Loveless – Versão Completa

Autora: Alis R. Clow

Beta: Ana Granger Potter

Disclaimer: Não é meu, cês sabem disso. Todos os chars são da loira rica. A história, essa é minha.

Warning: Slash, angst, linguagem pesada – é palavrão mesmo - violência e outros warnings que podem surgir mais tarde de acordo com minha mente psicótica.

Nota 2: Se passa no sétimo ano, e Siri está morto, maaaas Dumbie Dumbledore não e Snape não fez maldito Voto nenhum. Fora isso, o resto pode simplesmente fugir do livro (fugir MAIS!?)

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Capítulo Dois – Reconhecimento

Havia um grupo de nove pessoas paradas ao lado das gárgulas que davam acesso ao escritório de Dumbledore. Olho-tonto Moody, Lupin, Tonks, Shacklebolt, Snape, McGonagall e Potter, sentado numa cadeira, ladeado por Granger e Weasley. Draco observou o grupo por alguns segundos. As chances dele eram pequenas. Dali, apenas Snape levantaria a voz a seu favor. Talvez nem isso. Moody faria questão de execrá-lo, nenhuma novidade aí.

A surpresa era Potter. Ele o encarava com um vestígio de sorriso brincando nos lábios. Draco sentiu medo. Não de Potter, mas de algo em Potter. Draco tinha a ligeira sensação de que alguma coisa fugira, se perdera no testa-rachada. Muito possivelmente a sanidade.

Snape se adiantou. Ele falou em tom baixo com Draco.

-- O Professor Dumbledore pediu para esperarmos um pouco. Então fique longe de problemas e mantenha a boca fechada até subirmos.

-- Por que temos de esperar? - Draco questionou. Não se sentia nervoso. Só... Ansioso. Como um atleta antes de uma prova de competição particularmente complicada.

Snape ergueu uma sobrancelha. Draco achou que ele não ia responder, mas afinal ele falou.

-- Por que aparentemente Mondschein não podia esperar para falar com ele.

Mondschein, Draco recordou, era a nova professora de Adivinhação. Era uma jovem que mal passara dos vinte, mas cujos poderes eram sem dúvida assombrosos, segundo comentavam no dormitório. Aparentemente ela previra os resultados dos jogos da Liga de Quadribol com 95 de acerto. E ela nem ao menos sabia direito quais times jogavam! Obviamente ela não permitira que nenhum aluno que tivera acesso às suas previsões apostasse. O que foi frustrante quando ela se mostrou quase absolutamente certa.

Draco bufou pelo nariz.

-- Que isso acabe logo. Não tenho paciência para circo.

-- Lembre-se que o palhaço nesse picadeiro é você, Draco. - acrescentou Snape num tom seco.

Draco torceu o nariz.

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Harry viu Draco conversando com Snape com genuíno interesse, enquanto acenava com a cabeça para o que quer que Hermione dizia para Rony. Se as coisas ocorressem como ele achava que ocorreriam, logo logo Draco estaria aceitando sua proposta.

--- Harry?

Mondschein estava parada aos pés da escada, com um sorriso. Era um pouco mais alta que Hermione, e tinha longos cabelos encaracolados, de um negro profundo. A pele era morena e os olhos, bem, os olhos era um show a parte. Era de um mel claro, dourados às vezes. Não era linda, mas tinha um ar exótico que chamava atenção.

-- Professor Dumbledore quer falar com você. - houve uma movimentação quando todos se prepararam para entrar na sala. Mondschein riu. - A sós.

Harry se levantou com a ajuda dos amigos e se encaminhou para a escada.

-- Um momento. Sr. Malfoy?

Draco olhou.

-- O Sr. também, por gentileza. - Mondschein deu um passinho para o lado e abriu espaço no degrau quando Harry se postou a seu lado.

-- Eu achei que Dumbledore queria falar só com o garoto. - rosnou Moody.

