Equinócio de Primavera

Para Beth.

Encontrava-me de olhos semi-abertos. Havia uma voz que sussurrava comentários desconexos e fazia-me cócegas na orelha esquerda. O vento ameaçava carregar a rosa que acabara pendida por entre minhas mãos trêmulas.

A flor era azul. Era azul e uma gota vermelha corroia o tom cobalto que anteriormente fora imaculado. O sangue escorria-me hesitante pela ponta do dedo indicador. Uma leve ardência, um suspiro.

Os lábios de Sirius repuxavam-se num sorriso sutil e não proferira palavra alguma. Aquela necessidade de proteção mais-que-fraternal era para mim uma conhecida. Começava em um sorriso, terminava em um beijo. Com o vento primaveril corando-nos a face e uma rosa sangrando.