Inocência manchada
-/-/-/-/-
Esperou até que a respiração do garoto se regulasse, quando percebeu que estava dormindo levantou cuidadosamente e caminhou até o banheiro. Olhou o próprio reflexo no espelho. Sentia-se horrivelmente culpado. Seu corpo ainda sentia resquício do prazer, o rosto estava corado e sua própria respiração ofegante. Ainda sentia trilhas de calor por onde as mãos correram, o ardor de alguns dos arranhões e frio quando o ar passava onde estivesse molhado. Estava nu, cabelos desalinhados e sujo. O que o atormentava não eram esses fatos, ou que acabara de transar com um cara. O que o atormentava e cortava seu peito era que Dick Grayson tinha apenas treze anos. Era uma criança e ele não conseguira se segurar.
Olhou fundo nos próprios olhos. Como será que ele parecera para Dick? Ele era um jovem de dezesseis, com o corpo quase completamente desenvolvido após a puberdade. Dick era pequeno e frágil e, até menos de uma hora atrás, virgem. Wally queria bater a cabeça na parede. Olhou para a porta aonde podia ver o garoto dormindo exausto. Gemeu baixinho de pura culpa, então o som o lembrou da atividade de momentos atrás, corou. O garoto era terrivelmente bom, boa parte por culpa do treinamento de acrobata. Ele conseguia mover os quadris em direções que não eram naturais.
Lembrou de quando aquilo tudo começou, as ações que o levaram a perder o controle. A forma como o garoto começou a ficar perto, muito perto. De como ele começara a cheirar cada vez menos a colônias e perfumes. Os olhares. Os toques. A mão que caia em sua perna e era esquecida, a cabeça que pousava em seu colo, os abraços que não eram rompidos, lábios que encostavam na pele durante sussurros. Wally não soube dizer quando percebeu, mas chegou ao ponto que era impossível ignorar o flerte descarado.
Então Wally começou a retribuir, sem nunca chegar as vias de fato. Aquilo criara uma tensão sexual entre eles que deixava Wally louco. Os quase beijos trocados entre as missões, ou em corredores pela Mount Justice. Nada se comparava ao jovem ofegante, os lábios quase tocando os seus, as pontas do dedo pela sua costa e face, o espaço milimétrico entre os corpos, sem nunca se encostarem. Talvez apenas saber que o garoto estava no chuveiro ao lado enquanto se tocava tentando de forma bem sutil deixar claro o que fazia no seu box, e ouvir um gemido baixo seguido por um corpo se apoiando fracamente contra a fina parede entre os chuveiros, seu nome sendo sussurrado.
Estremeceu, se irritando com a facilidade com a qual se excitava. Ele havia jurado para si mesmo que manteria o controle, era o mais velho dos dois. Que não importa o quanto o garoto o tentasse ele respiraria fundo e se afastaria, não seria ele a deflorar um garoto de treze anos. Não foi exatamente como aquela noite terminou.
Não era a primeira vez que passariam a noite juntos depois que começaram esse jogo. Mas normalmente não chegava a ser um problema, além das cuecas sujas. No geral envolvia um pouco mais daquele perto sem nunca encostar, dos toques suaves com as pontas dos dedos, embora um pouco de roçar de lábios fosse acrescentado, sem nunca virar um beijo. Murmúrios sussurrados contra a respiração um do outro, toques com a ponta do nariz pela bochecha e pescoço. E as coisas que um dizia para o outro. Wally fechou os olhos com força tentando se lembrar que deveria estar tecendo comentários maldosos e culpados contra si mesmo em vez de se lembrar dessas coisas.
Eles nunca declararam nada sobre como se sentiam, nem sobre como se desejavam, embora qualquer mirada rápida para as partes inferiores deixasse bem claro a posição de ambos com relação a segunda questão. Mas haviam implicações, pequenas sugestões perdidas em frases levemente desconexas. Oh, e a vez do pirulito, embora Wally tenha descoberto a referência, ele continuava adorando a lembrança. Dick encenara uma parte de uma série, "Bad Teacher", onde ele pegou um pirulito lambeu e chupou, sem desviar o olhar do seu e pediu perdão, mas ele tinha essa mania de sempre precisar manter a boca ocupada. Wally não conseguiu parar para raciocinar pelo resto daquele dia.
Ele não sabia dizer o que tornou aquela noite em específico muito diferente das anteriores. O que o empurrara para além da beirada do abismo. Havia aquela tensão entre eles que já era quase que padrão. Ele se esforçava o máximo para sempre usar uma cueca muito apertada e uma calça muito folgada quando estava perto do garoto. Ele se perguntava como ninguém ainda apontara o fato de estar duro quando usava o uniforme. Era automático, os dois estavam na mesma sala e Wally ficava excitado. Uma vez tomara coragem para olhar na direção de Dick para confirmar, não era apenas ele. A excitação constante se tornou rotina para o ruivo.
