DIONISÍACO

000

Ato II

Mu estava deliciado.

Lambia um mamilo rosado do cavaleiro de Peixes, totalmente rendido àquela sensação que lhe era inédita. Sua mente, nublada, já não era mais capaz de julgar, muito menos discernir o que era certo ou errado.

Havia deixado para trás seus amigos de bronze. Seu pequeno discípulo Kiki. Sua deusa Atena. Não se lembrava de mais nada fora dali. Tudo o que existia para Mu naquele momento era aquele mamilo eriçado já úmido da própria saliva, os sons luxuriantes de Afrodite manifestando aprovação às chupadelas em sua pele sensível e as mãos indistintas que vez ou outra o tocavam também. Estava extremamente sensível e cada ligeiro roçar fazia seu membro pulsar deliciado.

"O belo Carneiro dos Céus... de carne tenra e saborosa... eles querem degustá-lo, Mu..."

Isso é...

"Eles querem fodê-lo até a alma. Consegue sentir, Mu?"

Também quero...

Sentiu uma mão firme lhe agarrar os cabelos. Entreabriu os olhos verdes, deparando-se com o olhar feroz de Máscara da Morte.

- Você sabe o que eu quero... – O canceriano perscrutava o rosto febril do colega.

Máscara tinha certeza de que Mu sabia. Tinha certeza de que ele também podia ouvir aquela voz macia lhe dizendo coisas eróticas. Aquele carneiro já havia perdido toda a inocência.

"Quem não se renderia ao viril cavaleiro de Câncer? Esse cretino teve a ousadia de matar você, mas não é páreo para o que você carrega entre as pernas. Você fode como ninguém e vai ensinar a ele o que é um pau de verdade, não vai? Ele está totalmente rendido, veja... ele quer você, ande..."

Carneirinho suculento... nunca mais vai se sentar na vida!

Puxou Mu para um beijo selvagem. Apertava, arranhava e marcava cada parte daquele corpo pálido à sua disposição, mas de alguma forma sabia que ele não estava sentindo dor. Pelo contrário; deliciava-se ao ouvir os gemidos roucos de Áries, totalmente entregue.

- Quero logo... – A voz estrangulada de Mu se partiu ante a mão viril que passou a estimular seu sexo.

Máscara soltou uma risada rouca, virando-o rudemente de costas e o colocando de quatro. Enfiou três dedos dentro da boca do lemuriano.

- Chupe – Ordenou em um rosnado másculo – Chupa direitinho que vou colocar esses dedos bem aqui... – A mão livre deu uma palmada nas nádegas firmes.

Mu gemeu baixinho e se pôs a sugar os dedos oferecidos em desespero, cobrindo-os de saliva, enquanto a voz em sua cabeça o excitava mais e mais.

"Como você chupa gostoso, Mu... será que cabe algo maior nessa boca macia?"

Máscara retirou a mão e o segurou firme no lugar, passando um braço pelo ombro do companheiro. Em seguida, inseriu um dedo previamente umedecido, gemendo baixinho enquanto preparava aquele canal virgem.

"Até parece que vai estrangular você, não é? Delícia, tão fechadinho..."

Mu ofegou, tentando se controlar. Era pra ter doído, sabia, mas seu corpo estava tão inebriado que não conseguia sentir nada além de um prazer primal.

"Você não vai sentir dor, Mu... relaxe, eu não vou deixar. Você só vai gemer bem gostoso, porque é pra isso que você me serve agora..."

Não tardou a sentir o pênis de Máscara da Morte invadi-lo com certa dificuldade.

- Puta que pariu... nossa, Mu, que rabo apertado... – Extasiado.

A voz cumpriu sua promessa. Por mais difícil que a penetração parecesse, Mu não sentia qualquer resquício de dor. Seu corpo apenas ardia com o contato, parecendo buscar mais e mais daquilo.

- Vai, Máscara! – Implorava Mu, arquejante – Eu preciso...!

"Ele precisa de mais ferro... vá em frente, Máscara, mostre o que sabe fazer..."

