Disclaimer: Os personagens da série Twilight não me pertencem, e essa fanfic é somente para uso de entretenimento e sem qualquer fim lucrativo. Os direitos dos personagens pertencem a Tia Steph e ao pessoal dela lá.

NOTA: Contém spoiler de todos os livros da série Twilight.

Capítulo II – Trabalho em dupla

Eu estava tão feliz com o meu dia que dormi agarrada ao meu travesseiro. Tive um sonho bobo que nem consigo me lembrar, e fui acordada por batidas na porta e um sussurrar baixinho que eu reconheci como sendo da minha tia Rosalie.

- Pode entrar Dinda. – eu disse por debaixo do travesseiro.

Eu não fui batizada. Não foi por essa história de vampiros não entrarem em igrejas, isso é só uma lenda, mas meu pai ainda não se definiu nessa questão de espiritualidade, e minha mãe também não viu necessidade. Mas ainda assim eu chamo minha tia Rosalie de Dinda, porque eu penso que se tivesse uma madrinha, com certeza seria ela. Foi ela quem ajudou minha mãe quando ficou grávida. Esse negócio de meio vampiro não é uma coisa comum, ninguém sabia o que eu poderia virar. Só minha Dinda e a mamãe tinham certeza de que eu deveria nascer então é possível imaginar a luta que foi travada na família Cullen para o bebê monstro poder sobreviver. Isso realmente eu só posso imaginar, porque esse é um episódio particular da história da minha família que eu não domino muito bem.

- Oi meu amor – a cabeça loira da tia Rosalie apareceu na fresta da porta.

- Oi Dinda! – Eu sorri me sentando na cama e chamando minha tia para se sentar.

- Estou sabendo que tem um pai ciumento muito nervoso lá embaixo. – ela disse se sentando ao meu lado.

- Aii Dinda!! Meu pai tá me dando nos nervos!!! Ele é tão... Tão... Ai! – eu bufei e minha tia riu.

- Nessie, mas o que aconteceu exatamente? – ela disse tocando meus cachos com carinho.

- Ahh Dinda, - eu disse toda empolgada deitando meu rosto no colo dela – eu conheci o carinha mais legal do mundo!

- Isso é interessante vindo de você que conhece um milhão de pessoas. – ela falou zombando de mim.

- Tá tudo bem, mas não precisa me desanimar também. – eu disse a contragosto.

- Nessie, eu odeio concordar com o Edward, e você sabe disso, mas eu acho que nesse caso...

Ah não! De todos no mundo, até minha tia Rosalie, a minha Dinda, estava contra mim! Será que eu dormi na minha casa e acordei em uma realidade paralela?

- Até tu Brutus? – eu disse me levantando do colo dela.

- Odeio ser repetitiva Nessie, mas você está se arriscando e nos arriscando ficando amiga desse rapaz. Será que preciso te lembrar que nós somos vampiros? Nós nos esforçamos para sermos diferentes dos outros, mas essa é a nossa natureza. – ela olhou para cima e sorriu para o teto, depois voltou sua atenção para mim. - Parece que estou voltando no tempo e dizendo ao seu pai para deixar de bobagens, quando ele se interessou pela Bella.

- Sabe o que eu acho? – eu disse me levantando e indo na direção da porta do meu quarto – Que todos vocês estão viajando! – eu gritei com a porta aberta para todos poderem me ouvir bem - Vocês estão agindo como se o Will tivesse me pedido em casamento! Ele só me convidou pro almoço!

Eu podia jurar que em um piscar de olhos meu pai ia aparecer na porta do meu quarto, mas quem veio foi o vovô. Quando abri os olhos da minha piscada proposital dei de cara com o rosto sereno do meu avô Carlisle.

- Porque toda essa gritaria? Dá pra te ouvir da estrada.

- Vovô, diz para eles pararem! Diz para me darem um voto de confiança, que eu não vou fazer nada de errado. – eu choraminguei e implorei a ajuda do meu avô.

- Você tem algum dever da escola pra fazer? – eu achei essa pergunta bastante fora de contexto, mas quem ia falar alguma coisa?!

- Não, ninguém passou nada.

- Então vamos caçar. Se você vai ter um amigo humano, vai precisar estar mais alimentada do que de costume.

Eu podia pular em cima do meu avô e enchê-lo de beijinhos. E foi exatamente isso que eu fiz. Aposto que se ele pudesse, ele teria ficado todo vermelho. Vovô segurou meus ombros e me guiou para fora do quarto e escada abaixo deixando pelo caminho uma tia Rosalie aborrecida, e um papai Edward na sala com cara de poucos amigos. Enquanto saíamos da sala vi o vovô fazer uma cara esquisita e percebi que ele estava mandando algum recado mental para o meu pai.

Assim que coloquei os pés fora de casa, senti as gotas de chuva caindo na minha cabeça e rapidamente ensopando a minha roupa. Caçar chovendo era fácil, os animais ficavam mais juntos e os barulhos os deixava atordoados. Demos a volta na casa com nossa velocidade vampírica e quando estávamos prontos para adentrar a floresta ouvimos alguém chamar, olhei para trás apenas para perder meu tempo, quando virei a cabeça meu pai estava bem ao meu lado.

- Você aceita mais uma companhia? – ele perguntou educado.

- Hum – eu estreitei o olho desconfiada – Você está me perguntando com sinceridade ou vai vir conosco de qualquer jeito?

- Se você não quiser minha companhia eu me retiro imediatamente. – ele disse olhando nos meus olhos. Ele estava sendo sincero, acho que não dava para ser mais sincero do que isso.

- Tudo bem. – eu respirei fundo e sorri, o abraçando na cintura – Por que você não é assim mais vezes?

- Ser pai é um trabalho árduo. E ainda mais ser um pai na minha idade! – ele disse com um gesto largo apontado para si.

