Capítulo 1 - Introdução

Inglaterra, 1689, século XVII, em algum lugar da fortaleza de Otter.

Gritos, sangue, confusão...

Ela só isso conseguia ver e ouvir enquanto brandia sua espada na cabeça de mais um inimigo.

Sentia-se eufórica em poder finalmente guerreia e percebeu-se sorrindo.

Louca, desvairada, assim aparentava ser.

E logo mais um foi ferido por suas mãos, e outro atrás deste... Deus, como era bom a sensação!

Passos foram ouvidos e o arrastar de panos que logo fizeram uma luz ardente penetrar em seus olhos.

Encontrava-se num lugar bem mais confortável e limpo que um campo de batalha. Ora, claro, sua esplêndida cama! Revirou-se entre os lençóis e travesseiros, escondendo-se dos raios solares.

- Ora, senhorita Hermione, pensei que já não iria mais acordar! – falou uma voz feminina conhecida e alegre – O sol já raiou, mas a senhora permanece deitada! – soltou com um ar de reclamação, no entanto, ainda tipicamente feliz.

A moça, que antes dormia e que deveria ser a tal Hermione, emitiu um muxoxo desgostoso.

- Ah, vamos! Acorde-se, sim? – disse uma mulher sentando-se à cama – Segundo sua mãe falava hoje seu pai lhe contará algo muito importante!

A jovem despertou-se rapidamente. Os olhos esbugalharam, as mãos correram ligeiramente ao peito e a boca metralhou perguntas:

- Algo importante? – exclamou entre o medo e a ansiedade – E o que é? Será alguma reclamação sobre o corte feio que fiz naquele espadachim metido a besta que me desafiou? Conte-me logo, Maria! Ou deseja que de tanta apreensão eu morra?

A bela mulher revirou os olhos. Decididamente bela era ela, apesar de não passar de uma simples serviçal. O vestido de pouco luxo e adornos ressaltava suas curvas, sua pele amorenada e seus longos cabelos negros. Mas, o que verdadeiramente chamava a atenção (inclusive dos velhos senhores devassos) era o sorriso, parecia que nunca morria. A felicidade, por mais sem motivos que fosse sempre estava com ela.

- Pare com esse martírio, senhorita! Vá! Levante-se! E deixe-me ajudá-la a vestisse! Ficará sabendo dessa notícia mais rápido do que é esperado... – falou rindo marotamente.

- Você sabe! – Hermione afirmou deixando-se pentear o cabelo castanho farto.

- Não me amole, Hermione! – disse retirando a longa camisola da menina pela cabeça.


Não muito longe dali, no ducado de Ginger, uma grande propriedade cercada por planícies verdejantes e centralizada num grande e ostentoso castelo, um jovem homem ruivo de grande porte, que possuía em si todas as características masculinas possíveis e prováveis, e isso incluía, obviamente, seus fortes braços, ombros largos e quadris estreitos, andava cambaleante de tão bêbado que estava por algum dos corredores da fortaleza, enquanto murmurava com um tom rouco e grosso coisas como: "Ah, assim, assim, boneca" e ria bobamente. O que, com certeza, o varão continuaria a fazer, se não fosse o encontrão que deu junto alguém, quase caindo ao chão.

- Opa, com calma, anjinho! – falou gargalhando idiotamente.

- Quê asneira de anjinho, Ronald! – exclamou raivoso o moço com quem o ruivo esbarrara esse que era um pouco mais baixo que o outro, menos robusto e, ao seu contrário, possuía cabelos negros e olhos esverdeados, estreitados de leve em miopia.

- Ah, é você, Harry! – o tal Ronald disse com voz arrastada, exalando um forte cheiro de álcool.

-Ah, é você, Rony, como sempre embriagado! – retorquiu de menor altura com sarcasmo.

O jovem ruivo riu com desdém.

- O que faz aqui há essas horas? – perguntou enquanto tinha seus olhos virando nas orbitas e a boca rasgada em um sorriso frouxo.

- Fala como se fosse de madrugada! Mas, o sol está a muito alto! – Harry queixou-se.

- Ah, pare de sermões, Potter! – reclamou seguindo sua confusa e desorientada direção aos tropeções.

- Sermões? Quem sou eu para dá sermões a um beberrão? Dou sermões a soldados que perdem batalhas, a construtores que erram em muralhas... – Harry divagou com palpável orgulho de si próprio.