O italiano estocava sem dó o ânus apertado, os gemidos cada vez mais sôfregos. Mu sentia uma mão do cavaleiro de Câncer se insinuar entre suas pernas, apertando-lhe o membro e prolongando ainda mais o momento.

Os corpos se sacudiam febrilmente, o sexo franco e pleno pra quem quisesse ver. Não se importavam mais se houvesse gente assistindo, Mu já nem se lembrava de seu mestre testemunhando seus atos libidinosos. Os olhos em sua direção só pareciam atiçá-lo ainda mais em seu delírio.

Firme, quente, forte, violento. Animalesco.

E Mu estava adorando.

00000000

Os olhos de Camus relancearam até encontrarem a imagem viril do cavaleiro de Touro que se masturbava com as cenas.

"Olhe para aquilo, Camus. Aqueles braços fortes, as pernas torneadas... olhe como ele está duro!"

O aquariano inconscientemente umedeceu os lábios.

"Sempre tão inatingível, Camus... represando suas emoções, afundando-se em gelo e nos livros. Olhe para aquele corpo ardente à sua plena disposição. Sei que você guarda muito calor dentro de você, e esta é a hora de mostrar..."

Aldebaran gemeu mais alto e ergueu os olhos castanhos para Aquário.

"Veja, Aldebaran... Camus não consegue desgrudar os olhos de você. Esse seu corpo forte, firme... olhe como ele o está cobiçando. E olha a bundinha firme que ele tem, que delícia deve ser! Você está fazendo o Homem de Gelo arder em luxúria, Aldebaran..."

Aldebaran deu um sorrisinho e alisou o calibroso pênis da base até a glande sem desviar o olhar de Camus. Um delicioso convite.

Camus caminhou até ele, o corpo trêmulo de excitação mas parecendo plenamente entregue ao apelo sensual do taurino.

- Gostou dele...? – Touro sorriu com certa malícia ao ver os olhos de Camus fixos em seu membro avantajado.

- Tão grande, Touro... – A voz rouca de Camus – Deixe-me ajudá-lo...

Ah, sim, sabia fazê-lo. Já havia se dado tanto prazer sob as cobertas na Sibéria... envolveu da melhor forma que podia o membro rijo do brasileiro e passou a massageá-lo devagar, vez ou outra resfriando um pouco a mão para trazer contraste às sensações, observando a expressão deliciada do outro.

Suas habituais reservas quanto a sentimentos e emoções de qualquer espécie haviam sido simplesmente subjugadas por aquela necessidade primitiva de dar e receber prazer. Sem se conter, levou a boca ao membro, fazendo Aldebaran se arquear e soltar um gemido alto.

- AH, CAMUS! Isso é... oh...!

"Quem diria que Camus teria uma boca tão safada, hein? Aproveite, Aldebaran. Toque essa pele branquinha, esses cabelos macios... ele quer senti-lo participar..."

Ah, Camus... isso é perfeito...

Puxou de leve os longos cabelos, instigando-o na felação. Deslizou as mãos firmes pelas costas fortes do aquariano, buscando-lhe as nádegas e as apertando com desejo – Camus gemeu em seu membro. Não resistiu e levou um dedo à boca, posteriormente separando com calma as nádegas rijas e o preparando naquela posição mesmo.

- Hummm... a-asshim... – Camus teve de retirar o pênis pulsante da boca para poder respirar melhor por um momento, pondo-se a lambê-lo em toda a sua extensão. Aldebaran se crispou para se conter, o pré-gozo já aflorando à glande.

- E-espere... eu... eu o quero...

Camus não se fez de rogado e abandonou o que fazia, sentando-se no colo do maior. Beijaram-se com calma, as línguas se roçando, Touro sentindo seu próprio gosto. Aldebaran aproveitou a posição para inserir mais um dedo, preparando o francês.

"Vai comer essa bundinha deliciosa, é? Que inveja, Aldebaran..."

- V-vamos...

Camus se posicionou e desceu pelo membro devagar, até o fim. Mordia o lábio ao se abrir todo, esperando por uma dor que não veio. Seu corpo parecia só reconhecer uma sensação: o puro prazer.

