Aviso: Terá cenas diversas como muita confusão. O enredo não é especifico, mas terá de tudo um pouco. Colocarei um aviso quando tiver cenas mais quentes, mas resumindo não são tão fortes. Vale à pena porque não tem nada de mais. Se caso tiver algo a mais irei avisar. Para quem curte Yaoi ou não leia.

Aviso 2: Os personagens aqui citados são meus, aqueles que usarem seus nomes ou características sem minha autorização ficarei super chateada. Caso queiram usá-los é só pedir o mundo não ira acabar com esse simples gesto. Ou vai?

Capítulo Um

Nos arredores do reino humano.

Uma jovem realizava sua rotina diária, caminhava pela floresta a procura de uma erva que ajudaria uma criança na sua melhora de saúde. Conhecia como ninguém o poder das plantas e aprendeu sozinha a se defender. Não era normal uma mulher aprender serviço dito de homem já que elas eram vista como deusas do lar. Os maridos deveriam cuidar para que suas esposas desses filhos saudáveis e fortes.

A jovem Anne possuía uma aparência incomum, bela como a noite, cabelos escuros longos e os olhos da cor de mel deixavam os jovens pretendetes ansiosos pela escolha dela. Seus pais morreram quando ainda era criança. Porém não a impediu de ser forte e independente.

Parou ao escutar vozes oriundas da parte escura da floresta, sabia que ao sair das muralhas do reino estava à mercê do mundo. Os perigos ali não se comparavam a nenhuma guerra. Nem mesmo o mais valente homem se atrevia a andar sozinho pelo lugar. Observou ao seu redor e nada de anormal, seguiu seu caminho e localizou a erva.

Pegou-a e começou a fazer seu caminho de volta de repente vultos saltaram a sua frente. Ela recuou um pouco a espera de qualquer reação dos dois interceptores. Só que não viu o terceiro ser que surgiu atrás dela.

Tomada pelo medo ou pelo susto por ser pega de jeito gritou alto ao ser encurralada por aqueles seres. Escutou as risadas sinistras de eles ecoarem por toda a floresta.

Em alguma parte da floresta.

Três seres regressavam ao seu lar, fazia quase uma semana que viajam e o xis da questão era porque ele veio pessoalmente buscá-lo. Além do que o mais alto que os guiavam estava bastante impaciente e os dois que viam atrás não compreendiam o porquê de tudo aquilo. Sabiam que qualquer um poderia os buscar sem problemas, contudo ele vir era deveras estranho. Não que duvidasse da liderança dele, mas algo havia por trás...

O grito e as risadas chegaram aos ouvidos acusados dos três, os dois quem viam mais afastados não entenderam quando o que os guiava procurava a origem dos sons. Pelo jeito uma humana estava em perigo e assim que localizou o local o mais alto foi na direção do pedido de socorro.

Quando os dois deram por si o outro havia sumido, resolveram segui-lo. Os dois se olharam e chegaram a uma triste conclusão que eles iam salvar uma humana. A mesma pergunta se passava nas duas cabeças "O que deu nele para fazer tal ato?" E só souberam o motivo quando presenciaram a cena.

Nos arredores do reino humano.

Anne estava assustada e fez o que os seus instintos mandaram. Deu um chute no local mais sensível do ser que a segurava, descobriu que eram mestiços. Os mestiços, meio humano e meio não humano, não eram bem visto pelos reinos. Só que ela não sabia que seu ato deixou os mestiços furiosos. Sentiu os seus braços serem presos pelos dois que olhavam a cena achando graça. O que parecia ser o chefe do bando ficou furioso com a audácia dela.

- Solte-me... Por favor... – Suplicou pela sua vida e não estava gostado daquele olhar.

A intenção deles era só roubar o ouro, entretanto ao ser acertado pela humana feriu seu orgulho. Resolveu fazê-la sofrer e matá-la aos poucos, mostrou suas garras e quando ia dar o primeiro golpe...

