Capítulo 2 - Secrets and Lies

Sumário:Abby guarda um segredo e não consegue encontrar a hora mais correta para contar. Esconder algo de quem você ama é a solução?
John percebe que tem algo errado mas não obtém sucesso. Fugir de quem você ama é a solução?
(Pontos de vista diferentes sobre algumas cenas dos episódios finais da 9ª temporada)

Obs: Este capítulo contém cenas inadequadas para menores de 18 anos por indicar pistas de sexo detalhado. Se você não concorda ou levará isso como uma ofensa, por favor, não prossiga com a leitura. Obrigada.

Espero que gostem desse capítulo e comentem!
Não sei quanto tempo vou demorar para postar o próximo...Depende das idéias!


"Enfolding your love in my heart...
"Envolvendo o seu amor no meu coração...

(Carter's POV)

Envolvi Abby em meus braços naquela noite fria, sentindo seu calor me aquecendo aos poucos. O som fino da chuva me mantinha acordado, pensando em algumas horas antes quando quase fui para África sem nem despedir-me de Abby da forma correta.
Aquele turno foi um dos piores que já tive que enfrentar.

Não sei mesmo o que me manteve em Chicago todo esse tempo. Eu sentia que estava completamente perdido, que precisava achar um caminho logo.
Kovac não gostou muito da idéia de eu ter abandonado a viagem de última hora. Ele devia estar bem ocupado por lá. Me fez pensar em como deve ser um lugar daqueles...
Um perfume extremamente forte surgiu sobrepondo meus pensamentos, então abri os olhos para ver o que era exatamente. O perfume vinha diretamente de uma mecha de cabelo de Abby, que estava literalmente nua de costas para mim, com apenas um lençol cobrindo seu corpo. Sorri, guardando aquela cena em minha memória.

Lembrei-me na hora do que me mantinha ali. Abby. A única que tinha esse poder sobre mim, que eu não conseguia evitar de modo algum.
Acariciei seu cabelo e aproximei meu corpo mais junto do dela. Fechei os olhos e, em seguida senti sua mão entrelaçando a minha e a puxando para seu abdome. Respirei fundo e tentei dormir, pensando somente nela.

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Algumas horas mais cedo

Abby permanecia em frente à farmácia já fazia algum tempo. Estava completamente indecisa sobre o que queria fazer exatamente. Andava de um lado para o outro, olhava seu relógio e se preocupava ainda mais - seu intervalo estava nos minutos finais. Então decidiu ir embora sem comprar o que prentendia. Até porque, em seu interior, ela já tinha certeza do que estava pressentindo.
Andou todo o caminho de volta com a palma de sua mão voltada para seu abdome.
Ela sentia muito medo e aquilo retorcia sua garganta e fazia seu coração bater a mil, mas, ao mesmo tempo, fazia com que ela se sentisse mais confortável, segura e, porque não mais feliz? "Talvez essa palavra exista mesmo..."
Agora podia sentir que uma parte de John estava nela e ninguém podia mudar isso.

Fazia alguns dias que eles não se falavam. Turnos diferentes, falta de tempo, ou porque estavam tentando se acertar mesmo... Raramente dava certo um horário em comum entre os dois. Abby aproveitaria a notícia para poder falar com ele naquele mesmo dia. Antes queria ter certeza mesmo mas a ansiedade não a deixava pensar com muita coerência.

Abby chegou no Ambulance Bay e ficou extremamente surpresa quando Carter apareceu em sua vista com um paciente saindo de uma ambulância. Abby sorriu como não sorria há muito tempo. Quis sair correndo para os braços dele e espalhar a notícia para todos, mas conseguiu segurar-se o máximo possível. Mesmo assim, ela correu até ele e disfarçou sua emoção diante do paciente e de Susan, que também esperava uma ambulância.
Ele se surpreendeu do mesmo modo que Abby ao vê-la. Seu sorriso brilhava como um diamante aos olhos de muitos.

- Hey! - ela disse com os olhos brilhantes encarando John, que parecia querer entender o porque daquela alegria toda - Quanto tempo, não? - Abby terminou ajudando os dois com o paciente, que estava aparentemente estável. John desviou o olhar com um pouco de nervosismo.

- Abby! Você o ajuda com esse? Tem mais ambulâncias chegando... - Susan indagou com o tom de voz cansado. O turno dela não estava fácil e percebia-se só pela falta de seu tom irônico.

Abby concordou enquanto esperava que John desse algum 'sinal de vida'. Completamente em vão; ele apenas seguiu o caminho até o Trauma 1 sem dizer uma palavra relacionada.
Abby não entendia o porque daquela indiferença. Fazia o possível, mas não tinha o poder de ler mentes. Apenas achava que tudo estava se resolvendo...
Automaticamente, perdera a vontade e a coragem de conversar sobre o novo assunto com Carter.

- Sr. Yokas, eu sou o Dr. Carter. Pode me dizer onde você está? - ele perguntou ao paciente, que parecia mentalmente alterado depois de dizer coisas sem sentido.

- Eu tenho que acordar cedo para trabalhar. Se você não me deixar dormir como vou fazer isso?

John apenas escreveu algo no prontuário e começou a fazer os exames de praxe.

- O sr. está num hospital. Lembra-se de quem o atropelou? - Carter continuou examinando o paciente e percebera que Abby estava parada, de braços cruzados, encarando-o séria.

- Abby, por favor, administre 20mg de Fentanyl. - John tentou fazer Abby seguir as ordens, mas ela permanecia parada.

- Doutor, enquanto o sr. continuar me ignorando desse jeito, pode esquecer qualquer Fentanyl... - Abby desabafou batendo as mãos nas pernas, como de costume quando alguma coisa a incomodava. Ela olhou bem nos olhos de Carter e saiu, logo que percebeu que ele não responderia nada, como estava fazendo nos últimos dias...Não retornava telefonemas, usando desculpas esfarrapadas.

Abby estava feliz pela primeira vez em muito tempo e não podia compartilhar esse sentimento com quem ela mais queria que sentisse o mesmo. Ela podia ver nos olhos de John que ainda não estava tudo bem. Abby não suportava ter que vê-lo daquele jeito, infeliz e miserável com tudo. Ela pôde sentir, por algum tempo, o que John sentiu sobre ela, sempre.