Mondschein deu de ombros.

-- O que você acha ou deixa de achar não me importa. Eu só sei o que o professor Dumbledore me pediu. Se me dão licença.

Ela virou de costas e subiu um degrau. Draco foi forçado com isso a ficar do lado de Harry.

-- Já considerou minha proposta? - o garoto perguntou ao sonserino animadamente. A escada começou a subir quando a professora de Adivinhação disse a senha.

-- Para o inferno você e sua proposta, testa-rachada.

Harry não respondeu.

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O escritório do diretor de Hogwarts continuava a mesma coisa de sempre: entulhado de objetos que Harry não fazia idéia para que serviam. Fawkes estava empoleirada no seu lugar habitual e piou baixo quando viu Harry. O garoto se adiantou para acariciar a cabeça do animal.

Dumbledore estava sentado, as mãos espalmadas sobre a mesa, os oclinhos meia-lua reluzindo com a luz suave que entrava pela janela atrás de si.

-- Sentem-se, por favor. - disse Dumbledore com um aceno de mão.

Draco pensou seriamente em dizer que estava bem de pé, mas acabou se sentando diante da intensidade dos velhos olhos azuis que o encaravam.

-- Senhor Malfoy, acredito que esteja a par do por que de estar aqui hoje. - começou Dumbledore.

Draco não respondeu. Harry ainda acariciava a cabeça de Fawkes e Mondschein estava encostada contra a parada de frente para Dumbledore, portanto, Draco não podia vê-la.

-- Seu comportamento ontem quase levou um de seus companheiros de classe – nesse ponto Draco revirou os olhos, sem um pingo de respeito por Dumbledore. Sério, o velho podia ter salvado seu traseiro, mas ele não ia lamber as botas dele por conta disso. - a morte. Mais de uma vez o senhor foi advertido quanto algumas práticas dentro dessa escola. E ontem acredito que chegamos ao limite da tolerância. O que tem a dizer em sua defesa, senhor Malfoy?

Draco sentiu-se irritado. Ah, qual era daquilo tudo? Ele não planejava matar Potter naquele momento – tanto melhor se ele morresse, mas enfim... - o que o velho queria que ele dissesse? Que estava arrependido? Que ia dar um beijo e um abraço em Harry e dizer "sinto muito, camarada"? Há! Lamento informa-lhe, meu caro, mas é negativa para as duas perguntas.

-- Nada a declarar, senhor Malfoy? - perguntou Mondschein. - Ou talvez o senhor prefira falar na frente dos nossos espectadores ansiosos lá embaixo?

Draco quase mandou a mulher à merda. Quase. Em vez disso ele se virou e lançou a ela um olhar de profundo desprezo.

-- Isso vai mudar alguma coisa? - perguntou com voz zombeteira.

-- Sem dúvida que sim. Pra pior. - respondeu Harry, ainda acariciando tranqüilamente a cabeça de Fawkes.

-- O que você quer que eu diga? Eu apenas me defendi. Esse louco é que tentou me surrar.

Harry não se abalou. E Dumbledore continuava a encará-lo em silêncio.

-- Sabe por que eu não o entreguei ao Ministério, Draco?

Draco encarou o velho, sentindo-se um pouco mal do estômago a menção desse maldito assunto. Já não bastava todos os problemas, todas as conseqüências?

-- Porque – respondeu o diretor como se não tivesse feito pausa alguma. - acreditei que pudesse mostrá-lo a verdade. E que você entenderia depois de tudo o erro.

Pausa. Um silêncio engolfou a sala, quebrado apenas por um pio baixo de Fawkes.

-- Acho que me enganei.

Uma pedra de tamanho colossal afundou no estômago de Draco. Estava sendo expulso? Estava mesmo? Por Merlim, agora era comida de peixe num aquário cheio de piranhas. Era dar um passo fora de Hogwarts e ir parar cara a cara com Tio Voldemort, amigo dos traidores e dos covardes. Pelos Deuses!

