"Como assim quem sou eu, sua estúpida. Draco Malfoy, é claro. O que diabos eu estou fazendo aqui?"

Um Jantar Muito Agradável

Uma raiva repentina se apossou de Ginny e ela levou a latinha de cerveja à boca, virando metade do seu conteúdo. Ah, que ótimo. Agora ele é Draco Malfoy. Depois de toda essa odisseia, ele é Draco Malfoy, finalmente.

E me chamou de estúpida!

"Você acha que tem o direito de falar assim comigo, Malfoy, depois de tudo o que você me fez passar essa noite? Faça-me o favor!"

Ele apenas bufou, impaciente, e colocou a mão no bolso do blazer, atendendo ao celular.

"Blaise, você pode por favor me explicar o que diabos eu estou fazendo na casa da Weasley?" Ela o ouviu perguntar, enquanto terminava o resto de sua cerveja e ia até a geladeira em busca de outra. Precisava relaxar. "É claro que sou eu, Draco."

Ginny voltou e se sentou novamente no sofá, Malfoy estava com cara de enterro e ela não pôde evitar sentir uma pontinha de satisfação ao vê-lo assim, com as sobrancelhas confusas, sem saber o que estava acontecendo. Ora, ela ficara assim a noite toda por culpa dele! Bem no seu aniversário!

"NA INGLATERRA?" Ele gritou, depois ficou mais alguns segundos em silêncio ao telefone e ofereceu-o à Ginny. Malfoy enterrou o rosto entre as mãos e Ginny escutou a voz de Blaise pela segunda vez naquela noite.

"Weasley, muito obrigado! Liguei mais umas mil vezes, mas ninguém estava atendendo. Quem esteve com você? Lance não é de fazer isso..."

"Era John"

"JOHN?" Blaise gritou surpreso e Malfoy levantou a cabeça rapidamente e encarou-a perplexo. O fato de John ter estado ali pareceu tê-lo deixado ainda mais deprimido. "Não me diga que ele arrumou problemas..."

"Na verdade Lance cantou alguma garota na boate e o namorado dela com os amigos foram bater nele, mas John apareceu e espancou seis caras." Ela explicou enquanto observava Malfoy. Aquilo estava ficando divertido, ver a cara dele se contorcendo enquanto ela falava. "Ele apanhou bastante também, então eu aparatei para o hospital e cuidei dele. Depois ele tentou me sequestrar e ficou procurando um taxi, como não queria me soltar, aparatei para cá e do nada o Malfoy voltou a si. Então não sei quem arrumou problemas, Lance ou John. Acho que os dois." Ela ouviu Blaise suspirar do outro lado da linha.

"Vou ficar te devendo essa para sempre, Weasley. Estou indo busca-lo imediatamente, onde você mora?"

Ginny passou seu endereço e desligou o celular, devolvendo-o para Draco.

"Essas coisas trouxas são muito práticas." Observou. "Acho que vou arrumar um pra mim"

Malfoy levantou o rosto e encarou-a seriamente. "Weasley, você não pode..."

"Contar pra ninguém que você tem Transtorno Dissociativo de Identidade?"

"Como você sabe que..."

"Ok, não vou. Mas tenho uma condição."

"E qual seria essa condição"

"Você me deixar trata-lo."

"Me tratar, mas você é..."

"Sou psiquiatra. Esqueci que você não sabia, já tinha contado para John."

"Nem pensar, Weasley. Eu já tenho um médico."

"Ah... Rita Skeeter vai amar ficar sabendo disso. O retorno de Draco Malfoy à Inglaterra, herdeiro de uma das maiores corporações do mundo bruxo. E uma novidade: Ele tem TDI!" O rosto de Malfoy foi ficando vermelho como um pimentão "E imagino que seu médico esteja nos Estados Unidos, não é? Por isso que você andou se escondendo todo esse tempo."

"Weasley, pra que você quer me tratar hein?"

"Hm, vários motivos. Nunca tive um paciente com TDI. John Crane é uma criatura muito interessante. E você deve pagar muito bem aos seus funcionários."

