- Fique a vontade!
Sem saber porque, Camus deixou-se levar por aquele rapaz até seu humilde apartamento no 2ª andar de um edifício em abandono, perto do bar onde se encontravam. Após um breve papo naquele recinto um tanto abaixo dos lugares a que estava acostumado a freqüentar, Miro conseguira despertar-lhe realmente a curiosidade.
Falaram sobre tudo, de política a arte e o rapaz, sorrindo de maneira provocativa, lhe havia dito que era pintor, o que fez o francês olhá-lo perscrutador e desacreditado. Entrou olhando tudo ao redor, não sem um certo mau-humor no semblante. Era um lugar deplorável, onde era possível encontrar os mais diversos tipos de pessoas.
- Não ligue a bagunça! Acabei de fazer mudança! Ainda falta trazer uma caixa, que ainda não chegou!
Disse Miro, tirando os sapatos e caminhando pelo soalho de madeira apenas de meias. Camus não respondeu, continuou em sua minuciosa análise.
- Você realmente pinta bem!
Confessou por fim, examinando um dos quadros que se encontravam espalhados pelo ambiente.
- Obrigada! – Miro se dirigiu a cozinha - Quer beber alguma coisa? -gritou de lá; Camus admirou-se, não bebera o bastante no bar?
- Não! Merci!
Miro voltou, encontrando o francês admirando uma réplica perfeita do Davi de Michelangelo.
- Gostou? - perguntou cinicamente.
- Foi você quem a fez? - surpreendeu-se o francês.
- Não! Foi um...- olhou-o com segundas intenções -...amigo! - Camus o fitou, mas logo em seguida voltou a contemplar a estátua.
- Com certeza é um grande artista! - andava pela casa olhando tudo; chegou ao quarto do rapaz.
- Ele só fez esta! Especialmente para mim!
Comentou Miro seguindo-o. Camus parou em frente a um espelho de origem oriental, todo emoldurado em madeira e rebuscado de prata; era algo extraordinário.
- Tenho verdadeira paixão por espelhos! Acho-os misteriosos! – disse o grego, notando o interesse de Camus.
- Para mim é um utensílio como outro qualquer! Mas este realmente...- tocou o vidro.
- Não deve haver nada mais fascinante do que conhecer o passado de um espelho! Já imaginou? - aproximou-se do homem - Este por exemplo testemunhou um crime!
- Crime?
Retrucou Camus. Miro pegou de um jornal que estava embaixo de uns papéis, estendendo-o ao francês.
- Neste quarto houve um assassinato! Um cara matou o amante por causa de ciúmes! Os vizinhos dizem que o prédio é assombrado! - sorriu misteriosamente; Camus o fitou desconfiado - O nome do cara era Adônis!
- Adônis?
- Sim!
- Na mitologia grega, Adônis era o amante da deusa Afrodite! Ele foi morto pelo deus Ares que...
- ...que tinha ciúmes do envolvimento do jovem com sua amante e raiva por ela ter preferido a ele e não a um Deus! - Camus sorriu satisfeito; também ele apreciava mitologia.
- Mesmo assim veio morar aqui, neste lugar?!
- Vim por causa disso!
Disse Miro, dando as costas ao seu companheiro e guardando o jornal em seu lugar de origem.
- Que coisa maluca!
Comentou Camus, tirando finalmente um cigarro da carteira que ganhara de Miro e que guardara no bolso ao sair do bar. Colocou-o na boca e pegou do isqueiro para acendê-lo.
- Não acha fascinante morar onde alguém morreu de paixão?
Miro caminhou em direção de Camus e tirando-lhe das mãos o isqueiro, acendeu o cigarro.
- Para mim isso é loucura! - disse e olhando o relógio, falou - Bem,está tarde, preciso ir agora!
Miro o fitou com um semblante misterioso e levando sua mão direita a nuca, num gesto um tanto sinuoso, disse num tom mavioso.
- Mas já?
