabia que tinha, os impulsos que desejavam provar do seu pescoço e mais abaixo.
Não sei como consegui fazer com que o beijo passasse de faminto e feroz a um terno e doce, e assim, dando pequenos beijos – meus sentidos ainda se negavam a parar – consegui me separar, por fim.
Abri lentamente meus olhos apenas para me deparar com a visão mais impactante de minha curta vida: Hermione ainda estava com os olhos fechados, as bochechas ruborizadas, a respiração levemente agitada e os lábios ligeiramente inchados e vermelhos, produto de meus beijos.
E creiam-me que semelhante visão foi suficiente para fazer que meu ego revivesse.
Quando Hermione abriu os olhos segundos depois da ressurreição do meu ego, ele quase voltou a morrer. Seus olhos estavam tão... claros, tão brilhantes, que tinha vontade de me perder neles sem importar se voltaria um dia.
- Pelo visto – a voz de Luna rompeu o feitiço – não há problema nenhum no que diz respeito a se beijarem. O que acha, Hermione?
- Eu... – a vi enrubescer mais e abaixar a cabeça – Eu... creio que... não... Não há problema.
Hermione estava balbuciando? Podia ser mais medicinal para o meu ego que o fato de deixar Granger sem palavras?
Não pude evitar e um sorriso se formou em meu rosto.
- Mas, ainda assim, não creio que possam ser Namorados Postiços.
Ai!
Isso que Luna acabava de dizer era um gancho de direita, que eliminou o sorriso da minha cara.
- Por que? – perguntei.
- Fácil. - respondeu Luna - Porque você não conhece Hermione.
Isso sim foi um nocaute.
- Perdão? – perguntei indignado – Como não conheço Hermione? Estamos juntos desde os onze anos e passamos por tantas coisas que lhe garanto que a conheço perfeitamente.
- Seguro? – questionou Luna, alçando uma sobrancelha.
- Completamente.
- Então, diga-me qual é a cor favorita de Hermione?
- Ehhh... – Que tipo de pergunta era essa?
- Qual sua cutícula favorita?
- Película - corrigiu Hermione.
- Sua música... seu animal... seu esporte... su...
- Entendi. – Parei o ataque de perguntas com um gesto de mão e olhei para minha amiga, essa com a qual eu vivera tantas aventuras, tantos perigos... Aquela que salvara minha vida mais de uma vez e com quem experimentei o melhor beijo da minha vida ou, no mínimo, o mais próximo de uma experiência religiosa... E me doeu saber que, em realidade, não a conhecia, que não sabia nada da Hermione trouxa, porque minha amiga era duas, e eu só conhecia a metade.
- Eu... – tentei me desculpar, mas Luna falou outra vez.
- Por que não fazem o seguinte?
-00000-
- Com licença. – disse e saí disparada do compartimento.
Vejam, em algum lugar li uma frase ou ditado, como queiram chamar, que dizia: "Se a coisa ficar feia, pernas pra que te quero".
Talvez devesse tê-lo aplicado quando três Comensais me apontavam a varinha, mas não me pareceu um bom momento. Por outro lado, creio que este, sim, é.
Nesse sentido, o mais rápido que minhas pernas o permitiram, me dirigi para o final do trem, perto de onde se encontra a área de serviço, leia-se, o "Pipi's room", Vox populi: banheiro.
Foi uma reação covarde, eu sei, mas o que vocês fariam se aquele a quem considera seu melhor amigo ou o 'garoto proibido' lhe dá o melhor beijo de sua patética existência?
E não vale dizer que ficariam ali e enfrentariam seu olhar, porque nisso nem vocês acreditariam.
Deus!
Só me falta que Ginny saiba que beijei seu namorado e estou morta. Atenção! NÃO é que eu tenha medo da "Carrapato Weasley", quer dizer, Voldemort, Comensais e Guerra contra Ginny e feitiços nível 6... Por favor!
O medo é para com minha reação, todos sabem que não falho nos feitiços e está claro que não a suporto e tal, mas tampouco quero que meu amigo fique viúvo antes do tempo.
Escoro-me na porta do banheiro e respiro, tentando me acalmar, tanto pela corrida como pelo antes sucedido.
Não sei se algum dia poderei olhá-lo na cara... se tão somente fosse um simples roçar de lábios, como os que alguma vez Vitor me deu – porque agora eu podia dizer que aqueles beijos não, e repito, NÃO foram beijos comparados ao que fizera há apenas cinco minutos -, seria mais fácil... talvez um sorriso ou um risinho bobo por parte de ambos, quiçá uma desculpa e tudo esquecido...
