Capitulo Dois

- Gin!

Ron havia acabado de entrar no jardim da casa, juntamente com Hermione, de mãos dadas. A outra mão livre de ambos carregava uma mala.

Ginny, que estava no jardim recolhendo as roupas limpas, gritou, com um sorriso exultante e abraçou o irmão e a amiga. Hermione ria como criança, e seus olhos brilhavam com uma alegria inocente quando ela ergueu a mão esquerda, e mostrou a aliança delicada em seu anelar.

A ruiva arregalou os olhos e tapou a boca com as mãos.

- Vocês... Vocês casaram! – ela gritou, apontando para ambos. – Eu não acredito, quando isso?

- Faz uns quatro meses. – Hermione respondeu, com um ar sonhador. – Não foi o casamento dos sonhos, porque foi uma cerimônia rápida e com a presença apenas de Harry, Lupin e Tonks como testemunhas.

- Mamãe vai chorar horrores por não ter visto o casamento. – ela sorriu, ainda não acreditando.

- Ah, nós choramos muito também, por ninguém ter visto. – ela pareceu tristonha. – Mas como estávamos viajando com Harry, em busca do que Dumbledore designou a ele, não sabíamos se íamos sobreviver para... – ela inspirou fundo. – Bem, não havia muita escolha.

- Eu não me arrependo. – Ron disse, quando seus pais se aproximaram e olharam incrédulos para a aliança no dedo de seu filho caçula. Molly caiu no choro. – Podemos fazer alguma festa depois, com a família, mamãe. Está tudo bem.

Hermione e Ron estavam tão diferentes! Quando haviam se visto pela ultima vez, na Toca, Ron e Hermione estavam com dezessete anos... E agora, depois de tudo o que haviam passado, eles haviam abandonado de vez a inocência em seus olhos, dando lugar a um ar maduro e de uma pessoa que sabe exatamente o que quer da vida. Ron tinha os cabelos mais compridos, que estavam um pouco bagunçados por causa do vento, e Hermione tinha os cabelos mais domados.

Molly estava ralhando com os dois, às lágrimas, de que não conseguira assistir ao casamento de seu filho caçula, e Ginny sorriu para seu pai, mas no momento em que voltara para olhar o novo casal, seu olhar foi direto para a entrada do jardim da casa, onde mais um convidado chegara.

Seu coração falhara um batimento, e seus lábios entreabriram-se. Lá estava ele, carregando uma mala, mas seu olhar procurando incansavelmente por ela.

Ginny ficou apenas por um segundo parada, sua mente em completo caos, para que em seguida ela deixasse todos os presentes ali e corresse até ele.

Harry deixou que a mala caísse no gramado, e Ginny pulou em seus braços, os olhos cheios de lágrimas e o sorriso mais lindo que ele presenciara em toda a sua vida.

Abraçaram-se com força, como se tivessem medo que, se soltassem, fossem separados de novo por tanto tempo. Harry cheirou seus cabelos e enterrou as mãos nos mesmos, e não demorou muito para que seus lábios se encontrassem com os dela.

Ginny sentiu como se seu corpo inteiro tivesse virado geléia.Ele estava lá, depois de dois anos e meio, depois de passar tanto tempo sem noticias, sem contatos, sem nem mesmo uma carta... Ele estava de volta, para ela.

Quando ela se separou dele, reparou que os olhos dele também estavam marejados. Sem conseguir se conter, ela o abraçou de novo.

- Ah, Deus, quanto tempo! – ela enterrou o rosto em seu pescoço, não conseguindo conter a alegria que se espalhava por todo o seu corpo.

Ele apenas ficara em silêncio a maior parte do tempo, absorvendo cada detalhe daquela situação, como se quisesse guardaraquele momento para sempre.

Depois de algum tempo em silêncio, ele se afastou dela e a olhou nos olhos.

- Eu senti tanto a sua falta. – murmurou, com a voz rouca. – Tanto...

- Eu também. – ela assentiu em voz baixa. Havia até mesmo se esquecido de Ron e Hermione e seus pais, mas quando ela se virou para olhá-los, eles já haviam entrado na Toca. – Diga-me que agora você não vai mais me deixar.

