Capitulo 2

Após um bom banho quente, voltei para os meus aposentos, sentei-me no futon e finalmente concordei que precisa desse descanso.

Fechei meus olhos e não sei por que lembrei-me de Tenten no dia em que me beijou. Ouvi batidas na porta, e abri meus olhos deixando as empregadas do lugar entrar no quarto para servir o almoço.

O lugar era bonito. Além das piscinas naturais vários jardins adornavam o lugar. Nessa época do ano era mais vazio, andei por vários lugares até sentar-me num banco entre os jardins em que era possível ver o mar.

Por um instante me senti só. Naquele momento queria conversar com alguém sobre banalidades, ao mesmo tempo que estava aliviado por não ter ninguém em perigo para meu instinto shinobi aguçar e perder aquela paz em que me encontrava.

Voltei para meu quarto para vestir roupas mais quentes, pois com o cair da noite, a brisa do lugar se tornava fria. Foi então, quando vi aquela imagem que me deixou paralisado.

Pude ver eu mesmo vestido roupas estranhas parado em uma porta que não havia notado antes no meu quarto. Rapidamente meu Byakugan se ativou e parti para cima daquele jutsu, mas antes de alcançá-lo senti uma leve vertigem como se meu corpo por um breve instante houvesse ficado dormente e então o vi andar para trás até cair em uma cama. Tudo ficou escuro. Eu o vi chegar perto de uma estranha máquina e então vi que a porta atrás de mim se fechou e involuntariamente meu Byakugan se desfez.

- Que porra é essa? Que porra é essa? Ele gritava e então o vi pegar algo e apontar para mim. Novamente tentei usar o Byakugan que não me obedecia e por fim me dei conta que não podia usar o meu chakra.

Tentei novamente acerta-lo com um golpe e ele começou a revidar. Ele virou o objeto e me acertou no ombro. Algo estava estranho, muito estranho. Esse ninja estava usando uma técnica que eu nunca havia visto antes. Ele além de estar utilizando Henge¹ ele inibia todo o seu chakra e o que mais surpreendia é que eu também não conseguia sentir o chakra para um jutsu tão formidável.

Ele tinha o canto da boca sangrando e sua respiração era ofegante, igual a minha.

- Calma, eu sei que é confuso. Ele falava e então comecei a prestar atenção. - Não tenho a intenção de te machucar, estou tão confuso quanto você.

- Qual o seu nome? Perguntei.

- Me chamo Neji, e estamos no Japão.

Neji, como assim ele tinha o meu nome e o que era Japão?

- Vejo que quer me enganar, então aconselho desfazer esse henge.

- Henge, o que diabos está falando. Neji fez uma pausa e continuou a falar. – Olha você não vai acreditar no que vou falar, mas provavelmente você veio do passado. Meu amigo Lee inventou essa máquina que eu não sei por que a trouxe para esse Termas e quando eu a liguei você apareceu e quando tentou me atacar você atravessou o portal e veio parar aqui no meu quarto.

Neji tentava achar algum sentido.

- Como vejo que está duvidando eu vou ligar a máquina novamente, e ai você pode ir embora, ou se quiser ficar para conversar seria muito interessante uma vez que você é provavelmente um antepassado meu.

Neji andou até a maquina vendo o outro se posicionar e quando a ligou novamente o portal se abriu e o outro Neji ficou boquiaberto. Após alguns segundos ligando a imagem à frente com a história que o outro falou, ele mesmo andou até a máquina e a desligou olhou para ele e disse.

- Eu também me chamo Neji.

Ficaram se olhando por algum tempo até ter a certeza que ambos não atacariam um ao outro.

Neji dono do quarto guardou a arma no bolso e pegou um guardanapo que estava em cima da mesa e limpou o sangue que escorria no canto da boca. O outro ficou a olhar o quarto. Era tudo diferente havia muitas coisas que nunca havia visto antes. Por fim ficou parado olhando para um quadro na parede. Ele era negro não havia imagens e ficou se perguntando o por quê.

- Qual a data do seu aniversário? O outro já sentado no sofá perguntou para Neji que estava parado olhando a TV de plasma fixada na parede.

- 3 de julho. Neji respondeu e caminhou para perto da maquina que provavelmente o havia levado até aquele lugar. - O que é Japão? Neji perguntou para o outro que estava sentado.

- É o país onde estamos, e saiba que meu aniversário é nessa mesma data.

- E estamos próximos do país do fogo?

- Pais do fogo? Não existe esse país.

Eles ficaram se encarando nenhuma informação que não fosse a respeito deles batiam uma com a outra.

