"Bem, o bebê que eu estou gerando é meu. Quando você doou os espermas, eu decidi fazer a inseminação, logo, você não tem nada a ver com essa criança. Eu te disse antes que você não teria que se preocupar com isso. É só minha responsabilidade." Ela explicou. "Mas se você está perguntando se é o pai biológico, então sim, como eu usei o seu sêmem, o bebê é biologicamente seu."
Booth estava catatônico. Ele não conseguia pensar. Um bilhão de situações corriam pelo seu cérebro ainda em recuperação. Bones estava grávida do seu bebê. Eles teriam um filho. Juntos. Bem, não exatamente juntos já que ela vinha insistindo que o bebê era só ela. Nos sonhos dela...
"Mas eu te disse que não queria que você tivesse o bebê se eu não pudesse estar envolvido na vida dele." Booth disse sem se mover. Era muita informação para digerir ao mesmo tempo. "E você disse que estava tudo bem, que você não teria mais o bebê."
"Sim, mas depois você me disse que eu deveria ter." Brennan o lembrou. Ela não conseguia entender sua reação. "Você até mesmo disse que eu seria uma boa mãe."
"Sim, Bones, mas eu disse que você deveria usar meu esperma se alguma coisa acontecesse comigo. Se eu morresse." Booth esfregou o rosto com as duas mãos. Ele se lembrava de ter dito isso a ela. Foi um ato egoísmo completo. Ele queria que ela se lembrasse dele para sempre caso algo lhe acontecesse. Ele tentou se convencer que ele apenas queria que ela tivesse o bebê que tanto desejava, que ele só queria fazê-la feliz. Ele tentou se convencer que ele só queria que ela tivesse alguém para amar e estar sempre com ela se ele morresse. Mas ele sabia que, no fundo, queria que ela tivesse o seu bebê para que sempre se lembrasse dele. Ele não podia suportar imaginar ela tendo o filho de outro homem. Esse pensamento por si só já fazia o seu corpo tremer. Ele preferia que ela tivesse o bebê sozinha, criasse a criança por conta própria, do que a idéia de ela encontrar um outro homem, se apaixonar e ter um filho com ele. E isso o tornava egoísta. "E eu não morri."
"E- eu não sabia que você seria tão contra a idéia, Booth, me perdoe se eu entendi errado." Ela sentiu seu coração pesar. Ele parecia arrasado. Ele odiava tanto assim a idéia dela ter um filho dele? Estava receoso de o bebê herdar a sua falta de traquejo social? Achava que ela não seria capaz de criar uma criança? Ele não confiava nela? "Você estava em coma há mais de dois meses quando eu decidi seguir com o procedimento. Você faz parte dos poucos pacientes que acordaram de um coma tão longo. O que te aconteceu é algo que alguém como você chamaria de milagre. A maioria das pessoas não acorda depois de tanto tempo."
Essa foi a razão principal dela ter feito a inseminação. A idéia de perder Booth para sempre a deixou desesperada. Ela queria ter pelo menos um pedacinho dele com ela. E ele tinha deixado ela usar seu sêmem. Como se fosse seu último presente.
"Mas eu acordei." Ele suspirou.
É claro que ele acordou. E Brennan nunca se sentiu mais feliz em toda a sua vida do que quando Booth abriu os olhos naquela noite depois de três meses em sono profundo. Seu mundo vinha sendo cinza e, de repente, estava colorido de novo.
"Me desculpe se a idéia de eu dar a luz a uma criança biologicamente sua o aborrece tanto." Brennan sentiu seus olhos queimarem. Não demoraria muito até que uma lágrima corresse pela sua bochecha. Porcaria de hormônios. "Mas não importa o que você diga, eu não vou me livrar desde bebê." Ela pousou a mão na barriga defensivamente.
"O QUÊ?" Booth gaguejou e finalmente saiu de seu estado catatônico. Como diabos ela podia pensar que ele lhe pediria para matar o bebê deles? "Eu NUNCA iria te pedir isso!"
