Crônicas de Midgard


Mileven, leve DustinxMax e Byclair. Mike sempre quis uma aventura pra chamar de sua. Uma garota misteriosa e uma missão quase impossível o levarão até ela.


Capítulo 2


Assim que anoiteceu Will chegou ao apartamento. A primeira coisa que estranhou foi ver Mike em casa àquela hora, provavelmente já há muito tempo, pois já estava sem a armadura e tinha a cara amassada de quem estivera dormindo.

Depois olhou para o sofá e seus olhos se arregalaram ao ver o garoto deitado no sofá.

- Mike? Quem é esse? – Perguntou, meio assustado e ao mesmo tempo segurando a voz para não acordar o estranho. Ele tinha essa mania de ser muito legal até com quem não conhecia.

Mike o puxou para o quarto do amigo e lhe contou a história enquanto guardava seus pertences e separava roupas para tomar banho. Quando Mike terminou a história, ele estava sentado na cama sem entender o que diabos havia levado o amigo a trazer uma Bruxa estranha e cheia de segredos para casa.

Mike não era assim. Ele era um Templário duro na queda e mais duro ainda com as pessoas que perturbavam a paz dele e de Prontera. Ele já havia prendido mulheres antes, e ele era duro com elas do mesmo jeito. Ele não lhe dava apelidos nem emprestava suas roupas.

No banho, Will se permitiu pensar mais a fundo a situação. Ele sabia que Mike não era como ele, Mike gostava de garotas. E Will já havia superado isso há muito tempo, apesar de ter ficado mais difícil desde que alugaram o apartamento juntos. Mas ele não precisava se apaixonar por uma estranha ladra de pão. Ah sim, aquilo era paixão, com certeza. Will atendia pessoas apaixonadas pelas pessoas erradas na Igreja, às vezes. Ele mesmo fora uma delas. E ele sabia que Mike não tinha percebido isso ainda, pois encarava a garota a dormir como se ela pudesse lhe responder por que diabos ele havia feito tudo aquilo para ela.

Mas se preocupava. Pelo amigo e por si mesmo, pois nenhum dos dois sabia o que ela poderia estar planejando.


O jovem Dustin Henderson tinha uma vida simples. Depois de passar longos anos na Guilda dos Alquimistas, um dia ele acordou querendo algo mais divertido da vida. Por isso, fugiu no meio da noite. Foi morar em Prontera, a capital de Rune Midgard, onde todas as pessoas interessantes moravam.

Ele vivia em uma pensão das mais simples, mas o marido da dona do lugar, Sr. Clarke, era um Alquimista renomado e aceitou continuar a ensinar a Alquimia a Dustin, desde que ele aceitasse que o garoto também queria estudar música nas horas vagas e jamais seria um Alquimista reconhecido pela Guilda. Tudo para espalhar o conhecimento, pensou Sr. Clarke.

De manhã Dustin estudava Alquimia e fazia todo tipo de poções para vender. À tarde ele estudava com outro mestre, o famoso Bardo Murphy que morava numa cabana ao lado da Igreja de Prontera. Como os Bardos tinham um sistema menos rígido, Dustin pôde ser nomeado um deles sem problemas, apenas com a condecoração do seu mestre. Aos finais de semana ele gostava de ficar na Praça Central de Prontera, curando com suas músicas os viajantes cansados que buscavam descanso e abrigo na capital e revendendo suas poções.

Sua personalidade brincalhona e extrovertida lhe proporcionava conhecer todo tipo de pessoas, em especial os viajantes. Foi assim que ele conheceu Mike Wheeler, o Templário magrelo e seu melhor amigo, Will Byers, o Sacerdote.

- Bruxa andarilha? Não vi nenhuma não. Nem ouvi falar. Por quê?

- O Mike achou essa menina roubando uma vendinha e inventou de levar ela pra casa ontem. Ela disse que tem que matar um monstro no Norte, mas não fala porquê.

Will encontrou Dustin na biblioteca da Igreja logo cedo no dia seguinte e resolveu contar a novidade ao amigo. Dustin conhecia Prontera inteira, talvez conhecesse a garota. Não era o caso.

- Uma garota? O Wheeler? Caramba! Nosso menino tá crescendo, hein! – Dustin brincou, mas Will não tirou a expressão preocupada do rosto.

- É, acho que sim. Só não sei porque ele levou ela pra casa. Ela dormiu a tarde e a noite inteiras. Quando eu saí, o Mike já tinha até pegado as roupas dela que ele tinha mandado lavar. Tem noção?

Dustin havia percebido os ciúmes de Will e se sentia mal pelo amigo. Fosse aquilo ciúme de amizade ou algo a mais, ambos sabiam que era raiva gasta à toa. Wheeler poderia ser bem teimoso quando quisesse.

- Eu quero ver essa garota. Vou chamar o Lucas pra ir na casa de vocês hoje. Quero ver a cara dela.

Will concordou. Se Dustin fosse com a cara dela assim como Mike foi, pelo menos ele poderia ajudar a mandar a garota para outro lugar. Ele não era assim com as pessoas, mas os ciúmes de Mike geralmente lhe deixavam cego e o que ele tinha de mais sacerdotal era perdido por egoísmo. Quando tudo isso acabasse, ele provavelmente cairia em si e se sentiria mal. Mas não ainda.


Mike acordou El receoso. Ele havia colocado uma coberta sobre ela antes de dormir e dormiu de porta aberta, para ficar alerta caso ela acordasse. Seu sono era bem leve.

Não foi o caso. El só acordou com a ajuda de Mike, na manhã seguinte. Will já havia saído. Suas roupas estavam dobradas sobre uma mesinha e a sacola com seus pertences estava no chão ao seu lado. O garoto que a acordou tinha o mesmo cheiro das roupas e cobertas com que ela dormiu e ela teve um sono calmo pela primeira vez desde que havia saído de casa, sorrindo preguiçosamente ao vê-lo e sentir seu cheiro perto dela. Mike corou.

