Capítulo 2
_Como assim emprego novo?_ Seth perguntou
_Eu dei sorte uma vez na vida_ "ou não"_ vou aprender um negócio diferente.
_Tá, se você diz. O que é?
_Uma loja que vende instrumentos de música. Aqui o endereço, se surgir qualquer problema me liga_ ela disse entregando o papel e saindo.
_Espera aí Lee! Isso aqui é em Seattle?!
Leah deu uma gargalhada.
_Tchau irmãozinho.
O carro cantou pneu.
Dirigiu até o endereço que lhe foi fornecido. Ela não acreditou no que se meteu, começou a rir. A "loja" do cara era uma garagem dessas parecida com a do Jacob. Ela desceu do carro inconformada, mas ainda era tempo de voltar atrás. Entrou na loja reparando no balcão velho de madeira, uma prateleira com instrumentos pequenos e mais ao fundo os instrumentos maiores. O que poderia dizer a respeito? Não era sujo, mas uma verdadeira bagunça, qualquer um que entrasse ali sentiria-se caótico.
O homem veio até ela segurando uma flanela.
_Leah! Seja bem vinda a Leigan rock. Como vai?
"vou indo... embora"
_Bem.
_Você é carne fresca aqui, vou te ensinar algumas coisas essenciais.
Ele falava um monte de coisas enquanto as mostrava pra Leah. Tudo com uma animação que a fez se interessar pelo serviço. Eles passaram por uma porta que levava a uma parte do estabelecimento que os clientes não podiam ver.
_Aqui é onde eu faço as minhas belesuras_ Rick disse.
Leah pegou um violão que ainda estava sendo trabalhado.
_Eu nunca vi um assim_ ela disse.
_Mesmo? Parece que está nu não é?
_Exatamente_ respondeu rindo.
_Eu os faço por encomenda se quer saber. Tenho muitos clientes, espero que domine a parte das vendas e da administração porque eu estou sobrecarregado.
_Acho que entendi o que precisava.
Uma campainha tocou na loja.
_Quer praticar?
_Manda ver.
Os dias se passavam assim agora. Na reserva Leah ficava em casa ou na praia, calada, pensando na vida, bebendo. Na loja ela passava o dia vendendo coisas.
Uma semana depois Leah descobriu que Rick não mentiu, a aparência da loja não fazia jus a sua reputação, ele tinha mesmo muitos clientes. O melhor é que seu patrão era uma espécie de figurão para ela. Ele era muito calmo e esperto, o que sabia sobre sua profissão era digno de especialista. Ele era meio filosofo e emanava uma energia tão boa que fazia com que ela não sentisse vontade de mandá-lo para o inferno, em pouco tempo ela sentia que ele era uma amigo.
A melhor parte certamente era o momento em que ela acordava bem cedo e pegava estrada pro serviço. O vento batendo no seu rosto e o rock'n roll que tocava no seu carro_ Obra do seu patrão_ era revigorante. Ela pensava melhor na estrada, sua mente podia viajar, e principalmente não pensava nele_ Sam.
Certo dia, ela foi trabalhar mais cedo, queria organizar alguns papéis na loja. Rick estava lá também, dormindo com um pedaço de madeira lixada na mão. Ela o cutucou com pena.
_Ei cara, o que está fazendo aí?_ ela perguntou.
_Caramba! Não acredito, peguei no sono mesmo?_ ele olhou o relógio.
_Você é mesmo muito dedicado não é?
Rick fez uma cara como se tivesse se lembrado de algo precioso. Ele se levantou num pulo.
_Vem aqui, quero te mostrar uma coisa.
Ela o seguiu até os fundos. Ele tirou uma guitarra de dentro de uma caixa de papelão e a entregou.
_O que acha?_ ele perguntou
Leah analisou a obra. Era muito bem feita, parte era preto brilhante e parte branco puro. O braço variava em tons de beje, ela tinha alguns desenhos delicados que lhe dava um ar elaborado. Simples e muito linda.
_Eu não entendo nada disso, mas é maravilhosa.
