Hey! Tudo certinho? Capítulo II, como prometido. Atrasei dois dias, mas, bem, o cap. tá aqui.
O ônibus partiu sem elas, que foram atrasadas pelo inesperado combate.
"-Droga, droga, droga!"- praguejava Lilly – "O próximo ônibus só sai na segunda, e hoje ainda é sexta!" – resmungou ela, limpando o pé que sangrava.
"-Você nunca reclamou de ficar comigo." – debochou ele – "Nem quando nós não namorávamos ainda."
"-E eu não reclamaria, Warren. Talvez, se as coisas fossem diferentes." – ela passou uma mão nervosa na testa e massageou as têmporas. Ele conhecia aquele gesto, ela estava preocupada.
"-O que foi?" – ele perguntou.
"-O que foi o que, Warren?" – respondeu ela com outra pergunta, com a voz cansada.
"-Você está preocupada. Com o que?"
"-Estou preocupada com uma porção de coisas! Mas hoje eu estou preocupada com onde vamos dormir, na verdade, onde Cate vai dormir. Eu não me importo com isso. E com o que ela vai comer. E com mais um monte de coisas."
"-Vocês podem dormir no dormitório, mas fica um pouco longe daqui, se você agüentar andar até lá. E tem comida no refeitório."
Ela acenou positivamente e puxou Cate para um abraço. Se ela pudesse escolher, a filha não passaria por nada daquilo. Warren se afastou, Lilly não sabia para onde ele fora.
"-Ele pensa coisas ruins sobre mim, mamãe." – disse a garotinha, com o olhar vago – "Ele pensa em como as coisas seriam se eu não tivesse nascido, em como ele não gostou de me conhecer e não gosta de mim, como eu sou errada, e como vocês seriam felizes juntos, se eu não existisse." – ela disse, triste e de cabeça baixa - "Mamãe" – ela chamou – "Você seria mais feliz se eu não tivesse nascido? Com ele?" – ela perguntou inocentemente – "Eu só quero que você seja feliz, mamãe. Eu não sabia que eu tinha feito mal." – ela abaixou os olhinhos negros.
"-Querida, não é nada disso." – Lilly ficou penalizada ao ver a face de tristeza que a filha exibia – "Você é a pessoa que eu mais amo neste mundo, e é quem me faz mais feliz." – ela puxou a filha para mais perto e sentou-a em seu colo – "Eu não seio que eu faria se você não existisse, meu amor. E não ligue para o que o Warren pensa, Cate, ele não é uma pessoa muito boa."
Lilly enfaixou seu pé com ataduras, que Warren havia trazido da enfermaria, e então partiram para os dormitórios.
"-Querida, aqui, dê a mão para a mamãe." – pediu carinhosamente Lilly – "A mamãe não pode te carregar, porque, veja, tenho o pé machucado. Tudo bem? Você vem do meu lado?"
A garotinha acenou positivamente com a cabeça e Lilly lhe deu um beijinho no topo da cabeça. Warren só as observava. Ele achava aquilo tão estranho, o modo como Lilly mudara desde que a vira pela última vez, quatro anos atrás. Ela parecia mais adulta, e até mais bonita, e era mãe. Tudo mudara. Ela era a 'mamãe' agora.
Caminharam muito até chegarem na parte oeste, uma parte muito antiga da escola, onde os dormitórios ficavam. Tiveram de fazer algumas paradas, porque Lilly tinha o pé machucado, e porque Cate não agüentava andar muito tempo.
Chegando lá, Warren apontou uma cama, para onde as duas foram se sentar, e saiu novamente, para buscar alguma comida.
"-Querida, nós vamos dormir aqui esta noite, tudo bem?" – Lilly perguntou, guardando alguns fios loiros da menininha atrás de sua orelha, e ela acenou positivamente.
"-Mamãe, mas ele vai dormir aqui com a gente?" – perguntou ela, desconfiada.
Lilly suspirou. Ela não queria que Cate sentisse repulsa de Warren. Ela o amara e o amava tanto, e ele era pai dela. Não queria que nada daquilo entre os dois tivesse acontecido. E era isso que ela temia quando tomou a decisão de ir embora.
"-Vai, meu amor."
"-Eu tenho medo dele, mamãe. Ele não gosta de mim, e se ele fizer alguma coisa comigo?" – falou ela, se encolhendo.
