Capítulo 2: Sogra e Nora

Karen Salomond rasgou uma folha de papel em vários pedaços e lançou, irritada, os pedaços de papel para o cesto do lixo. Karen estava sentada na cadeira do seu escritório e não estava contente. Era suposto o vestido de noiva que ela tinha prometido à Marina já estar a começar a ser feito, mas o processo estava atrasado e só no dia seguinte é que começariam a fazer o vestido.

Karen (pensando): Se o vestido não ficar pronto a tempo, despeço aqueles incompetentes todos!

Quando a Karen estava no décimo segundo ano, decidiu que gostaria de ter uma empresa só sua, uma empresa de moda e estilismo. Não tinha sido difícil convencer os seus pais, já que dinheiro não lhes faltava. Assim, a Karen tinha criado a empresa Dress Pretty. Até a Karen terminar o décimo segundo ano, o pai dela tinha ficado a administrar a empresa e depois a Karen tomou o seu lugar, apesar de ainda ter a ajuda do pai, pois não conseguia tratar de tudo sozinha.

Agora, a empresa tinha várias lojas por todo o país e era uma marca bastante conhecida. A própria Karen desenhava muitas das roupas. A Karen tinha ficado encarregue de tratar do casamento da Marina e levava as coisas muito a sério.

A Karen tocou num botão do telefone.

Karen: Gina, traga-me um café. - ordenou ela.

Pouco depois, a Gina Lambuza entrou no escritório com o café para a Karen. A Gina tinha-se viciado no jogo nos últimos anos e tinha perdido tudo o que tinha. Depois tinha feito um tratamento e agora estava a trabalhar como secretária da Karen. A Karen começou a beber o café e fez uma cara feia.

Karen: Credo, mas isto parece água de lavar pratos! - gritou ela. - Você nem para trazer cafés serve.

Gina: Desculpe...

Quando tinha ido trabalhar para a empresa, a Gina tinha a mania que mandava mais do que os outros, mas a Karen tinha-a metido na linha rapidamente. Afinal, ninguém ali mandava mais que a Karen e a Karen gostava de usar o seu poder.

Karen: O Allan já tratou de ir levar os vestidos ao desfile de moda?

Gina: Já. Levou-os hoje de manhã. Mas eu se fosse a si, não confiava muito nele. Ainda rouba alguma coisa.

Karen: Não pedi a tua opinião. Podes ir e leva esta porcaria de café contigo.

A Gina foi-se embora, levando o café. Allan Dias era um dos vários trabalhadores da empresa, mas Gina detestava-o. Isto porque, anos antes, Allan era um rapazinho pobre e roubou pão à Gina. Na altura, a Guerreira do Vento tinha-o apanhado e obrigado a devolver o pão, mas tinha-o deixado ir embora com a promessa de que o Allan não iria voltar a roubar. A Gina tinha sido contra e até hoje não gostava do Allan e achava que ele devia estar preso, mesmo que fosse só por roubar pão pois a sua família não tinha o que comer.

A Karen pegou no telefone e ligou ao Alir.

Karen: Está? Alir, é a Karen. Precisamos de tratar de pormenores para o casamento.

Alir: Está tudo controlado. Já tratei de encomendar as flores.

Karen: Óptimo. Eu estou a ver se encaminho o vestido, mas está complicado. Olha, lembra-te que na manhã do casamento tens de estar cá para nos arranjar o cabelo a todas.

Alir: Eu sei. Não vou faltar ao casamento e vou arranjar-vos o cabelo a todas.

O Alir tinha expandido o seu negócio de lojas de beleza, para cabeleireiros, clínicas de beleza e massagens e afins e agora estava associado à empresa da Karen. Assim a empresa, além dos vestidos bonitos, tinha também maquiagem, cabelo e tratamentos faciais para os seus clientes.

Pouco depois, a Karen desligou a chamada e suspirou. O casamento tinha de ser perfeito. A Marina estava a contar com um casamento perfeito, era o sonho dela. Nesse momento, o telefone tocou.

Karen: Sim?

Gina: A directora da estação de televisão, Felícia Goodnews, quer falar consigo.

Karen: Está bem. Passe a chamada.

Ouviu-se um clique.

Karen: Olá Felícia.

