Gente, tudo beleza? Desculpem a demora do novo capitulo, mas é que feriadão, preguiça, um pouco de sol e a gente já fica desanimado para ficar na frente do pc, entendem? Espero que gostem dessa continuação, que desde o começo já vai ter sofrimento para a mocinha da história. Como eu sou má, não? Mas pelo menos vai ter muito romance, e hentai (que os que não gostam de hentai me perdoem, mas eu não me contenho!). Boa leitura, a todos!

O caminho para o engano.

Rin sentiu o pé afundar na lama e fez uma cara feia. A chuva havia caído durante toda a noite, e não havia como se procurar algo para comer se não andassem sobre o lamaçal que se tornara o chão. Jaken olhou para a menina, que logo trocou a expressão de desagrado pela de alegria habitual, quando Aruru abaixou-se ao seu lado para que ela pulasse em suas costas.

Sesshoumaru caminhava um pouco à frente, em passos tão leves, que mal seus sapatos se sujavam. Ele logo avistou as árvores frutíferas do local, mas antes de dar a permissão a Rin para que buscasse algo, olhou em todas as direções, desconfiado com uma estranha presença.

- Há algo errado, Sr Sesshoumaru? – perguntou Jaken colocando-se ao seu lado.

O youkai nada respondeu. Levantou a mão, ordenando que ficassem quietos, enquanto ele saía em busca de uma resposta. Caminhou lentamente, tentando encontrar o lugar de onde se originava a tal presença, afastando-se dos companheiros.

"Está além das árvores..." concluiu "Não parece algo perigoso, mas...".

Parou com o raciocínio ao notar o corpo caído em meio à poça de lama. Aproximou-se devagar, descobrindo que era apenas uma criança humana, com pouco mais idade do que Rin. A garganta estava com um grande corte, e não havia sinal nenhum de sangue no pequeno corpo. Lembrou-se imediatamente da jovem que vira no lago, e que o alertara sobre a presença de um youkai cruel naquela área.

- Entendo o motivo dela querer prevenir sobre esse youkai... – disse a si mesmo – Crueldade é pouco para denominar isso...

Juntou-se aos companheiros e fizeram o caminho contrário, buscando outro lugar para encontrar comida.


"Quem é esse youkai?" perguntou-se Heitaro, o jovem de cabelos curtos amarelos e olhos azuis, ao ver o desconhecido afastar-se "Sinto que você vai causar bastante problemas por aqui...".

Estava empoleirado em cima de uma alta árvore, livre de ser flagrado após o que fizera. Olhou para a criança morta no chão, e seus olhos brilharam, trocando o tom azul por um vermelho assustador.

"Ainda bem que consegui terminar de me alimentar... Seria muito chato se eu tivesse sido interrompido antes".

Desceu da árvore num pulo, observando o caminho que o youkai desconhecido havia tomado.

- Hiko vai gostar da noticia... – disse baixo – Aposto que esse adversário servirá para uma boa luta – concluiu deixando o local.


Yuki estava penteando os cabelos, de pé frente a um espelho de sua altura. Ouviu o barulho da porta da sala de entrada, e apenas olhou para trás, certificando-se de que a porta de seu quarto estava trancada. Terminou de prender os cabelos numa trança, e ajeitou o kimono de tecido grosso, um martírio para os dias de calor, mas uma prevenção para esconder o corpo dos olhares maliciosos de Hiko e evitar que Heitaro visse os ferimentos. Passou a mão levemente sobre um colar no pescoço, contornando com o indicador o pingente em forma de gota, de cor vermelha e parecida com uma pedra preciosa. Assustou-se com alguém tentando abrir a porta de correr, e apenas ficou olhando em silêncio.

- Yuki? – chamou a voz rouca do outro lado – Onde está seu irmão?

Ela respirou fundo antes de responder ao youkai que fazia seu sangue gelar.

- Ele deveria estar com você – respondeu firme – Vá procurá-lo em outro lugar!

