Desejo e sedução
Virgínia passou pelas portas da mansão onde morava com o marido, a mansão Potter, e ao fechá-la suspirou, agora estava livre daquele homem que tinha beijado-a, livre das sensações que ele despertava nela, longe do beijo e tudo o mais que lhe parecia tão errado. Caminhou em direção as escadas que ficavam no hall da mansão, muito parecida com a dos Malfoy, no tamanho, na decoração aristocrata, sofisticada, mas não possuía os detalhes em ouro e nem ostentava tanto a riqueza dos donos. Chegou ao quarto imenso onde dormia com o marido e pela primeira vez sentiu-se pequena demais naquele lugar. Uma criada veio atendê-la e preparou-lhe o banho. Virginia relaxou na banheira e por alguns instantes sentiu-se bem, como se aquela noite estranha nunca tivesse acontecido. Saiu do banho e despediu a empregada. Vestiu uma camisola e deitou-se, adormeceu pouco depois.
Draco chegou à mansão e constatou que alguns convidados já haviam ido embora. Seus pais lhe aguardavam na entrada e encheram de perguntas assim que ele atravessou os jardins, falando sobre como ele havia sido descortês ao desaparecer sem se despedir das pessoas importantes da sociedade. Draco limitou-se a dizer que havia ido levar uma pessoa que não se sentia bem em casa, sem citar nomes, e seguiu para o hall onde ainda tinham alguns convidados dançando, bebendo e jogando. Viu que havia poucos convidados ainda ali, a maioria eram homens jogando baralho e fumando charutos em local apropriado. Viu ainda Harry e Cho sentados na mesma mesa conversando mais separados dos outros convidados, procurou Cedrico com os olhos e não o encontrou.
- Com licença! Harry meu amigo, sua esposa já esta em casa, garanti que ela chegasse bem ate lá. – Draco disse de maneira cortes enquanto observava discretamente que Cho bebericava uma taça de champanhe.
- Obrigada meu amigo – Harry disse devagar, a voz embargando por causa da bebida.
- De nada, mas não vejo Cedrico em parte alguma! Onde esta seu marido Senhora?
- Cedrico foi deixar os pais em casa e ainda não voltou. Estou aguardando ele para poder ir para casa, Harry está me fazendo companhia. – ela disse sorrindo simpática.
- Os Diggory estavam com algum problema? Já faz um tempo que Cedrico saiu, não pode ter acontecido alguma coisa?
- Não sei, agora que dissestes, pode ser que sim, faz mesmo algum tempo que ele se foi – Cho agora parecia preocupada.
- Vou deixá-la em casa – Harry manifestou, e olhando seu relógio de bolso acrescentou – e creio que é melhor partirmos agora mesmo, realmente Cedrico não voltou e faz mais de uma hora e meia que ele saiu.
- Sim, claro, está mesmo tarde, não fica bem uma mulher ficar só em uma festa de sociedade, por mais que seja na companhia de amigos.
- Se quiser posso mandar um carro levá-la. - Draco ofereceu.
- Não e necessário, você já fez isso por Virginia, devo fazer o mesmo por Cedrico, mas acompanharei a Senhora porque desejo saber se aconteceu algo.
- Nesse caso os acompanho ate a saída. – Draco manifestou.
Caminharam ate os portões da mansão onde estavam os carros. Cho entrou no carro dos Potter seguida de Harry, Draco ainda os observou por alguns instantes imaginando o que teria acontecido para Cedrico não voltar.
Harry e Cho foram a viagem em silêncio, agora pareciam ter esquecido a festa e voltar a realidade, pareciam estranhos. Harry um pouco mais sóbrio pensou que não devia ter bebido, que devia ter ido com a esposa, questionou-se sobre o porquê de tê-la mandado só para casa, talvez ela não estivesse bem de verdade, mas para ele era adorável estar com a mulher que estava a sua frente agora, ela era tão viva, tão alegre, tão fascinante, sentia-se atraído por ela, mas aquilo não podia ser, ele amava a mulher, ficou confuso. Cho pensava em porque o marido não havia voltado, sobre o que teria acontecido, esperava não ter que voltar pra China, não agora que havia conhecido um homem tão interessante como Harry. Ele despertava nela umas sensações que ela nunca pensou que pudesse sentir, mas ela sabia que isso não podia ser, ambos eram comprometidos e embora ela fosse corajosa o suficiente para viver uma paixão pelo Sr. Potter, ela não sabia muito sobre ele, se ele faria o mesmo. Chegaram à mansão dos Diggory.