Os dois que seguravam Anne viram um demônio de quase dois metros de altura dá um poderoso soco no mestiço. O mestiço se levantou e não temeu o demônio, atacou com todo poder que possuía, mas com um golpe mais potente jogou longe o mestiço desmaiou. Os mestiços de olhavam a cena temeram por suas vidas e o demônio sentiu aquele cheiro do medo.

O instinto de sobrevivência era maior que tudo, literalmente jogaram a humana que foi pega pelos braços forte do demônio. Anne viu dois vultos passarem por eles, mas não deu a devida importância.

Ela só tinha olhos para o seu salvador. Observou com calma o demônio de características exóticas. Moreno escuro, olhos cor de mel, cabelo castanho escuro e bastante alto.

- Obrigada. – Saiu meio tímido e fraco nem sabia se ele escutaria.

Ele escutou com perfeição e analisou a humana, tão diferente das que via. De repente ambos ouviram gritos de terror vindo de onde os mestiços tinham fugido. Chegaram à conclusão que os dois ladrões estavam mortos. Ela ia perguntar algo quando percebeu que o mestiço que havia apanhado do salvador da humana se levantar e iria investir novamente contra ele.

Com agilidade incrível para alguém do porte dele, com uma mão imobilizou o mestiço e gravou as suas garras no pescoço dele. A morte foi instantânea e após o fato urrou declamando sua vitória. Ainda impressionada pelo que viu Anne o viu a observar.

- Serei eternamente grada ao...

- Não me deve nada humana... – A voz grave e forte a cortou.

- Chamo-me Anne. – Falou com doçura.

Ele a olhou bem como um humano e ainda por cima uma fêmea o interrompia além de não demonstrar medo ou qualquer sentimento de repulsa com relação a sua espécie. Ele sabia que os humanos os odiavam pela aparência. Contudo viu aquele olhar um sentimento bom e ficou sem reação ao ver-la cuidando de um ferimento irrisório.

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Os dois que mataram os mestiços voltavam quando deram de cara com a cena nada comum do demônio e a humana. Era estranho ver um humano tocar um ser de sua raça daquele modo. Olharam-se e resolveram ficar espiando a distância segura.

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Anos sendo tratado pelos humanos como monstro sem coração e uma humana cuidando de um simples arranhão que logo seria curado.

- Não precisava. – Ela o olhou. – Obrigado... – Não sabia por que estava sendo gentil. - Anne.

- Disponha... – Estava gostando daquele por assim dizer diálogo. – Não sei seu nome.

- Sou... – Estava gostando da aproximação. – Sou o mestre dos demônios.

- É um título? O que desejo saber é qual é seu nome?

- Tem certos nomes que não devem ser ditos. – Aquele olhar puro dela. – E meu nome é um deles.

- Hum...

- O que foi?

- Então vou lhe dar um nome. – O demônio não estava entendo aquela conversa. – Juan.

Ele a olhou sem compreender, Anne terminava de fazer o curativo improvisado. E na visão dele, a humana era surpreendente e especial.

- Mestre é muito formal.

- Quando assumimos o cargo perdemos os nossos nomes e somos chamados pelo título. – Não sabia por que comentava aquilo com ela. – Porém... – A curiosidade consumia e fez a pergunta. – Porque Juan?

- Era o nome do meu pai. – Viu a tristeza naqueles olhos tão puros.

- Sinto por ele. – Não acreditava que estava sendo sentimental demais.

- Tudo bem. – A sombra da tristeza passou. – E mais uma vez obrigada.

Não esperou pela ação dela que o abraçou já ele demorou um tempo a retribuir o abraço e gostou da sensação. Algo em seu coração o deixou aliviado e feliz, vendo aquele ser segundo ele frágil e menor que si o tratando como igual.

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Os dois que observavam a cena não tinham palavras para o que viam e ouviam apesar da distância enorme. E não verem muito bem a humana, mas as palavras dela tiveram um efeito sobre o mestre deles. Todos sabiam que ele não conheceu seu pai e isso o desarmava. Continuaram a vigiá-los já que um soberano era um alvo fácil fora do seu território.

No reino dos anjos.