- Como posso saber se ele não está aí? – perguntou Hiko – Abra a porta e deixe que eu veja...

- Vá embora, Hiko! – disse ela – Me deixe em paz!

- Ora, Yuki... – disse o youkai falsamente – Está com medo de mim? Eu não vou fazer nada...

- Vá embora! – gritou Yuki.

Ele forçou a porta, até que a tranca se arrebentasse, e a abriu com tudo. Yuki encostou-se na parede, temerosa com o que ele pretendia.

- O que quer? – perguntou ela – Não ouse mexer comigo hoje!

- Eu só queria ver se Heitaro estava aqui – respondeu Hiko sorrindo – E queria te mostrar também que não há como se esconder de mim.

- Saia! – disse ela – Saia, agora!

- É uma pena que só posso tocá-la na primeira noite de lua cheia, Yuki – disse Hiko aproximando-se – Eu a acho tão bonita, que a queria para mim sempre...

O youkai estava quase frente a frente com Yuki, quando ouviram o chamado de Heitaro, que acabava de chegar.

- Hiko? Yuki? – gritava ele da sala – Há alguém em casa?

Hiko deixou um impropério escapar entre os lábios ao ouvir Heitaro. Yuki sentiu-se aliviada de não estar mais à mercê do youkai, e deixou rapidamente o quarto, procurando pelo irmão, e forçando um meio sorriso ao encontrá-lo.

- Heitaro, onde esteve durante toda a noite? – perguntou ela preocupada.

- Eu e Hiko fomos... – começou a responder quando notou o youkai aparecer na sala - ...treinar um pouco, não é Hiko?

- Exato! – respondeu Hiko – Seu irmão vai se tornar um grande youkai, Yuki. Você vai se orgulhar dele.

- Eu sempre me orgulhei de Heitaro – disse ela sem olhar para Hiko – Não são as coisas que você ensina a ele que vão fazer o que sinto mudar...

- Não te alegra que ele esteja ficando mais forte? – perguntou Hiko passando por trás de Yuki.

- Ele não precisa ser mais forte...

- Claro que preciso, irmã! – interrompeu Heitaro – Como poderei tomar conta das Terras do Leste sendo um youkai fraco?

- Você é um meio youkai, Heitaro – lembrou-lhe Yuki – E nem há outros youkais por essa área para que você sinta a necessidade de defender essas terras...

- Pelo contrário, minha irmã... – disse Heitaro sorrindo – Acabei de encontrar um youkai andando sossegado por aí.

- Um youkai? – perguntou Yuki imaginando ser o mesmo que cuidava da menina Rin – Apenas um youkai?

- Sim, era apenas um youkai... – riu Heitaro – Mas isso não quer dizer que Hiko vai deixá-lo ficar livre por aí, não é?

- Eu também o vi, ontem – lembrou-se Hiko – Mas acredito que se você quer se tornar mesmo o senhor dessas terras, Heitaro, você é quem deveria expulsá-lo daqui.

- Não! – intrometeu-se Yuki – Não quero que você saia lutando com ninguém, Heitaro!

- E por que não? – perguntou Hiko encarando-a irritado.

- Heitaro é muito jovem...

- Na idade dele, eu já havia matado muita gente... – disse Hiko.

- Ele só tem 16 anos – disse Yuki abaixando o olhar ao ver o modo com que Hiko a olhava.

- Eu tinha menos que isso, para ser exato... – concluiu Hiko virando-se para Heitaro – Você já sabe o que deve fazer.

- Eu farei... – disse Heitaro sentindo-se um pouco intimidado com o fato dele mesmo ter que lutar contra outro youkai – Mas ele me parece bastante forte...

- Você também é, garoto! – disse Hiko – Você nem imagina quais são seus verdadeiros poderes...

- Não minta para ele, Hiko! – gritou Yuki – Heitaro não é um youkai com poderes físicos, você sabe disso!

