Capítulo Dois
Bella não tinha idéia do que estava fazendo num restaurante, esperando para jantar com Edward Cullen , o quase ex-marido. Ele estava atrasado. De propósito, Bella tinha certeza, só para deixá-la nervosa.
Como se ela já não o estivesse!
Edward sabia muito bem que o assunto a ser tratado deveria ser muito sério, pois Bella chegara a ponto de ligar para ele. Sendo assim, ela certamente não iria embora antes que ele se dignasse a chegar.
Ela sabia que estava atraindo os olhares dos outros fregueses.
O rosto de Isabella Swan era muito conhecido da época de passarela, e mais recentemente dos anúncios de tevê, outdoors e anúncios de promoções em lojas.
Isabella Swan, o rosto da Black Cosmetics, sentada sozinha por 15 minutos numa mesa para dois! Era evidente que havia levado um bolo!Decidiu ir embora se Edward não aparecesse em três minutos, precisando dele ou não... Ele acabara de entrar no restaurante!
Mesmo que não o tivesse visto, Bella saberia que havia chegado pelo arrepio que lhe percorreu a espinha e o calor dos seios que começaram a latejar, enquanto um fogo ainda mais ardente crescia na barriga.
A atração por Edward não desaparecera.
Não que ela tivesse acreditado que isso fosse possível. O fato é que era muito angustiante ter de se confrontar mais uma vez com a evidência de tal fato. Ele estava lindo no terno escuro feito sob medida e camisa de seda branca. Ela imaginou o corpo musculoso esguio sob aquela roupa e observou o cabelos acobreados balançarem à medida que ele movia a cabeça, se lembrando de como enterrava os dedos neles e...
Edward não estava nem sequer olhando na direção dela. Bella o viu caminhar de um jeito descontraído e se deter para falar com o maitre.
Sentiu um frio na barriga ao se dar conta da enormidade daquilo que estava fazendo. Mas não havia outra alternativa. Ele se dirigiu à mesa dela, cumprimentando diversos conhecidos pelo caminho, aparentemente sem se dar conta da presença da ex, nem de que estava quase vinte minutos atrasado!
—Espero não tê-la feito esperar —disse ele, frio, ao sentar-se em frente a ela, tão devastadoramente lindo como sempre. Tão lindo como ela o havia imaginado ao conversar por telefone.— Eu fiquei preso num compromisso— disse ele.
Edward, na verdade, a havia visto assim que entrara no restaurante, e ficara chocado ao perceber que o simples fato de olhar para ela ainda mexia com ele de uma forma muito intensa que a boca ficara seca, por isso ele se detivera para falar com o maitre e se recompor.
Bella estava linda.
Deslumbrante, com os cabelos longos e castanhos soltos, o vestido justo, sem alças, revelando a pele sedosa dos ombros e o alto dos belos seios alvos. Olhos emoldurados pelos mais negros e longos cílios que Edward já vira, e lábios cheios que continham a promessa de uma paixão que ele conhecera de maneira íntima.
Mas Bella não era só bonita. Havia algo mais nela. Uma graça, uma sensualidade inata que era evidente até mesmo quando ela estava calada, como agora. A primeira vez em que a havia visto, sentira-se como se alguém tivesse lhe dado um soco no estômago. Hoje, sob circunstâncias totalmente diferentes, ele sentira exatamente a mesma coisa.
Nada parecido, lógico, com a arrogância estampada no próprio rosto ao olhar para ela.
—Você parece muito bem, Bella —disse-lhe com um ar distante enquanto agradecia ao garçom que servia o vinho —Parece que arranjar um amante lhe fez muito bem — acrescentou ele com rispidez.
—Sua imaginação hiperativa continua em ação, Edward? —retrucou ela, jogando os cabelos para trás, se esforçando para ignorar o efeito que ele causava sobre ela, e encará-lo com firmeza.
