Bem gente, obrigada pelas reviews, fico muito feliz de que antes que eu começasse a postar vocês já estivessem procurando a historia...

Ela é nem bem pequena, e vou dividi-la de 5 a no Maximo 7 partes, e espero que gostem..

Beijos!!

Capitulo 1

Isabella Swan acabou de escrever o anúncio e suspirou deixando a caneta velha de lado enquanto o relia. Nada mal para uma mulher que recebera tão poucos ensinamentos escolares. Dobrou delicadamente o papel puído e escurecido pelo tempo e umidade. Não queria pensar nas conseqüências do que fazia. Precisava desesperadamente de ajuda, ninguém poderia dizer que não tentara, mas desde do começo sabia o que teria que fazer. Seu destino era esse. Olhou por um momento a fazenda que tornara sua depois da morte de sua mãe. Do pequeno cômodo podia-se ver um bom pedaço de terra fértil e bonita, porém abandonada.

Estava em péssimo estado. O gado era pouco e disperso pela imensa terra, a casa estava caindo aos pedaços e o celeiro...estava literalmente desabando, como comprovara momentos antes. Sabia que poderia encontrar ajuda de alguns homens na cidade, mas o preço a pagar seria muito caro, ela bem sabia. Como filha da mais famosa prostituta daquela região não podia se dar ao luxo de aceitar favores despretensiosos de homens...e se tivesse que vender seu corpo como a mãe sempre fizera, queria um preço justo por ele...casamento. Sabia que nenhum homem ali pediria sua mão e por isso escrevia aquele anúncio ridículo. Fechou o envelope suspirando novamente. Depois de anos vivendo a sombra da mãe , morando em um quarto minúsculo ao lado do quarto onde ela recebia clientes, ali estava ela, com dezenove anos, um pouco de dinheiro, uma fazenda falida e pronta para seguir o exemplo de sua mãe...mas trataria de garantir que seus filhos tivessem um futuro melhor que o dela e que não fossem discriminados. Uma lágrima rolou e caiu sobre a mesa velha. Não podia dizer que tinha sido mal criada, sua mãe ensinara valores para ela. Valores que ela mesma nunca respeitara. Mas não ensinara muito acerca de como sobreviveria sem dinheiro e sem ajuda. Porém não embarcaria naquela vida famigerada que destruíra sua mãe, isso nunca.

Endereçou o envelope para um jornal cidade bem ao nordeste dos Estados Unidos, imaginando que ali, talvez, encontrasse um homem trabalhador e com vontade de criar raízes no oeste. Um homem que necessitasse de uma esposa para lhe dar filhos e um pedaço de terra para trabalhar. Esperava que isso não fosse algo tão difícil, mesmo sabendo que devia ser a única mulher que mandara um anuncio deste tipo para o conhecido jornal do leste. No mínimo iriam rir muito dela e ignorar o anuncio...ou quem sabe lá a sociedade não se chocasse mais com procedimentos daquele tipo, só lhe restava rezar para que um milagre acontecesse e este homem que ela tanto esperava aparecesse e fosse ele a resposta de suas preces...tinha certeza que Deus ouvia orações de todos os seus filhos...mesmos que estes fossem filhos de prostitutas como ela. Ou onde estaria a compaixão divina e o que valeria anos de devoção e altruísmo? Se encaminhou para o celeiro onde a charrete já estava arrumada com o cavalo malhado e manso que na fazenda encontrara. O animal parecia mais faminto do que ela e mais magro também, apesar de achar isso difícil. Esperava que o homem de seu futuro entendesse de cavalos e bois, além de plantação ou estaria perdida. Não precisava de um rapaz aventureiro em sua vida como muitos daqueles que apareciam para se divertir no saloon de Mike. Cheios de idéias e esperanças. Queria um homem objetivo, que não lhe maltratasse muito ou apenas a tratasse com indiferença que se dispensava a esposas naquelas bandas. Não era esperar muito, mas era isso que precisava neste momento. Sua mãe acreditara em um jovem sonhador e onde ela fora se meter...numa velha cidade do oeste como prostituta, vendendo a única coisa que tinha, seu corpo. Mas ela não. Seu preço era mais caro, apesar que, desconfiava, não menos triste e desapontador no futuro. Mas teria seus próprios filhos. E estes dentro do matrimônio, isso sem dúvida compensaria toda a tristeza de estar ao lado de uma pessoa que não lhe dedicava afeição e nem ela a ele.
Mas quereria respeito! Isso sim não poderia faltar em seu lar! O homem teria que tratá-la como uma mulher de respeito pois é nisso que ela se transformara, ou pelo menos lutara para se transformar ao longo dos anos. O homem lhe deveria pelo menos isso em troca de seus filhos e sua terra. Não toleraria uma humilhação de ser tratada como uma qualquer dentro de sua própria casa. Subiu na charrete e fez um gesto amplo com as mãos incentivando a animal a andar. A cidade estava a algumas horas da fazenda...pelo menos naquele ritmo de velocidade.

Tocou a toca que escondia seus cabelos e olhou para o vestido marrom e rústico feito com tecido grosso e disforme. Não poderia ser exemplo de melhor seriedade na cidade. Mas isso não a impedia de ouvir falatórios. Por isso que cada vez que era obrigada a fazer uma viagem a cidade sentia calafrios. Evitava Mike sempre que podia, ele e suas propostas indecentes. Evitava aquele trio horripilantes de beatas que sempre pareciam persegui-la onde quer que fosse e evitava acima de tudo evitava Jacob Black.

