N/A: Nesta fic, Nefilins são híbridos nascidos da copulação entre anjos caídos (demônios) e mulheres mortais. Eles possuem aparência humana, podem viver por séculos e tem grande força.

— Malditos nefilins! — Quinn repetiu ao sair do bar enfrentando o vento gélido da noite. Eles não poderiam ter aparecido em pior hora. Ela estava tão perto de alcançar seu objetivo e encerrar mais uma missão com sucesso. Mas eles tinham que se mostrar justo agora. Quinn não podia sequer entende-los. Nefilins estão sempre declarando seu ódio eterno pelos anjos, em especial aqueles que os procriaram, mas é só você matar seus progenitores e eles vêm atrás de você querendo vingança. Num dia normal ela não teria se importado, eles podem ser fortes e em grandes números são difíceis de derrotar, mas ela é Quinn Fabray e meia dúzia desses infelizes nunca será páreo para ela.

Agora o anjo precisava procurar Rachel novamente. Ela tinha certeza que a morena não voltaria aquele bar tão cedo. E se a succubus decidisse sumir, Quinn teria muito trabalho para encontra-la. Só havia uma criatura na cidade que poderia dar ao anjo a localização exata de Rachel ainda essa noite. A loira não queria ter de recorrer a Ela, mas essa era a única saída. Quinn odiava ter que pedir favores.

O anjo se dirigiu ao local onde sabia que poderia encontra-la. Chegou e entrou direto sem ser barrada pelos seguranças. Ela podia ouvir as pessoas na fila do lado de fora gritando maldições. Quinn seguiu direto para a área vip, Ela só poderia estar lá. Ainda que não fosse a proprietária do lugar, ela ainda estaria na área vip.

Enquanto caminhava, o anjo se perguntava por que as pessoas gostam tanto de lugares como esse. Ela nunca entendeu o fascínio dos mortais por esse tipo de ambiente. A música é de péssima qualidade e muito alta, como eles poderiam manter uma conversa decente? Além disso, o cheiro de suor e bebida é insuportável. E você simplesmente não pode usar o banheiro (não que ela tenha essa necessidade) sem tropeçar em um casal fazendo sexo. Então, Quinn realmente não entendia por que esse tipo de lugar faz tanto sucesso.

Quando chegou a área vip, o anjo não demorou muito para avistá-la. Ela sempre foi boa em se fazer o centro das atenções. Estava lá, rodeada por outras criaturas da noite, e com sua companheira loira sentada em seu colo.

— Lopez — o anjo disse como forma de cumprimento.

— Fabray — Santana respondeu, não parecendo nem um pouco surpresa.

As outras criaturas mexeram-se inquietas. É claro que eles sabiam quem é Quinn. E era mais do que natural ficarem com medo em sua presença. O anjo deixou um pequeno sorriso desdenhoso puxar no canto de seus lábios ao perceber seu efeito sobre eles.

— Vejo que você ainda se mistura com a escória de sempre — Quinn escarneceu. O anjo percebeu o olhar magoado no rosto da companheira de Santana. Dificilmente a loira sabia o significado de "escória", mas ela com certeza pegou o sentimento de que era uma coisa ruim — É claro que eu não me referia a você, Brittany. — o anjo acrescentou e viu um sorriso brilhante nascer no rosto da loira. Como uma vampira poderia parecer tão inocente é algo que Quinn nunca vai entender. Durante muito tempo o anjo odiou a loira por fazer Santana cair, mas hoje ela já conseguia olhar para as duas sem sentir vontade de apresentar Brittany à morte final.

Santana e Quinn eram parcerias no trabalho celeste. Elas lutaram lado a lado em muitas batalhas. Uma completava a outra. Enquanto Quinn era calculista e fria, Santana era impulsiva e apaixonada. Quando trabalhavam juntas, todos comentava como elas pareciam uma máquina bem ajustada. Foi assim até o dia em que Santana conheceu a vampira loira. Depois disso as coisas nunca mais foram as mesmas. Não foi realmente uma surpresa quando Santana comunicou a Quinn sua decisão, mas isso não impediu o anjo de tentar fazer a amiga a mudar de ideia. Essa foi a primeira batalha que Quinn perdeu em milênios. Santana caiu e se tornou um demônio.

— Eu preciso falar com você, Lopez — vendo que ninguém se retirava, Quinn acrescentou — a sós.

Os "amigos" de Santana não perceberam que essa era a sua deixa para sair— Bem, o que vocês estão esperando pra se retirar? Um convite formal? — o demônio perguntou. É claro que depois da declaração todos começaram a se levantar e partir rapidamente, deixando as três sozinhas. Brittany e Santana nunca se separam.

— Você já deve saber por que estou aqui.

— Sim. Eu ouvi algo sobre sua busca — Santana falou com indiferença fingida.

— Paremos com os jogos. Você sabe muito bem onde e com quem está o que procuro. Nada acontece em sua cidade sem o seu conhecimento.

O antigo ser celestial deu um sorriso presunçoso — Massagear meu ego não vai me levar a te ajudar, Quinn. Mas reconheço que é um bom começo. Você sabe como as coisas funcionam, o que tem pra me oferecer?

Quinn já imaginava que em algum momento essa pergunta surgiria. Ela tomou isso como um bom sinal. As coisas estavam indo como o previsto, o que significa que logo ela teria o que buscava. — Que tal eu permitir que você e sua pequena vampira continuem existindo?