"Como assim John é interessante?" Ele franziu as sobrancelhas enquanto olhava para ela, bebericando sua latinha de cerveja. "John é perigoso, Weasley."

"É? Talvez." Ela sorriu. "Mas acho que ele gostou de mim, não vai me machucar."

"E porque você teve essa impressão, hein?" Ele riu com escárnio. Parecia não acreditar nela. John nunca havia gostado de ninguém.

"Ele disse: '11 de agosto, às 23:30. O momento em que me apaixonei por você.'" Ela respondeu, imitando a voz fria de John e seu olhar intenso, então começou a rir.

"Ele realmente disse isso?" Malfoy pareceu perplexo. "John falou mais alguma coisa? Weasley, você precisa me contar em detalhes. John é muito perigoso, ele já me meteu em um milhão de problemas."

"Estou interessada porque não sabia que alteregos podiam se apaixonar. E quando eu o mandei me seguir depois da briga ele me obedeceu sem protestos e me deixou trata-lo no St. Mungus. Acho que consigo controla-lo."

"Obedeceu? John não obedece a ninguém. Me faria um grande favor se pudesse controla-lo. Agora que estou na Inglaterra vai ficar difícil, minha mãe e minha avó não podem descobrir... E ainda tem Astoria e Seung Jo..."

"Lance conversou com eles ontem, eu acho". Malfoy arregalou os olhos.

"Lance? Onde?"

"Astoria estava na boate com esse cara asiático. Lance falou algo no celular com Blaise sobre 'estar com Astoria e Seung Jo'. Parecem ter conversado, mas eu não vi." Malfoy enterrou novamente o rosto entre as mãos e soltou um grunhido de dor. "Então, você vai me deixar trata-lo ou não?"

"O que aconteceu com meu rosto?" Ele levantou a cabeça e tocou as bochechas e a testa com seus longos dedos. "Ai! Está doendo."

"É claro que está. John brigou com seis caras, e eu coloquei soro cicatrizante e um pouco de anestésico. Tem um espelho ali." Ginny apontou para a porta aberta do quarto.

Malfoy se levantou com um pouco de dificuldade e ainda resmungando e foi até onde Ginny havia indicado. Ela apenas o escutou da sala. "POR MERLIN, MEU ROSTO!"

"Fica tranquilo, alguns feitiços e amanhã você estará como novo." Ela riu, e ele voltou para a sala. O telefone tocou e Malfoy atendeu.

"É o Blaise. Está me esperando na porta."

"E sobre o tratamento?"

"Claro Weasley." Ele revirou os olhos. "Serei seu pequeno experimento. Me mande uma coruja e nos encontramos para resolver tudo. E compre um celular, são realmente práticos." Ele virou as costas e saiu porta afora.


Já fazia quase uma semana desde o incidente com a Weasley. Nesse tempo, Draco aproveitou para resolver todos os problemas que vieram com sua volta para a Inglaterra.

Lance havia feito suas aparições. Primeiro, mandou uma carta – assinada no nome de Draco, é claro - para sua querida avó, Eleanor Malfoy, atual proprietária majoritária da Bleussang, uma das maiores marcas de cosméticos do mundo e a maior da Inglaterra atualmente. Lucius não quis colocar suas mãos no negócio de sua mãe, mas Lance já havia deixado bem claro com Blaise como achava Draco um imbecil por não colocar suas mãos no que é "seu por direito de nascença", em suas próprias palavras. Eleanor foi furiosa atrás de Draco, acusando-o de ter sumido por mais de uma década sem nem ao menos dar notícias e depois surgir já pedindo sua fatia do bolo. Apesar de parecer dura, a vovó Malfoy garantiu a Draco um emprego na área de publicidade e marketing da empresa, e ele seria subordinado direto do diretor de marketing, Baek Seung Jo.

