Autora do POV: Kiyavi_M
Beta: Niu
Casal Principal: Sasuke + Naruto
Gênero: Universo Alternativo, Yaoi, Angst, Amizade, Romance, Drama, POV.
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Sasuke
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Lá estava eu novamente, sentado dentro de uma sala branca com o olhar da secretária sobre mim. O som ambiente era do zumbido baixo da máquina de café e o cheiro forte do liquido escuro impregnava o lugar. Aquela cena era quase idêntica, apenas os personagens secundários se modificavam, assim como o cenário, mas a idéia central sempre era a mesma: Eu, a espera de me encontrar com algum diretor escolar semelhante a todos os outros. Semelhante?! Não. Eles se modificavam dentro de uma mesma caricatura rotineira.
Alguns tentavam ser o 'bom senhor', o 'diretor gentil e compreensivo', outros eram 'os durões' com suas caras feias, como se o medo imposto aos alunos fosse adiantar alguma coisa e discipliná-los; ainda tinha os 'diretores divertidos', aqueles que se igualavam aos estudantes, achando que a diferença de idade e de pensamento fosse inexistente. Estes eram os mais patéticos para mim, mesmo tendo uma grande aceitação estudantil. Idiotas. Qual seria o clichê desta vez?
Apesar de tudo, eu estava calmo; pelo menos, dentro do possível. Aquelas visitas não me afetavam mais. O mesmo parecia acontecer com o outro; ele me parecia calmo e indiferentemente frio diante da perspectiva de encontrar uma figura de autoridade.
De duas uma: ou ele sabia se controlar muito bem e disfarçar o medo, ou ele era durão mesmo. Qual das duas alternativas seria a verdadeira? Parece que descobrirei em breve. Digo isso pois estava tendo como companhia o garoto estranho ao qual tinha me 'juntado', e que, naquele momento, estava sentado ao meu lado.
E eu estava lá, parado e observando tudo ao meu redor. Sentindo aquela luz fria afetar meus olhos. Sentado displicentemente sobre uma cadeira desconfortável, tendo que agüentar o som insuportável da respiração dele sem poder fazer nada que pudesse apaziguar a frustração de não ter tido uma oportunidade maior de terminar com o que havia começado. Queria acabar de esmagar a cara dele.
Segurei a raiva ao fechar uma das minhas mãos sobre a cadeira, e apertei com a outra o saco de gelo que me mandaram pôr sobre o olho que aquele garoto ruivo acertou. O sangue que antes escorria sobre este havia se estancado, mas a dor ainda era um pouco latente.
Senti sua respiração bufante voltar em minha direção e seu olhar cair sobre mim. Me virei, fazendo com que nossos olhares se encontrassem. Pude ver a minha própria raiva refletida em seus olhos; por ele, e por mim também, nós acabaríamos com aquilo ali mesmo, tendo a cansada e enfadada secretária como testemunha. A promessa de que o nosso assunto ainda não havia sido resolvido ainda estava presente em nossas energias arredias.
Meu corpo todo tremeu em ódio e pude sentir um rosnado involuntário sair de minha garganta. Mas, ao ver a nossa postura, a jovem senhora nos advertiu, pigarreando alto para chamar a nossa atenção. E, rapidamente, voltamos novamente ao nosso estado letárgico anterior.
Não sei como permiti que aquele esquisito chegasse tão longe. Como ele se atreveu a me tocar ou me bater? Encostei em meu rosto, por baixo do gelo, na parte onde ele havia me acertado e me encolhi devido à reação da pequena dor que se reiniciou. Mesmo tendo minha pele dormente e siberialmente abaixo de sua temperatura normal, ainda podia senti-la pulsar.
Mas o que mais me incomodava era a tinta jogada sobre meu corpo que começava a secar, deixando minha pele repuxada e meu cabelo grudado. Idiotas. São todos uns idiotas. Nesta, como em todas as demais escolas ao qual já passei durante minha curta vida. Esta era apenas mais uma. A quinta em quatro anos. Mas isso não importa, e nem me afeta mais, pois descobri que todos são grandes imbecis. Aqui, porém, parecia ser diferente; havia uma quantidade maior deles por metro quadrado.
- Eu ainda te pego. - Falei baixo, mas alto o suficiente para que ele escutasse, e recebi um olhar atravessado e outro murmúrio como resposta à minha provocação.
Aquilo imediatamente trouxe à minha memória a face abobalhada daquele que me jogou a porcaria que grudara em meu corpo. Um sorriso de satisfação surgiu em meus lábios ao rever seu pânico quando percebeu que eu estava correndo em sua direção. E a sua expressão amedrontada quando o joguei contra a parede, era quase uma piada fixada em minhas retinas.
Um otário e covarde. Alguém que precisava de ajuda para se defender era digno de pena; somente um covarde permitiria que outro tomasse a sua briga.
A porta se abriu lentamente, como em um filme de terror, e a figura estranha do diretor surgiu entre ela. Naquele momento, por um instante, por uma fração de segundos, senti medo. Ele nos olhou com imparcialidade e nos mandou entrar. Adquiri novamente a minha postura naturalmente pretensiosa e me levantei. Se eu estava indo para o abate, pelo menos seria em grande estilo e sem covardia.
Novamente a imagem daquele dobe surgiu à minha frente. Apesar de ele ser um covarde e um fraco, mesmo assim eu irei acabar com ele. A culpa de eu estar me dirigindo à sala do diretor, olhando para esse velho enquanto ele puxava a minha ficha estudantil, era toda dele.
