Spatium


-PRÓLOGO-


Aquele cenário devastado um dia fora conhecido como Hogsmeade. No presente, era um terrível e sangüinário campo de batalha onde, finalmente, dezenas de bruxos se enfrentavam no que parecia ser o último de todas as batalhas.

O mais feroz dos combates, que reduzira a cidade a nada mais que um amontoado de destroços e entulhos carbonizados. Corpos espalhados davam um aspecto aterrador, tornando muito real um pesadelo de guerra.

Maldições iluminavam o céu noturno, cruzando de um lado para o outro, enquanto Aurores e Comensais da Morte duelavam com feracidade, tentando defender suas vidas e acabar de vez com os conflitos.

As baixas eram muitas, em ambos os lados.

Mas Harry Potter estava alheio a tudo isso. Pra ele nada importava, a não ser aquele Lorde Diabólico, responsável por toda a guerra, gerador da discórdia e idealizador da destruição dos Muggle e sua cultura.

Voldemort. Ambos estavam frente a frente naquele exato momento.

O maldito não mudara nada nestes últimos quatro anos. Quatro anos desde a formatura em Hogwarts, quatro anos desde que decidira se tornar um Auror, para que a batalha contra Voldemort fosse mais eficiente.

E tanta coisa acontecera nestes quatro anos...

Dumbledore caíra, e levara Hogwarts com ele. O lugar que antes fora considerado como o mais seguro do mundo bruxo não resistira, sendo destruído pelos ardis inescrupulosos do Lorde das Trevas. Não sem dor, o Garoto Que Viveu assistira o colégio desaparecer, sem conseguir evitar.

E a perda de Dumbledore e Hogwarts não era o pior.

Vidas haviam sido perdidas. Vidas importantes, de pessoas que conhecia. Ronald, George e Ginny Weasley, Seamus Finnigan, Parvati, Angelina... tantos amigos e companheiros, tantos outros...

Mas agora teria um fim. Harry estava disposto a levar a término de uma vez. E ele queria vencer. Ele desejava com toda a força de seu coração vencer Voldemort e poder seguir em frente, ter uma vida sua, para dividi-la com Draco.

Draco Malfoy, uma das coisas que mais mudara nesses últimos anos. O ex-Slytherin, que desde o quinto ano espionava o círculo íntimo para a Ordem da Fênix, que desde o sexto se tornara amigo e amante de Harry Potter, conseguindo quebrar a barreira que existira entre ambos e insinuar-se de modo sedutor no coração do moreno.

Draco Malfoy que, assim como Harry, amargara duras decisões. Enfrentara o próprio pai em um duelo de morte, e vencera. Assistira a mãe enlouquecer, e seguira em frente, sendo forte por Harry... sendo corajoso por Harry.

E em troca, o ex-Gryffindor queria vencer. Queria que Draco também conhecesse um pouco de felicidade, que pudessem construir um futuro juntos.

Esse era o motivo de tanta decisão estar refletida nas íris esmeralda. A decisão de aceitar apenas a vitória e nada mais.

Harry não queria nem lembrar que seu amante também estava ali, no meio da luta, enfrentando Comensais que antes haviam sido companheiros de Lucius Malfoy, e queriam vingança a qualquer peço.

Se o Garoto Que Viveu pensasse isso, acabaria dando as costas ao real inimigo e procuraria Draco onde quer que ele estivesse. No entanto a melhor maneira de proteger quem tanto amava era terminando a luta e eliminando a real ameaça.

Chegara o momento de provar que o Garoto se tornara um Homem.

Como se fosse combinado, as mãos de dois dos bruxos mais poderosos da atualidade voaram para suas varinhas gêmeas, sacando-as no mesmo instantes, sem o floreio usual de um duelo.

A maldição de morte foi pronunciada e os feitiços esverdeados se chocaram a meio caminho. A energia incandescente formou uma enorme esfera de pura magia que aumentava a cada segundo.

Hora pendia para o lado de Harry, parecendo que acertaria o moreno, e hora pendia para o lado de Voldemort, parecendo que o bruxo seria derrotado, mas logo a magia se equilibrava, levando a crer que a luta nunca teria fim, que talvez se enfrentassem para sempre, sem jamais decidir o vitorioso.

