Nas semanas que se sucederam, eu mesma evitei falar, encontrar ou olhar para a cara de Teddy. Em contrapartida, passava o máximo de tempo que conseguia com Max, estudando e ouvindo ele falar. Assim foi até os exames, que excepcionalmente aos quintanistas e septanistas seriam realizados mais cedo, em função dos NOMs e NIEMs.

Saí da minha sala de exame bem mais aliviada e como achava que tinha ido bem, resolvi dar a mim mesma uma folga. Max me acompanhou até os jardins e ficamos deitados embaixo de uma árvore vendo a Lula Gigante jogar água em quem chegava muito à beira do lago; um programa bem hogwartiano.

- Você vai à Hogsmead este final de semana? – Max perguntou, mexendo numa mecha do meu cabelo.

- Vou. Vai ser legal. Molly e eu já combinamos de ir na filial da loja de tio George ver se ele está por lá.

- Ah. Vic... na verdade ia te convidar para ir comigo. – arqueei uma sobrancelha. – Naquela casa de chá, sabe, ou só passear mesmo.

- Ah... Claro, pode ser.

Ele ficou contente e me deu um beijo curto.

Dois dias depois, fomos juntos à Hogsmead. Como ele não queria que eu cancelasse meus planos, foi comigo até a loja de tio George, que estava lá. Enquanto eu conversava com meu tio, Max foi olhar as prateleiras de produtos que eu conhecia de cor e salteado. Depois, fomos para a casa de chá.

Era um lugar estranhamente confortável, embora tivesse um forte cheiro adocicado que estava me deixando meio tonta. Max, que parecia tão embriagado pelo cheiro quanto eu, ficou mais quieto, deixou que eu falasse mais. Não que eu tivesse muito para dizer, então falava muito sobre pouca coisa e ele, gentil, ria e fingia rir.

- Vic, tenho uma coisa para te pedir...

- Hum? – o encarei, confusa.

- Olha... é que já fazem dois meses que nós estamos saindo e eu pensei que talvez você quisesse... sabe... namo... – mas antes que ele pudesse terminar a frase, ele começou a fazer uma careta muito estranha, como se fosse cuspir algo (fiquei com medo que fosse um anel de compromisso).

- O que aconte... Max?

Aí seu rosto começou a ficar roxo. Ele respirava com muita dificuldade pela boca até que... ploft. Sangue começou a jorrar de seu nariz com se não houvesse amanhã.

Corri até ele e deitei sua cabeça para trás, pensando num feitiço que estancasse aquele sangramento todo. Mas espera, eu conhecia aquilo...

- Você comeu alguma coisa na loja do meu tio? – perguntei, atônita.

- Seu... primo... – ele tentava dizer pausadamente, de modo que não engolisse o sangue que jorrava incessante de seu nariz. Naquele momento, todos os outros clientes do lugar e duas garçonetes nos olhavam desesperados. – James... bala... verde... disse feijã... aí comi.

- Nugá sangra-nariz. – conclui.

Embora parecesse que ele não tinha entendido – e me surpreendia que alguém não conhecesse os famosos nugás -, Max continuava com aquela hemorragia nasal.

- Faz... algo... Vic!

- Desculpa, não dá! – falei, tentando ajuda-lo a achar uma posição confortável. – Tem que esperar o efeito passar ou voltar à loja e pegar o corta efeito!

- Então... faz!

- Você vai ficar aqui sozinho?

- Faz Ic! – ele disse, o sangramento só aumentando.

Pedi a uma garçonete que ficasse de olho nele e corri de volta para a loja de tio George. Quando cheguei, a pessoa mais indesejada com quem eu podia cruzar estava por ali, rindo enquanto falava com Fred e James.

- James! – gritei e ele olhou para mim. – POR QUE VOCÊ FEZ AQUILO?

- Eu? O que eu fiz? – ele se fez de desentendido.

- Você sabe muito bem o que fez! Me dê logo a porcaria do corta efeito!

- Bom Vic, posso verificar com o Fred se no estoque tem disponível... É porque muitos bobões comem algumas coisas aqui sem saber o que são e...

- CALA A BOCA E VAI!

Ele se virou para o depósito junto com Fred e foram rindo, no passo mais lento que podiam dar.

- VAI OU EU TE ESTUPORO DAQUI! – aí eles aceleraram. Mas não muito... Foi naquele instante que percebi que a outra pessoa também ria.