"-Ele não fará nada com você, Cate. A mamãe nunca ficaria aqui, com ele, se achasse que ele faria algo contra você. E, além do mais, a mamãe vai dormir com você, então não precisa ter medo. 'Tá certo?" – falou Lilly, apertando a pontinha do nariz da filha, fazendo-a rir e rindo também – "Então 'tá combinado, hein? A mamãe vai te proteger!" – falou ela e se meteu a dar beijinhos e fazer cócegas em Cate, ambas rindo alto.
Warren chegou trazendo água, suco, e alguns petiscos, cortando o clima de descontração entre Lilly e Cate. A pequena estacou sentada na cama, observando, séria, atentamente cada movimento de Warren, temerosa.
Elas comeram um pouco e Lilly ajeitou a menininha em uma das camas.
"-A mamãe já vem querida. É rapidinho." – disse ela, e deu um beijo na testa de Cate.
"-Warren? Você não vai dormir no quarto?" – perguntou Lilly, se encostando na parede em que ele estava encostado, sentado no chão – "Eu vou dormir na mesma cama que Cate."
"-Eu vou ficar aqui fora. Os caras que te atacaram, eles são muitos. E podem voltar."
"-Bom, faça o que quiser. Boa noite."
Ele não respondeu, ela entrou e se ajeitou na cama com a filha, e a abraçou. Queria que ela se sentisse amada. E Lilly se sentia culpada pelo pai que ela tinha, por ele não amá-la, e pelo modo como ele a havia tratado.
Por fim, Cate dormiu. Lilly ajeitou as cobertas dela e lhe deu um beijinho.
Ela seguiu para fora, onde Warren se encontrava sentado na mesma posição, em cima de um colchonete azul.
"-Lilly?" – perguntou ele, quando ela se aproximou – "Você não deveria estar dormindo com a menina?"
"-A 'menina' já dormiu. E eu estou sem sono. E se alguém quiser nos atacar, você sozinho não poderá com eles."
"-Eu posso muito bem com eles. Não preciso de ninguém me ajudando. Há quatro anos eu faço isso."
"Tudo bem, então." – ela disse, e sentou-se próxima a ele.
"-Quando você se tornou amargo assim, Warren?" – perguntou ela, após um bom tempo – "E por quê? Você nunca foi assim. Reservado, sim, mas nunca agressivo e amargurado assim."
"-Desde que você me deixou Lilly."
"-Warren, por favor. Eu tive que ir embora. Não desconte na minha filha, por favor."
"-Se não fosse por ela, você não teria ido."
"-Se não fosse por você, eu não teria ido."
"-Por mim?" – ele lançou seu olhar de desprezo.
"-Por você, Warren, fui embora porque achei que você não gostaria da notícia."
"-Por que você veio aqui, hoje? Depois de tanto tempo?" – ele continuava a olhá-la com aquele olhar frio, mas com uma pontada de dor.
"-Eu vim aqui para Cate conhecer a escola onde eu estudei. Eu não sabia quanto tempo Sky High duraria no estado em que está, então resolvi trazê-la logo."
"-Mas infelizmente me encontrou."
"-Eu não esperava – e nem queria – te ver neste momento. Mas não é por mim. Eu sempre quis te ver novamente. Mas eu não queria que Cate te conhecesse. Não agora."
"-Você diz que teve de ir embora. Você não teve. Você escolheu. E simplesmente foi."
"-Sim, eu escolhi."
O clima era tenso. Estava quase palpável.
"-Então por que você escolheu? Você não ganharia nada indo embora, e você foi."
"-Eu vou te contar desde o começo."
-Flashback on-
Warren só chegaria à Sky High mais tarde, depois do almoço na verdade. Então ela teria a manhã toda. Precisava somente conseguir sair dali o mais rápido possível. Ligou para Will, ele tinha o telefone de Ron Wilson, e era do que ela precisava agora.
Após aterrissarem, Lilly entrou na farmácia e comprou o que preicsava.
Chegando em Sky High novamente, foi para o banheiro de seu dormitório. Esperou o que pareceram horas. Ela já vinha desconfiando há duas semanas, quando sua rotina de sono mudou, assim como seus hábitos alimentares. E na última semana vinha tendo enjôos matinais, e após fazer uma rápida conta mental, percebeu que suas regras também haviam atrasado.
O teste ficara pronto, e os sinais que apareciam na pequena telinha do teste indicavam que ela estava grávida. Ela ficou sem reação, depois chorou.