- Sei... - eu disse rindo – Ser um pai adolescente.

- Não, tecnicamente eu tenho mais de cem anos. Eu sou um pai idoso. – ele riu passando a mão pela minha cabeça. – E então o que vai ser?

- Essa chuva vai nos dar uma boa vantagem. Eu vou na frente, o vovô pela esquerda e você cobre a retaguarda! Vamos caçar!

Naquela noite nós nos alimentamos o máximo que podíamos, e nos divertimos bastante também. Quando eu voltei pra casa estava exausta. Papai foi direto pro piano, mas eu capotei na minha caminha fofa e apaguei até o dia seguinte. Eu não sou ninguém sem umas boas oito horas de sono.

No dia seguinte acordei com um barulho na janela. Eram os galhos de uma árvore batendo no vidro devido à força do vento e da chuva. Parece que ninguém avisou ao tempo que no verão deveria fazer sol. Mas para ser totalmente sincera comigo mesma eu nem liguei para o tempo, podia estar caindo neve azul que eu talvez nem percebesse que havia algo errado. Levantei me espreguiçando e fui para o meu banheiro.

Quando desci as escadas já estavam todos me esperando. É incrível a capacidade que a minha família tem de me fazer sentir uma garotinha desengonçada. Lá estavam eles parados, na verdade estavam conversando, mas uma pessoa com uma visão humana normal não seria capaz de perceber seus lábios se mexendo. E pareciam estar posando para a capa de uma revista de moda, de tão impecáveis que estavam. Não adiantava tentar parecer casuais, eles estavam sempre incríveis.

Veja bem, eu tenho uma herança genética que me favorece, eu sei disso. Eu já vi fotos da minha mãe quando era humana, e ela não era o que se poderia chamar de feia, definitivamente não, mas a versão remasterizada dela é absolutamente perfeita. Já meu pai, bem, ele é indiscutivelmente gato. Qualquer pessoa do sexo feminino se sente atraída por ele, é incrível! Então eu sou bonitinha, sou bonita eu acho. Mas sou humana. Ou meio humana, que seja. Então não sou nada que possa ser comparada a eles.

Superei minha crise de insegurança e fui dar um beijinho de bom dia na minha família. Tio Jasper bagunçou meu cabelo. Eu não entendo porque as pessoas bagunçam os cabelos dos caçulas, parece algum tipo de código secreto, onde você tem que, sei lá, bagunçar cabelos de caçulas no mínimo cinco vezes ao dia, ou é expulso do clube, ou coisa assim. Tia Alice me deu um abraço gostoso daqueles que ela é mestre em dar, o Papai, adivinha? Bagunçou meu cabelo! E recebeu um olhar meio azedo meio divertido em troca e minha mãe me deu um abraço de urso. Vovó Esme chegou quando já estávamos indo para a garagem, fez um carinho em cada um de nós e disse que o vovô já havia ido para o hospital.

Hoje a viajem para a escola foi menos silenciosa que a de ontem, tia Alice e mamãe estavam conversando sobre os novos modelos da titia, minha tia Alice totalmente empolgada, e a mamãe fingindo que se interessa por moda. Meu pai botou uma música no radio e estava tamborilando o volante com os dedos no ritmo da bateria. Só eu e tio Jasper olhávamos pelas nossas respectivas janelas, meio alheios a aquilo tudo. Eu podia sentir que a atmosfera no carro estava desanuviada propositalmente, parecia que um acordo foi feito para que ninguém tocasse no assunto que nos perturbou ontem. Nós somos uma família muito harmoniosa no geral, mas também somos uma família grande, e quando temos que resolver alguma coisa sempre acabamos discutindo. É gente demais querendo dar opinião. Ontem eu ganhei com a ajuda do vovô, mas posso apostar que não vai ser por muito tempo.

Meu pai estacionou o carro na mesma vaga de ontem, descemos do carro bem devagar. Nós nos movimentamos muito rápido, é instintivo, é claro que o meu muito rápido é bem menos que o do resto da minha família, mas ainda assim para qualquer humano sou absurdamente veloz. E para conviver com humanos temos que nos policiar em tudo, é bastante cansativo ter que desacelerar a ponto dos nossos movimentos parecerem normais aos olhos das pessoas. Eu e minha mãe sofremos mais com isso, somos as mais novas nessa coisa toda, mas lidamos bastante bem com essa dificuldade, desde cedo tivemos que tomar cuidado para não assustar o vovô Charlie.

Qualquer outro vampiro acharia que perdemos nosso tempo tentando conviver com os humanos, mas nós sabemos que vale a pena. Claro que valia, e quando eu vi William sorrindo para mim na frente da sala de literatura, nada me convenceria do contrário. Olhei de lado para encontrar minha família um passo atrás de mim, e me apressei direto para a sala.

- Bom dia! – ele disse me acompanhando até minha carteira.

- Olá! - eu não consegui conter um sorriso.

- Então cachinho – ele disse pegando um cacho vermelho do meu cabelo entre os dedos – você vai sentar mesmo no meio da sala?

- Suponho que sim, por quê? – eu disse sem entender e pegando meu cacho de volta.

- Podia se sentar com a gente. – Will apontou a cabeça para trás, onde algumas pessoas que almoçaram conosco ontem estavam chegando e se acomodando, inclusive a loira que me olhou como se eu tivesse duas cabeças.

- Acho que vou ficar por aqui mesmo. – eu disse olhando para a tal loira sem conseguir disfarçar.

- Ahh – ele seguiu meu olhar, enquanto coçava a parte de trás do cabelo, e eu quis me chutar por ser tão transparente, aquela garota devia ser amiga dele desde sempre. Em uma cidade pequena como Blaine as pessoas se conhecem desde a maternidade. – Não ligue para a Lyla, ela é estranha às vezes, mas no geral é bem legal, você vai gostar dela.