Sentei em uma das cadeiras em frente à grande mesa de madeira cheia de papeis e porta retratos, enquanto o ruivo se sentou na outra. Ambos virados para frente, evitando que nossos olhares se encontrassem novamente.
Percebi que a postura do outro se modificara no momento em que ultrapassou a porta; esta havia se tornado menos provocativa e mais rígida, quase amedrontada, mas um pouco relaxada também. A petulância havia sumido por completo.
Não sei informar o que aquilo causou em mim, mas descobrir que aquele esquisito não era tão durão quanto aparentava ser, foi um pouco mais que gratificante.
Meus olhos caíram sobre a sala. Observei como era grande e estranhamente cheia de fotos. Fotos espalhadas pelas paredes, imagens de jovens de variadas idades, vestidos com o uniforme do colégio ou com uniformes esportivos. Troféus. Aquelas fotos eram troféus que aquele velho guardava orgulhosamente dos feitos de seus alunos vencedores.
- Sr. Uchiha, não pensei que fosse vê-lo tão cedo na minha sala. – Ele fez uma pausa. – E você de novo aqui, Gaara. Não tínhamos combinado que você evitaria novas confusões?
Escutei o velho estranho dizer calmamente, enquanto nos olhava de forma plácida. Eu o ignorei, como sempre fazia com aqueles que não me importavam, mas vi o outro abaixar o olhar quando ouviu o diretor se reportar a ele.
Desviei meu olhar para a janela e encontrei, junto a outros garotos, o responsável por eu estar ali. Provavelmente a espera de alguma notícia de seu amigo. Aquilo apenas fez a minha raiva contida aumentar e com ela a vontade de quebrar a cara daquele dobe.
- Você mal chegou e já se meteu em confusão. Diga-me, o que aconteceu Uchiha? Por que você está desta forma?
Ouvi novamente suas palavras calmas e as menosprezei outra vez Não iria reclamar de minhas brigas. Eu luto sozinho as minhas guerras e batalhas. Não costumo pedir auxílio a soldados para isto.
Eu continuei a olhar pela janela quando vi aquele loiro imbecil rindo. Rindo não, gargalhando por algo fora da minha compreensão. Eu estava ali, todo ferrado, enquanto ele estava lá fora, gargalhando, salvo de qualquer problema a que viria. Em um momento de raiva e com a vista pregada nele, respondi.
- O garoto loiro... – Parece que o velho soube imediatamente de quem eu estava falando, pois uma respiração mais pesada foi ouvida ecoando pela sala.
- Por que você agrediu o Uzumaki? Pois me informaram que foi você que começou a confusão ao agredi-lo.
O velho era insistente, muito mais do que os outros diretores ao qual já visitei. Mas se ele sabia o que havia acontecido, por que me fazer tantas perguntas? Eu não tenho muita paciência para aqueles que tentam chamar a minha atenção.
Porém, voltei o meu olhar para ele quando ouvi o nome dito. Uzumaki. Então este era o nome daquele que eu iria esmagar. Com meus olhos voltados para o diretor, eu pude perceber que ele, de alguma forma, pensou que sua tática havia funcionado, pois abriu a sua pasta e sorriu vitorioso para mim.
- Então, irá me contar, Uchiha?
- Não tem nada para contar, senhor - Eu o respondi somente para ele terminar com aquele relatório e chamar logo meus pais. Eu queria mesmo era ir para casa e tomar um banho para retirar aquela porcaria de cima de mim.
O velho diretor percebeu, em meu rosto novamente voltado para fora da janela, que não conseguiria retirar nada de mim. Ponto para ele; além de insistente, ele era inteligente. Então o ouvi se dirigir ao outro.
- E você, Gaara? Também não tem nada para me dizer? Ou irá me contar o porquê dos dois estarem se engalfinhando no corredor?
- Ele estava agredindo o Naruto... – O garoto respondeu com uma voz firme, mas com um pouco de receio. Medroso. E covarde, jogando a culpa para mim.
- Ele fez isso comigo, seu idiota. Você queria que fizesse o quê? – Respondi, quase o atacando novamente.
Meu corpo chegou a se levantar da cadeira de onde estava, mas escutei uma palavra de basta e uma ordem para que eu me sentasse novamente. Não gosto de autoridades, mas não sou burro e acatei o pedido.
- Sr. Uchiha, eu sei do seu histórico escolar. Sei que você já passou muitas vezes na frente de diretores como eu. Mas eu disse à sua mãe no dia da sua matrícula, que aqui na minha escola eu não permito e nem tolero agressões físicas. A senhora Uchiha me prometeu que você se comportaria aqui. E em uma semana você já esta sentado na minha frente.
Ouvi tudo em silêncio; eu havia prometido sim que tentaria evitar confrontos, mas prometi ao meu pai. E, naquele momento, imaginei a cara de decepção que ele faria ao ser chamado novamente em minha escola. Meu pai era a única pessoa que me importava no mundo inteiro. Fazer com que ele se orgulhasse de mim tanto quanto se orgulhava do meu irmão era uma de minhas metas mais sagradas. E o pensamento decepcioná-lo mais uma vez fez com que eu voltasse o meu olhar para aquele velho e quase implorasse para que ele não o chamasse. Ou pior, que não chamasse minha mãe. A simples menção de seu nome vez meu peito doer; se ela descobrisse, provavelmente o inferno voltaria à terra novamente. Eu acho que o velho viu algo no meu olhar, pois sua expressão se amenizou quase instantaneamente.