Ele sorriu. Senhor! Como ela sentira falta daquele sorriso, de sua voz, de seus olhos, que faziam ela se mergulhar em um oceano em que queria se afundar mais, e mais...

Seus lábios se encontraram, e o beijo foi doce e ao mesmo tempo, cheio de saudades. Ele encostou sua própria testa na dela e respondeu rouco:

- Eu estou aqui para ficar. O que eu precisava fazer está feito. O trabalho que Dumbledore me deu acabou, e agora é apenas a batalha com Voldemort.

Os olhos dela se arregalaram.

- Ah, meu Deus, você vai batalhar com ele? – ela gritou, se afastando.

- Ginny, se acalme. – ele riu a puxando para si novamente. – Não, eu não vou lutar sozinho. A Ordem está comigo, e agora vamos planejar uma armadilha. Eu não vou mais sumir.

Seus pais e Ron e Hermione apareceram novamente no jardim. Molly tinha os olhos cheios de lágrimas e Arthur parecia exultante. Havia um sorriso choroso em Hermione e Ron parecia serenamente feliz. Ginny olhou-os confusa, imaginando que isso fosse por causa do reencontro, depois de tanto tempo sem ter noticia sequer se eles continuavam vivos.

Mas ela estava enganada.

Harry passou a mão pelos seus cabelos e beijou sua testa, antes de segurar suas mãos e dizer em um tom baixo:

- Em todo esse tempo que estive fora, enfrentando as coisas mais bizarras que nunca imaginei enfrentar,eu não deixava de pensar em você um minuto sequer. Nos momentos em que estava sozinho, eu só imaginava acabar com aquilo tudo logo e voltar para você. Eu percebi o quanto eu amo você, o quanto eu preciso de você e o quanto eu quero você.

- Você já me tem. – ela sorriu para ele, enquanto apertava sua mão na dela. Harry sorriu.

- Mas eu quero oficializar isso. – ele sussurrou para ela. Quando ele se ajoelhou, Ginny tampara a boca com as mãos mais uma vez, mas isso não fez que ela impedisse o grito espantado que escapou de sua garganta. Molly e Hermione tinham lágrimas nos olhos e os mesmos sorrisos. Ron sorriu para Harry e este olhou para Ginny, erguendo uma linda aliança.

- Ginny Weasley. – ele disse, olhando profundamente em seus olhos. – Você quer se casar comigo?

Ela continuou parada na mesma posição, seus olhos arregalados para Harry, que sorria com certo nervosismo para ela.

Ela não soube por quanto tempo ficara naquele silêncio espantado, mas escutara a voz de Harry, distante, dizer num tom em mescla divertido, em mescla ansioso:

- Ginny, é agora que você responde sim ou não.

Ela caiu de joelhos de frente para ele e o beijou numa intensidade surpreendente. Seus olhos brilhavam de lágrimas quando ela o encarou e assentiu com a cabeça, beijando estalado em seus lábios duas ou três vezes.

- Sim! Sim! Sim!

Molly se abraçou a Arthur quando Harry colocou a aliança no anelar direito de Ginny e ela o beijou e abraçou.

Ele sussurrou em seu ouvido:

- Tudo vai dar certo agora, Gin. Eu prometo.

- Luna. – Ginny chamou-a em um tom manso, sentando-se ao lado do seu leito. – Como se sente?

Luna gemeu antes de abrir os olhos. Seus enormes olhos azuis encontraram os da amiga.

- Ginny. – ela sussurrou. – Onde... Onde está Nev?

As duas se encararam em silêncio, e Ginny se sentiu o pior dos monstros a ser ela quem lhe daria aquela noticia. Em silêncio, apenas balançou a cabeça em silêncio. Luna sussurrou "Não...", e seus olhos brilharam estranhamente, em pura tristeza. Ginny tomou as mãos da amiga e apertou-as carinhosamente.

- Você vai ficar aqui conosco agora. Não vou deixar você ir para nenhuma outra Comunidade. Vamos ficar juntas quando seu filho nascer.

Luna colocou a mão na barriga já bem aparente e não sorriu, apenas olhou com tristeza.

- Eu poderia sofrer um aborto espontâneo. – ela sussurrou.

- Não diga isso! – Ginny a repreendeu.

- Ninguém merece nascer para viver nesse inferno, Gin.