-- Estou... - Draco limpou a garganta.- Fora, é isso?

Silêncio.

-- Por Merlim, o testa-rachada está vivo ainda, porque, demônios, eu estou sendo expulso? Por ter arranhado o Garoto de Ouro?

Certo, tática ruim, mas Draco estava com os nervos à flor da pele depois de uma noite inteira acordado. Não estava em condições de negociar. Estava ligeiramente fora de si. E de "ligeiramente" ele estava indo rumo a "extremamente" bem rápido.

-- Você fez bem mais que arranhar. - disse Mondschein, com um tom leve.

-- Cala a boca, não falei com você. - rebateu Draco.

-- Modos, senhor Malfoy. - disse Dumbledore, em tom baixo, porém severo.

-- MODOS? EU ESTOU SENDO EXPULSO E VOCÊS ME PEDEM MODOS? - ele sentiu uma vontade louca de quebrar alguma coisa. A cara de Potter era um bom começo. - O que vocês querem de mim? Sejamos rápidos. Se isso tudo é só um modo de me humilhar...

-- Não se trata disso. - disse Dumbledore, ajeitando os óculos.

-- ...E me mostrar o quão miserável e instável é minha permanência aqui, ótimo, eu já entendi. Se for para me expulsar, então que seja! Eu não vou me dobrar à vontade de ninguém nem renegar minhas crenças!

Draco pontuou sua frase com um violento soco no tampo da mesa de Dumbledore, que fez os vidros de tinta quicarem. Fawkes agitou as asas, olhando de maneira feia para Draco. Harry acariciou delicadamente as penas na cabeça da fênix e murmurou que estava tudo bem.

-- Professor... Posso falar com o Malfoy um minuto a sós? - perguntou Harry, calmamente. Draco viu a expressão gentil que ele carregava e sentiu um ódio profundo queimá-lo.

Dumbledore encarou Potter por um, dois, três segundos. Ninguém ali precisava ser gênio para entender que o diretor estava descaradamente tentando ler Potter. O grifinório simplesmente não se abalou.

-- Claro. - Dumbledore se levantou. - De qualquer modo eu sinto que preciso falar com Alastor. Ele está começando a ficar impaciente. Professora Mondschein?

Dumbledore manteve a porta do escritório aberta para a bruxa passar. Os olhos dela cintilaram, passando de mel para um brilho dourado como se fossem de metal e refletissem a luz, ao olhar parados garotos sentados. Os dois saíram.

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Harry observou, sem surpresa, como Malfoy perdia as estribeiras rápido. Draco era um jogador, disso Harry tinha certeza. Mas ele tinha certeza também que a perspectiva de expulsão e possível morte ao sair da escola, combinados com a pressão de algumas pessoas que o odiavam esperando para vê-lo cair e uma noite mal dormida podiam derrubar as estruturas de qualquer um. Principalmente de alguém que ainda era um moleque.

No fundo, Harry não tinha idéia do por que estava fazendo tudo aquilo. Ele podia perfeitamente apenas se isentar de opinar e deixar Draco pagar por tudo que já fizera, ou podia simplesmente dizer "deixe o pobre diabo em paz". Mas ele não queria isso. Tinha uma idéia fixa, muito fixa, em mente. E não podia fazer nada para espantá-la.

Assim quando a porta fechou, ele sentou-se à mesa de Dumbledore, encarando Draco.

-- Você parece decidido a ser expulso. - Harry comentou, sorrindo.

Draco o encarou, furioso.

-- Vai à merda, Potter.

-- Não. Quem está na merda aqui é você. Eu vou sair ileso. Não se pode dizer o mesmo de você.

