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*-*-* Perverse Beat *-*-*

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Capítulo 1

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Kagome ajustou o travesseiro sob a cabeça de seu irmão mais velho. Ela alisou o cobertor sobre seu colo. Arrancou um fio de cabelo de sua camisola de hospital e atirou-o no tapete azul claro. Deslocou o braço em uma posição mais natural ao seu lado. Lambeu o dedo e esfregou em uma mancha de mostarda perto do canto de sua boca.

Estremecendo, Souta virou a cabeça, tentando escapar de seu banho de saliva.

"Você pode parar com isso, Kags?"

"Desculpe," disse ela. "Estou nervosa. Eles estão realmente vindo?"

"É claro que eles estão vindo. Eles estão de volta em turnê na semana que vem e não me demitiram ainda." Souta fez uma careta e apertou o cobertor com uma mão. Ele quase podia segurá-lo com força agora. Kagome oscilou entre orgulho e desespero, quando confrontada com o quão longe Souta tinha vindo desde o acidente, e até onde ele precisava ir em sua recuperação. "E eles nunca vão aceitar este plano, Kags. Nunca."

"Eu vou apenas preencher o seu lugar temporariamente, Souta. Até que você possa voltar em turnê com eles. Você é, sem dúvida, o melhor engenheiro de som do planeta, e você tem a solução perfeita para o seu dilema. Eles não vão te demitir."

"Eles realmente não tem escolha, Kags. Eu não posso continuar como seu engenheiro de som se eu não posso alcançar minha mesa de som. E mesmo se eu pudesse alcançá-lo, não há nenhuma maneira que eu possa ajustar os controles, rápido o suficiente para manter ritmo com a banda durante um show ao vivo."

"Mas você vai, Souta. Você só precisa de mais tempo para se recuperar. Eu posso cuidar de sua mesa de som até que você esteja pronto para voltar ao trabalho. Estou feliz em ajudá-lo." Na realidade, ele a estava ajudando tanto quanto ela o estava ajudando. Nenhuma banda de metal queria contratar uma mulher engenheiro de som. Souta tinha avisado a ela antes de começar o curso. Disse-lhe que ela ficaria presa mixando música pop em shows em shoppings. Ela estava determinada a mostrar-lhe o contrário, mas, até agora, sua determinação a tinha levado em um longo caminho em direção a lugar nenhum. Se alguém pudesse apenas dar-lhe uma chance, ela iria mostrar que uma mulher poderia ser tão metal como um homem.

"Eu sei o quanto você quer ajudar, mana, mas eu não acho que eles vão concordar com isso. Você tem que começar de baixo e trabalhar até o topo, e não esperar conseguir um emprego com uma das maiores bandas da indústria recém saído do curso."

Com o coração afundando, ela suspirou. Tentou não fazer beicinho demais. Ela sabia que ele estava certo, mas a paciência nunca tinha sido a maior virtude de Kagome. Na verdade, a paciência nem sabia onde ela morava.

"Mas eu farei o meu melhor para fazê-los ver que esta é uma solução viável," disse ele. "Que você é boa o suficiente para tomar o meu lugar."

Ela deu um sorriso de fazer-o-irmão-mais-velho-se-sentir-como-um-super-herói.

"Sério?"

"Só não fique muito desapontado se eles disserem não."

Iria acabar com ela. Ela adorava o Zuìrén e todas as notas de todas as músicas que já tinham sido produzidos por suas mãos talentosas, dedos, bocas, pés e qualquer outra parte do corpo que eles usaram para criar música. Na faculdade, Kagome tinha feito seu projeto de graduação sobre o Zuìrén. Ele havia sido proclamada brilhante e a levou a ser a melhor de sua turma. Souta sorriu, seu olhar movendo-se do dela para o cabelo recentemente tingido. Ele se encolheu.

"Mamãe já viu o seu cabelo?" Questionou.

Kagome sorriu e alisou o cabelo loiro platinado na altura dos ombros com uma mão. Recentemente, ela havia tingido a parte interna de seu cabelo, de azul cobalto. Desde que recuperou seu cabelo, ela gostava de fazer coisas que chamava a atenção para ele. Estranho como ficar totalmente careca com vinte e quatro faria isso com uma garota. Além disso, Kagome sempre amou colocar sua mãe em ataques apopléticos, mesmo que isso significasse ser submetida a exorcismos regulares.

"Você acha que ela vai gostar?"

"Hum, não."

"Ótimo." Ela riu. "Então, todos os membros da banda vem visitá-lo?" Seu coração bateu com entusiasmo.

Souta sorriu para ela.

"Será que Ash estará com eles, você quer dizer?"

Pega. Ela meio que tinha um desejo ofegante pelo guitarrista do Zuìrén, Ash Namura e Souta sabia. Provavelmente porque toda vez que falava com Souta, mandava uma mensagem, ou e-mail, ela sempre perguntava como Ash estava indo. Souta sempre dizia a ela quem Ash estava comendo em seu lugar. Não tinha conseguido diminuir seu interesse nem um pouco. Pelo contrário, a longa lista das conquistas de Ash o tinha deixado mais intrigante. Kagome tinha certeza que ele poderia lhe ensinar uma coisa ou duas no quarto, e ela estava extremamente precisando de um pouco de atenção nesse departamento.

"Eu não tenho certeza se Miroku já voltou a cidade," disse Souta. "Ele provavelmente, ainda em Kansas City com sua esposa, mas eu tenho certeza que o resto deles vai estar aqui Incluindo Ash-Não-Mantém-as-calças-fechadas-Namura. Seria melhor você ficar longe dele, Kags."

Uh, não, isso não seria melhor em qualquer trecho da imaginação. O homem foi feito para ser devorado inteiro. Quem se importava com indigestão? Não ela.

