Mudança e permanência
Cap. II
Depois do pequeno desentendimento entre Riza e Olivie, começaram a trabalhar no caso.
- Então, o que é que está acontecendo?
Riza sentou-se sobre a ponta de uma mesa que estava desocupada. Mas a resposta que queria não veio. Os rapazes não conseguiam raciocinar direito tendo uma vista tão bela das pernas da loura, fora é claro a das outras que já haviam se sentado.
- Emma. – a voz da loura ecoou –
A morena em menos de um minuto já estava de pé pegando os relatórios que estavam sobre a mesa do irmão.
- Uma série de assassinatos. Mata mulheres jovens, solteiras e mães.
Riza apenas levantou-se e pegou alguns papéis que antes havia entregado a Havoc.
- Jonathan Makenzi. Saiu recentemente de um sanatório, psicótico. – ela olha para Olivie – O que acha?
- Muito fácil. Não creio.
- O que mais sabe desse homem tenente... Coronel?
Ainda era difícil para Roy chamá-la assim.
- Bem, como os primeiros casos foram registrados no Oeste, recebi ordens de investigar e acabei descobrindo que esse homem saiu do sanatório horas antes do primeiro ataque e não fora visto durante o período em que supomos que o crime aconteceu.
Roy afundou-se mais em sua cadeira e entrelaçou seus dedos. Era um caso desafiador. E devia estar incomodando muita gente para que trouxessem uma equipe do Leste e tirassem Olivie de seu posto na muralha da divisa.
- Hitch.
Foi a voz de Olivie que chamou Kaike.
- Sim?
- Não acharam mais nada de estranho?
- Bem... A família dele é dona de um complexo industrial e o rapaz comandava toda a corporação até três anos atrás quando fora internado.
- Nenhum outro suspeito?
- Nenhum.
- Mas sabemos que ele está aqui no Leste. Mellissa.
A ruiva pegou alguns papéis.
- Homem louro, alto, um e oitenta, com cicatriz na sobrancelha direita visto desembarcando na estação do Leste às sete e trinta e cinco do dia vinte e dois de julho de 1921.
- Isso não prova nada.
Roy se pronunciou.
- Continue, Mellissa.
- Às duas e quinze do mesmo dia ajudou uma moça de aproximadamente vinte e seis anos, solteira, mãe a carregar alguns pacotes. Às vinte horas do dia posterior a mulher identificada como Samira Hatway fora encontrada morta.
- Principal suspeito. Kaike, mova alguns homens para as ruas e tente encontrar o suspeito.
- Espere um minuto, você não pode tomar uma decisão dessa assim...
- Esqueça o Mustang, Hitch. Eu libero.
Olivie sorriu cínica para o moreno que não gostou daquilo. Adorava mostrar para ele quem realmente tinha poder.
- Investigação é comigo. – Maes interveio – Eu cuido disso.
- Que seja! Apenas tente achar alguma testemunha e o suspeito. – a loira massageou as têmporas e sentou-se – Maldita enxaqueca. Obrigada, Olivie.
- E o que eu tenho a ver com isso?
- Eu sei que ele quer provar que eu preciso dele para aprender a ser uma comandante, mas pode falar em seu relatório que eu não vou ceder.
- Como você é problemática. Sabe por que eu faço o que bem entendo? Porque quando o meu pai achou que tinha algo a me ensinar, eu fingi que estava interessada.
- Não tenho vocação para isso.
Emma caminhou até Riza e depositou alguns relatórios sobre a mesa.
- O que é isso? – a mulher arqueou a sobrancelha –
- A papelada da nossa transferência para cá, tem que dar baixa no orçamento e abrir o inquérito com nossa investigação.
- O quê?? – ela deu um pulo da cadeira – Mas eu acabei de chegar!
- Essa novela de novo não! Ninguém gosta de burocracia, mas ela tem que ser feita!
- Mas eu tô com enxaqueca.
- Isso tem que estar na mesa no General-coronel Hawkeye amanhã a primeira hora!
- E quando eu vou embora?
- Toma vergonha na cara, Riz. – Emma ria –
- Como se você fosse um exemplo.
- Mas eu não sou tenente-coronel e não tenho que dar o exemplo para os meus subordinados.
- Kaike!
- Riza, é a sua assinatura.
- Não posso usar um carimbinho autenticado?
Os olhinhos dela brilharam.
- Assinatura.
- Odeio burocracia!
