Acordei de manhã cedo e reparei que as camas das minhas companheiras já estavam vazias. Estranhei e desci ainda com o meu pijama. Estava tudo silencioso, mas isso era normal visto que era de madrugada.

Quando cheguei ao salão comunal percebi que algo de muito errado tinha acontecido. O Remus estava sentado no chão com a cabeça encostada ao sofá e de olhos fechado. A Claire estava ao lado da lareira com o olhar perdido e a Marlene estava na poltrona com o rosto entre as mãos. O Frank estava deitado no sofá e olhava fixamente para o tecto. Já Alice estava de pé encostada na poltrona da Marlene com um ar pensativo.

Rapidamente dei por falta do Potter e do Black e um sentimento de desespero tomou conta de mim. Corri para a Alice e assustei-a ao pegar-lhe no braço com demasiada força:

- O James? – perguntei demasiado violenta. Sabia que todos me olhavam aturdidos, mas eu queria saber onde ele estava, queria saber se ia poder gritar com ele e ouvir aquela voz, queria saber se poderia velo outra vez a desarrumar os cabelos, eu queria velo por mais idiota que parecesse. Como ela não me respondeu eu comecei a sacudi-la. – Raios Alice! AONDE ESTÁ O JAMES?

- Lilian chega! – a voz do Frank soou muito longe e pouco tempo depois umas mãos fortes seguraram-me e afastaram-me da minha amiga. Vi o Frank abraça-la e murmurar que estava tudo bem, antes de uns olhos cor de mel me fintarem preocupados.

- Lily, vamos sentar-nos? – olhei desconfiada para ele, mas sentei-me numa poltrona longe dos outros, junto á janela. O Remus sentou-se á minha frente e abriu várias vezes a boca antes de falar.

- O que aconteceu Remus? – ele suspirou e começou a contar-me.

- Durante a noite, a mansão Potter foi atacada por comensais. Não houve mortos, mas o pai do James ficou em muito mau estado. Está no hospital inconsciente. Só quando ele acordar é que vão ter uma noção da extensão dos danos. O James foi acordado a meio da noite pela professora Minerva e não descansou enquanto não foi para casa ver a mãe. O Sirius foi com ele, como é óbvio. – eu olhava para ele sem conseguir falar. Parecia que tinha perdido as palavras.

- Não chores foguinho. – ouvi a Claire dizer antes de me abraçar. Eu nem sabia que tinha começado a chorar. – A viagem foi cancelada. Vamos todos para casa do James passar as férias. Ele precisa muito de nós e nós vamos estar lá para ele. – olhei para ela, antes de limpar o rosto e me levantar.

- Nós vamos para lá. – como vi que nenhum deles se mexeu eu revirei os olhos. – Agora! – subi as escadas e fui imediatamente seguida pelas minhas amigas. Nenhuma delas falou para mim enquanto nos vestíamos e começávamos a carregar os malões pelas escadas abaixo. Os rapazes já estavam á nossa espera. Caminhamos em silêncio para o gabinete da professora Minerva comigo a liderar o grupo. Bati na porta com mais força do que queria e a quando esta se abriu o rosto da professora passou de raiva para choque.

- O que é que vocês estão aqui a fazer esta hora? – ela questionou abrindo a porta nos dar passagem. Quando viu as nossas malas o seu rosto iluminou-se em compreensão. – Lamento mas não os posso deixar sair da escola antes do encerramento do período.

- A professora não pode fazer isso! O James é nosso amigo e neste momento precisa de nós! Tem de nos deixar ir! – eu praticamente gritei com ela. A professora olhou para todos nós antes de suspirar.

- Eles ainda não deram notícias? – todos nós abanamos com a cabeça em negação. – Eu deixo ir apenas um! Só um. Depois do encerramento oficial podem todos fazer o que quiserem. – olhamos uns para os outros. A Alice, o Frank e a Claire disseram que não se importavam de ir mais tarde desde que o escolhido desse noticias. Eu, a Marlene e o Remus ficamos parados a pensar.

