Capítulo 2

– Ah! Olá senhor Kiba! Já terminou com o senhor Sarutobi? Vocês certamente são rápidos para resolver seus negócios! Eu não sei por que, mas comigo ele sempre demora um bocado...

Aquele garoto loiro irritava Kiba profundamente. Se ele não fosse muito educado, já estaria vestindo os sapatos de concreto há muito tempo.

– Isso é porque você é estúpido demais para receber uma ordem simples, Naruto. – O efeito sobre o jovem nortista foi imediato. Primeiro espanto pela ofensa. Depois confusão para em seguida resignação. Nem uma ponta de fúria.

– Me desculpe senhor. – disse, mas continuou a encarar Kiba. Era como se ele indiretamente dissesse "Sei que sou estúpido, mas não tenho medo de ninguém, nem do senhor!"

Corajoso. Corajosamente estúpido. De certa forma, Kiba até gostava do garoto de recados. Ele era estúpido, mas esforçado. Não era um assassino, mas tinha coragem. Todo coração e nenhuma cicatriz. Mas as cicatrizes virão.

Kiba deu uma moeda para Naruto e o mandou buscar seu carro no estacionamento do hotel. Ter um carro era um luxo, e Kiba não era o tipo de pessoa que gostava de esbanjar, mas ele se permitia ter um bom carro para o trabalho.

O hotel era de Sarutobi, uma fonte de renda honesta que mantinha os fiscais satisfeitos com o que recebiam para o governo e com o que recebiam para si mesmos. Claro que Sarutobi não precisava morar ali. O macaco, o hotel e outras coisas, tudo isso era uma forma de afastar a lembrança do filho morto na guerra.

Mas a morte do último filho do velho Sarutobi deixava um grande problema para o velho. Konohamaru era estúpido demais para herdar. E o Don estava velho demais para criar outro filho. Então, quem ficaria com o seu reino?

Kiba pressentia uma guerra se aproximando. E não poderia ser em pior hora para ele.

– Aqui está, senhor. Eu tomei a liberdade de colocá-lo na rampa para dar uma olhada, talvez seja uma boa idéia trocar os platinados. – era Naruto que voltava com o carro.

– Nunca toque no meu carro de novo, moleque. Ou vou usar os seus dentes no meu colar. – Kiba fez menção de mostrar o colar de muitas voltas que usava, entupido de dentes caninos. Naruto ficou branco. Desta vez ele estava com medo.

– Mil perdões senhor. Não vai mais acontecer, eu prometo!

Kiba entrou no carro e disparou pela rua. Furioso.

Mas trocou os platinados.


– Café. E me consiga essa sopa de carne e legumes também, Hinata, a noite foi longa hoje. – Kiba estava sentado na sua mesa preferida no seu restaurante preferido ao amanhecer. Uma pocilga. Kiba preferia assim. Com pouca gente e a garçonete com catarata, ele poderia comer sem que ninguém ficasse olhando de soslaio para a sua cicatriz.

Além disso, abria muito cedo para esperar os trabalhadores do porto, então ele podia vir de madrugada e seria atendido sem ter que apontar uma arma para o cozinheiro. Não que ele se importasse, claro, mas preferia só puxar uma arma se fosse usá-la.

– Obrigado, Hinata. Agora me faça um favor, diga para o Chouji levar o almoço e o jantar neste endereço nas próximas duas semanas, está bem? – disse pegando o café com uma das mãos e com a outra entregando o endereço e um maço grosso de dinheiro. Bem grosso. Hinata não perguntou por que, é claro. Kiba gostava do lugar por isso, afinal.

Hinata, a garçonete, era bonita. Kiba gostava do fato de ela ser meio-cega, ela não olhava para a sua cicatriz quando vinha atendê-lo por que não conseguia vê-la, e ele podia ficar olhando para os peitos dela sem que ela percebesse, também.

Já tinha pensado em oferecer uma boa quantia para ir para a cama com ela. Mas achava que, primeiro, ela não aceitaria e, principalmente, que o primo dela iria matar ele se soubesse. Ou tentar pelo menos.

O cara era cego, aparentemente a catarata era de família, veja só. E trabalhava para Sarutobi. O desgraçado era um mestre dos venenos. E isso era algo a se respeitar.

A sopa chegou pouco depois, com pouca carne, ele notou. Kiba só pode imaginar que o cozinheiro havia pescado alguns pedaços enquanto aquecia aquela porcaria. Foi então que ele notou o garoto negro olhando para o seu prato como fosse o último cheio de comida na terra.

– Hinata, venha aqui um instante, sim? Obrigado. Poderia, por favor, chamar o Chouji aqui? – Tentou ser o mais educado possível. Nunca se sabe.

– Sim senhor. – Chouji veio pouco depois, ainda com a enorme pança coberta pelo avental de cozinheiro. Kiba reparou na carne no canto da boca dele. Porco maldito, ele pensou.

– Algum problema, senhor? A sopa não está do seu agrado? Eu posso fazer outra agora mesmo se for o caso, com todo o prazer, o senhor sabe que é muito bem tratado aqui. Qualquer coisa basta pedir. – Chouji estava um pouco nervoso, é claro. Ele havia ouvido algumas histórias a respeito do seu cliente.

– Raramente ela está do meu agrado, gorducho. O problema é outro. – disse fazendo sinal com a cabeça para o garoto do lado de fora. – Resolva.

– Sim senhor. Agora mesmo senhor. – Chouji saiu para a rua e tentou falar com o garoto.

– Vamos, garoto, saia daqui! O que foi, por que está me olhando com essa cara? Tudo bem abra a boca, eu lhe dou um doce, viu? – O garoto relutou, mas a visão de comida foi demais e abriu a boca. Chouji gritou. – Santa Mãe de Deus!

Hinata correu para fora, Kiba também, ficou curioso.

– O que foi agora, Chouji? – perguntou.

– A língua dele, senhor, a língua dele! Por todos os santos, que crueldade!

– Ei, garoto, abra a boca, deixe-me ver isso – Kiba falou já agarrando o rosto do menino. Haviam cortado a língua. – Hinata. Empreste-me isso aqui. – disse, já pegando o bloco de anotações e a caneta da garçonete. – Anote aqui o nome de quem fez isso. Agora.

– PAPAI. – escreveu.

O rosto do cão da máfia mudou. De curiosidade para algo mais.

– Ok, agora é pessoal.