Harry observou que era uma casa diferente, uma mansão também, mas o estilo todo era oriental, flores, pedras, estátuas, fonte, muito agradável. Harry e Cho entraram e um criado veio imediatamente, seguido de Cedrico recebê-los.
- Cho minha querida, desculpa tê-la deixado lá, mas mamãe não esta bem. – Cedrico disse beijando levemente a esposa.
- Não se preocupe o Sr. Potter fez a gentileza de acompanhar-me.
- Obrigada por tê-la trazido Harry, nem sei como agradecer, estava escrevendo um bilhete agora mesmo para enviar ao Draco pedindo que ele mandasse alguém trazê-la.
- Porque não mandou logo? Eu não me incomodaria de te trazido sua esposa mais cedo e também poderia ter vindo e ver sua mãe, o que ela tem? Posso examiná-la agora se quiser. – Harry prontificou-se.
- Não será necessário, chamei um outro medico, você estava na festa e eu não quis incomodá-lo, alem do mais, fiz medicina também, pude supervisionar o atendimento que ela recebia.
- E o que ela tem? – Cho perguntou preocupada.
- Febre.
- Uma febre qualquer? – Harry perguntou preocupado.
- Não Harry, temo que seja a febre que tem matado muitos ultimamente na Europa. – ele disse receoso.
- Ainda não tínhamos registrado casos aqui. – Harry afirmou pensativo.
- Sei, mas isso se espalha entre os viajantes.
- Deixe-me vê-la, quero constatar o que dizes.
- Não pode se arriscar. Sei o que estou dizendo.
- Não há riscos, você sabe, não se transmite assim com exames, é pelo contato com secreções.
- Sim, então vamos. Você fica Cho.
- Sim, esperarei aqui. – ela disse obediente.
Os dois subiram as escadas preocupados. Chegaram ao quarto da Sra. Diggory e Harry examinou-a, confirmando as suspeitas de Cedrico. Ambos concordaram em transferir a Sra. Diggory para o Hospital e interná-la. Assim, Cedrico, Harry, o Sr. e Sra. Diggory foram para o Hospital . Cho ficou em casa e Harry pediu-lhe que enviasse o mensageiro ate Virginia para avisá-la que ele estava atendendo a família Diggory e pó isso estava indo para o Hospital. Cho escreveu e enviou o bilhete em seguida.
Draco soube logo de manha que a mãe de Cedrico não estava bem e que ele e Harry estavam no Hospital com ela. Lembrou-se da esposa de Harry e decidiu ir falar com ela, pedir desculpas pelo que tinha acontecido, afinal, ele havia dado inicio aquela loucura e seria melhor que estivessem a sós novamente para poder conversar sobre assunto tão delicado. Avisou aos pais e Hermione que iria ate o Hospital ver o amigo e saiu.
Virginia recebeu o recado de Cho e continuou com suas atividades normais durante o dia, estava bem e não mais tinha sentido tonturas ou enjôos. Após a hora do almoço estava na varanda de casa quando viu uma carro parar e dela sair Draco Malfoy. Surpreendeu-se e sentiu novamente nervosismo, calor e o coração bater mais forte, mas tentou disfarçar.
- Boa tarde Sra. Potter, desculpe-me incomodá-la, mas senti necessidade de vir falar-lhe.
- Boa tarde Sr. Malfoy, Harry não esta aqui, não seria bom recebê-lo sozinha.
- Já disse que não precisas de todas essas etiquetas – ele disse irônico.
- Não são etiquetas, só disse que...
- Virginia me desculpe pelo que aconteceu ontem. – ele disse de uma vez encarando-a – foi um erro e prometo que jamais vai se repetir, espero não ter causado nenhum infortúnio a Senhora, perdoe-me mais uma vez, não sei porque aconteceu, mas garanto que nunca mais vai acontecer.
Virginia ficou estática. Não esperava que ele falasse sobre aquilo, muito menos que falasse aquelas coisas sobre aquilo. Ela havia ficado perturbada e ele simplesmente pedia desculpas e dizia que tinha sido um erro. Se ele pensava que podia brincar com ela estava enganado.
- Não precisa pedir desculpas, sei que foi um erro e que não vai se repetir – ela disse fria – embora não isso nunca tenha acontecido antes, não me causou nenhum incomodo, já ate o esqueci porque tenho certeza do meu amor pelo meu marido.
