:: Capítulo 2 ::

:: O Sol da Meia noite ::

Sobrevoando o céu claro, apesar de ser noite, o sol da meia noite saudava um dos poucos passageiros do avião rumo a Sibéria. Seus olhos azuis profundos tinham um brilho divertido, e a todo o momento recordava do conteúdo de uma carta urgente que recebera de seu mestre. Tirando o envelope do bolso do leve casaco que usava, puxou a carta meio amarrotada e releu o conteúdo com cuidado vendo se não estava esquecendo nada.

Pensativo, tinha certeza de não ter se esquecido de nada. Olhou para o lado e, sorriu matreiro. – "É incrível como uma pessoa pode sentir tanto frio. Ainda não sei para que tanto agasalho!" – Pensou ao vislumbrar a cabeça de cabelos esmeraldinos que repousava em seu ombro. – "Se não fosse por você, meu amor, eu não teria conseguido fazer metade das compras!" – E voltou seus olhos novamente para a cartinha.

Kamus nunca havia feito nada daquele tipo para ele... – "Fazer uma festa de Natal para uma aprendiz? Kamus deve estar louco?" – Pensou não conseguindo ficar sem sentir um pouco de raiva da pequena e das atitudes de seu mestre. O sorriso lhe morreu nos lábios. Mas ele tinha de concordar, o aquariano frio e meticuloso havia mudado um bocado depois que assumira seu romance com Milo, o cavaleiro de Escorpião.

Hyoga olhou para a janela novamente e, acomodou melhor o namorado que adormecera devido o cansaço. Lembrou-se de uma carta que chegara meses atrás lhe informando que Kamus estava com uma nova aprendiz. Sentira-se um pouco enciumado, mas sabia que um dia um jovem iria assumir o posto de cavaleiro de Aquário, mas nunca imaginara que não seria ele. Sofrera horrores com a novidade, e ainda mais por saber que perderia o posto para uma menina. A principio nem mesmo Shun conseguira o fazer aceitar a idéia, mas depois com calma, o virginiano conseguira colocar-lhe um pouco de juízo na cabeça.

Agora ali estava ele, viajando para casa, ou melhor, para uma casa nova, levando enfeites de natal, uma roupa vermelha que ele não sabia muito bem para que Kamus a queria e alguns presentes - Que no fundo ele sabia que Shun tinha razão... Natal sem presentes não é Natal! – que ambos haviam comprado para dar as duas pequenas que estariam ali, e sim claro... Presentes para eles também!

Deixou que um sorriso, que muito poucas vezes surgia em seus lábios, iluminasse seu belo rosto ao recordar-se de toda maratona imposta por Shun para que não ficasse nada para trás e, que conseguissem pegar o último avião daquela noite.

oOoOoOo

Tinham levado menos de dois dias para comprarem tudo o que precisariam levar para a nova casa que a senhorita Saori havia comprado perto do pequeno vilarejo onde ele fora um dia treinado. Já haviam entrado em várias lojas procurando por presentes para todos e agora só faltavam os presentes para as duas garotinhas que não iriam encontrar naquele lugar remoto. E entrando em uma loja de brinquedos, Hyoga recordou-se da carta de seu mestre.

'Hyoga,

Tenho muitas novidades para te contar... Coisas com as quais você nem sonha, mas devo começar desde o principio... Acho que te devo isso! Faz muito tempo que não nos vemos, por isso deixe te colocar a par de algumas coisas que estão acontecendo no Santuário desde nosso retorno.'

"Kamus eu já sabia há muito tempo que os cavaleiros de Ouro estavam sendo trazidos à vida novamente, mesmo estando tão longe, mas dou-te um desconto, ficar na mansão Kido muitas vezes pode parecer estar em uma ilhota sem comunicação" – Pensou olhando para Shun que estava escolhendo uma boneca. – Querido, acho que nenhuma delas vai gostar de bonecas! Talvez uns patins, ou mesmo bichinhos de pelúcia!