A loura começou a resmungar algumas coisas. E o restante do pessoal estava de queixo caído. Desde quando Riza não gostava de trabalhar? Onde estava a mulher mais certinha do mundo?
O inferno devia ter congelado. Um meteoro devia estar a caminho do planeta. Um dilúvio prestes a acabar com a humanidade.
- Eu não estou vendo isso.
- Cara, eu acho que a tenente foi abduzida e os ETs fizeram uma lavagem cerebral que a deixou parecida com o coronel.
- ¬¬
- Tu viajou legal agora.
- Viajou na maionese.
- Sei lá. Mas que é estranho é!
- Que continue estranho. Aqui só tinha macho e agora tá cheio de mulher gata!
- Isso com certeza! Olhe para aquela Emma... Ui!
- E a Mellissa... Minha nossa!!
- Eu sou mais as louras e a Hawkeye e a Armstrong são belos exemplares!
- Displicência deve ser contagioso! Já não basta o Mustang de inútil? Os subordinados não poderiam ser lá muito diferentes! O general Hawkeye vai gostar de saber disso.
Ela deu um sorriso malvado para o Mustang.
- Olha aqui Armstrong, você pode ser general, mas está na minha sala! Esse caso foi passado para as minhas mãos e os meus subordinados são de minha responsabilidade!
Olivie soltou uma gargalhada.
- Além de displicente, ultrajante! Isso pode te custar uma promoção idiota!
- Eu não tenho saco para agüentar você!! E não tenho medo das suas ameaças!
Roy levantou-se.
- O gatinho acha que pode ser um tigre! – ela ri – Mas te garanto que comigo você não tem vez! Ou faz as coisas a minha maneira, ou vai ser rebaixado!
- Eu não tenho medo de você!
- Pois devia, pois quando sou boa sou ótima e quando sou má sou perfeita. E não vai achando que o seu sensei vai fazer alguma coisa, devo te lembrar que ele rebaixou a própria filha, mas com uma diferença, com ela ele não vai prejudicar a carreira e eu muito menos. Agora com você... A história muda, porque sou capaz de fazer sua caveira e te enterrar!!
A loura dá as costas para Roy e sai da sala, deixando-o vermelho, azul, roxo, verde de raiva! Aquela mulher era um demônio! E ia ficar ali curiando na investigação dele!
Os olhos dele seguiram até a mulher que não parecia muito feliz trabalhando, se bem que parecia que ela estava era fingindo! Kami-sama, o inferno devia estar congelando!
Já se passava das oito horas quando Roy e Riza terminaram suas respectivas papeladas.
- Eu mato a Emma! Aquela cachorra foi embora e me deixou aqui!
Roy levantou o olhar apesar de perceber que ela não falava com ele e sim sozinha.
- Também te amo, piranha!
- Para de me chamar de piranha, sua vaca!
Roy arqueou a sobrancelha e Kaike que entrou na sala logo após Emma explicou.
- Não repara não, tem dias que elas soltam os zoo! Você tem que ver quando junta a Mell e a Olie.
- Cala boca, loiro oxigenado, a conversa ainda não chegou no salão!
- Oxigenado é o cabelo da Riza.
- Se inveja matasse! Seu sonho é ter um cabelo tão louro quanto o meu!
- Vai te catar!
- Me manda eu me catar de novo que eu te jogo nas mãos da Olie!
- Uma maníaca por outra. É trocar seis por meia dúzia!
- Vamos embora daqui antes que eu cometa duplo assassinato!
As duas saem da sala e Roy fica parado meio sem saber que pessoa era aquela.
- O que aconteceu com a minha amiga de infância?
- A Riza nunca bateu bem, só piorou e fora que ela está irritando o pai que quer colocar arreios nela.
- Bem... Eu já ajudei ela a ir para festas escondida na adolescência, mas... O que eu vi hoje...
- Ela fala, reclama, mas sempre faz tudo. A Riza é uma história a parte e quando junta com aquelas duas... Eu prefiro não comentar!
- E ai? Vamos tomar uma?
- Não cara. Eu já tenho compromisso.
- Depois falam de mim.
- Não é esse tipo, as garotas vão sair e sobrou para mim ir com elas.
- Sair com amigas? Isso não me parece muito divertido.
- Você nunca saiu com aquelas quatro! Fora que elas têm muitas amiguinhas!
- Hummm...
- Bem cara, fui!
Continua...