Abby saiu da sala e Carter veio logo atrás dela, correndo na frente e fazendo com que ela parasse bruscamente. Abby o encarou profundamente e pôde ver em seus olhos o nítido nervosismo que o habitava.

- Abby, se você puder não misturar os pacientes no que só diz respeito a nós, eu agradeceria muito. Eu não tô afim de insistir isso com você, só quero que você volte lá e administre o Fentanyl, por favor! - ele foi curto e grosso e nada mais. Ele jamais falaria com Abby daquela forma se não estivesse mesmo com algum problema.
A expressão de Abby era assustada. Esperava que nunca tivesse que vê-lo daquele jeito novamente.
Fez um sinal positivo com a cabeça e encarou o chão, sem revidar uma palavra. John voltou rapidamente para a sala e Abby fez o mesmo em seguida.

Na SDM:

Abby entrou na SDM pegar seu casaco para ir embora quando se deparou com John se ocupando com uma xícara de café, de costas. Ela sorriu e andou até seu armário. Ela tentaria mais uma vez falar com ele antes que começasse a se lamentar pelos cantos.

- Turno difícil? - ela indagou, pendurando seu casaco e estetoscópio.

- Yeah. E olha que só faz uma hora que começou... - ele respondeu parecendo estar mais calmo que da outra vez que Abby o vira. Esse fato a encorajara ainda mais. - E você? Seu turno não devia ter acabado às oito? - ele perguntou olhando rapidamente em seu relógio no pulso.

- Sim. Tive que cobrir a falta de uma enfermeira e, assim... - Abby hesitou antes de terminar, fechando os olhos brevemente e virando-se para Carter, que já observava seus movimentos havia algum tempo - ...e assim também poderia te encontrar e te chamar pra uma xícara de café ou algo do tipo no Doc Magoo's. - ela o encarou por alguns segundos com aquele sorriso que o derretia por dentro e logo voltou a olhar para o chão, se mantendo discreta.

- Tudo isso? Wow, eu sou um homem sortudo ham! - ele caçoara inesperadamente e Abby sentiu-se desvalorizada de suas boas intenções. Ele a magoara novamente com suas palavras, sem saber.
Ela sentiu vontade de sair correndo dali o mais rápido possível, mas permaneceu em seu lugar imaginando o que dizer a seguir. Aquela insegurança voltava a assolá-la.

O silêncio pairou. Só se ouvia as ambulâncias chegando.
Abby apenas pensava em como lidar com tudo que John estava passando agora.
Ele sempre sabia ajudá-la, por mais que fosse difícil e complicado. Mas a diferença é que ela não sabia se poderia ajudá-lo dessa vez.

John talvez tenha percebido que tinha sido irônico da pior forma possível e tentou continuar:

- Aquele café ainda tá de pé? Porque esse aqui, nem gosto tem mais... - ele encarou Abby e tentou encontrar seu olhar, que evitava ser encontrado. Ela não conseguiu rir com o comentário, por mais que tentasse. "Cadê o verdadeiro John Carter? A pessoa mais dócil e carinhosa que já conheci?"

John percebeu claramente que Abby tinha lágrimas no olhar, esperando para serem derrubadas a qualquer momento. Era difícil vê-la chorar e quando acontecia era uma coisa bem grave que estava acontecendo. Ele não agüentou presenciá-la naquele estado. Só o que ele conseguia era consertar a situação, por mais que a vontade de brigar e desabafar o estava enforcando.

- Hey. Vamos logo! - ele estendeu a mão até Abby, todo charmoso. Logo aquele sorrisinho amarelo na face de Abby já estaria de volta, ele sabia. - Vai que o Doc Magoo's pega fogo antes... - ela finalmente sorriu, fazendo com que as lágrimas em seus olhos sumissem junto com sua tristeza. Apossou-se da mão de John e chegou mais perto dele.

- John...Sabe, nós precisamos conversar sobre tanta coisa. Eu...

- Shhh. Vamos esquecer tudo pelo menos durante um café e um pedaço de torta, por favor? - ele dizia com um sorriso meio forçado no rosto, que não deixava de ser lindo e verdadeiro do mesmo jeito.
Apenas passou seu braço pelos ombros de Abby, deixando sua xícara na beirada da mesa e saindo. Não paravam de se olhar nem de sentir o amor verdadeiro cada vez mais próximo, por mais que a dor e a insegurança ainda permanecia em seus olhares.

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- Então...quer dizer que Luka foi para a África mesmo? - Abby perguntava encarando seu pedaço de torta. Não aguentava ver aquilo na frente por causa dos enjôos que andava sentindo. Bebeu um gole de seu copo de água e olhou para John, esperando sua resposta.

- É, parece que sim. E não vai voltar tão cedo, se essa era sua próxima pergunta... - ele respondeu com um pouco de ironia na risada que deu logo em seguida. Abby tentou bloquear o que ele disse no final e partiu para outro assunto. Esse definitivamente o incomodava.

- Tá sabendo da saída de Pratt para o Northwestern? Eu achei que o PS o tinha conquistado de vez...

- Já é agora? Essa é a época que chegam mais estudantes e, mais estudantes é sinal de mais problemas para nós, os míseros atendentes... - John terminou de resmungar com seu discurso 'diplomático' observando a feição não muito boa de Abby e a torta, que ela mal tocara enquanto estavam lá - Você está bem? Está meio pálida. Quando fez a última refeição? - ele sentou do lado de Abby e colocou as costas de sua mão na testa dela, como se estivesse medindo sua febre. Ela recuou e fez uma cara esquisita para ele. Abby conhecia as manias de Carter de querer se mostrar e, imaginando isso, caiu nas gargalhadas. Entretanto, ele parecia mesmo preocupado.

- O que você está fazendo? Eu estou bem! Eu só estou... - ela hesitou, percebendo que quase deixara escapar seu pequeno segredo numa hora indevida.