Talvez a culpa tenha sido mesmo sua. Afinal, tudo começou no Mount Justice e ele que os levou a ficarem sozinhos, pois não conseguiria mais segurar um gemido na frente de todo o time.
Eles estavam assistindo TV, ou ao menos ela estava ligada enquanto Dick montava em seu colo, de joelhos no sofá, falando alguma coisa com Megan que estava na cozinha. O Time planejava uma noite de filmes e ela ficara responsável pela comida. Dick colava o corpo contra o seu, Wally permitiu-se correr as mãos pela perna e nádegas do menor, contornando os músculos. Quando a marciana saiu para chamar o resto do pessoal se sentou sobre o joelho do ruivo, lhe sorrindo maliciosamente, fechou a mão contra a camiseta que o velocista usava e enfiou o rosto no pescoço do outro, deixando que a língua encostasse na pele sardenta enquanto falava.
-Estamos um pouco impacientes hoje, não estamos?
Wally suspirou.
-Ro-Robs...
Os sussurros que se seguiram ele não compreendeu nada, mas ele conhecia a língua muito bem, ela fazia parte dos flertes, depois que Grayson percebeu o quanto ele se remexia sempre que deixava-se falar em romani. Wally fechou os olhos e permitiu que o garoto o tentasse até quase o limite. As mãos que apertavam sua camisa o deixava consciente sobre estar sendo dominado. Uma mão achou o caminho para a base das costas do menor e o puxou um pouco mais perto, finalmente colando o peito dele contra o seu, suspirou aliviado vibrando um pouco. O garoto cortou a própria fala e deixou um gemido estrangulado escapar. Ambos se afastaram e olharam fundo nos olhos um do outro, era quase como se o acordo silencioso entre eles estivesse sendo quebrado. Antes que Wally pudesse quebrar seu código de honra o zeta-beam anunciou a chegada de Aqualad e com isso o resto do time veio para a sala.
O garoto saiu do colo do ruivo e sentou ao seu lado. Ambos ficaram com o sofá enquanto Megan e Conner deitavam abraçados no chão, Kaldur enrolara-se numa poltrona e Artemis enviara mais cedo uma mensagem avisando que não apareceria, estava em Star City patrulhando com o mentor. Uma mão de Dick caiu sobre uma perna, arranhando levemente o tecido da calça. West usou sua mão para acariciar o braço do outro, tocou superficialmente a mão sobre a perna, subindo pelo antebraço, invadindo a manga e arranhando levemente a pele. Empurrou o mais novo para deitar com as costas no sofá, subindo em seu corpo. Vibrou levemente quando o moreno ergueu suave os quadris, roçando contra os seus. Ergueu o olhar e encontrou com os óculos. Frustrado ele murmurou:
-Quer ir pra mansão?
Dick travou, parecendo encabulado ao olhar ao redor, quase tímido. Então ergueu o rosto e acenou um sim. Wally saiu de cima dele e sem mais nenhuma palavra teleportaram para a batcave. Atravessaram toda a caverna e a mansão em silêncio, Wally caminhando um pouco apressado a frente, arrastando o menor pela mão. Assim que entraram no quarto de Dick, o ruivo estendeu a mão e jogou os óculos longe. Tudo que ele queria era olhar naqueles olhos e ver o próprio desejo sendo refletido de volta. Dick enrolou os braços ao redor de seu pescoço. Podiam perguntar a qualquer um dos dois que nenhum poderia responder quem fora que se inclinara primeiro, mas ambos se beijaram. O primeiro toque fora eletrizante. Apenas um roçar demorado de lábios, finalmente se tocando. Se afastaram, olharam fundo um nos olhos do outro e então se beijaram de verdade.
O beijo foi desesperado e profundo. O garoto empurrou o mais velho em direção a própria cama, incapaz de se conter. Wally gritava mentalmente "não vou além de um beijo". Mas assim que pousou as costas no colchão e sentiu o menor montar no seu colo, ele esqueceu completamente a própria promessa. Levantou o torso arrancando a camisa dele, beijando cada pedaço de pele exposta. Arranhou e mordeu deixando marcas, começou a vibrar. Sua mente girava. "Um pouco mais e eu paro. Só um pouco mais". Dick gemia e se contorcia sobre sua virilha criando uma fricção que nublava seus sentidos. Apertou o corpo contra o seu aumentando a vibração.
-Não tão rápido, eu mal estou sentindo seu corpo vibrar. Isso – gemeu. - Mantenha assim.