_Humm, toca.
_O quê?
_Toca alguma coisa.
_Eu não sei tocar Rick, além disso, são seis da manhã e eu não quero irritar os vizinhos_ "Não hoje, talvez outro dia"
_Em que mundo você vive? Nossos vizinhos são outras lojas e não casas, não vai incomodar ninguém essa hora do dia.
Ela tentou se lembrar de alguma coisa que soubesse, não sabia nada, mesmo assim tocou uma corda.
O som saiu agradável. Mais intenso ou afinado?
_Ah agora você sacou né?_ ele perguntou satisfeito_ eu fiz umas mudanças sutis e arranjei cordas de melhor qualidade pra deixar o som mais... macio.
Pegou o instrumento de suas mãos. Ele tocou uma curta melodia, e Leah percebeu que essa guitarra era mesmo um pouco diferente. Contudo o que chamou sua atenção foi o modo como ele a tocava.
_Você toca muito bem Rick.
Ele deu um sorriso convencido.
_Porque VOCÊ não tenta?
_Tá Santana, me ensina então.
Ele voltou a tocar lentamente citando as notas pra que ela as fixasse. Em seguida repassou o objeto. Leah errou uma, mas ficou animada com o som que produziu. Rick olhava para ela com desconfiança e susto nos olhos, ela olhou pra si pra ter certeza caso não tinha se transformado sem perceber. Não, ainda era humana.
_Leah, ou você mentiu pra mim, ou você tem um dom!_ ela fez careta pra a observação dele_ é verdade, nunca vi alguém que nunca tivesse tocado guitarra na vida fazer isso.
_Eu só fiz o que você mandou, pelo amor de Deus, Aff.
_Eu sei do que estou falando_ ele disse sério, um pouco ofendido_ Deixa eu te ensinar umas coisas?
_Claro, nós nem temos que trabalhar.
_Depois que eu te der umas dicas você vai tocar como Jimi Hendrix.
Naquele dia depois uma longa aula e de um dia de trabalho, Leah voltou para a Reserva. Em casa, Sue estava conversando com Seth no sofá.
_Mãe_ Ela cumprimentou meio desanimada.
_Oi, Seth me falou do seu emprego novo. Está gostando?
Pelo jeito de falar, Leah soube que sua mãe estava circulando outro assunto.
_Aham. Como vai o Charlie?
_Ótimo, ele está trabalhando em um caso fora de Forks. Charlie não se dá bem com bagunça de cidade grande, então acho que dificilmente ele se empolga nisso.
Seth estava calado, provavelmente pra não vomitar o que sabia.
"Muito leal" ela pensou.
_Qual é o problema? Desembuchem.
_Lee não seja tã..._Seth ia dizer algo, mas Sue interrompeu. Ela ficou séria e contou.
_Emily está grávida.
eah encarou a mãe, depois o irmão e fechou os olhos para tentar não explodir.
_Como?_ perguntou friamente.
_Eu não faço idéia_ respondeu Seth_ Talvez ele tenha parado de se transformar...
_Achei melhor contarmos. Por outra pessoa, bem, você é um tanto imprevisível às vezes_ disse Sue
Ela fez uma máscara de passividade.
_Eles vão ter um bebê e...?
Não convenceu, estava claro que ela sofria.
_Filha, eu sei o quanto deve doer. Mantenha o juízo.
Porque Sam podia ter filhos e ela não? Mais uma porrada do destino.
_Seth, vê se agora passa a se prevenir, Ok?
Ela saiu de casa e se transformou em loba. Realmente não se importava com Seth, ela sabia que ele não tinha vida sexualmente ativa (influência do Sanguessuga Edward). A questão é que a dor latejou no seu peito animal e se espalhava por todo o corpo e nunca mais iria se curar. Só tinha três pessoas que poderiam ver seus pensamentos como loba: Jacob, Seth e Edward. Com essa dica, ela poderia passar dias em sua forma animal que Seth não se atreveria a incomodá-la, e os outros dois estavam bem longe