Ele abaixou o olhar e pegou uma das folhas de dentro da pasta, lendo-a com cuidado. Provavelmente ele viu os relatórios de meu último encontro com o conselheiro. Seu olhar quando voltou para mim era humilhantemente piedoso. E denunciou a minha suspeita, porque com toda a certeza ele havia lido algo do tipo: 'garoto problemático', 'possui aversão às autoridades', 'com má conduta de relacionamento', 'não tem amigos ou colegas', 'não consegue se relacionar com pessoas da mesma faixa etária', 'alta agressividade contida', ' possui problemas familiares', 'recomenda-se evitar confrontos entre ele e adultos superiores', e etc, etc, etc.
Como sei disso tudo? Pois já li diversas vezes essa ficha ridícula. Tenho até várias copias escritas por cada conselheiro de cada nova escola ao qual passei. Na primeira vez que a vi, confesso que fiquei um pouco abalado, mas hoje ela não me incomoda nem um centímetro. O que me irrita mesmo e esse olhar que me destinam todas as vezes que a lêem em minha frente.
- Então quem provocou todo o incidente foi o Uzumaki. Não me espanta. Irei resolver com ele depois. Agora o que faço com vocês dois? – Vi-o se arrumar em sua cadeira e abaixa a cabeça.
Senti meu estomago se contorcer naquela hora. E intimamente rezei. No mesmo instante, senti meu sangue gelar e minha boca ficar ressecada. Porém, exteriormente eu sabia fingir muito bem meu estado de espírito e demonstrava uma fisionomia calma e arrogante. Sempre soube esconder todos os meus sentimentos aprendi isso desde cedo como uma forma de sobrevivência.
- Desta vez eu irei relevar. Não chamarei seus pais. Mas se isso voltar a ocorrer, terei que avisá-los e serei forçado a suspendê-los. Por agora, vou querer que se desculpem e me prometam que nada parecido não acontecerá novamente. Podem fazer isto?
- Sim senhor - Respondemos quase que na mesma hora. Um alívio percorreu cada célula de meu corpo, relaxando-o de meu receio.
- Me desculpe. E eu prometo senhor Sarutobi. – Ouvi o outro dizer de uma forma relutante.
- Desculpe. Eu prometo. – Eu falei, baixo, com muita dificuldade. As palavras saíram de minha boca, causando uma magoa no meu peito e deixando um gosto amargo depois. Como poderia prometer algo se o que eu mais queria era agarrar novamente o pescoço daqueles dois infelizes?
- Muito bom, garotos. Irei cobrar as promessas. Agora, podem se retirar; peguem uma guia de advertência com a secretária para que seus pais assinem e depois vão à enfermaria. E Uchiha, vá tomar um banho e peça um uniforme limpo à enfermeira.
Levantei com a ordem dada novamente, e, assim que cheguei à porta, ouvi o velho dizer algo no telefone para a sua secretária, mandando que levassem o Uzumaki até ele no término da aula. Senti um prazer sádico percorrer meu coração, afinal, eu e o outro não nos ferraríamos sozinhos.
- Sr. Uchiha, você já pensou sobre os nossos clubes de matemática e física? Eu tenho certeza de que a sua alta inteligência será bem aproveitada neles. Se não quiser, temos os times de lutas; seria bom para você canalizar a sua energia em algo de útil. Pense a respeito, garoto.
Ouvi as sugestões dadas assim que cheguei à porta, mas não dei a oportunidade do velho ver a minha cara de ódio. Então não me virei, apenas controlei-me e sai. O ruivo correu na minha frente e o vi se afastar, provavelmente queria a minha companhia na enfermaria tanto quanto eu queria a dele.
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Andando pelos corredores vazios da escola, eu quase pude ver o meu reflexo pelos vitrais das prateleiras de fotos de seus times vitoriosos. Parei à frente para admirar o meu estado lamentável. Havia tinta amarela por todo o meu corpo, sem falar da minha calça estar completamente bicolor; as verde e vermelhas tingiam o azul do uniforme, deixando-o com um aspecto ridículo. Eu era a imagem de um palhaço. Era assim que estava me sentindo: um palhaço de circo, onde todos os outros me observavam com risos abertos em seus rostos e altas gargalhadas saindo de suas gargantas.
Mas, olhando diretamente para aquele vitral, meus olhos caíram sobre as fotos que estavam expostas. Uma em particular me chamou a atenção: a do time de Karatê. Lá estava o tal Uzumaki, o tal Gaara e os outros garotos que vi junto ao loiro idiota pela janela. Todos riam, com exceção do ruivo estranho, em uma postura confiante com um troféu diante deles. Naquele momento, a proposta do diretor de me juntar a algum time se tornou muito interessante. Afinal, eu poderia socar a cara dele sem que ninguém me repreendesse ou chamasse meus pais por isso. Pelo contrário, seria até enaltecido por tal fato.
Quando a calma já começava a se instalar em mim devido àquele pensamento, meu rosto começou a latejar e a doer novamente. Senti algo quente escorrer pela minha face e a toquei, olhando para minha mão em seguida. Era sangue. Por algum motivo, a ferida aberta na briga tinha voltado a sangrar. E, com a mão e o rosto sujos, corri em direção à enfermaria. Subitamente, senti que tinha alguém atrás de mim, me espionando e me observando, mas, quando voltei meu rosto, não vi ninguém. Dando de ombros, continuei a minha pequena corrida.
