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- Oi, Kebby! Tudo bem com você?-, disse com aquela voz pra falar com bebês. Ela sorriu e assentiu.
- Se eu te perguntar, você me responde? E se você me perguntar, eu respondo, tá? O nome do jogo é... Zás Trás.
Sinceramente, não sei de onde tirei esse nome. Até Veloz Mente é melhor que esse nome. E é um programa do Discovery Kids.
- Tá bom, então... Qual o seu nome?
- Kebechet. O seu?
- Sadie.
- Quantos anos você tem, Kebby?
- Quatro. Eu já disse. E você?
- 14. Quem é a sua mãe?
- Ela é uma deusa. O nome dela é Anput. Papai chamava ela de Annie.
- Chamava? Porque?
- A mamãe e o papai estão brigados há um tempo.
- Não tem divórcio lá?
- O que é divórcio?
Nesse momento, Anúbis entrou no meu quarto e carregou Kebby para fora.
- Espere, Kebby! Olhe só, um doce pra você e pro seu pai.
Dei um chiclete pra eles. Anúbis não iria deixá-la comer sem antes provar, para ter certeza que não estavam envenenados [Não, Carter, eu não faria isso!].
Eu voltei pra festa. Aquilo tinha me detonado, mas eu não ia desperdiçar minha festa por causa daquela vaca e da filha dela.
Me olhei no espelho. Não sei se devia ter deixado Jaz me ajudar a arrumar o cabelo e a roupa. Não parecia eu.
Eu não tinha mais franja. Meu cabelo estava preso em um coque, com uma única mecha saindo do lado esquerdo. Usava um brinco de prata, o símbolo da Casa da Vida, minúsculo, em um círculo. O vestido era branco de renda, com uma renda preta logo abaixo da era eu de verdade.
Soltei meu cabelo. Troquei de roupa. Coloquei meus coturnos, minha jaqueta e ia saindo, quando reparei em uma mulher sentada na minha cama.
- Sadie Marie Kane.
Eu congelei. Ninguém sabia que meu nome do meio era Marie. Nem Carter.
- Q-Quem está a-aí?
- Uma amiga.
Não me lembro porque, mas não pedi maiores explicações.
- Sente-se.
Outra voz falou isso. Outra mulher. Eu me sentei na cadeira do computador.
- Nossos nomes são Érato...
A primeira mulher começou. Ela tinha o cabelo loiro, os olhos azuis, a pele muito branca. Usava um vestido preto e rosa, com uma cachorrinho na saia, sapatilhas e o cabelo preso. Parecia uma Barbie tamanho extra-grande. Ah, e carregava uma flauta.
-... E Euterpe.
A que completou era ruiva. Tinha o cabelo curto e repicado, usava um vestido verde escuro e parecia um pouco mais velha. E carregava uma lira.
- Nós somos 2 das Musas, filhas de Zeus com Mnemósine. Érato é a musa da poesia do amor, ou poesia lírica, e eu sou a musa da música. Viemos aqui te ajudar. Não somos Afrodite, mas podemos ajudar.
- Ahn...
- Sabemos que você teve uma desilusão amorosa com um Deus egípcio, Anúbis. Não é?
- Sim.
- Ele é casado e tem uma filha-, Euterpe continuou, falando com cuidado.
- Eu não sei porque isso o impediria, afinal na Grécia somos cheios de mitos de Deuses que possuíram mortais e...
Euterpe beliscou Érato.
- Érato, os tempos mudaram, pelo amor dos Deuses!
- Calma!
Érato ficou olhando irritada para Euterpe, que a ignorava.
- Bem, Sadie, acho que nós temos a resposta. Eu acho que você tem que cantar uma música. Trabalharei junto com Érato e você cantará para expressar seus sentimentos. Não é, Érato?
Érato fazia um biquinho e nos ignorava.
- Tô de mal.
Euterpe suspirou.
- Deixemos essa criança mal comportada aí, Sadie. Afinal, o boi da cara preta vem comer quem faz careta.
Fomos até um canto do quarto escuro, iluminado apenas pelo fraco luar, e Euterpe ligou um notebook, entrando no iTunes.
- Vamos ver uma música de amor para você cantar.
Ficamos vendo músicas. Passamos de "I Don't Miss You At All", de Selena Gomez, até "Rolling in the Deep", da Adele.
- Acho que sei de uma boa música-, falei.
- Cante, então!
Ela me deu um microfone de mentira, e disse que eu simplesmente cantasse. Foi isso que eu fiz.