Shun o encarou com uma sobrancelha arqueada. – Tem razão, não sabemos se vão gostar! Eu já sei o que vou levar para serem nossos presentes, eu acabei de passar por eles! Venha comigo, venha ver também! – Sorrindo o jovem de cabelos esmeraldinos e profundos olhos quase do mesmo tom de cabelos o puxou pela mão o levando para frente de uma estante com vários estilos de ursinhos e apontou alguns.

O louro sorriu de lado, sabia que o namorado tinha bom gosto e perdido nos pelos brancos de um ursinho polar, lembrou-se do resto da carta.

'Estou já alguns meses treinando uma nova discípula, não queria lhe contar por carta, mas já estou na Sibéria como pode ver pelo remetente desta carta, e você sabe os telefones aqui no vilarejo quase nunca funcionam, e para contar pessoalmente não teria como lhe explicar tudo o que estou pedindo para trazer mais abaixo. Essa jovenzinha será a nova detentora da armadura de Ouro de Aquário. Não se espante, pois contarei a você assim que chegar aqui. Ela é uma criança inteligente, um pouco bagunceira e cheia de sentimentos, como você, e fez um pedido em uma carta para o Papai Noel, não me estranhe, não mudei, apenas não soube fazer vistas grossas para um simples pedido como este...'

- Hyoga! Estou falando com você! – Chamou Shun com um coelhinho malhado nas mãos o tirando de seus pensamentos. – O que acha deste para a pequena Yoru? – E agitou o bichinho branco e preto.

- Acho que ela deve gostar mais do rosa, ou do gatinho siamês! – E pegou o bichano de pelúcia na mão.

- Sim, você tem razão... Vamos levar para ela o gatinho e para a irmã dela que você falou que Kamus escreveu dizendo ser séria, vamos levar uma Hello Kitty, tenho certeza que ela vai gostar! – Shun pegou a caixa da gatinha branca com vestidinho cor de rosa e sorriu.

- Feito, mas acho que ela vai gostar mais da com a roupinha azul. – Pensativo. Alguma coisa lhe dizia para levarem a azul.

- A não Hyoga... Tenho certeza que ela vai gostar da rosa! – Arqueou as sobrancelhas o virginiano.

- Shunny querido, nem todas as garotinhas gostam de rosa! – Tentou driblar a situação para não começarem uma pequena e boba discussão. – E olhe meu amor, seja coerente, a azulzinha está mais bonitinha! – E ao ver o amado concordar pegou rapidamente a outra caixa e sorrindo o puxou para longe da pilha de caixas. - Agora passar no caixa, pagar e pedir para serem feitos embrulhos bem bonitos com laçarotes enormes! – O cavaleiro de Cisne deu uma piscadela para o de Andrômeda e seguiram para os caixas, que ainda não estavam congestionados, pois estavam ainda a duas semanas do Natal.

Depois que saíram da loja no shopping lotado, seguiram para a praça de alimentação onde comeram um lanche e, voltaram para a mansão Kido. As malas já arrumadas, só foi preciso arrumar os presentes para todos. Mais tarde, despediram-se de Seiya que no outro dia partiria para passar as férias natalinas no Santuário e, um pouco antes Shun conseguiu falar com Ikki, que ligara de uma cidade próxima a Rozan, onde ele havia ido passar um tempo na companhia de Shiryu para tentar entender as decisões do irmão.

O aeroporto estava cheio de pessoas voando para outros lugares, muitos japoneses se misturavam com turistas e, logo o vôo de ambos foi anunciado. Discretamente ambos seguiram lado à lado para poderem embarcar.

oOoOoOo

A aeromoça passando ao lado de Hyoga, querendo saber se ele precisava de algo, o tirou de seus pensamentos. O jovem de olhos azuis encarou a moça e, polidamente respondeu-lhe que não precisava de nada. Voltou seus olhos para a janela e os raios do sol da meia noite cortaram as nuvens brancas que ganhavam tons avermelhados. Baixou a cortina da janela assim que sentiu Shun se remexer, precisou esticar-se todo, mas conseguira e aninhando novamente o amado em seu ombro, recostou sua cabeça sobre a dele fechando os olhos, pois sabia que ainda teriam mais algum tempo de vôo.

oOoOoOo

Hyoga não fazia idéia de quanto tempo havia adormecido. Ele acordou com a aeromoça o olhando de um jeito estranho. Arregalando os olhos para ela, deu-se conta que enquanto dormia havia abraçado Shun e o puxado para junto de si. Com seu melhor olhar frio, encarou a aeromoça que avisou apenas que os cintos deveriam ser colocados, pois iriam pousar em alguns minutos.