Mas é que fora tão... tão... estranho e alucinante... e Harry tinha um gosto tão bom que meus neurônios se foram sabe-se aonde e só pude me concentrar em seus lábios, sua língua, su...
Merlin! Harry, ou melhor, a boca do Harry tinha algo tão intoxicante que, sem querer, voltei a passar a língua em meus lábios para ver se ainda o tinha, e ao descobrir que algo desse não-sei-o-que de que eu gostava ainda estava na minha boca, não pude evitar gemer novamente e fechar os olhos para recordar o momento...
- AHHHHHHH!- dei a volta recostando-me na parede e com uma mão no peito, tentando não hiperventilar. Talvez tenha sobrevivido a uma das mais cruéis guerras e ao ser mais tenebroso do novo milênio, mas não creio que possa sobreviver a mais um susto.
- Eu sinto.
- Droga, Potter! – bradei. – Você tem sempre que aparecer assim?
- Eu sinto. – repetiu. – Não pensei que você estivesse a anos-luz daqui. Em que pensava?
Acho que eu devia ter passado mais demão de graxa em meus sapatos, pareciam ligeiramente acinzentados... Hmmm, sim essa manchinha... definitivamente teria que removê-la da próxima vez que...
- Hermione – ouvi que me chamava, obviamente não dei importância porque ainda não decidia como encará-lo sem me jogar em cima para beijá-lo como louca, pois me urgia voltar a provar "aquele não sei o que, mas eu gosto".
Seguia observando meus sapatos quando senti que a mão de Harry tomava meu queixo e me obrigava a fitá-lo... e eu pensando em como fazê-lo.
- O que você tem?
Ele se atrevia a me perguntar o que eu tinha?
O que seria bom responder? Uma vontade louca de beijar você. A necessidade de sumir e não vê-lo. Desejos de matar Melina por me colocar nessa situação. Sequestrar você para poder beijá-lo o tempo todo.
- Nada – respondi por fim – É só que isto – fiz um gesto com as mãos – tudo isto é... muito para mim. Melina, minha família pensando que sou... você sabe, e essa coisa de namorado...
- Ei! - me disse, ao tempo em que segurava meus ombros e em seguida acariciava meus braços – Sabe que não está sozinha. Você conta com Luna... eu, que sou o seu Namorado Postiço...
- Essa é a questão. Pressinto que isso não vai sair bem... Harry, você tem namorada e eu...
- Já conversamos sobre isso. Ginny não é minha dona, eu faço o que quero e quero ajudá-la. Você é minha melhor amiga! Você arriscou sua vida por mim, lutou e saiu ferida em inumeráveis ocasiões e, pior ainda, quebrou um sem-fim de regras da escola, correndo o risco de expulsão. Isso não pode ser mais difícil que abraçá-la ou beijá-la.
E que beijos!
- Mas... – pôs seu dedo em minha boca e me impediu que falasse.
- Olha, que entre na sua cabeça que nada do que fizer ou disser vai me demover do papel de Namorado Postiço, e a advirto que se decidir contratar alguém, sou capaz de enfeitiçá-lo.
Suspirei... Que outra coisa podia fazer se não aceitar? Já sabia que quando uma coisa entrava na cabeça dele, não saia tão facilmente.
- De acordo. – aceitei finalmente.
- Com relação ao que disse Luna...
- O que ela disse?
A verdade é que sequer sabia que Luna havia dito algo, eu estava em um país muito, muito distante, onde meus neurônios estavam atontados e felizes, como que drogados.
- O fato de não conhecer você. Eu me propus a mudar isso. – Anunciou como quando anuncia que vai ganhar uma partida de Quiddich.
- Obrigado. – respondi com ironia, rolando os olhos. – Espero que possa encontrar tempo para me conhecer. Agora se preferir posso mandar uns dois metros de pergaminho autobiográfico.
- Pergaminho, quê?
- Francamente, Harry! – pus as mãos na cintura. – Você vai passar as férias na Toca. Relaciona: Toca, Ginny, namorada...
- Oh!
- Sim, oh.
- Mas eu não vou ficar na Toca.
- Que? – Creio que eu andava perdida num mundo paralelo, melhor dizendo estava em um mundo para lelo. Não! Não entendia nada! – Mas você sempre passa o Natal lá...
- Mas não este. Terminaremos a escola em seis meses e eu precisaria estar completamente louco para retornar à casa de meus tios. Amo os Weasley mas...
- Você quer se tornar independente. – Terminei a oração, compreendendo seu ponto.
