Um sorriso penetrante invadiu meu ser ao notar que eu não era a única a contemplar tamanha beleza antiquaria. O nome dele é Gabriel, o conheci assim que se mudou para a casa em frente a minha, possuí olhos castanhos escuros e um cabelo quase que louro, era quase de minha altura, me ultrapassava por poucos centímetros possuía um jeito compenetrado, altruísta, sempre o achei muito interessante, dono de uma lábia invejável. Ele olhou-me com uma expressão de questionamento e logo indagou — O que faz aqui Rafaela? Achei que alguém como você teria medo deste lugar. Eu sorri e disse-lhe — Medo algum, apenas um incrível apreço por tamanha beleza, este lugar é rico em detalhes, completamente fascinante… Apaixonante. Ele fitou meus olhos de uma maneira que cá-entre-nós deixou-me envergonhada e balbuciou — concordo plenamente Ao dizer isto deu dois passos a frente e caminhou em direção a outro vão este possuía uma bela cama com duas escrivaninhas posicionadas ao lado de cada cabeceira, ambas possuíam um abajur e um porta retrato, do lado esquerdo a foto da jovem com seus lindos cabelos louros, estes estavam mais compridos que nas outras fotografias que eu havia avistado, e observando a escrivaninha do lado direito à foto do rapaz, não era difícil concluir qual o lado da cama pertencia a quem. Gabriel apontou para uma penteadeira que assim como todos os outros móveis estava coberta por poeira, nela encontrávamos uma grande escova e alguns perfumes, o que mais chamava a atenção era o seu revestimento, flores rosa em um tecido de fundo branco - porém meio amarelado pelo passar dos anos, cobria toda sua superfície, trazendo assim uma sensação de alegria para o local, senti-me em paz — Você conhece a história deles Gabriel? Pronunciei tal frase em um tom profundamente curioso e ele respondeu-me — Não, nunca senti vontade, a minha versão da história creio que seja bem mais linda que a original, e se eu souber o que realmente aconteceu, todos os anos que venho a este lugar procurar pistas observar cada detalhe, todos esses dias, serão jogados ao vento. Prefiro apenas deduzir. Achei curioso seu ponto de vista, e como era de se esperar perguntei se ele podia contar a versão dele, para assim juntos terminarmos a história, ele disse que sim ao balançar a cabeça, tirou um pouco do pó que estava sobre o colchão, sentou bateu rapidamente com as mãos do seu lado esquerdo pedindo para que eu sentasse, e assim fiz...

(Continuação de uma história que talvez tenha um final feliz.)