Sai de lá limpo, com dois curativos no rosto e um olho roxo. Era tarde, mas ainda havia tempo o suficiente para voltar à sala e assistir o restante das aulas do período da tarde. Novamente corri pelos corredores, parando somente em frente a minha classe. Arrumei meu cabelo, alinhando-o, e bati na porta. Segundos depois, ouvi a voz do mestre daquele horário me mandar entrar. Assim que fui visto e recebi a ordem, comecei a caminhar para o meu lugar, que ficava perto da janela à esquerda.
Ouvi risinhos e olhares curiosos vindo em minha direção. Não pude evitar que uma careta fosse feita e um resmungo furioso saísse por meus lábios. O burburinho aumentou consideravelmente em um único segundo e, em menos tempo ainda, o professor mandou todos se calarem. Aquele restante de tarde se prolongou mais do que o normal e me atrasei consideravelmente, passando e fazendo a matéria perdida. O sinal anunciou a saída e apenas tive tempo para jogar o material dentro da mochila e sair.
Ao passar pelo corredor principal, uma menina de cabelos rosados surgiu do nada na minha frente e acabamos nos chocando. Logo depois, escutei o som seco da lancheira de plástico rosa caindo no chão. Tudo foi tão rápido. No instante seguinte, eu a vi se corando, o que realçou ainda mais seus olhos verdes. Ela levantou a cabeça com cuidado e lançou um olhar estranho que não reconheci. Recolhi a sua lancheira e a entreguei com pressa.
- Desculpe. – Disse, vendo-a ficar ainda mais vermelha. Posso ser um pouco arredio com outras pessoas, mas uma coisa minha mãe me ensinou é a ser educado com as garotas.
- Tá. Tá tudo bem. – Ela falou baixo e eu quase tive dificuldade em ouvi-la. A menina ficava cada vez mais ruborizada como se isso fosse possível para algum ser humano.
Virei-me e olhei para o meu relógio; eu estava atrasado. Observei a garota novamente, que mantinha o olhar baixo, e aquilo me irritou um pouco. Um pouco não; aquilo era totalmente irritante. Como alguém conseguia ficar tão vermelha? Voltei para a saída e tornei a caminhar, há aquela hora, minha mãe já estaria a minha espera na porta da escola. E ela odeia atrasos, assim como eu.
- Você é o garoto novo, não é? Eu me chamo Sakura, e você? - Ela disse com uma voz mais forte ao perceber que eu me distanciava, tentando chamar a minha atenção. Eu apenas me virei e a olhei com indiferença. Fui embora deixando-a sozinha, estática e vermelha onde ela estava.
Corri novamente para a saída e avistei meu irmão parado perto do portão, junto ao seu mais novo amigo, chamado Deidara se me lembro bem. Eu acho que é isso. Não sei como o Itachi e sua cara de tédio e desdém, conseguia atrair pessoas ao seu redor. Também não sei como ele ainda conseguia lidar com elas e concordava fazer contato com os outros garotos.
Eu não conseguia mais. Estava farto da idéia e ser sempre o novato; nas escolas, nos cursos, na cidade. Ter sempre que aprender onde ficava cada rua, cada lanchonete, cada esquina. No início, tudo era divertido, na primeira mudança, na segunda. Depois da terceira, tudo ficou chato, enfadonho e até mesmo ridículo.
Porque me esforçar para aprender? Para que conhecer gente, fazer amizades, se logo depois teria que me despedir e começar tudo de novo? Então, preferi desistir. Era mais fácil, mas parecia que meu irmão não concordava com a minha opinião. Como sempre.
Cheguei próximo a ele e seu amigo e olhei para a rua. Mamãe ainda não havia chegado. Aquilo era estranho, pois ela nunca se atrasava. Olhei para o amigo de meu irmão e ele sorria. Sorria não, ele estava rindo da minha cara.
- Parece que o moleque do Gaara conseguiu fazer um pequeno estrago em você, Sasuke. Pelo menos ele ficou do mesmo jeito que você está? – Eu ouvi o deboche calado. Não estava a fim de me meter em confusão com os amigos do Itachi. Como eu já disse, não sou burro e sei com quem devo fazer as minhas guerras. E segundo, não daria confiança para um imbecil como ele, seria me rebaixar demais.
- Deixe-o. – Ouvi meu irmão dizer, me olhando rapidamente nos olhos como uma leve provocação. Aquilo era comum, uma espécie de códigos entre nós. Era como nos comunicávamos normalmente, além de nos ignorarmos constantemente.
- Ficou, como deveria ficar. – Apenas respondi e voltei a minha atenção novamente para a rua. Ainda pude ouvir os deboches de Deidara e o meu irmão mandando-o calar a boca.
Ao longe, vi o grande carro negro de meu pai se aproximando e, no momento em que parou em nossa frente, ouvi meu nome sendo dito por uma voz que desconhecia.
Quando me virei na direção do som, vi o dobe loiro e toda a sua gangue vindo ao meu encontro inclusive o ruivo estranho. Dei as costas e voltei minha atenção para o carro, abrindo a porta com a intenção de entrar e ir embora. Não queria mais confusão por aquele dia. Tive a sorte de sair quase ileso de levar uma suspensão; não queria ter que arriscá-la. Porque, se todos aqueles idiotas estivessem procurando encrenca, eu poderia dar o que eles estavam desejando.
- Espera! Espera Uchiha! – Ouvi novamente sua voz estridente gritar o meu nome. Tive toda a intenção de menosprezá-lo, mas quando menos esperava, senti o meu braço sendo segurado na nítida impressão de evitar que eu continuasse.
