- Parte II: Navalha na carne -

Sam folheava o jornal, quando uma notícia chamou a sua atenção. Leu atentamente a notícia, e percebeu que aquele era um caso que ele e Dean poderiam cuidar.

- Dean, olha só isso! - disse Sam, empurrando o jornal para Dean, que teclava sem parar no notebook.

- Justo agora que uma sueca loiraça tá me dando a maior bola?

Sam lançou um olhar carrancudo ao irmão.

- Tá bom então... - conformou-se Dean, fechando o notebook.

- Três mortes em uma semana. Todas mortas com um corte de navalha no pescoço. Todas as vítimas foram mulheres, pelo o que diz aqui no jornal. - relatou Sam, passando os olhos pela reportagem.

- Tem certeza que você está lendo uma notícia e não o resumo de um filme? Vai me dizer que o cara é dono de uma barbearia e tem uma loja de tortas embaixo? - zombou Dean, sorrindo.

- O quê? Sweeney Todd? Quem dera que isso fosse um filme! Infelizmente é a mais horripilante e bruta verdade.

- E que tipo de criatura faria isso?

- Talvez um espírito desesperado, buscando vingança...

- Tudo bem, eu vou atrás de informações sobre as vítimas. Você fica aqui. Aproveita e conversa com a Katherine. Vamos iluminar o caminho dela enquanto o Olho Amarelo não vira a cabeça dela.

Depois de Dean ter ido atrás de informações, Sam foi conversar com Katherine. Bateu na porta, e ela o atendeu, surpresa.

- É, eu disse que precisaríamos conversar... Se estiver pronta...

- Tudo bem. Pode entrar.

Katherine deixou-o entrar, e deixou-o sentar numa das poltronas puídas que haviam em seu quarto.

- É, as instalações não são muito boas nessa parte do hotel - disse Sam, afastando uma nuvem de poeira do assento da poltrona.

- Foi o melhor que eu pude pagar com o que me restou.

- Bom, mas você sabe que não foi para isso que eu vim aqui. Preciso falar com você sobre a morte de seus familiares. Pode parecer loucura, mas o que eu vou lhe dizer é a verdade, por mais assustadora que pareça.

- Depois de tudo o que eu vi e li, não consigo mais ter medo de nada.

- Aconteceu a mesma coisa comigo. Quando eu tinha 7 meses, minha mãe morreu da mesma forma que a sua. E, há pouco tempo atrás, minha namorada Jessica morreu da mesma forma. Desde então, eu tenho visões. Eu vi o que ia acontecer com a sua irmã, por isso meu irmão e eu estávamos em sua casa logo que o incêndio começou.

- Mas por que isso? Eu já sabia que não era algo normal, então procurei o maior número de informações que pude. Li sobre tudo: demônios, espíritos, armas, paranormalidade... Tudo, mas nada parecia encaixar com... Isso.

- Eu também estou tentando entender. Pelo o que eu sei, nós somos marcados. O Olho Amarelo quer algo com a gente.

- Olho Amarelo? O demônio?

- Exatamente.

- Desde que minha mãe morreu, eu tenho estudado sobre fenômenos sobrenaturais e como acabar com espíritos e demônios... Eu estou pensando em vingar a morte da minha família, não vou ficar de braços cruzados enquanto as pessoas que eu gosto morrem!

- Eu entendo o seu sentimento, foi isso o que motivou meu pai a caçar. E o que nos motivou a continuar o trabalho dele.

- Sam, eu me sinto tão culpada! Tenho medo de gostar das pessoas! Tenho medo de acordar e ver alguém que eu amo morto! Por favor, me ajude! Desde que meu pai se suicidou, eu perdi o meu rumo!

E começou a chorar desconsoladamente, enquanto abraçava Sam.

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Mais tarde, quando Dean voltou, Sam relatou tudo o que Katherine havia contado.

- Ela está realmente muito perturbada. Perder a família inteira não deve ser nada fácil...

- Pelo menos ela sabe toda a verdade. Seria muito pior se ela não soubesse que tem um plano demoníaco por trás disso tudo.

- Ou talvez não. Enfim, o que você conseguiu descobrir sobre as vítimas do nosso barbeiro descontrolado?

- Todas são mulheres, tem três filhos e... Todas nascidas em Lawrence.

- Lawrence? Cidadezinha maldita essa, hein?

- Exatamente. E o pai da Katherine se suicidou, não foi?

- Sim, mas o que isso tem a ver?

- Nunca se sabe de quem pode ser esse espírito atormentado. Você sabe como ele se matou?

- Não, eu nem cheguei a perguntar...

- Mas tinha que ser, viu! Às vezes você precisa ser um pouco mais eficiente! Bom, não importa. Vamos lá.

Dean bateu apressadamente na porta de Katherine. Ela atendeu. Dean entrou, sem a menor cerimônia, com Sam em seu encalço.

- Preciso saber como o seu pai morreu. Conte o mais detalhadamente possível.

Katherine arregalou os olhos e engoliu em seco. Pensar naquilo a machucava.

- Na noite de sua morte, meu pai estava bêbado. Ele começou a gritar, dizendo que odiava a minha mãe, por tê-lo deixado sozinho com três crianças. Ele não podia trabalhar, já que tinha uma doença que o impossibilitava. Minha mãe sustentava a nossa família. Quando ela morreu, ficamos totalmente sem condições. Meu pai gastou indiscriminadamente o pouco dinheiro que havia restado... Ele estava completamente fora de si naquele dia. Foi quando ele... - Katherine respirou fundo, segurando as lágrimas - tirou uma navalha do bolso e cortou o próprio pescoço. Na minha frente. Eu não pude fazer nada, não pude! - Katherine sentou-se na poltrona e levou as mãos ao rosto.

- E onde sua mãe nasceu?

- Em Lawrence, Kansas. - respondeu Katherine, com a voz abafada e sem olhar para os rapazes.

Sam e Dean se entreolharam. Agora eles sabiam quem estava matando aquelas pessoas.