"Mas tudo o que você disse... é como se isso fosse a pior coisa que poderia te acontecer." Ela choramingou.
"Ah, Bones." Ele disse docemente e pegou sua mão. Vê-la desse jeito doía seu coração. "Não é isso. É só que... você me pegou de surpresa. Eu não estava esperando por isso."
"Você não deveria estar esperando por nada, Booth, você não tem nada a ver com essa criança. Eu nem sei por que isso te incomoda tanto." Ela deu de ombros.
"Que droga, Bones! Claro que eu tenho TUDO a ver com essa criança! Querendo ou não, ela É o meu bebê. E não tente me dizer que ela não vai afetar a minha vida, porque ela vai. Nós trabalhamos juntos. Nós nos vemos todos os dias. Esse bebê vai fazer parte da minha vida, porque VOCÊ faz." Ele resmungou.
"Mas ele não precisa-" Ela tentou dizer.
"Eu QUERO que faça." Ele socou a mesa, assustando-a e fazendo com que as poucas pessoas que ainda não estavam prestando atenção neles se virassem para assistir o casal discutindo na mesa 12.
"Booth, eu quero ter esse bebê sozinha."
"Eu acho que essa não é mais uma decisão a ser tomada por você. E nós não devemos terminar essa conversa aqui. Já demos o suficiente para esses fuxiqueiros fofocarem." Ele olhou acusadoramente para duas mulheres na faixa dos 40 anos que não pararam de olhar para eles desde que discussão começou. Ele apostava que elas mal podiam esperar para contar na reunião semanal do clube do livro sobre a grande discussão que elas escutaram no restaurante. "Você acredita que ele não tinha a menor idéia que ela estava grávida do seu bebê? E eles trabalham juntos todos os dias! Você pode ver para onde nossos impostos vão... pagamos uma fortuna para o governo para eles contratarem agentes federais que ficam se agarrando quando deveriam estar fazendo seu trabalho, que é nos proteger. Não é de se surpreender que as taxas dos crimes nesse país só continuam a crescer..." Ele podia imaginá-las falando.
"Eu vou te encontrar amanhã à noite na sua casa." Ele informou à Brennan.
"Não, Booth. Isso não mudará nada." Brennan tentou convencê-lo. Ela não queria ter outra conversa como essa. Eles já tiveram o suficiente. Ela já sabia como iria terminar: eles iriam brigar, eles não chegariam a um acordo. Como Booth podia acreditar que eles poderiam criar um filho juntos? Eles acreditavam em coisas completamente diferentes. Eles iriam brigar o tempo inteiro e isso tornaria o filho deles muito infeliz. "Eu já me decidi. É MEU bebê."
"Amanhã na sua casa ou discutiremos isso na nossa próxima consulta com o Sweets." Booth ameaçou.
"O q- o que que o Sweets tem a ver com isso?" Ela balançou a cabeça confusa. A última coisa que ela queria era ouvir a baboseira psicológica do Sweets sobre a sua gravidez e o que a fez decidir ter um bebê.
"Ele é o nosso psicólogo. O bebê vai afetar nosso relacionamento como parceiros e é o seu dever fazer com que as coisas entre a gente se resolvam. Então, você decide: na sua casa ou com o Sweets."
Brennan lhe lançou um olhar mortal.
"Não me parece que você me deixou muita escolha."
"Fico feliz que concordamos com isso." Ele levantou o copo num brinde invisível e sorriu.
"Não foi um acordo. Foi chantagem." Ela cerrou o maxilar e olhou para ele irritada.
"Chame do que quiser. Eu vou te encontrar amanhã." Ele deixou uma nota de vinte dólares na mesa e se levantou. "Até lá, vou ver o que eu descubro sobre nosso coleguinha psicopata."
Ele já estava saindo quando se lembrou de uma coisa.
"Ah, e tente comer torradas e cereais antes de sair da cama pela manhã. Vai ajudar com os enjôos. Se cuida, Bones."