- Sim! - disse caminhando para a porta do quarto.
- Vem amanhã!
Disse Miro. Camus voltou-se para ele, olhou-o e novamente lhe deu as costas. Caminhou ao longo da sala, alcançando a porta e saiu. Assim que pôs seus pés na rua, Miro, debruçado na varanda do quarto, ornamentada por algumas flores sem vida, lhe chamou a atenção:
- Camus! Você nem me disse aonde mora!
- (olhando para cima) Em Paris!
Respondeu num tom de enfado, retomando seu caminho, mas o rapaz novamente o interpelou.
- Vem amanhã! Sei fazer uma bebida grega que você vai adorar!
Camus virou-se para ele sério e sem nem ao menos acenar, voltou-se e prosseguiu seu caminho.
- Au revoir!
Falou Miro sem graça pela frieza do outro e olhando do outro lado da rua, passou a contemplar o movimento das pessoas voltando de seus afazeres.
O.o.O
- Camus! Aonde esteve até essa hora?
Marie, que estivera a dar voltas pela casa desde a saída do marido, viera recebê-lo aflita quando este adentrou no quarto de casal destinado a eles. O homem limitou-se a retribuir o beijo que ela lhe depunha nos lábios e livrando-se do sobretudo, sentou-se na cama tirando o relógio.
- Estive por ai! Precisava esfriar a cabeça! - disse sério; ela ajoelhou-se diante dele, alisando as belas coxas masculinas.
- Sabe, decidi que é melhor que passemos as festas de fim de ano em Paris, na nossa casa! - Camus a fitava calado - Meu pai está terrível e não quero que o Jean Luc veja outra cena como esta do jantar!
- Por mim qualquer lugar está bom! – disse e, sem saber porque, sentiu necessidade de concordar com ela; Marie sorriu.
- Vou trazer um café pra você e podemos pegar a estrada! - levantou-se se dirigindo para a porta.
- Marie! - chamou ele sem entender o porque daquela decisão - Vamos ficar! Você sempre quis trazer-me aqui! Não é justo que seu pai estrague nosso fim de ano! - pediu Camus sorrindo para ela; há quanto ela não via aquele sorriso.
- Oui!
Ela saiu. Logo depois voltava com uma xícara de café espumante. Camus saia naquele momento do banheiro de roupa trocada e pegando a xícara da mão feminina,sentou-se numa confortável poltrona.
- Pega um cigarro para mim ai no bolso da calça! - pediu, abrindo seu caderno de anotações; Marie rebuscou os bolsos pegando do cigarro, mas deu por falta de algo mais.
- Querido, onde está seu isqueiro?
- Não está ai? - perguntou ele, distraído com a leitura.
- Não!
- Devo ter esquecido em algum lugar! – disse, escrevendo algumas linhas.
- Ah Camus, vou ficar triste se você perdê-lo! Foi um presente! - ela aproximou-se dele entregando-lhe o cigarro e riscando um fósforo.
- Devo ter deixado em algum...
E de repente, enquanto Marie lhe acendia o cigarro, a lembrança de Miro lhe veio a mente. Sim, ele recordava-se onde tinha deixado seu isqueiro. E entre baforadas e conversas, a imagem daquele estranho rapaz não mais lhe saia da cabeça. Era deveras curioso, principalmente a maneira como ele havia se aproximado. O estava observando, foi o que ele lhe dissera. Camus sentiu-se atordoado sem saber bem porque.
O.o.O
- Camus D...- Miro brincava com o pequeno objeto de prata que continha duas letras gravadas em ouro: C.D.
- Camus Dorleac? – arriscou.
- Não! - virou-se de bruços na cama; estava apenas de calção.
- Camus Domenech? Não, não! - suspirou e abrindo o isqueiro, ficou a admirar a chama por alguns segundos, fechando bruscamente.
- Dosseua! Camus Dousseau! É! - e virou-se de costas, olhando o teto.