Edward Stuart sabia que não tinha outra saída. Aquele anúncio tinha sido sua salvação. Olhou para os outros passageiros do trem esperando que ninguém notasse seu nervosismo. Porém tinha o direito de estar nervoso. Conheceria sua noiva daqui a poucos minutos, chegaria em sua nova cidade e poucas horas depois estaria casado. Baixou os olhos para suas roupas e suspirou desanimado, esperava que sua futura esposa não fosse muito crítica em relação a suas vestimentas, nem em relação ao seu cheiro ...nem a limpeza. Deu um sorriso torto enquanto tentava limpar a calça velha que era dois números acima de seu tamanho e pensou no que estava prestes a encontrar. Que tipo de mulher poderia ser sua noiva? Tinha as piores expectativas. Naquele fim de mundo , onde mulheres eram raridades, uma mulher ter que procurar muito por um marido era no mínimo mal sinal...e ter que colocar um anúncio era pior ainda! Mas isso não era importante naquele momento. Precisava simplesmente de um lugar onde pudesse viver o resto da vida em paz.

Observou a cidade de Paradise se aproximando e pensou que ainda podia passar por ela e ir trabalhar nas minas...Mas a lembrança da terra era mais forte. Era um fazendeiro por família e não poderia resistir a este apelo. Mesmo que suas terras não existissem mais, mesmo que sua família não existisse mais daqui por diante, não saberia fazer outra coisa.

Esperava que suas futuras terras fossem como a mulher descrevera. Tocou as cartas no bolso, que eram no total de trêês cartas que descreviam a cidade, as pessoas,e brevemente a sua futura noiva não tinha pintado um quadro bonito para esta última. Pelo contrário, ele podia perceber que a necessidade de marido vinha da necessidade de ajuda e da falta de motivos para um mulher se casar...maus motivos para um homem se casar com a mulher em questão. Mas ainda se ele não tinha mais do que alguns dólares na bolsa.

O trem parou suavemente na estação enquanto ele pegava sua bolsa onde trazia algumas roupas, não muito melhores do que as que vestia, e seu dinheiro. Mas nada. Não podia voltar atrás agora. Um "quê" de culpa assolou sua mente e tocou novamente as cartas, eram elas que provariam que ele era quem dizia ser...mesmo que não fosse.

Bella olhou no espelho mais uma vez antes de sair da fazenda subir na charrete que era guiada pelo cavalo magrelo. O jovem Edward Stuart chegaria naquela tarde e daqui a poucos minutos seria uma mulher casada. Ajeitou a touca no cabelo até que nem um fio do cabelo marron e encaracolado, como os da mãe, fosse vizualizado. Ela sempre evitava que algum morador na cidade os visse e fizesse comparação. Não que as pessoas da cidade eram importantes para ela, mas não gostaria que falassem sobre sua mãe. Ela fizera o que era possível para criar sua filha da melhor maneira, mesmo que esta maneira não tenha agradado aos puritanos da cidade. O vestido marrom escuro cobria desde do pescoço até os pés calçados com botas pesadas. Sentia muito calor com ele mas não tinha outros modelos e na verdade não queria ter. Sua mãe a acostumara esconder o máximo possível de seu corpo para que os homens recebessem uma mensagem clara da parte dela. E ela não queria mudar isso. Nem mesmo com seu marido. O serviria na cama, certo. Mas como um dever a ser comprido, nada mais.

Estremeceu ante o pensamento. Seria ele gordo? Magro? Alto? Pensou em Jacob Black e arrepiou-se. O homem era grande e nojento e olhava para ela de um modo que lhe dava ânsia de vomitar. Se seu marido fosse como ele...
Espantou os pensamentos ruins enquanto se aproximava da cidade. O trem estava parando na estação e ela apressou o animal até ficar perto da construção grande. Era a única esperando alguém ali,o que não a espantava já que quase não se via forasteiros na cidade e na maioria das vezes o trem passava direto. Apeou da charrete e passou a mão no rosto imaginando quantas sardas novas aparecera em sua pele clara naquele dia.

Sua origem irlandesa era gritante ."Uma pura irlandesa", como dizia sua mãe, "Cabelos Marrons como chocolate, pele branca como leite e temperamento forte como uma mula." Só que ela não concordava com este último. Se achava muito calma e controlada. Pelo menos ela tentava. Neste momento ela não se achava tão controlada assim.

Aproximou da plataforma vagarosamente. Notando o barulho do locomotiva parando suavemente. Depois silêncio. Ela encostou na parede de madeira e mordeu os lábios. "Oh meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?" Começou a tremer enquanto um empregado da ferrovia abria a porta de um dos vagões e colocava uma escada portátil embaixo da mesma. Apertou os punhos ao ver uma bota grande, suja e empoeirada aparecer. "Vou embora!" Sentiu suas pernas tremerem quando a o outro par de botas apareceu juntamente com um pedaço da calça que estava rasgada e muito suja. "É um porco", pensou apavorada começando a andar para trás devagar pensando em fuga estratégica. Mas ele sabia seu nome.... Tinha meios como encontrá-la. E se falasse a respeito do casamento para os habitantes de Paradise? "Não me importo." Repetiu para si mesma enquanto via o resto do corpo do noivo. Era robusto, pernas grossas e mãos grandes. Abraçou-se recuando mais um passo. Os braços eram visíveis pois a manga estava arregaçada. Muitos pêlos, forte, muito forte, observou a musculatura dele e balançou a cabeça.

