Relendo o primeiro capitulo da fic eu constatei alguns erros que não havia percebido anteriormente, mas que agora foram devidamente corrigidos. Quero lembrar-lhes que Inuyasha e seus personagens não me pertencem e sim a Takahashi Rumiko.
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Sora Hime – Capítulo 2
Uma caravana que fazia guarda a uma bela carruagem, adentrava as Terras do Oeste. Dentro do reluzente carro, Hana olhava com tédio e tristeza para paisagem. Para ela sua sorte não poderia ser pior. Na frente do cortejo estavam Takayushi e Fukuyama, ambos a cavalo, conversando sobre o hesito aparente de seus planos até aquele momento.
- A humana está no cio. Consigo sentir o cheiro do sangue que escorre de sua feminilidade. Nenhum youkai resiste a uma fêmea nessas condições. Vamos acelerar a viajem para que cheguemos ao castelo antes que o ciclo dela termine. Ela tem que estar o mais atraente possível – Dizia Takayushi ao filho que não havia escutado nada do que seu pai dizia – Não ouviu nada do que lhe disse, não é mesmo, imbecil?
- Quero a humana, papai! O cheiro dela está me deixando louco. Quero possuí-la agora mesmo! – respondeu o outro que tinha nos olhos o brilho do desejo.
- E estragar todo o nosso plano por você não conseguir segurar seus instintos? Nem pense nisso Fukuyama! Mas isso não impede que você se divirta com a moça. Leve-a para tomar um banho, e tire o maior proveito que conseguir, mas lembre-se de deixá-la virgem – Takayushi sugeriu, maliciosamente, para o filho.
O inuyoukai mais jovem foi até a carruagem fazendo o cocheiro parar para que ele pudesse ter acesso a jovem que estava lá dentro. Hana percebeu que o carro parara e colocou a cabeça fora da janela para ver o que estava acontecendo, dando de cara com Fukuyama.
- Desça! – Ordenou o youkai de uma vez.
- Já chagamos? – Perguntou receosa.
- Ainda não, só chagaremos amanhã quando o sol atingir seu cume. Paramos para que você tome um banho, seu cheiro está perturbando a todos nós!
- Não sou eu quem cheira mal aqui, seu cachorro molhado!- Hana falou brava com o comentário degradante do inuyoukai.
Fukuyama abriu a porta da carruagem e puxou a jovem para fora, pelos cabelos, e começou a arrastá-la pelo caminho que levava a um riacho próximo do local onde haviam parado.
– Tome cuidado com o que diz, sua vadia, não me faça perder a paciência com você! - ele falou e a garota não conseguia conter as lágrimas.
Chegaram à margem do riacho onde ele a jogou no chão e depois a levantou, começando a arrancar suas roupas, lambendo as partes do corpo da jovem que a surgiam a cada peça tirada. Hana se debatia e tentava, inutilmente, afastar o corpo do youkai do seu. Ela gritava, mas sabia que ninguém viria socorrê-la.
Fukuyama terminou de despir a jovem e, mantendo-a junto a si, foi caminhando até a água enquanto beijava-lhe com tanta força, que arrancava sangue da boca da garota. Quando já estavam na água o inu tentou força-la a tocar-lhe em suas partes íntimas, o que Hana tentava, veementemente, não fazer, forçando a própria mão na direção oposta da que o youkai queria.
- Toque-me, onna, é uma ordem! – Ele dizia. Os olhos embaçados pelo tesão de sentir o corpo que ele desejava tão próximo que podia sentir o cheiro do pavor da menina, o que o deixava ainda mais excitado.
- De jeito nenhum, seu porco nojento!- Ela gritava, mas suas forças já estavam falhando e ela começava a ceder à vontade do youkai. Foi quando algo inusitado aconteceu. De repente pedras começaram atingir a cabeça de Fukuyama que, atordoado, soltou Hana.
- Solta a moça bonita, seu malvado! – Gritava uma voz infantil. Fukuyama olhou em direção a voz e viu uma garotinha de cabelos longos e negros, olhos castanhos, trajada com um kimono laranja e branco, e levou outra pedrada que o acertou no meio da testa fazendo-o cambalear.
A criança correu na direção de Hana e se colocou na frente dela com os braços abertos como se tentasse proteger a mulher. Hana abraçou a criança também tentando protegê-la de Fukuyama, que ela sabia que deveria estar uma fera.
- Pirralha! Vou cortá-la ao meio! – O youkai mostrou suas garras e estava para desferir um golpe fatal na criança quando esta gritou com toda a força:
- SESSHOUMAAAARUUUU-SAAAMAAAAAAA!- Fukuyama nem teve tempo de entender o que estava acontecendo. Sentiu uma forte pressão em seu pescoço e percebeu que estava suspenso; as garras de Sesshoumaru arranhado a pele de sua nuca.
- Sesshoumaru! – Foi tudo que o inu conseguiu pronunciar, o medo estampado em seu rosto e voz.