- Está...? - ele a encarou, agora mais perto de seu rosto e aproximando-se cada vez mais. Abby estava confusa sobre o que diria e, pra sua sorte, ele mesmo a salvou continuando. - Já sei. Já entendi. Você está com saudades de mim e não quer dizer. - Abby soltou um suspiro de alívio e tentou disfarçar num sinal negativo com a cabeça. John não perdia as esperanças com suas leves cantadas disfarçadas que a fazia dar boas gargalhadas. - Você quer um abraço? - o sinal negativo era feito novamente, mas ele não desistia, aproximando sua boca cada vez mais perto da de Abby - Hum...então você quer um... - Carter chegou tão perto de Abby que sentiu sua respiração, que parecia uma brisa, e o roçar de seu delicado nariz em seu rosto. Tão perto assim, só podia pensar em beijá-la sem parar. Ela o tocava no pescoço com a mão bem gelada, como sempre estava. John sorriu e a beijou com muita saudade e vontade. Aproveitou o gosto daquele beijo apaixonante, que há tanto tempo não sentia, para tocá-la em alguns lugares de seu corpo que a deixava arrepiada, como a nuca.

Abby sentiu-se melhor ao poder estar perto dele e poder estar beijando-o naquele momento. A saudade que ambos sentiam era enorme, a ponto de não poderem esconder um segundo a mais. Aproveitaram aqueles pequenos minutos, que pareciam décadas, como se só existissem apenas os dois no mundo, ou até mesmo no universo.

Abby sentia que precisava fazer John amá-la novamente, como costumava fazer antes. Naquele beijo, ela pôde sentir muitas emoções juntas mas, o amor que ela não queria aceitar que sentia era a maior de todas. Pensando em tantas coisas ao mesmo tempo, ela aprofundou o beijo mordendo seu lábio inferior, para a surpresa de John que sorriu com vontade e carinho pausando o beijo; ele sorriu daquele jeito!
John queria muitos beijos iguais aquele que ela nunca se atrevera antes em lhe dar.

- Eu gostei disso! - docemente, ele sussurrou no ouvido de Abby logo que conseguiu se afastar um pouco de seus lábios ainda entreabertos.

John a encarou segundos depois, como se seus olhos fossem um ímã que só atraíssem os olhos de Abby e já ia se perdendo em seus lábios novamente quando...

- Oh, vocês fizeram as pazes! - Susan aparece do lado da mesa com um sorriso gigantesco no rosto. Ela sabia que os dois não estavam na melhor época então, qualquer demonstração pública de carinho já era alguma coisa. - Opa, não era pra ter saído tão alto...E não era para vocês pararem... - ela bebeu um gole de seu café e ficou encarando os dois, que logo voltaram a se comportar como se fossem dois amigos, retirando qualquer rastro das carícias que distribuiram antes.

- Susan! - John olhou rapidamente para Abby em sinal de disfarce. Era evidente que eles não estavam muito acostumados a fazer aquilo em público. - Você nos assustou... - Abby sorriu um pouco embaraçada com a cena.

- É, percebi. Desculpa eu ter que atrapalhar vocês nessa hora tão... - ela tentava fazer gestos que demonstravam coisas de sua cabeça provavelmente. - Vocês me entenderam...Enfim, Weaver está louca atrás dos atendentes, já que o Luka não está mais por aqui. Ela até gritou no meio da recepção que mudaria o County pra África se continuasse assim! - os dois riram com a Susan, que estava alegre em ver os dois e em contar a pérola de Kerry. E essa pérola não parava por aí. - E ela falou que se alguém visse Carter por aí, que era pra estrangulá-lo e jogar o corpo dele na sala dela. Acho que deu pra entender o recado, não é? - Susan mostrou ironia no sorriso e John assustou-se com o comentário de sua chefe.

- É...melhor nós voltarmos então, Abby. Antes que ela acabe me mandando para a África também! - John comentou olhando para Susan e Abby, pagou a conta e saiu, de mãos dadas com sua namorada em direção ao PS.

Eles já podiam ouvir as ambulâncias com novos traumas chegando então correram se aprontar. Abby ficou para trás na porta do PS, fazendo com que John parasse também e voltasse até onde ela havia parado.

- Você não vem?

- Eu só estava substituindo...Já perdi a conta de quantos dias que eu não durmo! - ela disse com um sorriso cansado no rosto. Havia algo estranho em seu olhar e John percebeu isso claramente desde que a vira mais cedo.

- Você tem certeza que está bem? Eu posso pedir pra Susan me cobrir e...

- Não Carter! Vai trabalhar...Eu vou para casa tentar dormir. Tenho plantão ainda hoje à noite. - Os paramédicos começavam a trazer pacientes nas macas. Uma quase atropelou Abby pelas costas se não fosse Carter para afastá-la com um pequeno empurrão para o lado, mais perto da SDM. Abby nunca sentia-se desprotegida ou sozinha com John por perto. - Como eu estava dizendo, eu vou descansar e você vai limpar aquele quadro ali. Não quero ver você morto pela Weaver, nem na África antes do fim de semana, hein. - ela apenas sorriu e continuou encarando John que ainda a observava, para tentar desvendar o que estava tão...tão...Ele não sabia explicar.

- Vem. - John puxou Abby para a SDM sem esperar ela hesitar nem dizer nada. Ele ficou encarando-a como se quisesse dizer algo, mas simplesmente não dizia.

- O quê? A Kerry vai te matar se você não for até lá e...

- O que está havendo, Abby? - John fez aquela carinha que sempre fazia quando queria falar algo que o estava atormentando. Abby assustou-se com a pergunta-surpresa e não tinha idéia do que responder. - Você anda comendo menos, está meio pálida, cansada...Isso tá me preocupando!

Ela estava com muito medo de desapontá-lo com qualquer coisa que dissesse de errado naquele momento. E se não dissesse nada, sabia que também o desapontaria. Estava em uma rua sem saída.

Ela apenas continou encarando John com aqueles grandes e brilhantes olhos castanhos que o conquistou logo na primeira vez que ele os encarou, no telhado, naquela noite.

- Como assim 'o que está havendo?'? Você que está vendo coisas. - Abby desviou seu olhar para que John não percebesse que ela estava tentando esconder algo dele. - Eu estou perfeitamente bem!