Todos seus temores tinham virado realidade. O homem era um bruto como Jacob, um nojento como todos os outros da cidade. Escolhera mal seu pretendente entre as cartas e teria que devolver o dinheiro da viagem e faze-lo voltar. Fechou os olhos triste e balançou a cabeça. Por que tudo de ruim tinha que acontecer com ela? Nada fizera de mal na vida! Tinha sido um exemplo de obediência a vida inteira. Ajudava os pobres da periferia da cidade, ia na igreja todos os domingos. Lia a bíblia todos os dias e estava ali, sozinha e triste.
Abriu os olhos no momento que o homem virava em sua direção. Prendeu a respiração e esqueceu-se do resto a não ser dos olhos verdes que encaravam. Eram lindos, os olhos mais lindos que ela já vira. Não podia ser aquele... sem pensar voltou todos os passos que ela tinha recuado e começou a se aproximar do homem notando a grande estatura, as sobrancelhas grossas, o nariz meio grande e os cabelos mais compridos do que via normalmente em um homem. A barba rala cobria parte de seu rosto. Ela notou cada um destes detalhes e imaginou por que nada disso a fazia achá-lo feio ou teme-lo. Por que de repente sentia certa do que ia fazer. Tentou não sorrir quando ele deixou a mala cair no pé soltando um palavrão e arregalando os olhos logo depois.
- Des...desculpe-me...Srta. Swan?

Edward estava embaraçado. Muito. A última coisa que pensava encontrar naquela plataforma fosse um moça tão jovem e nem tão bonita quanto aquela. Esperava encontrar um mulher séria e feia...não uma...uma...Não soube o que pensar e olhou novamente para aqueles olhos castanhos e para o meio sorriso que ela ostentava. Por que ela não sai correndo? No lugar dela eu já estaria chorando...

- Acho que ouve algum engano...- tentava imaginar o que iria acontecer agora.

O sorriso dela desapareceu.

- Engano?

- Quer dizer...você é Srta. Swan?

- Sim sou eu. E você é Edward Stuart?

- Lógico! - ele declarou enfático.

- Então é meu futuro marido. - ela declarou com um tom de determinação e depois olhou para a mala caída ao chão - Espero que não tenha mudado de idéia.

- Não...E ...você?

- Eu o que? - ela voltou-se e o encarou. Era linda, pensou ele olhando para a pele cheia de sardas e tentou ver a cor dos cabelos sem conseguir. Mas não importava.

De repente ele soube que fizera a coisa certa. Nada no mundo devia ser tão agradável quanto ser o marido daquela mulher.

- Você não mudou de idéia?

- Não posso fazer isso, preciso muito de ajuda e conseguir outro marido será muito trabalhoso.

Sem dúvida aquilo não fez bem para sua auto estima. Tentou não demonstrar o desapontamento que sentiu com aquela resposta. Ela parecia uma mulher séria, séria demais. Não combinava com a vivacidade dos olhos castanhos e nem com a juventude dos traços.

- Podemos ir para igreja? - ela perguntou olhando novamente para sua mala.- O pastor vai estar esperando por nós.

Ele sabia disso. Tinha lido nas cartas tudo que ela programara. Um casamento rápido e depois iriam para a fazenda. Só os dois. Ficou vermelho por pensar naquilo. Nada tinha sido falado sobre isso nas cartas. O modo como agiriam naquela noite era uma oncógnita para ele. Em todos os sentidos.

Olhou para baixo e balançou a cabeça pegando a mala devagar. Não iria pensar nisso agora, nem sobre sua noite de núpcias nem sobre um vestígio de culpa que estava sentindo. Aquela mulher precisava de um marido e ele de um lar. Estavam trocando favores. Apenas isso.

- Sim, vamos lá.

- Pode beijar a noiva.- a voz do pastor Gabriel fez que ambos pulassem assustados e se encarassem.

Bella deu um passo para trás e depois corou voltando para o mesmo lugar.

- Desculpe. - murmurou. Não devia se mostrar temerosa do que ia acontecer. Era o único beijo que eles trocariam. Sabia que casais não se beijavam normalmente depois de casados e procuravam as mulheres apenas algumas vezes no início do casamento. Sua mãe deixara muito claro como seria um casamento nos moldes sérios. Sem gemidos e gritos que ouvia em seu quarto todas as noites...Fechou os olhos e inclinou a cabeça. Seu corpo, seu lar, sua comida em troca de segurança e mão de obra. Era degradante. Não. O que a mãe fazia era degradante. O que ela fazia neste momento era o que todas as moças de família faziam. E ela tinha quer ser uma moça de família se queria que seus filhos tivessem um nome e pudessem andar de cabeças erguidas.

O beijo veio tão leve que ela mal percebeu. E logo depois o homem afastou como se também temesse um contato maior. Isso era bom. Sem muitos contatos. Como devia ser um casamento sério.