- Nesse caso, estamos conversados - Draco disse friamente também, embora no fundo sentisse seu ego ferido por não ter significado nada para a mulher a sua frente, mas fora melhor assim, isso não tinha que acontecer.
Draco ganhou os portões e foi ao Hospital ter com Cedrico e Harry. Chegou lá e encontrou-se com ele e Ronald. Foram ate a cantina do lugar e tomaram um café enquanto conversavam sobre o estado da mãe de Cedrico, que estava ansioso, aguardando o resultado dos exames para confirmar a doença. Uma enfermeira chamou Harry que saiu acompanhando-a. Cedrico e os demais amigos ficaram aguardando o retorno dele, Cedrico estava aflito, sabia que eram os resultados dos exames e decidiu que seria melhor ir ate onde a mãe estava e ficar junto de seu pai, chamou Draco e Ronald e foram ate o quarto onde a Sra. Diggory estava. Quando Harry entrou no quarto, ele ficou ao lado do pai.
- E então Harry? O que dizem os exames?
- Lamento Cedrico, Sr. Diggory, estamos certos, a Sra.Diggory tem a febre.
A cena que se seguiu foi de imensa tristeza. A Sra. Diggory estava deitada inconsciente na cama e alheia ao que se passava, o Sr. Diggory chorava e Cedrico, embora tentasse parecer forte, estava muito abalado. Harry disse que ela teria que ficar isolada e que não poderiam mais vê-la, isso causou protestos da família, mas era necessário para que não houvesse mais contaminação. Assim, dois dias depois a Sra. Diggory faleceu e seu corpo foi levado para a funerária local para o velório e depois para o adeus final no cemitério, onde apenas alguns amigos compareceram. A cidade estava abalada com a morte repentina da Sra. Diggory e com medo de adquirir a doença, por isso mantiveram-se o mais afastados possíveis dos locais onde ela tinha passado. Após o enterro todos se dirigiram para suas casas, voltando a se encontrar apenas na missa de sétimo dia.
Após a missa, o Sr. Diggory, Cedrico, Cho, Harry, Virginia, Draco, Hermione, Ronald e Luna foram a Mansão dos Diggory, onde tomaram chá e tentaram sustentar uma conversa. O Sr. Diggory disse que iria viajar sozinho por uns tempos, queria esquecer a dolorosa experiência que acabara de ter, tentou convencer Cedrico a acompanhá-lo, mas Cho havia sido imparcial quanto a sair de Londres. Ela não queria ficar longe de Harry, nesses dias após a festa havia pensado muito nele, ela o admirava e o queria, Cedrico era seu marido apenas por conveniência, casaram-se para unir as fortunas das famílias amigas e ela respeitava isso, mas era a primeira vez que se sentia apaixonada por um homem, não conseguia evitar pensar nele, desejar beijá-lo e se entregar a ele, estava decidida a conquistá-lo, queria tê-lo nem que fosse como amante, já que ele e ela eram casados. Harry também pensava em Cho, no sorriso dela, no corpo dela, no quanto ela era inteligente, comunicativa, bonita e encantadora. Algumas vezes repreendeu-se por ter tais pensamentos, mas era mais forte que ele, tanto que ele havia ate se afastado de Virginia, não trocava mais que alguns beijos com ela e quando fazia isso era em Cho que ele pensava. Enquanto tomavam chá, trocavam olhares discretos.
Mas Cho e Harry não eram os únicos. Virginia ainda sentia o coração acelerar na presença de Draco e o corpo tremer ao lembrar do toque e do beijo dele. Evitava o máximo que podia ficar perto dele, mas nem sempre era possível. Ela havia tentado esquecer, mas não tinha conseguido, tentou aproximar-se mais de Harry para provar a si mesma que amava o marido, mas não tinha tido sucesso, Harry estava distante dela e ela justificava isso pelo fato dele estar voltado aos cuidados com a família de seu amigo Cedrico, assim ela tentava apenas controlar os pensamentos. Draco, no entanto, não tentava fugir da presença de Virginia, queria estar o mais perto dela possível, queria admirar a beleza da ruiva, queria repetir o erro da festa de noivado, mas sabia que ela não permitiria isso, já tinha percebido que ela fugia dele, era correta demais pra ter uma relação com ele, mas sabia também que ela sentia algo perto dele, podia ouvir a respiração dela mais acelerada.