Draco pulou da poltrona, o sangue pulsando em suas orelhas. Ele podia ser expulso mas ia quebrar a cara de Harry no processo. Agarrou a frente das vestes de Harry, e o empurrou contra a mesa. O garoto fez força para se manter sentado, mas no susto, perdeu o equilíbrio e caiu para trás, espalhando os itens na mesa de Dumbledore e quebrando um vidro de tinta.

-- Mas que...? - exclamou Harry, batendo com força contra a mesa, sentindo o vidro de tinta se espatifar atrás de si, cortando um pedaço das costas.

Draco pegou um peso de papel ao lado e levantou acima da cabeça. Ia esmagar o crânio de Potter com uma pancada só. E aí seria expulso com motivo justo.

-- Seu animal! - Harry chutou a barriga de Draco, que cambaleou para trás, sem ar. O peso de papel se espatifou no chão.

Muito agilmente, Harry agarrou o pescoço de Draco com uma mão e com a outra empurrou o ombro do garoto fazendo-o perder o equilíbrio. No mesmo instante, puxou com o pé o calcanhar de Draco e ele se estatelou no chão. Harry sentou na barriga de Draco, tendo o cuidado de manter um joelho entre as pernas do sonserino. Se ele se mexesse, ia sentir a maior dor do mundo.

-- Eu estou tentando ser educado, mas se você só entende essa linguagem, eu terei todo o prazer do mundo de conversar com você nesses termos.

Draco grunhiu, mas Harry não desfizera o aperto na garganta de Draco. E o garoto também estava muito consciente do joelho do grifinório perto de áreas... Sensíveis.

-- Que bom que estamos nos entendendo agora. - ele sorriu. - Eu só vou perguntar mais uma vez, e se você me der uma resposta cretina eu vou deixar você se foder sozinho. Entendeu? - Draco grunhiu agressivamente e Harry levantou a cabeça de Draco do chão e arremessou contra o piso com força. Ele ouviu o gemido de dor e a expressão de confusão no rosto. - Entendeu, seu puto?

Harry adorou ver os olhos cinza de Draco se arregalarem. Adorou ouvir um "humph" sufocado de concordância.

-- Nesse caso, eu fico obrigado de impedir sua expulsão. E você ficara obrigado a cumprir sua parte no acordo que será definida posteriormente. Entendido?

Draco assentiu.

-- Certo. Então você aceita o acordo proposto por mim, Harry J. Potter?

Draco pensou rapidamente. Podia aceitar o trato, deixar o testa-rachada tirá-lo daquela confusão enorme e aí, quando o nobre grifinório cobrasse sua parte no acordo, Draco poderia mandá-lo pegar o acordo e enfiá-lo. Com varinha e tudo.

Era um excelente plano.

-- A-aceito. - murmurou Draco, sem fôlego.

E então Harry puxou a varinha e murmurou:

-- Paciscor.

E o acordo foi fechado.

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Draco ficou tão absurdamente surpreso pelo que Harry fez que ele ficou sem reação. O brilhante plano de simplesmente mandar Harry pastar tinha ido por água abaixo no momento em que a magia foi feita. Agora eles estavam presos por um contrato mágico que obrigaria Harry a impedir Draco de ser expulso, mas Draco... Ele teria de fazer o que quer que Harry definisse mais tarde como "sua parte no acordo". Óbvio que se aquilo fosse um negócio, Draco poderia apelar para a Corte Bruxa e anular o feitiço – os termos do contrato não eram claros. Mas como aquilo não era...

Estava ferrado.

Harry se levantou e ajeitou as vestes. Tinha um ar de superioridade que fez Draco se sentir doente.

-- Que bom que nos entendemos, Malfoy. Eu vou chamar...

-- Eu não acredito que você fez isso! - interrompeu Draco, ainda no chão, pasmo.

-- Fiz o quê, Malfoy? - replicou, entediado.

-- Você... Você usou um feitiço. Sem meu consentimento. Foi jogo sujo.

Harry riu.