- Bom dia, El. Suas roupas já estão limpas. As suas coisas estão aqui – apontou – Quer tomar café? – Apontou para a mesa.

Haviam waffles, mel, pão e frutas sobre a mesa e ela sorriu genuinamente. Se trocou rapidamente no banheiro e se sentou à mesa. Mike se sentou com ela.

- Então, El... você já sabe como vai fazer pra viajar? – Ela ficou com a expressão séria e acenou que não – Você sabe para onde tem que ir?

- Mais ou menos – eram as primeiras palavras que ela falava no dia.

- Sabe qual cidade fica mais perto? Porque se você quiser, posso te emprestar um dinheiro e você pode pegar uma Kafra... – ela arregalou os olhos e acenou que não com determinação – Não? Por quê?

- Não posso viajar com Kafras.

- Por quê? Elas te baniram? Você fez algo pra elas? – Ela acenou que não.

- Não posso trapacear.

-Calma aí. Então você tem que ir a pé? – Mike perguntou surpreso. Ela acenou que sim – Até o Lago do Abismo?

Ela se assustou. Ele não deveria saber do Lago do Abismo. Ele percebeu o erro, mas não conseguiu se explicar. El olhou para a sacola ao lado do sofá e depois para ele. Ele ficou vermelho. Eleven ficou muito brava. Ela havia confiado nele, e ele havia mexido nas coisas dela?

Subitamente ela se levantou da mesa e foi até as suas coisas, enfiando os frascos pelos bolsos e prendendo as armas e bolsas na cintura e nas costas.

- El, espera! Me desculpa, eu não quis invadir a sua privacidade. El! – Ele falava, mas ela o ignorava. Ela foi em direção à porta, mas Mike ficou no caminho. Estava desarmado. Ela não precisava de armas para causar um estrago, mas parou.

- Mike, me deixa sair – Ela disse olhando para o chão, controlando a raiva.

- Não até você ouvir o que eu tenho pra dizer.

Eleven suspirou resignada e olhou para ele. Não poderia conjurar uma magia e lhe tirar do caminho. Não depois de ele a ter ajudado tanto. E ainda queria lhe dar dinheiro, sem nenhuma garantia que a visse novamente. Esperou, olhando nos seus olhos e com os braços cruzados.

- Me desculpa por ter mexido nas suas coisas. Mas você não me contou nada e eu realmente quero te ajudar. Se você tá procurando o dragão de três cabeças do Lago do Abismo, o nome dele é Hydrolancer. Ele guarda o Diadema de Fricca, uma joia muito poderosa para qualquer Mago e Bruxo que use. É isso que você precisa pegar? – Ela acenou que sim, resignada – Se você não pode ir de Kafra até a cidade mais próxima, que é Hugel, pode ir de avião até Juno? – Ela acenou que não – Tá. Eu conheço alguns amigos que podem ajudar. Se eu e meus amigos nos oferecêssemos pra ir com você, você aceitaria?

Eleven parou e pensou um pouco. Não sabia se deveria ir sozinha. Ele... o que lhe resignou essa missão... Ele nunca disse nada sobre companhias. Talvez não pensou que ela pudesse arranjar alguém. Nem ela mesma pensou nisso, até aquela manhã. Sendo bem sincera, se não fosse por Mike ela duvidava que conseguiria arranjar ânimo para sair de Prontera.

Ela havia chegado na cidade por engano, mas estava quase morta quando viu os portões ao longe, sem comida e cansada. Tinha medo de morrer se seguisse pelo Norte. Ela recuperou seu estoque de poções, mas pouco sobrou para sobreviver depois disso. Quando o dinheiro acabou, ela saiu da estalagem em que estava e simplesmente começou a dormir debaixo de onde estivesse limpo e seco, desesperançosa e decepcionada consigo mesma. Depois de oferecer casa, comida e roupas lavadas, Mike lhe oferecia companhia. Ninguém havia lhe tratado tão bem em toda a vida.

Eleven olhou nos olhos dele. Ele realmente a chamava de El. Nunca pensou que seu nome tão estranho, esse peso que carregava, poderia gerar um apelido tão simples. Tão leve.

Mike estava encostado na porta de saída do apartamento, sem armadura, usando uma malha de gola alta e manga comprida. Deveria ser a roupa que usava por baixo da armadura. Ele era tão diferente sem a ombreira e capa. Havia visto no dia anterior, mas agora tinha todos os sentidos no lugar para perceber. Sua expressão era de expectativa e ao mesmo tempo hesitante.

- Aceitaria. – Ela respondeu depois do que pareciam horas de espera para Mike. Respirou aliviado.

Ao mesmo tempo sentia felicidade e ansiedade. Teria que convidar os amigos e ver se eles aceitavam. Will não aceitaria facilmente. Teria de sair da guarda municipal. Estava prestes a ter a sua primeira aventura, com uma estranha. Esperara a vida inteira por isso, mas também sentia medo.


N/A: Vou admitir que resolvi transformar o Dustin em Alquimista para que o pessoal pudesse usar o carrinho. E também porque nunca entendi muito bem como bardos funcionam em batalha. O que acharam?

No próximo capítulo a história começa de verdade. O final já está planejado, mas não consegui escrever muito durante o ano novo e vou voltar a fazer isso assim que publicar este capítulo. Não sei se essa história vai atingir muita gente, agora que a animação com a nova temporada de Stranger Things diminuiu, mas quero muito finalizar e postar essa história, como parte de um desafio pessoal. Se alguém estiver lendo, pode dar um alô?

Obrigada por lerem!