Minutos depois do lado de fora, na rua. Ela tremia. Estava feito. Estava casada. Olhou de lado para poucas mulheres que conversavam perto do grande mercado e corou. Lógico que elas estavam ali para vê-la. Não tinha dúvida disso pois vivia ali desde de dez anos. Estava acostumada com aquelas pessoas. Jessica Stanley, Lauren Malory e Tânia Denali eram as damas da cidade. Irmãs, elas eram praticamente idênticas, com todo aquele cabelos castanho amarrado em coques, olhos malignos e peso acima do normal. Tudo que ali acontecia passava pelo julgo do trio. Pensou em quantas vezes sua mãe entrara naquele quarto xingando aquelas mulheres e depois mais tarde dormia com os maridos das mesmas.

Mordeu os lábios espantando as imagens da cabeça e acelerou os passos ao passar perto do local. Não pensou em dirigir a palavra para nenhuma das mulheres, pois sabia que não seria respondida. Mas isso não impediu de ouvir o comentário maldoso.

- Como dizem...filho de peixe.....

Fingiu que nada escutara e olhou de lado, para seu esposo. Ele parecia nada ter ouvido ou não dado atenção aquelas palavras. Adiantou o passo até onde tinha deixado a charrete. Os mantimentos que estavam na lista entregue a Tayler estavam lá.

- É com Tayler que faço compras. - ela murmurou - O que for preciso você pode vim aqui e comprar com ele. Eu o pago a cada duas semanas.

- Claro. - ele concordou movendo a cabeça devagar.

Ela estreitou o olhar.

- Alguma pergunta?

- Na verdade sim. - ele a seguiu e subiu na charrete. Com um movimento a fez chegar para o lado. - O que aquelas mulheres tem contra você?

Era uma assunto que ela não queria discutir tão cedo. Muito menos naquele momento. Teria que desconversar ou o que ele pensaria dela? Era uma mulher séria e temente a Deus, mas sua vida até aquele momento não fora como as demais moças da cidade.

Viver em um bordel não era o que se pode chamar respeitabilidade para os padrões daquela cidade. E seu marido poderia ficar irritado com este detalhe que fora excluído dos conteúdos das cartas. O que poderia dizer?"A propósito, eu sou filha de uma famosa prostituta na minha região, mas as pessoas geralmente não me incomodam muito por causa disso".E até quando ele ficaria livre da verdade? Não poderia ficar o resto da vida enganando o marido.
O homem fez o cavalo trotar com precisão, para fora da cidade.

- Elas são apenas umas beatas idiotas....- ela calou-se levando a mão à boca-Desculpe.

- É um modo de se expressar bem sincero, esposa.- ele argumentou achando interessante o rubor que cobriu o rosto dela.- Elas não gostam de você.- era uma constatação óbvia.

- Não faço questão que gostem.- ela deu os ombros.

- Sei...- ele a fitou parecendo insatisfeito com as respostas mas não pressionando mais. - A fazenda é muito longe ainda?

Ela fez um movimento afirmativo com a cabeça e quedou num silêncio.

- Onde é a fazenda? - ele perguntou por fim ante aquele silêncio.

- Para lá. - Bella estendeu a mão para o outro lado da cidade fazendo-o parar subitamente.

- Como?! - ele olhou para trás e depois para ela.

- É para o outro lado. - ela corou - Você parecia determinado a vir para este lado. E eu...- deu os ombros-Bem...eu não quis perturbar...

O homem que era seu marido há poucos minutos pareceu ficar embaraçado com aquilo e virou a charrete. Pareceu que ia falar algo mas quietou num silêncio que o seguiu até a , na verdade ela nem reparara para onde se dirigiam. Seus pensamentos estavam em assuntos mais urgentes, como esconder o maior tempo possível sua origem e imaginar o que a esperava nas próximas horas, dias, semanas e anos.

Estava nervosa. Estava preparada para qualquer coisa quando chegara a fazenda. Ser questionada por exemplo. Ou que ele passasse direto para o quarto apressado para consumar o casamento o quanto antes. Pela experiência que tinha em relação a homens, pareciam sempre dispostos a buscar aqueles tipos de prazeres. Tinha sido poupada de explicar que não seria de bom tom deitar-se com o marido em plena luz do dia. E que mulheres casadas e "sérias" serviam ao marido a noite e na escuridão. Sua mãe dera muita ênfase a este detalhe. Iria deixar bem claro que era uma dama, apesar de tudo e queria ser respeitada como tal. Seu medo era que, talvez sabendo como vivera até aquele momento, mudasse seu comportamento até agora e a tratasse sem a consideração merecida.
Levou um pouco do caldo de carne a boca e experimentou. Apurou os ouvidos mas nada parecia estar acontecendo lá fora. O marido chegaria em alguns momentos, tinha certeza. Pegara o cavalo e saíra logo que chegara para conhecer as terras.

Esperava que ele estivesse muito cansado...talvez não quisesse consumar o casamento naquela noite. Na carta dissera nada beber, pois se fosse ao contrário ela bem que gostaria de ter alguma bebida alcoólica naquela casa, ai talvez ele bebesse até ficar tão tonto que mal conseguiria andar como alguns homens do trabalho de sua mãe faziam. Mas por que estava pensando nisso? Era uma esposa agora e à tarde já estava dando lugar à noite. Logo teriam que consumar o casamento. Tinha que se comportar como qualquer dama direita e servir o marido na cama nupcial.