Especificamente em uma casa simples algo não estava nada bem, os servos estavam escutando passos e a voz elevada de um anjo. No andar de cima uma briga estava se iniciando, pai e filho não conseguiam dialogar. O único filho do chefe da guarda real estava decidido iria embora e estava com uma mochila com o necessário nas costas.

- Rafael! – Um desesperado pai tentava impedi-lo.

O anjo parou no meio do corredor, se virou olhando o pai e podiam-se ver as diferenças entre eles. Como todos os anjos ele tinha a pela clara, olhos azuis e cabelo loiro. A maioria dos anjos possuía alguma característica dominante como pele clara, olhos claros e cabelos claros.

Contudo Rafael era moreno claro, cabelo castanho com olhos azuis; o mesmo porte do pai e os olhos da mãe. Porém o resto era estranho como se fosse um demônio no corpo de um anjo.

- Galileu... – A voz do filho era triste.

- Fique. Eu falo com o líder e...

- Nem você e nem Gabriel podem em ajudar. – Cortou o. – Tudo já foi decidido. O que eu fiz não tem perdão e nem volta...

- Pare! – Não ia deixá-lo ir.

Rafael viu as lágrimas brotarem da face do pai. Não tinha volta, os outros anjos não toleravam anjos como ele, fora das regras da sociedade angelical. Eles não matam, não usam energia negra e entre outros cultos ditos demoníacos eram permitidos.

- Eu não vou... – Tentou se aproxima dele.

Nem terminou a frase só sentiu o impacto do soco de Rafael, bateu com violência no final do corredor e escutou o urro da boca do seu filho. O viu sair de casa sem ser impedido pelos servos. Uma das servas foi ver se tudo estava bem, encontrou Galileu sentado no chão.

- Senhor...

- Eu o pedir... – Ela estava preocupada. – Porque você nos deixou?

A serva o viu olhar a pintura da família, nela estava o recém nascido Rafael, uma jovem esposa e Galileu como uma família feliz. A serva observou seu senhor e viu além das lágrimas, o filete de sangue que saia da boca. O soco não foi pior do que a partida dele.

No limite entre o reino dos anjos e o território livre.

A casa ficava em um ponto estratégico longe de tudo e todos do jeito que ele gostava; desde que nasceu tinha aquela casa ali. Pelos corredores um anjo moreno parou diante da biblioteca e suspirou, sabia que ali era o porto seguro dele.

Abriu a porta e não foi surpresa ao ver aquele anjo ali. Com a pela mais clara que os anjos comuns, cabelo liso grisalho e olhos cinza claros quase brancos.

- Vai ficar mais branco do que já é Hélio. – Chamou a atenção dele.

Hélio observou o amigo e sorriu em suas mãos estava um exemplar de um livro antigo sobre os reinos. Reparou no anjo que o repreendeu por estar ali. Moreno escuro, olhos cor de mel escuro, cabelo castanho e curto, não parecia sem um anjo comum.

- Virou minha babá? – O outro sorriu. – Pelo que sei essa biblioteca é sua Olímpico.

- Vamos comer. – Virou-se já saindo do cômodo. – E porque estar lendo isso? – Não gostava daquele livro. – Por acaso teremos uma...

- Os ventos mudam. – Cortou o outro.

Olímpico voltou-se ao amigo e ambos ficaram em silêncio por um bom tempo se encarando. Até que Hélio que colocava o livro na mesa escutou os passos do outro. O moreno ficou frente a frente com o outro, notou-se a pequena diferença de altura.

- Já descobriram de Rafael. – Rompeu o silêncio. – E quando souberem de nós? E dos outros? E quando a guerra vier? Tenho medo, Olímpico.

- Estamos juntos. – Tinha os mesmos medos dele. – Sempre. – Abraçou-o com carinho.

No centro do reino dos anjos.

Em uma sala enorme no palácio um anjo olhava o nada, vários papeis na mesa e servos desempenhavam suas funções. Até que a porta ser aberta brutalmente por Galileu, os guardas viam logo atrás sem entender o que estava havendo.

- Líder... – Tentava controlar as emoções. – Temos que conversar.