- Vá ao inferno, Harry! – Rony exclamou impaciente esgueirando-se pelos corredores e apoiando-se nas paredes.

- Será um grande prazer o fazê-lo, contando que você não esteja lá, meu caro. – o moço moreno sorriu diabolicamente.

- Deus, há o que contigo hoje? – resmungou o ruivo – Acaso, Ginerva ignorou-o por dizer - lá algo grosseiro? – desdenhou.

- Ora, obvio que não, Rony! – corou – Porém, não estou aqui para discutir minha relação com sua irmã. O senhor seu pai mandou-me procurá-lo, quer lhe falar, penso que é de grande importância. – falou um pouco mais sério.

- Agrh! Esse é outro que também não quero ouvir! Passará-me sermões também! – reclamou indo rumo ao escritório do duque Arthur Weasley.


Minutos depois de desperta, Hermione junto à juvenil mulher morena chamada Maria e uma de suas damas de companhia, desciam as escadarias que levavam a cozinha do castelo de Otter. Agora, arrumada e levantada, podia-se descrevê-la melhor.

Os cabelos longos e cheios tinham uma pequena parte presa para trás, deixando seu rosto mais a mostra, esse que tinha a aparência de delicado e inocente, mas que poderia se torna um tanto assustador quando enraivecido. O pequeno corpo vestia um vestido longo e rosado, sem muitos enfeites, assim, a atenção era toda do espartilho que lhe apertava a cintura, definindo-a e fazendo os pequenos seios juvenis quase saltarem da veste.

A cozinha era como qualquer outra da época. Apinhada de mulheres, na flor da idade ou beirando a velhice, trabalhando sobre muitas panelas de barro que fervilhavam em cima de muitos fornos a lenha.

A Sra. Granger, duquesa de Otter, Anna ou até Mamãe, uma mulher parecida com Hermione, de cabelos negros, pele alva e traços fortes, passava ordens as cozinheiras:

- E hoje, quero um suntuoso jantar! Leitão, aves e peixe! Mas, não utilizem muito tempero, o duque de... – matracava até ver Hermione adentrando e sorrir falsamente.

- Bom dia, minha mãe. – saudou a jovem sorrindo.

- Oh, bom dia, filha. Ótimo dia! – respondeu nervosamente – Teve uma boa noite?

- Ah, sim! Ainda a pouco tive um sonho, eu guerreava! – falou eufórica.

- Hermione, tire essas ideias bélicas de seus pensamentos. Sabe que só a deixei aprender a manusear uma espada porque seu pai convenceu-me que sem isso, você seria um alvo muito fácil. – aconselhou a senhora nova, ao passo que mandava uma das cozinheiras servir a filha de mingau e pão – E, ao mencionar seu pai, ele quer contar-lhe algo.

- Claro! Já é de meu conhecimento! – exclamou a moça, sentando-se a uma mesa de grosso tampo de madeira e pondo-se a comer.

- Já é de seu conhecimento? – exasperou-se a mãe – Como pode? Quem a contou?

- Bem, sei que ele deseja falar-me alguma coisa, Maria disse-me, mas não sei do quê se trata.

A duquesa respirou aliviada.

- A senhora sabe? – Hermione indagou, olhando-a desconfiada e curiosa.

- Hum... Bom, digamos que eu saiba sim. Entretanto, é de minha preferência que seja seu pai a dizê-la. – falou constrangidamente.

Hermione apenas assentiu.

- Ele saberá controlá-la melhor, espero. – sussurrou Anna para si mesma.

- Disse algo, mamãe?

- Quem? Eu? Não, só estava reparando no comprimento longo de seu cabelo. É preciso cortá-lo. – respondeu desconcertada. A senhora temia, no fundo, que nem mesmo o senhor seu marido pudesse aplacar a onda de raiva e ódio que viria com aquela descoberta.


N/A: Cá estou eu de novo! Espero que tenham gostado desse primeiro capítulo (mesmo achando eu que escrevi melhor os próximos), do meu Rony bêbado e da Hermione um pouco fora dos padrões da época.

Possivelmente, postarei um novo capítulo por semana, então, terão um tempinho para tentar descobrir qual é essa grande notícia!

Para fins, muito obrigada quem leu, é extremamente gratificante que alguém se dê a esse trabalho! Críticas, conselhos, elogios são sempre bem-vindos!

Bye, Bye :*