Após o chá dirigiram-se para a sala e acomodaram-se. Virginia pediu para ir ao toalete e Cedrico disse que a acompanhava. Ela seguiu-o a contragosto, Cho era quem devia tê-la acompanhado ao invés de ficar olhando para seu marido. Entrou no banheiro e respirou profundamente, as tonturas haviam voltado, precisava ir a um medico logo, não agüentava mais a duvida de estar ou não grávida, tinha que saber, talvez isso lhe tirasse Draco do pensamento e trouxesse Harry para pero dela como antes. Olhou-se no espelho e saiu. Assustou-se ao ver que Cedrico a esperava, sorriu pra ele sem jeito e começaram a caminhar rumo à sala de estar. Estavam em um corredor quando Cedrico não conteve o pranto ao ver uma foto de sua mãe, ele virou-se ficando de costas para Virginia e meteu as mãos no rosto, como que para esconder as lagrimas. Virginia olhou-o com receio e ternura, tinha vontade de abraçá-lo e consolá-lo, no entanto isso não ficava bem para uma mulher casada, abraçar um homem em um corredor onde estavam apenas eles. Lembrou-se que havia feito coisa pior com Draco e sem um motivo digno como naquele momento, sem pensar mais se aproximou dele e o abraçou. Virginia era mais baixa e por isso abraçou-se ao peito de Cedrico, este espantando, arregalou os olhos com o gesto da jovem ruiva, mas em seguida envolveu-a em um abraço também e desatando a chorar ainda mais.
- Não fique assim Sr. Diggory, acredite em mim, Deus sabe o que faz.
- E uma dor muito grande, foi tão rápido. – ele tentava conter as lagrimas.
- E difícil aceitar, mas era a hora de sua mãe partir, um dia você a encontrará novamente. – ela dizia calmamente.
- Não acredito nisso. – ele disse soluçando e ainda olhando o retrato da mãe.
- Pois eu sim, lamentar não vai trazê-la de volta, vai causar mais sofrimento a você, a seu pai e a ela.
- Você fala cada coisa Virginia, como se minha mãe pudesse saber o que se passa conosco. – ele fechou os olhos para não ver a imagem da mãe e sentiu o perfume da ruiva a sua frente.
- E ela sabe, ela vive, não com um corpo, mas como um espírito, e onde ela estiver ela sofrera por ver você sofrendo.
- Não consigo acreditar. – ele sentia o corpo dela no seu.
- Se não acreditas, não posso fazer nada, mas sofrer não adianta, você sabe que ela não vai voltar, então porque prolongar esse sofrimento.
- Não tem como não sofrer. – ele protestou feito criança.
- Pense em Deus, pense em sua bondade e misericórdia, ele não quer sua dor, quer a paz de sua mãe e sua felicidade. Ela cumpriu a missão dela neste mundo e agora partiu, mas você ainda tem o que fazer, tem seu pai, tem sua esposa, precisa ser forte.
- Eu sei, mas não sei como. – ele ouvia atentamente o que ela dizia, tudo nela era conforto, doçura, segurança, calma.
- Tenha fé, procure lembrar-se de sua mãe de uma maneira feliz.
- E difícil, mas tentarei de todas as formas fazer o que me pedes. – ele se sentia tranqüilo.
- E pro seu bem e de toda a sua família.
- Obrigada. - Ele disse dando um leve sorriso.
- Não precisa agradecer, apenas prometa que tentara animar-se e continuar sua vida. – ela afastou-se dele e olhou sorrindo.
- Prometo – disse ele sorrindo pra ela, os braços ainda envolvendo a cintura dela.
Nesse instante Draco chegou ao inicio do corredor e os viu abraçados, sentiu-se incomodado e teve ímpetos de arrancar a ruiva dali e ameaçar Cedrico, controlando-se apenas aproximou-se deles. Cedrico e Virgínia separaram de um pulo e ficaram desconcertados.
- Desculpe, não queria interrompê-los. – Draco disse friamente.
- Não interrompeu nada, Virginia só estava dizendo algumas palavras de conforto, eu não contive o pranto ao ver essa foto de mamãe. – ele disse indicando o retrato com a cabeça.
- Não precisa me dizer nada. – ele disse indiferente e nem ao menos olhou a foto.
- Não quero que pense coisa errada. – Cedrico estava desconcertado.
- Não diga isso, somos amigos, conheço você, sei o quanto é correto. – e olhando para Virginia - Quanto a Sra. Potter, não a conheço bem, mas acredito que seja uma mulher decente. – ele frisou decente.
- E claro que é, posso garantir.