Felícia: Olá Karen. Estava a ligar-lhe para saber se está confirmado que amanhã nos vai dar aquela entrevista.

Karen: Claro que sim. Estou sempre pronta a dar entrevistas.

Felícia: Óptimo. Olhe lá, posso saber de que cor de vestido é que vai usar para ir ao casamento? É que eu também vou e ficava mal irmos com vestidos da mesma cor.

Karen: Eu vou com um vestido vermelho, claro. Como sempre, vou chamar as atenções.

Felícia: Hum, mas quem devia chamar as atenções era a noiva.

Karen: Ora, obviamente que sim, mas eu vou ser a segunda mulher em que as pessoas vão prestar mais atenção.

Apesar de tudo, há coisas que nunca mudam e a vaidade da Karen era uma delas. A Felícia continuava a ser a directora da estação de televisão e o seu marido Nelson era agora um dos produtores das séries da estação.

Karen: Este casamento vai ser um sucesso.

Felícia: Claro, organizado por si, nem podia ser de outra maneira. E para quando se decide você a casar?

Karen: Para já, estou bem sozinha. Os últimos oito namorados não eram grande coisa. Pode ser que encontre um melhor em breve.

Guerreiros dos Elementos

Helena Rosevelt caminhou rapidamente. À sua frente seguiam dois homens e atrás de si mais dois. Todos tinham uniformes escuros.

Homem: A criminosa encontra-se na segunda casa à direita.

Helena: Óptimo. Vamos lá.

Eles aproximaram-se pelas traseiras da casa e tentaram arrombar a porta, mas não conseguiram.

Homem: A porta está selada por magia.

Helena: Então, temos a certeza que é a pessoa que procuramos. - disse ela. - Deixem comigo. Poder Sagrado da Luz!

A Helena transformou-se em guerreira e aproximou-se da parede da casa.

Helena: Está na hora de usar o meu poder de atravessar.

Com toda a facilidade, a Helena atravessou a parede. Os quatro homens ficaram à espera. Ouviram-se barulhos, coisas a partirem-se dentro da casa, mas segundos depois, a porta que estava selada por magia abriu-se e a Helena saiu da casa, arrastando consigo uma mulher de cerca de trinta anos, que se estava a debater.

Rapidamente, os quatro homens agarraram na mulher e algemaram-na.

Mulher: Não me podem prender! Não! - gritou ela. - Não é uma prisão que me vai deter!

Helena: Pois, mas você vai para uma prisão especial. Rebeca Lawrence, você está presa por uso indevido de magia em assaltos de bancos, manipulação de comportamento e maldições. - disse ela. - Podem levá-la.

Os quatro homens levaram Rebeca dali. Helena suspirou. Mais um dever cumprido. Depois de ter terminado o décimo segundo ano, Helena decidiu tentar candidatar-se a um cargo na defesa pública.

Quando Helena revelou que era a Guerreira da Luz e tinha poderes especiais, e depois de provas dadas por ela, Helena foi integrada nos serviços especiais, sendo a mais jovem agente de sempre. E agora dedicava-se a resolver casos bastante importantes.

No último ano, e apesar das actividades de monstros terem sido quase nulas, havia muitas pessoas que estavam a cometer crimes bastante graves e agora havia muita gente, como a Rebeca, que estava a ingressar pelos caminhos da magia negra para obter ou fazer coisas que não deviam.

À noite, a Helena voltou para casa. Felizmente as missões desse dia não a tinham levado para longe. A Helena vivia agora nos Estados Unidos. Quando entrou em casa, sentiu logo um cheiro bom no ar. Sorriu e pouco depois entrou na cozinha. Encontrou o seu namorado, Ken, a terminar de fazer o jantar.

Ken: Olá amor, o jantar está quase pronto. - disse ele, sorrindo.

Helena: És um querido. Não me apetecia nada ter de cozinhar.

Ken também era um agente especial, quatro anos mais velho que a Helena. Eles tinham trabalhado juntos nas primeiras missões que a Helena tinha feito e o Ken tinha ficado impressionado com a força de vontade da Helena e os seus poderes de guerreira. Começaram a conhecer-se melhor, apaixonaram-se e começaram a namorar. Em pouco tempo, decidiram viver juntos.

Tinham alugado uma casa. Por sorte, hoje, ambos estavam em casa, mas muitas vezes as suas missões faziam com que eles estivessem afastados um do outro por alguns dias.