Porém Harry não desejava lutar para sempre. Queria descansar, queria voltar para o lado de Draco e findar aquela terrível guerra de uma vez por todas.

Fechando os olhos, o ex-Gryffindor concentrou-se. Trouxe à mente lembranças de seus queridos amigos, tentando reunir a força que precisava para tornar-se forte o bastante para garantir um novo futuro.

Imagens de sua adolescência em Hogwarts, dos momentos felizes ao lado dos amigos afloraram com força total em sua cabeça. E ainda não era o suficiente.

Foi apenas ao lembrar-se de Draco, que Harry pôde realmente reagir.

Sua magia natural atingiu um nível muito superior ao de Voldemort... a magia de espectro esverdeado voltou-se contra o Bruxo das Trevas que não teve chance de usar um feitiço protetor.

Vendo que estava perdido, e dessa vez não haviam horcruxes, Voldemort moveu a varinha e sussurrou um último feitiço. Durante todos aqueles anos, Tom Riddle lutara usando todo e qualquer artifício para vencer, ou pelo menos não perder a vida completamente. Havia sempre um plano B, para que pudesse voltar e recomeçar seus objetivos maléficos.

Mas se tinha uma coisa que ele sabia era a hora em que o fim seria inevitável. E o seu fim estava próximo. Soubera disso no instante em que vira o brilho determinado nas íris de seu terrível inimigo. O dia da derrota chegara.

Ótimo. Voldemort perderia, mas... jamais permitiria que Harry Potter fosse feliz. Ele nunca teria um futuro pela frente. Se não era forte o bastante para matá-lo, seria para amaldiçoá-lo...

Usaria uma das magias negras mais devastadoras de todas, que era murmurada nos últimos instantes de vida, para destruir o Garoto Potter, eliminando suas esperanças.

- Vertere Bestia... - sussurrou Voldemort com sua voz gutural.

E ele foi atingido em cheio por um indefensável Avada Kedavra.

Harry viu sua Maldição Imperdoável acertar o Lorde das Trevas e o inimigo sucumbir, tombando ao solo como um boneco desarticulado, ao mesmo tempo em que o jovem bruxo caía de joelhos no chão, esgotado pela imensa perda de energia mágica.

Quando o corpo sem vida de Voldemort tocou a terra, explodiu em mil pedaços ressequidos, como uma espécie de múmia, e uma luz lilás saiu a alta velocidade de onde um dia fora seu tórax, disparando na direção de Harry.

Pego de surpresa, e sem forças para sequer defender-se, o ex-Gryffindor apenas fechou os olhos tendo a certeza de que a maldição o colheria em cheio. Vida injusta...

Mal teve o pensamento pessimista e percebeu uma presença junto a ele, tendo seu corpo envolvido por braços protetores que conhecia muito bem. Arregalando os olhos, Harry viu que seu amante o abraçava, visivelmente tentando protegê-lo com o próprio corpo.

Um segundo depois de ser enlaçado pelo amante surgido do nada, Harry sentiu a maldição sinistra, que Voldemort lançara nos últimos instantes de vida, alcançá-los, envolvê-los e fazê-los sucumbir.

Gritos de agonia se fizeram ouvir por toda devastada Hogsmeade, mas aquilo não importava de verdade. Não mais.

O ambiente se aqueceu de modo insuportável. As imagens se desfocaram num borrão sem sentido ou forma. Os sons desapareceram dando a impressão de que restara apenas o vazio.

Harry podia sentir as últimas forças se esvaírem de seu corpo com rapidez assustadora. Aquilo era morrer? Sua derradeira visão foi seu amante, também sucumbindo e caindo ao solo.

A vida é mesmo... injusta...

Harry Potter perdeu os sentidos.

HPDM

Vivo. Estou vivo...

Foi o primeiro pensamento do Garoto Que Viveu, ao abrir os olhos e reconhecer o tão familiar teto do St. Mungo. Quantas vezes essa cena se reprisara nos últimos anos?

Muitas.

Tantas e tantas, que Harry havia perdido a conta.

