Capítulo 2
Chegando apressado em seu dormitório, Harry sentou chocado em sua cama. Ele não acreditava que o famoso arqueólogo queria que ele participasse de sua expedição para estudar as ruínas de Hogwarts.
Desde criança, ele sonhou em visitar o lugar, procurar passagens secretas e descobrir cada tesouro escondido. Ele se lembrava das historias que sua mão contava, sobre o castelo que alguns achavam ser a morada do mago Merlin, onde quatro guardiões protegiam um grande tesouro.
- Minha nossa... – sussurrou – Eu ainda não acredito.
Depois de o choque passar, foi logo arrumar suas coisas. Decidiu não levar muitas coisas, colocaria só o básico. Quando tudo estava arrumado, tomou um banho e foi descansar. Mas quando colocou a cabeça no travesseiro, não conseguiu dormir, seus pensamentos estavam muito tumultuados. Ele iria realizar um sonho.
Quando conseguiu dormir, já estava próximo do horário dele ir se encontrar com o doutor. Por isso, para não se atrasar, preferiu comprar seu café numa lanchonete que tinha no caminho do hotel.
Chegando ao hotel em cima da hora, foi direto a recepção, onde informaram o número do quarto que deveria ir. Estava tão nervoso que não conseguia ficar parado, andando de um lado para o outro quando esperava o elevador. Quando o mesmo chegou, entrou e apertou o numero do andar. Depois de alguns minutos, Harry estava na frente do quarto e com o coração disparado bateu no parto.
Estava um pouco distraído olhando ao redor, que não percebeu a porta ser aberta. Só quando alguém perguntou o ele queria, Harry virou-se para responder, mas ficou mudo pelo que viu. Uma garota usando trajes mínimos estava esperando sua resposta. Harry ficou olhando para ela sem saber o que dizer. Quando a mesma sacudiu a mão na frente de seu rosto perguntando se ele estava bem. Nessa hora Harry sentiu seu rosto esquentar de vergonha.
- O que está acontecendo? – perguntou uma voz que Harry conhecia bem, aparecendo atrás da garota.
- Esse garoto que ficou mudo quando abri a porta – falou a mulher, fazendo que o homem olhasse para ele.
- Harry, que bom que chegou, entre e sente-se, que vamos começar logo a reunião.
- Certo doutor...
- Doutor? – falou a garota rindo – Desde quando é chamado de doutro, querido?
- Desde que consegui meu doutorado – falou o homem chateado – E coloque uma roupa, o garoto ficou mudo por olhar você usando somente lingerie.
- Não precisa ficar estressado, estou indo me arrumar e procurar os outros – disse a garota entrando no banheiro.
Virando-se para Harry, o homem sorriu e foi em direção a uma cadeira ao lado do sofá em que Harry estava sentado, numa sala anexa do quarto do hotel.
- Desculpe minha colega, às vezes ela esquece que algumas pessoas não são acostumadas a esse tipo de atitude.
- Tudo bem, aquilo me pegou desprevenido.
- Bom... Eu queria fazer algumas perguntas antes de te apresentar a equipe, tem algum problema?
- Não.
Na hora que ia começar as perguntas, a garota saiu do banheiro toda arrumada e foi direto para a porta, mas antes de sair, disse provocante.
- Não vá molestar o menino – falou antes de fechar a porta apressada.
- Saia daqui, Parkinson! – gritou. E respirando fundo para acalmar-se continuou – desculpe de novo.
- Não tem problema doutor.
- Já que vamos trabalhar juntos, pode me chamar de Draco.
- Certo. O que você queria perguntar, Draco?
- Bem. Como falei, essa expedição vai estudar as possíveis ruínas de Hogwarts. Vamos catalogar algumas peças e levá-las para se tornarem parte de algumas exposições em vários museus. Conversei com o reitor sobre suas notas e ficou esclarecido que suas notas serão obtidas através de seus achados. Isto é, se você achar um vaso em perfeito estado de conservação, você tirará medidas, indicará sua idade e para que é usado, por exemplo. Esta entendendo?
- Acho que sim. Quer dizer, quanto mais peças eu catalogar, melhor será a minha nota.
- Não exatamente. Será contado também a qualidade do texto e das peças. Então não escolha qualquer peça.
- Certo.
- A equipe contará com seis pessoas, incluindo você. O tempo da expedição será indeterminado, por isso pergunto se você tem algum parente para avisar?
- Não. Meus pais morreram quando eu era criança e meus tios, meus únicos parentes vivos, não se importam comigo.
- O quer dizer? Se você não se importar em contar.
- Não me importo. Quando eu tinha sete anos, meus pais morreram num acidente, eu deveria ir morar com meu padrinho, mas ele desapareceu, então tive que morar com meus tios. Eles não gostavam nenhum pouco de mim e me tratavam mal. O marido da minha tia me batia e obrigava a trabalhar na casa. Minha tia, que é irmã da minha mãe, me castigava por qualquer besteira. E meu primo, que vivia me agredindo, por que minhas notas eram sempre melhores que a dele. Como sou autodidata, aprendo com muito mais facilidade e assim foi transferido para uma série mais avançada, isso fez com que fosse provocado todos os dias.