O motivo de seu nervosismo entrou na cozinha parecendo hesitante. Amassava o chapéu velho entre as mãos enquanto olhava tudo a sua volta. Seus olhos pousaram por alguns segundos na porta do quarto que dividiriam e depois rapidamente voltaram-se em sua direção. Seria aquela vermelhidão no pescoço do marido causada pela caminhada pelas terras?

- Boa noite - a voz era rouca e causou um estranho arrepio em sua pele. Era uma voz máscula, quase hipnotizadora. Como ela podia dizer tal coisa da voz de seu marido? - Isto está cheirando muito bem, mas eu gostaria de tomar um banho antes...se você pudesse me dizer onde posso fazer tal coisa.

- Vá para o quarto - ela apontou para o cômodo pequeno, onde ele deixara sua bagagem mínima há algumas horas, enquanto pegava outro caldeirão já pronto e cheio de água colocando-o sobre o fogo - Eu levarei água para encher a tina...durante o dia há o rio onde pode se banhar.

- Sei...aquele cheio de lama? - ele fez uma careta - Eu sairia dele mais sujo do que entrei.

- Não é uma época boa - ela concordou observando o homem mais sujo do que no momento que chegara, mesmo não entrando no rio. - Qual é a situação da fazenda?- perguntou desviando o olhar para cobrir o cozido que já estava pronto, mas, como se atraída voltando a fitá-lo.

- É um belo lugar - os olhos dele brilhavam enquanto retirava as meias. Deixara as botas sujas na entrada. Uma boa educação, ela percebeu de imediato, e uma boa família, apesar de pobre. Mas isso ela sabia pela carta que ele lhe mandara. Mas por um momento chegara a duvidar da veracidade das palavras. - Precisa de um bom trabalho nela, mas é um bom pasto para o gado e tem água abundante. Você fez um bom negócio com esta terra.

- Foi minha mãe. - ela respondeu voltando o olhar novamente para o caldeirão fumegante. - Ela comprou.- disse em tom baixo.
- Sua mãe pensava no seu futuro - ele observou-a por um momento.- Você não entende muito de fazendas mesmo, não é Bella?

Ele deu um pulo quando ouviu a voz rouca falar seu nome. Um daqueles indiscretos arrepios tomou subiu por suas pernas de maneira imprópria.

- Não. - destapou o cozido e o olhou sem necessidade, voltando a tapa-lo.- Espero que entenda. Nas cartas você disse que sempre viveu em fazendas.
- Sim, certamente. Eu disse.

Ambos ficaram em silêncio por alguns momentos. Um silêncio nitidamente constrangedor enquanto esperavam a água aquecer. Quando por fim ela estendeu os braços para pegar o caldeirão ele se levantou rápido.

- Cuidado. Deixa-me levar a água para você.

Ele retirou o caldeirão de sua mão e levou para o quarto. Ela fitou as costas masculinas, surpresa por um momento, e logo encheu um balde de água fria e o seguiu. A tina de madeira estava do lado da cama. Mas era este último móvel que ele observava, Ele analisava critico e por fim franziu o cenho. Sabia o que ele pensava. Frágil e pequena. Ele nunca poderia deitar-se nela.

Ela jogou a água fria na tina que já continha a água fervente e deu um passo pata trás.

- Vou pegar mais água

Correu para fora da casa e pegou mais um balde de água no poço. Voltou para o quarto encontrando o marido sem a camisa e experimentando a água.

- Pode deixar o balde ai mesmo - ele sorriu - Obrigado.

- Por nada - ela deu um passo para trás. - Não quer que eu pegue mais água?

- Esta tina mal me cabe, se enchermos ela de água o chão ficará encharcado.

- Oh sim...- completou os pelos encaracolados do peito largo e desviou rapidamente deu olhar para o rosto do marido.-Depois venha jantar.

- Não vou demorar-ele ainda a encarava hesitante - Você...

- Eu? - ela prendeu a respiração esperando.

- Vai ficar ai?

O erguer de sobrancelhas acompanhou a pergunta e fazendo-a perceber que olhava fixamente para ele. Ora, já tinha visto homens sem camisas antes. Na verdade, sem calças e camisas. Por que estava espantada com o físico do marido? Ele era...grande. Nunca parara para pensar se preferia homens grandes e avantajados ou mais franzinos. Na verdade nunca parar pensar em sua preferência por homens, porque na verdade, estava sempre os evitando! Quando percebeu que ele ainda esperava que ela se retirasse para começar o banho corou e correu para a cozinha. Não era certo ficar contemplando o físico do marido daquele jeito. Era uma mulher séria.

Será que ele merecia está naquele lugar? Estar casado? Edward temia que não. Sabia que estava a salvo ali. Ninguém nunca o encontraria. Iria trabalhar na terra, ter uma esposa, ter filhos e morrer naquelas pastagens férteis trabalhando. Sorriu afundando na água morna. O que mais poderia pedir a Deus? Nada. De uma maneira, deveras estranha, era como se todos os seus sonhos se tornassem realidade. Mas o sorriso esmoreceu. Tinha responsabilidades agora. Uma mulher que dependia dele para levar adiante sua fazenda, a fazenda honrá-la e amá-la. Observou o vulto se mexendo na cozinha e lembrou do pequeno sorriso que ela tinha entrever. Ela tinha uma boca maravilhosa. Rosada e de lábios cheios. Não seria algo difícil conviver com Bella. Prometeu a si mesmo compensar tudo que a esposa tinha feito por ele, mesmo sem saber. Era uma boa mulher...uma linda mulher. E era sua. Uma sensação de intenso calor o invadiu fazendo-o se sentir embaraçado. Não ignorava o que aconteceria entre eles. Mas não esperava que se sentisse tão ansioso ou nervoso por isso.