Apesar de ter aberto os olhos e despertado por um segundo, o moreno acabou voltando para a inconsciência, tão fraco e afetado que estava.

Antes de apagar, Harry percebeu uma segunda cama ao lado da sua, mas aparentemente não havia nada além de lençóis brancos levemente bagunçados.

Da segunda vez que despertou, Harry estava muito melhor, sua mente recuperara-se com rapidez surpreendente.

Suspirando, sentou-se na cama, encostando-se na cabeceira do leito.

- Harry! É tão bom vê-lo acordar. - exclamou uma voz conhecida - Esteve inconsciente por uma semana.

Harry virou a cabeça e olhou para sua amiga Hermione. A jovem bruxa estava sentada em uma cadeira que fora colocada próximo a cama, tinha um grosso livro aberto sobre suas pernas e outros dois tão grossos quanto o primeiro permaneciam no chão.

Hermione tornara-se uma bela mulher. Os cabelos continuavam tão armados e castanhos como sempre, mas o rosto adquiria a feminilidade de uma adulta, os olhos eram sábios e sagazes, refletindo toda a experiência adquirida pelas alegrias e dores que vivera até então.

A presença da garota trazia tranqüilidade ao ex-Gryffindor. Ela era uma das poucas que acompanhara a luta desde o princípio e sobrevivera até o final.

O final.

O pensamento fez Harry fechar os olhos com força. A guerra acabara, as lutas haviam findado... finalmente poderia seguir em frente, mas... tinha medo do que o esperava. As memórias do confronto contra o Lorde das Trevas foram marcadas a fogo em seu coração, em sua alma...

Por outro lado, se ele próprio sobrevivera podia significar que Draco também sobrevivera. Sim, o loiro que fora atingido pela mesma maldição...

Imediatamente arregalou os olhos e virou a cabeça na direção do segundo leito, mas ele ainda estava vazio. Nada além de um lençol estava sobre o colchão. O coração de Harry Potter doeu. A sensação piorou ao se concentrar e não sentir a presença do garoto que amava em lugar algum. Isso significava que...

- Hermione...

- Tudo acabou, Harry. Dessa vez acabou de verdade. O Ministério tomou providências para que o Lorde das Trevas nunca mais possa retornar. Quando você o derrotou, todos os Comensais da Morte perderam suas vidas. Pelo que a Ordem investigou, eles estavam vinculados por uma maldição kamikaze.

Harry voltou a fechar os olhos no momento em que ouvira a primeira palavra de Hermione. Sabia que Voldemort estava eliminado. Podia sentir isso. E pouco se importava com o destino dos Comensais da Morte, porque eram os piores bruxos do mundo da magia, e mereciam o destino que receberam.

No momento, o que realmente importava era Draco. Onde estava o loiro, que conseguira conquistar o coração de Harry Potter? O que acontecera com aquele que se tornara o único incentivo para que Harry continuasse lutando e desejando uma chance, um futuro?

- Hermione... - começou, fitando-a com as íris de jade.

- Felizmente não tivemos muitas baixas, Harry - a bruxa continuou como se não tivesse sido interrompida - Hogsmeade está sendo reconstruída aos poucos... ela foi tão afetada que é necessária muita magia para voltar a ser o que era. Mas voltará, tudo ficará bem outra vez.

- Hermione!

Hermione fechou a boca e desviou os olhos. Chegara o momento que tanto temera.

- Hermione... onde está Draco?

Ficando em pé, Hermione aproximou-se do leito de Harry e segurou uma das mãos dele, dando um apertão confortante.

De repente ficou muito difícil respirar. O ar parecia pesado e intragável. Um gosto amargo tomou conta dos lábios do ex-Gryffindor. Não.

- Sinto muito, Harry. Sentimos muito mesmo...

Não... aquele discurso... Hermione só usava antes de anunciar uma nova desgraça na vida de Harry.

"Sentimos muito, Harry. Rony... ele foi morto por um Comensal..."

"Sinto muito, Harry... a missão de Finnigan... foi uma cilada."

"Oh, Harry, sentimos muito lhe dizer... Ginny e George... eles lutaram muito... até o fim..."