- Ele tem cara de Camus Dousseua! - e fitando a pequena réplica do ícone de beleza masculina em cima da mesa em frente a cama, comentou.
- Gostou dele? - e deitou-se, apoiando-se no cotovelo - Eu também! É mais novo que o Saga!
E através da escuridão, viu algumas gotas de chuva caindo pela varanda.Levantando-se, pegou de um cigarro e o levou a boca, acendendo-o e encostando-se no parapeito para fumar. A água batia-lhe levemente na face.
- Não se preocupe, ele vai voltar! Nem que seja só para pegar o isqueiro!
O.o.O No dia seguinte O.o.O
- Senhora Marie? - Nine corria debaixo da chuva até o carro que preparava-se para entrar em movimento - Senhora Marie! - gritou batendo na janela da mulher; ela a abriu.
- Nine? O que houve?
- Sua irmã no telefone!
- Ahn, diga a ela que quando eu voltar eu telefono! Vou só dá uma saidinha com o Jean Luc! – disse.
- Está bem! Bom passeio! - Marie deu a partida e Nine voltou à casa.
- Para onde foi minha mulher? - perguntou Camus, sentando-se a mesa; ainda bem que seu sogro tomava o café separado.
- Foi dá um passeio como Jean! Deseja mais alguma coisa Mounssier?
- Non, merci! - disse; precisava mesmo ficar sozinho, tinha que adiantar algumas coisas do seu livro.
- Senhor! Senhor! Um acidente! – naquele momento um dos jardineiros entrou afobado dentro da casa.
- O que? - Camus se levantou.
- Agora mesmo! Um acidente! A senhora e o menino bateram com o carro num caminhão!
- Mon Dieu!
Camus correu ao local, mas parecia que não tinha sido nada muito grave, embora Jean tenha quebrado um braço e Marie ficasse presa a uma muleta por ter torcido um ligamento do tornozelo.
Voltaram para casa no final da tarde, ambos estressados e abatidos. O sr. Lautrec, embora tentando evitar brigas com o genro, não conseguiu controlar-se e mais uma luta feroz se travou entre os dois homens.
Eram palavras mordazes, ferinas e Marie, resolveu isolar-se no quarto, dando ordens de que Nine levasse o pequeno para dormir. Algum tempo depois, após cessar a disputa, Nine entrou no quarto de casal trazendo o remédio da patroa:
- Não entendo porque o Camus quis continuar aqui! – comentou a esposa, tomando o antinflamatório.
- Quis agradá-la senhora!
- Ele nunca foi disso! Nunca fez nada para agradar ninguém! - recostou-se no espelho da cama - O Jean dormiu?
- Como um anjo senhora, embora reclamasse do gesso! - sorriu; de repente um ruído de carro se fez ouvir na parte externa da casa.
- Que barulho é esse? - assustou-se Marie; Nine olhou pela cortina.
- O senhor Camus...ele saiu!
- A esta hora? - surpreendeu-se Marie; Nine deu de ombros.
- Mas pra onde ele foi?
O.o.O
Miro aproximou-se da varanda ao ouvir um barulho de motor embaixo de sua janela e não ficou muito surpreendido ao ver de quem se tratava. Com uma toalha amarrada na cintura, debruçou-se na varanda com um meio sorriso cínico nos lábios. Camus fechou o veículo e olhou para o rapaz com semblante severo:
- Vim apenas buscar o meu isqueiro! - Miro sorriu.
- Sobe! Estou só de toalha, não vai querer que eu desça! - disse; Camus obedeceu.
Ao ser recebido pelo rapaz, este já estava com um calção e uma camisa bem a vontade. Entrou no apartamento sentindo a porta fechar-se atrás de si.
O.o.O
- Senhora acalme-se!
- Como posso me acalmar com meu marido fora de casa a essa hora, Nine! - Marie andava com dificuldade pelo quarto, segurando desastradamente nas muletas.