John suspirou demonstrando descontentamento. Ela era teimosa e ele sabia disso muito bem. Por que continuar insistindo? Pensava em tantas coisas que apenas uma martelava mais e mais. Era tão improvável mas não impossível. Era tão perigoso e ao mesmo tempo tão maravilhoso. Sim, a hipótese de Abby estar grávida agora não fugia mais da cabeça de Carter.

- Eu sei, por mais que você insista o contrário, que você não quer me contar alguma coisa. Eu posso ver nos seus olhos, se é que isso significa algo pra você... - ela virou de costas e colocou sua mão em seu abdome novamente como fizera mais cedo. Seu coração dizia para contar tudo e sua mente sabia que o mais certo a fazer era esperar.

No meio de toda essa indecisão e nervosismo, Abby sentiu um enjôo forte e uma tontura diferente do que ela sentia normalmente. Suas pernas ficaram trêmulas até que ela se apoiou no armário, o objeto mais perto que ela poderia segurar.

John correu até ela para segurá-la e a guiou até o sofá. Abby mantinha os olhos fechados para não ver tudo girar à sua volta.

- Abby! Você precisa me contar o que está acontecendo. - John já aumentava o tom de voz, bravo e procupado por vê-la naquele estado. Pousou dois dedos em seu pulso e tentou marcar em seu relógio.

- Eu...só tô um pouco enjoada, apenas isso. Não to morrendo, Carter! Parece até um disco quebrado...

- Então o que foi aquilo? Você quase desmaiou...Ninguém desmaia por nada!. - ele a encarava relutante e ela tentava olhar para tudo, menos para aqueles olhos.

- Então, acho que o melhor a fazer é um exame de sangue. O que for, vai constar nele. Eu mesmo faço isso, se quiser. - Se eu sou um disco quebrado, eis o refrão... - ele retrucou esperando a resposta de Abby.

- NÃO. - Abby aumentou a voz como se fosse loucura o que ouvira. Ela queria descobrir quando estivesse pronta. Abby tinha seus métodos, por mais que fossem estranhos e difíceis de entender. - Eu só preciso descansar em casa, na minha cama! Estou exausta, somente isso. - ela tentou se levantar numa tentativa frustrada de fugir do assunto e quase foi direto para o chão novamente.

- Hey, hey! - John voltou a segurá-la, dessa vez abraçando-a. A fraqueza de Abby a fez abraçá-lo em resposta, soltando seu corpo nos braços seguros e aquecidos dele. - Abby. - ele sussurrava e ela apenas encarava o chão por não saber o que dizer, nem o que fazer. - Abby!! - Carter trouxe seu queixo para a direção de seu rosto, fazendo a encará-lo mesmo que não quisesse. Seus olhos tinham lágrimas novamente. Uma das poucas coisas que ele não suportava era ver Abby chorando. - Deus, você tá me preocupando. A menos que... - a voz de John surgia embargada nos ouvidos de Abby. Eles estavam tão envolvidos um no outro que seus corações pulsavam juntos, numa sintonia perfeita.

- A menos que...? - era Abby quem queria saber o que ele estava tentando dizer agora. Ele hesitou e passou uma de suas mãos para barriga de Abby fazendo com que ela se arrepiasse um pouco com o ato carinhoso.

- A menos que tenha alguém aqui! - aquela felicidade com que John falava deixava Abby cada vez mais alegre e esperançosa quanto à sua suposta gravidez. Mas ela não podia deixar que isso a impedisse de pensar em outras coisas, como a doença que ela poderia passar para o bebê, ou mesmo a situação em que ela e Carter se encontravam. Pensando nisso, Abby fugiu dos braços de Carter e se afastou. Sua aparência já estava melhor, a tontura já havia passado e ela aproveitaria isso para sair dali o mais rápido possível. John não entendeu o porque daquela reação de Abby, mas ele sabia que era difícil entendê-la às vezes. Ou sempre...

- Não...eu não estou grávida. Já falei John, que isso é estresse e cansaço! Não vou mais discutir isso, ok! - Abby aumentou o tom de voz e saiu sem dizer mais nada.

Vê-la fugindo assim só o lembrou de como sempre seria. Ela sempre fugiria de tudo. Isso só o lembrou de como ele desejava estar bem longe dali, assim como ela fez...

John tirou seu jaleco e o jogou no chão, bravíssimo com as atitudes de Abby. Sentou-se no sofá e lá refletiu sobre tudo, com as mãos na cabeça e os cotovelos no joelho.
As respostas pros seus problemas custavam a aparecer...

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- Luka? - John assinava umas 7 fichas, uma atrás da outra, enquanto tentava conversar com Luka, com o telefone sendo segurado pelo seu ombro por ter as mãos ocupadas. A ligação não era das melhores. - Não estou te ouvindo bem!

- Precisamos de pessoal aqui! Estamos bem ocupados... - sua voz já era melhor ouvida agora. John levou seu olhar à senhora budista com câncer que estava prestes a morrer pela pequena janela do Exame 2. Ele só conseguia pensar no que ela dissera a ele com muita sinceridade algumas horas antes de ficar inconsciente, sem nunca mais poder voltar à vida: "Muita tristeza!"

Nada o prendia ali, só a tristeza que o deixava a pior pessoa do mundo. Aquele sentimento de vazio começava a assolar seu coração a partir do momento que pensara pela primeira vez em fugir. Será que a África era uma boa solução? Lá existem pessoas que podem ser ajudadas e querem ser ajudadas? Ele só descobriria essas respostas se tentasse. John queria algo mais do que a vida que estava levando.

Durante todo o dia, em todos os pensamentos, Abby estava presente. Quando brigavam, ele apenas imaginava um jeito de consertar as coisas. Mas ele tinha a sensação de que ela não fazia o mesmo por ele de uns tempos pra cá.
Infelizmente, o vazio chegou a um certo ponto em que Abby já não ocupava o espaço imenso que costumava ocupar em John. Ele estava deixando de se importar com ela? Estava deixando de...amá-la? Quando essa pergunta manipulava suas palavras, seu modo de pensar e de agir, ele se convenceu de que deveria mesmo ir. Achar um rumo para sua vida era o que ele precisava fazer.
Porém, algo ainda o fazia pensar se era a hora certa de se afastar.