Helena: Então, como te correu o dia? - perguntou ela, quando começaram a jantar.

Ken: Bem. Não fizemos nada de especial. Por isso despachei-me mais cedo e vim fazer o jantar.

Helena: Isso é que foi boa ideia. - disse ela, sorrindo.

Ken: A tua amiga Karen ligou. Eu não estava cá, mas ela deixou recado.

Helena: Oh, deve ser sobre o casamento outra vez. - disse ela, encolhendo os ombros. - Acho que a Karen está mais excitada com o casamento do que a própria Marina... não, isso é impossível, mas a Karen está excitada na mesma.

Ken: Eu só falei com ela uma vez, mas ela deve querer que tudo seja perfeito.

Helena: Claro, a Karen é assim. - disse ela. - Bom, pelo menos, daqui a duas semanas vamos ao casamento, mas temos uma semana de férias para aproveitarmos, longe do trabalho.

Ken: Estava a pensar, podíamos aproveitar e ficar a passar a semana na cidade Starfield. Afinal, eu não conheço bem a cidade e tu tens lá os teus amigos. Deve ser divertido.

Helena: Hum, parece-me bem.

Nesse momento, o telemóvel da Helena tocou e ela foi atender.

Helena: Sim? O quê? Oh, mas que incompetência! - gritou ela, irritada. - Está bem. Até amanhã.

A Helena desligou o telemóvel.

Ken: O que se passou?

Helena: Hoje prendi a Rebeca Lawrence, aquela mulher que já suspeitávamos que usava magia negra para praticar crimes como roubos e assim. E agora, telefonaram-me a dizer que ela conseguiu usar feitiços e fugir da prisão. Eu disse-lhes para a lhe taparem a boca, não fosse ela usar um feitiço. Mas quando lhe foram levar a comida, tiraram-lhe a mordaça, ela usou feitiços e fugiu.

Ken: Achas que ela é perigosa?

Helena: Sim. Ela já era perigosa, mas agora ainda pode ser pior. Pode querer vingar-se.

Guerreiros dos Elementos

Pitágoras Ptolomeu, mais conhecido por Pit, estava a entrar na Atlântida nesse preciso momento. Desde que as coisas estavam mais pacíficas, o Pit tinha-se dedicado a três coisas em particular. Primeiro, ajudava os serviços especiais em casos específicos, embora não fosse um membro dos serviços especiais. Ajudava quando eram necessários os seus poderes.

Segundo, nos seus tempos livres, o Pit dedicava-se a estudar antigas magias e outras pessoas com poderes. Como podia teletransportar-se, era fácil o Pit ir para onde quisesse rapidamente. E para ele era fascinante estudar as culturas antigas e deparar-se com sinais de que a magia também tinha existido ali.

Terceiro, o Pit estava agora casado e feliz. Ele e a Serenity tinham começado a namorar, depois de reatarem os sentimentos que os uniam antes de ele se ter transformado em periquito e de ela ter morrido e depois de ambos terem voltado à vida e lutado lado a lado, indo também explorar outros universos. Eles tinham namorado e depois tinham-se casado.

A Serenity era agora dona de uma florista, onde a Marina tinha trabalhado por um tempo e a Serenity estava muito feliz, porque adorava flores e o negócio estava a correr bastante bem.

O Pit caminhou rapidamente, entrando num dos edifícios. O rei Zednar, sentado no seu trono, sorriu ao ver o Pit entrar.

Zednar: Olá, que surpresa vê-lo aqui. - disse o rei, levantando-se. - Então, como tem estado?

Pit: Tenho estado bem. Venho trazer-lhe alguns livros. Estão escritos numa língua antiga e gostava que me ajudasse a traduzi-los.

Zednar: Claro, claro. Também, aqui nunca há grande coisa que fazer. - disse ele, encolhendo os ombros. - A minha filha agora quer que eu convide as pessoas com poderes especiais para virem morar para aqui, veja lá.

Pit: Hum, olhe que até é boa ideia. Sabe, há muita gente com poderes, habilidades mentais, força sobre humana, que não se consegue adaptar na sociedade. Ou melhor, a sociedade não se adapta a eles, excluindo-os. Era bom que eles tivessem um lugar onde pudessem estar com pessoas que tenham poderes, tal como eles.