- Ele será sua maior alegria e o motivo principal para você não desistir. – Ginny retrucou com firmeza.

- Não tenho mais Neville. – Luna não chorou, mas havia uma dor horrível em sua voz. – Como eu vou viver sem ele?

Ginny se lembrava de ter dito aquelas mesmas palavras horas mais tarde, no dia em que vira Voldemort erguer o corpo sem vida de Harry. Ela se lembrava de ter dito aquilo, além de pensamentos de que nunca mais iria ver seu sorriso, nunca mais sentiria o seu toque, nunca mais escutaria sua voz.

- Você tem que viver pela criança que vai nascer. – Ginny respondeu amavelmente. – Ele ou ela vai precisar de você forte para cuidar dele.

Luna se arrumou na cama e fechou os olhos.

- Ginny, foi horrível. Estávamos todos dormindo... Nem mesmo as crianças foram poupadas... Eles riam enquanto lançavam Maldiçoes da Morte nelas.

Aquilo fizera o sangue da ruiva ferver.

- Você viu quem eram os desgraçados?

Ela balançou a cabeça.

- Não, mas parecia existir um líder entre eles. Foi ele quem me atacou e atacou ao Nev... Se não estiver enganada, foi ele quem ateou fogo na Comunidade.

Um arrepio percorreu pelo corpo de Ginny.

- Você conseguiu reconhecer a voz? Você sabe quem era?

Luna pareceu incerta.

- Eu pensei ter escutado, mas é impossível que seja.

- Pelo amor de Deus, Luna, quem você achou que fosse? – ela tinha certeza que, quando descobrisse os responsáveis, não mediria esforços para assassinar cruelmente todos eles. Se a temporada de Caça aos rebeldes estava aberta, para Ginny, a recíproca com relação a eles era verdadeira também. Ela iria perseguir cada Comensal, e sentiria prazer em matar cada um lenta e dolorosamente.

- Bem, eu...

A porta do quarto em que Luna e Ginny estavam se abriu. O olhar de Ginny caiu imediatamente sobre o filho, no colo de Draco.

- Era para você estar dormindo, Michael Potter. – Ginny disse com um tom zangado em sua voz. Draco colocou o menino no chão, que correu para os braços da mãe.

- Eu não consegui ficar lá... Pensei que você estava em perigo... Escutei você gritando!

Ele começou a chorar assustado. Ginny suspirou derrotada e acariciou o topo da cabeça da criança.

- Está tudo bem. – ela disse com voz suave. Olhou para Draco.

- Onde está meu irmão?

- Está convocando os outros das comunidades e está tentando descobrir se ainda há Comensais nos escombros deixados pelo fogo.

Ela assentiu e olhou para o loiro, com uma ponta de esperança.

- Alguém mais conseguiu escapar? – ela sussurrou. Draco entendeu o que ela queria dizer; Bill, Fleur e a filhinha e Fred estavam lá. Ele abaixou a cabeça após negar.

- Eu lamento, Ginny.

Ela o encarou por um tempo, absorvendo o impacto daquelas palavras.

- Acredito que Voldemort não saiba que há mais de uma Comunidade. Ele deve achar que erradicou o problema praticamente por completo. – Luna replicou assustadoramente calma. – Ele sabe que você está viva, é claro. – olhou para Ginny. – Mas acredito que ele não saiba que você é a principal cabeça de tudo isso.

- Ele não sabe. – Draco afirmou, e após isso olhou para Ginny. – Estive com ele, é por isso que não consegui me encontrar com você.- justificou.- Ele acha que você age por conta própria, porque em todas as operações conjuntas você esteve comandando tudo aqui por baixo.

- Acho que você é tão procurada quanto Harry foi antes de morrer. – Luna despertara seu lado de falar verdades inconvenientes. – Escutei Draco um dia conversando com Neville. Você praticamente é um dos principais assuntos de Voldemort.

- Muito tocante da parte dele. – Ginny replicou com sarcasmo. Ela voltou-se para Draco. – Você tinha alguma coisa com relação ao Ministério antigo para me contar. – pressionou-o.

Draco engoliu em seco; lá estava Ginny, sentada ao lado do colchão de Luna, com o filho sentado em seu colo. Michael parecia distraído com uma mecha vermelha do cabelo da mãe. Olhando para o filho dela mais uma vez, ficou surpreso de como o garoto era a cópia exata de Potter.