-- Não, não foi. Eu perguntei você aceitou. O que você achava? Que ia ser meramente um acordo verbal? Não subestime minha inteligência. Não são só os sonserinos que pensam, você sabe.

Draco continuou boquiaberto.

-- Desfaça.

-- Não.

-- Desfaça, Potter.

-- N-ã-o. - cantou Harry.

-- Seu filho-da-puta, DESFAÇA!

Harry encarou Draco.

-- Claro. E você fica por conta própria. E – Harry adicionou erguendo um dedo para calar Draco. - Você me agrediu de novo. Me cortou. Direi que você é mentalmente instável e tentou me matar. Duas vezes. Mais a invasão dos Comensais, que certamente virá à tona, querendo Dumbledore ou não. Acredite, você vai direto daqui para Azkaban. Sem escala.

Draco pensou um pouco. Ele entrou naquela sala fodido. E corria o risco de sair de lá duas vezes mais fodido. Inferno.

-- Eu acho que você compreende que eu sou sua melhor chance. Talvez a única.

-- Qual é minha parte no acordo?

Harry pensou.

-- Não sei ainda. Mas algo vai me ocorrer.

Para Harry ter uma pessoa como Draco Malfoy por perto era, ao mesmo tempo, um alívio profundo, e uma tremenda dor de cabeça. Draco era uma das poucas pessoas, talvez a única dentro de Hogwarts que viam Harry pelo que ele era: um garoto idiota sem pretensões na vida, doido para sair dessa zona sobre Voldemort, Comensais e afins para poder viver a vida em paz. Uma pessoa que via Harry pelo que ele era, ou melhor não era: Harry não era o herói altruísta, valente e destemido. Era só um cara tentando sair ileso de uma confusão que ele não pediu para ser jogado. Harry esta tão absurdamente cansado de ser visto como "herói" que a idéia de vilão estava começando a se tornar atraente. No início era divertido ser o Garoto-que-sobreviveu. Era divertido ver as pessoas olhando embasbacadas para sua cicatriz e dizendo "Oh, você é o grande Harry Potter!" Era muito bom, depois daqueles anos escuros com os Dursleys, ser alguém. Um alguém importante, necessário. Era bom ter a proteção do diretor do colégio, a admiração dos colegas de Casa.

Mas isso estava cansando. Harry não era perfeito.

E Draco via isso. Harry não sabia por que ou como ele via, mas ele via. Talvez os iguais se reconhecessem.

E toda vez que entrava em atrito com Malfoy, se sentia um pouco mais real, um pouco mais ele mesmo. Menos "herói" e mais "humano". Menos salvador da pátria e mais sujeito a erros e falhas. Menos cobrado e com mais direito de dizer "não eu não quero me lançar numa busca louca contra Horcruxes que provavelmente vai levar metade de minha vida, destruir a perspectiva de um futuro e provavelmente me matar no final". Queria ser livre para tomar as próprias decisões e não o que os outros queriam que ele fizesse. E sabia que no fundo, Draco sentia o mesmo.

Como Harry sabia disso? Nem ele mesmo tinha consciência. Talvez os iguais realmente se reconhecessem.

E naquele instante, depois de enganar o grande sonserino ardiloso, ele se sentia bem. Muito bem, obrigado. Talvez ele quisesse mais daquilo, dessa insanidade de bater-e-se-sentir-o-máximo que Malfoy lhe proporcionava, mesmo quando apanhava, mesmo com um feitiço perfurando seus músculos, quase atingindo seu coração e o levando a um fim prematuro.

Harry achava tudo aquilo fascinante.

Era doentio, mas ele estava amando. E por mais que aquilo fosse estranho e diferente do normal, ele levaria até o fim.

E arrastaria Malfoy com ele.