- O mais justo é que vá o Remus. Afinal ele faz parte dos marotos. – eu disse tentando afastar o desejo que eu tinha de abraçar o James e de o confortar.

- Nem pensar Lily. Tu devias ir. Se não fosses tu nem tínhamos tomado uma atitude. – ele começou a afastar-se de mim. Eu olhei para a Marlene que concordou.

- Eu acho que ele se vai animar só de te ver foguinho. – eu corei e preparei-me para pegar na minha mala, mas a mão de Frank foi mais rápida.

- Nós levamos depois. Vai. – eu sorri para todos e virei-me para a professora que me estendeu uma caixinha. Depois de tirar um bocado de pó entrei na lareira.

- Para onde devo ir?

- Para a Mansão Potter. Boa sorte Lily. – respondeu-me o Remus. Eu ainda lhe sorri antes de lançar o pó e de dizer o meu destino.

Depois de intermináveis minutos eu parei de girar e ao abrir os olhos deparei-me com uma sala ampla e bastante iluminada. Os móveis eram claros e novos. As cortinas amarelas davam um ar alegre ao ambiente, assim como os sofás de um tom mais claro amenizavam o lugar. Prendi a minha atenção sobre uma figura de cabelos arrepiados e olhos fechados que estava sentada numa das poltronas.

- Potter. – eu chamei baixinho. Ele abanou a cabeça e murmurou algo como: "nada de alucinações.". Voltei a tentar, aproximando-me. – James?

Ele abriu os olhos e fintou-me curioso.

- És mesmo tu, Lily? – revirei os olhos e preparei para lhe responder, mas ele esboçou um sorriso. – És mesmo tu.

Ele não se levantou e eu percebi que tinha de ser eu a dar o primeiro passo.

- Como estás?

- Bem, dentro dos possíveis. Consegui que a minha mãe adormecesse e o Sirius também está a descansar.

- E porque é que tu não estás na cama a deitado? – eu perguntei aproximando-me ainda mais.

- Não consigo dormir, Lily. – e começou a chorar. Eu pensei que estava a ter um pesadelo. James Potter a chorar?

Sem pensar na minha atitude sentei-me suavemente no seu colo e abracei-o, encostando a sua cabeça contra o meu peito. Deixei que ele chorasse durante bastante tempo. Ele devia estar a brincar ao: eu sou forte e tenho de apoiar a minha família. Quando finalmente se acalmou ele encostou a cabeça nas costas da poltrona e ficou a olhar para mim.

- Desculpa Lily, eu não sou de chorar assim, mas ver o meu pai tão fraco… Senti-me tão incapaz…

- Não digas mais nada. – eu pedi-lhe e coloquei o meu dedo sobre os lábios dele. – Eu não posso dizer que sei pelo que estás a passar, porque não sei, mas posso ajudar-te a suporta-la. – ele abraçou-me e ao sentir os seus músculos e não pude conter um suspiro.

Quando nos separamos ele sorria levemente. Eu encostei a minha testa na dele e ficamos assim, a olhar-nos nos olhos um do outro pelo que pareceram horas. Eu podia ficar assim para sempre a contar todos os tons de castanho e verde que existiam no olhar do James, mas ele não precisava de saber certo? Não percebeste mão estúpida? Porque é que continuas a ir na direcção do rosto dele?

Comecei por lhe tocar nas bochechas e subi para passar pelas sobrancelhas. Desci pelo nariz e quando lhe comecei a contornar os lábios ele fechou os olhos e abriu a boca ligeiramente para deixar escapar um suspiro.

- Lilian… - ele murmurou e isso foi como um balde de água fria para mim. Levantei-me rapidamente e contei até mil para tentar acalmar-me. – Desculpa. – ouvi-lo dizer.

Virei-me e vi que ele já estava levantado. Sorri-lhe e resolvi esquecer aquele momento de insanidade. Eu quase o beijei!

- Vamos, mostra-me o teu quarto. – ele olhou desconfiado para mim. – Tens de descansar. Não te preocupes, eu fico contigo.