Detestara Potter desde o dia em que ele recusara sua amizade, no primeiro dia de aula em Hogwarts, há tantos anos, mas de tudo o que ele estava sabendo, e que Ginny em breve iria saber, ele imaginava não ser justo tudo o que acontecera particularmente com o filho; ali estava a mulher que Harry Potter amava, sua própria melhor amiga e possivelmente única, tomando frente de todos aqueles acontecimentos, uma mulher fria e forte, fazendo um contraste terrivelmente triste com um filho que ele nunca soube existir em seus braços.

- Converse com Luna primeiro. – Draco disse com a voz suave. – Temos tempo para conversar sobre isso.

Ginny franziu o cenho.

- Não, não temos tempo.

- Conversarei com seu irmão primeiro. – ele foi categórico ao responder. – E após isso, falaremos com você.

Ele se levantou e deu as costas às duas mulheres e ao garoto e saiu do quarto.

Ginny ficou encarando para a porta que Draco passara havia pouco tempo, e quando seu olhar se encontrou com Luna, surpreendeu-se que ela a estivesse analisando.

- Precisa de alguma coisa, Luna? – Ginny perguntou gentilmente. Luna negou com a cabeça.

- Estou bem acomodada. Pelo menos, na medida do possível. – ela sorriu. – Estou na verdade me perguntando como você tem suportado tudo isso há tanto tempo.

Ginny balançou a cabeça.

- Eu tenho por quem lutar. – respondeu simplesmente, e olhou para Michael, que dormira em seu colo.

A amiga ficou um tempo em silêncio.

- Harry estaria orgulhoso de você, tenho certeza. – respondeu em um tom de voz baixo. Ginny não dissera nada. – Tudo o que você vem fazendo... A forma como você tem batalhado. E ainda cuidando do filho dele... Seu filho com ele... Tão bem.

Era inútil falar sobre Harry com Ginny, e Luna já sabia disso há um tempo. Imaginou que a única pessoa com quem ela falasse sobre Harry era seu próprio filho, para contar coisas que Harry fizera na escola e, possivelmente, com Draco Malfoy. Por mais estranho que pudesse parecer, os dois haviam criado um laço de amizade incrivelmente forte, apesar de tantas diferenças.

Ginny passou a mão pelo rosto do filho adormecido, e pareceu perdida em pensamentos.

- Ele é a cara do Harry. – Luna tentou pela ultima vez e não se arrependeu. Ginny assentiu, em silêncio e, após um pequeno período quieta, disse com a voz baixinha:

- Sinto falta dele. Ele... - balançara a cabeça. – Nada.

- Gin. – Luna segurou a mão da amiga. – Desde o dia em que Voldemort vencera a batalha com ele e mostrou o corpo de Harry na frente de todos nós, eu nunca mais ouvi você falar sobre ele.

- Eu não estou brava com ele, se é isso que parece. – ela respondeu simplesmente. – É apenas mais fácil. Covardemente mais fácil. Ele não gostaria que eu ficasse pensando nele e não levasse minha vida adiante.

- Mas isso é justamente o que você está fazendo. – Luna respondeu amavelmente. Depois, com uma mudança brusca, respondeu: - Você se parece muito com ele. Comecei a reparar nisso desde que se criaram as Comunidades. Eu vejo muito dele em você.

Ginny mordeu o lábio, mas não parecia querer chorar. Era como se uma fúria cega se apoderasse dela.

- Voldemort nem nos deixou enterrá-lo dignamente. – não havia emoção naquelas palavras. – Ele o humilhou, ele o derrotou, e ele não deixou que seu corpo descansasse em paz. Ele... Simplesmente sumiu com o corpo de Harry. – Ginny olhou para o filho mais uma vez, e disse com voz suave. – Parte de mim continua aqui pelo meu filho. A outra parte morreu com Harry.

- Eu pensei tê-lo escutado hoje à noite, enquanto estávamos sendo queimados vivos. – Ginny ergueu os olhos de Michael e fitou Luna com intensidade, sem sorrir. – Mas é óbvio que eu estava sonhando.

Ginny não deixou de encará-la. Havia um brilho estranho em seu olhar.