O primeiro impulso de Santana era atacar. As duas teriam uma boa briga, mas ambas sabiam que no final a loira venceria. Felizmente pra morena, a presença de Brittany a acalmava. Com a companheira a seu lado ela aprendeu a controlar melhor o seu mau gênio e analisar a situação antes de agir. Santana sabia que tinha a melhor mão, ela não iria cair no blefe da outra. Foi Quinn quem a procurou, é ela quem precisa de ajuda.

— Ameaças não te deixaram mais perto do seu objetivo, Fabray — o demônio falou com uma calma que surpreendeu o anjo. Quinn esperava uma explosão à la Santana Lopez. Brittany sorriu contra o pescoço da companheira — É assim que as coisas vão ser — a morena continuou — eu vou te dar o que você veio buscar e em troca você ficará me devendo um favor.

O anjo não gostou da proposta. Dever favores a um demônio nunca é uma boa ideia, ainda mais quando se trata de Santana Lopez. A morena já era um demônio mesmo quando era um anjo, se é que isso faz sentido.

— Desde que não seja algo considerado traição ao meu lado — a loira respondeu. Ambas sabiam que é tanto quanto Quinn podia ceder, e parecia bom o bastante para Santana, então o demônio concordou.

Santana fez sinal para uma garçonete pedindo papel e caneta, no que foi prontamente atendida. Escreveu algo e jogou sobre a mesa. Quinn pegou o papel e viu que era um endereço.

— É o endereço do prédio onde ela vive — o demônio esclareceu. O anjo assentiu e levantou para sair.

— Tenha cuidado, Quinn — o anjo parou ao ouvir as palavras de Brittany. Foi a primeira vez que a vampira se dirigiu diretamente a ela. Curiosa, Quinn voltou sua atenção para a loira.

— Não se preocupe, Brittany. O levarei para ser destruído, imediatamente — enfatizou.

— Eu não me referia ao medalhão — a loira disse olhando pra Quinn de um jeito que só ela conseguia. Quinn sentia como se estivesse sendo esquadrinhada, como se a vampira pudesse vê-la no mais profundo de seu ser. O anjo se mexeu incomodada — Ela sabe que você está chegando. Ela passou por aqui mais cedo e disse a Santana que você viria por ela.

— Brittany — Santana repreendeu a vampira.

— O que Santy? — a loira perguntou sem se deixar incomodar — é a verdade.

— Sim, mas nós não temos nada a ver com isso — a morena respondeu.

— Quinn é sua melhor amiga, e eu gosto de Rachel, ela é quente. Eu não quero ver as duas se destruindo.

— Vocês sabem que eu ainda estou aqui, certo? — o anjo perguntou, revoltada. Como essas duas ousavam falar dela com se ela não estivesse presente?

— Desculpe, Quinn. — Brittany pediu — A propósito, você ficou sexy com o cabelo mais curto.

"Deve ser verdade, já são duas só hoje", uma parte do anjo pensou. — Uhm... obrigada? —falou meio atordoada com a mudança súbita de assunto.

— Quando você precisar falar com alguém, venha até nós — a vampira ofereceu. Quinn ficou um pouco desconfortável. Anjos são conhecidos por seu orgulho. Fosse qualquer outro e ela teria feito esse pobre coitado se sentir a mais insignificante das criaturas. Mas sendo Brittany, ela tentou relevar — Santana pode ajudar. Ela entende pelo que você está passando.

— Brittany — Santana advertiu e dessa vez a loira ouviu. Mesmo Brittany podia reconhecer que estava forçando demais.

Quinn deu um breve aceno de despedidas e se retirou, mas não antes de ouvir Santana gritando por cima da música: "Você me deve um favor, Fabray".

O anjo saiu do Clube e caminhou até um beco escuro. Depois de se assegurar que não havia ninguém por perto, ela retirou o sobretudo negro, deixando suas asas livres. Quinn esticou ambas ao máximo e em seguida se lançou para o céu de Nova York.

Ao mesmo tempo, no terraço de um prédio no centro, Rachel assistia aos transeuntes. "Tão pequenos correndo de um lado para outro com suas vidas insignificantes", a morena pensava. A cidade parecia tão pacifica. Uma forte rajada de ar acompanhada por um farfalhar de asas chegou a seus ouvidos, vindo de algum ponto às suas costas. Sem virar-se, a succubus teve certeza de que Quinn havia acabado de chegar e pousara próximo a ela.

Quinn avistou o terraço do prédio que procurava. Ela pôde diferenciar a figura de uma mulher pequena. O anjo parou a alguns metros da morena. Quinn acompanhava quase hipnotizada o movimento dos longos cabelos negros tremulando ao sabor do vento.

— Uhm — Quinn deixou escapar de seus lábios quando o vento trouxe o perfume da sucubus até ela. Uma fragrância exótica, embriagadora, afrodisíaca. "Por que o vento tem o direito de deslizar entre seus cabelos e conquistar seus pulmões, roçar seus lábios, aspirar sua pele e apertar seu corpo contra ele próprio?", eram os pensamentos invejosos que assaltavam o anjo.

O som fez Rachel virar-se e encarar a loira. E foi a vez da succubus soltar um ofegar. Quinn parecia tão bonita, tão etérea, tão delicada, com esse olhar cativante e essa tez branca perfeita, com o cabelo dourado voando emoldurando seu rosto.

— Rachel... — Quinn falou em um sussurro de adoração.

— Quinn... — Rachel respondeu no mesmo tom.