"Tenha cuidado com Seung Jo, Draco. Ele vai fazer de tudo para conseguir colocar as mãos na Bleussang depois que eu passar dessa para melhor!" Avisou Eleanor, com seus cabelos brancos presos firmemente em um coque e arrumando seus robes cor púrpura. "Ele já conquistou grande parte dos acionistas. Apesar de jovem o menino trabalha demais, então trate de dar duro e mostrar serviço!".

Lance também havia feito com que Eleanor lhe desse uma casa em um bairro nobre da Londres bruxa. Pelo menos isso ele fez certo – Draco pensou. Não estava interessado na empresa da avó nem em trabalhar, já que vivia muito bem apenas aproveitando-se do dinheiro da família. E sua condição não faria do trabalho uma coisa fácil, qualquer um dos seus alteregos poderia aparecer a qualquer momento.

A casa era espaçosa, mas não grande demais. Tinha dois andares, quatro quartos e uma sala confortável. Tudo no estilo minimalista e classudo, como Draco preferia. Durante aqueles dias nenhum dos alteregos havia aparecido e Draco aproveitou para organizar sua mudança. Estava sentado no sofá de sua casa quando ouviu um barulho chato e insistente, como algo batendo a sua janela. Foi até ela para encontrar uma coruja acinzentada e pequenina, desajeitadamente segurando entre as patas um envelope. Draco abriu a janela e ela pareceu aliviada por finalmente se livrar da carga, jogando a carta para cima dele. Ele voltou a sentar-se no sofá e a corujinha foi folgadamente atrás dele, parando ao seu lado. Draco xingou baixo e resolveu ignora-la, então abriu a carta.

"Malfoy,
Não me esqueci de você. Onde podemos nos encontrar?
G. Weasley."

"Por mim, nunca" Murmurou, voltando sua atenção para a corujinha ainda pousada ao seu lado. "Você quer o que hein, comida?" Ele foi até a cozinha e deu-lhe miolo de pão. Ela comeu, mas não saiu do lugar. "Vá embora, sua coisinha suja!" Mas ela simplesmente ficou parada lá.


Ginny estava encucada. Não conseguia tirar o caso de Malfoy da cabeça, e isso estava desconcentrando-a do trabalho. Nunca havia visto um caso como aquele e nem ouvido falar de já ter acontecido antes com um bruxo. Depois de um tempo fingindo não ligar, admitiu para si mesma que estava curiosa e lhe mandou uma coruja. Só esperava que a filhotinha o encontrasse, era sua primeira viagem para um lugar que não conhecia previamente.

Estava pensando: Se Malfoy realmente concordasse com o tratamento, onde iriam se reunir? Ginny não tinha um consultório só dela, passava todo o tempo na emergência, tratando do psicológico de pessoas que estavam doentes fisicamente ou que se envolveram em acidentes.

"Ginevra, pare de pensar nisso. Concentre-se no trabalho."

Estava saindo do hospital na noite do dia 20 de agosto, mexendo distraidamente em sua bolsa, quando avistou Malfoy vindo em sua direção no saguão do St. Mungus. Parou sem querer no mesmo instante e observou-o, enquanto ele caminhava decidido. Dessa vez estava vestido completamente diferente da outra. Usava uma camisa social preta com dois botões abertos e as mangas arregaçadas até a altura dos cotovelos e calças da mesma cor. Seus cabelos não caíam mais na frente dos olhos, mas ele os havia colocado para trás com gel, meio de qualquer jeito, formando um pequeno topete. Assim, todo de preto, parecia mais Malfoy do que da última vez que o vira, com a camisa rosa e o blazer azul marinho.

Só quando ele parou bem na sua frente que Ginny conseguiu sair do transe que se encontrava. Finalmente ele aparecera!

"Ora, achei que não te veria mais!" Exclamou, tentando soar brava, mas no fundo estava morrendo de excitação.

"Anda, vamos dar uma volta. Siga-me" Ele disse, virando de costas e indo em direção ao portão do hospital. De novo Ginny percebeu que seus colegas de trabalho estavam prestando atenção nos dois, enquanto ela saía atrás dele.

Os dois andaram por uns cinco minutos em silencio, até que ele avistou um pub e entrou. Os dois sentaram-se e Ginny olhou-o com raiva.