- Já sei! Você pode chamar assim qualquer país que hoje tem outro nome. Ele pegou seu note book e o ligou o que deixou o outro Neji totalmente impressionado. Neji colocou na tela o mapa mundi. – Pode apontar onde exatamente fica esse país.

- Não é esse o mapa. Neji respondeu após analisar a imagem.

- Você está dizendo que não conhece esse mapa? Neji com o computador na mão tremia.

- Eu também tenho um amigo chamado Lee.

- Onde você trabalha? Neji largou o computador e ficou de pé de frente para o outro.

- Trabalho na Força Esquadrão Especial de Assassinato e Tática ANBU.

- Eu também trabalho com as forças especiais.

- Seu pai se chama Hyuga Hizashi. Neji falou não perguntando, mas sim afirmando.

-Sim meu pai se chama Hizashi.

Neji da vila da folha caminhou até a janela e a abriu e embora a arquitetura fosse diferente aquele lugar também era uma pousada de águas termais. Ele olhou para o outro Neji que estava pensativo.

- Você teve problemas no seu trabalho e te obrigaram a tirar férias.

- Como pode saber tanto? Perguntou desconfiado da resposta.

- Porque aconteceu exatamente o mesmo comigo. Ele pegou o computador que o outro antes havia ligado e certificou que aquele não era o mapa do seu mundo, olhou novamente para o quarto e por fim para o outro Neji que estava com roupas de tecido que ele não conhecia.

- Eu não sou do passado essa máquina abriu um portal do meu mundo para o seu.

- Quer dizer que você sou "eu" em um outro mundo? E essa coisa que o Lee inventou abriu essa porta entre os universos alternativos!

Ambos não sabiam mais o que falar depois que chegaram a essa conclusão. Ficaram algum tempo conversando comparando um mundo com o outro.

- Seu mundo é muito diferente do meu e ainda sim passamos pelos mesmos problemas.

- Como é o seu mundo? Neji da vila da Folha perguntou.

- Porque não ver por você mesmo? Neji pegou a chave do carro e abriu a porta olhando pelo corredor vendo se não havia alguém.

Quando entraram no carro Neji da Vila da Folha se sentiu um completo ignorante por não entender nada daquela tecnologia.

- Porque não vamos a pé?

- Ficou louco? De carro é mais rápido e ninguém vai nos ver juntos.

Neji ligou o carro e saiu das termas indo até a cidade mais próxima, era uma cidade pequena, ainda sim Neji não sabia definir o que era aquele mundo, ele olhava para os letreiros luminosos para as pessoas que andavam nas calçadas.

Neji pouco a pouco foi explicando como funcionavam as coisas e como se desenvolveram. O outro Neji também falou sobre o funcionamento do chakra e das vilas ocultas. O que os levou a falar sobre as guerras e armamentos. Neji parou o carro na beira da pista. Ao descerem do carro Neji pegou uma Glock 19²e caminharam até a beira de um barranco Neji mirou e disparou a arma, Neji da vila da folha observava tudo atentamente ouvindo as explicações do outro e por fim voltaram à pousada.

- Então a Tenten não deixa de ser a mestre das armas?

- Sim, só que diferente do seu mundo aqui ela manuseia Howa 64³ou uma Remington 700³. Ela é ótima! O que não consigo admitir é o amor que ela sente pelo Lee. Ela nunca me deu uma chance e com você? Neji perguntou um tanto desconfiado.

- Você está querendo dizer que ela tem algum envolvimento amoroso com Lee?

- Sim eles são casados a mais de cinco anos.

Neji não gostou daquela informação, algo dentro de si o fez ficar com muita raiva e seu semblante se fechou totalmente.

- É... tô vendo que até nesse ponto nós concordamos. Gosto do Lee. Sei que ele cuida bem dela, mas ainda sim não gosto da idéia de ver os dois juntos.

- Nunca teve uma chance que não foi aproveitada. Neji falou lembrando-se do dia em ela foi até a sua casa e o beijou.

- Tive. Neji fez uma cara de nojo e por fim voltou a falar. – Mas foi estraga por Hinata.

- Hinata! Ele falou surpreso. – Ela sempre foi tão tímida e recatada.

- O quê? Neji soltou um sorriso irônico. Pois então você tem muita, muita sorte...


O sorriso alto escapava entre a respiração ofegante, o corpo moreno que balançava sobre o seu pesava, mas ainda sim queria poder sentir mais. Quando chegou ao seu limite o moreno tentou levantar, mas foi impedido por ela que se sentou sobre ele.

- Eu também quero. A mulher de olhos perolados falou e pôs-se a cavalgar em cima do corpo moreno, que não a impediu. Entrou no seu jogo e deu estocadas fundas para que ela chegasse logo ao seu clímax.