O rei Zednar pareceu pensativo.

Zednar: Acha que sim? Bem, era capaz de ser bom ter pessoas por aqui. Isto é uma chatice.

Nos últimos anos, a Pandora, depois de ter saído da Atlântida para ajudar os guerreiros, agora estava sempre a sair e a entrar. Agradava-lhe o mundo para além da Atlântida. O rei Zednar já se tinha habituado e sabia que não valia a pena tentar proibi-la de sair.

Zednar: Bom, eu vou falar com a Pandora, ponderar bem as coisas e depois logo se vê. - disse ele. - Então, como estão os seus amigos, Marie e Lance?

Pit: Estão bem. Abriram uma escola de magia, sabe?

Ao contrário do Pit e da Serenity, que tinham decidido viver no mundo onde tinham nascido, a Marie e o Lance continuaram a interessar-se pelos outros universos. Eles decidiram ficar por lá e agora tinham aberto uma escola de magia, onde ensinavam os alunos com potencial, a aprender e usar poderes.

Zednar: Uma escola de magia. Isso é interessante. Olhe, se calhar é mesmo boa ideia nós trazermos para cá, se quiserem é claro, as pessoas com poderes. Podemos ensiná-las a controlar os poderes, a usá-los para ajudar os outros.

Pit: Claro. E vão precisar de uma figura de respeito e que saiba tudo sobre magia e afins. Você, rei Zednar, é a pessoa certa.

Zednar: Sou, não sou? Pois é! Eu sou o rei! A Atlântida vai prosperar como nunca antes se viu! - disse ele, rindo-se.

Pit: Sim. Bom, pode ajudar-me com os livros?

Zednar: Claro, claro. Vamos lá começar a fazer a tradução. Olhe lá, se eu abrir uma escola de magia, posso chamar-lhe Escola Mágica Zednar, a escola dos dotados. Hum, gosto de como isto soa.

Pit: Er, pois...

Zednar: Bem, vamos tratar então das traduções. E depois vou falar com a Pandora.

Guerreiros dos Elementos

Uma semana depois, a Marina estava a stressar com tudo e mais alguma coisa. A Karen tinha-a chamado para ela experimentar o vestido de noiva. A Laura e a Anne tinham ido acompanhar a Marina até ao edifício da Dress Pretty, onde a Karen as esperava. Elas entraram numa sala grande, onde o vestido estava pendurado.

Karen: Aqui está o vestido. - disse ela, sorrindo. - Tive de ameaçar toda a gente com despedimentos, mas conseguiram acabá-lo bem antes do tempo. Mas tens de o experimentar para ver se te serve, se está largo ou apertado.

Marina: Oh, o vestido é lindo! - disse ela, olhando para o seu vestido branco, cheio de bordados e brilhantes. - Deve ter sido caríssimo para se fazer!

Karen: Ora, dinheiro não é problema. Afinal, a madrinha é que costuma dar o vestido e como eu vou ser a madrinha, é a minha obrigação.

Laura: O vestido realmente é muito bonito.

Anne: Quando um dia casar, quero ter um vestido tão bonito como este.

Karen: Pois, mas sem uma madrinha rica como eu, vai sonhando.

Anne: -.-" Karen...

A Marina experimentou o vestido e uma das trabalhadoras da Dress Pretty começou a marcar as medidas com alfinetes.

Laura: Daqui a uma semana, vais estar casada, Marina.

Marina: Eu sei, mas estou super nervosa. E se algo corre mal?

Karen: Não vai correr nada mal. - disse ela, acenando afirmativamente. - Afinal sou eu que estou a organizar tudo. O que poderia correr mal?

Anne: Hum... a Valéria não tem andado por perto, pois não?

A Marina ficou subitamente séria.

Marina: Telefonou ao Josh há dois dias, mas ele não atendeu. Aquela rapariga é do pior! Mas não me vai estragar o casamento, podem ter a certeza!

Valéria Dove tinha aparecido nas vidas da Marina e do Josh um ano antes. Ela era uma fã obsessiva do Josh e o que começara por serem cartas de elogios, tornara-se em perseguição e obsessão.

A Valéria tinha tentado separar o Josh e a Marina, mas não tinha conseguido. Porém, tinha jurado que não ficaria parada e que o Josh iria ficar com ela.