"Malfoy, você acha que pode aparecer assim do nada e me levar para onde quiser? Você sumiu por nove dias. Não recebeu minha coruja?"

Ele lançou lhe um olhar frio e mau humorado, e Ginny sentiu uma pontada de medo.

"Eu te falei para nunca se esquecer do meu olhar, ruiva." Ele disse com uma voz gélida. "Mas parece que você se esquece das coisas facilmente"

O coração de Ginny começou a bater rápido. Aquele não era Draco Malfoy, era John Crane. Malfoy disse que ele era perigoso. Ela respirou fundo, tentando acalmar os nervos e decidida a não deixa-lo perceber que sua presença a afetava de maneira negativa.

Se eu puder controla-lo, Malfoy não terá outra alternativa a não ser me deixar trata-lo.

"Ah, isso faz sentido." Ela riu levemente, tentando descontrair a situação. "Não é a primeira vez que você tenta me sequestrar do hospital, não é Sr. Crane?"

"Eu prefiro John" Ele disse, ainda sério, e Ginny sentiu um arrepio na espinha.

"Devemos pedir algo para beber enquanto conversamos?" Ela fez sinal para o garçom, que chegou um segundo depois. John não tirou os olhos dela um segundo e seu olhar duro incomodou-a. "Eu quero uma cerveja, e para você..."

"O mesmo"

O garçom saiu, voltando logo depois com duas cervejas e o primeiro – e longo – gole acalmou Ginny instantaneamente.

"Então, John, posso saber o que você quer comigo?" Ela perguntou, já bem mais calma.

"Quero que saia comigo, porque gosto de você" Ela arregalou os olhos e quase cuspiu a cerveja na cara dele. John pareceu nem perceber. "Vou fazê-la se apaixonar por mim."

Ela riu debochada.

"Ah sim, e depois? Você sabe, quando Malfoy voltar a si."

"Você vai apaga-lo para mim. Afinal, você é uma psiquiatra, ou não é?"

Apaga-lo? Então era isso que John queria. Ele queria ser a única personalidade, tomar o corpo de Malfoy para si. Seria isso ao menos possível?

"Você sabe porque você existe?" Ela perguntou, mudando radicalmente de assunto. Aquele papo de apagar Malfoy não daria em lugar nenhum. "Existe um motivo para as pessoas terem transtorno dissociativo de identidade. Você sabe qual é?"

"Claro que eu sei" Ele riu, tomando mais um gole da sua cerveja. "Eu sou o único que sabe. Draco é fraco demais. Ele não se lembra, não faz a menor ideia."

"Talvez você devesse contar para mim." John gargalhou alto com a sugestão. Sua voz saiu fria como gelo.

"E deixar de existir?" Ele olhou-a sério por alguns segundos, depois deu um sorriso de canto de lábio. "E Draco não aguentaria a verdade. Sempre foi um grande covarde."

Nisso concordamos. – pensou Ginny, mas preferiu ficar calada.

"E desde quando Malfoy tem TDI?" John respirou fundo e apertou os punhos. Parecia estar se controlando para não estourar.

"Muito tempo." Ele disse, e cruzou os braços no peito. "Mas chega de falar de Draco. Me deixa de mal humor, estou aqui com você e só o que te interessa é aquele cara chato."

Ginny percebeu que ele estava realmente nervoso. O rumo da conversa não estava agradando John, e Ginny sabia que ele pode ficar muito agressivo e sair causando problemas por aí. Sentiu-se obrigada a segurar sua curiosidade sobre a doença e conversar casualmente com John. Seria uma boa hora para saber até onde as particularidades de um alterego poderiam ir.

"Ok." Ela sorriu, tentando parecer amável. "Vamos falar sobre você então John." Ele automaticamente descruzou os braços e inflou-se como um pavão. Falar sobre si parecia acariciar seu ego. Ginny ficou aliviada. "Quantos anos você tem?"