Aldebaran, extasiado, lambia o pescoço de Camus enquanto o sentia rebolar em seu colo, a ereção do outro roçando deliciosamente contra seu tronco forte. Taurino como era, perdia-se em meio a tantas informações sensoriais – a visão perfeita do rosto suado e corado de Aquário, os sons prazerosos que ele emitia, o roçar das madeixas longas de Camus em sua pele tão sensibilizada, o aperto macio em seu pênis dentro daquela cavidade quente. O local estava todo cheirando a vinho, mas esse cheiro inebriante parecia ainda mais forte no francês. O gosto daquela pele também o deixava cada vez mais entregue.

Camus e Aldebaran se moviam em sintonia e buscavam a mesma coisa – um êxtase que sabiam que não tardaria. Entregavam-se sem reservas a um banquete para os sentidos.

00000000

Os olhos entreabertos, o corpo lânguido mal se sustentando em pé. Shion estava plenamente deliciado ante a boca morna que envolvia e sugava o mamilo sensível, enquanto o outro era habilmente manipulado por dedos quentes.

Pensou que iria cair, mas se percebeu sustentado por um corpo idêntico ao homem à sua frente.

- Shh... – A voz de Kanon atrás de si o fez se arrepiar, bem como a língua atrevida em seu ombro nu – Apenas relaxe, está bem?

Arregalou os olhos ao ver Saga se erguer e buscar o gêmeo para um beijo libidinoso trocado bem sobre seu ombro. Ver os dois rostos tão iguais rendidos a um beijo molhado fez seu membro dar uma pontada.

- Lindos demais... - O murmúrio de Shion saiu fraco, arrancando uma risadinha de Kanon.

Saga suspirou, ajoelhando-se para poder prosseguir aos beijos pelo abdome até a pelve clara e sem pelos do lemuriano. A língua de Kanon deslizava por sua coluna devagar, indo até o cóccix.

- Hum... ah, nossa...

"Ah, Shion... agora que tem de volta seu corpo jovem, parece mais apetitoso do que nunca. Veja como eles estão se deliciando com você... gêmeos, hein? Que delícia..."

Mas isso é...

"Errado? Então por que está tão duro e pulsante, Grande Mestre?"

Shion soltou um grito ao sentir a boca de Saga envolver seu membro. Seu rosto queimava, mas a vergonha que sua mente ensaiara sentir parecia desaparecer aos poucos ante o trato que os geminianos estavam lhe dando naquele momento.

"Confesse, Shion... se eles tivessem feito isso desde o começo, você teria lhes cedido o poder que queriam sem nenhum problema, não é?"

Oh, sim...

Kanon também havia se ajoelhado, separando as nádegas claras do antigo Patriarca do Santuário.

- Vamos adorá-lo como se deve, Grande Mestre...

Beijo grego.

Shion se curvou todo, agarrando-se aos cabelos de Saga em busca de algo que o ancorasse à realidade enquanto sentia a língua úmida de Kanon invadir sua entrada sem qualquer pudor. O geminiano mais novo lhe segurava firmemente os quadris para que o ariano não se movesse demais.

- Isso é... pelos deuses, Kanon!

Saga lambeu longamente a ereção do mais velho, fazendo-o ofegar e voltar a fitá-lo.

"Não é adorável? Estão disputando a sua atenção, Shion... querem descobrir quem lhe dá mais prazer. Porque você é aquele que detém o Poder e a autoridade entre todos aqui... todos lhe devem obediência..."

- N-não pare... – A voz rouca de Shion tinha um tom mais autoritário desta vez, apesar dos olhos opacos de excitação – Continue chupando, Saga... ande...

Saga sorriu, fitando-o de baixo e tornando a felá-lo. Subserviente.

"Saga é um cretino... usurpador. Merece estar aí, ajoelhado diante de você, chupando o seu pau. É a melhor utilidade que a boca dele tem, não é?"

Isso não... oh... s-sim... ah, SIM!