Os olhos azuis se encontraram e o líder dos anjos notou o sangue seco no canto dos lábios dele. Suspirou e com um simples gesto pediu que os deixassem a sós. Iguais, tão parecidos fisicamente que poderiam ser confundidos, mas o líder era o mais velho dos dois. Assim que a porta foi fechada ele abraçou Galileu com carinho.

- Porque Gabriel? – Não conseguia conter as lágrimas. - Porque meu filho?

- Eu não sei. – Ou talvez soubesse e não quisesse contar.

- Já não levou ela... – Referiu-se a sua esposa morta depois dá a luz a Rafael. - E quer me levar ele... – Referia a se ao filho que saiu do reino. - O que será de mim?

- Confie no destino...

- Não! – O destino sempre foi cruel com ele o tirando de tudo que ama.

Agüentou o quando pode, mas o irmão caçula de Gabriel deixou o choro lavar sua alma e quem sabe sua indignação. Contudo o mais velho nem sabia como ajudá-lo já que tinha problemas demais tentando controlar o que não conseguia combater. E com os boatos de uma guerra correndo de boca em boca tinha que se manter calmo, mas por dentro se corroía de medo além de se sentir sozinho.

- Estarei com você. – Foi à única coisa que conseguiu pensar no momento.

Uma lágrima rolou pela face do líder dos anjos. Não era só Galileu que tinha seus problemas sentimentais, ele não notou que seu próprio irmão também precisava de consolo.

- Sempre... Irmão... Estaremos juntos.

Suspirou Gabriel e mirou a pintura da família pendurada no centro da sala. Uma família feliz, a mãe, Gabriel e Galileu ainda pequenos, felizes perto da genitora. Contudo o pai era o único que não estava representado, em nenhuma pintura espalhada pelo palácio não fazia menção ao pai deles.

- Nós três. – Pensou confortando o caçula.

No reino dos demônios.

Andavam em direção ao palácio os três, pelo caminho viam o povo que admirava seu mestre. Sabia que tinha muita responsabilidade com seus súditos, administrar centenas, ou melhor, milhares de demônios não era fácil e ainda tinha os agregados. Porém seus pensamentos era todos direcionados a um único ser ou a uma humana de nome Anne.

- Lenda! – Um ser coberto se aproximou.

Os três pararam perto de uma das áreas de treinamento e perceberam a aproximação daquele cujo nome era lenda. Um ser tão misterioso quando as lendas contadas pelos povos.

- Eu falei que qualquer um poderia trazê-los, meu senhor. Porém pergunto-me o porquê deles regressarem? – A voz era calma e indefinita.

- Ariel precisava retornar,

- Mas e o jovem?

- Leo será seu aprendiz. – Sabia que aquela decisão não seria fácil.

Escutaram alguns ruídos diferentes oriundos daquele ser coberto por um capuz. Não se sabia se era um macho ou uma fêmea, não se via nada nem mesmo as mãos que estava cobertas por uma luva com um símbolo em cada uma.

- Não fique assim lenda. – A voz doce era também sarcástica.

Ao retirar o capuz revelando seu rosto viu-se uma humana, mas segundo os demônios Ariel poderia ter uma aparência humana. E uma cara de anjo, mas era pior do que um demônio. Diziam que ela usava essa forma porque era deformada ou até por ter um corpo tão estranho e assumiu a forma que tem hoje.

- Eu vou treinar um aprendiz? – Tinha que ter certeza do que ouvia. – Sou um general, um da elite e vou ter que treinar um...

- Ele será seu aprendiz porque assim como você, Leo será um da elite assim como vocês. Ariel é incapaz de treiná-lo.

Ariel rosna, a lenda suspira e o mestre observava o mais novo general. Ele retirou o capuz e Ariel sorriu maliciosamente.

- Leo está é lenda. – Voltou-se para a lenda. – Lenda este é Leo.

O jovem olhou aquele ser não sabendo como se portar. Leo é tão negro quando a noite, olhos escuros assim como os cabelos. Poderia ser como a noite ou uma sombra, mas tinha o título de destruição porque por onde passava destruía tudo.

- Esteja em pé antes de o sol nascer, destruição.

- Sim mestre.

- E antes que eu me esqueça. – Alertou o mestre,

- Lá vem. – Ariel não perdia uma.