Laura: A rapariga realmente não bate bem. - disse ela. A Marina tinha contado a todos os seus amigos o que Valéria tinha aprontado. - Mas se ela se aproximar, nós tratamos dela, Marina.

Karen: Se ela sequer pensar em estragar o casamento que eu estou a preparar com tanta dedicação, bem pode preparar-se, porque mesmo que ela se esconda, eu vou atrás dela e faço questão de partir cada ossinho do corpo dela!

As outras: O.o Karen, isso também é demais...

Karen: Hunf, comigo é assim. Cá se fazem, cá se pagam! Mesmo que não se meta comigo, mete-se com a Marina e é como se me atacasse a mim.

A Marina sorriu.

Marina: Obrigada Karen. Obrigada por tudo.

Karen: Pois, o que seria de ti sem mim? Serias uma desgraça, coitada. Mas eu estou aqui para te ajudar.

Marina: -.-" Obrigada, és muito simpática e nada convencida, Karen.

Enquanto isso, noutra parte da cidade, a Sabrina e a Dalila estavam a voltar do centro comercial.

Dalila: Estou a adorar estar em tua casa. - disse ela, sorrindo. - Os teus pais são muito simpáticos.

Sabrina: Ainda bem que estás a gostar.

Dalila: Claro que as aulas na universidade só começam daqui a três meses, por isso depois ainda vou passar algum tempo com os meus pais.

Sabrina: Claro, eles devem querer tirar férias e passá-las contigo.

Dalila: A Sara não se importou mesmo que eu ficasse no quarto dela?

Sabrina: Não. Ela compreendeu perfeitamente. Temos de ir visitá-la. O Andrew está muito crescido. E é uma fofura.

Dalila: Realmente, os bebés são muito queridos.

Quando elas chegaram a casa dos pais da Sabrina, a mãe da Sara estava à espera delas e parecia preocupada.

Mãe da Sara: Ainda bem que chegaram. Os teus pais ligaram cá para casa Dalila. Deixaste o telemóvel aqui.

Dalila: Pois foi, esqueci-me dele. O que é que eles disseram?

Mãe da Sara: Bom, era por causa dos vossos antigos vizinhos.

Sabrina: Os canibais?

Mãe da Sara: Exacto. Parece que a filha mais nova, Setha, que estava numa casa de correcção, fugiu. E ela estava sempre a falar de vingança contra vocês e os guerreiros.

A Sabrina e a Dalila entreolharam-se.

Dalila: Ela fugiu? Oh não... ela vai mesmo querer vingar-se.

Sabrina: Calma. Ela é mais nova que nós. O que pode ela fazer? Nada demais.

Dalila: Oh, com a família de onde veio... nunca se sabe!

Sabrina: Vamos estar alerta. Se ela aparecer, tratamos dela. E se for preciso, os guerreiros entram em acção, não te preocupes.

Dalila: Eu só espero que ela não magoe ninguém.

Nessa noite, ao jantar, na casa da Sara e do Leon, ele deu uma notícia à Sara.

Leon: Os meus pais vêm visitar-nos amanhã.

A Sara parou de comer e olhou para o Leon.

Sara: Amanhã? Amanhã?!

Leon: Sim.

Sara: Mas só agora é que me dizes?!

Leon: Eles só ligaram há pouco, antes de eu sair da pizzaria. - explicou ele.

Sara: Ora bolas! Eu tenho de arrumar a casa toda e agora tenho de o fazer depressa. - disse ela, preocupada.

Leon: Calma, Sara. Também, eles não são nenhuns reis, que precisem que esteja tudo arrumadinho. Nós temos um filho pequeno, obviamente que a casa não pode estar toda arrumada.

A Sara riu-se, mas com um riso falso.

Sara: Tu és engraçado, Leon. Eles são os teus pais, não ligam ao que tu fazes. O teu pai é um amor de pessoa, mas a tua mãe não é. Ela não perde uma oportunidade para me criticar! - disse ela. - Sabes, eu sempre pensei que a ideia de que as noras e as sogras se dão mal era uma parvoíce. E depois, sabes o que aconteceu? Conheci a tua mãe e vi que afinal havia razão de ser.

Leon: Bem, a minha mãe pode ser um bocadinho critica...