Já Saga o sugava de uma forma plenamente afoita. Seu membro latejava ao ver Shion tão rendido aos seus toques, à sua boca, ao seu olhar lascivo. Entrementes, aquela voz macia parecia adulá-lo...

"Olhe como ele está rendido, Saga... sua boca é tão deliciosa! Se o tivesse chupado ele lhe daria o cargo de Patriarca sem pestanejar. É um verdadeiro puto aprendendo que não tem controle nenhum sobre si mesmo..."

Aquela sensação era deliciosa. Shion estremecia, buscava-lhe os cabelos, movia-se incontido em direção à sua boca, implorava por mais. Jamais como falso Patriarca havia se sentido tão poderoso...

- Toque-se... toque-se pra eu ver, Saga... ah! – Ouviu-o dizer e sorriu com malícia, envolvendo o próprio pênis que implorava por alguma atenção. Ver Shion inclinar ligeiramente a cabeça para ver o gesto melhor era a glória...

Kanon se ergueu e aproveitou o pescoço mais esticado de Shion para lamber a pele macia, percebendo-o se arrepiar todo. Colou os corpos, a ereção firme roçando as nádegas de Shion, o que o fez estremecer de forma mais veemente.

"Poder, Kanon! Olhe como Shion está frágil e entregue! Seu irmão o chupa, age pela frente, mas o verdadeiro poder está com você! Perceba como ele se derrete todo ao sentir você tão duro, Kanon... foda-o! Foda-o com vontade! É o que ele quer, é o que ele precisa... mostre a ele quem de fato manda... o verdadeiro Grande Mestre..."

Kanon ofegou extasiado ao separar novamente as nádegas de Shion com seus dedos.

- Peça...

- P-por favor, Kanon... dê-me...

- Come ele, irmãozinho… - A voz de Saga, que agora lambia de leve a ereção latejante, estava repleta de luxúria.

- Safadinho... quer ver, não é, Saga? – Kanon foi se enterrando devagar nas carnes macias, dilatando-o aos poucos e ouvindo Shion arquejar, deliciado – Tão apertado... e nem tá doendo? Você é um puto, Grande Mestre...

- Sou! Ah, sou! – Shion não se conteve quando os gêmeos passaram a se mover, estocadas e felação sincronizadas de uma forma inacreditável. Seu rosto foi rudemente virado para trás e seus gemidos abafados pelos lábios famintos de Kanon. Entregou-se ao beijo sem reservas.

Aqueles gêmeos foram sua perdição. Daquela vez, de uma forma muito mais prazerosa.

00000000

Aquele era o mártir do Santuário. Dohko não havia chegado a conhecê-lo muito bem, mas o rosto gentil de Aioros de Sagitário era famoso, mesmo em meio aos rumores de traição que sucederam à sua morte. Como ele era lindo...

Aioros se sentia meio perdido, o rosto corado, fitando seus companheiros de patente se agarrando e se provocando sem pudores. Seu membro se encontrava ereto, seu corpo lânguido de excitação, mas parecia retraído demais para fazer qualquer coisa ali.

"Tão puro, Aioros... você tem um coração repleto de bondade. Deveria saber, porém, que seu corpo também é uma tentação aos seus colegas..."

Aioros suspirou baixinho ante aquela voz sedutora que o elogiava e o envolvia. Acaso seria tão desejado assim? Ergueu os olhos esverdeados, deparando-se com o chinês que o observava. Dohko sorriu e se aproximou do mais novo.

- Assustado?

- Não... – Aioros murmurou – Eu... gosto do que vejo, embora não devesse.

- Isso é perceptível – Dohko deu uma risadinha, fitando o pênis rijo do sagitariano e o fazendo corar.

Ele é tão adorável!

"Dá vontade de morder, não dá? Morreu tão cedo... não conheceu as melhores coisas da vida. Por que não ensina algumas coisas a esse belo rapaz, Dohko? Com certeza ele não se furtaria a deliciosas lições com um professor tão gostoso..."

- Sinto vontade de fazer também...

Dohko mordeu o lábio ante a confissão de Sagitário.

- Quer fazer comigo? – Alisou de leve o rosto de Aioros, fazendo-o sorrir.

