Capitulo I - One More Thing (Mais Uma Coisa)
- Tenho uma proposta comercial muito simples Sr. Cullen. – Alice Brandon acomodou-se na cadeira diante do alvo escolhido e ajustou os óculos de aros de metal antes de encará-lo. - Quero que se case comigo.
Se o assustara, ele não demonstrava o espanto por meio da expressão. Mantinha os olhos claros fixos nela como se fosse uma criatura jamais vista antes. Alice não se incomodava. Estava habituada a receber aquele tipo de olhar desde os dez anos de idade. Aos doze descobrira que os adultos se sentiam mais intimidados por ela do que ela por eles.
- Desde quando casamento se tornou uma proposta comercial? – ele perguntou.
O tom da pergunta era casual, quase como se ele tivesse apenas curioso. Poderia ter acreditado na falsa indiferença, não fosse pela rigidez espantosa que o dominara desde que ouvira a proposta.
- O casamento é sempre uma proposta comercial. Muitas pessoas usam uma cortina de emoções exageradas para encobrir esta qualidade, o que é uma tolice.
Cullen a surpreendeu com um sorriso rápido, e ela teve de fazer um grande esforço para disfarçar sua reação. Devia ter levado em conta as palavras que Jessica havia dito sobre o homem, em vez de descartá-las como simples exagero feminino, provocado por uma atração poderosa e, quase sempre impossível de realizar. Mas Jessica não exagerara. Aborrecida, compreendeu que toda a pesquisa sobre Jasper Cullen não servira para dar idéia de sua presença poderosa.
Dono de uma beleza espantosa, ele ainda conseguia reter um ar de inegável masculinidade. A boca carnuda contrastava com o queixo quadrado e autoritário, e os cabelos castanhos alourados emolduravam o rosto iluminado por grandes olhos verdes que lembravam grandes esmeraldas. Calmos. Seguros. Atentos. E inteligentes.
- Entendo. Obrigado, Srta...?
- Brandon. Alice Brandon.
- Obrigado, Srta. Brandon, mas não estou interessado em casamento, nem como proposta comercial, nem como envolvimento romântico, nem como forma de salvar minha vida.
- Compreendo. Esta resistência deve ser resultado do rompimento do seu noivado e daquele infeliz incidente que o precedeu.
Ele levantou-se, e Alice sentiu um arrepio. Oh céus! Devia ter escolhido outra forma de abordagem. O primeiro passo não havia sido o mais indicado para começar a negociação. Cullen contornou a mesa com passos lentos, deliberados, e parou ao lado da cadeira. Quando estendeu a mão em sua direção, foi preciso um grande esforço para não encolher. Mas o esforço foi inútil. Segurando seus braços, ele a levantou e a conduziu até a porta do escritório.
- O que está fazendo? - perguntou. Droga! Estava ofegante, e isso jamais havia acontecido antes.
- Estou pondo você para fora do meu escritório.
- Pode me dizer por quê?
- Porque não tenho paciência para lidar com malucos. Na verdade prefiro nem falar com eles. — E a empurrou para fora, batendo a porta em seu rosto.
Alice ajeitou os óculos. Que homem mais rude! Nem ouvira o que tinha a dizer. Sem dar a si mesmo tempo para reconsiderar, abriu a porta e voltou à sala. Ele não devia estar habituado a ser contrariado. Sentado atrás da mesa, examinava alguns documentos e só levantou a cabeça quando ouviu o som da porta.
Alice prendeu o fôlego diante da expressão furiosa. Devagar Jasper levantou-se, empurrando a cadeira com tanta força que ela se chocou contra a parede, provocando um ruído assustador.
- Parece que gostou de ser jogada para fora.
Se pensava que podia intimidá-la, teria de fazer melhor do que arremessar cadeiras e franzir a testa. Participara de intermináveis reuniões com homens mais duros e ameaçadores, e sempre soubera enfrentá-los. Afinal, aquela era uma simples demonstração emocional, e nenhuma emoção podia resistir à força da lógica calculada.
Além do mais... estava determinada.
- Sr. Cullen, nem se deu ao trabalho de ouvir minha proposta.
- E nem pretendo ouví-la.
Inglês. O sotaque era inegável. E sexy. Não que se deixasse envolver por esse tipo de sedução ensaiada. Não muito.
- E se a proposta estiver relacionada com á Future Corporation? – perguntou ela, concentrando-se na questão.
Cullen cruzou os braços sobre o peito.
- Continue.
- Não vai me convidar a sentar? – indagou sorrindo.