Mas não havia porquê chorar. Era um bebê, não um monstro. E era seu bebê. Seu e de Warren.
...
Passara-se um mês desde que descobrira a gravidez, e ainda não contara a Warren. E não sabia se contaria. Ela ainda lembrava de quando eles falavam sobre casamento.
-Flashback² on-
"-Você acha que nos casaremos algum dia, Warren?" – perguntou ela, manhosa, se encostando mais nele.
"-Não sei. Talvez. Se você quiser, sim nós nos casaremos."
"-Então você casaria comigo, Sr. Peace?"
"-Claro, futura Sra. Peace. Com você, claro."
Ela riu e se virou para ele.
"-E filhos, Warren? Você teria?" – ela perguntou, sonhadora.
"-Não. Eu caso e faço o que você quiser, mas não quero ter filhos."
"-Por que?"
"-Eu não quero, 'tá bem? Eu nunca seria 'pai' de ninguém, mesmo que tivesse filhos."
"-Como assim, Warren?"
"-Eu só não vou ter filhos. Disso você nunca irá me convencer, e se quiser casar comigo, terá que abdicar disso. Não quero mais ninguém com o sangue sujo de meu pai."
-Flashback² off-
Warren nunca quis filhos, e ela sabia que ele rejeitaria aquela criança. Mas ela não queria ficar longe dele, o amava demais. E já amava também seu bebê. Para aquela situação, não havia resolução provável.
...
Lilly e Warren estavam deitados, ela acomodada sobre o peito nu do namorado. Ele a abraçou de lado, e deu um beijo no topo de sua cabeça. Estavam assistindo a um programa na TV, mas ela não prestava atenção. O que importava agora era a companhia dele, que tinha de aproveitar o máximo possível.
Sua barriga era quase visível, mas seus seios estavam maiores e seus quadris mais largos, seu corpo havia mudado.
"-Lil? 'Tá tudo bem?" – perguntou ele, percebendo que ela olhava para outro lado, devaneando.
"-Está tudo ótimo, amor. Eu só estava fazendo umas contas." – ela virou-se para ele e lhe deu um selinho.
"-Está tão calor aqui, Lilly. E você odeia dormir de camisetas e shorts."
"-Eu sei. Mas eu não estou com tanto calor assim, Warren. 'Tá tudo certo por aqui."
"-Você é quem sabe." – e ele lhe deu outro beijo.
...
A barriga de quase quatro meses de Lilly já estava ficando visível demais. Não dava para esperar mais. Ela arrumou as malas e decidiu que partiria em uma manhã de sábado, dizendo que ia visitar a mãe, a irmã e a sobrinha. Warren acabara de sair do banho e a vira terminando de colocar as roupas em sua mala.
"-Você não podia adiar mais um pouco, Lil?" – perguntou ele, abraçando-a por trás.
"-Ah, não dá. A Anne não vai trabalhar neste fim de semana. Tenho que aproveitar." – ela se virou e o beijou.
"-Eu vou sentir sua falta, Lils. Muito."
"-Eu também vou, meu amor. Você nem imagina o quanto. Agora vá por uma roupa!" – ela deu-lhe um tapinha nas costas e ele abriu uma das gavetas dele.
"-Nossa! Quantas blusas largas!" – ele reparou nas peças que ela terminava de encaixar na mala – "Você fica linda naquelas blusas justinhas." – ele sorriu malicioso para ela.
"-Ah, querido, chega o verão eu incho toda. Então sem blusinhas justas por enquanto!" – ela riu nervosamente.
Manhã seguinte. Lilly acordou e Warren ainda dormia. Eles dormiram abraçados, ela dormira apoiada em um de seus ombros, e aquilo era uma das coisas que ela mais gostava no mundo. Ela o olhou mais uma vez: os cabelos que chegavam aos ombros presos em um coque frouxo mostrando suas feições bem delineadas. A boca estava entreaberta e sua expressão estava relaxada. Ela virou com as costas na cama. Agora não havia como voltar atrás. Ela ergueu a camiseta que usava e olhou sua barriga. Ela já estava parecendo uma grávida. Lilly sorriu e acariciou um pouco sua barriga.
Ela levantou e se arrumou, quando estava colocando seus brincos, Warren acordou. Ele se virou na cama, se espreguiçou, abriu e fechou os olhos quando a luz do sol os atingiu. Lilly o observou. A cara que ele fazia quando acordava era diferente de qualquer coisa, era uma expressão ingênua e infantil.