Quero... quero muito... quero beijar essa boca, sentir cada pedaço desse corpo...

"Ele também quer, Aioros... não imagina como ele está se contendo para te mostrar o que é prazer... renda-se, deixe ele te mostrar... você quer senti-lo dentro de você, quer ouvi-lo gemer por sua causa, não esconda de mim..."

- Quero muito, Libra...

Dohko não resistiu e puxou Aioros para um beijo carinhoso, mas carregado de eletricidade. Sentiu o mais novo relaxar o corpo, deliciado, e o fez se sentar em seu colo. Sentiu sua ereção roçar as nádegas de Aioros e gemeu baixinho dentro do beijo.

Seus lábios desceram por pescoço e ombro, fazendo Sagitário suspirar de satisfação. Aioros passou a rebolar de leve no colo do mais velho, friccionando o próprio pênis no abdome firme do libriano e sentindo o mesmo ocorrer com o membro dele atrás de si. Gemeu mais alto.

- Isso é tão bom!

- Uhum... – Dohko retornou aos lábios de Aioros, mordiscando o lábio inferior de leve – E vai ficar melhor...

Deitou-o com cuidado, sobrepondo-se a ele e o beijando novamente. Roçou seu membro no do sagitariano, e ambos gemeram deliciados.

"Sinta... ele está pulsando, Dohko! Devore-o, devore-o todo, antes que eu mesmo o faça..."

Dohko desceu pelo corpo atlético do sagitariano, umedecendo os dedos. Sorriu tranquilo para o rapaz, que arregalou os olhos ao ver sua ereção ser engolida pelo mais velho.

- DOHKO! Oh, não...!

Dohko sorriu mais, sugando-o sem pressa enquanto começava a preparar Aioros. Sagitário se crispou por um momento, temendo algum incômodo, mas seu próprio corpo febril parecia ter se desligado para qualquer outra coisa que não fosse o próprio prazer.

Um dedo... dois... até três. E finalmente sentiu algo maior dentro de si.

- Ooh... isso é... incrível!

Dohko se inclinou sobre ele, tornando a beijá-lo. Movia os quadris com calma, vez ou outra prensando a ereção de Aioros entre os corpos quentes e lhe arrancando um grito de júbilo. Incontido, Sagitário levava as mãos até as nádegas do chinês, apertando-as e pedindo por mais. Deliciado ao sentir o peso do corpo de Dohko sobre o seu, mostrando-lhe sensações que jamais havia experimentado.

"Oh, vamos... ensine-o!"

Dohko agarrou a ereção entre eles e passou a massageá-la com mais urgência, fazendo Aioros se arquear e se contorcer de prazer. Sentia-o rijo como nunca, pulsando entre seus dedos, parecendo a poucos instantes de se derramar em profusão.

Aioros era tido como um mártir inalcançável. E estava ali, ao alcance de seu pênis.

00000000

Shura se sentia usado. Abusado. Humilhado.

E aquilo era delicioso.

Sabia que Aiolia não era seu melhor amigo depois de tudo que fizera a Aioros, mas que apesar de tudo não o odiava. Contudo, era inegável que o furor que o leonino demonstrava durante o beijo que trocavam parecia vir do fundo da alma.

"É um Leão predador, não? Ele quer comer você, Shura... como é da natureza dele. E você quer experimentar..."

Enquanto digladiava deliciosamente com a língua de Aiolia, sentiu alguém mordiscar sua nuca, trazendo-lhe arrepios.

- Quero ver como vai se virar com dois gregos fodendo você...

A voz grave e sensual de Milo de Escorpião. Milo sempre fora um guerreiro disciplinado, até ligeiramente cego pelos próprios deveres. Desta vez, porém, sua cegueira parecia estar rendida à famosa sexualidade intensa de seu signo...

"Ah, Shura... eles querem você. Esses dois gregos fogosos, sensuais, estão duros por sua causa. Você vai ficar um bom tempo sem sentar..."

Aiolia lambia os lábios de Shura com gosto, mas ao perceber a mão de Milo se esgueirar em direção à entrada do espanhol, ficou sério.