- Fukuyama – Sesshoumaru falou com desprezo, olhou para Rim e Hana. A garotinha mantinha um sorriso de admiração, já a jovem olhava com cara de espanto. Assim que verificou que sua protegida estava bem o youkai lançou o outro longe. Fukuyama foi batendo nas árvores até chegar em uma com o tronco bastante forte que impediu sua passagem. Ele escorregou pela copa do vegetal e caiu desacordado.
- Sesshouamru-sama, o senhor veio salvar a mim e a moça bonita – Disse Rim saindo da água e correndo para abraçar a perna do youkai. Sesshoumaru não permitia que a criança se aproximasse dele com freqüência, mas, ultimamente, ele estava sendo mais condescendente aos carinhos da pequena.
- Por que saiu de perto do Jaken? Não gosto que me desobedeça, Rim! – Ele falou sério, enquanto ignorava por completo a presença da outra humana. Hana estava muito confusa com tudo aquilo, sabia muito bem quem ele era. Era seu noivo, ou melhor, o noivo que Takayushi queria lhe impor. Ele havia dito que não existia youkai mais frio e cruel que Sesshoumaru, mas o homem ali não parecia ser nada disso. Ela poderia dizer que via carinho nos olhos dele enquanto falava com a criança.
- Eu não ia sair, mas eu escutei gritos e não consegui ficar parada. Era uma mulher... ela – Rim apontou para Hana que tentava de todas as formas esconder sua nudez sob as águas, o que já era um pouco tarde para ser feito, pois Sesshoumaru já havia contemplado todo o corpo da jovem e agora voltava a olhá-la por indicação de garotinha – ela é linda,
não é?
Sesshoumaru tentou ignorar o comentário de Rim sobre a beleza de Hana, mas seu inconsciente o forçava a concordar. Como a humana era linda e estava com o cheiro do cio que deixava os youkais machos enlouquecidos. A mulher também olhava para o youkai, não conseguindo negar o quando o achara lindo, mas uma coisa a deixou enojada, algo que ela reparou logo que ele se virou para vê-la: ele não tinha um dos braços. "Isso é demais! Vou ter que me casar com um maneta. Onde eu amarrei meu bode, senhor?", pensou. O inuyoukai percebeu a repulsa da jovem ao reparar que ele não tinha um dos braços, ele só não conseguiu entender o porquê daquilo o incomodar tanto, desde quando ele se preocupa com a impressão que causava em humanos?
- Vamos, Rim! – Ele disse secamente.
- Hai! – A garotinha começou a andar atrás do youkai, mas olhava para onde Hana se encontrava. A mulher agora estava completamente entregue as lágrimas, percebendo tudo que estava acontecendo, desde os abusos sofridos até o fato de que teria se casar com um completo desconhecido em menos de três dias e, para piorar, o desconhecido era maneta – Sesshoumaru-sama, não podemos deixá-la aqui, e quando aquele bobo acordar?
- Isso não interessa a mim, ela que não ficasse se oferecendo para que toda sorte de youkais a perseguisse.
- Eu não estava me oferecendo para ninguém, seu animal! - Hana gritou, o ódio correndo forte em suas veias. Como ele podia dizer que ela estava se oferecendo? Ela era uma vítima de tudo aquilo, e não tinha como fugir.
O youkai parou de andar para voltar seu olhar para jovem, que escondia os seios com os braços enquanto mantinha a parte de baixo do corpo coberto pelas águas. Queria desprezar aquela criatura deplorável, mas algo dentro dele não permitia, algo que ele, com certeza, exterminaria se soubesse o que era.
- Não deveria andar por ai estando nesta condição, onna! O cheiro de seu sangramento atiça os instintos dos youkai machos. A maioria deles é como Fukuyama: uma besta selvagem incapaz de controlar a si mesmo. Querem apenas satisfazer seus desejos primitivos. Tem muita sorte que eu tenha aparecido, mas não terá tal sorte outra vez – Sesshoumaru falou secamente alertando à jovem, depois voltou a caminhar indicando que estava indo embora, sendo acompanhado por Rim, que se mantinha em silêncio. Ouviu o barulho da água se movendo e, não se contendo, ele parou novamente, fitando a jovem.
Hana resolveu deixar o pudor de lado e saiu do rio sem se preocupar com o fato de estar nua perante o youkai. Não poderia ficar ali esperando que Fukuyama acordasse. Tudo que ela queria era deixar aquele lugar e parar de ser observada pelo par de olhos dourados e frios, cheios de desprezo de Sesshoumaru. Caminhado até onde estavam suas roupas ela torcia os cabelos longos para tirar o excesso de água. Pegou o kimono jogado o chão e se vestiu. Os olhos já estavam inchados de tanto chorar.
O inuyoukai não desviou o olhar nem por um segundo, observava cada movimento delicado que Hana fazia até terminar de se vestir. Depois disto ela também passou a observá-lo.
- Perdeu alguma coisa? Se não sou de seu interesse, o que olha então? – Ela perguntou nervosa.