- O que você acha de eu embarcar hoje mesmo? Tomei todas as vacinas e posso arranjar as passagens para hoje. - ele fechara os olhos tentando perceber o que era certo a se fazer.

- Ajudaria muito! Estamos te esperando então. Mas, venha preparado...Aqui é bem diferente do que nós vemos todos os dias no PS. - suas palavras deixaram John em grande dúvida. Mas isso não o impediria de tentar fazer o que era melhor.

- Carter, o senhor do Trauma 1 está tendo parada cardíaca. - Chuny alertou e Carter assustou-se com a notícia.

- Luka, estarei aí o mais cedo possível. Tenho que ir. - ele desligou e se pôs a correr para o Exame 1.

- Alguém da família conseguiu chegar? - John perguntou enquanto dava as ordens para ressuscitação cardiopulmonar. - Carregar a 150! Pronto. - depois da descarga elétrica o monitor continuava mostrando a linha reta. - Vocês deram papel e caneta à ele? - John tentava não perder a paciência, na sala onde a tensão era forte

- Acho que ninguém lhe entregou. A mulher e filhos estavam no trânsito. Mas parecem que não chegaram ainda. - Chuny respondeu encarando Carter. Todos ali sabiam que ele não conseguiria ser reanimado. Não depois de tantos remédios e choques que já tinham dado em vão.

- Bom... - Carter já se daria por vencido quando reparou que Haleh trouxera uma mulher e duas crianças com uma aparência não muito boa até a porta transparente. Eles eram a família daquele senhor que tanto pedira a ele papel e caneta para deixar um bilhete a eles. Carter sentiu-se extremamente culpado e o vazio dentro dele só aumentava. Agora era tarde demais. Ele não poderia ser salvo. John não queria desistir tão fácil assim, não na frente da família. - Mais uma ampola de epinefrina! - os enfermeiros o encaravam, sem moverem-se do lugar. Carter continuou a RCP e se enfureceu com o comportamento dos enfermeiros - Epinefrina, Chuny!

- Ele se foi, Carter! - Chuny colocou suas mãos sobre as de John e assim o fez parar com a ressuscitação, que já estava fazendo há 45 minutos. John tirou as luvas e o avental, enfurecido com todos, até mesmo com Deus. "Como Ele deixa uma pessoa ir desse jeito? Isso é justo?" - ele tentava achar possíveis respostas, mas nenhuma era convincente. Percebera então que nada nessa vida é justo. Principalmente com as pessoas que mais merecem a justiça.

John caminhou até a mulher que chorava e tentava esconder as lágrimas. Ele não conseguia encará-la, talvez estivesse sentindo o mesmo que ela ou até pior.

- Eu sou Dr. Carter, tratei de seu marido. Tentamos reanimá-lo durante 45 minutos, tentamos choque, remédios, mas não pudemos...trazê-lo de volta. - John olhava o chão pensando no que dizer para aquela família desolada e agora, incompleta. Ele limpou sua garganta e continuou enquanto reparava os pequenos garotos observando o pai na maca. - Ele queria...que vocês soubessem que ele os amava muito! - a única coisa que Carter pôde dizer para consertar a situação foi isso. A mulher continuava tentando segurar as lágrimas, que já desciam pelas faces. A culpa seria mais um peso que ele teria que carregar naquele maldito dia? - Vocês podem entrar para vê-lo. - ele terminou e logo pôs-se a caminhar em direção à recepção. Não queria mais ouvir reclamações pelo resto de sua vida.

Ele pegou seu terno no balcão e já ia saindo quando Pratt o parou.

- Hey, nem vai desejar boa sorte? - John virou-se e lembrou que era o último dia de Pratt no County.

- Ah, é seu último plantão hein! - John tentava achar boas palavras na sua mente tão carregada de problemas para dizer ao residente mais complicado que ele já treinou. - Boa sorte lá! E se quiser voltar, lembre-se que o County está sempre precisando de pessoal! - ele forçou um sorriso e Pratt riu, se despedindo do primeiro e talvez único amigo que fizera ali.

John pisou fora da emergência e se deparou com Abby. Era a última coisa que ele precisava no dia. Ele não queria se explicar para ela, não queria brigar e nem conversar, queria simplesmente parar de pensar nela. Carter continuou se afastando, mas seus olhares continuavam grudados. Ele nunca pensou que algum dia poderia querer se afastar de Abby daquela forma tão sutil.

Abby não esperava encontrá-lo logo de cara, muito menos com aquela aparência triste e vazia, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde eles teriam que conversar novamente. Apenas mais um encontro constrangedor.

- Você teve um turno difícil? - Abby tentou pensar no que dizer mas as palavras não vinham com coerência.

- Yeah. - John suspirou tentando desabafar com a única para quem ele contava seus problemas, mas que também havia se tornado um deles. - Tinha um senhor, que infartou. Ele pediu a mim papel e caneta para escrever um bilhete para seus filhos, eu não pude salvá-lo, mas poderia ter... - John percebeu no olhar distante de Abby que ela não queria saber de nada sobre seu turno, queria apenas puxar assunto onde não tinha para que pudessem logo terminar em briga ou em reconciliação, como costumavam fazer sempre. Em sua visão, todos pareciam distantes dele e só estavam interessados nos próprios problemas.

- O quê? - ela insistiu, tentando fazê-lo se abrir totalmente. Ela apenas tentava ajudá-lo da forma como costumava fazer antes.

- Nada. - ele apenas disse o que ele sentia dentro dele, aquele vazio. - Não há nada aqui! - John foi andando e tentara fugir. Era mais fácil fugir. Tentar substituir sua dor por outro sentimento era a parte difícil.