- Ele deve ter ido apenas dar uma volta! Hoje foi um dia cansativo para todos!
Marie, de repente, viu a maleta de Camus, onde continha o livro que ele estava escrevendo e tomada de uma curiosidade imensa, sentou-se na poltrona e pegou do objeto. Leu algumas páginas e seus olhos abriam-se e fechavam-se de curiosidade e espanto.
Não sabia o quanto seu marido era realmente talentoso. Mas ao chegar em uma página marcada com o título "segredos", sua feição tomou um aspecto tão angustiado que Nine teve a impressão de que ela iria chorar a qualquer momento:
" Não há nada mais patético do que não amar a quem nos ama..."
Dizia uma das linhas. E largando o livro no chão, ela levantou-se sobressaltada, tendo a empregada como apoio.
- Ele foi embora Nine!
- Não senhora!
- Ele está me deixando!
E sentando-se na cama, prorrompeu em soluços tão altos que a criada teve medo de que o sr. Lautrec a escutasse e se fizesse naquela casa mais uma odisséia de impropérios.
O.o.O
Sentado em um divã de cetim cor de vinho, Camus observava seu anfitrião dar os últimos retoques em um quadro. Miro o olhava vez ou outra com semblante muito concentrado.
- Ainda bem que você não estava no carro! - comentou por fim.
- É, mas minha mulher torceu o pé! - Miro o olhou - Eu sou casado! - não sabia bem porque tivera necessidade de afirmar aquilo, uma vez que se referiu a Marie como "minha mulher".
- Eu sei, vi sua aliança assim que bati os olhos em você! - disse Miro distraído, dando uma última pincelada - Tem filhos?
- Dois! O mais novo tem 9 anos e quebrou o braço e o mais velho está morando com alguns amigos da faculdade!
- Você tem filho na faculdade? - Miro parecia estupefato.
- Sim! Ele acabou de passar para mecânica! O nome dele é Hyoga!
- Pensei que sua mulher fosse mais nova!
- Não, não! - Camus sorriu - O Hyoga é filho do meu primeiro casamento!
- Ah ta! - atalhou Miro largando seus instrumentos e limpando as mãos - Qual o nome da sua esposa?
- Marie!
- Camus, Marie, Hyoga...bem conservador!
Naquele momento Camus retirou um cigarro e o pôs na boca. Miro, travando do isqueiro, aproximou-se para acendê-lo.
- Antes que eu esqueça! - Camus puxou o abjeto das mãos do jovem pintor.
- Achei que fosse me dar de presente!
- Foi minha mulher quem deu!
- Claro! Ela iria ficar com raiva! Sabe que passei a noite toda tentando descobrir o que significava este "D" ai?
- Sério?
- Sim! Tentei Camus Dorleac...Domenech...
- E qual destes você acha que é? - perguntou Camus com olhar cínico.
- Nenhum! Acho que é Dousseua! - o francês o olhou pasmado.
- Alguém lhe disse? - Miro sorriu.
- Acertei?
- Vem cá, você é sempre acelerado assim? Perto de você não consigo nem pensar direito!
- O Saga falava a mesma coisa!
Miro sentou-se perto dele; o sorriso em seu rosto fez Camus afetar-se por aquela lembrança que ele não conhecia.
- Ele sempre dizia que eu falava pelos cotovelos! - o olhar do jovem parecia saudoso.
- Quando eu estava na faculdade, eu tive um amigo parecido com você! Não fisicamente, você é bem mais sensual que ele e...- calou-se ao perceber que o havia elogiado de forma inesperada; Miro apenas o olhava.
- Continue...- pediu.
- Bem, ele era sempre divertido, parecia movido a energia atômica! – sorriu - Mas nem sei porque lembrei isso agora!
- Você não lembrou, você nunca esqueceu!
Camus o fitou sério, mas amistoso. Miro se levantou e travando da mão de Camus, num gesto insinuante, proferiu.
- Quer dizer que me acha sensual? - indagou sorrindo; o outro afirmou com a cabeça.