Ela se vestira com cuidado para o encontro, optando por manter os cabelos soltos, como ele gostava, e por usar um vestido bem justo que evidenciava a perfeição daquelas formas. Ia precisar de todas as armas para conseguir resistir ao desprezo que Edward agora sentia por ela. Estava decidida a tirar proveito do belo rosto e corpo com que havia feito fortuna, nem que fosse para mostrar a Edward o que ele perdera ao escolher deixá-la ir embora, em vez de sentar-se com ela e tentar resolver as diferenças.
A frieza do olhar dele, percorrendo-a de cima a baixo, porém, não deixava transparecer nenhuma pena em função da perda! Tinha 27 anos e uma bem-sucedida carreira como modelo há oito, porém nunca fora capaz de resistir ao olhar frio e analítico de Edward, que não deixava transparecer nenhuma emoção.
Se é que ele possuía o que ele sentia por ela era desejo. Bella nunca vira o amor brilhar naqueles profundos olhos escuros, nem por ela, nem por ninguém.
—Prefiro não imaginar nada que diga respeito a você e a Jacob Black —disse ele, bebendo um pouco mais de vinho.— Só estava constatando que o fim do nosso casamento não parece ter afetado sua beleza!
—Vamos direto ao assunto —murmurou Bella , ressentida com o autocontrole do ex-marido. Se Edward a tivesse visto há um mês, sentada horas a fio ao lado da cama do pai, no hospital, ele teria visto que ela nem sempre estivera tão bonita.— Bem, se eu pudesse lhe explicar por que preciso falar com você...
—Importa-se de eu fazer os pedidos antes disso? —interrompeu ele, com determinação, dando a entender, pelo tom de voz, que aquela não era uma pergunta, mas uma declaração.
Edward podia tê-la obrigado a se encontrar com ele naquele restaurante, mas isso não significava que ela realmente comeria algo. Vê-lo de novo e perceber que ainda o amava estava acabando com ela por dentro. Ela engoliu em seco.
—Vá em frente. Eu prefiro não comer, se você não se importa —disse ela, fechando o cardápio.
Edward avaliou-a por alguns segundos, afinal sabia que Bella nunca fora uma dessas modelos que morriam de fome para se manter magras. Ele levou a mão ao queixo dela e o ergueu para olhá-la nos olhos. Nos últimos quatro meses, Bella havia se aperfeiçoado na arte de esconder as emoções, compreendeu ele, ao notar que ela resistia ao olhar dele.
Foi então que ele notou algumas pequenas mudanças naquele rosto. Havia uma tensão nos olhos verdes, o rosto estava pálido sob a maquiagem, e a magreza, agora, parecia mais frágil.
—O que aconteceu, Isabella ? —perguntou ele, pousando a mão novamente no colo. — Jacob Black também não está à altura das suas expectativas?
Ela soltou um suspiro cansado.
—Por que você nunca acredita quando eu digo que jamais me envolvi com Jacob ?
Porque ele sabia muito bem como aquele homem a perseguira há cinco meses, desesperado para fazer de Bella o "rosto" da nova linha de cosméticos.
Edward sabia que o abismo que havia se formado entre ele e Bella facilitara muito as coisas para que Black a seduzisse e a convencesse a fazer parte da vida dele, além de contratá-la para a empresa. Sabia disso porque o próprio Jacob havia se deleitado ao contar a ele!
—Onde ele pensa que você está agora? Não jantando comigo, certamente —zombou ele.
—Eu não vim aqui para falar sobre Jacob . Na verdade, já não o vejo há semanas. Meu pai esteve doente e...
—Charlie está doente? — repetiu Edward, afastando o garçom que viera anotar os pedidos, interessado demais no que Bella dizia para pensar em comida. Especialmente a parte sobre não ver Jacob há semanas...
Também queria saber mais a respeito de Charlie. Ele só encontrara o pai de Bella três vezes durante o casamento, mas tinha gostado muito dele, além de ficar admirado com a capacidade daquele homem de sobreviver num lar dominado pela esposa e quatro filhas.
Bella engoliu em seco.
—Ele já não vinha se sentindo bem há meses, até que no mês passado teve um infarto...
—Por que você não me avisou? — perguntou Edward de imediato.