- Hey! - Abby cruzara os braços e tentou chamá-lo de volta, na esperança de uma conversa decente. Abby não queria que ele agisse como ela e virasse as costas. - Não conversamos direito há tanto tempo e é isso? - John voltou a olhá-la mas não respondeu absolutamente nada. Tudo o que ele precisava dizer era o que ele mais temia em fazer. - Luka me ligou... - "Ela tinha que falar nele..." Mas dessa vez John sabia do que se tratava - ...procurando por você. Ele ficou impressionado por... - ela se aproximou de John e sentiu que as lágrimas logo tomariam conta de seus olhos se ele se distanciasse mais. Ela não queria que ele fosse. Ela não precisava de mais uma pessoa saindo de sua vida. A pergunta que fazia suas pernas estremecerem e aquele frio na barriga bater não a deixava pensar em outra coisa para dizer. - Você está indo, certo? Para a África? - ela afastou a franja loira que cobria uma parte de seu olho e tentou arrancar a verdade do olhar de John, mas estava tão vazio, tão frio, tão machucado. Ela só podia esperar pela resposta de seus lábios que tantas vezes beijara antes.

John bem que tentou responder que sim, que iria para a África e nunca mais voltaria, que não a queria mais e que nada o prendia ali. Mas seria uma completa mentira. E ele só conseguia dizer nada mais que a verdade quando encarava Abby tão profundamente. Não conseguia dizer que ia. Ele só precisava encontrar com ela para perceber enfim que estava na escuridão e não sabia o que estava fazendo. Ela afastava o escuro e o fazia enxergar as coisas como deviam ser. Por um momento Carter teve a sensação de pertencer aquele lugar, como não tinha há muito tempo.

O coração de Abby disparou com todo o suspense que cercava a noite e o de John acalmou, como se todo o peso que ele carregava tivesse virado cinzas, mas que continuava guardado em algum canto secreto de seu coração.

- Não...Eu não vou para a África. Eu não pertenço a outro lugar se não aqui... - "...com você!" John sentiu suas mãos geladas e suando frio; essa confissão era pesada e verdadeira demais.

Abby sentiu um alívio que a fez olhar para o céu rapidamente e suspirar logo em seguida.

Por apenas uma decisão mal-tomada eles teriam a felicidade em risco.

Abby puxou uma das mãos vazias de John e segurou fortemente. Ela sorriu, sentindo-se bem melhor e esquecendo toda a briga que tiveram mais cedo.

Ele a envolveu em um daqueles abraços que ambos precisavam e permaneceram assim por alguns minutos. Eles sempre acabavam daquela forma. Se completavam e se entendiam por apenas um olhar, um toque, uma palavra. No final, tinham certeza de que encontrariam as respostas um no outro.

Uma voz escandalosa os interrompeu bruscamente.

- Abby, Carter! Estão sabendo do Doc Magoo's? Parece que alguém conseguiu evitar um incêndio agora há pouco! - Haleh dizia, alarmada com a confusão que acontecia do outro lado da rua. Carter e Abby não haviam se dado conta do tumulto lá. Estavam muito ocupados com as decisões...

- O quê? O que houve? - Carter insistiu, mas Haleh não sabia dizer. Ela deu de ombros.

- Só se sabe que foi um dos atendentes daqui do County que estava por lá coincidentemente. - ela caminhou para a emergência mas continuava - Aposto na Susan! - ela sorriu e desapareceu da vista dos dois.

O silêncio reinava na área das ambulâncias, diferente do outro lado da rua. Ambos continuavam parados, lado a lado, observando a multidão saindo chocada da lanchonete e então Carter arriscou quebrar o silêncio:

- Preciso ligar para o Luka. Eu disse que iria comprar as passagens e... - John alisou seu cabelo e continuou - Ele não vai gostar nada, nada da mudança de planos!

- É, mas tenho certeza que ele vai compreender. E eu preciso ir trabalhar... - Abby dizia com uma certa decepção no tom de voz.

- Abby...Por favor - John estava prestes a pedir uma coisa que ele precisava muito mesmo. Isso o deixava um pouco constrangido. - Venha para casa comigo. Você pode não acreditar mas...Eu preciso de você agora! Eu preciso ficar junto de você esta noite! - Abby sorriu mentalmente. Esse era mesmo o seu John! Aquele que dizia o que pensava sem medo, com sinceridade. Ela não poderia dizer não a um pedido desses, ainda mais com o rosto que ele fazia quando pedia algo.

- Se eu apostar com Haleh que foi a Kerry quem salvou o Doc Magoo's, é garantido que eu vou com você! - Abby sorriu sarcasticamente e foi entrando de volta na emergência. John apenas observou a única coisa que importava para ele e sentiu seu vazio sendo preenchido novamente com aquele sorriso cativante de Abby. As dúvidas desapareciam devagar. Ele ainda a amava e isso estava claro no sorriso que se formava em seus lábios. Em silêncio e em segredo, mas amava!

- Como tem tanta certeza de que foi a Kerry? - ele voltou à realidade e tentou decifrar a frase enigmática de Abby. Ela se voltou para ele e deu uma piscada. Ele arrepiou-se imediatamente com o gesto mais lindo que recebera no dia e respondeu sorrindo. Abby apontou para o outro lado da rua e se voltou para a emergência. John seguiu seu dedo e percebeu Kerry com sua muleta para cima, tentando colocar ordem no Doc Magoo's, como sempre fazia em todos os lugares que ia. Ele gargalhou sozinho e observou por um tempo a lanchonete, ainda intacta.
Ele não iria embora, pelo menos por enquanto. Seu coração estava destruído demais para deixar o lugar a que ele pertencia dessa forma tão inesperada.

John virou-se e percebeu que não tinha a visão de Abby. Sorriu uma última vez por ainda estar ali e respirou fundo, um pouco mais aliviado. Em seguida, voltara para a emergência.

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Abby e John estavam sentados no sofá e conversavam sobre muitas coisas, como sempre costumavam fazer depois de comerem algo. Quando o papo começava a esquentar, acabavam transando ou apenas permaneciam nas 'preliminares'. Sabiam que nessa noite não seria diferente.

- Gostaria de saber mais sobre esse tal de Howie Thomas, o tal da equipe de lacrosse... - John tentava tirar um pouco da parte 'boa' do passado de Abby, mas ela parecia envergonhada demais para contar isso ao seu namorado.

- Não há nada que você deva saber sobre ele. Foi divertido, apenas isso! - Abby sorria tentando não encarar John, estava com as bochechas vermelhas de constrangimento. Ela bebeu um gole de seu refrigerante e continuou rindo.
John contemplou seu sorriso e pegou em sua mão, tentando mostrar a ela que não precisava ter vergonha. Ela sabia que podia confiar toda sua historia para ele. Então, olhou em seus olhos daquele modo charmoso que só ela tinha e fizeram a conexão entre olhares. Sabiam exatamente o que passava na mente um do outro.