Sesshouamaru nada disse, apenas se virou e voltando a caminhar indo embora em definitivo. Hana ficou olhando até vê-lo desaparecer de sua vista. "Já vai tarde!", pensou tomando o caminho que a levaria de volta ao cortejo. Por mais que sua vontade fosse aproveitar a oportunidade para fugir, ela vivia com as ameaças de Takayushi em sua mente. Não permitiria que nem mesmo uma única gota de sangue inocente fosse derramada por sua causa.
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O senhor das Terras do Oeste manteve-se em silêncio até que ele e Rim chagassem ao local onde Jaken e Ah-uh aguardavam. A garotinha também não falou nada durante todo o percurso o que causou certa estranheza no youkai, porém ele optou por não dar atenção ao fato.
- Jaken! Quero que siga para o castelo junto a Rim e Ah-Uh. Vá, imediatamente, e comece os preparativos para cerimônia. Vou ao túmulo de meu pai – disse ele concluindo sua ordem.
- Ao túmulo do Ssssenhor Inutaisho? Massss por que? – O servo perguntou se arrependendo de imediato com o olhar cortante que seu mestre lhe lançou. O inuyoukai transformou-se em uma bola de energia branca e desapareceu. O resto do grupo seguiu para o castelo como o ordenado.
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Takayushi olhou para a jovem a que caminhava sozinha pela estrada achando o fato muito estranho, onde estaria Fukuyama? Hana passou por ele sem olhá-lo. Ela seguia até a carruagem quando foi bruscamente trazida de volta pelo braço.
- Onde está meu filho? – Perguntou com a fúria nos olhos.
- Por que eu deveria saber? – Ela respondeu cinicamente.
- Cuidado com as suas atitudes, menina. Posso mudar meus planos para você a qualquer momento! – Takayushi apertava o braço de Hana deixando que suas garras ferissem a pele delicada. Ela mordia o lábio na tentativa de amenizar a dor.
- Acho que ele deve estar muito cansado! Estava recostado em uma árvore próxima ao riacho, dormindo profundamente – Ela disse irônica irritando-o ainda mais.
- O que fez com meu filho, sua vagabunda? - Falou jogando-a no chão e levantando as garras para dar uma punição maior por sua insolência.
- Pergunte a Sesshouamaru! – Ela gritou.
- Do que está falando?
- Acho que o Senhor das Terras do Oeste não gostou de ver seu primo tentando se diverti com sua noiva – A mulher sabia que o youkai não agira para protegê-la e que, muito provavelmente, nem desconfiava que ela era sua noiva, mas não perderia a chance de assustar Takayushi.
Ele inspirou profundamente o ar em volta da jovem não conseguindo conter o olhar de horror ao perceber resquícios do cheiro do sobrinho. A menina não estava mentindo. "Ele viu o brasão. Provavelmente a identificou. É melhor eu buscar o energúmeno do Fukuyama, a surra deve ter sido grande em se tratando de Sesshoumaru. Ele defendeu a humana, isso é muito bom. Sabia que você sofreria da mesma fraqueza que seu pai, meu querido sobrinho!"
- Entre na carruagem, onna! – Ele falou depois pegou a estrada para ir buscar o filho.
Ao entrar no carro Hana deu um leve sorriso ao se lembrar do seu "pseudo" salvador. Talvez as coisas não fossem tão ruins quanto pareciam, pelo menos agora ela tinha certeza que Takayushi e Fukuyama não a perturbariam, pois tinham medo dele. A garota deu um suspiro e abriu o sorriso largo encostando-se no banco "Ele tinha que ser maneta, não é mesmo? Se não fosse assim, ele seria perfeito!"
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Sesshoumaru chegava ao túmulo do poderoso Inutaisho. Não gostava de estar naquele lugar, sentia que profanava o descanso do pai. Ele usou a mesma entrada que Kagura havia lhe indicado há poucas semanas quando o maldito do Naraku e o bastardo do seu meio irmão invadiram o local em busca de fragmentos da jóia de quatro almas. "Apenas seres tão baixos buscam o poder fora de si mesmos" ele pensou.
Nunca imaginou que faria isso. Ser forte significa, inclusive, reconhecer uma derrota, por mais humilhante que fosse. Ele tinha o conhecimento que seu poder de youkai dava-lhe uma grande capacidade de regeneração. Ele poderia ter pegado seu braço de volta e fingido que aquela luta enfadonha com Inuyasha nunca ocorreu. Mas ele mostraria aquele fedelho que mesmo partido em mil pedaços seu poder era incomparavelmente maior.
Ele caminhou até o local em que jazia seu braço esquerdo. Era impressionante como a atmosfera do lugar mantinha o membro intacto, não havia nenhum sinal de degeneração. Ele aproximou o braço do ombro mutilado e instantaneamente as partes se ligaram. Seu corpo estava novamente completo.
Ele olhou para o pai fitando-o com intensidade "O senhor vive a me provocar: uma humana. Escolheu uma humana para eu desposar. Os humanos são tão patéticos. Pelo menos ela não tem mais porque sentir tanto nojo. Quanto ao medo, nada posso fazer para tirar isso dos olhos dela, eu também me temeria se estivesse no lugar dela".
CONTINUA...
Espero que tenham gostado, beijos, TCHAU!