"Trinta e um"

"Ah, é a mesma idade do..." Ele fechou a cara e Ginny mudou de assunto. "É só um ano mais velho que eu! Percebi que você se lembrava de mim, Lance não lembrou."

"Lance é americano."

Como isso faz algum sentido, Merlin? Um alterego tem lugar de nascença e tudo?

"É, eu percebi pelo sotaque. Mas porque você se lembra de mim, hein?"

"Apenas me lembro." Ele enrijeceu levemente, o que não passou despercebido para Ginny. "Você está com fome? Deveríamos ir jantar." Ele disse, já se levantando e colocando algumas moedas em cima da mesa para pagar pelas cervejas.

Porque eu seria um assunto desconfortável para ele? Ela pensou e John segurou seu pulso com força, como já havia feito antes, e saiu do bar puxando-a.

"Ai! John!" Ela reclamou, puxando seu braço. "Isso me machuca." Ele pareceu nem ouvir e continuou andando. "Solta agora!"

John soltou seu braço e os dois ficaram parados no meio da rua, olhando um para o outro.

"Já soltei. Agora nos leve a um bom restaurante. Draco tem muito dinheiro e eu não pretendo economizar."

Parecia errado deixar John Crane gastar o dinheiro de Malfoy. Mas Ginny realmente não ligava, já que ele nem havia ganhado o dinheiro com o próprio suor. Então, indicou um restaurante novo e caríssimo que havia sido aberto na região. Ela segurou John e s dois aparataram até lá.

Ao entrarem Ginny se sentiu terrível. Todos estavam muito arrumados e bem vestidos, e ela usava uma saia azul velha com uma camisa branca e um salto preto muito desgastado pelos anos. Seu cabelo estava preso e devia estar terrível depois de um dia longo de trabalho. Sentiu que todos do restaurante estavam olhando para ela, pensando coisas do tipo "como é possível uma pessoa de segunda classe como essa frequentar um restaurante tão fino?". Abaixou a cabeça com vergonha de si mesma e parecia ter voltado a ser a menininha de 12 anos que se deixava intimidar por tudo.

Sentiu uma mão em sua cintura e assustou-se, virando a cabeça e olhando para John. Ele sorriu com o canto da boca e guiou-a até uma mesa, puxando a cadeira para que ela se sentasse. O coração de Ginny saltou ao ver aquele rebelde comportando-se como um verdadeiro cavalheiro. Já sentada ela olhou em volta e percebeu que não era para ela que as pessoas do restaurante estavam olhando, e sim para John. Se era por terem o reconhecido como Draco Malfoy, ou por ele parecer realmente bonito e charmoso, ela não sabia. Mas permitiu-se por um segundo enganar a si mesma e se sentir orgulhosa por estar acompanhando-o.

"Estou me sentindo meio mal aqui." Ela admitiu depois que se acomodaram. "Todos estão super arrumados e eu estou um trapo"

"Nem pense em se comparar com esses almofadinhas, ruiva. Você é bem melhor do que eles. E está linda" Ela corou involuntariamente. Parecia que estava mesmo tendo um encontro de verdade com John Crane. Para o mundo, estava tendo um encontro com Draco Malfoy. Talvez aparecesse na capa da seção de fofocas do Profeta Diário no dia seguinte.

"Vou ao banheiro." Ela pegou sua bolsa e foi se levantando.

"Não fuja de mim" Ele disse sério. "Vou escolher um vinho."

Ginny entrou no banheiro e soltou um longo suspiro. Que tipo de universo paralelo era aquele? Parecia ter esse sentimento sempre que se encontrava com Malfoy, seja lá qual for a personalidade da vez. Ela olhou-se no espelho e odiou-se por estar completamente corada. Abriu a torneira e jogou água gelada no rosto, tentando afastar pensamentos indesejados.

Ginny, não é sua culpa. – Pensou enquanto encarava seu reflexo - Quanto tempo faz que você não vai a um encontro? Que um homem não a trata dessa forma? O único homem com que você partilha uma refeição a anos é Jason Williams e são almoços rápidos e sanduíches durante turnos no St. Mungus. Isso aconteceria se fosse qualquer outro cara. Não é porque é o Malfoy. Na verdade, nem é o Malfoy. É John Crane, e apesar de ser charmoso e parecer gostar de você, Malfoy e Zabini têm medo dele. John é encrenca, Ginevra. Concentre-se.