Uma brisa leve batia na janela totalmente aberta da sala-de-estar onde se situavam. Aquele vento breve levantava os sedosos cabelos de Abby à medida que batia, sempre dando alguns intervalos. Típica noite de verão em Chicago, que logo traria uma tempestade.

- Acho que agora é minha vez! - Abby pronunciava sarcasticamente, enquanto tentava imaginar se poderia mesmo fazer aquela pergunta que a deixara curiosa. - Eu quero o nome de todas que você já namorou no County. Até finalmente chegar em...mim. - ela terminou, orgulhosa da última frase que dissera. De todas, estava claro que Abby era a mais importante. A mais amada. A única.

- Ohh... - John sorriu e fez uma rápida recapitulação de seus últimos 10 anos no County. "Você definitivamente não precisa saber de nada disso." - Lá vai. Começando por Harper Tracy, estudante do 2° ano no PS, eu era interno da cirurgia no 2° ano também. - ele fez uma pausa. Nunca mais soube notícias de Harper. Entretanto, Harper não significou nem metade do que Abby significa para John. Entendendo isso, ele sorriu e prosseguiu, a olhando nos olhos e aproximando mais seu corpo do dela.

"Meu nome pode ser feio e ridículo, mas Harper Tracy? O próximo deve ser ainda pior..." - Abby pensou com seus botões e deu uma gargalhada mentalmente. Além de divertido, esse jogo era um tanto esclarecedor.

- Bem, 3° e último ano na cirurgia, já como residente. - "Graças a Deus!" - Abby Keaton - Abby surpreendeu-se com a talvez única semelhança que teriam, o nome. Era a vez de John se constranger. - Antes que você pergunte, sim ela era tão bonita quanto você... - ele sorriu e olhou para sua mão, que já estava junto das dela - Nos escondíamos de Benton para que ele não suspeitasse do namoro. 'Onde já se viu um interno namorar uma médica, ainda mais o MEU interno!' - Carter imitou Benton, com sua voz grossa e rude.
Abby caiu de vez na gargalhada. Impossível não rir de uma cena dessas. Ela ainda tentava imaginar como alguém, além dela, poderia chamar-se Abigail.

- Hoje em dia, médicos namorarem enfermeiras ou residentes é a coisa mais comum. Eu que o diga! Mas com esse nome aí... - John sentiu um pouco de ciúme no ar. Poderiam até ter o mesmo nome, mas ninguém poderia ser comparada à Abby Lockhart, nem mesmo Abby Keaton. Ele gostaria de falar isso para o mundo ouvir, mas ficou apenas em seu consciente. Seria arriscar demais sua sorte de estar ali, com ela.

Concordou e prosseguiu com sua 'pequena' lista.

- Não sei se ela pode ser considerada uma de minhas namoradas, mas tivemos muita atração um pelo o outro... - Carter percebia a besteira que falava quando Abby trocou seu sorriso por uma feição séria. - Tivemos! Não temos mais...Anna Del Amico, pediatra que vivia arranjando problema com Doug Ross. Bons tempos aqueles! - ele lembrou da característica mais marcante em Anna, seus cabelos loiros estonteantes. Ele tinha uma queda por loiras, isso não podia esconder. Mas nem os cabelos de Anna eram mais brilhantes e sedosos que os de Abby. Perdido nos pensamentos, ele sentiu uma extrema e inevitável vontade de beijar Abby e tocar em seu cabelo macio. Ele estava tentando se controlar para não apressar as coisas, mas não aguentaria por muito tempo.

- Pelo nome, ela devia ser muito bonita. - Abby comentou com descaso e chegou ainda mais perto de John. Ela também não seguraria as pontas por muito tempo.

A temperatura parecia aumentar a cada comentário. Depois de tantos dias longe, precisavam se tocar novamente, relembrar de cada parte que foi esquecida, sentir o prazer que foi deixado para trás. Ambos se olhavam de um modo mais ousado, estavam chamando um pelo outro.

O silêncio que antes era habitado pelo som das risadas dos dois deixava tudo mais romântico. A lista ficaria para outro dia, sem dúvida.

Ele queria dizer que ela era a mais bonita, a melhor.

- Baby, você é tão linda, tem um sorriso doce e verdadeiro e seu olhar é único e especial. Eu não quero perder mais tempo sem você. - ninguém nunca tinha usado um apelido carinhoso para se tratar de Abby daquela forma. Ela sentiu-se como a mulher mais bela e realizada do mundo com todas aqueles elogios vindo da pessoa de quem ela mais queria ouvir. Sentiu-se nas nuvens.

John acariciava seu rosto e seu pescoço apenas com a ponta dos dedos, traçando caminhos em volta. Abby acariciou o rosto de John em resposta e o trouxe para que seus lábios se encontrassem numa saudade imensa. O coração de Abby disparava mas ela não deixava de aproveitar aquele momento perfeito. John forçou seu corpo junto ao de Abby, ainda aos beijos, e a deitou como se fosse de porcelana, como se com qualquer movimento, ela se quebraria em mil pedaços. Abby adorava esse jeito suave que ele tinha. Ele a respeitava de uma forma muito excitante.

O sofá agora parecia tão pequeno e desconfortável para os dois. Isso não os impediria de se amarem sem limites. Não pensavam no futuro ou no passado, pensavam apenas no presente, que era uma benção. Eles tinham um ao outro e era só disso que precisavam naquela noite.

John a tocava desesperadamente, sentindo seu rosto queimar como se um incêndio estivesse ocorrendo ali. Sua dor não fora esquecida. Apenas guardada, pois Abby tomava seus pensamentos a cada carícia que trocavam. Eles continuavam aos beijos e aumentavam a intensidade dos mesmos a cada minuto que passava.

A brisa que ainda batia já não era percebida. O desejo tomava conta da sala inteira.

Abby soltava alguns gemidos baixos enquanto John delineava caminhos de beijos por todo seu corpo, ainda por cima da roupa.