- Espero que sim. – eu disse jogando minha bolsa na carteira e me sentando – Definitivamente me isolar não é uma alternativa.

- Não é o que o resto da sua família pensa – Will se sentou na minha mesa. – Eles não parecem que estão a fim de turismo por aqui.

- Eles são estranhos às vezes, mas no geral são bem legais. – eu disse rindo e ele sorriu em troca. Um sorriso grande e cheio de dentes.

- Olá Nessie! – me assustei com um garoto moreno que vinha do fundão me chamando. Ele estava na mesa do almoço de ontem. Qual o nome dele? Qual o nome dele? Pensa Nessie!

-Olá. O professor está demorando não é? – eu perguntei para ele, tentando puxar um assunto genérico enquanto colocava minha cabeça para funcionar.

Foi falar no professor que ele apareceu carregando uma caixa cheia de livros. O garoto moreno que veio me cumprimentar voltou imediatamente para o seu lugar, e Will desceu da mesa e se sentou no lugar ao meu lado me dando uma piscadela com o olho esquerdo. Eu me segurei na carteira para não deslizar como manteiga, e voltei minha atenção ao professor.

- Bom dia. – o professor Duran disse todo contente enquanto colocava a caixa em cima da mesa. – Já decidi qual será o primeiro trabalho deste ano.

- Oh droga! Livros! – Will reclamou baixinho.

- Isso é literatura o que você esperava? – eu disse para ele. E Will fez uma careta boba em troca, eu sorri e isso não passou despercebido pelo professor que me olhou feio parando o que estava a dizer.

- Vocês gostariam de dividir com a turma esse interessante diálogo que estavam tendo? – o senhor Duran disse todo imperativo enquanto cruzava os braços.

Eu já estava abaixando minha cabeça quando percebi um toque no meu cotovelo, era Willian se levantando e me puxando junto, tomei o cuidado de me levantar como se ele realmente estivesse conseguindo me tirar da cadeira e o olhei assustada. Ele se virou para mim e começou a falar:

- Do amor as lestes asas me fizeram transvoar o muro, pois barreira alguma conseguirá deter do amor o curso, tentando o amor tudo o que o amor realiza. – ele dizia me olhando intensamente, eu senti o ar faltar aos meus pulmões, e ele continuava falando - Teus parentes, assim, não poderiam desviar-me do propósito.

Era a minha vez de falar alguma coisa, mas eu não sabia como responder aquilo, eu tinha uma vaga lembrança de que toda a turma e o professor de literatura estavam nos ouvindo, mas agora isso parecia uma coisa tão distante. Eu abri minha boca e pelos meus lábios saíram às palavras que rondavam algum lugar da minha memória.

- No caso de seres visto, poderão matar-te. – eu me lembrei que aquilo era um diálogo de Romeu e Julieta.

- Ai! Em teus olhos há maior perigo do que em vinte punhais de teus parentes. Olha-me com doçura, e é quanto basta para deixar-me à prova do ódio deles. – Will segurou minha mão e a trouxe consigo para perto do rosto. Ele estava recitando uma parte da cena do balcão. Que adolescente recita Shakespeare por aí? Meu coração acelerou velozmente, e me lembrei do que deveria dizer.

- Por nada deste mundo desejara que fosses visto aqui. – Pensei em meu pai vendo minhas memórias, era possível que agora mesmo, do outro lado do colégio ele estivesse espionando meus pensamentos e invadindo esse momento tão singelo entre Will e eu.

- A capa tenho da noite para deles ocultar-me. Basta que me ames, e eles que me vejam! Prefiro ter cerceada logo a vida pelo ódio deles, a ter morte longa, faltando o teu amor. – Will beijou a parte de cima da minha mão enquanto me fitava intensamente. Aquele sem dúvida alguma era o momento mais incrível da minha vida, e mesmo com a vaga idéia da minha família fazendo um escândalo por tudo aquilo, não conseguiria tirar o sorriso bobo que estava nascendo no meu rosto.

Fui tirada de meu sonho acordada quando ouvi o barulho de palmas, o professor estava nos aplaudindo com um sorriso que ia de orelha a orelha, e rapidamente o resto da turma se juntou a ele. Eu me encolhi levemente e me sentei bastante envergonhada, Will me olhou com um sorriso sapeca e logo se sentou ao meu lado. O professor fez cessar as palmas e começou a explicar como seria o trabalho.

- Shakespeare? – Foi a única coisa que eu consegui dizer, Will sorriu e mexeu o dedo indicador em movimentos circulares, como quem diz: depois eu te conto.

Abaixei minha cabeça não conseguindo conter um sorriso. Mais um na verdade, perto dele eu não conseguia ficar muito tempo sem sorrir. Voltei minha atenção para o professor tentando focar minha mente em outra coisa que não fosse o garoto ao lado. A escola tinha outras coisas além de Will para me oferecer, bem, pelo menos deveria ter, eu só tinha que descobrir o quê.

Ouvi tudo o que o professor estava dizendo, iríamos trabalhar em cima de um romance por todo o ano. É claro que ele não ia nos dar essa moleza que todos estavam pensando, pelo o que eu entendi cada aluno ficaria com um específico, mas todos iriam ler todos, no decorrer do ano entregaríamos resenhas dos livros lidos e no final do ano um trabalho de conclusão sobre o romance escolhido no início. Dei uma olhada na turma e percebi que haviam cerca de vinte alunos, seria impossível fazer todos nós lermos vinte livros em um ano. Foi como se tivesse ouvido os meus pensamentos que o professor falou.

- Calma gente, não se desesperem! – ele disse para a turma que rapidamente reduziu o falatório cheio de reclamações. – Não teria como cada um de vocês escolher um romance, nós não temos tempo hábil para vinte títulos. Esse trabalho será em dupla.

