Palavra escolhida: Travesseiro
Um raio de sol entrava por uma fresta da cortina e batia diretamente no olho do rapaz. Incomodado com aquilo, levantou-se de um pulo da cama, arrastando o travesseiro e as cobertas para o chão quando ficou de pé. Deu dois passos em direção ao banheiro e logo tropeçou em um porta-retratos, que preferiu não juntar para não ter que olhar a foto que emoldurava. Olhou à sua volta e foi tomado pela sensação de que o quarto onde se encontrava já não era mais o mesmo de alguns dias atrás, pois tudo estava revirado e a bagunça era interminável: uma coleção de vestes atiradas aqui e ali, alguns livros em uma pilha e outros espalhados no chão e abertos, almofadas, uma meia solitária pendurada na pantalha do abajur, entre vários outros objetos que não eram dignos de atenção, mas que certamente não deveriam estar ali. No banheiro, algumas toalhas e um mar de frascos de poção vazios coalhavam o chão de azulejos esverdeados. Os olhos que o fitaram de volta no espelho lembravam algum um velho conhecido, daqueles que vemos na rua de vez em quando, mas fugimos sorrateiramente para não ter que cumprimentar. Esfregou o rosto com água fria, como que para ajudar a encarar o dia que estava começando, e rumou para a sala. Tirou um par de botas de cima da poltrona e sentou-se displicentemente, esticando o braço para pegar um pedaço de pergaminho e uma pena que estavam debaixo de uma caixa vazia de bombons, cheia de papéis vazios dentro. Segurou a pena com uma mão trêmula, assim como a letra que saiu devagar e displicente.
"Harry, seu idiota teimoso...Volta pra casa..."