Bella olhou para ele, surpresa. Conforme aprendera com muito custo, Edward não fazia o tipo "família". Vindo de uma família que se desfizera quando ele tinha apenas oito anos, poderia ter desfrutado da união da própria família, mas não o fez. Sempre manteve uma distância tanto física quanto emocional da família. E só uma distância emocional dela, lembrou Bella , cheia de mágoa.
—E por que eu faria uma coisa dessas? Você nunca demonstrou qualquer interesse pela minha família quando éramos casados, por que se preocuparia com eles agora que somos divorciados?
—Separados —corrigiu Edward, áspero. — Eu ainda não assinei os papéis do divórcio.
Era verdade, embora Bella não compreendesse o motivo. Havia achado que ele ficaria feliz em se ver livre dela e de um casamento que ele desejava que nunca tivesse acontecido. Mas o tempo passou e, até onde ela sabia, os papéis nunca foram assinados. Naquelas circunstâncias, isso poderia até ser uma coisa boa...
Facilitava um pouco aquela conversa que estava para ter com ele...
—Um mero detalhe técnico. Eu...
Ela se deteve quando o garçom veio servir as ostras. Edward sorriu para ele, grato pelo fato de ele ter compreendido que eles não iam jantar. Bella pareceu um pouco confusa.
—E como estão seus pais? — perguntou ela, um pouco sem jeito.
Edward balançou a cabeça. Bella só os vira uma única vez, em separado. O pai dele havia flertado com ela e a mãe só queria saber que produtos ela usava para se manter tão bela. Bella lidara com tais reuniões oferecendo gargalhadas provocantes para o sogro, e um interesse acalorado para a sogra.
Edward ficara impressionado ao ver como ela conseguira lidar com eles.
—A mesma coisa de sempre —respondeu ele. —Pare de tentar mudar de assunto, Bella . Fale-me sobre seu pai.
Ela pegou um camarão e o colocou na boca antes de responder. Edward se flagrou vidrado nos lábios cheios dela, lábios que ele beijara, lábios que o haviam beijado e o levado às ele ainda a desejava!
E como desejava também que aquilo não fosse verdade! Ela passou a língua pelos lábios, com um olhar sombrio.
—Ele teve um infarto — repetiu ela.
Edward imaginou o golpe que aquilo devia ter sido para as mulheres da família Swan – Renne , esposa de Charlie há trinta anos, Alice a filha caçula, para Marie e Elena, e para a filha mais velha, Bella. O pai era adorado por todas elas.
Bella, a filha mais velha...
Que ajuda ele poderia dar a ela? Bella era extremamente rica e teria recursos para dar o melhor tratamento médico disponível para o seu pai. Ela sabia que não podia mais adiar as coisas. Era melhor saber logo se ele a ajudaria ou não. Respirou fundo.
—Minha irmã Alice vai se casar no sábado. Quis cancelar o casamento até o meu pai melhorar, mas ele insistiu para que ela não mudasse os planos.
Edward franziu a testa.
—E você quer que eu envie um presente de casamento para ela?
—É claro que não —suspirou ela, impaciente.
—Você certamente não quer que eu leve Alice ao altar no lugar do pai? —zombou ele.
—Você está sendo ridículo! —disse Bella exasperada. —O que eu quero, o que eu preciso... Isto não é nada fácil para mim, Edward!— disse ela com os incríveis olhos castanhos cheios de lágrimas.
Edward balançou a cabeça.
—Temo não poder ajudá-la nisso — disse ele, áspero.
Não, ela não podia negar, podia?
Nos meses que haviam passado longe um do outro, Bella se deu conta de que Edward não fora o único culpado pelo fim do casamento. Ele sempre fora completamente honesto a respeito dos sentimentos por ela. Jamais dissera que estava apaixonado ou que algo além do corpo dela o atraía. Foi só o seu ideal romântico de como o casamento deveria ser que a havia convencido do contrário.
Até se ver confrontada com a dolorosa verdade de maneira irrevogável...
Ela engoliu em seco.