Subimos uma escadaria e entramos numa das portas. Sempre de mãos dadas. Ficamos na porta parados para eu poder observar todo o quarto. Era vermelho e dourado, como um verdadeiro Gryffindor. Uma cama de casal, uma estante, uma cómoda, um guarda-fatos e uma secretária. Ele deitou-se na cama e ficou a observar-me.

- Posso mandar uma carta para o pessoal? Prometi que lhes diria alguma coisa quando chegasse.

- Claro. Os pergaminhos e as penas estão aí em cima. – eu agradeci e sentei-me de costas para ele. Peguei numa pena e escrevi assim:

Pessoal,

Estou com o James no quarto dele a obriga-lo a descansar. O Sirius e a Sra. Potter já estão deitados. Quando cheguei ele estava na sala arrasado. Ele vai precisar bastante do nosso apoio.

Ainda não á novidades do Sr. Potter. Espero que venham rápido.

Com amor,

Lily.

Reli a carta algumas vezes e depois enviei-a com a coruja de James que estava num poleiro ao lado da secretária. Olhei para ele e este estava adormecido no lado de lá da cama com o rosto virado na minha direcção. Suspirei e olhei em volta. Algo chamou a minha atenção. Uma parede em parte coberta de fotos. Bastantes com os marotos, umas recentes e outras já antigas. Umas com uns senhores que eu imaginei serem os seus pais e outras do James em várias situações. Tinha uma por cada ano em que pertencera à equipa de Quiditch com a equipa Gryffindor. Tinha uma do nosso grupo tirada no final do ano passado e, para meu choque, tinha três fotografias minhas.

Numa delas eu estava com um camisola que lhe pertencia ( era a da equipa de Quiditch) e se não me engano tinha sido tirada ano passado, depois de ganharmos a taça. Eu tinha ficado tão eufórica que tinha começado a aproximar-me de James. Na segunda eu estava sentada no corredor a rir-me, provavelmente a rir-me de uma piada da Marlene. Na última eu estava de bikini junto ao lago. Eu nem queria saber como ele tinha tirado aquela foto, mas a verdade é que eu gostava muito dela. Provavelmente tinha sido tirada ano passado no dia em que a Marlene se lembrou de irmos nadar para lago.

Olhei para parede novamente e depois para James. Depois de verificar que este estava a dormir profundamente tirei uma das fotos dele. A minha preferida. Estava ele em Hogsmeade, descobri isso ao ver a dedos de mel por trás, a paisagem cheia de neve, o seu nariz e as bochechas com um tom de vermelho por causa do frio e o cachecol á volta do pescoço. Ele estava a sorrir como normalmente faz. Guardei a foto no bolso da capa. Senti-me cansada de um momento para o outro. Tirei a minha capa e deitei-me ao lado de James. Ele abriu os olhos e sorriu para mim. Levantou um braço e eu aconcheguei-me no peito dele.

Antes de adormecer, ao inspirar o perfume dele, pensei que talvez as minhas amigas tivessem razão. Talvez eu tivesse mesmo apaixonada por ele.

Acordei umas horas depois deitada em cima do peito de James. Levantei-me lentamente e fiquei a admira-lo a dormir. Ele acordou alguns minutos depois e sorriu para mim.

- Dormiste bem? – questionei.

- Como um bebé. – eu sorri-lhe.

- Está na hora do pequeno-almoço da criança? – ele riu com gosto e assentiu. Antes de me levantar dei-lhe um beijo no rosto e comecei a caminhar para a porta.

Parei assim que descobri que ele não me seguia. Olhei para a sua figura paralisada na cama.

- Que foi?

- Tu deste-me um beijo. – ele murmurou o suficientemente alto para eu ouvir. Corei na hora, mas recompus-me a tempo.

- Somos amigos não somos? – ele sorriu levemente.

- Sim, amigos. – levantou-se e passou por mim, segurando a minha mão no trajecto e puxando-me em direcção do andar de baixo.