Olhei para aquela mão pequena, mas firme e a segui com meu olhar. Encontrei o seu dono me observando sem jeito, com a respiração ofegante. Provavelmente devido à longa e acelerada corrida que teve que dar apenas para tentar me impedir de ir embora. A minha raiva e fúria apenas aumentaram quando o vi sorrir de uma forma estranha. Imediatamente, senti minhas sobrancelhas se encontrarem. Não sei o que ele viu em minha face, mas antes mesmo de seus amigos se juntarem a ele, este já tinha me largado e seus olhos pareciam assustados.
Eu continuava parado com ele diante de mim. Por um momento, nossos olhares se cruzaram e percebi que ele não estava ali para continuarmos a nossa briga. Pelo contrário; ele me parecia até mesmo um pouco desconcertado, mas totalmente desarmado. A minha curiosidade falou mais alto e evitou que entrasse pela porta aberta do veiculo preto à minha frente.
Eu sentia a presença de Itachi imóvel atrás de mim, desde que eu ouvira o meu nome. Apenas a sua respiração o denunciava.
- Eu quero falar com você.
Olhei-o com arrogância e prepotência. Como, depois de tudo o que ele havia provocado, ainda tinha coragem de vir falar comigo?
Olhei para cima e encontrei o olhar de Itachi sobre mim de uma forma apática, mas também intensa. Naquela hora, senti meu coração disparar pelo fato de ele parecer se importar com a situação, quando mexeu discretamente sua sobrancelha direita. Aquele singelo ato me dizia que tinha que acabar com os meus problemas e resolvê-los por definitivo.
Joguei minha mochila para dentro do carro, cruzei os braços sobre o peito e voltei a minha atenção a turma de garotos diante de mim. Quando os vi, todos eles estavam com seus olhos ligeiramente assustados, voltados para algo atrás de mim. Levei meu olhar até onde os deles estavam e apenas vi meu irmão entrando no carro.
- Me desculpe. – O loiro disse, chamando a minha atenção novamente para ele. - Sinto muito pelo que aconteceu com você. – Continuou, sorrindo de uma forma desconcertada e levando seu braço esquerdo para trás da cabeça. – Não era para ter te atingido, sabe. As bolas com tintas eram para ter caído sobre o Suigetsu e os outros. Mas você surgiu do nada e aconteceu o que aconteceu. – Eu o olhava e não o compreendia. Não me importava com aquelas desculpas. E eu acho que ele compreendeu o meu olhar. – Você não esta querendo saber disso não é? – Pelo menos, o dobe sabia entender as coisas. Difícil de acreditar, não?
- Hn. – Resmunguei, sem qualquer vontade de respondê-lo.
- Mas você não me deixou explicar o engano, foi logo correndo atrás de mim para me pegar. - Com aquela, frase retirei meu pensamento sobre ele ser perspicaz. É claro que correria atrás de alguém que aprontou para cima de mim. Se fosse com ele, o que ele faria? Sentaria e conversaria bebendo um refrigerante?! – Mas eu entendo. Provavelmente teria feito a mesma coisa. Por isso estou aqui, para me desculpar. E pedir que você desculpe o Gaara também, ele não fez por mal. Ele apenas reagiu à sua ação de me bater. Ele é super protetor comigo. Você tem um irmão mais velho, deve saber como é, não?
Não. Eu não sabia como era ter alguém que lutasse por mim e me protegesse. Sempre foi eu por mim mesmo. E, naquele momento, a minha raiva se tornou maior e invejosa. Invejosa de o tal Uzumaki ter alguém que o protegesse acima de todos. Ao contrário de mim.
- E aí? Tudo acertado? – Eu o vi estender sua mão direita como forma de termos nos desculpado. Firmando um acordo e paz entre eu, ele e sua gangue fiel.
Olhei para sua mão estendida e depois para seus olhos sorridentes. Vi sinceridade neles, as desculpas me pareciam ser verdadeiras. Mas de que me adiantaria sua sinceridade e suas desculpas, me perguntei novamente, depois de todos os atos que, em seguida, ocorreram? Depois de eu ter me metido em uma grande confusão por causa da sua brincadeira inconseqüente e impensada? Elas iriam resolver com os futuros atos e castigos que estariam me esperando no momento em que meus pais vissem meu olho roxo e minha sobrancelha suturada, além da advertência que conquistei? Aquelas desculpas e toda aquela sinceridade não iriam me ajudar em nada para me safar.
Levei meu olhar novamente para sua mão. Descruzei meus braços. Virei e entrei no carro, fechando a porta com força. Não lhe dei nem a oportunidade de ver meu rosto através da janela fechada. Ouvi seus amigos me xingando e me amaldiçoando, mas nada vindo de sua voz. Mas pude imaginar a sua reação, provavelmente uma de surpresa, depois a indignação e o sentimento de vazio e vácuo com a mão parada e estendida para o nada à sua frente. Aquilo me vez sorrir internamente; saber, imaginar o outro totalmente patético.
- Podemos ir, Sasuke? – Ouvi a voz de um homem me perguntando. Somente naquela hora percebi que minha mãe não estava presente e quem dirigia era um dos novos funcionários de meu pai.
Meneei a cabeça em afirmativo e ele moveu o carro, nos retirando dali e iniciando nossa volta para casa.
Olhando pelo retrovisor, ele reparou em minha expressão de incompreensão. Não era para ele estar ali. Ninguém havia me informado que não seria a mamãe que não nos buscaria. Mas não nego que senti um grande alívio por ela não estar ali. Pelo menos, a bronca ficaria para depois.