Assim que se viu 'sozinho' com Shun, Hyoga delicadamente o chamou e esperou até que ele levantasse a cabeça e os lindos olhos esmeraldinos o encarassem. – Sente-se direito, Shunny, já chegamos e o avião está prestes a pousar. – A voz baixa e profunda, tendo o dom de deixar o jovem que se sentou direito corado.

- Quanto tempo eu dormi? – Shun perguntou passando as mãos pelos olhos e prendendo o cinto.

- A maior parte da viagem! – O loiro respondeu bem humorado. – Até eu dormi meu anjo! Quando conseguirmos um hotel, vamos descansar um pouco e, assim que as lojas abrirem, vamos comprar a árvore de natal e alugar um carro para conseguirmos chegar a cidade mais próxima ao pequeno vilarejo, de acordo? – Perguntou sentindo o avião começar a descer.

- De acordo! – respondeu Shun sorrindo.

oOoOoOo

Não demorou muito para conseguirem verem-se livres da alfândega e, conseguirem alugar uma pick-up com tração nas quatro rodas e seguiram para um hotel, onde conseguiram um quarto com uma grande cama de casal. Certo que evitaram olhares do atendente atrás do balcão e seguiram para o quarto que iriam ficar pouco tempo, só até o dia clarear mesmo. Mas o dia clareou e Hyoga e nem Shun conseguiram levantar antes do meio dia.

Assim que finalmente conseguiram chegar à recepção do hotel, Hyoga pagou e, com as malas seguiram para a rua. Tinham de ir até uma loja para comprar a árvore de natal e seus enfeites! Novamente o louro sentiu a pontada do ciúme em seu peito, mas segurou-se e seguiu com Shun até um shopping.

Depois de muito procurarem acharam os enfeites que queriam, e depois de muito conversarem resolveram deixar para comprar um pinheiro próximo a vila. E mesmo sobre os protestos de Shun que se não achassem ele iria fazer Hyoga voltar para comprar sozinho, seguiram viagem na imensidão branca até a cidade próxima ao vilarejo.

Quando finalmente encontraram um lugar vendendo pinheiros, Hyoga olhou atravessado para Shun, que apenas lhe sorriu.

– Ok, eu estava errado! Vamos escolher um pinheiro bem bonito e ir embora logo para o vilarejo, pois estou começando a enjoar de ver todo esse branco. – Sorriu sem graça. – Quero tomar um bom banho quente, e conhecer a pequena Yoru!

Hyoga olhou de soslaio para o namorado, mas não falou nada a respeito da menina. Limitou-se apenas a procurar um bom pinheiro. E assim que escolherem um bom, colocaram na pick-up e seguiram viagem para o pequeno vilarejo mais afastado.

Depois de algum tempo, Hyoga finalmente apontou para os telhados e para mais longe um pequeno sinal de fumaça cortando o céu mais ao longe.

- Naquela direção fica a casa que a senhorita Saori comprou! Em questão de minutos estaremos lá, Shunny! – Hyoga sorriu apertando a mão que ele tinha repousada sobre sua perna. Olhando para ele de soslaio, viu o sorriso lindo nos lábios rosados e a mão dele apertou um pouco sua cocha.

- Que bom... Banho quentinho! – Shun sorriu olhando para as casas e pequenas vendas que ficavam para trás, enquanto Hyoga ria divertido.

:: Continua... ::


N/A.:

Mais um capítulo...

Não foi fácil, Panpan que o diga, não Pan?

Mas sabe, valeu cada linha escrita.

Façam uma ficwriter feliz, review... Vai... aquele botãozinho ali embaixo... Ele não morde nem arranca pedaço!

bjs