- Sombra retornara e haja o que houver quero todos interagindo bem com ele. Isso inclui os soldados, servos... Lenda deixe avisado a todos.

- Sim meu senhor. Algo a mais?

- Ariel precisa de exercícios.

Ariel fez a pior expressão facial e o mestre sorriu, após repassar as informações retirou-se enquanto a lenda ajudava o jovem general. E Ariel pensava em uma única coisa ou em um nome Sombra.

No reino dos humanos.

Anne após realizar suas tarefas diárias e ajudar a criança com a erva voltou para sua casa que dividia com uma amiga. Um lugar simples com tudo do mais prático e necessário. Parou em frente ao espelho e mirou o pescoço, retirou de dentro da roupa um colar.

Admirou-o por um bom tempo, no colar havia um símbolo que representada os dois reinos. O símbolo se dividia em duas metades, uma metade de uma asa e a outra metade uma garra que juntas formavam uma única imagem. Os símbolos eram respectivamente do reino dos anjos e dos demônios.

A humana depois do abraço e do salvamento deu a "Juan" o seu colar a ele já o demônio deu lhe o seu colar. Uma troca demonstrando que era amigos e Anne podia contar com a ajudar dos demônios. Ouviu-o contar que o colar era a única lembra que tinha do genitor, o mestre lhe falou que jamais o conheceu e antes dele ir embora deu a mãe de "Juan" aquela lembrança.

Ela também confidenciou o que seus pais ajudaram o rei e a rainha dos elfos há muitos anos. E como gratidão os soberanos presenteou a única filha do casal um colar com o símbolo dos elfos. Uma folha verde que representaria a eterna gratidão com todas as gerações deles.

Saiu de seu devaneio ao escutar o som da porta da casa sendo aberta. Tratou de esconder o objeto no seu pescoço por dentro da roupa e foi ver a amiga que voltava do centro.

Em algum lugar do território livre.

Rafael andava um pouco triste, pensava se caso ficasse os outros anjos soubesse do seu segredo, iam matá-lo e talvez até seu pai fosse preso. Suspirou e colocou a mão no peito, sua mãe morreu ao trazê-lo ao mundo, mal se lembrava dela, mas talvez ela se estivesse viva o compreendesse.

Havia um mito que bebês anjos que não tivessem mãe seriam impuros. Puro ou impuro não importava para eles. O que ele faz não era bem visto pelos puros.

- Droga! – Pensou em dois seres.

Acaso soubessem deles e dos outros como ele... Tinha que confiar nos instintos e se seu pai fez aquele escândalo ontem à noite. Hoje pela manhã os guardas não invadiram a casa para prendê-lo então o segredo estava seguro. Mas até quando?

No reino dos anjos.

O líder lia os relatórios no escritório e havia o nome de Rafael em meio às montanhas de papel. Fez bem dar a chance de ele sumir senão o conselho não o perdoaria. Ainda questionou o sobrinho sobre os outros como ele, mas nada.

- Fiel a causa. – Suspirou. – Tempestade chega e com elas mudanças.

Voltou-se a pilha de relatórios que provavelmente tinha relatos de anjos iguais a Rafael. Entre os nomes tinha seres de cargo de confiança apesar de ser apenas suspeita se fosse verdade acaso o conselho descobrisse. Recordou que assim que o irmão saiu daquela sala o conselho soube da fuga do filho de Galileu.

- Não posso proteger todos.

Num ato de desespero pegou alguns relatórios, colocou na gaveta e a selou com seus poderes. A outra restante guardou nem um dos armários e fez o mesmo processo.

- Que os deuses nos protejam.

Jogou-se na primeira cadeira que viu e observou a janela, o céu límpido e a tranqüilidade aparente. Inspirou, expirou e começou a orar para que algum deus benevolente achasse que seu ato maluco fosse o certo. Recordou-se de um deus que sempre o ajudava e depositou nele sua vida além dos outros, destino nunca falhou e agora dependia dele.

Em algum lugar no reino dos anjos.