- Sei que posso lutar, minha irmã! – interrompeu Heitaro – Eu sei muito bem como se mata alguém...

- O quê? – perguntou Yuki surpresa – Como assim?

Ela virou-se para Hiko, que exibia um sorriso vitorioso no rosto.

- O que você tem ensinado a ele? – perguntou ela – Não diga que está ensinado Heitaro a...

Ela levou a mão à boca, surpresa com o que pensara. Não podia acreditar que Hiko estivesse ensinando o irmão a matar friamente como ele fazia. Raptando pessoas nos vilarejos, geralmente mulheres e crianças, matando-as para beber do sangue delas, acreditando que o liquido ajudava a tornar mais poderoso.

- Heitaro... – disse Yuki encarando o irmão – Não faça isso...

- Eu estou fazendo o que os de minha espécie fazem, Yuki – respondeu o irmão – Youkais como nós se alimentam de sangue humano, é uma característica...

- Você é um meio youkai! – gritou Yuki – Não um selvagem como...

- Como quem, Yuki? – perguntou Hiko colocando-se na frente dela – Vai me chamar de selvagem, é?

Ela se calou. Tinha medo dele, era inegável, mesmo sabendo que ele não faria nada na frente de Heitaro. Mas quando chegasse a noite do mês em que o irmão se transformava num humano completo, ele cobraria dela cada palavra dita.

- Respeite o Hiko, minha irmã – disse Heitaro com sua cega devoção ao youkai – Ele está aqui apenas para ajudar a me tornar mais forte. É assim que agradece?

Yuki olhou para o irmão com mágoa, mas não disse nada. Passava por todo aquele sofrimento para proteger o irmão, já que Hiko dizia que o mataria se um dia ela contasse alguma coisa. E Heitaro o tinha com um deus, como o pai que nunca conhecera, e que o tratava maravilhosamente. Mal podia imaginar o quanto ele tornava-se cruel a sós com Yuki.

- Ela não precisa me agradecer... – disse Hiko sorrindo com o medo de Yuki – Ela já me suporta em sua casa, não tem porque agradecer...

- Eu vou me retirar, meu irmão – disse Yuki – Não demorarei a voltar, está bem?

- Está bem – disse Heitaro – Vá mesmo passear um pouco. Você está parecendo muito abatida para o meu gosto.

Yuki abaixou a cabeça e deixou a sala, encontrando o ar fresco do exterior da residência. Olhou para frente, sentindo vontade de entrar na mata e desaparecer, mas sabia que era impossível, já que o irmão é quem pagaria por isso. Sempre cuidara dele, e não o deixaria agora, no momento em que ele estava mais vulnerável. Desde que eram crianças, ela com apenas 6 anos e Heitaro com 4, e a própria mãe os largara sobre os cuidados de um monge, só tinham um ao outro.

Respirou fundo e caminhou apressadamente. Ia se afastar do castelo durante um bom tempo, sabendo que não conseguiria ficar dentro da casa junto com Hiko, a quem odiava do fundo do coração. Tinha também que procurar algumas ervas, com as quais preparava um chá que a protegia de ter um futuro ainda pior. Pelo menos o calor havia diminuído por conta da chuva que caíra durante a noite, e agora o ar estava mais fresco e convidativo a passear.


Sesshoumaru e o grupo haviam encontrado um outro lugar onde as árvores estavam também carregadas de frutos, e ali ficaram, aproveitando o clima agradável. O local com certeza já havia sido utilizado como pomar anteriormente, visto a disposição das árvores, mas agora estava livre para qualquer um que quisesse pegar das frutas.

"Aquele youkai deve ter afugentado todos os moradores dessa região..." raciocinou Sesshoumaru "Ninguém largaria terras tão férteis por motivos pequenos...".