- Do que você está rindo, imbecil?

- Nada. Cadê seu namoradinho? Pensei que já o tivesse transformado num chaveiro. Um chaveiro bem sangrento...

- Foi você!

- O que?

- Você mandou o James dar o nugá para o Max enquanto eu estava distraída!

Teddy fez uma cara de inocente.

- Eu não fiz nada, Vic.

Aí enquanto os meninos saiam do depósito, pulei para cima de Fred e apontei minha varinha para sua cabeça.

- Foi o Teddy quem mandou?

- O que? – Fred parecia assustado.

- Foi ele quem mandou vocês darem isso ao Max? Fale Fred, ou juro por Merlin que te transformo num pudim agora mesmo!

Teddy posicionou-se entre nós e tomou minha varinha.

- Não vai transformar ninguém em pudim. Fred deve ser um pudim horrível.

- CALA A BOCA LUPIN! – gritei, enquanto tentava bater nele. Ele, pelo contrário, só ria da minha falha tentativa. Teddy, assim como Max, era bem grande. – Me dá essa porcaria aqui Fred! – tomei o corta efeito das mãos dele e sai em disparada até a casa de chá, ignorando os três imbecis que riam incessantemente.

Bem a tempo cheguei ao meu destino, pois até a xícara em frente a Max transbordava sangue misturado ao chá. Enfiei o corta efeito em sua boca, sem muita cerimônia, e mandei ele engolir. Imediatamente, o sangramento reduziu até estancar.

Definitivamente não tinha sido um bom encontro.

Na segunda feira que se seguiu, as coisas não melhoraram. Durante uma partida de quadribol entre – tinha de ser – Gryffindor e Ravenclaw, Teddy, que era o batedor, acertou os dois balaços em Max, ao mesmo tempo, de um jeito que ele foi imediatamente levado para a enfermaria com uma perna quebrada e alguns ossos fraturados. O time de Gryffindor levou duas faltas por isso, mas nada que pudesse expulsar Teddy – afinal, ele não fizera mais do que sua função. Gryffindor venceu.

Ao final do jogo, subi correndo para ver Max. Ele resmungava de dor enquanto seus ossos se regeneravam com aqueles remédios horríveis de Madame Pomfrey.

- Desculpe por isso, Max. - falei, tentando esconder meu ódio com condolências. Max, por sorte, não era lá muito bom em ler pessoas.

- Ele é um batedor, é o que ele tem que fazer. - disse ele, dando um sorriso um tanto irônico. - Ai!

- Desculpa! - imediatamente, notei que apoiara meu cotovelo sobre seu antebraço. - Olha Max, não foi só isso...

- Como assim?

Respirei fundo. Por que logo agora, Teddy?

- Teddy... Ele mandou James te dar... o nugá. Aquele dia em Hogsmead.

- QUÊ? – ele gritou.

- Silêncio! – Madame Pomfrey berrou do outro lado.

- Eu sei! Não sei porque ele fez isso!

- VIC! – Max contorceu o rosto com a dor. – Não é possível!

- O que Max?

- Vocês dois, silêncio ou te coloco pra dormir e a mocinha vai ser banida daqui!

- Você não notou ainda?

- Notei o que?

- Ele está com ciúme de você!

De repente, senti meu rosto congelar. Minha boca semi abriu-se, mas eu não tinha nada a dizer. Ah, como eu desejava que não fosse isso!

- Mas isso já é loucura, Victoire.

- Você quem é louco! - berrei, e por um instante me perguntei porque eu estava tão brava com quem deveria ser a vítima da história.

- Mocinha, saia! – ignorei a enfermeira de novo.

Madame Pomfrey agarrou a gola de minha capa e começou a me puxar.

- Eu avisei!

- Vai Victoire, e é melhor a gente não ficar junto, ou eu vou acabar morren... Ai! – ele resmungou enquanto uma enfermeira despejava um remédio em sua boca e tapava seu nariz.

- Mas Max... eu...

- Saia mocinha! – Madame Pomfrey me puxava cada vez mais. Percebi que ele começava a cair no sono. Resolvi que ia sair dali por conta própria. Enquanto caminhava a passos largos no corredor da enfermaria, minha cabeça girava. As coisas pareciam absurdamente confusas. Eu precisava falar com ele.