- Sua mãe precisou resolver uns problemas com seu pai sobre o aluguel da loja de doces. Então me pediram para vir pegar vocês. Ela mandou dizer para vocês jantarem e não esperarem por eles, e depois para vocês fazerem seus deveres. Quando eles chegarem, farão as inspeções.
O jovem rapaz, que não tinha mais de 25 anos, mas que era muito competente com computadores, deu o recado explicativo e novamente voltou seu olhar para mim através do pequeno espelho à sua frente.
- Problemas com os outros garotos? – Pude ver seu pequeno sorriso debochado. Ele me conhecia e sabia do meu histórico, então por que aquela pergunta cretina?
Não o respondi e voltei o meu olhar para a janela. Vi a cidade correr na minha frente; Konoha era o seu nome. Na verdade, ela não era tão nova assim para minha família.
Konoha era a nossa cidade natal. Meus pais nasceram aqui. Aqui cresceram, se conheceram, se casaram...
Aqui meu irmão nasceu, e, cinco anos depois, eu nasci. Eu nasci em Konoha, mas, para mim, ela era tão estranha quanto as outras. Antes mesmo que eu completasse um ano de idade, a minha família se mudou devido ao trabalho do senhor Uchiha, meu pai. Aquela foi à primeira mudança de muitas seguintes. Seis ao todo. Seis em dez anos.
Mas voltamos para cá por causa de minha mãe. Ela andava triste, amargurada e solitária demais. As brigas com meu pai por causa de seu descontentamento, estavam ficando constantes e perigosas. Eles brigavam quase que diariamente. E as frustrações deles começaram a serem dirigida aos filhos. Aos filhos não; a mim, em particular.
E, para tentar deixá-la um pouco mais feliz, meu pai conseguiu pedir transferência para cá. E então, novamente nos mudamos. Itachi, como sempre, não demonstrou nenhuma contrariedade, apesar dele ter uma namorada e um emprego na outra cidade. Para mim, era mais uma mudança em minha vida.
Parecia que o plano de meu pai estava dando certo, pois, em dez dias nesta cidade, minha mãe mudou completamente. Ela havia adquirido cor e brilho nos imensos olhos negros. Sorria, como nunca a vi sorrir antes. Ela reencontrou sua família e suas amigas e, junto a elas, resolveu montar um negocio próprio. Minha mãe, até aquele momento, havia se transformado. Mas...
Já previ a situação. Sei qual será a reação dela ao ver meu uniforme manchado e a advertência para assinar.
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Quando vi o carro de meus pais chegar na frente de casa, era um pouco tarde do horário habitual de chegada de meu pai. Eu já havia jantado, já tinha feito meus deveres de casa e estava sentado do lado de fora de meu quarto, num local secreto, simplesmente olhando para o céu estrelado. E pedindo para que, se houvesse um ser superior, que ele tivesse um pouco de piedade comigo. Levantei-me do patamar da varanda, escondido entre as árvores, e voltei para meu quarto através da janela, quando os vi entrar pela porta principal.
Escutei risos e a porta sendo fechada. Os dois pareciam felizes. Os risos deles eram muito mais agradáveis de ouvir que seus gritos e xingamentos. Senti uma felicidade estranha surgir em meu peito. Mas, até quando durariam estes risos? Até quando a felicidade estaria presente entre eles? Principalmente porque havia deixado o papel carimbado da escola em cima da mesa da sala de jantar e meu uniforme estava na lavanderia em cima da máquina de lavar. Quando minha mãe visse toda aquela bagunça, com toda a certeza eu estaria perdido. Porque ferrado eu já estava mesmo.
Com o passar do tempo, senti uma ansiedade correr em meu corpo. Senti a adrenalina percorrer cada célula. Senti um medo absurdo e incompreendido surgir. Passei minha mão pelos meus cabelos negros e, antes mesmo de ouvir alguma coisa, tremi em pensar na reação deles. Caminhei sem sentido pelo interior de meu quarto, de um lado para outro. Passando do armário à direita para a cama, da cama para a mesa de estudos, sendo pateticamente observados pelos meus bonecos de ações junto a seus carros e robôs, que do alto das prateleiras ao meu redor riam de mim e de minha covardia. Meu ídolo preso no alto de minha me olhava de dentro do pôster e sentia vergonha do meu comportamento infantil. Apenas deixei que um suspiro saísse, sem que fosse a minha vontade.
Ouvi seus passos percorrem a casa. Pude identificar cada som. Sala de estar, passando pelo grande sofá, pela área comum onde ficava uma TV. Ouvi a porta da cozinha sendo puxada e a geladeira aberta. A cada passo dado, sentia a minha respiração ficar mais forte, e uma leve dor no peito surgiu inesperadamente.
- Meninos, chegamos! – Ouvi a voz de minha mãe avisando a sua chegada. Meu coração disparou naquele momento.
Ouvi os risos indo em direção a sala de jantar e....
- Sasuke! Desça aqui, agora. - Ouvi o grito na voz de meu pai e estremeci na hora.
Desci as escadas com a cabeça erguida, pronto para a guerra familiar e para minha bronca.
Cheguei à sala e encontrei minha mãe sentada no grande sofá, segurando o papel que precisava de sua assinatura, e meu pai em pé, escorado com o cotovelo apoiado sobre um pequeno móvel repleto de porta retratos. As luzes estavam fracas e meio amareladas, e o interior daquele cômodo era frio, extremamente frio para uma noite primaveril.