- É por isso que quero remodelar, ou melhor, tornar visível Grimmauld Place. E você, minha Namorada Postiça, vai me ajudar.
- Como?
- Francamente, Hermione! – Estava me cansando de que me arremedasse, além do mais essa era minha frase – Você não achou que eu seria o seu Namorado Postiço de graça, ou sim?
- Pensa me cobrar? – E eu que pensei que fosse por sua boa vontade e alma nobre.
- Há uns... – Harry olhou seu relógio – quinze minutos você pensava em pagar e...
Alma nobre?... Uma merda!
- Vá à mer..., droga, Potter. – lhe respondi irritada e o empurrei para que me deixasse passar e assim poder voltar ao vagão e seguir com a busca pelo meu gigolô.
"Você é minha melhor amiga... sempre me ajudou, agora é minha vez... "
Hipócrita.
Expirei fortemente. Já ia começar a mencionar 'mães' quando sua mão me deteve.
-0000000-
Eu e minha grande boca.
Nunca poderia ficar calado?
Bom, talvez é que não tenha me expressado bem. Eu apenas pretendia passar mais tempo com ela e assim poder conhecer esse lado de Hermione que não tivera a oportunidade de ver.
- Espera. – Segurei-a pela manga. Ela se debateu um pouco mas finalmente consegui que parasse, embora não se voltasse. – Não se irrite.
- Não estou irritada!
- Oh, sim! Sim, está.
- Já disse que não! Solte-me, Potter, se não quiser ficar com as pernas coladas pelas seguintes três horas! – tentou se safar de novo, de forma que a única maneira que me ocorreu para que não fosse foi abraçá-la pela cintura e fazer com que suas costas se apoiassem em meu peito.
E olha que funcionou, porque ela se pôs rígida e ficou quieta imediatamente.
- Sim, está. – lhe disse próximo de sua orelha e senti que tremia, coisa que, não lhes minto, me agradou e me causou graça – O que eu disse para que você se irritasse? – Outro tremor da parte dela e um sorriso maior da minha parte. Respirei, e o que parecia ser o perfume de Hermione penetrou em meu nariz. Era tão bom que inalei de novo. – Hmm, diga-me por que está irritada. – Voltava a falar, com um tom de voz que não sabia que tinha, apenas pelo prazer de senti-la estremecer em meus braços. Fechei os olhos e comecei a esfregar meu nariz em seu pescoço.
Deus, como cheirava bem!
E sem sequer pensar, dei um beijo, em seguida outro, e outro e outro, em seu pescoço.
- Hmmm. – ouvi-a gemer.
Lentamente deu a volta e senti como suas mãos se aferravam em minha túnica à altura da minha cintura. Deixei meu novo hobby e a fitei.
- Perdoe-me. – Para que me fazer de bobo? Bem sabia que meu comentário sobre seu problema a lastimara. – Não foi aquilo o que eu quis dizer. Pretendia apenas passar mais tempo com você e que me ajudasse com minha casa. Depois de tudo, as mulheres sabem mais dessas coisas. – disse e me aproximei para lhe dar um beijo no pescoço, perto de sua orelha. – Me ajude. – sussurrei.
- Está bem. – me disse, separando-se de mim e apontando-me com seu dedo. – Mas trata de não ser um imbecil.
- Prometo. – disse, erguendo minha mão em sinal de juramento. – ela sorriu, pôs sua mão na minha e me deu um beijo.
- Obrigado. – me disse, com as bochechas vermelhas. Era tão linda ruborizada.
- Não há de quê. Para isso existem os amigos. – respondi com o melhor dos sorrisos, esse que me fizera merecedor do prêmio da revista Coração de Bruxa.
Hermione sorriu de volta e sem soltarmos as mãos, retornamos ao vagão.
Isso de Namorados Postiços seria fácil. Conhecia minha amiga, bom, uma parte dela, o que a fazia interessante. Além do mais, tinha um gosto delicioso e beijá-la e abraçá-la era o que de mais cômodo, instintivo e natural havia.
Que problemas poderíamos ter?
Nos apaixonarmos?
Nota da Tradutora: Nossa, que provação difícil, hein, Harry? A mais difícil que você já teve, né? =] E, nossa, Hermione... que dilema cabuloso! O puzzle mais complexo que você jamais teve a oportunidade de resolver! Sabem do que estou falando: essa coisa de Namorados de Mentirinha. =]
Eis aí a tradução do segundo capítulo recém saído, quentinho, da prancheta. Espero que tenham se divertido!
Até o próximo capíutulo, então. Prometo que não será de mentira!
Abraços,
Inna Puchkin