Passou os olhos pelo lugar, uma planície com arbustos que começavam a crescer, carregando o ar com o cheiro de ervas, misturado ao das frutas. Estava de costas, certo de que o local estava livre da presença de estranhos, quando viu Rin sorrir e acenar para alguém. Virou o rosto rapidamente, encarando a jovem que estava há alguns passos de distância atrás. Mais uma vez não havia sentido a presença dela, e isso o incomodava.

- O que quer? – perguntou impaciente – Está nos seguindo?

- Não – respondeu Yuki sempre olhando para o chão – Estava passando aqui por perto, quando os vi. Foi bom ter encontrado você.

- Foi bom ter me encontrado? – repetiu desconfiado – Por quê?

- O youkai de quem lhe falei... – disse Yuki aproveitando para pegar algumas folhas de um arbusto ao lado de Sesshoumaru -...ele já o viu, e pretende encontrá-lo.

- E isso deveria me incomodar? – perguntou frio – Eu não temo o ataque de nenhum youkai.

- Você é bastante confiante, mas... – Yuki ia terminar a frase quando Rin aproximou-se de ambos.

- A srta está colhendo flores? – perguntou a garotinha – Se quiser eu posso ajudar.

- Eu agradeço sua oferta, Rin – disse Yuki sorrindo e passando a mão pelos cabelos da menina – Mas eu estou procurando ervas para um chá que eu preciso tomar.

- É para curar aquela dor que a srta sentia ontem? – perguntou ingenuamente Rin.

- Sim... – disse Yuki desmanchando o sorriso do rosto – É para aquela dor.

- O que aconteceu com a srta? – disse Rin – Para ter machucados nos braços dessa maneira?

Yuki olhou rapidamente para Sesshoumaru, envergonhada com a informação que a menina dava.

- Rin – chamou Sesshoumaru – Volte para junto de Jaken.

A menina obedeceu rapidamente, deixando os dois novamente a sós. Yuki voltou o olhar de novo para o chão, enquanto Sesshoumaru arrancava algumas folhas do mesmo arbusto que Yuki. Levou as folhas bem próximas do nariz, sentindo o cheiro da planta.

- É venenosa... – disse ele deixando as folhas caírem no chão – Não acredito que seja bom fazer um chá disso.

- Sim, são venenosas - disse Yuki pegando mais algumas folhas – Mas se forem preparadas com cuidado, servirão muito bem ao que quero.

- Imagino... – disse ele dando as costas – Faça bom uso do seu chá.

Ele começou a caminhar para junto dos companheiros, e Yuki ficou olhando para as folhas na mão, imaginando o quanto aquilo faria mal a ela dessa vez. Lembrou-se de dar um ultimo aviso ao youkai, e voltou sua atenção para ele, já quase junto à Rin.

- Youkai? – chamou ela, fazendo Sesshoumaru virar a cabeça apenas um pouco para trás – Fiquem longe do lago hoje, está bem? Se a Rin quiser tomar um banho, eu aconselho que procurem pelas fontes termais, onde estarão sozinhos, com certeza.

Sesshoumaru ainda esperou alguns segundos, para ver se ela falaria algo mais, depois voltou a caminhar.

Yuki despediu-se de Rin com um aceno, depois se virou para retornar ao caminho que seguia antes.

- Espere! – disse Sesshoumaru sentando-se embaixo de uma árvore – Qual o seu nome, humana?

- A garotinha sabe...

- Eu perguntei a você – disse Sesshoumaru.

- Yuki – disse ela.

- Yuki? – repetiu ele – Você nos levará até as fontes termais, está bem?

- Está bem... – respondeu Yuki desconfiada – Mas por que isso?

- Se é mesmo um local seguro, você irá na frente – disse Sesshoumaru – Eu não posso confiar na informação de uma desconhecida, de quem eu nem sequer sinto a presença.

Yuki passou a mão pelo colar no pescoço, depois deu um sorriso ao youkai.

- Entendo... – disse ela – Eu os levarei até lá, não se preocupe. Mas só poderei fazê-lo à tarde.

- Está ótimo – disse Sesshoumaru – Nós estaremos aqui.