- É claro que pode – Draco riu irônico para Virginia e entrou no banheiro.
Gina sorriu para Cedrico e saiu andando em direção a sala. Cedrico a seguiu e assim que chegaram à sala sentaram-se perto de seus cônjuges. No entanto, Virginia sentia-se apreensiva com o tom que Draco havia usado enquanto falava dela e da situação que a encontrou com Cedrico, estaria ele pensando mal dela agora? Preocupou-se como fato dele não ter acreditado na verdade e vir causar algum incômodo entre os ali presentes, como ele havia feito na própria festa de noivado, tentou disfarçar o nervosismo. Draco estava enraivecido no banheiro pensando se Virginia era mesmo a mulher virtuosa que parecia ser ou se era mais uma das mulheres sem classe que ele conhecia que eram casadas e fingidas e que tinha tantos amantes quanto fosse possível. Sentia uma raiva imensa da ruiva ao lembrar do beijo dela e do jeito frio com que ela disse que ele não significava nada pra ela, que amava o marido, mas agora estava ali nos braços de outro. Cínica, era isso que ela era, não tinha como negar, Virginia era mais uma desfrutável que se fazia passar por santa, mas ela não brincaria com ele, iria tê-la de qualquer jeito e provar-lhe que ele poderia faze-la sentir mais que incomodo.
Quando Draco saiu para ir ao banheiro Luna puxou assunto com Hermione. A principio Hermione ficou apreensiva, mas Luna era doce e delicada e logo a envolveu em uma conversa tranqüila e interessante. Falaram sobre a morte, sobre Londres, sobre a sociedade, sobre seus companheiros e sobre o amor. Hermione disse que amava Draco, mas em seu coração podia sentir que isso era mentira, pois ele não fazia o coração dela saltitar como Ronald fazia. Puniu-se por ter tais pensamentos quando estava diante da esposa dele, mas esta não contribuía. Luna começou a falar sobre o quanto amava Ronald e eram felizes, e Hermione sentiu uma ponta de inveja dela. Agora ela tinha vontade de fugir dali o quanto antes, mas não sabia como. Viu quando Virginia aproximou-se com Cedrico e tentou mudar de assunto, falando sobre a tristeza que ele sentia, deu certo.
Draco voltou e passou a tratar Virginia friamente, nem sequer lhe dirigia um olhar enquanto que ela o buscava com os olhos. Ele cercou Hermione de carinhos e Virginia sentiu um leve incomodo. Hermione, no entanto agradeceu mentalmente a proximidade do marido que lhe fazia esquecer um pouco Ronald, embora ela estranhasse um pouco esses gestos já que ele nunca havia agido assim em público. Cedrico olhava para Virginia carinhosamente, mas não se importava em disfarçar, aquela jovem Senhora havia lhe dito coisas que tiveram um efeito benéfico nele, agora ele estava mais calmo graças a ela, sentia enorme gratidão pela esposa de seu amigo. Harry tentava de todas as formas aproximar-se de Cho, tentou segui-la quando ela foi ate a biblioteca, mas o Sr. Diggory não permitiu, prendendo-o em uma conversa sobre política juntamente com Ronald. Pouco depois ela voltou e sentou-se ao lado do marido. Assim, passado algum tempo Ronald anunciou que iria embora ao que todos os outros o seguiram.
Nas despedidas Draco nem sequer tocou em Virginia, apenas a cumprimentou com um adeus enquanto despediu-se normalmente das demais mulheres ali presentes. Cedrico beijou demoradamente a mão da ruiva e murmurou palavras de agradecimento, o que fez com que Draco sentisse mais raiva ainda, estava claro para ele que haviam se tornado amantes. Hermione abraçou Luna e apertou a mão de Ronald, aquilo a torturando por dentro fazendo com que ele se sentisse indigna. Cho estendeu a mão para Harry beijar e enquanto ele beijava ele pode sentir que havia um papel na mão dela e que ela tentava passar pra mão dele, pegou-o discretamente. Logo depois todos entravam em seus carros rumo a suas casas e mergulhados em pensamentos cada vez mais confusos.
Quando Harry chegou em casa, dirigiu-se para o escritório e leu o papel que Cho havia lhe dado. Havia apenas uma inscrição.
"Vejo você amanha, por favor, não falte".