Aquele era um sorriso que sempre sortia efeito. Talvez por ser amplo e inocente. Talvez por ser assimétrico. Qualquer que fosse o apelo, o homem também sorriu. Há muito Alice aprendera a usar todas as armas disponíveis para a realização de um negócio. Sabia que uma mulher devia ser racional, equilibrada... Mas um pouco de simpatia nunca fizera mal a ninguém. Era o envolvimento pessoal que procurava evitar. Porque esse envolvimento levava a decisões ilógicas, algo que não podia permitir. Aprender a lição há anos e não pretendia esquecê-la.
Jasper apontou para a cadeira que ela ocupara antes.
- Sente-se, por favor – ordenou, usando um tom autoritário que a obrigou a respirar fundo.
Centenas de respostas impróprias a tentavam, mas conseguiu engolir cada uma delas. Falar sem pensar era um de seus defeitos mais graves, e não podia cometer tal erro num momento tão importante. Além do mais a cadeira à frente da mesa era exatamente onde desejava estar, mesmo que o convite soasse como uma ordem. Honestamente, se não tivesse aquela horrível tendência a assumir o comendo em qualquer situação, não estaria tão irritada com o tom autoritário do sujeito.
Determinada a manter a calma, sentou-se.
- Muito obrigada.
- Qual é o seu interesse na Future Corporation, e por que acha que o nome da empresa me faria aceitar sua proposta de casamento?
- Vejo que gosta de ser direto e objetivo. Temos algo em comum nada daquele charme adocicado pelo qual os Cullens são tão famosos.
- Não me considera charmoso?
Ah, então era vaidoso! Alice arquivou a informação, disposta a usá-la em um momento oportuno.
- Nem um pouco – respondeu, mentindo. Sabia que logo poderia superar o efeito provocado pelo sotaque sensual e impressionante. Charme era uma qualidade alheia ao mundo dos negócios, e naquele momento não havia espaço em sua vida para qualquer outra coisa que não fosse os interesses comerciais.
- Ótimo. Recentemente descobrir que o charme é um engano quando lidamos com as mulheres.
Ela hesitou, considerando a resposta. Estaria ele se referindo a todas as mulheres, ou a ela em particular? Uma emoção incomoda e basicamente feminina brotou em seu peito. O que aconteceria se Jasper mudasse de idéia e concentrasse nela todo seu poder de sedução? Aquele sorriso podia ser perigoso para uma mulher menos sensata. No passado, sempre tomara cuidado de manter-se distante daquela potente energia masculina. Como seria estar casada com ela?
Droga! Cullen estava usando todas as armas de que dispunha. Então, porque experimentava impulsos tão ridículos? Teria de refazer os cálculos para incluir o novo e incômodo elemento. Talvez Cullen não fosse a melhor opção, afinal. O homem era muito agressivo e independente. Duvidava que pudesse acatar instruções, especialmente de uma esposa temporária.
Então a falha em seu raciocínio se fez clara, e ela o brindou com um sorriso de aprovação. Os comentários não eram pessoais. Ele se referia a todas as mulheres. Suspeitava de que a atitude era causada pelo rompimento do noivado e pelo lamentável incidente envolvendo os negócios da família da ex-noiva. A combinação dos dois fatores produzia um efeito poderoso que o abalava profundamente.
- Vamos voltar aquele assunto delicado, não é? – perguntou
- Parece que sim.
- O que nos remete aos negócios. Podemos prosseguir?
- Sim é claro.
- Ótimo. Quem é você, o que quer aqui, e qual é a sua relação entre o que tem a dizer e a Future Corporation?
- Sou a proprietária da empresa.
- A companhia pertence a Crabbe e Associados.
Ela riu.
- Um nome terrível, não acha?
- Horroroso.
- Muito bem Sr. Cullen, não quero tomar seu precioso tempo. Na verdade, também prefiro ater-me aos negócios. Eu sou a Crabbe e Associado, como também sou a Future Corporation. Tudo pertence a mim.
- Presumo que tenha provas do que diz?
- Posso providenciá-las sem nenhuma dificuldade.
Ele levou um minuto para digerir essa informação. Em vez de exigir comprovações imediatas do que acabara de ouvir, encarou-a com firmeza.
- Quantos anos têm Srta. Brandon?
- Porque quer saber?
- Curiosidade.
- Vinte e seis.
- É jovem demais para ocupar uma posição de tanto poder.
- Oh, mais não estou no poder. Sou apenas a proprietária das duas companhias. Meu tio as administra.
- E isso a incomoda? Acredita que deveria estar no comando?