- Eu como o rabo, Milo!

- Não, eu que como!

Os dois rivais ameaçaram uma briga ali mesmo, mas Capricórnio resolveu a situação da melhor maneira possível.

- Podemos... revezar... – Massageava as ereções dos mais jovens com calma, buscando amansá-los. Dito e feito: os gregos emitiram um gemido uníssono de satisfação.

"Como Shura é safado, não é? E você vai se regalar com esse rabo apertado. Ele treme só de apalpar você, não vê? Até o Milo está ficando com vontade..."

- Mas é muito safado, mesmo... – Aiolia assistia à movimentação em seu membro, deliciado – Façamos as pazes, então... hummm...

Inclinou-se por sobre o ombro de Shura, buscando os lábios do escorpiano. Shura riu baixinho ao vê-los se beijando de forma lasciva.

"Essas crianças... vamos, Shura, prepare-os bem... sei que está louco pra ter esses dois mastros dentro de você..."

Quero demais... sinto meu corpo arder, eles são verdadeiros deuses gregos...

- Vamos, decidam-se... estou ficando louco...

Aiolia riu baixinho, colocando-o de quatro e oferecendo uma mão a Milo, que em troca lhe oferecia uma também. Um passou a lamber e sugar os dedos do outro com sorrisos igualmente libidinosos.

- Hum... sabe onde o Milo vai enfiar esse dedo, Shura?

- No mesmo lugar... hum... em que o Aiolia vai enfiar o dele...

Shura ofegou. Sua mente disciplinada e rígida jamais compactuaria com aquele tom, mas ela já não mais respondia. Seu corpo estava totalmente entregue àquele ato obsceno, inebriado por aquele cheiro adocicado de vinho que lhe entorpecia os sentidos.

Sentiu Aiolia inserindo um dedo e, pouco depois, Milo unir seu dedo ao dele. Estavam preparando-o juntos.

Milo e Aiolia trocaram um último beijo antes de o escorpiano se afastar um pouco, deixando Leão com a entrada que "piscava" de excitação.

- Sei que você quer, Shura, calma... – Aiolia arranhou de leve as costas nuas diante de si antes de invadi-lo devagar e constante.

"Isso, Aiolia! Você o tem totalmente à sua mercê! Era isso que você queria, não era? Agora vai dar a ele o que merece por tudo o que fez..."

Aiolia soltou um ligeiro rosnado e passou a estocá-lo com vontade, os gemidos cada vez mais altos do capricorniano o estimulando. Ia fundo, o som de seu escroto se chocando contra as nádegas deixando Milo deliciado.

- Agora eu quero... olha pra mim...

Escorpião agarrou os cabelos negros e curtos de Shura, guiando sua cabeça até a ereção pulsante. Shura não se fez de rogado, colocando-a na boca o quanto podia.

"Você é o melhor guerreiro da Elite Dourada, Milo. Shura sempre bravateou sua fidelidade a Atena mas ergueu o punho contra ela. Mostre a ele, Milo... mostre a ele o que é ser um verdadeiro guerreiro, mostre a Shura a verdadeira função da boca dele..."

- Tome... tome! – Gemia Milo, estocando a boca de Shura e recebendo a "resposta" através da impulsão dos quadris de Aiolia.

Shura estava tendo dificuldades em controlar o próprio fôlego, o que ficou ainda pior quando sentiu a mão de Aiolia buscando-lhe o pênis negligenciado e o masturbando com firmeza. Não saberia dizer o que o mantinha sem sufocar ante tantos estímulos.

- Goza pra gente, Shura... goza e mostra pra gente o que você realmente é... oh!

Era degradante. Era errado.

Era delicioso.

00000000

Afrodite continuava se tocando, deliciado. Já não estava rodeado de homens quentes que lhe dessem prazer, mas estava adorando assistir a tudo aquilo. Vez ou outra via os olhos alheios se voltarem para ele.

"Não adianta, Afrodite... podem se comer à vontade, mas você ajuda a inspirar toda a luxúria contida neles. Sua beleza é capaz de enlouquecer qualquer um..."