—O fato é que... Edward, eu preciso que você venha ao casamento de Alice comigo no sábado! —disse ela, esperando por uma reação.
Dizer que ele estava atordoado seria um eufemismo, embora ele tivesse mascarado rapidamente a emoção, sem, no entanto, conseguir chegar a uma conclusão lógica.
—Por quê? — perguntou ele apenas. Aquilo era tão típico dele. Direto ao ponto.
Era melhor ela responder da mesma forma.
—Porque eles esperam que você vá!
—Por quê? — repetiu ele.
—Porque... Porque eu não contei à minha família que nós nos separamos! —disse ela, apressada, com o rosto pálido outra vez.
Edward franziu a testa. A família de Bella não sabia que o casamento tinha chegado ao fim há quatro meses? Os jornais pareciam ainda não ter sabido do acontecido. O fato de ambos viajarem com freqüência e passar longos períodos longe um do outro provavelmente justificava isso. Que razão Bella poderia ter para não ter contado à família?
Considerando que ela o deixara para ficar com outro homem, aquilo não fazia sentido algum. O pai dela havia tido o ataque cardíaco há um mês, de acordo com as palavras da própria Edward. Foi antes ou depois de ela ter lhe enviado os papéis do divórcio? Depois, supunha ele, caso contrário, ela certamente já teria contado a verdade à família, à esta altura.
Bella não teve coragem de encarar a intensidade do olhar de Edward, sabendo que tinha sido estupidez da parte dela não contar à família sobre a separação, na esperança de que aquilo não durasse para sempre. Ela simplesmente se recusava a acreditar que Edward não retribuiria nem um pouco do amor que ela sentia por ele, e que quando estivesse distante dela, ele compreenderia o quanto realmente a amava. Esperava também que ele reconhecesse que as acusações de que ela estava envolvida com Jacob Black eram completamente falsas. Não fora tão difícil manter a família à parte daquilo. Ela havia passado quase um mês nos Estados Unidos depois de deixá-lo. Redirecionou o e-mail e ligava para eles sempre do celular, de modo que foi fácil ocultar a mudança de endereço. Nenhum dos integrantes da família perguntou por que Edward não a acompanhou quando ela os visitou, pois sabiam que ele era um homem ocupado e que viajava constantemente a negócios.
A explicação de que ele estava na Austrália quando o pai adoeceu foi aceita por todos. Edward , porém, não recuou na decisão, apesar de não ter assinado os papéis do divórcio, de modo que ela não tinha outra escolha, a não ser aceitar que ele realmente nunca a amara. Decidiu, então, contar tudo à família, mas antes que pudesse fazê-lo, o pai sofrera o infarto.
Os médicos acreditavam que, com o passar do tempo, e poupado de sofrer qualquer tipo de tensão indesejada, ele se recuperaria de maneira plena.
O casamento da irmã seria no sábado, e a família ainda não tinha a menor idéia de que ela e Edward não estavam mais juntos. Nada de tensões impróprias, haviam dito os médicos. Definitivamente, não era a hora de ele ficar sabendo que o casamento da filha mais velha culminara em divórcio! Portanto não tinha outra opção senão pedir a Edward que concordasse em bancar o marido apenas por um dia. A pergunta agora era se ele aceitaria...
—Por que você não contou a eles? —perguntou Edward .
Ele também não tinha gritado para quem quisesse ouvir o fracasso do casamento, porém achou que Bella ia ao menos comunicar o fato à família...
Bella olhou para nele, mal conseguindo conter as lágrimas.
—E pensar no quão idiota eu fui por achar que... Contar que o nosso casamento durou apenas nove meses? —acrescentou ela, balançando a cabeça, rindo de si.— Eu quis contar, mas todos estavam tão envolvidos nos preparativos para o casamento de Alice ! Depois Marie anunciou que estava esperando um bebê, seguida por Elena, que também comunicou que estava grávida. E eu não podia simplesmente...
—Isabella...
—Não se atreva! —disse ela, olhando para Edward com uma expressão grave no rosto muito pálido. —Você deixou os seus sentimentos sobre "trazer crianças a este mundo" perfeitamente claros há cinco meses!