Yuki concordou com a cabeça e partiu. Ficara feliz com o pedido, ou ordem, melhor dizendo, do youkai. Pelo menos não precisaria passar a tarde dentro de casa, respirando o mesmo ar que Hiko. E poderia mostrar a Rin o lugar maravilhoso onde se banhava quando estava livre da presença do irmão e do carrasco.

- Hei, Sr Sesshoumaru? – chamou Jaken que até então se mantinha abobado com a atenção que o amo dera a humana – O sr confia nessa mulher?

- Não confio... – respondeu Sesshoumaru – Tampouco tenho motivos para desconfiar. Ela parece honesta em suas preocupações, mas...

- Mas o que, Sr Sesshoumaru? – perguntou o servo.

- Não sentir nem mesmo seu cheiro me deixa intrigado... – completou sem dar mais atenção as palavras do servo ao seu lado – "Você guarda um mistério, Yuki... Mas qual?".


Yuki voltou rápido para o castelo. Entrou e foi direto para seu quarto, um aposento com uma pequena janela, onde só havia seu futon, um espelho e suas roupas guardadas num canto. Escondeu as folhas que havia acabado de pegar em meio às poucas peças do vestuário, e depois saiu do quarto. Passou em frente ao quarto de Heitaro, ao lado do seu, e ouviu a voz do irmão, num tom baixo, cauteloso, conversando algo com Hiko. Colocou-se perto da porta, tentando ouvir um pouco da conversa, e logo conseguiu ouvir seu nome ser pronunciado pelo youkai.


Hiko estava de pé olhando pela janela do cômodo enquanto conversava. Sentiu uma brisa balançar os cabelos negros, tirando-os dos ombros, e mostrando claramente os olhos avermelhados do youkai, a única coisa que o distinguia de um humano qualquer.

- Minha irmã está muito preocupada, Hiko – disse Heitaro – Será que devo mesmo procurar esse youkai?

- Está com medo, Heitaro? – perguntou Hiko sem tirar os olhos da janela – Lembre-se que você mesmo disse que esse youkai causará muitos problemas.

- Eu senti isso ao vê-lo – confirmou o meio youkai – Algo muito estranho o trouxe a essas terras, mas não sei o quê.

- Talvez ele queira tomar essas terras...

- Não creio – disse Heitaro – Eu confio em minhas visões, e elas me dizem que o Leste terá um grande mestiço como senhor absoluto.

- Um grande mestiço? – riu Hiko – Se espera que esse "mestiço" seja você, aja com um pouco mais de coragem.

- Eu o farei, mestre – disse Heitaro respeitosamente.

Hiko sorriu ainda mais. Sabia que o garoto faria o que quer que ele mandasse, sem se preocupar com a própria vida.

"Vá lutar, Heitaro..." pensou satisfeito "Se você falhar nessa luta, eu já sei quem será o mestiço que governará o Leste...".

Yuki saiu de perto da porta no momento certo. Poucos segundos depois o irmão a encontrava no corredor, com uma expressão bastante séria no rosto.

- Aconteceu alguma coisa, meu irmão? – perguntou ela fingindo estar chegando.

- Nada! – respondeu ele – Preciso sair, mas voltarei logo.

O meio youkai deixou a casa, e Yuki sentiu uma estranha sensação apertar-lhe o peito.

"Ele vai atrás do youkai..." pensou preocupada "Ele vai cometer uma besteira enorme...".

Hiko fechou a porta atrás de si, assustando Yuki.

- Ficamos eu e você... – disse ele – Vejo que meu dia será bem agradável.

- Você o incentivou a procurar o youkai, não é? – esbravejou Yuki esquecendo por um instante do medo que sentia – O que quer com isso? Quer que Heitaro morra?

- Se ele morrer, não serei eu quem vai chorar! – disse Hiko – E abaixe o tom da sua voz ao falar comigo, senão...