- Minha decisão não está relacionada a sentimentos. – estavam se desviando da questão principal, e precisava retorna o assunto – Sr. Cullen...
- Jasper.
Ela assentiu. Afinal se seriam marido e mulher, seria ridículo insistir em certas formalidades.
- Jasper. Tem interesse em comprar a Future Corporation?
- Minha família esta tentado adquiri a empresa há anos. Assim teríamos um poderoso elo com o mercado da Costa Oeste.
- Bem, posso realizar o desejo de sua família.
- E tudo que tenho a fazer é me casar com você?
- Exatamente.
- Por quê?
Ela levantou-se com uma falta de graça incomum. Por alguma razão, o assunto assumia um caráter emocional de difícil articulação. Como um homem igual a Jasper Cullen poderia entender que a condição era vital para o seu futuro... Sem mencionar o do tio?
- Se aceitar a minha proposta, poderá comprar a Future Corporation por um preço irrisório.
- Por quê?
- Porque o casamento é a única saída para que tenha a posse completa de minha herança. – caminhava pela sala com passos lentos, observando a mobília enquanto tentava aumentar a distancia entre eles. Quando alcançou o extremo oposto do aposento, virou-se para encará-lo – Meu tio terá o controle de todos os meus bens até que eu me case... ou complete quarenta anos de idade.
- Quer minha ajuda para acelerar o processo. Aos vinte e seis anos de idade, decidiu que pode fazer um trabalho melhor do que o de seu tio. É isso?
- Não. Duvido que possa fazer melhor do que ele. Aro é um empresário competente. Desde que assumiu o comando sobre minha herança, ela se multiplicou de maneira impressionante.
- Então, porque está tão ansiosa para assumir o comando?
Não podia revelar a verdadeira razão. Seria impróprio e nada ético. Em silêncio, dirigiu-se a outra parte do escritório onde havia uma seleção de fotos de família. A coleção causou um sentimento de inveja. Os Cullen eram tão numerosos quanto atraentes. Havia pelo menos meia dúzia de homens em uma variedade de situações, com idade que variavam dos vinte aos trinta, ou pouco mais que isso. Jasper aparecia em todas as fotografias, quase sempre sorrindo, uma imagem que perturbava sua paz de espírito.
Alice pegou um dos porta-retratos. Céus! Devia estar sofrendo uma ilusão de óptica. Podia jurar que mais de um Jasper sorria para ela. O estranho calor que experimentara antes retornou com um impacto surpreendente. Não estava interessada no homem. No entanto... que outra explicação poderia haver para a peculiar reação? Devolveu o retrato à posição de origem com pressa desnecessária. O metal provocou um ruído estridente contra a superfície de madeira, e ela recuou. Aquele não era o melhor momento para experimentar uma atração sexual. E, se o alvo desse sentimento era Jasper, a inconveniência se tornava maior.
Respirando fundo, virou-se e tentou ignorar o perfume suave e delicioso da colônia, o brilho dos olhos verdes e a força sugerida pelo queixo quadrado. Pelo menos ele não estava sorrindo. Mesmo coberto por um terno de corte perfeito, o homem exibia ombros largos que sugeria músculos bem definidos. E aquele incontestável exemplo de masculinidade era o homem com quem decidira se casar.
Que desastre!
- Às vezes considero difícil expressar meus sentimentos – confessou
- Tente.
- Está bem. – passou por ele para aproximar-se da janela de onde era possível ver a cidade de San Francisco. Por ironia, o escritório ficava bem na frente do dela. Apenas a largura da rua separava os dois edifícios. Cullen aproximou-se, ela olhou por cima dos ombros com um suspiro exasperado. O homem nunca ouvira falar em espaço pessoal?
- Meu pai era dono da Crabbe Associados. Ele partiu de uma firma pequena e modesta e construiu um verdadeiro império. Meu tio era seu braço direito. Quando meus pais morreram em um acidente aéreo, tio Aro assumiu a responsabilidade que era deles. Ou seja, ele passou a cuidar de mim e dos negócios.
- Quantos anos você tinha?
- Dez.
- E disse que ele é competente?
- Sim, muito.
- E também foi um bom pai para você?
Alice sorriu ao ouvir o tom preocupado. Apesar da aparente dureza, o instinto de proteção era tão forte que podia ser identificado numa simples pergunta. Devia ser algo inerente aos membros das grandes famílias. Com tantos irmãos mais jovens, era compreensível que o sentimento fizesse parte da sua natureza.
- Tio Aro sempre foi rabugento e desajeitado para lidar com esquisitices de uma pré-adolescente. Mas ele me ama.