Levantou enxugando com a toalha de linho que ela deixava em cima da cama. Cama esta, que com certeza, não iria dormir. O móvel mal devia acomodar Bella, quanto mais ambos. Seu corpo reagiu novamente ante aquele pensamento e uma sensação prazerosa e morna se espalhou por sua pele. Uma esposa. Uma mulher. Inocente? Talvez não, mas tinha quase certeza que sim, se levasse em consideração à seriedade com que ela o tratara até agora. Mas se este não fosse o caso, não importava. Ele a respeitaria como um marido e a trataria como um marido deveria tratar uma mulher. Há muito tempo preconceitos foram varridos de seu dicionário, na verdade a cerca de sete meses atrás. Quem era ele para dizer o que era certo ou errado ou para julgar alguém? Tinha seus próprios demônios agora. E que deviam ser bem piores do que qualquer problema que sua esposa lhe afligisse.

Vestiu as roupas limpas e passou a mão pela barba. Devia tirá-la? A cicatriz ficava muita exposta quando fazia isso.

Mas aquela barba o incomodava tanto! E ali não faria diferença...além do mais iria irritar a pele da esposa quando a beijasse. Isso se ela deixasse ele se aproximar para tanto. Olhou para o pedaço quebrado de um espelho que se encontrava no quarto. Decidiu esperar algum tempo. Ainda se sentia temeroso de a qualquer momento ser reconhecido. O que era uma bobagem no meio do nada, como estava. Talvez daqui a alguns dias, quando o tempo ficasse mais ameno.

Minutos depois entrou na cozinha. Bella estava encostada perto da janela observando a noite. Era uma imagem bonita de se parecia triste e se sentiu incomodado com o fato, como se fosse diretamente responsável pela tristeza ou felicidade da esposa. O que ele podia fazer para remediar com aquilo?

- Você é muito bo...bonita. - a frase saiu engasgada e ele corou.

Sempre que Edward tentava elogiar uma jovem ele se embaraçava e ficava sem palavras. Era um comportamento ridículo, mas que ele não conseguia superar. Onde vivera esse comportamento era considerado algo natural. Mas, nos meses que estivera viajando, percebera que as pessoas eram bem mais diretas e menos inibidas.

A esposa virou-se piscando algumas vezes como para afastar alguns maus pensamentos.

- Obrigada. - ela fez um gesto com a cabeça que aparentemente significava descaso.

"Ótimo, isso foi animador".Parecia que Bella não dava muita importância ao fato dele a considerar bonita. Na verdade ainda estava surpreso coma beleza da face da esposa e se pegava a imaginar que cores seriam os cabelos dela. Deixando a questão de lado, pois tinha certeza que em algum momento de sua vida iria saber, foi em direção ao caldeirão e encheu o prato com caldo e pedaços de carne e legumes. Com este nas mãos caminhou em direção a mulher. Queria realmente que aquele casamento fosse harmonioso, pois estariam, se Deus quisesse, o resto das suas vidas unidos pelo matrimônio.

Os únicos exemplos que ele tinha de vivência familiar era seus pais que sempre tinham passado para os filhos uma imagem de paz e tranqüilidade no lar.E amor. Edward suspirou lembrando-se do toque de sua mãe antes de dormir. Depois de mais de vinte anos ela ainda ia a cada cama acariciar os cabelos de cada filho desejando-lhe boa noite. E quantas vezes ele e os irmãos não tinham escutado as risadas de ambos no quarto? Mesmo quando tentavam abafa-las. Mas será que conseguiria um casamento próximo aquele que seus pais tinham alcançado? Sempre desejara ter uma família como a sua para cuidar e Bella parecia uma perfeita esposa até agora. Perfeita demais na verdade.

- Continuo achando impossível que não tenha nenhum homem nessa região que não ficasse satisfeito em casar com você, Bella.- eles eram casados afinal. Seria ridículo ele ser formal.

- Preferia alguém de fora. Não tenho conhecidos na região.- ela ergueu os ombros e endureceu o corpo ficando rígida como uma ripa de cerca.

Edward parou a sua frente e resolveu não insistir em questiona-la em sua decisão de arranjar um marido por correspondência. Talvez os homens daquele local não lhe agradassem ou talvez ela preferira um cavalheiro do leste para marido.
Pela sua timidez nas cartas e pelo modo recatado como ela agia, imaginava que na certa tivera dificuldades em participar de todo o processo que levava a um noivado normal. Ou quem sabe, como suspeitava, fosse uma moça sozinha e desesperada. Estaria grávida? Olhou-a de cima abaixo analisando o corpo magro escondido por metros de tecido grosso e disforme. Não parecia, mas quem ele era para saber se uma mulher esperava um filho? Seus olhos se encontraram e ele sorriu.

- Venha comer algo - segurou as mãos dela sentindo como eram ásperas e cheias de calos. Ela devia ter tentado fazer alguns reparos na fazenda antes que ele chegasse. Não era como algumas mulheres inúteis que ele conhecera. Admirava-a por isso. - Parece cansada.