Yuki não esperou pelo restante da ameaça, deu as costas e tentou voltar para seu quarto, mas teve o braço segurado pelo youkai.

- Me solta! – disse ela com medo – Eu não vou deixar que me machuque!

- O que vai fazer? – perguntou Hiko arrastando Yuki para o quarto de Heitaro – Seu irmão não voltará tão cedo. E se bobear, nem mesmo vivo. O que vai fazer?

- Ele saberá que você me machucou – disse ela tentando se soltar – Me solta!

- Não, não saberá! – riu o youkai – A não ser que você mesma conte, e isso, eu não aconselho. Além do mais, hoje, eu não vou deixar uma marca sequer pelo seu corpo, Yuki. Eu não sou tolo de colocar tudo a perder!

Ele empurrou Yuki para dentro do quarto, fazendo-a cair de joelhos no chão. Ela tentou inutilmente correr até a janela, mesmo sabendo que jamais passaria por ela. Hiko agarrou os cabelos trançados dela, e jogou no chão novamente.

- Se você gritar, eu mato você – disse ele – Se você fechar os olhos, eu vou arrancá-los! Você vai encarar o seu destino, minha querida. E depois, quero que me agradeça de joelhos, como toda humana maldita deveria fazer!


Sesshoumaru franziu a testa, irritado com a ausência de Yuki. Olhou para Rin, que havia esperado ansiosamente pela humana, certa de que ela a levaria as tais fontes termais. O céu já começava a ficar num tom de azul mais escuro, e logo a noite chegaria de vez.

- Jaken – chamou pelo servo – Vamos procurar algum lugar para passar a noite.

Rin levantou do chão, e correu para perto do youkai.

- O Sr não vai esperar pela srta Yuki? – perguntou ela.

- Ela não virá, Rin – disse Sesshoumaru – Ela mentiu ao prometer que apareceria, e eu não vou perder meu tempo esperando por alguém como ela.

- Mas, e se ela aparecer? – disse a garotinha.

- Ela não vai! – disse Sesshoumaru firme – E ainda pressinto algo ruim. Monte em Aruru.

Rin correu para as costas do dragão, acomodando-se para que pudesse sair dali. Sesshoumaru conseguiu ouvir um pequeno barulho na mata ao redor de onde estavam, e sabia que não era Yuki que estava por perto.

- Vá para algum lugar seguro com a Rin e o Aruru! – Sesshoumaru ordenou a Jaken, que rapidamente subiu nas costas do youkai dragão e alçaram vôo.

Não demorou muito para que Sesshoumaru visualizasse o inimigo. O youkai de cabelos amarelos saiu do meio da mata, ostentando uma espada na mão direita.

- Você é o invasor de minhas terras? – gritou o adversário – Eu vim aqui para chutá-lo daqui!

Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha, surpreso.

- Você é o senhor das Terras do Leste? – perguntou – Um pirralho como você?

- Sim, sou eu o senhor das Terras do Leste – respondeu o youkai – Mas não sou um pirralho, e vou mostrar a você!

- Então, esteja a vontade para abreviar sua vida, pirralho! – esbravejou Sesshoumaru sacando a Toukijin – Quer lutar comigo? Venha!

Os dois se encararam mortalmente. Heitaro sabia que o youkai não era fraco, mas confiava em tudo o que Hiko havia lhe ensinado. Na mente de Sesshoumaru, apenas um pensamento veio à tona.

"Então aquela tal Yuki armou uma armadilha para mim?" pensou irritado "Ela pagará por isso!".

Os dois correram de encontro um ao outro, fazendo as lâminas das espadas se chocarem no ar, causando um barulho metálico.

- Eu vou mostrar quem é o pirralho! – gritou Heitaro.

- Tente!


Pois é, minha gente! A luta só no próximo capítulo, desculpem. E um pouco de romance também, só no próximo cap. Queria agradecer de coração às 9 reviews do primeiro cap. Sabem como isso motiva, não é? No mais, até a próxima. Abraços!