Harry não entendeu, mas ficou ansioso pelo novo encontro. Passou o resto do dia no escritório e só saiu quando uma criada chamou-o para jantar. Chegou à sala de janta e sentou-se do lado oposto ao da esposa. Jantaram em silêncio e assim permaneceram ate adormecerem. Deitada ao lado dele Virginia não deixava de pensar na mudança do marido, temeu que ele soubesse de algo e por isso estivesse se distanciando dela, não sabia o que fazer. De um lado tinham suas emoções por Draco, um sentimento confuso e que não a deixava ter paz, do outro tinha Harry a quem ela amava e que estava cada vez mais parecido com um estranho para ela. Tentou pensar em coisas boas e adormecer, mas não conseguiu, ficou deitada de olhos fechados ainda por muito tempo, vindo a adormecer apenas quando o dia estava clareando.
Cedrico acordou bem cedo para levar o pai até a estação de trem. Cho não iria com eles, tinha acordado se sentindo indisposta e pediu para Cedrico chamar um medico para vê-la em casa mesmo. Cedrico, como de se esperar mandou um bilhete para harry, pedindo que este viesse e examinasse sua esposa. Cho despediu-se do Sr. Diggory e desejou-lhe boa viagem, Cedrico saiu pouco depois com o pai assim que terminaram de conferir se ele estava levando tudo e se Cho ficaria mesmo bem.
Harry recebeu a mensagem de Cedrico e imediatamente partiu para a casa dele. No meio do caminho parou em seu consultório, em uma rua do Centro da cidade, para pegar alguns aparelhos e material para exames, temia que Cho estivesse com a terrível febre. Estava de saída do consultório quando foi abordado por seu amigo Draco. Trocaram cumprimentos e Harry disse que ia visitar a esposa de Cedrico. Draco perguntou cortesmente por Virginia e então sabendo que ela estava só em casa decidiu ir visitá-la. Assim ambos partiram para encontrar as mulheres que tanto lhe perturbavam a ordem dos pensamentos e sentimentos.
Quando Harry chegou à mansão dos Diggory uma criada o levou até o quarto do casal, onde apenas Cho estava deitada de olhos fechados na grande cama de casal. Harry sentiu-se incomodado com a situação, mas não pode deixar de imagina Cho por debaixo dos lençóis. Ela abriu os olhos e encarou-o, sorriu docemente para ele e em seguida afastou o lençol de cetim cor de pêssego revelando seu corpo vestido apenas por uma fina camisola branca que permitia a Harry visualizar seu corpo e a calcinha que usava. Harry estremeceu quando ela se levantou, não conseguiu tirar os olhos do corpo da mulher a sua frente. Cho disse-lhe para por o que ele havia trazido para examiná-la sobre uma poltrona que havia ali, ao que ele obedeceu prontamente. Ela foi caminhando de joelhos sobre a cama enquanto soltava o coque dos cabelos e ia em direção a ele, Harry estava hipnotizado. Cho ficou diante dele e o encarou nos olhos. Sem que Harry esperasse, ela colocou uma mão no pescoço dele e outra na nuca e puxou-o beijando devastadoramente. Harry sentiu imenso desejo por ela e a envolveu com seus braços apertando-a junto ao seu corpo ao Cho tentou fazer o mesmo. As mãos dele começaram a acariciar o corpo dela e Cho foi tirando, desesperada, o paletó que ele usava e tentando fazer o mesmo com as demais roupas. Os beijos e caricias tornaram-se mais intensos e ambos esqueceram de tudo, concentrados apenas no prazer que sentiam. Harry ajudou a oriental a tirar sua roupa e em seguida puxou de maneira bruta a camisola que ela usava fazendo com que esta rasgasse ao meio. Os beijos continuavam intensos, os corpos agora se esfregando um no outro em uma dança sensual, os dois ainda de pé. Harry segurou-a pela cintura e ergueu-a fazendo com que ela envolvesse as pernas na cintura dele para se apoiar. Harry andou ate a parede e pressionou o corpo de Cho contra a mesma, assim ele a penetrou de uma vez apertando-a ainda mais contra a parede. Cho fez uma leve careta de dor e depois sorriu de prazer inclinando a cabeça pra trás ao que Harry aproveitou para beijar-lhe o pescoço e o colo. De pé, encostados a parede e entre gemidos e suspiros eles chegaram ao ápice do prazer. Cho beijou-o devagar e depois apoiou a cabeça no ombro dele, os corpos suados e a respiração ainda acelerada. Após alguns minutos ela escorregou as pernas da cintura dele e pôs-se em pé no chão, olhou-o nos olhos e beijou-o em seguida, um beijo calmo, doce, que Harry correspondeu. Ela foi empurrando-o devagar ate a cama, os corpos ainda unidos, e fez com ele caísse e ela caindo sobre ele em seguida. Dessa vez as caricias eram menos intensas, mais delicadas. Com mais calma eles foram explorando o corpo um do outro e novamente fizeram amor, dessa vez sem pressa, de forma romântica e paciente.