Quando a mulher rolou para o outro lado da cama ele levantou e foi para o banheiro. Vestiu sua roupa e pretendia ir embora.

- Kiba... Por que quer ir embora tão cedo? Hinata enrolada no lençol estava com a chave do quarto rodando em seus dedos.

Kiba passou a mão no rosto, e tentando controlar sua indignação falou calmo.

- Estamos mais do que combinados que ninguém é de ninguém. Ele a segurou pelo braço e tentou tomar a chave de sua mão, o que a deixou injuriada. – Mas não é legal escutar você chamar pelo nome dele enquanto transa comigo.

- Se você for embora vai ser fácil te fazer ser mandado embora.

Kiba totalmente sem paciência segurou com força o braço da mulher que ficou e arrancou as chaves de sua mão.

-Isso não vai ficar assim. Ela gritou e ele saiu sem dar atenção ao seu comentário.

- Ingrato. Hinata gritou e pegou seu celular para ligar para um táxi.


Neji retornou a vila e a primeira coisa que fez foi ir visitar Lee que ainda estava no hospital.

Lá ele encontrou Lee e Tenten que dormia sentada em uma cadeira ao lado da cama de Lee, onde apoiava os braços na cama e a cabeça repousa em cima dos mesmos.

Lee abriu os olhos e viu Neji observando a cena.

- Neji já retornou! Lee falou empolgado e acabou por acordar Tenten que olhou para Neji e logo desviou o olhar ao ver que ele a encarava.

- Foi uma viagem longa para mim, apesar de terem sido poucos dias.

- Parece que não foi tão bom assim. Tenten concluiu vendo que Neji se comportava de forma diferente.

- Ao contrario, foi muito marcante para mim.

- Huuuuu Neji, você conheceu a mulher da sua vida, foi isso?

Lee gritava de emoção enquanto Neji apenas esboçou um sorriso de canto. Tenten não gostou nenhum pouco daquela dedução e ficou séria embora tentasse disfarçar.

- Melhor do que isso Lee, descobri a mim mesmo.

Os dois ficaram sem entender, Neji sorriu e disse que explicaria depois. Assim despediu dos amigos e foi embora para sua casa.


Ao cair da noite, como combinado Neji ligou o aparelho. Era interessante a sincronia do sistema, pois ele estava em seu quarto e quando o ligou Neji da vila da folha também estava em seu quarto.

- E então, está pronto para conhecer um mundo onde desenvolvemos o chakra ao invés da Tecnologia?

O outro Neji Sorriu e entrou no quarto de Neji, logo quando ele atravessou o portão uma tontura o acometeu e uma pressão que ele não sabia explicar machucava seus olhos. Quando conseguiu levantar ele apoiou-se na parede e abriu os olhos.

Olhou para Neji e viu uma cadeia de circulação no corpo no outro como uma visão Raio-X. Sua respiração ficou ofegante ele piscava e esfregava os olhos até que o outro segurou sua mão.

- Você vai se machucar se continuar a esfregar os olhos assim. Venha. Neji o sentou no futon e continuou a falar. – Respire fundo e solte devagar e ao poucos abra os olhos novamente.

Quando o outro Neji conseguiu controlar o Byakugan ele olhou aterrorizado para o outro Neji.

- Este é o Byakugan. Neji ativou o seu e viu a careta que o outro fazia. – Essa é a arma do nosso clã e o nosso maior poder. O Byakugan, quando ativado permite com que o usuário aumente a sua percepção sensorial, dando a quem usou uma visão de 360º Além disso, o Byakugan permite com que tenhamos uma visão telescópica e então somos capazes de observar os Tenketsus.

Neji ficou a explicar o funcionamento do Chakra e o Byakugan e também falou da separação das famílias. O outro Neji limitou-se a apenas absorver todas as informações.

- Como você é praticante de lutas, o seu corpo está desenvolvido para usar o chakra. Agora terá que apreender a controlá-lo.

Ao decorrer dos dias ambos treinavam as habilidades um do outro. Não tinham um motivo especifico além da curiosidade para estarem treinando tanto. Comprovaram também que nada que não pertencesse ao mundo onde estavam funcionava as armas que Neji usou na vila da folha nunca disparava, assim como em Tóquio nunca conseguiram utilizar o chakra.

Ambos decidiram que falaria com Lee o inventor da máquina que eles se conheceram e marcaram essa data para a manhã seguinte, que seria um domingo.


Ao mesmo tempo um casal em um dos apartamentos mais caros do centro preparava o seu jantar.

- E então, eu fiquei realmente sem saber o que fazer. Ela sentou a mesa e ele a seguiu trazendo duas taças e um vinho.