Dupla? Meus olhos se arregalaram ao ouvir aquela palavra. Trabalhar em dupla significava passar um ano inteiro com atividades fora da escola ao lado de um humano, e provavelmente estaríamos sozinhos. Olhei a turma inteira, sentindo arrepios com os meus pensamentos. Definitivamente isso não era uma opção, não seria nada saudável. Eu poderia cometer algum deslize, alguém poderia sair machucado. E pior, eu poderia colocar o segredo da minha família em risco. E se alguém percebesse que eu sou diferente?

Fiquei tensa o resto da aula, assim que o sinal tocou corri para a mesa do professor. Will me olhou intrigado, mas ele não tinha nenhuma desculpa convincente para continuar na sala e conseguir ouvir a minha conversa com o professor Duran, então não teve jeito, ele pegou suas coisas e seguiu para a próxima aula. Observei enquanto ele saia, e encostei-me à mesa do professor, aflita.

- Pois não senhorita Cullen. – disse o professor me olhando.

- Senhor Duran, eu gostaria de saber se o senhor abriria uma exceção para que eu fizesse o seu trabalho sozinha. – eu disse isso bastante pausadamente, com cautela. Ele sorriu para mim, e eu me enchi de esperanças, para depois cair do meu belo cavalinho cor de rosa.

- Na minha aula não existem exceções senhorita Cullen. – ele manteve o sorriso no rosto e continuou – Acho melhor a senhorita escolher um parceiro logo, ou vai acabar trabalhando com quem sobrar. Como eu disse durante a aula esses livros vão estar na biblioteca, no fim da semana eu quero o nome das duplas e o romance escolhido.

- Mas professor o senhor ainda não me ouviu. Eu tenho um bom motivo para não poder trabalhar em dupla. – bem, eu tinha mesmo. Mas eu não ia compartilhá-lo com o senhor Duran, definitivamente não. Coloque a cabeça para funcionar Nessie, se ele perguntar o seu bom motivo você está ferrada.

- Eu já disse senhorita Cullen dê um jeito, discuta o tema na hora do almoço, faça como a senhorita puder, eu só quero saber do trabalho na minha mesa. – Ele disse isso e saiu da sala me deixando com cara de boba e super atrasada para minha próxima aula.

Fazendo um balanço, no meu segundo dia de aula eu já tinha: um cara por quem eu estava babando, quase literalmente; um professor que eu odiava; e um problema de proporções catastróficas. É, parece que eu finalmente tinha me tornado uma adolescente.

A questão é que problemas de adolescentes humanos normalmente não envolvem você se descontrolar e acabar bebendo todo o sangue do seu colega de trabalho. Meu pai vai ADORAR saber disso, eu já estou até vendo a cara dele. Saí da sala e quando virei à esquina do corredor dei de cara com a minha mãe, ela estava vindo me procurar.

- Seu pai ouviu. – minha mãe disse baixinho, e meio a contra gosto pela cara que ela fez.

- E agora? – eu perguntei experimentando milhares de sensações ao mesmo tempo: ansiedade, nervosismo, raiva, medo, tantas que poderia me perder nelas.

- Vim te escoltar até a próxima aula. – ela disse balançando a cabeça. Eu ia perguntar se isso era mesmo necessário, mas antes que eu dissesse qualquer coisa ela acrescentou – Era eu ou o seu pai.

- Obrigada por essa então! – eu disse a abraçando. - Ernn – uma preocupação veio a minha cabeça – mãe?

- Oi, cuidado! É horrível isso, mas não fique me chamando de mãe, meu amor. – ela disse com uma cara triste enquanto andávamos. – Mas o que você quer?

- O quanto o papai ouviu? – eu perguntei insegura, ela me olhou e percebendo minha cara de apavorada começou a rir.

- Acho que não muito, não tenho certeza. Ele só ficou muito nervoso quando... – ela olhou para os lados, depois pegou minha mão e começou a andar rápido me levando para fora do colégio.

Andamos até o estacionamento e entramos no carro do papai, sorte a mamãe ter sempre uma chave reserva de tudo com ela, eta mulher prevenida! Pensei que íamos fugir para algum lugar, mas minha mãe só ligou o rádio em uma estação qualquer e deixou o volume baixinho.

- Vamos matar aula hoje? – eu perguntei sorrindo.

- Só uma. Acho que precisamos conversar. Só nós duas. – ela me olhou ternamente, e acrescentou – Fique tranqüila, coloquei meu escudo sobre você, nada do que conversarmos vai sair desse carro.

O dom da minha mãe, era na minha opinião, o melhor de todos. Ela podia bloquear qualquer tipo de controle mental, inclusive as intromissões do meu pai. E, além disso, ela conseguiu desenvolver essa espécie de escudo que ela tem, de forma que mamãe consegue de alguma maneira esticá-lo, ela consegue proteger outras pessoas.

- Ah mãe! – eu disse e a abracei, só aquilo já era quase um desabafo. Ela sabia o quanto eu precisava daquilo. Tanto do abraço, quanto do escudo. Poder conversar com a mamãe sem ninguém nos ouvir era tudo o que eu queria.

- Então amor, o que houve? – ela fez um leve cafuné no meu cabelo, desfazendo um dos meus cachos que logo voltou para o lugar.

- Você tem certeza que o pai não ouviu tudo? – perguntei enquanto me sentava direito no banco do carona.

- Certeza eu não tenho. Nem dá para ter. Mas eu conheço seu pai. – ela disse com um sorriso – Ele não estava te espionando. – eu bufei e ela ficou um pouco séria – Estou falando sério. Ele só foi dar uma olhada para ver se estava tudo bem, o sinal do fim da aula já tinha tocado.