Aquele assunto jamais havia vindo à tona durante o breve namoro, nem no início do casamento! Foi uma surpresa para Edward quando, depois de oito meses de casados, Bella lhe disse que queria ter um filho com ele. Ela pareceu ter se afastado dele depois da recusa de sequer pensar no assunto, deixando, em pouco tempo, de ser a amante fogosa e a companheira risonha dos primeiros meses. Foi então que ela foi até ele e disse que decidira aceitar a oferta de Jacob Black de trabalhar exclusivamente para a Black Cosmetics, e que partiria para os Estados Unidos na semana seguinte.
Foi nesse momento que Edward provavelmente cometeu o maior erro, lhe dando um ultimato. Dissera-lhe que, se fosse embora, ela não precisaria mais voltar...
Bella não só foi embora, como também contou com a companhia constante de Jacob Black quando o fez! A Black Cosmetics, como Edward viera a saber, era uma empresa familiar. Billy Black havia se aposentado há vários anos, deixando o controle dos negócios na mão de Jacob , o filho mais velho. Havia também um irmão e uma irmã, Seth e Leah, que eram acionistas significativos.
—Eu... Você compreende o meu problema, Edward ? —perguntou Bella , olhando-o com expressão ansiosa.
—Oh, eu compreendo muito bem, Bella —admitiu ele, frio. —Não seria nada bom aparecer no casamento de sua irmã com o seu amante a reboque diante das atuais circunstâncias, não é?
Bella percebeu que estava tremendo.
—Isso nunca foi cogitado —disse ela sem alterar o tom de voz. —Eu pretendo contar tudo à minha família, Edward , só não quero fazer isso agora. Então...— Ela deu um suspiro profundo e olhou para ele de forma desafiadora:— Você vai ao casamento comigo no sábado, ou não? Se não for por outro motivo, ao menos vá pelo meu pai— acrescentou ela, persuasiva.
—Isso é chantagem emocional, Bella ! — respondeu ele ainda áspero.
Provavelmente. Mas Bella não estava pensando em si. O único intuito era preservar a saúde do pai. Embora fosse óbvio que Edward não visse as coisas dessa maneira!
—Sei que estou lhe pedindo um grande favor. Eu realmente não o teria incomodado se não fosse uma coisa muito importante. Ficaria muito grata se fizesse isso por mim, Edward .
A expressão de Edward ficou ainda mais fria. Os olhos estavam tão escuros que era impossível distinguir a íris do restante das nuanças dos olhos castanhos.
—Corrija-me se eu estiver errado, Isabella , mas está me parecendo que você está se oferecendo a mim numa espécie de sacrifício humano para me coagir a concordar em ser seu marido novamente por um dia.
—É claro que não! —disse ela ofegante, olhando incrédula para ele. —Eu não quis dizer... Não foi isso o que eu quis dizer. De maneira alguma... Ah, não adianta!— disse ela, erguendo as mãos, frustrada.— Esqueça o que eu lhe pedi . Esqueça até mesmo o que eu lhe contei! Vou encontrar outra maneira de resolver o problema!— acrescentou, determinada.
Edward olhou para as belas e longas mãos de Bella . As mesmas mãos que já o haviam tocado e acariciado... Mãos que, ele sabia, vinham tocando e acariciando outro homem nos últimos cinco meses!
Estava claro o motivo pelo qual Bella não via Jacob Black há semanas. Não podia arrastar o amante para visitar o pai no hospital se a família nem sequer sabia da existência dele!
—O que você vai fazer, Isabella ? Dirá a todos que eu estou muito ocupado para ir ao casamento de Alice ? —zombou ele. Ela já tentara tal artifício na semana anterior. O pai tinha lhe garantido que Edward voltaria da viagem de negócios à Austrália a tempo de presenciar o casamento de Alice , lhe dizendo que ele provavelmente a surpreenderia, retornando de forma inesperada.