- Como você aguentou isso? – perguntou Draco, já sentindo raiva dos tios de Harry.
- Não aguentei. Quando eu tinha quatorze anos, fui espancado de tal jeito, por ter conseguido uma bolsa de estudo para a universidade, quando o filho deles reprovava de novo a série.
- O quê? Eles espancaram você? O que aconteceu depois?
- Fingi estar desacordado. Foi então que eles pararam e depois foram passear como nada tivesse acontecido. Nessa hora decidi dar um basta e liguei para a polícia. Quando chegaram, tiveram que arrombar a porta para me encontrar, pois estava tão fraco, que só tive força para me arrastar até o telefone.
Draco estava estarrecido, ouvindo a história desse garoto, as coisas que ele falou eram perturbadoras. Como os tios dele obrigavam uma criança a trabalhar e batiam nela por ser inteligente. Isso era inconcebível. Mas ele deixou o garoto terminar sua história.
- E depois?
- Os policiais me levaram para o hospital e esperaram o médico me examinar para saberem o que aconteceu. O médico disse para eles que tinha fraturado uma costela e luxado o punho direito, além dos vários hematomas que cobriam meu corpo. Os policiais pegaram o meu depoimento, mas parecia que eles não acreditaram no que falei, por que fui levado ao mesmo hospital que meus tios me levam quando exageram nos seus "cuidados". Lá no hospital eles inventaram que eu era um delinqüente que vivia se metendo em brigas. E essa informação, estava na minha ficha médica nos arquivos do hospital. E como rotina, eles chamaram meus tios e como bons atores que são, fingiram estar preocupados pelo o que aconteceu comigo, e disseram aos policiais, o que eles fizeram de errado para eu me tornar daquele jeito. Tentei argumentar, dizendo que eles estavam mentindo. Mas naquela hora parecia que os policiais acreditaram naquela mentira.
- Você voltou a morar com eles?
- Não.
- Como?
- Quando os policiais e os médicos saíram, eu estava indefeso numa cama de hospital. Então meu tio começou a me bater e gritar comigo, como eu era um inútil, que só gastava o dinheiro dele e que eu deveria ter morrido com meus pais. A minha sorte é que um dos policiais esqueceu um bloco de notas no quarto que eu estava e foi buscá-lo. Ele chegou bem na hora que meu tio deu um soco na parte que estava à costela fraturada. A pancada foi tão forte que acabei cuspindo sangue.
- Você quer parar? Se não quiser continuar tudo bem. E podemos só falar da expedição.
- Estou bem. Só precisava para respirar – disse sorrindo calmamente – E também, como vamos trabalhar juntos, acho justo você conhecer a minha história.
- Certo. E como terminou?
- O policial segurou e prendeu meu tio por agressão. Depois foi pedido para realizarem exames mais detalhados da minha situação, onde foram constatados alguns ferimentos mal curados, também estava abaixo do peso ideal e anêmico. Fiquei vários dias no hospital para me recuperar. Depois o serviço social me levou para um abrigo, mas quando estava lá, não tinha liberdade de ir sozinho para alguns lugares. Quase perdi os exames para ver em que nível meu conhecimento estava e se estava apto para entrar na universidade com quinze anos. Por isso, pedi que fosse emancipado.
- Conseguiu?
- Sim. Na audiência em que foi provado que meus tios me maltratavam, consegui me emancipar, por provar que era capaz de me cuidar sozinho. Como era bolsista, tinha onde morar, pois tinha direito a ficar no dormitório da universidade. Além disso, ganhei um bom dinheiro para me manter, pois decidido que meus tios iriam me indenizar pelos anos de maus tratos. Depois desse episódio, nunca mais os vi.
- Pelo que você me contou, sua vida foi bastante difícil.
- foi. Mas desde que comecei a estudar arqueologia, minha vida tornou-se bastante calma.
- Então como você na tem mais contato com seus parentes, tem alguém que gostaria de avisar? Algum amigo ou namorada?
- Não – disse sorrindo – Como entrei muito cedo na faculdade, não consegui amigos. Pois a maioria dos alunos não queriam se envolver com uma "criança". E também não tenho "namorado".
- Certo – falou Draco encarando Harry de forma estranha – Vamos deixar de falar de coisas tristes e vamos nos focar na expedição. Como eu estava dizendo...
Eles ficaram horas acertando detalhes, que equipamentos levariam, quais documentos necessários, os lugares que visitariam também ficaram conversando amenidades e se conhecendo melhor.
Estavam tão entretidos um com o outro, que não perceberam que um grupo acabava de entrar no quarto. Só pararam de conversar quando ouviram risadas e olhando para a porta viram dois homens e duas mulheres tentando segurar o riso.
- Já que estamos todos reunidos, vamos continuar a reunião.