Vi seus olhos se arregalarem quando me viram, provavelmente devido aos meus machucados. Senti meu coração apertar quando vi minha mãe me estender a sua mão direita. Fui até ela e a segurei. Ela me puxou para mais perto e inclinou a minha cabeça para poder ver e analisar melhor os ferimentos. Meu pai se aproximou e se sentou ao seu lado. Senti suas mãos fortes me puxarem para si e ele também inclinou a minha cabeça, repetindo a ação de minha mãe.
- O que foi que você aprontou desta vez? – Ouvi a voz rouca e seca de meu pai. – Nós não conversamos, Sasuke? Você me prometeu que não iria mais agir como um inconseqüente. – Ele continuou sua fala, fazendo com que meus olhos fossem direcionados aos dele. Me esforcei de forma sobre-humana para evitar demonstrar o que estava ocorrendo em mim ao ver a decepção no seu olhar. Senti meu peito doer ainda mais. A minha respiração se alterou com aqueles olhos fortes sobre mim, à espera de uma resposta.
- Eu... – Não consegui dizer nada. Minha boca, seca, não deixava que palavra alguma fosse dita. Senti vergonha da minha fraqueza. Apenas desviei o olhar para evitar que aqueles olhos negros me ferissem mais e encontrei os da minha mãe, me olhando com mais expectativa do que de seu companheiro de bronca.
- Você tinha que aprontar logo hoje? – Ouvi suas palavras baixas e decepcionadas dentro de seu olhar distante, e estas cortaram a minha voz em definitivo. Um nó se estalou em minha garganta naquele instante e eu tive vontade de sair dali para nunca mais voltar. Nunca mais ver ou ter que conviver com aqueles dois.
Eu não sei porque ela age dessa forma comigo. Não é sempre, não. Às vezes, ela era delicada e carinhosa como é com o Itachi. Às vezes, eu sinto o seu amor por mim. Mas, às vezes, eu sinto que ela simplesmente não se importa comigo. Como agora. Para ela, apenas o meu irmão é existente, e isso me deixa completamente angustiado e furioso ao mesmo tempo, por constatar que para eles sou menos que o Itachi.
Mas, apesar de tudo, eu não a odiava; não conseguia odia-la. Ela era a minha mãe. E eu a amava acima de tudo. Amo-a do meu jeito.
- Me responda, Sasuke. – Meu pai exigiu, severamente, me segurando com força pelos braços. Talvez reagindo ao seu instinto primário. Talvez agindo da forma como agiram com ele, no passado. Sua voz ainda era mais intensa e notei que a sua paciência estava se alterando.
Eu olhei, assustado, diretamente para sua mão que me apertava o braço e depois levei meu olhar desafiador aos deles. Pelo menos, consegui forças para desafiá-lo. Por um instante, senti sua reação enfraquecer e um entendimento surgir na sua expressão facial, e logo seu aperto em torno do meu braço se intensificou.
- Eu não vou perguntar de novo. – Novamente a voz friamente seca e totalmente irritada de meu pai chamou a minha atenção. Meus olhos ardiam por algum motivo que eu desconhecia.
- Diga, Sasuke! Por favor, diga o que aconteceu dessa vez. – Minha mãe me pediu novamente.
- Ele foi provocado. – Ouvi a voz firme de Itachi vindo do outro lado da sala. Há quanto tempo ele estava ali? Não sei informar.
Quando meus olhos caíram sobre ele, vi-o vestido com seus negros shorts de dormir, sentado tranquilamente sobre as escadas de madeira escura que dava acesso aos nossos quartos. Eu acho que naquele momento eu o agradeci internamente.
Meus pais também se dirigiram a ele, com olhares curiosos.
- Como assim Itachi? Você sabe o que aconteceu? - Minha mãe, mais calma, provavelmente pela presença de meu irmão, perguntou.
Juntei minhas forças e eu mesmo contei toda a história. Não queria que Itachi se sentisse obrigado a tomar a minha frente. Meu irmão subiu as escadas assim que comecei a contar a minha versão dos fatos. Não porque ele se sentiu diminuído por eu ter tomado a sua fala, ou qualquer coisa o tipo, mas simplesmente porque ele era o Itachi. Totalmente indiferente daquilo que não o interessasse.
Meus pais se acalmaram um pouco, mas ainda pude ver nos olhos de minha mãe uma frustração. Talvez ela quisesse que fosse eu o principal responsável. Ou talvez uma frustração por eu não ser mais um filho perfeito.
Não retiro a minha parcela de culpa por todo o incidente. Eu que não soube me controlar e parti para a briga física. Mas eu tenho o sangue quente, o que posso fazer?
- O que faço com você? – Ouvi meu pai falar baixo, enquanto me olhava.
- Você sabe que também errou. Não se pode sair agredindo as pessoas, Sasuke, mesmo achando que tem motivo para isto. – A fala calma de minha mãe entrou pelos meus ouvidos e me feriu. Se fosse com o Itachi, ela provavelmente estaria aplaudindo e dando razão a ele.
- Vá para seu quarto Sasuke. E você está de castigo por um tempo indeterminado. Quando resolver o que farei com você, nós voltaremos a conversar. Amanhã irei ao seu colégio falar com o diretor e seu conselheiro. Talvez eu consiga encontrar uma forma de canalizar essa energia. – Eu ouvi um tom de fracasso sair de lábios de meu pai. E não acreditei no que ouvia. Ele odiava fracassar em qualquer coisa, assim como todo Uchiha.
Dei uma última olhada para os dois sentados à minha frente e novamente abaixei a cabeça. De repente, surgiu um peso insuportável em meu peito e ombros que mal me deixavam ficar em pé. Virei-me e iniciei a minha caminhada para o andar de cima, para o meu mais provável cárcere durante um longo tempo.