- Então, qual é o problema?
- Quando passou a me criar, Tio Aro decidiu que eu devia aprender tudo sobre minha herança e a operação da Crabbe Associados. Comecei a participar de algumas reuniões da diretoria.
Jasper não estava surpreso com a resposta evasiva. Apesar de conhecê-la pouco, já havia percebido que a deliciosa Srta. Brandon não gostava de discutir assuntos pessoais. Mas se o procurara com uma insólita proposta de casamento, teria de responder a todas as perguntas que ele quisesse formular.
- Gostava dessas reuniões?
- Oh, sim, muito! – ela sorriu – E foi esse gosto que tornou mais fácil o relacionamento com meu tio. Tínhamos algo em comum. Com o passar dos anos, fui me envolvendo cada vez mais na administração da empresa. Sou formada em administração e finanças internacionais e ocupo uma posição bastante ativa no corpo diretivo da Crabbe e Associados e da Future Corporation.
- Ainda não entendi...
- Passei os últimos dezesseis anos vivendo e respirando o mundo dos negócios. Esse tempo é suficiente para que eu saiba o que quero fazer das empresas que possuo. É hora de dar um novo rumo a Crabbe e Associados.
- O que significa que pretende tomar esse poder das mãos de seu tio. – deduziu desapontado. – O que a faz pensar que estou disposto a ajudá-la?
Alice Brandon o encarou. Seus olhos possuíam um tom quase dourado e eram tão penetrantes quanto desconcertantes.
- Você quer a Future?
- Existem muitas coisas no mundo que eu gostaria de ter. Nem por isso as tomo para mim sem pensar nas conseqüências. Ou imaginou que aquele lamentável incidente, como disse há pouco, poderia me tornar suscetível a sua oferta?
Ela o brindou com mais um daqueles encantadores sorrisos.
- Reconheço que pensei nisso, mas não pelos motivos que está imaginando. Não vim pedi-lo em casamento por considerá-lo desprovido de ética e, portanto, suscetível a propostas condenáveis. Estou sugerindo que se case comigo porque acredito que esta é a oportunidade perfeita para provar que todos estão errados. Para demonstrar que é um homem honrado.
- Tem certeza disso? Ou ainda não ouviu toda a história?
- Ouvi todas elas.
- Então, o que veio fazer aqui?
- Não acredito nelas – respondeu com simplicidade espantosa.
Por um momento ele a encarou em silêncio. O ar queimava em seus pulmões, buscando saída, e ele exalou de maneira ruidosa.
- Não acredita...?
- Não.
A desconfiança sufocou uma onda de esperança... Esperança que julgava ter sido destruída há muito tempo.
- E como chegou a essa brilhante conclusão?
- Contratei um detetive para investigá-lo.
- Se mandou alguém investigar minha vida, como pode acreditar que sou...?
- Não precisei fazer uma analise exaustiva. É tudo uma questão de lógica. você era noivo de Kate Denali. A família dela possuía uma pequena, porém lucrativa companhia interessada em assinar um contrato com uma corporação no exterior. Você foi o mediador desse acordo. Infelizmente, a tal corporação estrangeira era fraudulenta, nada mais que um nome fictício em documentos falsos.
- Não está dizendo nada que eu não saiba. Vivi essa história, lembra?
Ela o encarou com ar impassível, uma expressão que devia ter cultivado ao longo da prematura carreira no mundo dos negócios. Sem dúvida, o olhar firme e penetrante surtia efeito com a maioria dos homens. Infelizmente, ele, não fazia parte dessa maioria.
- Estou apenas recordando os pontos principais para garantir a clareza do conjunto.
- Oh, sim... desculpe-me. Prossiga.
- Onde estava? Oh, sim. Como resultado da negociata, a família da Srta. Denali perdeu tudo. Os Cullen reembolsaram todas as perdas, mas era tarde demais. O dano já havia sido causado. Embora nada tenha sido provado, os rumores o colocam no papel de vilão da tragédia. Na minha opinião, essa imagem de impropriedade se solidificou quando a Srta. Denali rompeu o noivado, e sua família reembolsou o dinheiro perdido pelos pais dela.
- Sei tudo sobre falsas aparências e impropriedades.
- Uma pena realmente – ela refletiu – Já que nunca teve culpa de nada...
- Como pode ter tanta certeza? Usamos todos os nossos contatos, tentando descobrir quem estava por trás daquela companhia fantasma no exterior, e não conseguimos nada. Que informação obteve que nos desconhecemos?
- Nenhuma.