Algo que, Bella sabia, Edward não faria jamais. Ela balançou a cabeça com impaciência.
—Eu já disse a eles que você está em Sydney, a negócios, mas meu pai tem certeza de que você fará um esforço para voltar a tempo de assistir o casamento de sua cunhada.
—É muito bom saber que ao menos um integrante da família tem um pouco de fé em mim!
A expressão no rosto de Edward era indecifrável. Bella quis falar, mas se conteve. O que ela poderia dizer para não piorar ainda mais a situação?
—Este não é o lugar adequado para termos essa conversa —disse Edward, bebendo o restante do vinho, para então se levantar.— Vamos embora— disse ele, tomando o braço de Bella para ajudá-la a se levantar também.
Ela se concentrou para não tremer quando ele a tocou, determinada a não deixar que ele percebesse o quanto ainda a afetava. Edward manteve a mão sob o cotovelo dela enquanto eles caminhavam por entre as mesas, fazendo um meneio de cabeça para o maitre no caminho. Tinha uma conta naquele restaurante e incluiria uma boa gorjeta para ele quando recebesse a fatura no fim do mês.
—Aonde estamos indo? —perguntou Bella , quando Edward fez sinal para um táxi, muito ciente do leve toque da mão dele, agora nas costas dela.
—Para o meu apartamento — respondeu ele de um jeito seco.
Bella recusou-se a entrar no carro.
—Seu... O apartamento onde você... Onde nós...
—Vivemos depois de casados? —concluiu ele mantendo o tom frio. —É claro que é esse apartamento, Isabella . Essa tem sido a minha casa na Inglaterra há mais de cinco anos. Por que eu iria me mudar?
Bella aceitou os fatos, com pesar, e se acomodou no banco de trás do carro, bem longe dele, para que nem sequer as coxas dela pudessem tocá-lo por acidente.
Edward, conforme ela descobrira durante os nove meses de casamento, não gostava de mudanças. Nem tampouco gostava de se hospedar em hotéis, nem mesmo os de propriedade dele, por isso mantinha uma casa em cada um dos países onde tinha negócios. Bella achara que isso se devia à infância irregular, quando ele pulara de casa em casa depois do divórcio dos pais, sem ter, efetivamente, um lar.
Ela não estava gostando nem um pouco de voltar ao apartamento em que vivera maritalmente com ele, no qual havia compartilhado tantos momentos íntimos, e onde também ocorrera a cena terrível da separação. Estava disposta, porém, a continuar aquela conversa até obter uma resposta definitiva.
—Quer beber alguma coisa? — ofereceu ele, já no apartamento, com a garrafa de conhaque na mão. Talvez aquilo a ajudasse a se acalmar, pensou Bella.
—Sim. Obrigada.
Ele lhe serviu uma dose e preparou outra para si, mantendo os olhos fixos no movimento do pescoço de pele alva e macia ao tomar um gole da bebida. Reconheceu, então, o quanto sentira a falta dela nos últimos meses, e não apenas na cama. Muitas vezes sentira um profundo desejo de conversar com ela, de rir junto a ela.
—Então —disse ele, com uma voz rouca, se esforçando para sufocar aqueles pensamentos —creio que estávamos discutindo que sacrifício você estaria disposta a fazer para me convencer a acompanhá-la ao casamento de Alice ...
Bella estava prestes a degustar mais um gole de conhaque, mas engasgou diante da escandalosa observação de Edward e começou a tossir.
—Cuidado! —disse Edward, dando tapinhas nas costas dela.
Com excessivo entusiasmo, pensou Bella , certa de que ele não precisava pesar tanto a mão.
—Você fez isso de propósito! — disse ela em tom feroz assim que conseguiu falar novamente, com as bochechas vermelhas e os olhos verdes brilhando de raiva.
—Mais conhaque? — ofereceu ele, provocativo, tirando o copo vazio da mão dela.
—Não, obrigada. Isso tudo foi um grande erro.
—Como você pode saber se eu ainda não lhe dei a minha resposta? —desafiou Edward.
Ela balançou a cabeça.