Não fora muito difícil fazer as conexões. Sonhos com o Ministério, Voldemort convocando seu circulo mais íntimo de Comensais da Morte para falar que descobrira uma Comunidade. O envio de uma espécie de cabeça entre os Comensais.

Seria possível? Ou estaria ela, em uma tentativa desesperada, de achar um meio em que ele estivesse vivo? Seria possível?

Michael se arrumou em seu colo e Ginny mordeu o lábio, parecendo pensativa.

- Ginny? – Luna a chamou. Ginny se levantou com o filho nos braços e sorriu para Luna, mesmo que seu íntimo gritasse.

- Você precisa descansar. Vou para meu quarto, e conversamos amanhã.

Ela foi para seu quarto colocar Michael no colchão com os pensamentos em alvoroço. Pensando com mais cuidado, aquilo seria impossível, e xingou-se por pensar em tais coisas. Será que a falta que sentia dele era tanta ultimamente, que ela estava tentando se apegar nas coisas mais impossíveis, tentando encontrar uma saída? Luna dissera antes que pensava ter escutado a voz do líder entre os Comensais, e após algum tempo dissera ter imaginado escutar Harry. Era óbvio que ela pensava ter escutado o tal Comensal ser Harry.

Luna, Ginny se lembrou, era um pouco excêntrica com relação as suas idéias. Não era ela quem acreditava em Narguilés e Zonzóbulos?

Colocando o filho com cuidado no colchão e o cobrindo, ela ficou com os olhos fixos nele, mas sem realmente prestar atenção no que estava olhando.

"Eu descobri por que você tem sonhado com o antigo Ministério da Magia", as palavras de Malfoy explodiram em seus ouvidos.

- Você está delirando. – ela resmungou para si mesma. Não existia a menor possibilidade daquilo ser verdade. – Delirando completamente. – repetiu. – Talvez Ron tenha razão... Eu estou tentando achar um meio de acreditar que ele está vivo.

Balançou a cabeça. Ela tinha não só que pensar na Comunidade de Godric's Hollow, tinha que pensar no bem-estar e segurança de todas as outras espalhadas pela Inglaterra. Tinha que pensar na segurança de seu filho. Tinha que achar um meio de paralisar todas as atrocidades de Voldemort e, se possível, ver o bastardo morto.

- Harry está morto. – disse com firmeza para si mesma.

Tentando com força clarear seus pensamentos, ela percebeu que não teria pensado as coisas que pensara se não tivesse encontrado a foto do dia em que a pedira em casamento e não estivesse tão vulnerável.

Abrindo a porta de seu quarto e se dirigindo até a sala, ela manteve um mantra de pensamentos, repetindo frases para si mesma como "Eu tenho um filho para proteger", "Eu tenho uma Comunidade para proteger" e "Harry está morto".

Quando ela abriu a porta da sala, viu uma cena completamente estranha aos seus olhos: Draco estava de pé, encostado na mesa de centro onde se tinha as reuniões entre os lideres das Comunidades, com cara de enterro e, sentado em uma das cadeiras, estava Ron, com os olhos vermelhos e inchados.

E tivera tempo o suficiente para escutar Draco falando:

- Pode existir a chance de o capturarmos, e eu tenho um... – ele se calou ao ver Ginny parada na porta. Engoliu em seco. – Gin...

- Você disse que havia descoberto porque eu sonhava tanto com o Ministério. – Ginny fora direta. – Se há um motivo, eu quero saber por quê.

Ron e Draco se entreolharam.

- Ele tem guardado sua maior arma lá. – Draco respondeu com a voz baixa. – Se ele já é um bruxo poderoso e invulnerável, com aquela arma não existe a mínima chance de perder.

O olhar de Ginny foi para Ron, como quem dissesse silenciosamente que ela sabia, o tempo todo, que havia alguma coisa ali.

- E o que é essa arma? – Ron e Draco se entreolharam mais uma vez, e Ginny pareceu zangada com aquela atitude.

- Ginny, você precisa entender...

- A arma estava com aquele Comensal líder de hoje a noite? – a raiva foi borbulhando seu intimo, e ela começou a se sentir extremamente nervosa. – É isso? Ele estava usando aquela arma principal de Voldemort para acabar conosco?