Sentiu uma mão puxando-lhe o rosto gentilmente para o lado e seus lábios serem tomados por uma boca fina e algo inexperiente. Ergueu as mãos, tocando longas e macias madeixas.

Shaka?!

"Como eu disse, Afrodite... qualquer um."

Shaka se movimentava de uma forma algo nervosa, como se ainda tentasse conter aquele instinto sexual arrebatador que aquele misterioso aroma lhe incutira. Buscava meditar, buscar respostas, mas sua mente parecia ter extrema dificuldade em se focar.

E como resistir àquela pele sedosa, aos gemidos melodiosos e lascivos que Peixes emitia ao se tocar? Havia sido o último de seus companheiros a ceder e adorar o corpo do sueco, mas agora não queria mais parar.

Shaka sentiu as mãos de Afrodite deixarem seus longos cabelos loiros e buscarem seu corpo, explorando sem pressa cada centímetro daquele indiano recluso. Suspirou, ouvindo uma risadinha maliciosa do outro em resposta e os lábios macios tocarem seu ouvido.

- Gosta que eu o toque, Shaka...? – Deslizando os dedos pela coluna do loiro, fazendo-o se arquear.

- G-gosto... ahn...

"Não se faça de rogado, Shaka. Você é o Homem Mais Próximo de Deus e todos o desejam. Afrodite está louco para possuí-lo. Apenas se renda... você também quer isso, quer saber até que ponto essas sensações deliciosas irão levá-lo. Deixe-o mostrar a você..."

Que Buda me perdoe... mas o desejo humano é...

"O desejo da carne, Shaka, pode aproximá-lo ainda mais do Perfeito. De mim."

Quem é você...?

As tentativas de meditação de Shaka foram toldadas por um novo beijo, desta vez iniciado pelo cavaleiro de Peixes. Shaka se deixou puxar para o colo do pisciano, totalmente entregue às sensações que ele lhe provocava.

"Você está com ninguém menos que o cavaleiro mais belo entre todos... provavelmente o mortal mais belo, também. Você merece esse prazer, Shaka. O corpo mais belo e a alma mais poderosa finalmente se encontram, e o resultado... é o êxtase."

Os dentes de Afrodite raspando de leve a pele sensível de seu pescoço. A mão envolvendo seu pênis e o massageando de forma tentadora, fazendo Shaka se derreter nos braços do colega e se agarrar aos ombros de Peixes buscando algum apoio à realidade. Os sussurros maliciosos de Afrodite...

- Você gosta assim? Não temos pressa, temos...? É fantástico sentir você endurecer na minha mão, Shaka...

- A-Afrodite...

A respiração se tornando mais descompassada, descontrolada. A alma toldada, o corpo tomando o controle.

"Conhece o Nirvana, Shaka? É uma tolice crer que ele possa ser alcançado com meditação regrada e ascetismo. O corpo não é seu inimigo, Shaka, e o prazer máximo pode ser obtido por intermédio dele... não o renegue..."

- Por... por favor... – A voz rouca, estrangulada, era um bálsamo aos ouvidos de Afrodite.

Um dedo se esgueirou em sua entrada, fazendo-o ofegar e se agarrar mais ao pisciano.

- Shhh... vai ser bom... você vai gostar... – A voz macia de Afrodite embalava o torpor de Virgem, sentindo seu canal estreito se alargar aos poucos.

Dando-se por satisfeito após prepará-lo e sentindo que não conseguiria resistir muito mais tempo, Afrodite o rodeou, acolhendo-o por trás, ambos de joelhos. Sentou-se sobre as próprias pernas, puxando-o para o colo. Afastou os cabelos sedosos da nuca e lambeu a região com vagar.

- E agora... você é meu...

Afastou ligeiramente as pernas de Shaka e empinou um pouco os quadris do virginiano para facilitar o acesso. Ao finalmente invadi-lo, soltou um grito quase triunfante.

- AH! ISSO, SHAKA!