Draco chegou à casa dos Potter e viu Virginia sentada em uma cadeira na varanda com um livro na mão. Bateu palmas e ela ergueu o olhar até ele e levantou-se em seguida. Ele apenas esperou que ela viesse atendê-lo. Virginia sentiu-se contrariada, a pouco tentava ler um livro e não conseguia porque seus pensamentos divagavam sobre um demônio loiro, sim porque para ela ele era a personificação da tentação e do pecado, e como por magia ele surge na frente dela, justo quando Harry não está. Tentando controlar as emoções que tomavam conta dela levantou-se e foi até o portão atendê-lo, tinha esperanças de dizer que Harry não estava e faze-lo ir embora antes que ele pudesse pensar em entrar em sua casa. Draco continuou olhando para ela sustentando uma expressão fria no rosto, mas por dentro ele ardia de desejo de beijar aquela ruiva novamente. Tinha convencido a si mesmo de ela era uma desfrutável e que era amante de Cedrico, mas ele iria acabar com a farsa dela de mulher puritana e faze-la pagar por tê-lo desprezado. Draco tencionava conquistá-la e levá-la para cama, como ele já havia com muitas outras antes, fazendo com que ela se apaixonasse por ele pra depois descartá-la.
- Bom dia Sr. Malfoy, em que posso ajudá-lo?
- Bom dia Sra. Potter, vim fazer-lhe uma visita.
- Ah mim? – a surpresa estava estampada nos olhos da ruiva.
- Sim, não posso? – Draco agora ria incomodo.
- Meu marido não esta – ela disse seria.
- Eu sei, cruzei com ele agora antes de vir aqui, ele estava indo ver uma paciente.
- Então porque veio? – a surpresa passou a confusão.
- Já disse, vim fazer-lhe uma visita. Poderias me deixar entrar?
- Claro, siga-me – Virginia respondeu virando-se e caminhando ate a sala de estar com contragosto.
- Espero não estar lhe incomodando Senhora – ele disse sarcástico.
- De forma alguma, um amigo de meu marido e também meu amigo – ela tentava ignorar o sarcasmo dele e ser educada.
- Eu sei como são íntimos de você os amigos de seu marido. – ela voltou-se para ele encarando-o.
- O que pretendes dizer com isso? – ela olhou-o cerrando os olhos.
- Que eles são seus amigos também – Draco sustentava a expressão sarcástica sorrindo de canto de boca e erguendo uma das sobrancelhas.
- Sente-se, por favor! Aceita um chá ou um café? – ela parou no centro da sala olhando para ele, a raiva em sua voz.
- Não obrigada! – ele disse se aproximando dela – Mas aceito um beijo se me ofereceres. – ele disse segurando-a pelos braços e olhando-a intensamente.
Virginia não conseguiu responder, o ar de repente faltou-lhe nos pulmões e o coração parecia querer sair pela boca, viu ele se aproximando dela e não teve forças de resistir, ela queria aquele beijo também. Draco aproximou-se devagar, esperando que ela se afastasse dele, mas ela não o fez, sem encontrar resistência ele roçou os lábios nos dela e deu pequenos beijos. Virginia foi erguendo os braços em volta dele e Draco desceu os dele que estavam nos braços dela ate a cintura, dessa vez intensificando o beijo. Envolvidos como estavam um com o outro nem se deram conta de que estavam na sala da casa dela, que havia empregados ali que poderiam surpreendê-los, que Harry poderia chegar. Draco já não mais queria brincar com ela, queria apenas beijá-la infinitamente e Virginia esqueceu as insinuações dele pensando apenas em como era bom estar nos braços dele. Após alguns minutos que pareceram segundo eles separaram-se a custo. Draco viu que Virginia tinha o rosto corado e não o encarava envergonhada, achou aquilo encantador, mas então se lembrou dela abraçada a Cedrico e pensou novamente que ela era uma boa atriz.
- Vou indo, já consegui o que queria. – foi tudo o que ele disse antes de sair rápido pela porta e ganhar a rua deixando para trás uma mulher confusa e ofendida.