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Draco teve certeza que faltavam vários parafusos na cabeça de Potter. Aquilo era ridículo. Ele estava atado por um feitiço que o próprio grifinório tinha lançado e tinha que fazer algo mais tarde para pagar sua parte na barganha – e, oh, não vamos esquecer que aparentemente nem o Garoto de Ouro sabia o que queria de Draco. Aquilo era patético.

E ele não podia fazer nada a respeito.

Claro, ele sempre poderia correr para o grande sábio e doido Dumbledore, mas ele não o faria. Por quê? Por orgulho. Porque já era suficientemente deprimente ser salvo por Harry Potter e depois admitir que "ele me forçou a fechar um contrato filho-da-puta com termos mais filhos-da-puta ainda". Quase uma menininha frágil sendo violentada.

Assim, Draco Malfoy levantou-se do chão com o restinho de orgulho que lhe restava, espanou a poeira de suas vestes, tirou a varinha e consertou o pequeno estrago da briga. Depois encarou Harry.

-- Está esperando o quê para chamar aqueles abutres aqui e cumprir sua parte do acordo, Potter? Um convite?

Harry maneou a cabeça negativamente. Abriu a porta e desceu.

Minutos depois a sala estava apinhada de gente. Havia um burburinho constante e palavras agressivas que Draco podia muito bem identificar de quem vinham: Moody, o caolho pirado estava decidido a levar Draco com ele para sabe-se Deus lá onde.

Até que, para a surpresa de Draco o tema "expulsão" ficou muito pouco tempo em pauta. Harry adiantou-se dizendo achar injusto sua expulsão, que Harry também tinha sua parcela de culpa e que provavelmente teria espancado Draco até a morte se o feitiço não o tivesse impedido. Aquilo causou um "Oh!" geral. Draco revirou os olhos. Ninguém havia cogitado a possibilidade do Garoto de Ouro ser um assassino. Sinceramente...

Depois entrou em pauta o tema "limites". Nesse ponto, Moody deixou a sala, dizendo não haver mais motivo para ele permanecer. Tonks e Shackebolt também - e Draco apenas os identificou como "o cara negro muito alto de voz grave" e "a doida de cabelo rosa choque" - alegando que apenas tinham vindo para assegurar que Moody não fosse fazer loucura. Como se Draco fosse dá-lo a chance de tentar. Doninha nunca mais.

Os que permaneceram entraram numa longa discussão de como as brigas e Potter e Malfoy tinham ultrapassado todos os limites.

McGonagall discutia ferozmente com Snape quanto o castigo a ser aplicado. Snape insistia que toda a culpa recaía sobre Potter. McGonagall dizia que ambos deviam ser punidos.

E num canto Lupin e Mondschein conversavam em voz baixa. Por algum motivo, Draco achou que a bomba viria deles. Percebeu pelo canto dos olhos que Harry também tinha uma expressão de horror. Uh-oh...

-- Eu e a professora Mondschein chegamos a uma conclusão que talvez agrade a todos. - disse Lupin, ou melhor, professor Lupin. Ele dividia, para total desagrado de Snape, as turmas de DCAT.

O silêncio baixou. Dumbledore parecia genuinamente divertido. Velho sacana, pensou Draco.

-- Talvez a origem desses conflitos estejam na falta de contato. - começou Mondschein. - Talvez os dois precisem conviver um pouco mais.

Draco arregalou os olhos.

-- Sem chances! - berrou Draco.

Harry continuou olhando com desagrado.

Tanto Mondschein quanto Lupin ignoraram.

-- Talvez eles devessem se obrigados a resolver suas diferenças de um modo não violento. Eu sugiro que nós coloquemos os dois em detenção por um mês, prorrogáveis caso não dê efeito. Nos dia de detenção os dois serão obrigados a conversar civilizadamente sobre temas diversos a fim de resolverem seus impasses pessoais. Sei que vocês têm visões de mundo e ideologias diferentes, mas isso não significa que não possam se respeitar. - completou Lupin, no fim dirigindo-se apenas a Draco e Harry.

