Quando o Amor Espera

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Universo: U.A.

Autora: Johanna Lindsey

Adapitação: Tiva07

Gênero: Romance/Angst/Histórico

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Sinopse

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Konoha era uma velha fortaleza, que não fora projetada nem para ser confortável nem para receber hóspedes. No entanto, passou a ser o lar da delicada e bela Lady Sakura desde que ela fora separada do pai por intrigas da madrasta. Embora rústica, há seis anos Sakura não saía dali nem para visitar Haruno, sua cidade natal. Tampouco para ver o pai, que morava no castelo de Haruno com a nova esposa, Lady Kaory.

Estamos em 1776, na Inglaterra dos senhores feudais. Sakura, isolada do mundo, resolve acabar com sua solidão: aventura-se, sozinha, até Oto para assistir à justa. E o destino a faz conhecer o homem que irá modificar radicalmente sua vida: Sasuke Uchiha, o Lobo Negro.

Confiante nas boas relações com o rei, Sasuke Uchiha, mercenário de Sua Majestade, dirige-se a Haruno para pedir que ele interceda a seu favor: quer a mão de Sakura e as terras vizinhas à fortaleza de Konoha. As terras são confiscadas do jovem Sai Montigny e de seu pai, e Sakura é forçada a se casar.

CAPÍTULO 2

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SAKURA ENTREGOU o sabonete à empregada e inclinou-se para diante, a fim que Ino pudesse lhe lavar as costas. Afastou com um gesto a ânfora para enxaguar e, em vez disso, acomodou-se na bacia enorme, aproveitando a água perfumada em ervas enquanto ainda estava quentinha.

O fogo ardia na lareira, tirando a friagem do quarto. Lá fora morria o agradável entardecer de primavera, porém as paredes nuas de pedra da fortaleza de Konoha geravam um frio que parecia nunca diminuir. E o teto do seu quarto, aberto para se ligar ao grande salão, permitia a entrada de correntes de ar.

Konoha era uma velha fortaleza, que não fora projetada nem para ser confortável nem para receber hóspedes. O salão central era grande, porém inalterado desde a sua construção, cem anos atrás. O quarto de dormir era isolado da extremidade elevada do salão por divisória de madeira. Ela partilhava o quarto com a tia Shizune, outras divisórias propiciando a cada dama um pouco de privacidade. Não havia aposentos para mulheres, nem outros quartos dando para o salão ou acima dele, como havia em algumas das novas fortalezas. Os criados dormiam no salão e os homens de armas na torre, onde Sir Kakashi também dormia.

Embora rústica, Konoha era o lar de Sakura, e o vinha sendo pelos últimos seis anos. Desde que chegara, não retornou uma só vez a Haruno, sua cidade natal. Tampouco vira o pai. No entanto, o castelo de Haruno ficava a apenas oito quilômetros de distância. Nesse castelo viviam o pai dela, Sir Kizashi, e a sua nova esposa, Lady Kaory, que se casara com ele um ano após a morte da mãe de Sakura.

Se Sakura não conseguia mais pensar no pai com carinho, ninguém a culpava. Passar de uma infância feliz, com dois pais amorosos, à perda dos dois pais de uma só vez era um destino cruel, inteiramente imerecido.

Outrora, ela amara o pai de todo o coração. Agora, pouco sentia por ele. Às vezes, o maldizia. Isso acontecia quando ele mandava seus criados esvaziarem as despensas dela para as suas festas luxuosas... e não apenas Konoha era afetada, mas também as fortalezas de Rethel e Marhill, ambas pertencentes à Sakura. Jamais mandava uma palavra para a filha, mas colhia os frutos do seu trabalho árduo, tomando-lhe lucros e aluguéis.