"Você está fodendo o Homem Mais Próximo de Deus, Afrodite... até Shaka de Virgem se rendeu à sua beleza. Apenas saboreie o que ninguém nunca conseguiu fazer... coma-o bem comido para ensinar a ele os prazeres da carne..."

Isso é... incrível!

Passou a estocá-lo com vontade, dominador, delirando com os gemidos cada vez mais altos e luxuriantes do cavaleiro de Virgem. Puxou o tronco de Shaka para si, colando os corpos e sentindo o canal se apertar ainda mais.

- Você... me pertence... – A voz extasiada de Afrodite fez Shaka estremecer.

Afrodite passou a arremeter febrilmente no interior de Shaka, buscando-lhe a ereção. Cada suspiro, cada gemido, cada grito que Virgem soltava parecia um troféu ao cavaleiro de Peixes, que enfim se sentia a criatura mais poderosa do mundo.

Shaka, o Homem Mais Próximo de Deus, havia sucumbido aos desejos da própria carne graças a ele. Era uma noção grandiosa demais para ser apreendida naquele momento.

Mas naquele instante seu próprio orgulho havia sido deixado em segundo plano. Shaka tinha cheiro de pureza e desvirtuá-lo era delicioso demais para perder tempo pensando. Só o que conseguia era estocá-lo mais e mais forte, vez ou outra puxando os longos cabelos dourados para si, puxando Shaka para um beijo repleto de desejo.

Shaka gemeu alto, inclinando-se para a frente quando sentiu Afrodite atingir determinado ponto dentro de si. Seu pênis deu uma fisgada deliciosa, e apenas o aperto controlador de Peixes em seu órgão o impediu de se derramar naquele momento.

- POR BUDA! O que... o que é isso...?

- Isso, Shaka... sou eu dentro de você... mostrando como é bom... ah... ceder aos nossos próprios desejos...

Shaka não tinha forças para responder. Na verdade não tinha forças para mais nada além de gemer, ofegar e se empurrar contra os quadris de Afrodite numa tentativa desesperada de fazê-lo ir mais fundo e atingir aquele ponto de novo. Nada mais existia além daqueles dois corpos suados se chocando e emitindo um ruído pecaminoso para quem quisesse ouvir e se deliciar. Podia sentir vários olhares sobre si, mas não mais se importava.

Só o que buscava era o pico do prazer que parecia se aproximar cada vez mais, trazido através das estocadas frenéticas e da masturbação firme e já descontrolada de Afrodite. Peixes bufava ao seu ouvido, a figura descomposta e quase animalesca, e aquela cena inimaginável era simplesmente delirante.

Um grito, os músculos se descontrolando, a mente se apagando em um breve momento.

O Nirvana carnal.

O Homem Mais Próximo de Deus havia sucumbido.

00000000

Por toda a prisão, sons libidinosos ecoavam livremente.

Cheiro de vinho, suor e sêmen se mesclavam em uma atmosfera única, e os valorosos cavaleiros de Atena pareciam confundir os próprios corpos. Agrupavam-se aqui e ali, parecendo insaciáveis. Trocavam parceiros, uniam-se a outros, observavam deliciados uns aos outros em uma orgia que parecia não ter hora para se findar.

O plano de Dioniso funcionara. Os cavaleiros de ouro haviam sido derrotados pelo feitiço inebriante do deus do vinho e do êxtase.

Haviam sido derrotados por seus desejos mais inconfessáveis.

CONTINUA...


Notas adicionais:

Não tenho nem o que dizer depois de tudo isso, né? x.x Bom, tentei ao máximo não deixar as duplas serem "aleatórias demais". Quero dizer, apesar de poucas (porque não me atrevo a dizer "nenhuma", já que há fics aqui e ali com alguns desses casais) terem representação no fandom, quis dar um pequeno "tema" ou uma "historinha" sobre a qual se estruturassem as "viagens".

Ok, eu é que sou doida, mesmo x.x

Ah, sim: obviamente, a "voz" na cabeça deles que os instigava era de Dioniso buscando envolvê-los. Caso não tenha ficado claro... n.n''

O próximo capítulo é só um desfecho, é curtinho.