-- Nós provavelmente nos mataremos, vocês sabem. - disse Harry em um tom neutro.

-- Não, não. Lançaremos feitiços que impedirão que vocês se agridam. E ficarão também sem varinhas. - disse Lupin.

-- A menos que esses feitiços nos amarrem – disse Draco – eu tenho a mais plena certeza de que acharemos um jeito de nos matarmos. Nem que seja de irritar um ao outro.

Snape parecia horrorizado com a proposta. McGonagall parecia considerá-la com alguma relutância. E Dumbledore parecia deliciado. Draco devia tê-lo matado quando tivera a oportunidade. Maldita seja sua covardia...

-- Eu e o professor Lupin nos encarregaremos de avaliar e observar os dois. Eu acredito com toda a sinceridade do mundo que nenhuma outra punição vá dar efeito. E – ela riu nesse ponto – tenho certeza que os dois concordam que essa é a pior punição possível.

Mondschein continuou rindo suavemente, mesmo com Snape fuzilando-a com o olhar e McGonagall com ar de reprovação. Lupin parecia estar com vontade rir também.

Houve uma longa pausa. E então Dumbledore se levantou e falou.

-- Acho a idéia excelente. Os senhores estão de detenção pelo próximo mês. Começam amanhã, às 9h. E acredito ser melhor que os dois se entendam. Ou talvez tenhamos que expulsar os dois.

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Notas e um pouquinho de falação

Mais um capítulo! Eu tô tão produtiva esses dias! Eu acho que tá tudo meio louco, mas sabe que eu tô me divertindo? Eu não sei se está bom, isso quem vai me dizer são vocês, mas que eu tô me divertindo, ah, isso eu tô.

Harry é bad boy, Draco só se ferra...

Ah, sobre a Mondschein, ela é a minha ponte de salvação. Eu sempre achei que Trelawney era uma droga de professora e que Adivinhação merecia alguém melhor. Tínhamos Firenze, verdade, mas, vamos lá, ele não é sádico que nem a Mond. Adoro ela. E não se preocupem, não vou Mary Sueza-la. Eu defini limites à atuação dela. E, caso alguém tenha ficado curioso com a aparência dela, eu a fiz parecida com a Oruha de Clover e Tsubasa Chronicles, do CLAMP. Procurem no Google Imagens que vem. Só que a Mond é um pouco mais morena.

Ah! Paciscor em latim significa negócio fechado. Na verdade, significa "deal" que é negócio, transação. Eu acho que é uma boa palavra. Meu dicionário de latim diz que:

paciscor

V DEP
make a bargain or agreement; agree enter into a marriage contract; negotiate

Loveless também é cultura. É melhor que revelius cabbedelius ou coisa assim. Um dia eu me lembro onde li isso e explico melhor... XD

Bem, e sobre o Draco... Ele ainda não mostrou a que veio. Eu vou tentar ao máááximo não deixá-lo OOC, mesmo que eu considere isso meio difícil. Mas não se preocupem, Draquette não será submisso. O pau ainda vai quebrar muitas e muitas vezes com Harry. ºa que pensou em mil piadinhas com essa última fraseº

E eu nem preciso dizer que essas detenções vão ser... ºrisadas macabrasº

THX VERY MUCH a: DW03, Julia Cohn, Scheila Potter Malfoy, Bruna Apoena, HnT e Karla Malfoy! Prometo responder as reviews na próxima, ok? Estou atrasada pro trabalho agora o.o'

Kissu e até a próxima.

Notas da Beta:

Oi povo! Espero que estejam gostando da fic. Eu tô adorando!

Bom, já sabem né? Críticas, opiniões, e tudo mais serão recebidos com o maior entusiasmo!

Beijos e até o próximo capítulo!

Ps: Alis, minha filhota! Não judia muito do meu Loiro ta? Please! Ana com olhinhos de cachorro pidão