Todavia, ele obtivera pouco sucesso nos últimos anos, pois Sakura aprendera a lograr o intendente de Haruno. Quando ele aparecia com a sua lista, as despensas estavam quase vazias, as mercadorias escondidas pela fortaleza nos locais mais improváveis. Ela também escondia as especiarias e tecidos que comprava dos mercadores de Rethel, pois Lady Kaory às vezes aparecia com o intendente, e achava que podia passar a mão em qualquer coisa que encontrasse em Konoha.

A astúcia de Sakura às vezes dava errado, quando não conseguia se lembrar de todos os esconderijos. Porém, em vez de desistir do seu plano, ou confiar o seu logro ao padre de Konoha e pedir ajuda, ela convenceu-o a ensiná-la a ler e a escrever. Desse modo, passou a ser capaz de fazer um registro do seu labirinto de esconderijos. Agora seus servos não mais sofriam a ameaça da fome, e a sua própria mesa era farta. Não devia agradecimentos ao pai por nada disso.

Sakura ficou de pé para ser enxaguada e, depois, deixou que Ino a envolvesse num roupão quente, porque não voltaria a sair do quarto naquela noite. Tia Shizune estava sentada ao pé do fogo com um bordado, entretida com o seu próprio mundo, como sempre. A mais velha das irmãs de Mebuki, Shizune, ficara viúva há muito tempo. Tendo perdido a sua parte da herança do marido para os parentes dele, nunca voltara a se casar. Insistia que preferia assim. Morara com o irmão, o conde de Shefford, até a morte de Mebuki. Pouco depois, Sakura fora confiada ao seu vassalo, Kakashi Hatake, e tia Shizune achou que era seu dever ficar com a sobrinha e cuidar dela.

O mais provável é que Sakura é quem estivesse tomando conta, pois Shizune era uma mulher tímida. Até mesmo o isolamento da fortaleza de Konoha não a tornara mais ousada. Tendo sido uma das primeiras da prole do falecido conde de Shefford, conhecera o conde no auge do seu mau gênio, enquanto que Mebuki, a mais moça, como um homem moderado e pai carinhoso.

Sakura não conhecia o conde atual, cujo domínio ficava ao norte, longe dos condados centrais. Ao atingir a idade casadoira e começando a pensar num marido, teve vontade de entrar em contato com o tio. Tia Shizune explicara, bondosamente, que com oito irmãos e irmãs e dúzias de sobrinhas e sobrinhos, além de seus seis filhos e os filhos deles, o conde seguramente não iria se preocupar com a filha de uma irmã que não fizera um bom casamento e que estava morta.

Sakura, então com quinze anos e isolada do mundo, chegou a pensar que nunca se casaria. Porém o orgulho logo se manifestou, um orgulho que não lhe permitia que pedisse ajuda a parentes que não a conheciam nem se davam ao trabalho de perguntar por ela.

Daí a algum tempo, começou a achar que talvez estivesse melhor sem marido. Não existia a habitual ameaça de ser mandada para um convento, era a senhora de seu domínio, independente, tendo apenas de prestar contas a um pai que nunca se aproximava dela, parecendo pouco propenso a demonstrar mais interesse por ela.

Era uma posição singular e invejável, disse a si mesma após os primeiros anseios por um romance terem sido abafados. A maioria das noivas nem mesmo conhecia os maridos antes do casamento, e muito provavelmente passariam a ser propriedade de um homem idoso, um homem cruel ou um homem indiferente. Somente os servos casavam por amor.

Assim, Sakura passou a crer que era afortunada. A única coisa que queria mudar era o seu isolamento, o que a levou a aventurar-se, sozinha, até Oto para assistir à justa.

Como nunca vira uma justa antes, sentira-se compelida a ir. A política do rei Henrique era a de proibir todas as justas, exceto umas poucas realizadas em circunstâncias especiais, mediante permissão. No passado, o número excessivo de justas levara a batalhas sangrentas. Na França, encontravam-se justas a qualquer hora em praticamente qualquer lugar, e muitos cavaleiros haviam enriquecido, viajando de uma para outra. Não era assim na Inglaterra.