Arrumou-se o pouco que pôde, passando maquiagem e soltando os cabelos. Pegou sua varinha e colocou um feitiço para que parecessem mais limpos e arrumados. Quando estava voltando para sua mesa viu John de pé conversando com outras duas pessoas. Apertou o passo, com medo de que ele pudesse fazer alguma coisa.

Eram Astoria e Seung Jo, que coincidentemente também tinham ido jantar ali. John olhava-os com um olhar raivoso e Ginny sentiu ganas de sair correndo dali, mas não podia deixa-lo sozinho. Abriu um sorriso falso e parou ao lado de John.

"Aqui está ela!" Ele disse com o rosto sério e uma voz intensa. "Esta é Ginny Weasley, minha namorada."

O coração de Ginny parou por um segundo. Olhou para Astoria, com seu vestido branco de marca e coque bem feito, e ela estava com os olhos levemente arregalados, encarando John como se ele fosse maluco. Fazia sentido, já que ela estava achando que aquelas palavras saíram da boca de Malfoy. Seung Jo, o asiático bonito que ela havia visto na boate abriu um sorriso irônico. Parecia estar se divertindo com a situação.

"Sua namorada?" Astoria disse finalmente, sem conseguir segurar a língua. Seung Jo pegou gentilmente na mão de Ginny e beijou-a, e a ruiva sentiu borboletas no estomago.

"Muito prazer, Srta. Weasley. Me chamo Baek Seung Jo. Baek é sobrenome, por favor me chame de Seung Jo." Astoria revirou os olhos.

"O prazer é meu." Ela sorriu e encarou firmemente John, que parecia prestes a pular em cima do asiático. "Draco já havia me falado sobre você."

John bufou com impaciência e Ginny pensou que ele fosse desmenti-la no ato e revelar o segredo de Malfoy. Ela segurou sua mão com toda a força que tinha e John fez uma careta de dor e permaneceu calado.

"Vamos nos sentar todos juntos" Sugeriu Seung Jo e Ginny percebeu Astoria e John com discretas expressões de repugnância.

Sentaram-se em uma mesa para quatro. Ginny ao lado de John e de frente para Astoria, que estava ao lado de Seung Jo. John expressava o mais puro desprezo e Seung Jo parecia achar a maior graça. Fizeram os pedidos e o garçom trouxe o vinho. Astoria foi a primeira a puxar conversa.

"Eu me lembro de você, Weasley, dos tempos de escola. Nunca poderia imaginar que um dia namoraria Draco. Há quanto tempo estão juntos?".

"Não muito" Ginny respondeu simplesmente. "Me lembro que vocês dois chegaram a namorar um tempo. Espero que eu não esteja sendo inconveniente." Alfinetou, olhando dela para Seung Jo.

"Mas é claro que não. Isso foi há quanto tempo? Quinze anos?" Seung Jo riu. "Na verdade Astoria e eu vamos nos casar. O mais logo possível."

"Meus parabéns" Ginny respondeu, então olhou para John. Ele estava apertando os olhos fechados com os dedos, como se estivesse sentindo dor de cabeça. Ginny teve um mau pressentimento, já havia visto uma cena parecida antes.

"Draco, está tudo bem?" Astoria perguntou.

"Oh, ele tem tido muitas dores de cabeça ultimamente." Ginny respondeu "Acho que precisa de um drink, não é?" Ela o olhou preocupada e o ajudou a se levantar. Ele não podia fazer a troca bem ali na mesa, ou os outros dois iriam perceber. "Vamos até o bar pedir alguma coisa forte. Talvez conhaque."

"Não precisam se levantar. Eu chamo o garçom daqui." Sugeriu Seung Jo.