Harry não suportaria ouvir aquilo. Não, ele não estava preparado!

Porque lutara tanto? Pra que arriscara tudo? Se suas chances estariam destruídas para sempre? Não haveria futuro sem Draco Malfoy. Não podia simplesmente se levantar e seguir em frente, não dessa vez.

Porque sua vida era tão desgraçada?

Lendo a tragédia no rosto do moreno, Hermione apertou-lhe a mão novamente, enquanto respirava fundo.

- Harry, ouça-me com atenção. Não quero que pense o pior... Draco não está morto...

Imediatamente Harry olhou para a amiga, vendo que a jovem bruxa falava sério. Mas então, onde estaria seu namorado? Porque não conseguia senti-lo? O vínculo entre eles parecia ter desaparecido.

- Antes de ser derrotado, o Lorde das Trevas usou uma maldição em você. Ele atingiu-o com magia negra que não conhecemos, e que é muito poderosa, de acordo com o que Severus disse, porque usa o último sopro de vida para ser conjurada. De certo modo é uma maldição de morte, mas de morte para quem a conjura. Não para a vítima.

O moreno analisou seu corpo longamente. Estava coberto por um lençol, mas mesmo assim não parecia haver nada de errado com ele, fora o fato de estar completamente nu, tendo apenas o fino tecido branco para protegê-lo.

- Vocês não conhecem a maldição?

- A maldição exata não. Mas entendemos como funciona seu princípio fundamental.

- No que ela me afetou? Onde Draco está? O que houve com ele? Porque não está aqui comigo?

Atordoada com as inúmeras perguntas, a bruxa de cabelo castanho olhou para o relógio preso a parede por magia. O único ponteiro estava quase chegando ao indicador de 'pôr-do-sol'.

- Não temos muito tempo, Harry! Não temos quase tempo nenhum.

- O que quer dizer com isso? - a urgência na voz de Hermione era alarmante. Harry nunca a vira tão nervosa antes. Nem mesmo no dia de seu casamento, quando se tornara a senhora Snape.

- A maldição que o Lorde das Trevas usou funciona basicamente como um feitiço transfigurador. Ele age na vítima e descobre o lado animal do bruxo, convertendo-o completamente em uma fera. A intenção, era que você deixasse de ser humano, Harry, para sempre.

Hermione olhou para o relógio. O ponteiro estava perigosamente próximo ao 'pôr-do-sol'. A agitação da garota contagiou Harry, que começou a se preocupar, ao mesmo tempo em que tentava entender o que ela lhe explicava.

- O que?

- Você se tornaria um animal irracional. Perderia sua consciência humana, esqueceria de sua vida, seus amigos, de tudo. Oh, Harry.

- Mas... não entendo! - ele passou a mão pelos cabelos - Não me transformei em um animal...

- Severus viu tudo. Ele assistiu quando o Lorde das Trevas lançou a maldição contra você, mas ele estava longe demais... longe demais para ouvir que maldição era, ou tentar usar um contra feitiço. Ele não pôde impedir que Draco entrasse na frente do feitiço. Vocês dois foram atingidos em cheio Harry.

Sim! O moreno lembrava perfeitamente disso. A sensação dos braços protetores de seu namorado ainda permanecia em sua memória.

- Quando a maldição os atingiu, se dividiu em duas, metade pra você, e metade para Draco.

- E o que isso quer dizer?

O relógio começou a apitar loucamente. Hermione largou a mão de Harry e saltou para trás, já sacando a varinha do bolso do vestido.

- Hermione! - o moreno arregalou os olhos verdes ao ver sua amiga agindo tão estranhamente - O que está fazendo?

- Sinto muito, Harry, é para sua própria segurança.

A bruxa lançou vários feitiços de proteção, que prendiam Harry a cama. O moreno mal podia se mexer.

- Como você foi afetado por apenas metade da maldição, ela funciona em metade do dia. A outra metade do dia tornou-se amaldiçoada para Draco.

- Hermione...

- Em você, Harry, ela funciona a noite. Durante a noite você deixa de ser humano... você se torna...