Um punho bateu contra a porta.

Eram eles? O coração de Kagome deu um salto.

"Entre," Souta chamou.

A porta se abriu e o homem de sonhos molhados de Kagome colocou a cabeça para dentro do quarto. Cabelos negros obscurecendo um sensual olhar verde, sensualidade escorrendo por todos os poros, Ash Namura escaneou Kagome da cabeça aos pés. Seu corpo inteiro corou com o calor. Ash ofereceu a Souta um sorriso torto. Sua temperatura subiu mais alguns graus.

"Desculpe interromper as festividades, cara." Ash levantou ambas as sobrancelhas escuras, uma perfurada com uma pequena argola de prata.

"Nós vamos voltar mais tarde."

Ele fechou a porta.

Ó meu Deus, ele está fugindo!

Kagome correu através do quarto e abriu a porta.

"Espere, não vá. Não há festividades. Eu sou a irmã mais nova de Souta, Kagome."

Inuyasha tirou a mão da testa de Shippo e ficou boquiaberto.

Por ela.

Por uns cinco minutos.

Ele esqueceu por que ele tinha Shippo em um estrangulamento. Algo sobre um anel de noivado e a namorada dominatrix de Shippo, Yura. Esqueceu que não podia esperar para pegar um novo prato feito sob medida para sua bateria depois de terem visitado o, qual-seu-nomeSouta! — Que tinha acabado de ser levado para casa do hospital. Esqueceu que para caminhar era necessário uma sequência de pé esquerdo, pé direito, e não à esquerda, esquerda, esquerda, tropeçar, pé direito. Esqueceu que, a fim de inspirar, seu peito tinha que expandir.

Inuyasha se engasgou com sua própria língua.

Foi ela. Parada bem ali. Devia bater em seu ombro. Pequena. Feminina. Cabelo loiro e azul compridos. Bonita e adorável em suas meias diferentes, um top roxo e uma minissaia verde. Realmente era ela. A mulher dos sonhos molhados de Inuyasha.

E ela estava babando sobre Ash.

Filho da puta.

Espere, Inuyasha pensou. Talvez ele estivesse tirando conclusões precipitadas. Talvez os sinais estivessem todos errados. Ele nunca tinha realmente visto ela antes, então tinha que ter certeza. Inuyasha levantou a longa mecha de cabelo que tingia de uma cor vibrante diferente a cada 49 dias, sem falhar e olhou para ele. Sua memória lhe tinha servido corretamente. Estava atualmente azul cobalto — Exatamente o mesmo tom que a camada interna do cabelo dela. Quais eram as chances? Tinha que ser Sorte. Destino. Providência. Todos os itens acima...

Ela disse que seu nome era Kagome. Esse era o nome favorito de Inuyasha. Pelo menos, agora era.

Kagome arrancou os olhos de Ash tempo suficiente para perceber Inuyasha examinando seu próprio cabelo como um idiota.

"Cor legal," disse ela com um sorriso travesso.

Inuyasha ficou boquiaberto.

Por ela.

Por uns cinco minutos.

A conversa continuou em torno dele, mas não conseguia parar de olhar. Seus olhos ficaram secos e irritados, porque ele se recusou a piscar.

Alguém lhe deu um tapa ao lado da cabeça. Inuyasha se assustou e virou a cabeça para encontrar Seshoumaru, vocalista do Zuìrén, olhando para ele como se estivesse esperando por algo.

"E então?"

"Então, o quê?"

"Você acha que devemos dar uma chance?" perguntou Seshoumaru.

Aparentemente, Inuyasha tinha perdido alguma coisa, enquanto ele tinha ficado boquiaberto, tropeçado, se asfixiado, e encarado um pouco mais, e não piscado — Não exatamente nessa ordem.

Shippo bateu nas costas de Inuyasha.

"Você está bem aí, Sutikku?" questionou. "Comeu algum queijo estragado?"

Queijo? Que porra é queijo?

O cérebro de Inuyasha geralmente funcionou muito bem, mas, aparentemente, não com aquela criatura deliciosa na sala.

"Eu prometo fazer o meu melhor," disse Kagome, sua voz suave criando uma mistura de todos os tipos de emoções estranhas no peito de Inuyasha. Ela soltou o braço de Ash e moveu-se para ficar diretamente na frente de Inuyasha. O cheiro de morango de seu shampoo deixou seus joelhos fracos. Ou talvez tinha sido aquele par de olhos azuis bebê olhando para ele por baixo de grossos, cílios negros.

"Você vai me deixar trabalhar para você?" Ela tocou o centro de seu peito e seu coração disparou contra seus dedos. "Você não vai se arrepender."

Inuyasha engoliu em seco. Ele não tinha ideia do que ela estava falando, mas trabalhar para ele a qualquer título soou muito bem e ótimo para ele.

"Sim."

Ela emitiu um pequeno grito feliz, colocou os braços ao redor dele, e apertou. Ela quase o pôs fora de equilíbrio quando pulou de cima a baixo com entusiasmo. Antes que ele pudesse tomá-la nos braços e levá-la ao juiz de paz mais próximo para recitar os votos eternos, ela soltou-o e abraçou Shippo, então Seshoumaru. Inuyasha se encolheu quando ela se grudou a Ash. Era cem por cento óbvio que ela o queria. Agora que ele e Ash Namura eram os únicos dois homens solteiros restantes na banda, Inuyasha pensou que ele teria muito boas chances de pegar uma garota legal para si mesmo.

Não muita sorte.

Ash sussurrou algo em seu ouvido. Ela riu e sussurrou:

"Aqui não."

Inuyasha voltou, encontrou a parede mais próxima, e repetidamente bateu a cabeça contra ela.