Alyssa

Eu estava sentada em um campo florido, cercada por flores de todas as espécies todos os aromas se mesclavam em um carnaval de perfumes.

Aí eu comecei a espirrar.

Porcaria de alergia! Nem nos meus sonhos eu posso curtir!

O sonho muda e eu m deparo em uma biblioteca gigante, maior que a do palácio e eu saio correndo por ela feito uma criancinha atrás de um unicórnio. Quando viro em uma prateleira encontro uma mulher com duas crianças sentadas no chão perto da lareira, mas não era qualquer mulher, era a rainha. Ela lia um livro para as crianças, eu conseguia identificá-lo: Alice no país das Maravilhas. Uma de minhas histórias favoritas.

O garotinho devia ter em torno de cinco anos e ficava concentrado ouvindo as palavras de sua mãe fazendo diferentes expressões conforme a história andava. Tinha cabelos cor de mel e olhos castanhos profundos. Maxon, o príncipe.

A garotinha estava deitada de barriga para baixo com os joelhos dobrados e os pés suspensos no ar balançando para frente e para trás. Tinha um sorriso maravilhado no seu rostinho de também cinco anos e seus olhos da mesma cor que os do príncipe brilhavam de excitação e seus cabelos também castanhos escuros estavam soltos encostando-se ao chão onde ela estava deitada. Eu era aquela garotinha.

A rainha chega na parte em que o Chapeleiro e a Lebre de Março estão discutindo sobre passar manteiga nos mecanismos do relógio e as duas crianças caem na gargalhada. Eu detesto minha risada ela é estranha e reparo que o príncipe tem a mesma risada que eu.

Sinto um aperto em meu peito e tenho vontade de chorar.

– Alyssa - Ouço uma voz me chamando ao longe e por alguma razão essa voz me alcança como um toque quente e me envolve em um abraço caloroso fazendo eu me sentir melhor.

–Alyssa - A voz repete meu nome e eu me viro á procura de sua fonte.

Sinto alguém me sacudindo e abro os olhos assustada me deparando com um belo para de olhos avelã me encarando.

Connor dá um sorriso. – Até que enfim! Pensei que ia ter que jogar água em você.

Eu ainda eustou com os olhos arregalados. Connor? Aquela era a voz de Connor?

Sinto minhas bochechas queimarem. Connor eu nos conhecemos há anos e ultimamente eu ando sentindo algumas coisas estranhas quando eu estou com ele.

Ele muda sua cara de diversão e assume uma expressão preocupada. – Está tudo bem? Você parece com febre. – Diz enquanto ergue a mão para colocar em minha testa e verificar minha temperatura.

Dou um tapa em sua mão um pouco antes de eu sentir seu toque caloroso.

– Ai! Porque fez isso? – Pergunta segurando a mão que eu bati.

– Posso saber por que me acordou?

Ele faz uma carinha emburrada (que fofo!). – Michael quer falar com todos.

– Será que conseguimos algo de útil dessa vez? – Pergunto enquanto me levanto e coloco meus tênis sem trocar meu pijama.

Ele dá de ombros. – Eu espero que sim, senão ele vai ter que dar um bom motivo para me acordar às quatro da manhã.

Em cinco minutos descemos até o imenso porão onde nós treinamos e fazemos reuniões.

Todos os mais velhos (a partir de dezoito anos) estão lá reunidos em volta de uma mesa enorme de carvalho cheia de papéis, mapas e livros abertos. Michael está sentado em sua cadeira numa pose de poderoso chefão (eu assisti nos DVDs velhos que encontramos outro dia), com seus cabelos grisalhos bagunçados e olhos azuis gelo com olheiras de sono. Micheal é o atual chefe do grupo, ele não é velho, é charmoso e um ótimo lutador. Ele nos vê e assente.

– Bom – Começa ele. – Agora que estão todos aqui eu lamento informar que estamos em uma situação complicada. – Ele pausa – Agora à pouco eu recebi uma mensagem de Charles um dos nossos infiltrados onde ele conta que perdemos três companheiros.

Sinto um aperto em meu coração e num movimento automático eu levo a mão ao peito. Connor percebe minha reação e me abraça pelos ombros. Todos nós aqui somos como uma família e quando perdemos um é como se estivéssemos perdendo um irmão.

Michael nos dá um tempo para digerir a informação e então prossegue. – Infelizmente Grace, Hugles e Simon não se juntarão mais a nós.

Vários suspiros atravessam o grande porão e ouvimos um choro desesperado.

Eu e Connor olhamos a jovem Claire com uma grande barriga de sete meses de gravidez cair de joelhos no chão aos prantos por descobrir a morte de seu marido. Alguns vão ajudá-la e a levam para cima, todos voltam a olhar Michael, alguns com lágrimas nos olhos, outros com desespero e até mesmo raiva.

Michael baixa o olhar. – Eles não conseguiram nos avisar antes, nem enquanto estávamos lá, mas um dia antes de nós invadirmos houve um ataque sulista.

Ouço várias pessoas praguejarem e amaldiçoarem os rebeldes do Sul. Nunca tivemos o apoio uns dos outros, mas também nunca interferimos nos objetivos de cada um. Nosso símbolo é a flor de Lótus que significa Renovação, e a deles é o de Anarquia que significa sem Governantes.

Essa é a primeira vez que eles matam um dos nossos.

– O que pretende fazer agora? – Pergunta Connor.

Michael dá um suspiro. – Não podemos travar uma guerra contra os do Sul agora, temos uma causa maior para servir no momento. Prefiro pensar que foi algo mal calculado da parte deles, nós não somos uma ameaça para eles.

– Por enquanto. – murmuro.

Michael ouve e me olha com um sorriso terno. Eu fui criada por ele apesar de ele sempre me falar que não é meu pai, eu o considero como um.

– Vamos precisar mandar mais infiltrados para lá, logo vão começar a contratar novos empregados e soldados e dessa vez eu quero que você participe Alyssa.

Todos na sala me encaram e depois se voltam para Michael com olhos arregalados. Eu devo me manter o máximo que conseguir longe do palácio e agora ele quer que eu vá trabalhar lá?

O abraço de Connor se aperta. – Está falando sério, justo agora? E se os sulistas descobrirem e levá-la ou até matá-la? – Connor sempre super protetor comigo.

– Eles não irão descobrir eu garanto, ele entrará como uma empregada e quanto a sua segurança todos os infiltrados lá irão priorizá-la. – Michael perecia contrariado de tomar essa decisão, mas parece que não havia mais opções.

Todos começam a cochichar sobre o assunto e parecem concordar ser o momento certo de eu me aproximar da família real.

Michael me encara com seus olhos azuis.

– Alyssa, está na hora de conhecer sua família.