- Fiquei com fome agora! Elogio me dá fome! - e soltando a mão do francês, precipitou-se para a cozinha.
- Vem, vou fazer sanduíche! - Camus o seguiu estranhando seu próprio comportamento.
O.o.O
- É a melhor coisa que já comi! – disse o francês, dando uma mordida no segundo sanduíche que tinha nas mãos.
- Eu sei!
- Você é igual ao Hyoga!
- Ele também faz sanduíche?
- Ele também é pretensioso!
- Pense alto! Você conhece algum Alexandre, o Médio? - sorriu Miro.
- Gostei da piada!
- O Saga dizia o tempo todo!
Camus ficou sério. Miro lavou as mãos e voltando para o quarto, pegou de um pincel fino. Camus, após terminar de comer, o alcançou, sentando-se na cama, recostado ao espelho.
- Por que está me olhando assim? - Miro sentiu-se afetado pelo jeito de Camus, que parecia despi-lo com os olhos.
- Assim como?
- Me julgando! - parou na beira da cama.
- De que modo quer que eu olhe? - indagou; Miro permaneceu na mesma posição.
- Por que veio?
- Para pegar o isqueiro e para agradecer também! Ontem foi um dia ruim, você me ajudou, de certa forma!
- Eu salvei o seu dia? - Miro o olhou de uma maneira estranha.
- Sim!
Confirmou, colocando o cigarro no cinzeiro na mesa de cabeceira. Miro foi até a porta e fechando-a, sob os olhos desconfiados de Camus, encaminhou-se para ele, parando ao lado da cama e tirando a camisa.
- E hoje vou salvar sua noite!
Disse num tom de voz enrouquecido. Camus fechou a cara, levantou-se bruscamente do leito, mas Miro o segurou pela camisa, impedindo-o de sair.
- Não brinque com isso! – disse o francês, severamente.
- É homem de se contentar com tão pouco Camus!? Matou sua fome com um sanduíche!? - e dizendo isso o empurrou de volta a cama, ficando em pé diante dele.
- Você é louco!
E quando pensou em levantar-se novamente, eis que o rapaz o prende contra o colchão, por debaixo de seu corpo, sentando-se em cima de sua barriga. Camus o olhava atordoado. Miro, nem ao menos o fitando, começou por desabotoar o seu cinto.
- Você é maluco! – retrucava o francês.
- Muito mais do que você imagina!
Abrindo a calça do exasperado francês; este tentou levantar-se, jogando-o na cama, mas o rapaz, segurando-o, imprensou-o contra a parede de forma firme e agressiva, seus rostos ficaram a milímetros de distância.
- Não faça nada que vá se arrepender depois!
Grunhiu Camus, entre o desejo e a razão. Seus olhos exprimiam uma ferocidade que atiçava ainda mais a imaginação do impetuoso rapaz.
- Só me arrependo do que não faço! Foi algo que aprendi com 15 anos!
Camus, sem pestanejar, levou sua mão atrás da cabeça de Miro e o puxou de forma brusca para um beijo quente e devastador. Jamais sentira tamanha sensação de prazer misturada com culpa, era excitante e ao mesmo tempo desesperador, parecia um animal que estivera anos sem comer e finalmente se deparava com uma caça fresca e suculenta.
Miro, num gesto rápido, rasgou a camisa que Camus trazia, empurrando-o sobre o leito e tomando o domínio da situação. Mas o francês, após despir a última peça que o rapaz trazia, o fez saber quem realmente mandava e apertando-o contra a cama de forma imperiosa, explorava com fúria e com vontade aquele corpo muito bem definido, beijando, mordendo, lambendo, sentindo todos os gostos indescritíveis que aquela pele amorenada lhe proporcionava.
O grego contorcia-se, repuxando os cabelos azulados do outro. Seus corpos, agora sem nenhuma barreira que impedissem carícias mais íntimas, entregavam-se ao mais sublime prazer. Sim, Camus era um verdadeiro amante e Miro o faria descobrir sua natureza e realizaria seus mais íntimos desejos custe o que custar.