- Então, porque afirma que sou inocente? – Jasper insistiu irritado.
- Porque não faz sentido. Você não teria motivos para enganar os Denali. Pelo contrario. Investiu tempo e energia para ajudá-los. Ficou noivo antes do fatídico acordo comercial, o que indica que não seduziu aquela mulher para induzi-la ao silêncio. Não enfrentava dificuldades financeiras. Não precisava de dinheiro. É claro que as pessoas não roubam impelidas apenas pela necessidade, mas pelo que pude descobrir, não havia nada que pudesse motivar um comportamento tão inescrupuloso.
- O detetive disse tudo isso?
- Quase tudo.
- E, como resultado da análise, ele decidiu que não sou culpado?
- Pelo contrário. O investigador o considera culpado, como todos os outros. Mas ele está enganado. Receio que o homem não seja um modelo de lógica.
- Esta me dizendo que apesar de nunca termos nos conhecido, apesar de todas as evidências contra mim, apesar das conclusões do detetive que contratou de todas as pessoas que me conhecem... Você me considera inocente?
- Exatamente.
- É surpreendente. Ninguém acredita em mim, exceto minha família. Nem os amigos mais antigos, nem os associados comerciais, nem minha ex-noiva e os pais dela... Ninguém.
- Eu acredito.
Jasper a encarou incrédulo. Os olhos brilhantes sustentaram os dele com uma sinceridade que o levava a aceitar a realidade. Aquela mulher acreditava mesmo nele.
- Esta falando sério?
- É claro que sim. E se aceitar minha proposta de casamento, sei que teremos chance de provar sua inocência.
- Como?
- Para ser honesta, ainda não sei. Pensaremos nisso mais tarde. É claro que o casamento comigo vai ajudar muito. As pessoas confiam em mim. Se eu afirmar que é um homem confiável, poucos questionarão meu julgamento.
- Por quê?
- Porque estou sempre certa. Não consigo me lembrar quando errei pela última vez.
- E se estiver errada? E se eu for mesmo um ladrão? E se mais tarde descobrir que eu tinha um motivo para roubar afinal?
A gargalhada ecoou na sala, um som pleno e profundo que contrastava com o tipo delicado, quase frágil. A incongruência era fascinante.
- Então farei papel de tola, não é? Mas duvido de que isso aconteça. Confio em minha capacidade de análise e formulações de deduções lógicas.
- Muito assustador!
- Mas você não está assustado, está?
- Nem um pouco. Mesmo assim, continuo achando que tudo isso é uma loucura.
- Porque o peguei de surpresa? Não havia outro jeito. Quero manter minha proposta em segredo.
- Ainda não explicou porque quer assumir o controle da Crabbe.
Pela primeira vez desde que entrara no escritório, ela assumiu uma expressão fechada. Só então Jasper percebeu que a jovem havia sido franca e honesta até aquele momento.
- Lamento, mas não posso responder a essa questão. A história é mais complexa do que posso explicar agora.
- Porque será que isso não me surpreende?
Ela inclinou a cabeça para o lado, e o sol arrancou reflexos dramáticos dos cabelos pretos, criando a expressão de que um manto negro emoldurava seu rosto.
- Devo deduzir por sua desaprovação que não vai se casar comigo?
- É claro que não vou me casar com você. Um Cullen só se casa por...
- Amor?
- Não acredito mais nessa fantasia.
- Nesse caso, qual é o problema?
Era difícil controlar o temperamento. A impaciência o dominava, ameaçando levá-lo a uma violenta explosão.
- Quase cometi um grave erro. Não me sinto encorajado a fazer uma nova tentativa.
- Acho que não entendeu minha proposta. Não estou sugerindo um compromisso permanente.
- E acha que assim vai tornar a idéia mais atraente? Um noivado rompido seguido por um casamento fracassado? Minha família ficaria muito feliz. E minha reputação na comunidade empresarial não valeria mais nada.
- Oh, céus! Não havia pensado nisso. Agora entendo qual é o problema. – confessou desanimada.
- Ótimo. De qualquer maneira, tenho uma proposta a fazer. Assim que conseguir casar-se, venha me fazer uma visita. Será um prazer comprar a Future Corporation.
- E se meu marido exigir a empresa como recompensa por se casar comigo?
- Isso é provável?
- O segundo nome em minha lista de prováveis maridos é o de seu maior concorrente...
Todos os cap. terão nomes de música(adoro fazer isso... /quem perguntou??)
Quem canta a música 'One More Thing' é 'Bethany Joy Lenz'
Reviwes, please!!
