Parece que faz muito tempo que eu sabia escrever...
Essa fic contém relação entre duas garotas, se não gosta, não leia. Se ler e reclamar, morra. É, acho que é isso.
Essa é pra você, Jana s2
Retorno
Partiu e quando voltou, viu que seu maior pesadelo havia se tornado realidade. Talvez fosse tarde demais para se redimir.
Para a Jana, pelos nossos bons momentos.
As palavras de Hadley trouxeram consigo a tempestade que desaguou cinza dos céus. Cameron, ainda parada no estacionamento do hospital, encarava a esquina como se dela fosse surgir Hadley a qualquer momento, dizendo que aquilo tudo não passava de uma brincadeira, mas no fundo já não era mais tão ingênua para acreditar nessas coisas. Não mais.
Respirando fundo, jogou os cabelos loiros para trás e sentiu as gotas caírem grossas sobre seus ombros enquanto dividia-se entre caminhar para dentro do hospital e abrigar-se da chuva correndo o risco de deparar-se com House ou se seguia de volta para o hotel e em seguida para longe, o mais longe que pudesse dali.
Nenhuma daquelas opções pareciam ser fortes o suficiente para apagar de suas memórias as últimas palavras proferidas por Thirteen:
"Não sinta, você pode viver."
Era verdade, não era? Por mais que buscasse um motivo para se redimir por isso, nada parecia ser bom o bastante para justificar o fato de tê-la usado assim antes de partir. Queria dizer que sentia muito, mas isso adiantaria? Sabia que não era sua culpa o fato de a outra médica possuir Huntington e mesmo assim parecia sentir que todos os problemas dela agora eram culpa sua. Por sua irresponsabilidade.
Mas não era também ela que a havia procurado e seduzido outrora¹? Tudo estava confuso demais em sua mente para que pensasse com clareza. A buzina de um carro fez com que se sobressaltasse e olhou para o lado. Há quanto tempo estava ali para ver Wilson saindo do hospital com seu casaco?
O oncologista abriu a porta do carro e fez sinal para que Cameron entrasse. A loira, talvez cansada demais para pensar em algo, obedeceu tetricamente, mas em sua mente ecoavam apenas as palavras ditas pela médica que havia lhe largado em meio à tempestade que havia previsto apenas para o fim da tarde.
- Entendo que muitas pessoas queiram tomar chuva andando por aí, mas na porta de um hospital? Prevenindo-se contra a gripe, Dra. Cameron?
Cameron ergueu os olhos para Wilson e sorriu fracamente como se tentasse encontrar alguma graça na piada do médico. Ele pareceu perceber e riu baixinho, desviando o olhar.
- O que faz por aqui? Vi que entrou mais cedo na sala de House, ele já conseguiu acabar com seu humor para que decidisse vir aqui pra fora?
- Não foi bem algo que ele disse, mas algo que eu fiz. – murmurou e sem que se desse conta, Wilson seguia com o carro pela cidade.
- Mas esse 'algo' significa que House também está envolvido? – perguntou, voltando os olhos rapidamente para ela, sem nunca perder a atenção no transito.
- Quem sabe...
A resposta vazia de Cameron deixou o oncologista pensativo. Ele parou na vaga de um restaurante e jogou o próprio casaco sobre os ombros de Cameron para que não sentisse demais o frio lá de fora. Abriu o guarda chuva que se encontrava no banco de trás do carro e deu a volta, abrindo a porta para Cameron.
- Onde estamos?
- A três quadras do hospital, em um ótimo restaurante que abriu recentemente. Ninguém pode pensar de barriga vazia.
Cameron pensou seriamente em recusar, mas o olhar de Wilson tornava impossível uma resposta negativa. Derrotada, seguiu ao lado dele para dentro do restaurante, perguntando-se o motivo daquele interesse repentino dele por sua pessoa. Afinal, em todos os anos em que havia permanecido naquele hospital, pouco falara com ele, o que não significava que não o apreciasse enquanto médico E pessoa. Ele era bastante parecido consigo em certos aspectos.
Seguiram para dentro em silêncio e se sentaram em uma mesa mais reservada. Wilson passou os olhos lentamente pelo menu e fez seu pedido. Perdida em seus pensamentos, Cameron não notou quando o garçom falou consigo.