"-Bom dia, Lils" – ele sussurrou, ainda não conseguindo abrir os olhos direito.
"-Bom dia, meu amor." – ela disse, pegando sua mala – "Eu já vou indo."
Ele se levantou para se despedir dela, somente de samba-canção.
"-Tchau, Lil. Se cuide" – ele a olhou profundamente, um olhar de extremo carinho e cuidado, assim como admiração.
"-Tchau, Warren. Se cuide você também." – ela puxou o queixo dele para que os olhos ficassem na mesma direção – "Olhe aqui. Eu amo você. Não se esqueça disso nunca, aconteça o que acontecer. E eu vou sempre te amar, meu amor."
"-Eu também te amo muito, Lilly. Sua pequena." – ele apertou o nariz dela e deu-lhe um beijo na testa, depois o beijo desceu para os lábios.
Lilly sorriu mais uma vez, e Warren sorriu de volta. Então ela virou as costas e foi embora.
-Flashback off-
"-Depois que eu descobri que estava grávida, eu fui embora. Essa parte você já sabe. Mas eu queria que você soubesse que eu fiquei o máximo de tempo que eu podia com você, quando fui embora minha barriga já era bem visível. Então eu realmente fui visitar minha mãe e minha irmã. Mas minha irmã não estava. Quando eu contei para minha mãe, você já pode imaginar o que aconteceu."
"-O que a cobra fez?"
"-Ela, primeiro, teve um ataque. E repetiu todas aquelas coisas que ela sempre falava de você. Depois, me xingou por eu ter dormindo com você e falou mais coisas sobre você. Eu não discuti com ela, não valia a pena, até ela começar a xingar o meu bebê que nem sequer havia nascido. Ela queria que eu abortasse a criança o mais rápido possível."
"-E por que você não abortou?" – ele perguntou, com a voz fria e ácida.
"-Por que? Como assim por que, Warren? Não faz o menor sentido."
"-Talvez porque a criança fosse minha."
"-E o que tem isso? Eu não acho que esse seja um ponto negativo. Se eu fiquei grávida de você era porque eu te amava, e eu nunca disse que me arrependi disso."
"-Mas mesmo assim. A criança tinha meu sangue."
"-Venha aqui, Warren." – ela chamou ele para mais perto da ampla porta e ele foi –"Olhe como ela dorme. Se eu a tivesse abortado, a matado, assim como você e minha mãe queriam, ela não estaria aqui, dormindo, tranqüila. E eu a amo mais do que tudo. E sempre amei, desde que descobri que ela existia."
Warren pensou um pouco, e ficou quieto, dando a deixa para Lilly continuar.
"-Aí, é claro, eu briguei com a minha mãe. Eu a xinguei e ela me xingou de todos os nomes que existem, até que fui embora da casa dela e aluguei um apartamento, até comprar o meu, em uma cidade a duas horas daqui. Ela nasceu, e nem minha mãe nem minha irmã foram me visitar, mas eu não esperava nada delas. Catherine cresceu, e é cada vez mais parecida com você. Até que fui transferida do meu trabalho pra cá, e comprei um apartamento aqui, que está terminando de ser decorado e mobiliado. E cá estamos. Presos em Sky High."
Lilly encostou-se novamente à parede. Warren vagarosamente virou-se para ela.
"-Eu realmente preferia não tê-la conhecido."
Ela se afastou sem cerimônia. Não queria ficar perto dele se ele iria falar aquelas coisas sobre a filha dela. Lilly deitou-se na cama junto à Cate, e a abraçou.
Ela chorou durante quase toda a noite, e pensava em todos os anos e momentos da vida de sua pequenina. Não havia nada de errado com ela, nada para que Warren a rejeitasse.
Warren agora podia ouvir os pensamentos dela. Ela chorava, e não estava preocupada em bloquear a mente. Ele via a garotinha quando era bebê, e depois todas as fases até agora. Ouvir Lilly chorando era terrível para ele. Tudo o que ele queria na vida era que ela estivesse feliz, mas ao seu lado.
E ai? alguém gostou? Reviews? É isso ai, pessoal. Semana que vem (se eu tiver uma inspiração divina!) eu tento postar o outro cap. , ok ? mas não tá escrito ainda, então pode demorar um pouco mais.
Beijo, L.