—Você só está jogando comigo, Edward. Está tendo um prazer perverso em me ver exasperada, quando na verdade já sabe que me dirá que não...
—Eu não sei disso —interrompeu ele com suavidade. —E nem você.
Bella suspirou, frustrada.
—Não sei como pude acreditar que poderia apelar para o seu lado sensível...
—Considerando que nós dois sabemos que eu não tenho um? — disse ele, com desdém.
Aquilo não era verdade. Edward tinha defeitos, mas ela nunca teria se apaixonado se ele hão tivesse um lado mais suave e encantador. Mas agora, outra vez ao lado dele, Bella compreendeu o quanto fora tola ao esperar que Edward a quisesse de volta, ao acreditar que ela era a mulher por quem ele poderia se apaixonar, quando era óbvio que ele nunca havia amado ninguém. Ela fora uma ridícula idiota romântica.
Não via aquele lado mais suave de Edward desde o dia em que lhe dissera que aceitara a oferta da Black Cosmetics e avisou que passaria um mês nos Estados Unidos. Eles estavam passando por um período difícil no casamento e ela achou que aquele mês distantes um do outro lhes daria uma chance de refletir e talvez chegar a algum acordo quanto a filhos.
Mas Edward a acusou de ter um envolvimento, e não apenas comercial, com Jacob , se recusando a acreditar quando ela negou o fato.
—Você não era tão sarcástico e ferino assim quando nós nos conhecemos, Edward
—Talvez eu apenas estivesse sendo galanteador para conseguir levá-la para a cama —zombou. —Ou talvez seja esse o efeito que o fato de ser trocado por outro exerça sobre um homem! Diga-me, Bella , ele é um bom amante? Melhor que eu?
A simples idéia de Bella nos braços do belo e carismático Jacob fizera Edward dizer e fazer coisas que ele normalmente não teria dito nem feito, mas já não havia como recuar. Para Edward, o envio dos papéis do divórcio, três meses após a separação, apenas confirmara a intenção dela de se casar com outro.
—Espero que ele tenha me achado um bom professor! —alfinetou Edward de maneira áspera quando ela permaneceu em silêncio, ignorando o modo como o próprio rosto empalidecera diante daquelas palavras. Ele ainda não podia suportar o pensamento de que qualquer outro homem a tocasse e a acariciasse como ele gostava de fazer.
Virou-se então, abruptamente, se recriminando. Será que ele havia enlouquecido? Será que ver Bella outra vez o levara à beira do precipício que ele vinha tentando evitar nos últimos quatro meses, ao maquinar a vingança?
—Ouça, Edward. Eu não posso fazer nada além de lhe assegurar que Jacob e eu nunca fomos amantes, nem quando eu e você éramos casados, nem depois. Você está enganado a respeito do tipo de relação que eu tenho com ele!
Argumentos que eram pura perda de tempo, uma vez que o amante não hesitara em reconhecer o envolvimento com ela! Era tarde demais para aquilo. Não havia mais retorno desde que Bella correspondera à sedução de Jacob Black .
Como Bella não havia tido nenhuma relação sexual com outro homem antes do casamento, Edward supôs que fidelidade seria o mínimo a se esperar dela. Saber do caso com Black a transformara, aos olhos de Edward, numa mulher tão pouco digna de confiança como qualquer outra, inclusive a própria mãe.
—Acho melhor eu ir embora —disse Bella —antes que nos insultemos ainda mais!
Ele sabia que eles estavam ferindo um ao outro de forma deliberada. Tentou então relaxar a tensão nos próprios ombros e se virou para encará-la.
—A que horas é o casamento de Alice , no sábado? — perguntou ele de repente.
Bella arregalou os olhos.
—Por que você quer saber? — perguntou ela receosa. Edward sorriu com ar zombeteiro.
—Não vai adiantar nada se eu chegar atrasado, não é?
Quer dizer então que ele a ajudaria? Bella engoliu em seco.
—Se você estiver realmente disposto... Bem, meus pais estarão esperando por nós para um jantar de família, na sexta-feira — disse ela, franzindo a testa.