A caminhada era longa; Olímpico estava achando estranho o amigo, sabia que havia logo de errado com ele. Pensou que talvez os treinamentos estivessem sendo puxado ou os anjinhos a qual cuidava estava o deixando cansado.

- Você nunca ficou tão quieto como hoje. – Interrompeu os pensamentos do moreno.

- Pensando.

- Em que? Ou em quem? – Hélio notou que o moreno ao refleti esquecia o mundo. – Pode me dizer ou é segredo? – A última palavras fez o moreno parar.

- No que seria o certo.

- Vai me contar?

- Futuro.

- Em vez de pensar vai logo dar a sua aula que eu já vou...

- Caso ocorra algo por menor que seja você me chama. – Advertiu-o.

Hélio o analisou, a preocupação do amigo era novidade, contudo concordou e seguiu seu caminho. Acenou como sempre fazia e logo Hélio foi rodeado de anjos. Olímpico viu os pequenos rodearem-no e entraram na casa.

O moreno ainda fitava onde estava o amigo e suspirou o motivo de sua angustia era óbvio. Ser Rafael saiu do reino o que ele poderia esperar? Logo o conselho e o líder cairiam em cima dos anjos como Rafael. Voltou á caminhada o dia seria longo.

Em algum lugar do reino dos demônios.

Ariel retirou a capa que usava nas viagens e admirou-se no espelho disponível em seu quarto. Morena clara, olhos azuis, longos cabelo loiros caindo pelas costas e um corpo perfeito até demais.

- Se eu me lembrasse.

Infelizmente nada vinha a sua mente nem a forma humanóide ajudava e os poderes demoníacos não davam dicas. Desde que foi encontrada desacordada na última luta não se recordava de nada. A forma que utilizava era para concentrar seus poderes, temia saber como é sua verdadeira forma.

- Sombra.

Só o nome a deixou feliz. Anos que não o via, dormiam juntos e se amavam. Com ele eram momentos especiais e únicos, mas as mudanças e os problemas. Sim, o problema com o passado além das dificuldades com o futuro os fez se separar. Esperara o reencontrar novamente.

- Pelo menos a lenda terá atividades.

Em outro ponto no mesmo reino.

Lenda mostrava o novo quarto ao jovem general, o fitava discretamente e assim que terminou seguiu o caminho da saída. Contudo escutou a voz dele e o fitou.

- Agradeço por me ajudar...

- Eu não estou lhe ajudando. – O cortou. – Só estou sendo... Como diria Ariel cortês. – Dirigiu-se a porta, mas antes se voltou para ele. – E pelos deuses não se atrase, odeio acorda cedo e esperar.

Leo não argumentou porque a viu sair como um raio do quarto. Não tinha jeito, retirou a capa e analisou sua nova morada.

- Eu mereço.

O mais novo general foi alertado sobre sua nova vida. Não seria fácil chegar onde estava e pelo visto o único obstáculo era a lenda. Muitos generais não completavam os treinamentos da elite e poucos faziam parte do círculo por inúmeros fatores. Ariel, lenda e entre outros pertenciam à elite que tinha como missão proteger o bem mais precioso do reino.

O mestre dos demônios é o centro de tudo, aquele que esquece o nome, que cuida da ordem que tem vários deveres com o povo. E a elite cuida de sua integridade física, mental e social. Além da segurança privada dele.

Leo estacou seus pensamentos quando percebe que não estava sozinho naquele dito quarto. Um servo particular esperava pelas instruções já que tinha deveres a serem cumpridos e não podia estar ali o tempo todo. Enquanto transmitia seus gostos e desejos, uma parte de sua mente o lembrava de tomar cuidado com a lenda.

Na área de treinamento do reino dos anjos.

O chefe do exército dos anjos estava diferente do normal, calado e com um olhar perdido enquanto os anjos treinavam. Galileu refletia sobre as palavras do líder que segundo ele se Rafael não fugisse ou seria torturado até a morte para revelar os outros ou seria preso e julgado a morte.

Sim Gabriel tinha razão caso a fuga do seu filho não se concretizasse até ele poderia ser punido por protegê-lo. Não iriam observar seu único filho sendo levado, torturado e...