Ron suspirou e olhou para Draco mais uma vez, e aquilo foi o ápice para Ginny.

- Vocês querem parar com isso? – ela gritou enfurecida. – Vocês querem me dizer de uma vez o que é que está acontecendo e parar de se entreolharem toda hora, achando que eu vou surtar com sabe-se lá o que vocês querem dizer?

Ron inspirou profundamente.

- Voldemort não tem um objeto como arma, Gin. O tal Comensal de hoje é a arma.

- Um bruxo tão poderoso quanto ele. – Draco continuou. – Se não, mais forte.

Isso então seria mais fácil, ela pensou com revolta. Já queria matar os Comensais responsáveis pela morte de dois de seus irmãos, sua sobrinha e Neville, e agora sabendo que o chefe, o líder deles era a preciosa arma de Voldemort...

-... Ah, com certeza agora eu terei prazer de matá-lo vagarosamente. – ela completou seu pensamento, mas Ron negou com a cabeça.

- Não vai querer fazê-lo. Ginny, você não está entendendo...

- Oh, então me faça entender! – ela praticamente cuspiu a frase.

Draco pareceu finalmente zangado com a explosão dela.

- A arma de Voldemort que pode garantir a vitória dele, Weasley, é o pai de Michael.

Levar uma maldição Cruciatus doeria menos, ela pensou, enquanto olhava para os dois, sem expressar reação nenhuma. Balançando a cabeça, respondeu com a voz inexpressiva:

- Harry está morto.

- Não, não está morto. – Draco insistiu. – Está tão vivo quando você ou eu. Eu vi, Ginny, eu o vi. Voldemort nos mostrou Potter.

- Não pode ser Harry. – Ela olhou para Ron, e percebera que ele havia chorado por causa disso. Mas não... Não fazia o menor sentido. – Pode ser algum feitiço das Trevas que ele fez assumir a imagem dele... Não pode ser...

- É ele. – Draco inspirou. - Não tem como mascarar a verdade.

- Mas... Ele mostrou o corpo de Harry, ele levantou o corpo de Harry para que todos vissem! – Ginny se sentiu repentinamente enjoada. – E não há como trazer os mortos de volta a vida.

- Harry nunca morreu. Voldemort pensara que sim, quando erguera o corpo dele para que todos vissem , e quando tomara a decisão de que queria o corpo dele como um troféu, por ter vencido a única coisa que poderia ameaçar todo seu reinado, percebeu que havia alguma coisa completamente errada.

Draco se lembrou daquele momento com um arrepio que percorrera por sua espinha. Voldemort explicava isso calmamente, como se analisasse o que havia acontecido. Ao seu lado, Harry Potter estava parado, com vestes de Comensal, com o rosto desprovido de emoção e o olhar frio. Ele pensou até mesmo estar vendo Voldemort encarnado em Potter.

Todos os Comensais ficaram assombrados, e talvez, de certo modo, assustados.

- Potter estava vivo, mas em um estado de inconsciência.

- Voldemort o teria matado. – Ginny respondeu com a voz fraca.

- Foi seu primeiro pensamento. – Draco admitiu. – Mas em seguida ele dissera que percebera algo... Algo que seria mais proveitoso se deixasse Potter vivo. Ele é um bruxo poderoso, todo mundo sabe disso. Voldemort se empenhou para controlar sua mente, de modo que o corpo de Potter fosse também seu corpo.

Os olhos de Ron ficaram marejados mais uma vez. Ginny não compreendia naquela loucura, o que era irônico, uma vez que cogitara aquela possibilidade de Harry estar vivo antes de entrar naquela sala.

- Voldemort... Possuiu Harry?

- Eu tenho uma teoria do que pode ter acontecido. – Ron disse com a voz baixa, embargada. – Mas isso não faz o menor sentido.

- Essa historia não faz sentido. – Ginny respondeu fria. Ron olhou em seus olhos e disse simplesmente:

- Horcruxes.

Draco olhou para os dois confusos, mas Ginny ergueu uma sobrancelha.

- Pensei que vocês tivessem destruído todas.

- Nós destruímos. – ele assentiu. – Mas Ginny... E se Voldemort fez do Harry uma horcrux?