- Tudo bem... – eu disse pouco convicta das intenções do meu pai.

- Olha meu bem, você não precisa se preocupar com o trabalho em dupla. Normalmente essas coisas a gente acaba fazendo quase sozinha mesmo! – ela riu, eu ri de volta.

- É, fiquei tão nervosa que nem me preocupei em conseguir um par. Talvez eu acabe ficando com uma daquelas pessoas relapsas que ninguém quer como dupla porque acaba fazendo tudo sozinha. Seria ideal.

- Não se preocupe tanto assim.

Minha mãe é o tipo de pessoa que faz você esquecer os problemas, na verdade ela consegue fazer você esquecer tudo e se concentrar apenas nela. Bem, pelo menos é esse o efeito que ela tem sobre mim e sobre o meu pai.

- Ei, mas o que o seu pai não podia ouvir? – ela disse com um sorriso, daqueles que querem dizer: "O que você está aprontando mocinha?"

Eu sorri um sorriso bastante sapeca, daqueles que eu usava quando era menor, e toquei no braço dela liberando minhas memórias recentes da aula de literatura, mais especificamente meu recital, junto com Will, de Romeu e Julieta. Esse é o meu dom. Eu consigo mostrar os meus pensamentos para as pessoas. Elas vêem o que eu penso na hora que as toco. Quando eu era menor quase não falava, achava mais prático tocar as pessoas e elas logo ficavam sabendo o que eu queria, como eu estava me sentindo. Mas havia uma complicação: os humanos. Então eu logo tive que aprender a restringir meu dom a momentos como esse, quando nenhuma palavra seria suficiente.

É claro que eu já pensei diversas vezes que eu poderia ter um dom mais útil, ou até mais legal. Até porque eu brigo tanto por privacidade que de nada me vale poder deixar as pessoas invadirem a minha cabeça. Mas no geral eu gosto bastante do meu dom, sei lá é uma coisa que nasceu comigo e que me faz ser quem eu sou, mesmo que eu não seja algo totalmente definido, mesmo que eu esteja no meio, entre duas raças. Meu dom ajuda a definir um pouco a minha identidade.

Minha mãe parecia deslumbrada com Will. Na medida em que minhas memórias iam se desenvolvendo o rosto da minha mãe ia ganhando um sorriso cada vez maior. A última coisa que mostrei a ela foi eu perguntando ao Will "Shakespeare?". Não queria que ela visse todos os meus pensamentos sobre a possibilidade de matar um humano, ela não precisava ver aquilo.

- Nessie, como você consegue isso? – eu ia perguntar "isso o quê?", mas ela continuou – Como se já não bastasse você ficar caidinha por um garoto humano, ele tinha que ser assim desse jeito... "uau!"?

Eu tive que rir. Adorei a definição que a minha mãe deu para o Will. Ele realmente tinha um jeito "uau!" de ser, que podia conquistar até uma mãe vampira. Pena que isso não facilitava as coisas.

- Ai mãe! Eu queria tanto ser uma adolescente! Se eu soubesse que ia me enfiar em tanta história, teria preferido demorar 20 anos para crescer.

Dei um jeito de me deitar no banco, toda encolhida, e coloquei minha cabeça no colo da minha mãe. Não existe melhor lugar no mundo do que colo de mãe. Ficamos ali conversando pelo resto de hora que duraria minha próxima aula, depois seguimos para as nossas salas. Assisti tudo o que deveria, fazendo as devidas anotações, as matérias realmente eram muito simples como todo mundo disse que seriam.

Segui novamente para o almoço com minha tia Alice. Chegamos ao refeitório e nos servimos rapidamente, dessa vez tomei o cuidado de pegar apenas o que um ser humano normal conseguiria comer. Eu já estava me encaminhando para mesa da minha família quando Will estacou na minha frente, com um sorriso que seria como dizia minha mãe, uau! Eu parei sorrindo para ele, e minha tia apenas desviou e seguiu em frente, dando um tchauzinho com a mão.

- Ué, não vai se sentar com a gente? – ele perguntou apontando a cabeça ligeiramente para a mesa onde havíamos nos sentado ontem.

- Acho que hoje estou mais para um almoço em família.

- Ah quê isso Nessie! Vamos, nós ainda temos que conversar sobre o trabalho de literatura parceira! – ele disso isso e piscou para mim. Eu acho que fiquei vermelha. E me deixei ser levada em direção a mesa dele.

- Não! – eu disse assim que recuperei o juízo, Will tinha uma facilidade incrível para me tirar de órbita. – Eu não posso ser sua parceira no trabalho.

- Não? – ele perguntou assustado. Ele poderia ter se ofendido, se Will fosse do tipo de pessoa que se ofendesse facilmente, e pelo visto não era o caso. Em meio segundo ele se recuperou e me deu um sorriso meio de lado. – O que foi? Já tem dupla? Está de olho em alguém que eu não saiba?

- Não é nada disso! – eu disse meio aborrecida. Poxa! Ele estava pensando que eu poderia estar interessada em algum garoto.

- Tudo bem, - ele parou de andar e me segurou com as duas mãos – vamos sentar só nós dois para gente conversar, ok? Aí você me conta o que está acontecendo.

Eu fui com ele. Eu tinha certeza que podia dar um desculpa qualquer e ir sentar na mesa da minha família. Mas estranhamente eu não queria inventar nada para Will, eu queria explicar a ele, no entanto eu não podia, teria que me valer de "meias verdades". Olhei de relance enquanto andava e vi meu pai e tio Jasper me observando enquanto eu era levada por Will, mas eu nem liguei. Nos sentamos em uma mesa vazia, mais adiante no refeitório.

- Eu vi que você ficou para conversar com o senhor Duran depois da aula, mas não tive como ficar te esperando.

- É eu fiquei. – olhei para o nada, evitando encará-lo.