Ela olhou para as mãos unidas e depois para ele parecendo desconfiada. Edward continuou sorrindo, mas perguntou-se por que aquela reação estraha da parte dela.

- Vem? Fiz seu prato. - ele insitiu e mostrou a mesa, imaginando o que havia de errado na esposa.

Quando já se sentia preocupado com o silêncio e a falta de resposta ela fez que sim, deu um passo incerto e sentou-se vagarosamente na cadeira, olhando-o enquanto ele colocava o prato na sua frente. Edward serviu seu próprio prato e sentou an cadeira a frente de Bella.

Comeu toda a refeição e repetiu enquanto a observava beslicar o prato. Estava nervosa. Podia perceber isso no fundo dos olhos castanhos. Nervosa com o que iriam fazer esta noite? Esperou até que levasse os pratos para uma bacia com água e sabão e voltou para a mesa. As mãos estavam apertadas sobre o colo e seus olhos baixos. Ele teria que iniciar alguma conversa amena. Bem, ele podia fazer isso!

- Vou pegar um pouco daquele feno e fazer uma cama decente naquele quarto, terá que ser no chão hoje.- Edward falou ao mesmo tempo em que pensava "Isto é o que você chama de assunto ameno?" -Amanhã irei fazer uma cama de verdade. - ele levantou sem olhar para ela- Se quiser dormir em sua cama eu vou entender. Esperarei um tempo até que esteja pronta para...o resto.

"O resto?" Edward quase riu de si mesmo. Mas ao ver a reação dela ficou confuso: Bella levantou-se com olhos flamejantes e se não estivesse tão surpreso iria achar interessante o modo que a irritação a deixava ainda mais bonita.

- Eu estou pronta! - ela ergueu o queixo, orgulhosa, mas o efeito foi quebrado pelos lábios trêmulos - Eu não sei por que acha que eu não vou querer consumar este casamento.

- Achei que pudesse estar nervosa...- estendeu as mãos para toca-la mas ela afastou-a rapidamente.

- Não estou! - ela cortou, estava vermelha agora - Não tenho medo de nada.

- Claro que não.- Edward tentava concertar o que quer que tivesse dito de errado mas não sabia por onde começar. Tentava imaginar que tipo de mulher podia estar tão nervosa e ao mesmo tempo, querer tanto provar ao contrário. Pensou no que ele estava sentindo e sorriu. Se a esposa estivesse com metade das apreensões que ele mesmo tinha, podia tentar entende-la.

- Pois estou nervoso - ele murmurou aproximando-se até chegar bem perto olhos castanhos se arregalaram tornando-se ainda maiores - Muito.

Deu as costas e foi em direção ao celeiro. Não tinha tanto sangue frio assim para ficar olhando a reação feminina. Com certeza ela tinha bem mais experiência do que ele em relação a alguns aspectos da vida. Apesar de tudo o que acontecera, ainda estava ligado ao seu passado. Mantinha os mesmos princípios. Bem, quase os mesmos. Entrou no celeiro, que momentos atrás ele estava analisando. Um bom lugar. Na verdade era uma moradia bem melhor do que a casa caindo aos pedaços.

Dirigiu-se onde sabia estar guardado alguns fardos de feno e carregou alguns entre os braços. Sua primeira função seria arrumar uma cama!Baixou a cabeça ao passar pela cozinha, reparando que ela mudara de roupa. Devia ter feito isso às pressas e como um sinal que estava disposta a cumprir "seu dever de esposa".

A camisola grossa e comprida cobria mais do que o vestido o fizera e a toca não tinha se movido um milímetro da cabeça. Passando por ela, entrou no quarto espalhando a palha num canto. Para sua surpresa a esposa o seguiu para dentro do quarto.

- Espere-ela foi até a cama e retirou o colchão colocado-o por cima do monte de feno e depois foi até uma grande caixa. Abrindo-a tirou de lá uma pele imensa. E jogou sobre tudo. Hesitante ele tocou o material. Era macio e quente. Ela voltou a caixa novamente e dessa vez tirou de lá um cobertor de lã imenso e segurou contra si parecendo hesitante. Era uma imagem estonteante. Ela ali em pé, rosada de embaraço e segurando a coberta contra o corpo.

- Vai fazer frio - murmurou estendendo-a-Apesar de que nós...bem, dormindo juntos- fez um gesto com a mão e calou-se.

- Vamos nos aquecer um ao outro - ele traduziu o que ela tentava falar e sorriu-Uma ótima cama. Eu não poderia dormir naquela. Meus pés congelariam do lado de fora.

Ela sorriu e ele se encheu de orgulho por ser o motivo daquilo.

- Eu também... - ela hesitou e depois suspirou parecendo se decidir sobre algo-Não sei o que pensar sobre você. Tudo está um pouco confuso para mim. Desculpe-me aquela cena a poucos momentos. Prometi honrá-lo e respeitá-lo, e será isso que fazerei. Devo cumprir meu juramento perante o padre e Deus. - ergueu a cabeça e o encarou-Mas peço que me respeite também.

Parecia séria e solene ao terminar o discurso e Edward tentou não deixar transparecer seu divertimento.

- Claro - segurou a mão dela novamente-Eu não lhe desrespeitei...

Os olhos dela brilharam e antes que ele pudesse se preparar as lágrimas começaram a escorrer pela face pálida

- O que foi?- acariciou os braços cobertos pela camisola tentando passar algum conforto. O que fizera daquela fez?- Você não precisa fazer nada...