Se os anjos não podiam matar seus semelhantes... Contudo seria considerado um impuro e a morte cairia como um meio de livrá-lo dos pecados por ser impuro.

- Deuses! – Murmurou baixinho e percebeu a aproximação de Olímpico.

Uma linha de pensamento se formou ao ver o moreno porque seu filho sempre andava com aquele anjo. Ou melhor, o que os dois faziam por dias fora do reino com Hélio? E até hoje nunca entendeu a ligação de Hélio e Olímpico. Ainda tinha a liberdade que os dois possuíam em relação a algumas leis dos anjos. Mistérios que não compreendia.

Em algum lugar do território livre.

Rafael avistou bem na sua frente o reino ao qual moraria, daquela colina a imponência e os moradores do local eram vistos. Tudo na mais absoluta tranqüilidade e paz.

- E voltamos ao início.

Ajeito a capa e levantou o capuz encobrindo seu rosto. Queria pelo mesmo passar despercebido entre eles. Contudo anos depois sua volta já estivesse planeja pelo soberano do local, as notícias corriam mais rápidas que o vento.

Sabia que seria bem recebido pelo dono do lugar e pelos habitantes nativos. Agora não era temporário, mas permanente. Ali se sentia em casa mesmo sabendo que seu pai era o único laço de sangue que possui em outra terra. Seguiu a trilha que conseguia tão bem para seu antigo ou seria seu novo lar.

No reino dos demônios.

O mestre adentrou em seus aposentos, os servos faziam seus serviços e nem os percebeu, pois seus pensamentos estavam na humana. Tocou o colar por debaixo da roupa, rumou à varanda onde tinha uma visão privilegiada do seu reino, mas hoje resolveu admirar o céu.

Enquanto os servos preparavam seu banho, o mestre revia as cenas do ocorrido com a humana e o que o levou a tal ato. Contudo foi interrompido ao ser deixado sozinho, caminhou ao banheiro e no percurso retirou suas vestes. Analisou a água e adentrou na enorme banheira, o colar constatava com seu corpo e nunca o tiraria.

O silêncio do local o fez raciocinar em relação às duvidas que o atormentava depois do incidente. Havia salvado-a, matou um mestiço que não o ameaçou, trocou sua jóia de família com um humano e...

- Será que? – Perguntou-se. – Não. Impossível eu estou amando uma simples humana.

Duvidas, questionamentos e uma humana estavam pondo sua mente em confusão. Humanos os odiavam por causa da sua aparência. O que havia demais? Talvez as garras, a cauda ou os caninos... Não. Nunca foi sua aparência, mas sim o desejo de matar. Das várias histórias sobre a vida dos demônios que não tinha compaixão e nem um coração, no lugar era uma pedra. Ou do outros atributos como o do sangue fluindo do adversário.

- Mas... Preciso revê-la... Hum... Ainda temos dois generais fora do reino... Um passeio não seria uma má idéia...

Todavia precisava organizar e resolver os problemas internos. E quem sabe em duas ou três semanas estaria na estrada, aproveitaria para rever a jovem humana que o enfeitiçou.

Em outro cômodo.

Lenda entrou no seu quarto e seus servos observaram-na passar por eles que mal se mexeram. Quando escutaram um forte estrondo da porta do cômodo particular sendo fechado se olharam. No local era uma zona restrita onde lenda retirava suas roupas e se sentia a vontade. Poucos sabiam que forma se escondia por baixo do capuz, capa e luvas.

- Ora!

Despiu-se e a única visão que se tinha da lenda era os longos cabelos, protegida seguia a segunda dependência onde ia tomar um banho. Seus pensamentos a atraía pelo jovem general, não pela beleza exótica e nem pela simpática. Mas pelo poder, a energia emanada dele e mais alguma coisa que não descobriu.

- Ele esconde algo e vou descobrir.

Mergulhou na banheira se banhando com um plano sendo arquitetado. Porém algo lhe dizia que seria um longo período com seu aprendiz.

No reino dos anjos.