Sara: Um bocadinho? Ela critica tudo! - disse ela, zangada. - Mas ok, eles são teus pais e vêm visitar-nos. Mas se a tua mãe me chateia muito, leva umas respostas, podes crer!

No dia seguinte, os pais do Leon apareceram para os visitar. O pai do Leon era um homem de estatura média, muito animado e falador. Por outro lado, a mãe do Leon era uma mulher de personalidade forte e que dizia tudo o que lhe vinha à cabeça, soasse bem ou mal.

Pai do Leon: Olá. - disse ele, cumprimentando a Sara e o Leon. - Então, como estão vocês?

Leon: Estamos bem, pai. - disse ele, sorrindo.

Mãe do Leon: Hum... não tiveste tempo de limpar o pó, Sara? - perguntou ela, passando o dedo por um dos móveis. - Este móvel tem uma ligeira camada de pó. Em minha casa, está tudo arrumadinho e limpinho.

A Sara fechou os punhos e continuou com o seu sorriso falso.

Sara: Não tive muito tempo, sabe?

Mãe do Leon: Em minha casa, sempre arranjei tempo para tudo. Mas lá está, há pessoas que são organizadas por natureza e outras não.

O Leon lançou um olhar alarmado à Sara e ela conteve-se de responder. Ao almoço, as coisas pareciam estar a animar.

Pai do Leon: E decidi investir na bolsa. Não é má ideia, não achas filho?

Leon: Tu é que sabes pai. Mas tem cuidado para não perderes dinheiro.

Mãe do Leon: A comida está insonsa. - queixou-se ela.

Todos se viraram para a encarar.

Pai do Leon: Está boa, querida. A comida está óptima.

Mãe do Leon: Para mim, está insonsa.

A Sara pegou no saleiro e despejou todo o conteúdo por cima da comida que estava no prato da mãe do Leon.

Sara: Pronto, agora já não está insonsa com toda a certeza. - disse ela, sorrindo.

Mãe do Leon: Mas tu despejaste o saleiro todo em cima da minha comida!

Sara: Ora, você disse que estava insonso e eu tratei do assunto. - disse ela, sorrindo. - Agora, coma e não chateie!

A mãe do Leon cruzou os braços, mas não disse nada naquele momento. No resto da tarde, a mãe do Leon decidiu criticar tudo o que havia na casa da Sara.

Mãe do Leon: Se eu vivesse aqui, esta casa estaria muito melhor cuidada. - disse ela. - Está uma desarrumação completa! Nem sei como conseguem viver aqui! Parece uma pocilga!

A Sara ficou vermelha de fúria. A casa estava quase toda arrumada, à excepção do quarto deles, pois tinham o Andrew lá a dormir no berço e brinquedos espalhados pelo chão.

Sara: Olhe lá, mas qual é o seu problema?

A mãe do Leon encarou a Sara.

Mãe do Leon: O meu problema? É tudo!

A Sara aproximou-se.

Sara: Olhe lá, você está na minha casa, ouviu? Deve-me respeito! Estou farta de a ouvir criticar tudo o que eu faço ou o que tenho ou como tenho as coisas. Esta é a minha casa e eu faço o que eu quiser, você não tem nada a ver com isso!

O pai do Leon e o Leon entreolharam-se, alarmados.

Mãe do Leon: Como te atreves a falar assim comigo? Mal-educada!

Sara: Mal-educada é você, a vir para a casa dos outros criticar tudo! Eu nunca lhe fiz mal nenhum para você me tratar mal. Já você, só diz coisas desagradáveis sobre mim! Pois bem, não gosta de mim, não é? Pois eu também não morro de amores por si! Mas amo o seu filho, temos uma casa, temos as nossas vidas e um filho para criar. E você não vai meter mais os pés nesta casa enquanto não me respeitar, estamos entendidas?!

Mãe do Leon: Estás a expulsar-me da tua casa?!

Sara: Estou sim! Rua! Não me apareça mais aqui!

A mãe do Leon virou-se para o filho.

Mãe do Leon: Filho, a Sara está a expulsar-me de vossa casa. Diz alguma coisa para me defenderes!

Leon: Mãe... hum... Sara...

O pai do Leon levantou o braço e o Leon calou-se.

Pai do Leon: Vamos embora, querida.