Virginia sabia o que ele queria dizer com aquelas conversas sobre a amizade dela com os amigos do marido. Ele pensava mal dela por tê-la beijado e depois tê-la visto abraçada a Cedrico, isso a magoava e ela sabia o porquê, estava apaixonada por ele e não conseguia parar de pensar no quanto isso era errado, mais ainda se ela estivesse grávida como pensava. Sabia que havia encontrado o amor, mas sabia que junto com ele vinha também a sua perdição e não sabia o que fazer, queria que draco acreditasse nela, mas ele não parecia disposto a ouvi-la e ela não conseguia tomar a iniciativa de falar sobre aquilo. Sentiu novamente uma tontura e decidiu ir deitar-se, passou o resto do dia no quarto.
Draco sentia-se vitorioso por tê-la beijado, era sinal de que seria fácil concretizar seus planos. Lembrava do rosto meigo dela e ria para si mesmo, como pudera pensar que ela fosse diferente das outras? Como ele pudera pensar que estava encantado por ela e que poderia se apaixonar de verdade? Ainda bem que ele não era cego como o marido dela. Foi então que pela primeira vez ele pensou em Harry, ele era seu amigo, será que ele amava a mulher? Não foi isso que pareceu na festa, ele estava mais interessado na esposa de Cedrico que em Virginia e ela pareceu não estar se importando com isso também. Sorriu novamente, com certeza eram mais um casal de aparências como tantos outros que ele conhecia. Sim, era isso, e sendo assim, não haveria problemas quanto ao que ele pretendia fazer, estava tudo certo. Satisfeito ele foi para casa, sem fazer idéia do quanto estava errado sobre Virginia.
Harry estava deitado na cama com Cho sobre seu peito. Só agora ele pensava no que haviam feito e achava errado, mas não se arrependia. Olhou para Cho e lembrou de seu amigo Cedrico e de sua esposa Virginia, Cho ergueu a cabeça e viu que ele estava olhando-a de um jeito estranho.
- Em que esta pensando meu amor? – ela encarou-o
- Meu amor? – Harry surpreendeu-se.
- Sim, meu amor, amo você desde a primeira vez que o vi naquela festa Harry. - Vendo que ele estava calado e surpreso ela continuou.
- Eu sei que não me amas, não estou pedindo isso, tudo o que eu quero apenas é que você me deixe amá-lo como agora.
- Cho eu não sei o que eu sinto por você, estou confuso, acho que o que aconteceu foi um erro.
- Não foi um erro Harry, foi maravilhoso e nos dois queríamos. – ele disse tentando convencê-lo.
- Mas não poderíamos ter feito isso.
- Você se arrepende? – ela viu Harry pensar um pouco.
- Não, faria tudo de novo – ela sorriu ao ouvir as palavras dele.
- Você me desejava Harry, do mesmo modo que eu.
- Sim, mas tem Cedrico e Virginia.
- Eu sei Harry, mas isso que sinto é mais forte que eu. Nunca me apaixonei por um homem antes de conhecer você e eu quero viver essa emoção agora. Meu casamento foi arranjado para unir as fortunas de duas famílias amigas, mas eu nunca amei Cedrico, é um casamento de aparências.
- Pensei que fossem apaixonados um pelo outro.
- Se eu fosse, não estaria aqui com você agora, nunca trairia meu marido.
- Somos loucos, estamos nos arriscando.
- Eu sei que sim, mas não quero parar Harry, diga-me que vamos nos ver mais vezes, diga-me que não vai me deixar. – o tom dela era súplice.
- Não vou deixá-la, acho que estou apaixonado também Cho. – Harry disse fechando os olhos.
- Descobriu isso agora? – ela olhava para ele como uma criança que ganha uma surpresa.
- Sim.
- Como?
- Se eu não estivesse apaixonado por você, jamais cometeria tal loucura. Eu casei com Virginia por amor, sempre fomos felizes.
- Você ama sua esposa?
- Amei, agora tenho certeza que não a amo mais, estou perdidamente apaixonado por você.
Cho inclinou-se até ele e o beijou novamente. Levantaram-se depois e se vestiram. Harry receitou umas vitaminas para ela. Combinou de aguardar um bilhete dela para poderem se encontrar novamente e saiu em seguida, mas não foi para casa, não queria encarar a mulher, precisava pensar sobre o que havia feito. Chegou a casa tarde da noite, Virginia já dormia, ele sentiu-se aliviado e após o banho adormeceu ainda pensando em sua paixão por Cho.