"Não, não, obrigada. Olha, já estamos de pé." Ginny segurou a mão de John e foi andando com ele até o bar. Pediu dois conhaques. Duplos.

Ele abriu os olhos e Ginny torceu para que fosse o verdadeiro Draco Malfoy. Não aguentava mais ter que ficar contornando a situação sozinha. Malfoy pelo menos iria ajuda-la.

"Argh! Weasley." Ele exclamou e Ginny fez 'shii' para que ele falasse mais baixo. "Ora, mas que coisa horrível essa de ficar acordando com você na minha frente. Preferia acordar na delegacia, como de costume."

"Malfoy?" Ela perguntou esperançosa.

"Você é mesmo estúpida. Por que está me olhando com essa cara de criança pidona?" Ginny bufou com raiva, ele não deixou duvidas que era o original. "Onde é que estamos, hein?"

O garçom colocou as duas doses duplas de conhaque na frente dos dois. "Acho melhor você beber, Malfoy." Ofereceu-o. "John estava comigo. Estamos jantando com Astoria e Seung Jo."

"Merlin!" Ele virou metade da dose.

"Tem mais:" Ginny puxou o ar pesadamente.

"Desembucha Weasley!"

"John me apresentou como sua namorada" Malfoy arregalou os olhos e virou a outra metade da dose.

"Esse maldito!"

"Calma que tem mais!"

"Mais o que Weasley, não dá pra ficar pior do que isso!"

"Seung Jo acabou de nos anunciar seu noivado com Astoria."

Malfoy pegou o copo de Ginny com seu conhaque ainda intacto e virou tudo para dentro.

"Você fez bem em me dar algo forte Weasley"

"É, imaginei que fosse precisar." Ela suspirou. "Temos que voltar. Acho melhor você me chamar de Ginny." Ele fez uma careta.

"Nem pense em comentar com eles que você é psiquiatra."

"Ok"

Os dois voltaram para a mesa e se sentaram em seus lugares. Ginny agarrou a taça de vinho e bebeu-a quase toda de uma vez.

"Draco, você está melhor?" Astoria perguntou. "Parecia péssimo."

"Estou sim." Respondeu secamente "Então, vocês vão se casar." Ele olhou para Seung Jo, quase que o fuzilando com o olhar. "Meus parabéns."

"Obrigada" Astoria respondeu, e Ginny pôde ver claramente o quão lisonjeada ela estava por Malfoy ter demonstrado seus ciúmes.

Astoria é o tipo de mulher que tem a necessidade de ter todos os homens completamente apaixonados por ela. Ver um de seus antigos namorados comigo deve tê-la incomodado bastante. Mesmo sendo um namoro de mentirinha, não posso negar que gostei de incomoda-la, ela sempre se achou muito superior a todo mundo. Agora vem o Malfoy igual um bobão apaixonado e deixa bem claro – mesmo que não tenha dito nada – que não está nada satisfeito com a situação. Isso não me fez bem para o orgulho. John pelo menos tinha um interesse verdadeiro em mim.

Merlin, o que eu estou pensando? Só quero que esse jantar termine rápido.

Quando finalmente aquele show de falsidade chamado de jantar chegou ao fim, Malfoy e Ginny saíram do restaurante para "uma volta ao ar livre" e Astoria e Seung Jo aparataram. Ginny pôde finalmente respirar aliviada.

"Malfoy, esse foi o jantar mais longo da minha vida."

"Nem me fala," ele foi dois passos para mais distante dela. "Estou esgotado, mas estava esperando por esse momento. A conversa agora vai ser entre eu e você, Weasley."

"Outro dia, estou exausta. Já passam das 23h, sabia? Ao contrário de alguns, eu trabalho bem cedo amanhã."

"Talvez você não precise acordar cedo amanhã."

"Posso saber por quê?"

"Quero que você seja minha médica." Ele olhou fundo nos olhos dela. "Só minha."

N/A: Mais um capítulo! Dessa K e LadyHarukaS2, obrigada pelas reviews! Espero que gostem desse capítulo e continuem acompanhando a fic! Beijinhoss :)