- E...? – Ai! Que garoto curioso!

- Eu queria saber se poderia fazer o trabalho sozinha. – disse finalmente, ele arqueou as sobrancelhas em resposta.

- Por que você iria querer fazer esse trabalho sozinha?

- Porque eu não sou boa com trabalhos em grupo. – Ou porque não quero almoçar meu colega de trabalho. Ok, eu não disse a última frase.

- Pode ter certeza que eu não sou desses que vai deixar tudo em suas mãos. Eu gosto de participar. – ele me jogou uma piscadela e sorriu. As vezes ele poderia sorrir menos, só as vezes.

- Você tem certeza que quer fazer esse trabalho comigo? – perguntei me inclinando na mesa para ficar mais próxima dele, Will me olhou e se inclinou também fazendo sim com a cabeça. Cheguei mais perto. Céus! O que estava dando em mim para agir assim? – Então saiba que se alguma coisa der errado, a culpa vai ser apenas sua.

- E o que pode dar errado? – ele perguntou com um ar divertido.

- Não sei. Você pode não sobreviver. – eu o olhei intensamente quando disse isso.

- Nossa Nessie, você vai me matar se não tirarmos um A? – Will não parecia nem se quer minimamente assustado com o que eu disse, bem pelo menos, ninguém vai poder dizer que eu não avisei.

- Reneesme. – disse uma voz atrás de mim. Eu não precisava me virar para saber que era o meu pai. Mas eu me virei mesmo assim. – Lá fora, agora! – ele fez um sinal com a mão indicando a saída.

Eu me levantei, e não foi a contragosto. Sabia que ia levar uma bronca gigantesca, já estava esperando por isso desde a aula de literatura, mas fiquei aliviada em encerrar aquela conversa esquisita com Will. Meu pai segurou meu braço e ia me levando para fora do refeitório.

- Ei cara, você podia ter mais gentileza para falar com ela! – Will se levantou e segurou meu outro braço. Ele não podia ser um cara normal que não teria coragem de arranjar briga com Edward Cullen? Mas não, ele tinha que ser um cara valente.

Meu pai preparou seu olhar mortal e se virou para encarar Will, que do jeito que estava ficou sem o menor sinal de que pretendia recuar. Eu ia intervir, as pessoas no refeitório já estavam começando a reparar que havia alguma coisa errada, e se viravam em nossa direção curiosas. Mas não foi necessário. Meu pai respirou fundo e me soltou, ainda mantendo o olhar em Will.

- Te encontro lá fora. – disse se virando para mim – Não demore.

Olhei para Will e sorri, um sorriso bem sem graça. Ótimo, agora o que eu ia dizer?? Agora ele devia estar achando que eu sou uma menor que é maltratada pela família. Ele vai denunciar o vovô Carlisle ao conselho tutelar, na cabeça dele eu sou uma órfã que é espancada pelo irmão e tem um pai adotivo conivente.

- Edward está nervoso, deve ter acontecido alguma coisa. – eu disse ainda muito sem graça.

- Não fique justificando o que ele faz. – ele ainda mantinha a mão segurando meu braço que estava esticado, então Will me puxou para mais perto dele. – Posso te contar um segredo?

- Pode claro.

- Acho que eu tenho medo do seu irmão. – ele disse rindo, e eu sorri de volta bem mais aliviada. William Maker era um cara normal.

- Pois não parece. – Will soltou meu braço devagar, colocou as mãos nos bolsos das calças, e fez uma cara engraçada balançando a cabeça enquanto olhava para cima. Bem, foi engraçado para mim. Eu tinha que sair para encontrar meu pai, mas tinha uma última pergunta que eu gostaria de fazer a Will. – Ei, você não me explicou como um garoto que não gosta de livros pode recitar Shakespeare por aí?

- Ah isso! – ele riu – Você achou que meu nome era William por acaso? Minha mãe adora as peças do cara, aí quando você ouve esses diálogos desde muito pequeno, tem coisa que simplesmente gruda na cabeça da gente.

- É. – eu concordei rindo. – Bem, eu tenho que ir, antes que Edward dê um ataque. Depois a gente se vê.

Deixei Will onde estávamos e sai me preparando para a grande batalha. Meu pai andava muito nervoso, estava extrapolando. Ele nunca me tratou assim antes, parecia que eu estava prestes a subir na cadeira e gritar: Ei gente eu sou uma vampira! Virem seus pescocinhos para cá!

Quando cheguei ao pátio não havia ninguém lá. Olhei para os lados e nada. Então prestei a atenção na direção do vento e inspirei fundo. O jeito era farejar. Rapidamente encontrei o rastro do meu pai, não só o dele como o da minha mãe também. Andei na direção que meu nariz me indicava e logo comecei a ouvir a voz da minha mãe, eles estavam no estacionamento, mas do lado de fora do carro.

- Você só pode estar ficando louco Edward! – ouvi minha mãe dizer – Se você pensa que pode agir assim com a minha filha, você só pode estar louco.

- Sua filha? Nossa filha! Tão minha quanto sua!

- Pois não parece Edward Cullen! Eu não acredito que você ia arrancá-la do refeitório! – nossa, dava para ouvi-la de longe falando. Até os humanos poderiam ouvir. Mas parecia que eles não estavam ligando.

- Eu tenho que fazer o que for melhor para ela! Você ouviu o que ela estava dizendo para aquele garoto. Eu sou o pai aqui. Eu não vou ser um pai melhor se ficar passando a mão na cabeça dela todo o tempo. – meu pai estava mesmo nervoso. Parei um instante pensando se seria melhor ir até lá ou esperar, enquanto pensava continuei escutando.