- E a moça?
(Lembrava-se vagamente de ter saído do hospital às pressas. A despedida com House havia sido definitiva e tudo o que lhe vinha à mente agora era a idéia de simplesmente sair dali e começar uma nova vida em um lugar bem distante dali.
Seu casamento estava acabado, a admiração por seu antigo chefe destruída e se existia algo mais que lhe prendia naquele lugar, simplesmente não fazia diferença alguma naquele momento.
Entre suspiros entrecortados, lembrou-se de ter ido até a própria casa fazer as malas e depois... ter ido a um bar onde Chase havia ficado bêbado dias antes de lhe contar a respeito da morte do ditador que havia causado.
Depois da terceira taça, não se lembrava de muita coisa.
- Dra. Cameron?
Vazio)
- Dra. Cameron?
A voz de Wilson a trouxe para a realidade e Cameron balançou negativamente a cabeça, erguendo os olhos para ele.
- Hum? Me desculpe, o que foi? – perguntou, tentando manter a visão focada no médico.
- O garçom perguntou o que você vai querer. – repetiu e embora sua voz estivesse calma, Cameron notou a leve entonação de preocupação por trás dela.
- Ah, - abriu um sorriso sem jeito e passou os olhos rapidamente pelo menu, apontando um prato qualquer. – estava perdida em pensamentos, sinto muito.
- Notei. – Wilson murmurou, pedindo para si uma taça de vinho.
- Não vai mais trabalhar hoje? – Cameron questionou.
- Sim, mas não posso permitir que uma moça beba sozinha, não é?
Cameron chegou a pensar que Wilson seria um ótimo namorado, mas afastou rapidamente essa possibilidade.
- Obrigada. – murmurou.
Passaram alguns minutos conversando sobre trivialidades e sobre as mudanças que haviam ocorrido naqueles últimos anos, até que, cansada de dar voltas e voltas no mesmo lugar, Cameron ergueu os olhos para Wilson.
- Não me trouxe aqui apenas para um almoço casual, não é?
O médico, ligeiramente surpreso, deixou um suspiro pesado escapar de seus lábios, bebendo mais um gole da taça de vinho.
- Eu vi você discutindo com a Dra. Hadley no estacionamento.
As palavras de Wilson caíram como uma bomba nas mãos de Cameron. Em sua mente, um milhão de imagens passavam ao mesmo tempo enquanto tentava digerir a informação. Será que ele havia escutado algo comprometedor? Se havia, será que citaria isso? E por que estava se preocupando com coisas tão estúpidas?
- Foi apenas uma discussão de ex-colegas de trabalho. – disse Cameron, escondendo-se atrás da meia taça de vinho.
- Pela sua expressão quando ela foi embora, não me pareceu uma simples discussão. Eu as vi enquanto passeava com uma paciente pelo estacionamento e você ainda estava lá quando eu voltei.
Cameron sentia-se cada vez mais acuada, embora não entendesse os motivos para tal. Terminou a taça de vinho, ergueu-se e fez o que fazia de melhor:
- Eu preciso ir. Da próxima vez, fica por minha conta.
- Cameron! – Wilson tentou segurá-la, mas a médica já saía pela porta da frente.
Fugir parecia ser sempre a melhor opção para ela.
X
Hadley deixou as chaves do carro caírem sobre a mesa de centro e jogou-se no sofá olhando para as próprias mãos. Trêmulas. Não importava quantas vezes passasse por situações como aquelas, não se acostumaria ao fato de que estava simplesmente morrendo. Sozinha.
Todas as noites, enquanto olhava as estrelas da janela de seu quarto, pensava nisso. E todas as noites, sentia medo. Era comum, afinal. Mesmo assim, a idéia de definhar aos poucos e sem ninguém que segurasse sua mão parecia demasiado assustadora. Mas, como pensara certa vez no passado ao descobrir-se detentora dessa doença, era melhor morrer sozinha do que deixar esse fardo a alguém que sofreria quando partisse.