E olhando-o ferozmente, o beijou de forma atrevida, fazendo o francês segurar-lhe a parte de trás da cabeça até que esta tocasse novamente o travesseiro. As linguas passeavam pelo interior da boca de cada um levando-os a um estado de semi-inconsciência. Miro passava seu rosto pelo do parceiro, sentindo ser arranhado pela barba recém feita, ainda trazendo o cheiro de produtos químicos misturado ao suor, que lambia sensualmente atrás da orelha de Camus, fazendo-o fechar os olhos, levemente trêmulo.
Olharam-se por alguns segundos, entendiam-se sem precisar de palavras, estas as vezes tornavam-se desnecessárias. Seus lábios encontraram-se mais uma vez, agora de forma terna, como pressagiando o que ambos queriam: a satisfação plena.
- Me pega pra você! Francês...
Sussurrou, roucamente, o rapaz de cabelos azuis e olhos enlouquecidos de volúpia. Camus sentiu seu sangue esvair-se do corpo.
- Não costumo pegar o que já é meu!
Respondeu preparando-o para a penetração; Miro apenas sorriu, apertando o lençol da cama ao sentí-lo adentrá-lo com toda sua vontade.
O.o.O
- Fala alguma coisa!
Miro, deitado no peito de Camus, fazia círculos com a ponta dos dedos no tórax robusto do francês. Camus limitava-se a olhar o teto, perguntando-se se tinha enlouquecido:
- Não devíamos ter feito isso! - conseguiu articular ao fim de alguns segundos.
- Nossa, é só isso que tem pra falar! - Miro irritou-se, virando-se de lado e dando as costas a Camus; este o abraçou.
- Falo isto pro seu bem!
- Não me conhece, como pode saber o que é o meu bem! – reclamou.
- Mas é exatamente isso, não nos conhecemos! É tudo muito estranho pra mim!
Camus voltou para sua antiga posição. Miro levantou-se da cama e aproximou-se da janela assobiando alguma coisa. Da cama, Camus o admirava maravilhado com a visão perfeita daquele monumento masculino; olhou o relógio.
- Sabe que horas são? – comentou.
- Não! - disse Miro sem interesse.
- Quatro horas da manhã! - e levantou-se; Miro aproximou-se dele.
- Vai levar uma surra quando chegar em casa! Quem já viu homem casado assim, saindo sem esposa!? - ironizou; Camus dirigiu-se para o banheiro.
Ao vê-lo entrar no chuveiro, Miro travou do seu vidro de perfume e derramou uma boa quantidade pelas roupas do outro, olhando de vez em quando em direção ao banheiro e sorrindo de seu próprio procedimento. Quando Camus, já vestido, voltou ao quarto, encontrou o outro estirado na cama, nu. Miro, ao vê-lo, ajoelhou-se e o beijou levemente nos lábios:
- Como você desejar! Seremos apenas bons amigos! - Camus o fitou sem entender.
- Estou cheirando a você até a alma! - comentou o francês.
- Onde você está?
- Naquele casarão perto daqui!
- Aquela casa enorme é sua? - admirou-se Miro.
- Da família da minha mulher!
- Parece um museu!
- E meus sogro é uma múmia! - Miro sorriu deitando-se no travesseiro; Camus o fitou.
- Já estou indo!
- Cuidado na estrada! - virou-se de lado - Bate a porta quando sair! - fechou os olhos.
Camus o olhou suspiroso e desceu até seu carro, deu a partida e dirigiu-se a sua casa. Na cama, Miro sorria sarcasticamente:
- Amanhã ele vai ter uma grande surpresa! Bendita hora em que o velho Lautrec me encomendou um quadro de sua falecida esposa! - e satisfeito, logo caiu no sono.
O.o.O Continua O.o.O