A justa em Oto foi emocionante no começo. O Lobo Negro entrou no campo de armadura completa, flanqueado por seis cavaleiros usando as suas cores, negro e prata, todos altos e impressionantes. Os sete oponentes também usavam armadura completa. Sakura reconheceu alguns como vassalos de Sir Danzou Montigny, devido aos estandartes. A essa altura, o Lobo Negro era o seu novo senhor feudal.

Ela não se perguntara por que o atual senhor de Oto desafiaria os seus novos vassalos. Havia muitas explicações possíveis, nenhuma das quais a interessava. O que lhe chamou a atenção foram o Lobo Negro e a dama que entrou a correr no campo para lhe dar uma insígnia. Seguiu-se um beijo atrevido quando ele tomou a dama nos braços. Seria ela sua esposa?

A multidão aplaudiu o beijo e, então, de repente, começou a escaramuça, uma batalha simulada em que todos os combatentes participavam com muita ferocidade. Havia regras rígidas para a escaramuça, regras que a diferenciavam de uma batalha real, as quais foram, ignoradas naquela manhã. Ficou evidente, de pronto, que todos os sete oponentes pretendiam derrubar o Lobo Negro do cavalo. Tiveram êxito rapidamente e foi apenas a atuação veloz de seus próprios cavaleiros que o impediu de ser derrotado. Ele até teve que chamá-los, impedindo que saíssem no encalço dos oponentes que fugiam do campo.

Terminou tudo depressa demais, e Sakura voltou para casa desapontada, sua única satisfação sendo a certeza de que alguns dos vassalos do Lobo Negro, aparentemente, o rejeitavam como seu novo senhor feudal. Por quê? Não conseguia imaginar o que ele fizera. Era bastante saber que não lhe fora fácil tomar posse de Oto.

Sakura dispensou Ino e foi fazer companhia à tia ao pé do fogo, fitando pensativa as chamas, recordando o fogo na floresta e imaginando que novos problemas lhe traria o futuro.

- Está preocupada com o novo vizinho?

Sakura lançou um olhar oblíquo a Shizune, surpresa. Não queria a tia sobrecarregada com isso.

- Mas não há com o que me preocupar - desconversou Sakura.

- Ora, minha querida, não há necessidade de ocultar os seus problemas de mim. Acha que não percebo o que se passa ao meu redor?

Era exatamente o que Sakura acreditava.

- Não tem grande importância, tia Shizune.

- Então não haverá outros jovens cavaleiros grosseiros a nos ameaçar com palavras iradas?

Sakura deu de ombros.

- Não passam de palavras iradas. Os homens gostam de bancar os valentes e de se mostrar.

- E eu não sei disso!

As duas acharam graça, porém é claro que Shizune sabia mais sobre os homens do que Sakura, confinada desde os treze anos. Sakura confessou:

- Pensei que teríamos visitas hoje, mas não apareceu ninguém. Talvez não nos culpem pelos problemas de hoje.

Shizune franziu o cenho, pensativa e a sobrinha perguntou:

- Acha que, desta vez, o Lobo Negro possa ter outros planos?

- É possível. É de admirar que ainda não tenha queimado a nossa aldeia.

- Ele não se atreveria! - exclamou Sakura. - Não tem provas de que os meus servos causaram as suas dificuldades. Tem apenas as acusações dos servos dele.

- É, mas isso basta para a maioria dos homens. Basta a desconfiança - suspirou Shizune.

A raiva de Sakura se desfez.

- Eu sei. Amanhã vou à aldeia me certificar de que, daqui por diante, ninguém saia das terras de Konoha por motivo algum. Não haverá mais problemas. Temos que garantir isso.

N/T:

Por hoje é só, mas eu já tenho o 3° capítulo pronto e pretendo posta-lo amanhã ou depois. Não se esqueçam que reviews têm a magia de adiantar capítulos UHSAHUASHAHSUHAS'

Um abraço e até mais :3