—Você me disse que queria que eu a acompanhasse à cerimônia de casamento. Suponho que queira que eu fique para a recepção também. Não acha que me pedir para ir ao jantar de sexta à noite também já um pouco demais?— provocou ele. Ela fez uma careta.
—É pior do que isso. Meus pais nos convidaram para dormir lá de sexta para sábado.
O que, ela sabia, seria um grande problema, caso Edward concordasse, mas não a ponto de ser insuperável. Havia camas duplas em todos os quartos de hóspedes da casa dos pais de Bella , de modo que eles não precisariam compartilhar a mesma cama, apenas o quarto.
Embora o frio controle de Edward e a reação de Bella ao simples toque dele provassem que ela corria mais risco de achar aquela proximidade opressora...
Edward ficou olhando para ela com intensidade durante algum tempo, admirando os cabelos sedosos, o belo rosto, atraído de maneira irresistível pelas profundezas daqueles incríveis olhos cor de chocolate. Olhos dissimulados, pensou ele, ao se lembrar de como ela continuava negando o envolvimento com Jacob . Agora, porém, ela estava lá, por vontade própria, se colocando, ainda que inconscientemente, ao dispor dele...
—Não vejo problema algum em passar a noite lá, Bella — disse ele com desdém.
—Não? —perguntou ela, pensativa.
—De jeito nenhum. Nós já compartilhamos uma cama por nove meses. Estou seguro de que podemos compartilhar um quarto outra vez por uma única noite.
Certa de que teria de se estender mais sobre o assunto para convencê-lo a fazer o que estava lhe pedindo, Bella ficou atordoada com a própria aquiescência repentina.
—Eu... Está bem —disse ela, só então se dando conta de que ele concordara em acompanhá-la ao casamento porque desejava algo em troca. Mas ela teria tempo de sobra para pensar no assunto depois! O que importava agora era o bem- estar e a paz de espírito do pai.— Eles estarão nos esperando em Worcestershire por volta das 19h.
—Nós vamos no meu carro. Podemos sair daqui às 16h?
—Perfeito —disse ela, franzindo a testa, e incapaz de ler qualquer um dos pensamentos de Edward por trás daquela expressão indecifrável.— Meu endereço em Londres é...
—Eu tenho seu endereço, Isabella —interrompeu ele.
Como ele sabia do apartamento que ela havia comprado ao voltar dos Estados Unidos?
—Estava no envelope em que vieram os papéis do divórcio —lembrou ele, com severidade. —Agora, se não se importa, eu já perdi muito tempo com esse assunto hoje. Ainda tenho algum trabalho a fazer.
—É claro que você tem — disse ela com um sorriso triste, se virando para ir embora.
—Ah, Isabella ... — disse ele, detendo-a depois de vê-la dar apenas dois passos.
Ela se voltou, receosa.
—Sim...?
Ele sorriu, malicioso.
—Depois lhe direi o que quero em troca pela ajuda que estou lhe dando.
Bella empalideceu.
—Você vai querer algo em troca...? —repetiu ela com cuidado.
—Naturalmente —respondeu Edward . — Você não achou mesmo que eu ia fazer isso tudo a troco de nada, não é?
Ela, na verdade, não havia pensado em outra coisa, a não ser em fazer com que ele concordasse em ir ao casamento, no sábado!
Edward balançou a cabeça.
—Você continua a mesma ingênua de sempre, Bella —zombou ele. — Eu vou pensar no assunto nos próximos dias e lhe comunicarei minha decisão.
E até lá, ela teria de se dar por satisfeita, pensou Bella com resignação ao se encaminhar para o elevador. Sabia que o pagamento que Edward exigiria seria algo que ela não estava disposta a dar. Ou pior, algo que ela queria dar, mas que a deixaria vulnerável e exposta a todo o tipo de sofrimento caso o fizesse!
Ah e então? algum palpite sobre oq ele vai querer? Façam suas apostas, e alguem ai achou ele pouco ciumento? Viira maais podem esperar :D ate quinta õ/