Entramos na cozinha onde dois pequenos elfos já corriam atarefados de um lado para o outro e vieram na nossa direcção mal entramos.

- Mestre mais pequeno, que vai desejar? – um deles perguntou. O que estava ao seu lado soltou um pequeno grito de animação antes de apontar para mim e dizer:

- Conseguiu conquistar a menina vermelha que tem na foto do seu quarto, meu mestre? – eu corei instantaneamente. – Bem-vinda, menina.

- Bom dia. – foi a única coisa que eu consegui responder.

- Queremos o pequeno-almoço. – pediu o James ainda rindo de mim. Puxou-me para uma mesa que estava no centro da cozinha. Em poucos minutos a mesa estava cheia de comida e o James começou a servir-se. Eu ia seguir o exemplo dele, mas algo chamou a minha atenção. O pequeno elfo que antes tinha gritado estava a olhar fixamente para mim.

- Sim? – perguntei com receio.

- A menina vai ser a minha mestra? Vai casar-se com o pequeno mestre? – corei ainda mais se é que é possível.

- Claro que vai, Mel. – disse uma voz grossa atrás de mim. Virei-me e encarei um Sirius com um sorriso divertido. – E ela vai ser a mestra mais louca que vais ter. – dei-lhe um sorriso amarelo. – Bom dia, cara Lilian. A que devemos esta visita tão madrugadora?

- A Lily foi a enviada do pessoal, para ter a certeza que nos estávamos a aguentar. – ele encostou-me ao seu peito e, para surpresa de nós os três, eu não me afastei. James beijou-me o topo da cabeça e eu aninhei-me ainda mais a ele. Será que ele tinha a noção de como cheirava bem? Sirius riu-se e juntou-se a nós na mesa. Começamos a comer e a conversar animadamente. Fiquei feliz por perceber que eles estavam mais descontraídos e as olheiras de James já não eram tão visíveis. Estávamos á espera que Sirius acabasse o seu leite para irmos para a sala esperar o resto dos nossos amigos quando ouvimos barulhos. Sirius abriu os olhos em choque e nós viramo-nos para a porta.

Uma senhora com cerca de 50 anos, os cabelos ruivos, mas já sem brilho e com algumas madeixas brancas, estava encostada á soleira, vestida com o roupão e o pijama. Tinha os olhos vermelhos e grossas lágrimas corriam pelo seu rosto. Na mão tinha uma carta que ela tentava segurar entre os tremores e os soluços que lhe sacudiam o corpo.

- James… - ela murmurou e num ápice a informação chegou ao cérebro dele que se levantou, imediatamente seguido de Sirius, e correram para a abraçar. Eu ainda demorei a atingir, mas o motivo da minha estadia rapidamente chegou á minha mente e eu senti as minhas pernas fracas. O pai de James estava morto e ele ia sofrer, ele já estava a sofrer. Eu podia ver o seu rosto contorcido de dor, as lágrimas no rosto, as palavras que ele tentava balbuciar para consolar a mãe. Eu podia sentir a dor agonizante que se espalhava pelo seu corpo e rasgava-me o coração. Eu não aguentava vê-lo assim. A tentar consolar uma pessoa sendo a sua dor igual ou superior.

- James… - chamei. Ele virou-se e a ultima coisa que vi antes de ele me abraçar fortemente foram os rostos transfigurados de choque dos meus amigos que tinham acabado de chegar.


N.A.: Eu sei que o capitulo está fraquinho :x mas eu queria tanto postar que pronto, saiu muito mal. Como podem ver a visita a Roma foi cancelada, ou um pouco adiada. O pai de James faleceu e vão ser dias muito difíceis. Bem eu já tenho algumas ideias e outra fic entre mãos, vamos ver o que sai ;) oh pá, será que alguém anda a ler isto? : | se for poluição visual avisem que eu tiro logo :x

N.M.A.: oh besta , eu amo-te *.* quem não comentar leva na cara (: agradecido pela atenção, o melhor amigo da autora.