- Eu não estou falando para você passar a mão na cabeça dela Edward! Mas pense um pouco. Ela só estava querendo ser minimamente sincera com aquele menino, exatamente como você fez comigo! Exatamente! – Toma! Dá-lhe mamãe! Joga na cara mesmo.

- Ah! – ele fingiu uma risada, isso não combinava com ele, mas tudo bem. – Isso é completamente diferente. Não tem comparação Bella. Quantos anos eu tinha? – ele abaixou o tom de voz, agora os humanos não poderiam ouvir, mas eu sim – Há quanto tempo eu já era o que sou? Há quantos anos eu resistia ao nosso instinto natural? E mesmo assim eu pensei que poderia não conseguir, eu não tinha certeza. Reneesme é apenas uma criança. Esta descobrindo a vida, ainda não tem total dimensão do que ela é e do quanto mal pode causar se quiser. Eu só quero protegê-la. Não quero que nada dê errado. Ela não vai suportar se der errado. Eu não vou suportar se ela sofrer. - Nossa, meu pai é um fofo.

- Edward. – mamãe disse com carinho, eu não pude ver se ela o abraçou ou coisa do tipo, eu estava longe para ter contato visual – Ela já está sofrendo e você só está piorando as coisas. Vamos tentar ser mais razoáveis, por favor. Hein, por favor?

Acho que ela deve estar beijando ele agora. Aí pronto, ele se derrete todo. Homens! Pelo menos me dá uma margem, quando eu chegar ele vai estar mais calmo. Andei devagar, não queria pegar os dois no flagra. O amor dos meus pais era lindo, coisa e tal, mas pegar seus pais no meio de um amasso é sempre traumático. Quando virei a próxima esquina vi minha mãe com a cabeça encostada no peito do meu pai. Cena fofa. Continuei me aproximando com uma cara de aborrecida, mas não aquela aborrecida demais, parecia mais com uma cara de chateada, mas triste ao mesmo tempo.

- Cheguei pai. – eu disse antes de alcançá-los. – Pode soltar a bronca.

- Vem aqui – ele soltou um braço que se envolvia em minha mãe e o esticou em minha direção, eu fui e ele me uniu ao abraço deles – queria me desculpar com minha garotinha por ter sido um tanto quanto violento lá dentro.

- Tudo bem – eu disse inalando o cheiro dele dentro daquele abraço apertado, cheiro de pai é uma coisa calmante.

- Mas não gostei da conversa que ouvi, – eu levantei meus olhos para ele e já ia pensar algo insolente quando ele disse – e nem precisa dizer que não era para eu estar ouvindo, você estava falando no refeitório, qualquer um podia ter ouvido. – ok, ele estava certo. - Não quero mais saber de conversas desse tipo entre você e esse garoto, aliás, entre você e qualquer outra pessoa, você entendeu Nessie?

- Entendi pai. – eu disse mecanicamente.

- Você não só está se arriscando como está arriscando toda a sua família. É isso que você quer? Que nós tenhamos que nos mudar as pressas com medo de sermos descobertos?

- Não pai. Eu não quero isso. – eu disse sinceramente. Mamãe colocou uma mão sobre o meu rosto e sorriu para mim.

- Então tudo bem. Pode ir para sua aula. – ele nos deu um ultimo apertão, e soltou o abraço.

Olhei para os dois por um segundo, e depois me virei indo em direção a minha sala de aula. Estava irritada. Odeio quando meu pai me trata feito um bebê. Eu vim esperando receber uma bronca histórica, e só faltou ele me fazer repetir alguma coisa como: "Prometo que vou me comportar". Estava quase virando a esquina quando ouvi meu pai me chamar. Olhei para trás, ele sorriu e disse:

- Eu te amo.

Eu pensei: eu também te amo seu chato! E quando virei as costas, pude ouvi-lo sorrindo. Pode uma pessoa ser tão irremediavelmente irritante e fofa ao mesmo tempo?

O resto do dia foi absolutamente normal. Confirmei com o Will que íamos fazer o trabalho juntos, mas sem ameaças de morte dessa vez.

Cheguei em casa estressada, aquele foi um dia longo, parecia que não ia acabar nunca. Eu pretendia subir direto para o meu quarto, mas assim que cheguei à sala vi que Tia Rose estava em casa, ela e a vovó conversavam em frente a TV. Fui me juntar a elas, abracei-as e me sentei ao lado da vovó Esme. Receber carinho de avó é sempre bom, eu que estava tensa, relaxei enquanto minha avó fazia cafuné em meus cachos. Estava quase dormindo quando Tio Emmett entrou na sala fazendo bagunça.

- E aí bichinho! Tô sabendo que você mal chegou na escola e já está arrumando a maior confusão!

Bichinho. Esse é o super carinhoso apelido que Tio Emmett colocou em mim. Não adianta o quanto eu peça, eu implore, para ele parar de gritar isso por aí, lá vem ele me chamando, sempre aos berros, de bichinho. Isso até que poderia ser fofinho, mas não tem como não associar à origem do meu apelido Nessie. Minha mãe conta sempre aborrecidíssima, que enquanto ela se transformava em vampiro (parece que a transformação dura cerca de três dias), minha família tratou de colocar um apelido em mim, que segundo ela, tinha um nome belíssimo. Eu gosto do meu apelido: Nessie; o problema todo é que eles tiraram esse apelido do monstro do lago Ness, minha mãe odeia isso, e é daí que vem bichinho.

- Eu não arrumei confusão nenhuma tio Emmett. Eles - eu disse apontando para o nada - é que brigam comigo por nada. - eu finalizei com um beicinho digno de um bebê de dois anos.

- Tadinha do meu Bichinho. - tio Emmett me puxou do colo da minha avó e me deu um abraço de urso. Eu adoro ser caçula.

- Não a mime Emmett - disse a vovó com uma cara nada convincente.