- Não é isso! - ela gritou e chorou mais ainda - Ou é. Não ê é tão irritante!

- O que eu fiz?

- Fica sorrindo e me tratando como se não fossemos casados de verdade! Como se gostasse de mim e eu...- fungou e passou a mão no rosto tentando enxugar as lágrimas - Estava preparada para alguém diferente. Não ficasse me tocando a toda hora.- Ela mostrou o modo como ele a abraçava. - Você me trata como os homens tratam mulheres fáceis e não como maridos tratam mulheres sérias.

Estava chocado. Estivera preparado para qualquer absurdo que pudesse sair dos lábios femininos. Ora, fora criado, praticamente, me meio a mulheres. Sabia como elas podiam ver problemas imensos onde homens enxergavam apenas banalidades. Aprendera a respeitar qualquer que fosse o "grande problema" do momento. Fitou os olhos castanhos que pareciam transtornados.

- Como um homem casado deve tratar sua mulher?- perguntou pausadamente, querendo saber em que tipo de terreno estava pisando.

- Ele deve dar ordens. Não fazer o prato dela, carregar sua água e dizer que não...que não precisa...- ela apontou para cama, fungava - Você está sendo...irritante.- ela repetiu o termo.

Edward estendeu as mãos e levantou o queixo pequeno para manter contato com os olhos dela.

- Meu pai me ensinou como devo me comportar com mulheres. Com exemplos e lições. Ele sempre ajudava minha mãe nas tarefas de casa mais pesadas ou não. Minha mãe se orgulhava disso. Nunca poderia imaginar que uma mulher se irritasse com isso.- enxugou as lágrimas que agora pareciam mais discretas-Acha que ele não a tratava de acordo?

O que seria ridículo se ela soubesse sobre quem estavam falando.

- Eu não sei. - ela mordeu os lábios e respirou fundo - Eu não sei por que estou chorando! Nunca faço isso! Você tinha que ser tão gentil? Você mal me conhece!
- Mas você é minha esposa. - falou mansamente. - E posso ficar bravo se quiser - fez uma cara de mal e estufou o peito.

Um riso solto escapuliu dos lábios dela que afundou a cabeça em seu peito fazendo-o sentir um formigamento agradável. Novamente aquele algo familiar estava lá. Ao mesmo tempo era tão diferente... Passou os braços em torno da cintura esguia, que a camisola deliniava. Não era novidade se sentir assim, mas sem dúvida foi surpreendente sentir aquilo novamente por uma pessoa, ainda mais depois de tudo. Afastou os pensamentos sombrios para longe e acariciou os cabelos macios da mulher por debaixo da toca. Será que conseguiria fazer tudo certo com ela? Estava tão nervoso e ansioso que poderia explodir ali mesmo com elas nos braç e quase engasgou, mas não a libertou do abraço. Era tão bom ter alguém lhe abraçando depois daqueles meses. Sentira falta do contato humano. Sentia falta do riso de Clara, das pilhérias de Violet, dos abraços de Syl. Fechou os olhos com força afastando os pensamentos. Não podia pensar nisso. Não agora. Ainda doía demais e agora tinha uma família.

-Viu? Você gosta de contato.-ela sussurrava e levantou os olhos para ele -Eu não sei se gosto.- ela estritou os olhos brilhantes parecendo confusa.-Não devia gostar.

-Claro que deve gostar!É se tocam para expressar carinho.- pausa- Sabe o que devemos fazer?-perguntou e viu a face dela ficar vermelha. Mas não vizualizou mais o medo em seu olhar - Nada disso que está pensando. Vamos apagar os lampiões deitar nesta cama macia quentinha e dormimos pois estamos ambos por horas e depois me transformei em um homem casado. No mínimo não vou conseguir fazer nada direito e você vai dormir na metade do caminho.

Ela bocejou como para provar as palavras dele. A empurrou com delicadeza na direção da cama rústica.

-Deite-se e relaxe. Vou arrumar algumas coisas lá fora e volto.
Bella fez que sim e se deitou uma menininha de toca. Aqueles trajes não lhe eram estranhos, muito menos a horrível toca. Mas ele tinha que admitir que as mulheres ficavam muito mais bonitas com seus cabelos soltos.
Tivera a oportunidade de ver muitas naquela viagem e esperava ver a esposa em breve. Ele saiu do quarto e arrumou a cozinha imaginando se ela se irritaria com tal fato no outro dia. Era bem possível. Quem criara a moça com tantas regras? Nem ele próprio tinha tido uma educação tão rígida! Quando imaginou que ela já pudesse ter caído no sono voltou para o quarto. Devagar espiou da porta a observou a forma enrodilhada -se da cama e despiu-se ficando apenas com a roupa de baixo. Entrou devagar embaixo das cobertas e passou com cuidado o braço pela cintura da esposa. Aquela era uma situação nova. Seu corpo se encaixava perfeitamente nas curvas femininas, apesar de não serem proporcionais em tamanho. A sentiu enrijecer por um momento e esperou que ela acordasse e o enchesse novamente com aquela conversa sobre mulheres sé o corpo em seus braços foi perdendo a rigidez até relaxar. Ele também foi tomado pelo sono. Reparou segundos antes de cair no sono que ela não tirara a touca ainda.