Havia tentado com Foreman e falhara miseravelmente chegando à conclusão de que não existia uma pessoa que fosse capaz de lidar com seu gênio. Por isso, naquela noite, quando encontrou Cameron no bar e a levou para seu apartamento, não se importou que ela lhe usasse desta maneira.
Na verdade, quando se deu por si – e isso apenas depois do segundo copo de vodka e uma taça de vinho – estava dentro da própria casa, repetindo uma atuação de meses atrás quando ainda se entregava à autodestruição.
Agora que parava para refletir com mais calma, o desespero daquele momento não parecia seu, mas da própria Cameron que, cansada de tudo e de todos, fugiu dos problemas correndo para perto de si. Não podia culpá-la por achar que seria mais fácil abandonar alguém que estava acostumada a deixar os outros para trás.
Suspirando, Thirteen ergueu-se e encheu o copo com vodka, tomando o conteúdo de uma só vez. Sequer sabia que horas eram, mas não achava que importava de fato. O único relógio que contava agora era aquele que a levaria para a própria morte.
Sem que percebesse, deixou-se embalar no sono, ainda segurando o copo entre os dedos.
(Tudo girava ao seu redor. A sala era branca e ao que tudo indicava, estava no hospital. Seu corpo não se movia; estava pesado. Aos poucos, a vista foi acostumando-se à claridade e finalmente descobriu-se cercada por médicos. Eles sussurravam palavras de lamento, mas não existia um único consolo. Ninguém estava lá.
'Tão jovem e morrendo sozinha...'
'Ouvi dizer que a mãe tinha a mesma doença e que ela a menosprezou. Foi bem merecido.'
'É mesmo?'
Seus olhos vagavam para os rostos dos médicos e então descobria que um deles, o mais sorridente de todos, era Gregory House. Diferente dos demais, os olhos azuis de House a encaravam com a profundidade de um oceano. Era capaz de enxergar o sorriso por trás da máscara cirurgiã através daqueles olhos.
'Eu não disse que quase morrer não muda nada? E como é morrer sozinha, Thirteen?'
Como é... morrer sozinha?)
O copo estilhaçou-se no chão antes que obtivesse a resposta para essa pergunta. Seu coração batia muito rápido no peito e, ainda assustada, tocou a mão no chão, fazendo um corte profundo nesta por causa dos cacos.
- Droga! – bradou, vendo o sangue escorrer por seu braço e manchar a manga da camisa.
Ergueu-se rapidamente de onde estava e foi até a cozinha em busca de um pano para estancar o ferimento.
Que tipo de sonho era aquele afinal?
Ainda respirando rápido, Hadley fez um curativo em sua mão e recolheu os cacos. Algumas gotas de sangue manchavam o assoalho e ela suspirou, lembrando-se da vez em que House fora ameaçado por um paciente insano. Salvara-o naquela ocasião, mas em sua mente estava a certeza de que havia feito aquilo unica e exclusivamente pelo prazer de correr perigo. Mas lembrou-se também que foi naquela ocasião que escolheu viver ao invés de morrer.
Seu corpo estremeceu de leve e Hadley levou as mãos à cabeça, deslizando pela parede até cair sentada no chão. As lágrimas foram uma conseqüência do desespero que tomou conta de si naquele momento, e incapaz de articular uma única palavra de consolo a si mesma, chorou. Sozinha. Como sempre esteve. Como sempre estaria dali para frente.
N/A:
Tem realmente MUITO tempo que esse capítulo tá escrito. Acho que pelo menos uns 7 ou 8 meses, mas eu nunca tive assim muita coragem pra entrar no fanfiction só pra postar. Lembrei agora quando fui postar a elos e bem, aproveitei e vim pra postar o segundo capítulo dessa aqui.
Agora as coisas vão começar a desenrolar um pouco, pra que se compreenda o que se passa na cabeça da Hadley após ela cair em desespero outra vez.
Eu gosto particularmente de trabalhar com esse lado dela, mas acho que isso se deve unica e exclusivamente ao fato de eu ser muito paga pau.
No próximo capítulo as coisas começam a ficar melhores. Agora que to de férias da faculdade, devo tomar vergonha na cara e voltar pra vida ativa do fanfiction.
Desculpa por te fazer esperar tanto, Jana. Amo você demais, minha deusa (L)
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