O telefone da minha casa tocou e antes que eu pudesse perceber tio Emmett correu para atender. Eu poderia focar minha atenção na voz do meu tio e ouvir toda a conversa dele com a minha audição vampírica, mas desde sempre fui educada para não fazer isso. Até porque meu pai saberia em um segundo se eu estivesse ouvindo a conversa dos outros, como se ele mesmo não fizesse isso. Tadinho, mesmo nos meus ataques de egoísmo eu não poderia desconsiderar todo o trabalho que meu pai tinha para controlar seu dom, ele realmente ficava desconcertado por ouvir tudo e todos, exceto é claro quando ele estava fuxicando a minha vida, disso ele não se envergonhava. Falando nele, onde será que meus pais se enfiaram?

- Aí Bichinho novidades! - Tio Emmett voltou com aquele sorriso sapeca dele, todo covinhas.

- Novidades boas? - eu perguntei sorrindo.

- Espero mesmo que tenhamos boas notícias. - tia Rose disse do sofá.

- Fala logo Tio!

- Jake ligou, está vindo fazer uma visita no final de semana. - ele disse sorrindo olhando para tia Rose.

- Nossa que máximo! – exclamei.

- Nossa que péssimo! - Disse a dinda.

Jacob Black é o meu melhor amigo no mundo inteiro. Não consigo me lembrar da minha vida sem o Jake. Quando nós morávamos em Forks, ele me visitava todos os dias. Mas nós tivemos que nos mudar... Já faz quase um mês que não vejo o Jake, isso é uma eternidade para nós dois. Mas eu nem posso reclamar, Jacob é um líder na tribo dele. Ele mora na reserva Quileute lá em Forks, e lá eles precisam dele mais do que eu. É difícil pensar que alguém precise do Jake mais do que eu, mas eu faço um esforço para ser altruísta e libero meu melhor amigo para as outras pessoas do mundo.

Minha tia Rosalie não gosta do Jake. Na verdade, eu acho que eles se adoram, mas passaram tanto tempo da vida se agredindo mutuamente que agora simplesmente não conhecem outra forma de agir um com o outro. O resto do pessoal aqui de casa gosta do Jake, principalmente quando ele trás o Seth junto. Seth e o meu pai são amigos. A única coisa que o pessoal reclama quando eles vêm visitar é o cheiro. Lobisomem fede demais.

- O que foi? – perguntou minha mãe descendo as escadas. Todos olhamos para ela ao mesmo tempo. O que será que ela estava fazendo pra não ter ouvido Tio Emmett falar. Todos nos entreolhamos e fizemos uma cara de "aham! Sua sapequinha!"

Depois desce meu pai, olhando pro nada, fingindo assobiar. Olhei para ele e não pude conter um pensamento: "Nossa vocês foram rápidos dessa vez!" Ele me olhou meio sério meio envergonhado.

- Reneesme! – ele disse chamando minha atenção.

- Tudo bem! Você briga comigo por tudo! – explodi – Não posso nem pensar nessa casa!! Pelo menos o Jake está chegando! Ele me entende! O Jake vai ficar do meu lado! – eu disse indo para o meu quarto.

- Quero ver a cara do Jacob quando souber que o Bichinho arrumou um namorado. Quem quer apostar que... – ouvi a voz do Tio Emmett ao fundo, mas nem liguei, bati a porta do meu quarto e me joguei na cama.

Continua...

N/B: Ahh gente a fic é maravilhosaaaaa, ta eu sei que sou suspeita pra falar isso pois sou a beta =P, mais eh a pura verdade, continuem acompanhando que ñ vão se arrepender. A gente quem não queria ser a Nessie? Ter o Ed como pai – tem o lado ruim naodapadarunspeganele/ parei/- e ainda ter o Jake e Will – pq não aparece ninguém parecidos com eles ? parei/² genteh eu so mais doida que a Tataya haushuahuhas Comentem bastante povas \o/ Isso já ta grande d + jah vou indoo

Quem gostar divulga ^^

Xau bjus =*

Thay

N/A: Achei que esse capítulo nunca teria fim. Bem, pra quem está achando a Nessie muito diferente de BD, bem... ela está diferente mesmo. Porque eu estou tentando trazer só o ponto de vista da Nessie, né? E esse é o ponto de vista que ela tem sobre si. Eu penso que o jeito como o Nessie é descrita em BD é como a Bella a vê, o que não significa que é necessariamente a verdade. Deu pra entender né? Por isso alguns personagens tem mais participação que os outros, ou estão ligeiramente diferentes, porque é como a Nessie os enxerga, o que não significa que necessariamente a verdade sobre eles. Acho que estou falando pacas, por uma coisa que td mundo deve pensar igual, eu vou poupar você e calar-me.

/cri-cri-cri

Td bem, eu não consigo ficar quieta por muito tempo, é um fato. Eu também não descrevo muito a aparência dos personagens, pq eu penso q a Nessie não fica reparando essas coisas... eu só descrevo os P.O.s porque é a galera que ela ta acabando de conhecer.

Nesse capítulo pudemos ver um conversa da Bella e do Edward, pq a Nessie é uma fofoqueira! Hehe mas não teremos muito isso durante a fic. Porém o capítulo 5 vai ter um bônus que é um capítulo extra pelo ponto de vista de outro personagem que vai nos dar uma visão mais panorâmica dos acontecimentos.

Agora sim, é só isso! Beijos para as pessoas lindas que comentaram:

Elen C.

Maluh Moony Potter Black

Sabrina - Dg é um shipper (casal) de fics de Harry Potter, no caso Draco & Ginny. Bjok

Marinapz4

Mandinha Chan

Vanessa S.

Hollidaay'

E um beijinho também a Nanda Cullen que favoritou a fic, mas não deixou rvw!

Vlw pessoal, até o prox cap!

Bjok

Tataya Black