- Mas que merda é essa de horcrux? – Draco perguntou incrédulo. Ginny fez um movimento com a mão.

- Se Harry fosse uma horcrux, por que Voldemort iria querer matar um próprio pedaço de alma? Isso faz tanto sentido quanto essa história idiota.

- Como explica ele não ter sido morto pela Maldição da Morte pela segunda vez? – Ron encolheu os ombros. – E o que tenho é só uma teoria. Draco me disse ver Voldemort pelos olhos de Harry. Isso não seria difícil se ele fosse uma horcrux... E eu pensei na conexão que ele tinha cm a mente do Voldemort... Não sei.

- Essa maluquice toda faz alguma diferença para o que temos em mãos? – Draco perguntou confuso.

- Faz. – Ginny assentiu. – Faz a gente pensar se Voldemort está apenas controlando Harry ou se ele é Harry. O que mais Voldemort disse?

Draco estudou a amiga por um tempo, imaginando como ela iria reagir as suas próximas palavras.

- Voldemort disse que levara muito tempo para conseguir controlá-lo, porque parecia haver alguma coisa que o deixava... Você sabe, preso. Ele sussurrava seu nome toda vez que Voldemort tentava controlá-lo, e Voldemort não conseguia controlar sua mente.

Ginny sentiu como se tivesse levado uma pancada no estômago. Era como se tivesse sido transportada para seu sonho, com o qual vinha sonhando havia dois meses.

- Ele estava... No antigo prédio do Ministério da Magia? – ela sussurrara a pergunta. Draco assentiu.

- Estava.

Ginny precisou se apoiar na mesa com as mãos para que não desabasse. Todo aquele tempo... todos aqueles anos, em que ela pensava que ele estava morto... E ele estava tão ridiculamente próximo a ela...

- Ginny, não pense em fazer nenhuma loucura. – Ron a aconselhou.

- Como o quê?

- Como ir atrás de Potter. – Draco respondeu pelo irmão dela. – E não me olhe desse jeito, eu sei que é o que você queria fazer. Mas ele não é o cara que você ia casar, é Voldemort. Ele não hesitaria em matar você, como fez com toda aquela Comunidade. Ele não hesitaria em matar Michael.

As lagrimas começaram a borrar a visão de Ginny. Era quase que insuportável imaginar Harry sendo manipulado, imaginá-lo em vestes de Comensal da Morte...

- Eu... Eu preciso pensar... – ela sussurrara, evitando olhar para os dois. – Podemos conversar sobre isso depois?

- Temos tempo. – Draco respondeu, solícito.

Ela assentiu e deu às costas aos dois, saindo da sala como um foguete. Draco suspirou e olhou para Ron.

- Ela não vai ser idiota de sair atrás dele, vai?

Ele negou.

- Não. Você a fez pensar em Michael antes que ela tivesse essa idéia. – ele passou a mão pelos cabelos, parecendo exausto. – Eu imagino como a cabeça dela deve estar. Se para mim isso é horrível, imagino que para ela esteja sendo um inferno.

Draco assentiu.

- Você já avisou aos outros lideres do plano para pegá-lo.

- Já. Você vai falar com Ginny?

- Achei melhor não. – Draco pareceu envergonhado. Eu imaginei que ela não conseguiria separar uma coisa da outra, você sabe como ela tem agido desde que começara a sonhar com o lugar que ele estava. É engraçado. – ele disse bruscamente.

- Eu não vejo nenhuma graça. – Ron ergueu as sobrancelhas.

- Digo que é interessante o fato dela ter sonhado com o Ministério, que era justamente o lugar em que eles estavam, e o fato de Potter chamar por ela. A ligação que os dois têm é impressionante.

Ron suspirou. Olhou para o relógio de pulso e se levantou.

- Está na hora, se você quiser dar continuidade ao plano.

Draco caminhou com ele até a porta.

- Só espero que Ginny não descubra até termos feito tudo. A fúria dela me dá mais medo que a cara feia de Voldemort.

Continua...

Notas: Eu queria ter feito só dois capitulos, mas parece que a zica de algumas pessoa foi maior e agora eu to rumo ao terceiro e ultimo capitulo :D

Espero que vocês também tenham gostado desse capitulo, e preparem seus corações para o próximo.

Beijos.