Calou-se ao ver Harry Potter ser acometido por uma dor tão forte, que seu rosto perdeu totalmente a cor. Até mesmo os lábios carnudos embranqueceram, liberando um grito que revelava a mais pura agonia.

Céus... quem... lançou esse... Cruciatus?

Durante sete dias, Hermione assistira aquela cena, a única diferença era o fato de que antes, Harry estivera inconsciente, e não parecera sofrer tanto.

Acostumada com o que viria a seguir, a bruxa girou a varinha, e o lençol da outra cama voou para os pés do leito. Murmurou um Finite Incantatum naquela direção.

Enquanto se consumia na profundidade daquela dor desconhecida, Harry pôde ver, pelo canto do olho, que sobre o outro leito, havia alguma coisa... algo longo e esguio, semelhante a uma serpente.

Serpente de uma espécie que nunca vira antes, revestida por escamas de prata, inerte, mas graciosa.

Horrorizado, percebeu o momento em que o animal estremeceu, e começou a mudar de forma. Mais horrorizado ainda viu suas próprias mãos mudarem. Seu corpo pareceu encolher e ganhar pêlos, em uma metamorfose similar a que acontecia a serpente prateada.

Quando a dor pareceu se tornar insuportável, um estalo despertou a mente entorpecida do ex-Gryffindor. Conhecia aquela serpente... ela estava adquirindo aspecto humano e era de alguém familiar... alguém muito pálido e loiro...

Draco!

Então a dor sumiu de repente. E levou tudo o mais com ela. Foi como se perdesse todos os sentidos.

No outro leito, a transformação também se findara. Sobre a cama, no lugar onde antes estivera a serpente prateada, estava Draco Malfoy.

Mais que depressa Hermione moveu a varinha, puxando novamente o lençol de modo a fazê-lo cobrir o ex-Slytherin, que adquirira forma humana e permanecia completamente nu. Era sempre assim, tanto com Harry quanto com Draco.

O loiro também estava internado em St. Mungo desde uma semana atrás, quando a guerra terminara. E não abrira os olhos desde então. Hermione intuiu que logo Draco despertaria.

Depois os olhos preocupados da jovem bruxa voltaram-se para seu amigo Harry Potter. Acabou encarando um belíssimo lupino. Um lobo grande e forte, de pêlo preto como a noite e eriçados, lembrando muito o cabelo do ex-Gryffindor.

A cauda era longa e felpuda, parecendo macia, assim como todo o resto do pêlo.

Era um belíssimo animal. Um animal selvagem, em cujos olhos verdes, brilhavam a astúcia aguçada e o fortíssimo instinto de sobrevivência. Não era um ser racional, não possuía inteligência humana.

Harry Potter se tornara um completo animal.

A maldição teria sido perfeita, não fosse a interferência de Draco Malfoy. O bruxo que, por seu amor, acabara dividindo o destino cruel com o marido.

Durante sete dias havia sido assim, e Hermione não acreditava que mudaria.

Aquele era o terrível legado que o Lorde das Trevas deixara a seu inimigo.

Harry e Draco sobreviveram. Estavam vivos e em perfeita saúde. Mas durante o dia, Draco se transformava em uma serpente prateada, uma espécie nunca vista antes, enquanto Harry permanecia na forma humana.

Ao pôr-do-sol, a situação se invertia. A serpente branca se transformava até adquirir aparência humana, voltando a ser Draco, enquanto Harry Potter mudava e passava a ser aquele feroz lobo negro.

Juntos e, ao mesmo tempo, eternamente separados.

A vida era mesmo injusta.

Enquanto uma lágrima escorria pela face de Hermione, em um silencioso lamento pelo destino tão cruel, ela voltou a cadeira onde estivera sentada antes de Harry despertar, pegou o pesado livro e voltou a folheá-lo, lendo cada palavra como se sua vida dependesse disso.

- Eu juro, Harry... - a voz saiu tremula, porém estranhamente resoluta - Juro que vou descobrir que maldição é essa. E então... Severus e eu faremos vocês dois voltarem ao normal.

A promessa foi ouvida com atenção quase predatória, por um par de selvagens olhos verdes, que naquele momento pareciam extremamente entristecidos.

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HPDM

4ever

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