-O que você quer que eu faça? - sua voz mais parecia um rosnado, ele não conseguia articular as palavras muito bem.
-Continue vibrando. Agora, tire a sua roupa, e não use velocidade – o ruivo alegremente obedeceu, tirando a camisa facilmente, mas lutando contra as calças para não precisar afastar o menor. - Deite de barriga para cima. Tente não gritar.
O rapaz se afastou até estar sentado em sua coxa. Então curvou o corpo e começou a beijar aonde conseguia alcançar. Seu pescoço, ombro, peito, barriga. Ele enfiou a língua em seu umbigo e mordeu a pele ao redor. Desceu mais e mordeu a parte interna da coxa, perto demais. Lambeu um caminho para cima, parando sobre sua ereção. Soprou suavemente a cabeça e então o colocou inteiro na boca. Wally gemeu um xingamento.
-Você é maior do que eu esperava – murmurou brincalhão, o segurando agora em suas mãos, os lábios meramente o tocando.
-Muito desejo acumulado – respondeu ofegante.
-Consigo ver – e o abocanhou de novo.
Ele sugou e lambeu, fazendo movimentos com a língua. Wally invariavelmente lembrou do maldito pirulito. Depois de algum tempo segurando o máximo de controle que conseguia, empurrou o rapaz. Queria explicar o porque o afastara, mas o sorriso de Dick lhe dizia que ele sabia. Curvou-se para o lado, de forma não muito natural e puxou algo do criado-mudo. Um sachê que ele nunca vira antes e uma camisinha. O garoto habilmente envolveu sua ereção, enquanto West se preocupava em o deixar igualmente nu. Grayson então pegou o sachê, abrindo com os dentes, puxou uma mão do rapaz maior e deixou um líquido viscoso escorrer em seus dedos. Então guiou a mão para sua entrada. Wally não precisou ser explicado sobre o que deveria fazer.
-Onde você aprendeu tudo isso? - perguntou confuso e admirado, penetrando um dedo no rapaz.
-Internet. E caso queira saber, também compr... ah... comprei essas coisas lá – ele jogou a cabeça para trás, deixando-se levar pela sensação.
Wally enfiou outro dedo, alargando a entrada dele. Tentava ir o mais fundo possível, atrás da próstata. Girou o pulso um pouco e arrancou um suspiro, cada suspiro ou gemido faziam seu corpo esquentar. Adicionou um terceiro dedo, alcançando um pouco mais fundo, buscando. Dick gritou algo em romani.
-Aí, de novo, faz de novo – girou o próprio quadril contra a mão do ruivo. Wally fez o que ele pediu, adicionando uma vibração. Dick gritou novamente, uma enxurrada de palavras em outra língua, e gozou. - Maldito – Wally sorriu para ele retirando os dedos.
Tentou se levantar para mudar as posições, mas o garoto colocou um pé em seu peito o prendendo no colchão. Apoiado no outro joelho ele levantou o corpo e sentou sobre sua ereção. O ruivo estremeceu e mordeu os lábios segurando um grito de prazer. O moreno sequer esperou se acostumar e começou a mover os quadris com velocidade. West ergueu o corpo e jogou o menor de quatro contra o colchão, vibrando em excitação, o puxou um do braços e o penetrou. Dick gritou de prazer, pedindo por mais. Wallace sentia-se extremamente culpado por essa parte em específico. Pois ele mal escutava o garoto sob si, vibrando e ofegando ele deixou-se levar pela situação e deixou a velocidade tomar conta. Richard gozou mais uma vez, soltando um grito estrangulado, e desmaiou. Wally sentou ofegante ao seu lado, trêmulo, observando o menor deitado ele se tocou breve e fortemente gozando logo depois.
-Di-Dick? - chamou devagar. - Ei, não me diz que eu te machuquei. EI – chamou mais alto e o garoto acabou acordando, meio trêmulo, eles se encararam profundamente. - Eu te machuquei?
-Não, eu só... eu nunca senti... muito bom... - disse ofegante. - Você estava acertando naquele lugar demais, rápido demais... eu... wow... - e deitou sobre as costas. - Eu achava que o que a gente tinha já era bom, eu era mesmo imbecil – e sorriu. Fechou os olhos e começou a adormecer. - Desculpe... mas eu não aguento ficar acordado...
E agora ele estava parado no banheiro. Se culpando de ter tomado o rapaz. Suspirou e tomou uma toalha a embebendo com água e levando para limpar o suor do garoto. Jogou fora o preservativo usado. Olhar para Dick adormecido era ainda pior, pois ele parecia ainda mais inocente dormindo. Ele sentia-se horrível, pois, por mais culpa que carregasse, não se arrependia de nada que acontecera naquela noite.