Mãe do Leon: O quê?! E nem deixas o nosso filho defender-me?

Pai do Leon: O Leon tem de defender a mulher dele e o filho, não a nós. - disse ele e depois virou-se para a Sara. - Adeus Sara.

Sara: Adeus... desculpe, o senhor é um amor de pessoa, mas a sua mulher é insuportável!

A mãe do Leon ia abrir a boca para responder, mas o marido agarrou-lhe o braço e saíram os dois de casa do Leon e da Sara. Partiram no carro deles.

Mãe do Leon: Que descaramento! Viste como ela me tratou? - perguntou ela, indignada.

Pai do Leon: E viste como tu a trataste?

Mãe do Leon: Eu?!

Pai do Leon: Estás sempre a criticar a rapariga! Ela é muito nova, mas trabalha, trata do filho, cuida da casa. Não é fácil. Tu devias saber isso.

Mãe do Leon: Mas ela é mal-educada.

O pai do Leon riu-se.

Pai do Leon: Isso foi o que a minha mãe disse de ti quando te conheci e te levei lá a casa. - disse ele. - Lembras-te o que é que a minha mãe costumava fazer e que te deixava irritada?

Mãe do Leon: Ah, a tua mãe estava sempre a implicar comigo. A dizer mal de tudo. E eu não gostava nada dela e... oh! OH! - disse ela, percebendo o que estava a dizer. - Oh meu Deus! Tornei-me igual à tua mãe!

O marido abanou a cabeça.

Pai do Leon: Pois foi. E tu não gostavas nada dela. Achas que a Sara, como tu a tratas, pode gostar de ti?

Mãe do Leon: Eu... eu só queria o melhor para o meu filho.

Pai do Leon: A minha mãe também queria o melhor para mim. E disse-me para não casar contigo, mas eu casei e vivemos bem, não é? Mas lembras-te que depois de casarmos tu não quiseste que ela nos viesse visitar?

Mãe do Leon: Porque não a suportava... oh... ora bolas! Afinal a má da fita sou eu!

Pai do Leon: Parece que sim...

Mãe do Leon: Tornei-me numa daquelas sogras detestáveis de que ninguém gosta e depois não consegue ver o crescimento dos netos, nem partilhar as coisas boas com a família dos filhos... volta para trás!

Pai do Leon: O quê?

Mãe do Leon: Volta para trás com o carro! Vamos voltar à casa do Leon. Tenho de falar com a Sara!

Minutos depois, estavam os dois novamente à porta da casa da Sara e do Leon. Bateram à porta e a Sara veio abrir.

Sara: Outra vez? O que foi, esqueceram-se de alguma coisa?

Mãe do Leon: Preciso de falar contigo.

Sara: Pois, mas não me parece que tenhamos grande coisa para conversar.

Pai do Leon: Sara, querida, ouve a minha mulher, está bem? Por mim.

A Sara abanou a cabeça.

Sara: Está bem. Só por si, que me trata bem. Entrem.

A Sara e a mãe do Leon foram para a sala, enquanto o pai do Leon e o Leon ficaram no corredor, a ouvir tudo.

Sara: Então vá, o que me quer dizer? Espero bem que não seja para me insultar, senão vai ver como é!

Mãe do Leon: Não... bem... hum... vim pedir desculpa pelo meu comportamento. - disse ela. - Eu reconheço que tenho sido demasiado critica e que tenho feito de propósito para te chatear.

Sara: Até aí já eu tinha chegado.

Mãe do Leon: É que... o meu filhinho vivia na nossa cidade, connosco. De repente, começa a namorar contigo, ficas grávida e ele tem de mudar a vida toda dele e vem viver para aqui. Não queria ter o meu filho longe de mim.

Sara: Acha que eu queria que o Leon tivesse de arranjar um emprego e termos um filho quando somos ainda bastante novos? Não queria, mas aconteceu e eu estou a lidar com isso.

Mãe do Leon: Eu sei... quando eu tive o Leon já era mais velha e foi complicado. Mas sabes... tu consegues trabalhar, cuidar da casa, do teu filho e cuidar do Leon. E de certa maneira, eu tenho ciúmes. Parece que tratas melhor o meu filho e ele é mais feliz aqui do que quando vivia comigo e com o pai dele.

A Sara ficou espantada.

Sara: Mas é completamente diferente!