Para se amarem bastava estarem juntos, não precisavam explorar de fantasias para se satisfazerem.

Essa era a única hora em que John dominava Abby e ela não resistia, apenas esperava que ele agisse e a guiasse.

John descia os beijos para seu abdome e ela bagunçava seus cabelos, depois sorriu por pensar em seu bebê que lá estava. Ela sabia que estava grávida e não precisava de teste algum para comprovar isso.
Mas a questão era: Ela estava preparada para formar uma família? A família que sempre sonhou em ter?

- Eu adoro quando você faz isso! - ela sussurrava baixinho quando John voltava a avançar em seus lábios.

- Eu sei disso. - ele respondeu no breve intervalo de um beijo e outro. Sua mão esbarrou no copo de refrigerante de Abby que estava na mesinha ao lado. Sim, esse era o tapete novíssimo de Abby, agora com uma mancha enorme...

- Desculpa... - John tentava parecer sincero mas não conseguia segurar a risada com aquela situação. Ela não deu a mínima, apenas fez um ruído: "Shhh!"

Só então ele percebeu que aquele brilho nos olhos de Abby era alguma coisa boa, alguma coisa que ele esperava há muito tempo.

O sorriso alegre de antes aparecera novamente. Aquele sorriso que costumava mostrar quando passava em um teste de medicina ou quando tinha a família reunida em uma data especial. Seu sorriso de felicidade verdadeira.

Pensando em tantas coisas além do corpo de Abby, ele a agarrou com as duas mãos e a levou para o quarto, com uma certa dificuldade.

Abby assustou-se com o que ele havia feito e não parou de rir também.

Eles caíram na cama e continuavam os beijos e toques, cada um mais ousado que o outro. John a despiu devagar, querendo que aquele momento nunca mais terminasse.

Abby só deixaria John tocá-la assim. Porque ele sabia onde tocá-la, onde levá-la à loucura.

Abby encravou as unhas em suas costas, pedindo mais e mais. Ele não podia evitar seu pedido. John acariciou seus seios com movimentos circulares e os beijou demoradamente em seguida, o que a deixou em êxtase total. A cama parecia bem mais confortável e atraente que o sofá apertado que estavam.

Abby alisava com suas mãos delicadas todo o corpo de John. Ele adorava sentir as mãos de Abby se aproveitando de seu corpo.
Abby era mais linda no escuro. Abby era a luz que iluminava os passos de John. Abby podia curá-lo de qualquer dor.

- Toma cuidado com o que você pede! - ele espalhava chupões em seus pescoço, o que deixaria uma marca bem grande no dia seguinte. - Eu não sei dizer não para você.

- Eu acho que devo me orgulhar disso... - Abby respondia ofegante enquanto despia a última peça de roupa de John e mordiscava sua orelha. Ele não suportava mais de tanto prazer e desejo que sentia naquela noite. Com Abby também não era diferente. Dessa vez, ela tomou a iniciativa, forçou seu corpo contra o de John e finalmente deu início ao ato.

Ele não conseguia tirar os olhos dos dela. Eles eram um só ali, naquela cama. Era onde conseguiam expressar tudo o que sentiam. O lugar perfeito pro amor acender sua chama.
John só queria dizer que a amava mais do que a própria vida.
Abby expressava isso em seus olhos cheios de sonhos e amor.

Aumentavam a velocidade, mas John usava daquele controle irresistível que sempre teve. Se dependesse dele, aqueles minutos se tornariam décadas, vidas.

John soltou um de seus primeiros gemidos da noite e Abby continuava remexendo em seus macios cabelos, o que o deixava ainda mais louco por ela. Os movimentos aceleravam sozinhos, sem que nenhum dos dois pudesse interferir. Era a melhor sensação que os dois podiam provar um no outro.

Todo aquele ardente desejo que sentiam estava chegando no limite. Bastou apenas um último movimento e tudo se foi. A sensação havia passado mas o amor era maior do que nunca. E lá estavam os dois. Lado a lado, abraçados, apenas acariciando-se com o olhar.

- Isso foi...demais! - Abby tentava se expressar, recuperando seu fôlego. John retirou uma mecha de cabelo da face sorridente de Abby e a beijou em resposta. "Isso foi mais que demais!"

- Acho que uma frase se encaixa em nossa situação agora: "Nossa relação é uma simples correria...

- ...e uma complexa lentidão." Anda lendo meus romances, dr. Carter? - John sorriu, e só conseguia enxergar os brilhantes e enigmáticos olhos de Abby naquela imensa escuridão que cercava o quarto.

- Acho que...um pouco. Ok, ok não posso esconder. Eu gosto de romances e você não pode julgar. Lendo-os posso ser cada vez mais romântico! - John admitiu e para demonstrar seu aprendizado com os romances, desceu uma de suas mãos atrevidamente até os glúteos de Abby. Ela deu uma gargalhada imensa e roubou um beijo rápido dele.

- Não pense que falando essas frases ou sendo ótimo na cama eu irei te perdoar pelo refrigerante no carpete... - ela brincava, enquanto passava seu dedo indicador nos lábios de John.
O melhor beijo, a melhor sensação era com ele.

- É uma boa lembrança do que a gente acabou de fazer. Quando ficarmos velhos, vamos olhar aquela marca e, quem sabe até reviver o que passamos hoje! - Carter tentou parecer poético, mas isso não afetou Abby. Ela só conseguiu rir imaginando ambos debilitados pela velhice e tentando fazer algo 'obsceno'.

- Por favor, Carter. Se eu quiser me lembrar disso, é só olhar as marcas que você deixou no meu pescoço e em...todo meu corpo!

- Eu acho que devo me orgulhar disso... - ele ironizou uma última vez na noite e a envolveu em seus braços quentes e acalentadores. Ela riu e fechou os olhos, sentindo a respiração de John bater em seu rosto.

Eles não pensavam em nada além de um no outro. (...)


É isso aí! Se gostaram do capítulo, mandem reviews, que eu vou adorar! Se não gostaram, mandem também...
Algumas coisas ainda estão pra acontecer com esse pobre casal mais que perfeito. Continuem acompanhando os próximos...
See U next time!