- Amanhã, irei naquela escola saber o que está acontecendo com esse garoto. Descobrir o porquê dele estar agindo dessa forma. Eu nunca pensei que um dia teria que recorrer a estranhos para saber o que está acontecendo com um dos meus filhos. Isto é humilhante.
As palavras baixas, porém, duras e ressentidas chegaram aos meus ouvidos assim que cheguei ao topo da escada. Meus pés param naquele momento; não conseguia mais mover meu corpo. Uma paralisia me forçava a ficar ali, escutando a mais uma discussão entre eles. Uma discussão plácida, mas repleta de arrogância e menosprezo um pelo outro. Eu apenas conseguia ouvi-los, calado.
- Você deve estar fazendo algo de errado, para este menino estar assim.
- Eu?!
- Você é a mãe. Você que deveria prestar mais atenção nele. É a sua função evitar que esses garotos se tornem em delinqüentes juvenis.
- Não vamos começar com isso. Não hoje, por favor.
- Não hoje, não ontem, não agora, não amanhã. É por causa da sua negligência que o Sasuke está dessa forma. Ele quer chamar a sua atenção.
- Basta, Fugaku! É muito cômodo para você me dizer isso, me chamar de negligente quando é você que nunca está em casa. E quando está, é como não estivesse. Ou você pensa que esses garotos são apenas meus filhos?
- Por que eles são tão diferentes? Por que o Sasuke não é como o irmão? Por que ele age desta forma? Era para ser mais fácil com ele.
- Porque não é a minha atenção que ele quer, Fugaku.
Não pude mais ficar ouvindo aquela discussão velada. Meu peito doía pelo simples fato de que, daquela vez, eu era o motivo dela.
Com meu corpo tremendo, reuni o pouco de força e coragem para consegui me mover e, assim que tive o domínio novamente de minhas pernas, corri.
Corri pelo corredor, apenas parando quando trombei em meu irmão parado no meio deste, entre a porta do meu quarto e a dele. Suspendi o meu olhar apenas para encontrar com o seu aparentemente um pouco preocupado, enquanto ele me segurava pelos ombros para que eu não caísse. Rompi o contato entre nossos olhos, não querendo sua pena, e desviei de seu corpo, entrando em meu quarto e fechando a porta com violência atrás de mim.
Joguei meu corpo atravessado sobre a cama, peguei meu travesseiro e, com ele, cobri minha cabeça. Não queria ouvi o que aqueles dois estavam falando. Nem sobre sua raiva mútua e as acusações rotineiras, muito menos as vozes se alterando. Não queria ouvir sobre mais nada naquele momento. Fechei meus olhos com força o suficiente para fazê-los doer, e ouvi apenas um som estranho; o som o meu próprio coração, batendo rapidamente dentro do meu peito. Aquele ruído, de alguma forma, me relaxou o suficiente para esquecer o que estava acontecendo no andar de baixo.
Não sei como, ou se aquilo tudo durou muito tempo, mas acordei com o som da porta do meu quarto sendo aberta.
Olhei assustado ao meu redor e vi minha mãe me observando de uma forma doce e segurando uma cesta em suas mãos. Vi-a sentar ao meu lado e, silenciosamente, retirar com cuidado os potes de medicamentos contidos no interior daquela cesta.
Movi-me para mais perto dela e senti suas mãos suaves retirarem com delicadeza os outros curativos. Ela limpou os ferimentos, tratou e fez novos curativos em minha face. Ao terminar, depositou um leve beijo em minha testa. Percebi-a por todos os medicamentos novamente dentro daquela cesta negra, voltando-se para o meu quarto e recolhendo o uniforme emprestado que estava em cima da cadeira de minha mesa de estudos perto da janela. Com mais um sorriso doce, ela me avisou que iria comigo para a escola e saiu, me deixando sozinho mais uma vez.
Deitei corretamente e permiti que o sono que lutava contra mim vencesse de novo. Pelo menos, até o amanhecer.
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Continua...
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Notas:
Primeiramente tenho que agradecer a querida Blanxe-sensei, por ter aceito a participar deste projeto e desta seria brincadeira comigo. 8D
Não posso deixar de agradecer a fofa da Niu, que foi muito mais do que uma beta e sim uma parceira. Sem ela provavelmente este pov não teria saído. Apesar dela não gostar do pobrezinho do Sasuke. Valeu! XD
Peço desculpas pela demora deste pov, mas surgiram problemas que me fizeram adiar esta postagem. Mas sinceramente espero que tais problemas não voltem a surgir; e que os pov´s do Sasuke sejam postados mais rapidamente. =D
Eu e a Blanxe agradecemos a todos pelos comentários enviados. Em especial para a Inu e Paula, que não receberam uma resposta, como os demais receberam, pois não deixaram o e-mail em seus comentários não-logados. Então....
Respostas da Blanxe: 8D
Inu: Que bom que gostou do primeiro capítulo! Ainda não podemos dar certeza sobre ter ou não GaaNaru, pois cada capitulo está sendo criado conforme a resposta que a Kiyavi me dá nos pov's do Sasuke e vice-versa. Obrigada por comentar!
Paula: Agradecemos pelo apoio a fic e esperamos que goste dessa nova atualização!
Peço agradecidamente a todos que forem postar review deslogado, se puderem, peço que deixe o endereço de email no lugar destinado ao nome e assinem no final da review... pois não adianta colocar no comentário porque nesse espaço o fanfiction simplesmente apaga qualquer link ou endereço eletrônico...
Até o próximo pov do Saske. XD