- Eu ainda não acredito, mas sei que ele é capaz de algo assim. Suigetsu terminou de falar e a campainha tocou.

- Você está esperando alguém? Ele perguntou.

- Não. Karin levantou e Suigetsu a segurou e foi atender a porta.

- Sabia que te encontraria aqui. Sasuke falou e entrou no apartamento de Karin que não ficou nem um pouco feliz de ver o filho do seu suposto patrão dentro de sua casa. Sasuke sentou-se na poltrona da sala e Karin sentou-se no sofá à sua frente cruzando seus braços e pernas, esperando que o assunto fosse breve. Suigetsu, que sabia que Karin não gostava nem um pouco de Sasuke sentou-se no braço do sofá ao seu lado.

- Vocês já devem saber o que aconteceu.

- Noticias ruim chegam rápido. Karin respondeu

- Ruim... Sasuke soltou um sorriso irônico. – Achei que para você seria bom, já vi seu nome nas revistas como a melhor engenheira dos séculos, está quase competindo com a fama de patricinha de Hyuuga Hinata. Ele levantou foi até a mesa e se serviu do vinho. Suigetsu pegou mais uma taça e serviu as outras duas taças entregando uma a Karin.

- Meu pai já te paga muito bem. Sasuke falou olhando para o apartamento muito bem decorado. – Não tem porque você continuar trabalhando à paisana.

- Claro você matou o meu chefe. Agora realmente terei que ser a melhor. Karin completou a frase em pensamento.

- Tenho uma proposta para vocês dois. Sasuke se prontificou.

- E qual seria? Suigetsu que até agora estava calado ficou curioso em saber o que Sasuke queria.

- Eu descobri onde Itachi está escondido. Karin que até então estava sentada no sofá levantou-se rápido ao ouvir o que Sasuke falou.

- Onde? Karin perguntou. Sasuke sabia que o assunto a interessaria. Karin chegou a trabalhar um ano em busca do homem que matou seu marido. Porém não tendo resultados positivos Orochimaru lhe designou a trabalhar a paisana observando um dos sócios do pai de Sasuke, que era dono da maior construtora do Japão.

- Não acredito que você vai insistir nisso de novo. Suigetsu observando o mesmo que Sasuke, e se pos a questioná-la. – Finalmente você largou dessa história, e agora vai querer começar isso de novo?

- Agora é diferente eu posso saber onde ele está.

- Exatamente! E seria muito importante que vocês dois me apoiassem.

- Ou melhor, te ajudar a se vingar do seu irmãozinho. Karin falou e se aproximou de Sasuke. – Eu topo. Levantou sua taça propondo um brinde. Suigetsu ficou relutante, mas se é o que Karin queria ele também participaria. Afinal se não trabalhasse para Sasuke estaria desempregado.

Na manhã seguinte Karin e Suigetsu se encontram com Sasuke na casa dele. Juugo, parceiro de Sasuke desde que entrou na aliança de Orochimaru, também os aguardava. Karin havia trazido duas plantas: uma era do prédio onde Neji morava e a outra era do local onde a SAT se localizava.

Passaram a tarde estudando as possíveis entradas e saídas e a localização de todas as câmeras de segurança.

- Juugo ficou os últimos meses a observar os movimentos do Comandante. Sasuke falou.

- Tudo seguia conforme a analise já feita antes por Sasuke. Antes ele saia muito à noite para compensar o trabalho e quase sempre trazia alguma mulher para dormir com ele. Juugo falava e todos prestavam à atenção. - No período da manhã ele sempre ia à academia e ficava 50 minutos fora de casa. Depois ele voltava e em 30 minutos saia para o trabalho voltando normalmente no fim da tarde em dias que não havia missões especificas.

- Muito rotineiro. Suigetsu fala.

- Mas isso mudou nos últimos meses, após ele retornar de férias, ele passa a maior parte do tempo em casa saindo somente para o trabalho. Juugo terminou.

- Sakura me disse que ele estava sofrendo de stress profissional, talvez alguma depressão possa estar ligado ao fato dele querer ficar em casa. Sasuke falou indicando uma possível causa da mudança de comportamento do comandante.

- Se ele estiver deprê então vai ser fácil aborda-lo. Suigetsu falou.

- De forma alguma. Sasuke o repreendeu. - Vamos entrar na casa dele à tarde e se não encontrarmos lá, vamos nos preparar para invadir o escritório dele e de Naruto no período da noite.

- Ele é tão forte assim? Karin perguntou.

- Pode ter certeza, afinal ele é o comandante da SAT. Juugo respondeu à mulher.