Hélio amava os anjinhos filhos dos aldeões, soldados, servos e afins do reino. Sua segunda paixão era cuidar deles, dava muita atenção, amor e carinho. Não desejava preocupar Olímpico. Já seu corpo dava sinais de cansaço um fator fora do normal, cinco horas não era nada, mas hoje não se sentia bem.

Respirou fundo, sentiu uma pontada, a vista começou a escurecer e veio a desfalecer assuntado aos assistentes. Três anjos ainda tentaram socorrer quando uma pequena confusão se instaurou.

No mesmo reino em outro ponto.

Olímpico repassava os últimos ensinamentos daquele dia, a parte teória era monótona e chata até mesmo para ele que explicava. Amanhã passariam para a parte prática que exigia atenção e disposição.

Galileu o observava de perto, atento as palavras e os aprendizes. Notou que Olímpico fez uma expressão de dor, e realmente o moreno sentiu um aperto no coração. Voltou-se a uma movimentação de anjos, um dos assistentes de Hélio corria para a enfermaria. Os dois anjos perceberam que houve algo grave.

- Dispensados. – Foi o que veio a mente do moreno.

Mal esperou os aprendizes saírem, interceptou o anjo que ia a enfermaria e ficou chocado com o que ouvia. O chefe do exército notou a súbita mudança na expressão facial dele e o seguiu até onde Hélio estava naquele momento.

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Ao chegara ao local Olímpico estava ajoelhado diante de um palito Hélio. Galileu observou o jeito carinho que o moreno tocava a testa dele o pegou nos seus braços. Iam seguindo o caminho de casa quando Galileu estranhou tal comportamento.

- Não acha melhor levá-lo ao médico...

- Eu cuido dele.

- Mas...

- Eu sei o que é melhor para Hélio.

- Tem medo?

Olímpico o analisou e depois se voltou para o amigo que mal se mexia nos seus braços. Galileu aproveitou a distração e se aproximou tocando lhe o ombro. Mas o outro se afastou com uma brutalidade que assustou a todos que presenciava a cena.

- Vão pensar que vocês eram iguais ao meu filho. E tem medo que eles machuquem seu melhor amigo por andar com...

- Claro que não.

- Então me explique o porquê do seu medo...

- Nem todos os anjos estão preparados para o que virá Galileu. E pelos deuses deixe-me cuidar de Hélio.

O chefe do exército o deixou em paz naquele momento, viu a silhueta do moreno sumir aos poucos na estrada. Observou os anjinhos e os assistentes de Hélio, algo estava errado. O que tanto escondia o seu filho? O que os anjos não podiam saber deles mesmo? Só novas perguntas sem respostas.

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Hélio abriu os olhos e viu a janela aberta, as velas acessar e a escuridão do lado de fora lhe deu uma noção de que tinha dormindo ou desmaiado por horas. Tentou se levantar, mas viu Olímpico ajoelhado aparentemente dormindo. Sorriu ao se lembrar que é amado pelo amigo e podia contar com o carinho além da proteção do moreno. Claro que Hélio sentia o mesmo sentimento para com ele. Tomou um susto ao sentir sua mão sendo apertada com confiança.

- Estou bem.

Analisaram-se por um bom tempo até que Hélio deu um espaço na cama. Olímpico se levantou e chiou pela posição desagradável que permaneceu por horas. O moreno sentou-se na cama e o outro se acomodo perto dele, com a cabeça no colo do amigo.

- Somos amigos há anos. – Hélio mirou a janela. – E não precisa me esconder mais nada, soube que você pedia algo a Rafael.

A surpresa foi tão grande que se sentou na cama tentando não o olhar.

- Pelos deuses! Você estar com algum problema? – Suspirou o moreno. – Abra-se comigo, somos...

- Eu... – O cortou e respirou fundo. – Olímpico, eu estou...

Continua...


Nota:Até que fim terminei de escrever. Os primeiros capítulos são chatos até eu sei disso. Passei quase duas semanas digitando e deu um problema no meu braço. Vou tentar manerar na digitação. Os nomes podem ser estranhos, mas tenho motivos para cada um deles. E talvez eu não precisasse pedir, mas caso alguém goste pode enviar uma review não cai os dedos.