Mãe do Leon: Eu sei, mas mesmo assim, é o que sinto. E por isso, eu implicava contigo. Porque tinha de mostrar que eu era melhor que tu. Porque se tu fosses perfeita, então o Leon seria realmente muito mais feliz aqui.

Sara: E o que quer? Levar o seu filho para casa outra vez? Ele já não é uma criança. Agora tem a família dele.

Mãe do Leon: Sim... e os pais agora ficam para trás.

Sara: Não. Porque diz isso? Pode vir sempre visitar o Leon. E tem o seu neto também. E se nós gostamos as duas do Leon, não percebo porque não nos podemos dar bem. Se você deixar de implicar comigo, não teria nenhuma razão para não me dar bem consigo.

A mãe do Leon suspirou.

Mãe do Leon: Eu estava a ser parva. Não quero que nos zanguemos e que isso afecte a tua relação com o meu filho ou que eu tenha de me afastar dele por termos divergências. - disse ela. - A minha sogra era má para mim e eu nunca gostei dela. Afastei-a. Não quero que aconteça o mesmo contigo e comigo, Sara.

Sara: Na verdade, eu também não quero isso. - disse ela. - Se parar de me criticar, podemos dar-nos bem. E pode vir aqui a casa quando quiser.

A mãe do Leon sorriu.

Mãe do Leon: Desculpa Sara. Tu és uma boa pessoa. E fazes o meu filho feliz. Não devia ter-te aborrecido.

Sara: Lá isso é verdade. Mas olhe que eu também lhe fiz frente.

A mãe do Leon e a Sara riram-se.

Mãe do Leon: Despejares o saleiro na minha comida foi uma coisa muito mazinha.

Sara: Ora, você estava a fingir que a comida estava insonsa. Não estava nada insonsa!

Mãe do Leon: Pois não... estava bastante boa.

Sara: Tive de aprender a cozinhar melhor. Afinal, não posso comer pizza todos os dias, não é?

As duas riram-se. No corredor, o Leon e o seu pai suspiraram de alívio.

Leon: Venha pai, vamos dar uma volta e deixá-las a conversar.

Pai do Leon: Espero que quando voltarmos elas não se tenham voltado a zangar.

Eles saíram de casa. A mãe do Leon começou a contar uma história.

Mãe do Leon: E então, quando soube que a mãe do meu marido ia lá a casa, fiz um bolo. Pus pedacinhos de laranja, porque eu sabia que ela era alérgica. Ela chegou lá, começou a chatear-me, comeu uma fatia de bolo e ficou com alergia. Passou o resto do dia no hospital. - disse ela, rindo-se. - Mas foi para aprender a não me chatear.

Sara: Bem, no outro dia quando cá vieram, lembra-se que levou umas pizzas? Eu pus lá veneno de ratos.

A mãe do Leon ficou alarmada.

Mãe do Leon: O quê?!

A Sara começou a rir-se.

Sara: Estava a brincar. - disse ela. - Olhe que de si não gostava nada, mas também não ia fazer isso. Já o seu marido, é muito simpático.

Mãe do Leon: Lá isso é. Quando era novo, andavam as raparigas todas atrás dele. Foi um suplício. Mas eu afastei-as todas e casei-me com ele! Houve uma vez que uma delas apareceu lá em casa a dizer que estava grávida dele, mas era mentira. Bem, levou tanta porrada que teve de ir fazer uma operação plástica.

Sara: Uh, o seu marido bateu nela?

Mãe do Leon: O meu marido? Não! Eu é que lhe dei porrada! Com a minha família, ninguém se mete.

A Sara sorriu.

Sara: Eu digo a mesma coisa. Eu e a minha irmã Sabrina somos assim. Se se metem com a nossa família, arrependem-se.

Nesse momento, elas começaram a ouvir o Andrew a chorar.

Sara: Acordou. Vamos tratar dele? Afinal, tem o seu filho, mas agora com um neto, é outra coisa. Tem de começar a pensar mais nele.

Mãe do Leon: Tens razão. O Leon já está criado, já não precisa de mim. Mas vou encher o Andrew de mimos!

E assim termina o segundo capítulo, com a Sara e a mãe do Leon a entenderem-se finalmente. No próximo capítulo, mais coisas irão acontecer. Não percam!